Metodologia Bíblica
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DIAS DA SILVA, C. M. com a colaboração de especialistas, Metodologia de Exegese Bíblica. São Paulo: Paulinas, 2000 [2. edição: 2003), 526 p.

Foi lançado, no mês de setembro de 2000, pela Editora Paulinas, na Coleção "'Bíblia e História", o livro do Professor Cássio Murilo Dias da Silva, Metodologia de Exegese Bíblica, com 11 capítulos e 526 páginas.

Cássio Murilo é Doutor em Ciências e Línguas Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma - título obtido em 2005 - e professor de Metodologia Bíblica no Curso de Pós-Graduação em Estudos Bíblicos da Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, São Paulo, desde 1993. Foi igualmente professor de Exegese Bíblica na FTCR da PUC-Campinas.

Escrito em colaboração com alguns colegasCássio Murilo, Metodologia de Exegese Bíblica especialistas em Bíblia, Metodologia de Exegese Bíblica é, segundo a Apresentação de Milton Schwantes, um "verdadeiro manual de exegese bíblica [que] se ocupa também da hermenêutica, assim como a viemos exercitando, procurando e ansiando na América Latina". Em ambos os campos, garante Schwantes, "é competente e pedagogicamente consistente". Este livro facilitará aos leitores e leitoras o acesso à terminologia nesta área do conhecimento, ao mesmo tempo em que "irá desafiá-los em suas perguntas hermenêuticas" (p. 7).

Diz ainda Milton Schwantes que "óticas diversas ou jeitos de ler variados tornam-se mais autênticos quando feitos à moda da partilha (...) Nesse sentido, Cássio, de verdade, foi muito sábio ao convidar vários autores e autoras para delinear o arco-íris de abordagens hermenêuticas possíveis. Fez de seu livro uma comunidade, um círculo bíblico. Vitório Maximino Cipriani convida à leitura judaica. Domingos Zamagna nos inicia na leitura patrística. Sônia de Fátima Batagin aponta para a sintonia com a leitura popular. Silvana Suaiden convoca à leitura feminista. E, por fim, Airton José da Silva descreve a leitura sócio-antropológica" (pp. 7-8).

Cássio, por sua vez, na Introdução, à página 13, nos diz que "o presente livro quer (...) ser uma provocação a quem nele se aventura. Destinado primeiramente, mas não de modo exclusivo, a um público já introduzido na teologia e nos estudos bíblicos, quer propor uma nova maneira de ler a Bíblia".

Cássio explica, em seguida, o conteúdo do livro, nos apresentando o Zeca: "Para melhor compreendermos os passos que serão expostos a cada capítulo, teremos por guia um personagem alegórico, o estudante de música Zeca".

Para Cássio, Zeca é a personificação do leitor, pois ambos seguirão caminhos paralelos: "O Zeca passará por situações novas e inesperadas, que o ajudarão a amadurecer seu talento musical: igualmente, o leitor será instigado a amadurecer seu modo de ler a Sagrada Escritura". Para ilustrar esta caminhada, Cássio toma como exemplo o texto da "tempestade acalmada" de Mc 4,35-41.

E o que dizem os 11 capítulos do livro? Continuamos nas pegadas de Cássio nas pp. 14-16.

O CONTEÚDO DO LIVRO

1. "Ler é mais importante do que estudar" "O primeiro capítulo fornecerá elementos para avaliarmos se a leitura que fazemos dos livros sagrados é simplesmente devocional ou se engloba também outros níveis, que ultrapassam o da oração"
2. Entrando em contato com o texto "original" No segundo capítulo "seremos introduzidos no manuseio das edições em grego e em hebraico" Aqui aprenderemos o que é a Crítica Textual.
3. Delimitação do texto No terceiro capítulo vamos "encontrar alguns critérios que nos ajudarão" a definir os limites do texto, isto é, "o primeiro é o último versículos da passagem que estamos lendo ou estudando".
4. Duas características básicas da semiótica No quarto capítulo "vamos tomar contato com duas categorias da ciência dos signos, a Semiótica. Falaremos de sincronia e diacronia".
5. Leituras sob o aspecto sincrônico "Os passos para a abordagem sincrônica constituirão (...) o conteúdo do quinto capítulo (...) Vamos começar segmentando a perícope em frases completas que, posteriormente, serão reagrupadas em seqüências, a fim de estabelecermos a estrutura básica do texto. A seguir, será o momento de estudarmos a fundo o vocabulário que o autor/redator utilizou para exprimir as idéias que a ele eram caras. A análise da sintaxe e do estilo completará a abordagem sincrônica e evidenciará o modo como o autor/redator utilizou os recursos gramaticais e expressivos oferecidos pela língua em que escreveu".
6. Leituras sob o aspecto diacrônico - 1 No sexto capítulo queremos "saber se estamos diante de um texto unitário ou compósito. Se o texto for compósito, isto é, incoerente porque sofreu mutações, precisamos reconstruir sua forma primitiva. Quem nos ensinará tal trabalho será a Crítica Literária". Também veremos a Crítica dos Gêneros Literários, "com a qual aprenderemos a comparar o texto que estamos lendo com outros formalmente semelhantes". E, finalmente, o contexto vital ou as situações existenciais semelhantes em que os textos devem ter surgido: em alemão, o Sitz im Leben.
7. Leituras sob o aspecto diacrônico - 2 "No capítulo sétimo, daremos especial atenção ao substrato tradicional que impregna as passagens bíblicas. São os chamados tópoi ou lugares comuns da literatura, que se repetem de várias formas ao longo da Escritura. Esse será o objeto da Crítica da Tradição".
8. Leituras sob o aspecto diacrônico - 3 "O capítulo oitavo será dedicado à Crítica da Redação, método que busca compreender as características próprias de cada autor/redator, a partir das mudanças operadas no material que serviu de base para o texto que temos em mãos (...) Esta análise desembocará no chamado Sitz im der Literatur, a colocação literária", ou seja, a escolha do autor/redator do local, na obra, para colocar cada perícope. 
9. Noções de poética hebraica bíblica "O nono capítulo será uma introdução à complexa Poética Hebraica e tratará de alguns procedimentos estilísticos da lírica bíblica".
10. Outras leituras O décimo capítulo, escrito em mutirão, traz quatro leituras de outros especialistas em Sagrada Escritura, colegas e amigos do Cássio: Vitório Maximino Cipriani, Leitura judaica; Domingos Zamagna, Leitura patrística; Sônia de Fátima Batagin, Leitura popular e Silvana Suaiden, Leitura feminista.
11. Leitura sócio-antropológica O capítulo onze ficou reservado à Leitura sócio-antropológica, feita por Airton José da Silva, porque, embora as exposições "em mutirão" devessem ser breves e diretas, "dado o crescente uso, nem sempre criterioso (...) da Leitura Sócio-Antropológica, julgamos ser esta a publicação adequada para uma abordagem crítica deste método de exegese bíblica, percorrendo sua gênese e seu desenvolvimento histórico".

Para terminar, voltamos a Milton Schwantes: "Quem é da área exegética passa, pois, a ter, através deste livro, um agradável amigo de jornada, um parceiro de diálogo, nos diversos passos exegéticos. Afinal nossa bela tarefa de exegetas merece tais companhias, tais manuais que nos facilitam os  procedimentos, nos fornecem instrumentos, propõem técnicas e explicam os conceitos de que nos valemos na ciência bíblica" (p. 8).

Leia uma resenha do livro aqui.

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