SOTER - O Congresso de 1998

 

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"Experiência Religiosa: Risco ou Aventura?"

 

Artigo publicado em Cadernos do Cearp n. 10 (setembro de 1998), Ribeirão Preto, CEARP, p. 47-61.

1. O Congresso

O Congresso da SOTER[1], Sociedade de Teologia e Ciências da Religião, trabalhando sobre o tema Experiência Religiosa: Risco ou Aventura? foi realizado com sucesso em Belo Horizonte, de 6 a 10 de julho de 1998. Cerca de 170 teólogos, teólogas, cientistas da religião e áreas afins estiveram presentes. Destaque, entre os participantes, para alguns dos teólogos e cientistas da religião que mais produzem em nosso país, como João Batista Libânio, Clodovis Boff, Carlos Mesters, Alberto Antoniazzi, Pedro Ribeiro de Oliveira, Luiz Roberto Benedetti, Márcio Fabri dos Anjos, José Comblin, Mário de França Miranda, Maria Clara Bingemer, Ana Maria Tepedino, Walter Altmann, Francisco Catão, José Bittencourt Filho, Cleto Caliman e tantos outros.

Do CEARP participaram os professores Paulo Fernando Carneiro de Melo Cunha e Airton José da Silva. No dia 5 de agosto, os dois professores fizeram, durante toda uma manhã, um comunicado sobre o congresso para toda a comunidade acadêmica do CEARP.

Conforme o Boletim n. 24 da SOTER, de agosto de 1998[2], que utilizarei como referência básica aqui, "em bom ritmo de congresso, foram apresentados os muitos estudos e pesquisas, com grande riqueza e variação, conforme se pode ler no libreto do congresso", que traz um resumo das conferências e comunicações científicas feitas no congresso[3].

No dia 6, uma noite de autógrafos, realizada logo após a conferência de abertura, "revelou vinte e uma obras publicadas ultimamente pelos sócios/as. Uma média bastante boa de produção científica para a SOTER". Entre os lançamentos, destaco aqui o esperado estudo de Clodovis Boff, Teoria do Método Teológico, Petrópolis, Vozes, 1998, um alentado volume de 758 páginas, no qual o conhecido teólogo, nestes tempos de transição e crise, volta ao fundamento operativo da teologia, que é o seu método. Clodovis, neste seu empreendimento, lança mão das mais recentes pesquisas em epistemologia teológica feitas a nível mundial, na Alemanha, Suíça, França, Itália, USA, Espanha e América Latina. Mas também recorre à longa tradição teológica para ouvir a "lição dos clássicos", que vão desde Agostinho até Rahner, passando por Anselmo, Tomás de Aquino, Boaventura e Duns Scoto. Sem deixar de fora os "teólogos naturais", como Platão, Aristóteles, Varrão e Horkheimer.

Além das palestras e debates em plenário, que ocuparam as manhãs e as tardes, ocorreram comunicações científicas à noite, organizadas em três grupos concomitantes e em três dias diferentes. Conforme o Boletim da SOTER, "algumas delas foram particularmente importantes para se conhecerem novas gerações de pesquisadores/as que estão despontando".

A SOTER preparou duas publicações diferentes sobre o Congresso deste ano. Uma, com as conferências: DOS ANJOS, M. F. (org.), Sob o Fogo do Espírito, São Paulo, SOTER/Paulinas, 1998, 350 pp. A outra, com as comunicações científicas, pela Editora Santuário. Vale lembrar que em preparação ao congresso foi publicado um livro de ensaios sobre o tema a ser discutido, e no qual se recolheram aspectos diversificados. O livro, também organizado por Márcio Fabri dos Anjos, tem por título Experiência Religiosa Risco ou Aventura?, e foi publicado pelas Paulinas em co-edição com a SOTER.

2. A Assembléia

Este Congresso da SOTER realizou também Assembléia para eleição da nova Diretoria que comandará a organização pelos próximos três anos. Chapa única acolhida calorosamente e eleita por unanimidade, a nova Diretoria ficou assim composta: para Presidente, Luiz Carlos Susin (Porto Alegre - RS); para Vice-Presidente, Agenor Brighenti (Florianópolis - SC); para Secretário, Érico Hammes (Porto Alegre - RS); para Segundo Secretário, Flávio Martinez de Oliveira (Pelotas - RS); para Tesoureira, Araci Maria Ludwig (Passo Fundo - RS). Foram igualmente eleitos os Coordenadores Regionais com seus respectivos suplentes[4].

Segundo a descrição do Boletim n. 24, "a Assembléia se pronunciou também sobre programações futuras e aprovou que se realize o próximo Congresso, em Belo Horizonte - MG, de 5 a 9 de julho de 1999. Entre as sugestões levantadas pelos diversos Regionais da SOTER, a Assembléia escolheu para tal evento o tema genericamente formulado como 'Cosmologia', visando aproximar o estudo da teologia e das ciências da religião com a 'teologia da criação, as ciências de fronteira, a ecologia'. Outro tema que ficou em segundo lugar nas preferências foi enunciado como 'Teologia e História', referindo-se às questões de 'escatologia, milenarismo, fim do mundo, teologia da esperança'. Foi aprovado também, sem maiores definições, que se organize também outro congresso para o ano 2000". A novidade é que este contará com a participação de outras entidades teológicas latino-americanas similares à SOTER.

De uma reunião de Mulheres participantes do Congresso foi mandado ao Boletim da SOTER o seguinte comunicado: "Vinte e duas das quarenta mulheres que participaram no Congresso da Soter/98, apesar da extensa programação, conseguiram fazer uma reunião de fim de noite, durante o Congresso, para trocar experiências de vida e de trabalho profissional/pastoral. Ficou demonstrado concretamente, embora em um curto espaço de tempo, a importância da articulação práxis-teoria para uma metodologia teológica adequada, sobretudo quando é percebida através de um diálogo aberto e afetivo entre as pessoas comprometidas e fecundada por uma espiritualidade viva e partilhada.

A reunião teve uma presença bastante diversificada de mais antigas e mais novas, leigas e religiosas: teólogas com mestrado e doutorado completos, experiência acadêmica, artigos e livros publicados; mestrandas e doutorandas em teologia; especialistas no campo das ciências da religião e das ciências sociais; responsáveis pelo Conselho Editorial de editoras presentes, e outras.

Sentiu-se a necessidade de um trabalho mais organizado entre as participantes antes, durante e depois de cada Congresso. Este procedimento poderá dinamizar a presença articulada de mulheres e homens nos próximos congressos. Para tal, pensamos fazer a reunião das mulheres nas segundas feiras à tarde, no horário que antecede a abertura de cada Congresso e o cocktail de congraçamento. A teóloga doutora Delir Brunelli foi escolhida por unanimidade como representante das mulheres junto à Diretoria da Soter."

3. A Abrangência do Tema  e a Perspectiva  Assumida

O Boletim n. 23, de maio de 1998, falando do Congresso, diz que "a amplidão do tema da 'experiência religiosa' exige naturalmente concentrar agora as atenções em alguns aspectos, para que se possa avançar na reflexão. Neste congresso, assumimos o Neopentecostalismo e a Renovação Carismática Católica como lugares a partir de onde desenvolvemos os estudos e debates. A atualidade destes espaços como lugares de experiência religiosa dispensa argumentação sobre sua relevância".

Na Conferência de Abertura, Mapas da Experiência Religiosa no Contexto Atual, o Presidente da SOTER, Prof. Dr. Márcio Fabri dos Anjos, chamou a atenção para o seguinte, conforme consta da ementa publicada no Boletim n. 23: "Quando falamos em 'experiência religiosa' mencionamos um assunto de uma enorme abrangência. Toda aproximação desse tema requer delimitações precisas e boa interdisciplinaridade. A porta de entrada nesse tema tem sido com freqüência as perguntas em torno da 'experiência'. Mas talvez uma das chaves interessantes para se compreender a problemática atual neste assunto pode estar na conotação 'religiosa' da experiência e ao que ela remete". Márcio desenvolveu sua palestra desdobrando as múltiplas definições e lugares da "experiência religiosa".

Nos três dias seguintes, 7, 8 e 9 de junho, os conferencistas abordaram o tema dentro da seguinte lógica: no primeiro dia, a experiência religiosa foi enfocada sob o ponto de vista socioantropológico; no segundo dia, a abordagem foi fundamentalmente teológica: no terceiro dia, se concretizou uma abordagem prático-pastoral da questão. E, finalmente, no dia 10, para encerrar as conferências, Clodovis Boff falou dos horizontes e perspectivas da teologia para o novo milênio, sempre sob a ótica da experiência religiosa.

3.1. Abordagem Socioantropológica

No dia 7, O Neopentecostalismo e a Renovação Carismática Católica foram abordados por Ricardo Mariano, Mestre em Sociologia pela USP; Brenda Maribel Carranza Davila, Mestre em Sociologia pela UNICAMP; Cecília Mariz, Doutora em Sociologia da Cultura e da Religião pela Boston University (USA) e por Luiz Roberto Benedetti, Doutor em Sociologia pela USP.

Segundo Ricardo Mariano o que mais chama a atenção no neopentecostalismo é que ele se firma no Brasil "como uma religião que cada vez mais deita raízes em nossa sociedade e é por ela influenciada num processo de assimilação mútua". Embora excessos possam ser cometidos, como os "chutes na santa", a "assimilação da cultura ambiente, não obstante sua rivalidade com outras religiões e as contínuas importações teológicas dos Estados Unidos, constitui processo, ao que parece irreversível"[5]. Por isso, supô-los, de um lado, "fundamentalistas", "fascistas de carteirinha" ou, de outro, inversamente, como "portadores tardios da velha ética protestante em tudo afim com o chamado espírito capitalista" é um anacronismo. "O futuro dessa religião, como já dá mostras de sobra seu presente, aponta noutra direção: flexibilização, ajustamento, assimilação, secularização"[6].

Brenda Carranza, por sua vez, salientou em sua palestra que "fazer da experiência religiosa uma mercadoria submetida às leis da concorrência no mercado de bens simbólicos, parece ser o tom que a Renovação Carismática Católica (RCC) quer imprimir à sua oferta espiritual"[7]. Um texto do padre Eduardo Dougherty, citado por Brenda nesta mesma página, e tirado de O Globo de 05.10.1997, p. E-11 é bem esclarecedor deste objetivo da RCC. Diz Eduardo Dougherty[8]: "Acredito que a Igreja Católica precisa encantar seus clientes. Utilizando um termo de marketing, temos o melhor produto possível que é Deus; o melhor preço possível que é grátis; uma rede mundial de distribuição bastante ampla; mas ainda temos que fazer muito barulho. O nosso produto tem que ser uma experiência de Deus".

A partir dessa ótica, e tendo como pano de fundo as diferenças e semelhanças entre a RCC e o pentecostalismo e a tensão existente entre a Teologia da Libertação e a RCC, Brenda levanta em sua palestra uma série de questões sobre a RCC, segundo ela, ainda mal respondidas pelos especialistas: "Em que momento a RCC começou a tomar corpo e tornar-se relevante dentro do catolicismo e da sociedade? O que tem a RCC que atrai e aglutina tantos católicos? Qual a conjuntura social que permite sua expansão? Qual a especificidade de sua oferta religiosa perante a diversidade do campo religioso no Brasil? Quais suas relações com esse campo? É a RCC, de fato, portadora de elementos novos que mudam o perfil da Igreja Católica?"[9].

Interessante no estudo de Brenda é sua observação de que "desde as suas origens, a RCC se debateu entre sua potencialidade carismática (autonomia dos leigos alicerçados na certeza de serem portadores também do sagrado, exercendo os dons e carismas do Espírito Santo) e a institucionalização do carisma", tendo a RCC sucumbido "à rotinização e burocratização da sua capacidade de oposição ao sistema religioso estabelecido, tornando-se um movimento que vivencia o paradoxo entre a espontaneidade do carisma e a cooptação, mediante mecanismos de controle da instituição eclesial"[10].

Essa sua burocratização se revela na apologética postura do projeto Ofensiva Nacional que articula estratégias de expansão do movimento. Segundo Brenda, "tudo isso caracteriza a RCC como um movimento inclusivo, isto é, uma igreja dentro da Igreja; uma sociedade dentro da sociedade; um modelo de igreja que se basta a si mesma, levando o fiel a um encasulamento, a refugiar-se do mundo, no movimento. Além disso, a RCC, em nome da experiência do Espírito que diz possuir e da renovação que oferece, pretende ser, segundo algumas de suas lideranças, a expressão da totalidade da Igreja católica"[11].

Quando, finalmente, Brenda aborda as tendências da RCC, diz ela que é possível indicar o seguinte processo: a RCC procura 1) "revigorar a instituição eclesiástica da Igreja católica nos moldes de um catolicismo tradicional, constituindo-se no último suspiro do catolicismo romanizado nesta virada de milênio; 2) desencadear um processo sinérgico, mediante o uso do marketing religioso, que reforce um modelo de Igreja já centrada em si mesma, apologética, intolerante, não ecumênica, tradicionalista e centrípeta; 3) reforçar, por meio de sua mensagem religiosa, um catolicismo de temor e aflição, que fomente a confiança nas intervenções mágicas como solução de problemáticas históricas, fazendo da experiência religiosa uma recusa do mundo real; 4) sofrer um esgotamento em si mesma, devido aos seguintes sintomas: alto grau de burocratização; a possível disputa das lideranças para ocupar um espaço significativo na mídia; atrelamento de interesses do movimento com a política partidária; e abuso na manipulação da emoção, como recursos para atrair fregueses. Além do que, a RCC aposta na novidade ritual como recurso para atrair os fiéis. Mas esses fiéis poderão perceber que não há novidade na mensagem e poderão cansar-se do mesmo discurso. Portanto, é possível que o pentecostalismo católico esteja com seus dias contados e seja perene enquanto efêmero"[12].

A fala de Cecília Mariz foi sobre As Diferenças e Semelhanças de Pentecostais e Carismáticos Brasileiros na sua Luta contra o Mal e o Demônio. A conferencista estabeleceu "uma comparação quanto ao papel e o significado do demônio e da 'libertação' nas igrejas pentecostais clássicas (o caso da Assembléia de Deus) e nos grupos de oração carismática". Discutiu "assim de forma comparativa o discurso sobre o demônio em cada um desses grupos e como se relaciona com questões outras tais como conversão, pecado, cura e ascensão social"[13].

Luiz Roberto Benedetti procurou oferecer um quadro teórico de reflexão sobre a experiência religiosa que teve por título: Entre a Crença Coletiva e a Experiência Individual: Renascimento da Religião. Diz Benedetti: "A minha intenção é apresentar um quadro interpretativo mais globalizante. Talvez tenha de terminar por uma pergunta: será possível uma interpretação globalizante da experiência religiosa hoje?". E acrescenta: "O título desta conferência remete a uma pergunta fundamental que perpassará todas as reflexões: onde se radica o 'social', o coletivo da sociedade? Não será, no limite, a própria idéia de sociedade - esta entidade sacralizada pela teologia e pela ciência - a sociologia de Durkheim - que está em crise?"[14].

Benedetti percebe a religião cada vez mais como aparência fluida, desligada de um significado profundo, perdendo seu papel de valor totalizante da vida pessoal e social, crença coletiva e fonte de identidade. Assim a própria experiência religiosa é redefinida: tem caráter transitório, passageiro, superficial e efêmero.

Benedetti busca pistas em Durkheim: "Para ele a religião é essencialmente coletiva - sociedade sacralizada; na sociedade marcada pela divisão do trabalho esta se cultua através do culto à sacralidade do indivíduo, erigido como valor supremo. Não estaríamos atingindo o ápice deste processo? Isto é, o sagrado volatiliza-se das instituições, torna-se 'disponível' a qualquer 'experiência'. O indivíduo o maneja a partir da situação social em que vive"[15].


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[1]. A SOTER "teve sua fundação em um Encontro de Teologia realizado em Vila Fátima, Justinópolis, município de Ribeirão das Neves nos arredores de Belo Horizonte - MG, de 25 a 28 de julho 1985. Para além das formalidades jurídicas registradas em cartório no dia 28 de setembro de 1985, todos os participantes deste Encontro são considerados "sócios fundadores". Os Conselheiros Regionais da SOTER foram introduzidos na Diretoria a partir de 1987. O mandato da Diretoria foi inicialmente de dois anos. A partir de 1991 passou a ser de três anos, o que é atualmente vigente. O nome de fantasia "SOTER", embora já utilizando anteriormente, só foi oficializado em 1990, substituindo a sigla S.T.C.R." explica o Boletim n. 24.

[2]. Os Boletins da SOTER são regularmente distribuídos aos sócios(as) em forma impressa, mas podem ser acessados também pela Internet na página da SOTER.

[3]. Este libreto apareceu também como Boletim n. 23. Pode ser lido no endereço eletrônico acima.

[4]. O endereço da SOTER, com a nova diretoria, passa a ser o seguinte: SOTER - SOCIEDADE DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS DA RELIGIÃO. Secretaria: a/c Érico Hammes * ITCR da PUC - RS. Av. Ipiranga 6681 * 90619-900 Porto Alegre - RS.

[5]. MARIANO, R., Neopentecostalismo: novo modo de ser pentecostal, em DOS ANJOS, M. F. (org.) , Sob o Fogo do Espírito, São Paulo, SOTER/Paulinas, 1998, p. 35.

[6]. Idem, ibidem, pp. 35-36.

[7]. CARRANZA, B., Renovação Carismática Católica: Origens, Mudanças e Tendências, em DOS ANJOS,  M. F. (org.), Sob o Fogo do Espírito, p. 39.

[8]. O padre Eduardo Dougherty é sacerdote jesuíta, norte-americano, nascido em 1941. Veio ao Brasil em 1966. Foi para o Canadá, em seguida, para fazer seus estudos teológicos em Toronto, tendo, nesta época, sua experiência de "Batismo no Espírito", em Michigan, EUA, tornando-se carismático. De volta ao Brasil em 1969 passa a colaborar com o Pe. Haroldo Rahm, também jesuíta e carismático, no centro Kennedy, em Campinas, SP.

[9]. CARRANZA, B., o. c., p. 43.

[10]. Idem, ibidem, p. 48.

[11]. Idem, ibidem, p. 49.

[12]. Idem, ibidem, pp. 58-59.

[13]. SOTER, Boletim n. 23.

[14]. BENEDETTI, L. R., Entre a crença coletiva e a experiência individual: renascimento da religião, em DOS ANJOS, M. F. (org.), Sob o Fogo do Espírito, p. 62.

[15]. SOTER, Boletim n. 23.


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