O Pentateuco
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VAN SETERS, John, The Pentateuch. A Social-Science Commentary, Sheffield, Sheffield Academic Press, 1999, 233 pp.

O canadense John Van Seters é professor de Literatura Bíblica na Universidade da Carolina do Norte, Chapel Hill.

É o autor de Abraham in History and Tradition, obra publicada em 1975, e que representa um marco na reviravolta dos estudos do Pentateuco, além de, neste contexto, ter publicado dois outros importantes estudos sobre o javista: Prologue to History: The Yahwist as Historian in Genesis, Louisville, Kentucky, Westminster John Knox, 1992 e The Life of Moses: The Yahwist as Historian in Exodus-Numbers, Louisville, Kentucky, Westminster John Knox, 1994.


Nos últimos 25 anos a teoria clássica das fontes do Pentateuco (JEDP – Javista, Eloísta, Deuteronômio e Sacerdotal), elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, J. Wellhausen (1844-1918), vem sofrendo sérios abalos, de forma que, hoje, muitos pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. Muitas questões sobre o Pentateuco permanecem sem resposta, o que leva os especialistas a buscar novos paradigmas de leitura.

A crise se manifestou na primeira metade dos anos 70, que se caracterizou por uma certa efervescência na questão do Pentateuco, na qual as vozes críticas ainda não dominavam, mas já não era possível escapar da impressão de um mal-estar crescente face à concepção clássica da hipótese documentária.

Quando, então, apareceram os livros de John VAN SETERS, Abraham in History and Tradition, 1975, Hans Heinrich SCHMID, Der sogenannte Jahwist, 1976 e de Rolf RENDTORFF, Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch, 1977, a crise do Pentateuco explodiu em plena luz do dia e ninguém mais podia escapar da constatação de que a hipótese documentária, pelo menos em sua forma rígida, era insustentável.

Em português pode ser muito esclarecedora a leitura da obra organizada por DE PURY, A., O Pentateuco em Questão. As Origens e a Composição dos Cinco Primeiros Livros da Bíblia à Luz das Pesquisas Recentes, Petrópolis, Vozes, 1996, 324 pp. O original francês foi publicado em Genève, pela Labor et Fides, em 1989.


O livro de J. Van Seters O Pentateuco. Um Comentário Sociológico tem 9 capítulos, aí incluídos a introdução e a conclusão. A obra inicia a nova coleção Trajectories da editora inglesa Sheffield que, segundo os editores Diana Edelman e Brian B. Schmidt, se propõe explorar os interesses pessoais, de classe ou grupo refletidos nos textos, a história de suas composições, ideologias religiosas e contextos de recepção. Enfim, uma coleção que enfatiza a produção social dos textos bíblicos.

Na Introdução J. Van Seters discute brevemente os conceitos de Pentateuco, de Torah, seu processo de canonicidade, o objetivo do livro e a distribuição do assunto nos capítulos 2 a 8.

J. Van Seters defende que o Javista compõe uma obra unificada que vai da criação do mundo até a morte de Moisés. O J faz o trabalho de um historiador - semelhante ao trabalho do historiador grego Heródoto - no qual ele se baseia em fontes orais e escritas, dando-lhe, porém, um significado teológico próprio. O objetivo da obra do J é o de corrigir o nacionalismo e o ritualismo da Obra Histórica Deuteronomista, da qual ela é uma espécie de introdução. Por isso, o Javista é posterior ao Deuteronômio e à OHDtr, sendo contemporâneo do Dêutero-Isaías e tendo afinidades com Jeremias e com Ezequiel. Mas é anterior ao Sacerdotal (P), que, por sua vez, não é uma obra independente, mas uma série de suplementos pós-exílicos ao D+J. O Eloísta (E) não se sustenta como documento independente e desaparece.


Van Seters é hoje um dos mais significativos autores na linha da Nova Crítica. Obviamente ele recusa a postura de W. F. Albright e de sua escola, pois o uso de argumentos arqueológicos e de material epigráfico para provar a antigüidade de determinados textos beira, para ele, o fundamentalismo.

Critica F. M. Cross e a Harvard School, segundo ele, os maiores defensores das posturas tradicionais sobre o Pentateuco e a História de Israel.

E rejeita, igualmente, a linha alemã de pesquisa de um M. Noth e de um G. Von Rad, pois não acredita que o J seja uma coletânea de sagas, procurando, deste modo, emancipá-lo da tradição oral.

Sobre o objetivo do livro, diz Van Seters que sua pretensão é introduzir o estudante no método histórico-crítico de estudo do Pentateuco, passo indispensável para um comentário que utilize as Ciências Sociais no estudo dos livros que o compõem.

Sumário

Contents

1. Introdução 1. Introduction
2. O Pentateuco em seu Conjunto: Características Básicas e Problemas 2. The Pentateuch as a Whole: Basic Features and Problems
3. Um Panorama da Pesquisa Histórico-Crítica sobre o Pentateuco 3. A Survey of Historical-Critical Research of the Pentateuch
4. Novas Tendências nos Estudos do Pentateuco de 1975 até Hoje 4. New Currents in Pentateuchal Studies from 1975 to the Present
5. Deuteronômio 5. Deuteronomy
6. O Javista (J) 6. The Yahwist (J)
7. O Redator  Sacerdotal (P) 7. The Priestly Writer (P)
8. Lei no Pentateuco 8. Law in the Pentateuch
9. Conclusão 9. Conclusion
Bibliografia Bibliography
Índice de Referências Index of References
Índice de Autores Index of Authors

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