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Thomas L. Thompson (Dinamarca) Professor no Instituto de Exegese Bíblica da Universidade de Copenhague, Dinamarca Obras: The Historicity of the Patriarchal Narratives: The Quest for the Historical Abraham. Berlin: Walter de Gruyter, 1974 e Harrisburg: Trinity Press International, 2002, 404 p. - ISBN 9781563383892; Early History of the Israelite People from the Written and Archaeological Sources. 2. ed. Leiden: Brill, [1992], 2000, xv + 489. - ISBN 9789004119437; The Mythic Past: Biblical Archaeology and the Myth of Israel. New York: Basic Books, 1999, 436 p. - ISBN 9780465006496; Jerusalem In Ancient History And Tradition. London: T. & T. Clark, 2004, 301 p. - ISBN 9780567083609; The Messiah Myth: The Near Eastern Roots of Jesus and David. New York: Basic Books, 2005, 414 p. - ISBN 9780465085774. Posicionamento: o mais polêmico dos minimalistas! Teve dificuldades para conseguir seu doutorado e publicar sua tese sobre os patriarcas – livro que começou a “revolução” dos estudos do Pentateuco – e nunca foi bem visto pelos meios acadêmicos tradicionais, especialmente na Alemanha e nos USA. Está em Copenhague desde 1993. Em todos os seus textos bate pesado nos adversários: William G. Dever que o diga. Seu programa é fazer uma história do Levante Sul sem contar com os míticos textos bíblicos e considerando todos os outros povos da região, não só Israel. É contra qualquer arqueologia e história bíblicas! Qual é o mais polêmico de seus livros? Talvez o último, o de 2005, The Messiah Myth. Seu posicionamento pode ser visto no artigo Creating Biblical Figures, publicado em maio de 2005 pela revista Bible and Interpretation. THOMPSON, T. L. Historiography of Ancient Palestine and Early Jewish Historiography: W. G. Dever and the Not So New Biblical Archaeology, em FRITZ, V.; DAVIES, P. R. (eds.) The Origins of the Ancient Israelite States. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996, 168 p. - ISBN 9781850757986, p. 26-43, faz de seu texto um feroz ataque ao arqueólogo norte-americano William G. Dever, a quem acusa de não desenvolver, de fato, uma nova arqueologia, mas de estar ancorado no velho paradigma albrightiano - de W. F. Albright – de busca da harmonia entre os dados arqueológicos e os textos bíblicos. “As discussões de arqueologia bíblica de William Dever, nos últimos anos, convenceram-me de que (...) esta não é uma nova arqueologia bíblica e que ela não tem pressuposto um novo ponto de partida de nossa abordagem da história do Levante sul. Esta tem sido, pelo contrário, uma reiteração de abordagens antigas da Bíblia e da história (...) Os métodos de Dever permaneceram enraizados na harmonia albrightiana da ‘história’ do Antigo Oriente Médio com as estórias ilustradas da Bíblia” (p. 26). A posição de Thompson sobre a arqueologia e a história aparece na p. 38 onde ele diz que é preciso abandonar a arqueologia e a historiografia bíblicas e fazer uma história da Palestina e do Mediterrâneo Oriental da qual a História de Israel seria apenas uma parte, já que Israel é, de fato, apenas uma parte desta realidade. THOMPSON, T. L. Defining History and Ethnicity in the South Levant, em GRABBE, L. L. (ed.) Can a ‘History of Israel’ Be Written. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997, 201 p. [T. & T. Clark: 2005 - ISBN 0567043207], p. 166-187, divide sua comunicação em três partes: na primeira, ele critica algumas publicações recentes do arqueólogo William G. Dever; na segunda, ele passa em revista as intuições do recente livro de Keith Whitelam, A Invenção do Antigo Israel: O Ocultamento da História Palestina (“Este novo livro pode muito bem servir como uma proveitosa introdução metodológica à história da Palestina”, diz Thompson na p. 178); e, na última parte, ele defende uma historiografia mais fundamentada na arqueologia e na geografia. Thompson, Cryer e Lemche estão trabalhando na elaboração de um ‘método espectral’ que “promete lidar bem ao mesmo tempo com grandes quantidades de dados e dados de grande variedade” (p. 181). THOMPSON, T. L. The Exile in History and Myth: A Response to Hans Barstad, em GRABBE, L. L. (ed.) Leading Captivity Captive. The ‘Exile’ as History and Ideology. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1998, 161 p. - ISBN 9781850759072, p. 101-118, se propõe dar uma resposta – mais do que fazer uma crítica – à monografia de Hans Barstad, The Myth of the Empty Land: A Study in the History and Archaeology of Judah during the ‘Exilic’ Period, Oslo, Scandinavian University Press, 1996. Obra, aliás, muito citada pelos participantes do Seminário. Thompson começa falando das práticas orientais de transferência de populações como uma política de ‘pacificação’, mas que, na verdade, era um verdadeiro crime de guerra. Mostra como a Pérsia, de Ciro em diante, modificou esta prática, combinando de modo mais eficaz propaganda com terror para controlar os vencidos. Em seguida, aborda o assunto das deportações de Israel e Judá, onde elenca cerca de uma dúzia, colocando entre elas as transferências de populações para Judá na época persa, aquelas que a Bíblia chama de ‘volta do exílio’. Aliás, Thompson nega que tenha ocorrido qualquer ‘volta’ de judeus do ‘exílio’. Debate, em seguida, a possível identidade dos deportados, para mostrar que no processo de integração dos refugiados em Jerusalém e Samaria com as populações aí residentes, vários efeitos de longo prazo caracterizaram essa sociedade, como o uso da língua aramaica, o desenvolvimento de tradições comuns acerca das origens, o isolamento de Samaria e os conflitos de legitimidade ‘judaica’ entre os vários grupos. Finalmente, sob o título “O Mito do Exílio”, Thompson trabalha o exílio como metáfora e mito na Bíblia, passando por Jeremias, Lamentações, Dêutero-Isaías, Zacarias... O ‘exílio’ é a devastação moral de Jerusalém, o vazio da alma sem Deus: não é historiografia, mas pietismo!
4. Observações FinaisUma postura que tais pesquisas colocam em xeque, por exemplo, é a teológico-pastoral, corrente em nossas teologias bíblicas tanto nos meios acadêmicos quanto nos populares, especialmente nas práticas litúrgicas. O que afirmamos todos os dias? Que a Bíblia é o produto da comunidade israelita, expressão da fé do povo de Israel, contrapondo, assim, a comunidade israelita, observadora de uma rigorosa ética de solidariedade, como povo de Deus que é, à orgiástica e opressora sociedade cananéia, transgressora dos valores éticos mais elementares. Philip Davies em In Search of ‘Ancient Israel’, p. 42-46 questiona, de modo selvagem, segundo ele mesmo [“I have expressed myself somewhat savagely”], o absurdo de tais afirmações: “When it comes to the serious matter of recognizing a social entity through its writings, the concept of ‘ancient Israel’ (or for that matter any ancient society), as an author is a nonsense. Yet ‘ancient Israel’ has become synonymous with the Old Testament itself, and is referred to often as a ‘community of faith’, as if ‘community’ and ‘society’ were synonymous”. Confusão entre sociedade e comunidade, textos bíblicos produzidos diretamente como “Sagrada Escritura”, tempo das narrativas bíblicas tomado como tempo cronológico, escrita como produto de toda a sociedade (ou comunidade?) israelita, origem externa de Israel que entra em Canaã ou se revolta e se separa dos cananeus para formar uma sociedade “teleologicamente orientada” a evoluir para as nossas Igrejas... Talvez devêssemos distinguir melhor entre exegese e história? Quem quiser ver como a “teologia bíblica” (como paradigma teológico, hoje recusado por muitos) fica preocupada com as recentes descobertas e teorias sobre as origens de Israel e sobre o sincretismo javista/baalista existente em Canaã (lembro as polêmicas inscrições de Kuntillet ‘Ajrûd e Khirbet el-Qôm em que Iahweh e Asherah aparecem associados) leia o livro de R. Karl Gnuse, No Other Gods: Emergent Monotheism in Israel. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997, 392 p. - ISBN 9781850756576. Gnuse é professor na Loyola University of the South, New Orleans, Louisiana. Diz Gnuse nas p. 14-15: "Durante anos nós tiramos conclusões teológicas e éticas do contraste dramático das culturas israelita e cananéia. Eu também usei tais paradigmas em escritos e falas. O contraste, naturalmente, era projetado para encorajar a moderna audiência, fosse ela composta de membros da Igreja ou estudantes da faculdade e seminário, a imitar os valores dos israelitas hoje e a descartar os valores dos cananeus quando eles aparecessem em roupagens modernas. A equação adequada dos valores cananeus na sociedade moderna era deixada, compreensivelmente, à discrição do pregador ou professor. Infelizmente, este modo de entrelaçar teologia bíblica e ética, o modo do contraste dialético, não pode mais ser utilizado". E um pouco mais adiante: "Os teólogos devem agora fazer teologia a partir de um modelo que entende que o ethos israelita tinha muito em comum com seu antigo meio-ambiente e somente gradualmente dele se diferenciou em uma época tardia. Quais serão, então, as implicações teológicas?" (p. 15). E o que dizer de nós aqui, no Brasil, que ainda nem temos a disciplina “História de Israel” em muitos de nossos Cursos de Teologia? E os cursos que têm “História de Israel”, mas não superaram ainda a perspectiva de Albright e discípulos - hoje totalmente recusada nos círculos acadêmicos bem informados - usando como “manual” o livro de J. Bright, História de Israel. São Paulo: Paulus, 1978, que é a tradução da 2a edição, de 1972 (reeditado em 2003 - 7. ed. - como tradução da 4a edição)? Mesmo o J. Pixley, A História de Israel a Partir dos Pobres. Petrópolis: Vozes, 1989 (9a edição: 2004) ou o H. Donner, História de Israel e dos Povos Vizinhos I-II. São Leopoldo: Sinodal/Vozes, 1997 [4a edição: 2006] (original alemão publicado em Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, [1986], 19952 – Herbert Donner liga-se à escola de Albrecht Alt), não nos oferecem uma perspectiva suficientemente atualizada para trabalharmos com segurança. Bibliografia
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