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Konings, Johan, Evangelho Segundo João. Amor e Fidelidade, Petrópolis, Vozes, 2000, 456 pp.Atualizando: já está nas livrarias a nova edição de KONINGS, Johan, Evangelho segundo João: amor e fidelidade, São Paulo, Loyola, 2005, 408 pp. É uma reedição corrigida e levemente ampliada, com bibliografia, do comentário que estava sendo publicado anteriormente pela Vozes. O conhecido exegeta jesuíta de origem belga, Johan Konings, Doutor em
Teologia pela Universidade Católica de Lovaina, acaba de
publicar, em abril último, seu comentário ao Evangelho de João. Com preocupação O livro faz parte do Comentário Bíblico latino-americano, um empreendimento conjunto da Editora Vozes (católica) e Editora Sinodal (luterana), que totalizará 70 volumes. Os biblistas que participam do projeto apresentam um comentário sobretudo prático, pastoral, e que reforça a caminhada do povo cristão que anseia por uma situação melhor e mais fraterna. Estes livros, dizem os Editores, "se destinam principalmente aos agentes de pastoral, líderes comunitários, coordenadores de círculos bíblicos e a todos os que simpatizam com o povo simples e se interessam por seu destino" (2a capa). Diz Konings no Prefácio de seu livro: "É no intuito de servir que entrego às comunidades e seus biblistas este comentário sobre o Evangelho segundo João. O leitor saiba, porém, que a obra não está acabada (...) O terreno da exegese joanina é movediço. Nós exegetas não proclamamos dogmas; apenas proporcionamos conhecimentos prováveis para ajudar o leitor. Mas, ainda que se tenha consciência da precariedade, chega a hora de socializar o que se adquiriu". E mais adiante: "Procuro mostrar o sentido de João a partir da coerência interna do texto. Daí as referências a outras partes do próprio evangelho e também aos demais livros da Bíblia, pois o autor tinha mentalmente presente a tradição cristã (que se tornaria o Novo Testamento) e as Escrituras de Israel ("a Lei e os Profetas"), como mostram as numerosas citações e alusões. Assim, a única biblioteca que o leitor deste comentário necessita é a Bíblia - de preferência em edição que inclua os livros deuterocanônicos (ou apócrifos, na terminologia protestante)". E finalmente: "Procurei manter-me na objetividade do estudioso de história e literatura, não, porém, para me afastar de uma 'leitura na vida', mas exatamente para servir às 'leituras na vida' que devem acontecer em nossas comunidades. (Assinalo neste sentido o texto da CNBB para a ano 2000, 'O Evangelho de João'.) Aos participantes dessas leituras ofereço este comentário como presente de Natal" (Konings escreveu este prefácio em dezembro de 1999). A tradução do Evangelho é a da CNBB, coordenada pelo próprio Konings. Aliás, sobre esta tradução pode-se ler uma apresentação feita por Konings em Estudos Bíblicos 71 , Petrópolis, Vozes/Sinodal, 2001, pp. 85-87. Em resenha publicada na mesma revista Estudos Bíblicos 71 , Wolfgang Gruen observa sobre Johan Konings: "Ao falarmos de exegese joanina no Brasil, o nome que logo ocorre é o de Johan Konings (JoK). Com razão: sua familiaridade com o IV Evangelho vem de longa data, desde a tese de doutoramento 'A narrativa joanina no quadro da crítica literária' (Lovaina 1972), passando por diversas obras de divulgação, até Evangelho segundo João. Amor e fidelidade (EvJo), editado em 2000 por Vozes/Sinodal. Duas características têm marcado a atuação de JoK: Primeira, seu espírito eclesial: para ele, comunidade, liturgia, bíblia e catequese sempre andam juntas. Segunda, a capacidade de valorizar exegese competente com boa comunicação" (pp. 80-81). Mais adiante, Gruen nos lembra que o Quarto Evangelho "suscita questões de diversas ordens" e elenca algumas, mostrando como Konings se posicionou em relação a elas: "Como situar-se diante da linguagem fortemente simbólica de João? Que parâmetros temos para respeitar a mentalidade semito-helenística de João sem cairmos em fantasias descabidas? (...) Como traduzir hoje as vigorosas profissões de fé formuladas na comunidade joanina, para que expressem de maneira nova a mesma fé? (...) Tomemos o caso da fraternidade em João. O IV Evangelho urge o amor mútuo entre os membros da comunidade: é a grande prova do discipulado; dá coesão ao grupo; é testemunho e convite a que também outros adiram a este discipulado. Mas estamos longe do amor ao 'outro', ao diferente e até inimigo, de que fala Mateus (...) O cristianismo separou-se do judaísmo em clima fortemente polêmico. Ora, numa polêmica, a prudência manda ouvir os dois lados. As fontes, tanto judaicas como cristãs, têm que passar pelo crivo da contextualização na complexa história da época. JoK tem este cuidado" (pp. 82-83). E Gruen conclui estas questões com uma interessante observação: "Estas reflexões nos levam ao que me parece um dos principais méritos do livro em análise. Como JoK deixa claro, o IV Evangelho não é nem podia ser antijudaico; mas foi habitualmente lido como tal. Deste modo, por dois mil anos, Jo foi talvez o livro que mais alimentou o antijudaísmo no mundo... até hoje. Muito oportunamente JoK nos brinda com uma obra que respira um clima ao mesmo tempo de fidelidade ao projeto de Jesus Cristo e de compreensão do 'outro'. Para nossos agentes de pastoral, é uma lufada de ar puro no meio de tanta pseudo-informação e malhação do judaísmo. Vale frisar que não é só o judaísmo que está em questão: é a nossa atitude em relação ao 'diferente' em geral; é a nossa capacidade de 'descentramento'" (p. 84). E, no final, diz Gruen: "Recomendamos a obra a quantos têm a coragem de se desinstalar seguindo o itinerário de fé traçado por João, mas com estratégias e horizontes sempre novos" (p. 85). Copyright © 1999-2008 Airton José da Silva. Todos os direitos reservados.
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