O
texto é escrito por Mateus para uma COMUNIDADE:
as razões da escrita
O
texto conta certos acontecimentos com pessoas agindo ao redor de JESUS:
as razões das ações
Século XXI
80-90 d.C.
8-6 a.C.
A LEITURA
A ESCRITURA
O ACONTECIMENTO
Defeitos
a evitar:
saltar da leitura para o acontecimento: não é uma
reportagem - leitura ingênua
ler mal o texto, vendo o que está em nossa cabeça
(pressuposições) e não o que o texto diz - ideologia
A
chave para entender o texto:
leitura: comunidade
atual (o exegeta esclarece)
escritura: comunidade
primitiva (o evangelista esclarece)
A
COMUNIDADE
é a ponte que nos liga através de dois mil anos de história, pois: é
cristã - tem projeto de... - daí, a fé é compromisso com...
10
Tempo: Olhar o texto - A Leitura
ler
observar as ações: o que cada pessoa faz
observar os personagens: o papel que cada
pessoa representa
observar as relações entre os personagens: a
disposição do texto
tentar achar a razão central que movimenta
todos: a oposição central
20
Tempo: Olhar a situação da época do autor - A Escritura
quem escreveu o texto
quando
para quem escreveu
como era a situação da época, ou, que
problemas estavam acontecendo na comunidade
como o autor responde aos problemas: a
organização de Mt 1-2
quais os recursos que o autor usa para
responder aos problemas: o gênero literário
30
Tempo: Olhar a situação da época dos fatos - O Acontecimento
três personagens: Herodes, magos, chefes dos
sacerdotes e escribas do povo
três situações (coisas, lugares): estrela,
Belém, presentes
Conclusão
Por que a mensagem é atual?
Voltar ao 10 tempo: compromisso
comunitário, cristão, hoje.
A
Folia de Reis
1.
Com licença morador
Boa
tarde, como vai?
Quem
vem lhe trazer bênção
É
a visita de nosso Pai.
4.
Apareceu aquele sinal
Que
clareou o mundo de luz
Chegou
o tempo o dia e a hora
Do
nascimento de Jesus.
2. Ô que
hora tão bonita
Que
a estrela apareceu
Oi,
clareou lá em Belém
Onde
que Jesus nasceu.
5. Quando o
bom Jesus nasceu
De
toda a parte souberam
Aí
para adorar o nascimento
Foi
que os Reis Magos vieram.
3.
O sinal mais importante
Que
neste mundo foi visto
Foi
quando apareceu a estrela
Mas
que clareia Jesus Cristo.
Cantoria
de Folia de Reis no sul
de
Minas. Cf. BRANDÃO, Carlos
Rodrigues,
Sacerdotes de Viola,
Petrópolis,
Vozes, 1981, p. 29.
"A
Folia de Reis é um espaço camponês simbolicamente estabelecido durante
um período de tempo igualmente ritualizado, para efeitos de circulação
de dádivas - bens e serviços - entre um grupo precatório e moradores do
território por onde ele circula (...) Ao constituir o espaço simbólico
da jornada dos Reis, a Folia transporta para dentro dele, com nomes e
proclamações de bênçãos: as pessoas, os animais, os objetos e as
trocas do próprio mundo camponês. Assim, os mesmos homens do
trabalho agrário cotidiano aparecem por sete dias revestidos de
cumplicidade com os mitos populares de uma história sagrada que todos
conhecem por ali (...) Tudo o que fazem é recontar, nos versos e no que
eles comandam, a jornada da busca de um Deus nascido pobre, por Três Reis
Magos (muito mais nomeados como 'santos' do que como 'magos' ou
'sábios'), entre trocas de ofertas de dons e contradons (...) Aí então
(...) as palavras da cantoria proclamam a própria vida e a morte da gente
do lugar", explica BRANDÃO, C. R., o. c., pp. 36;40-41;50-51.
1. Tendo Jesus nascido em Belém da
Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram magos do Oriente a
Jerusalém,
2. perguntando: "Onde está
aquele que nasceu* rei dos judeus? Com efeito, vimos a sua estrela no seu surgir e
viemos homenageá-lo".
3. Ouvindo isso, o rei Herodes ficou
alarmado e com ele toda Jerusalém.
4. E, convocando todos os chefes dos
sacerdotes e os escribas do povo, procurou saber deles onde havia de
nascer o Cristo.
5. Eles responderam: "Em Belém
da Judéia, pois é isto que foi escrito pelo profeta:
6. E tu Belém, terra de Judá,
de modo algum és o menor entre os
clãs de Judá,
pois de ti sairá um chefe
que apascentará Israel, o meu
povo".
7. Então Herodes mandou chamar
secretamente os magos e procurou certificar-se com eles a respeito do
tempo em que a estrela tinha aparecido.
8. E, enviando-os a Belém,
disse-lhes: "Ide e procurai obter informações exatas a respeito do
menino e, ao encontrá-lo, avisai-me, para que também eu vá
homenageá-lo".
9. A essas palavras do rei, eles
partiram. E eis que a estrela que tinham visto no seu surgir ia à frente
deles até que parou sobre o lugar onde se encontrava o menino.
10. Eles, revendo a estrela,
alegraram-se imensamente.
11. Ao entrar na casa, viram o menino
com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o homenagearam. Em seguida,
abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.
12. Avisados em sonho que não
voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho para a sua região.
Tradução da Bíblia de Jerusalém,
São Paulo, Paulus, 1985, Nova edição, revista, 5a
impressão: junho de 1996.
*.
A tradução da Bíblia de Jerusalém "O rei
dos judeus recém-nascido" é incorreta. O grego diz: "Poû
estin ho techtheìs basileùs tõn Ioudaíôn". Techtheìs:
particípio aoristo passivo nominativo masculino singular do verbo tíktô,
"nascer".
Mt 2,1-12 pode ser dividido
em 4 partes, cada uma composta de três elementos
1a) vv. 1-2: os magos
chegam a Jerusalém
a. Jesus nasceu em Belém
b. Magos do Oriente vieram a Jerusalém
c. Os magos perguntaram por aquele que nasceu rei dos judeus
2a) vv. 3-6:
Herodes e os doutores judeus
a. Herodes ouviu e ficou alarmado
b. Herodes convocou os especialistas e procurou saber
c. Os doutores judeus responderam
3a) vv. 7-9a:
Herodes e os magos
a. Herodes chamou os magos
b. Herodes enviou-os a Belém
c. Os magos partiram
4a) vv. 9b-12:
Os magos chegam a Belém
a. Os magos reviram a estrela, que parou sobre o lugar
b. Os magos entraram onde estava o menino e o homenagearam
c. Os magos ofereceram-lhe presentes e regressaram para sua
terra
Mt 2,1-12 é composto segundo o princípio usual da oposição
simétrica dos elementos, uma disposição conhecida como paralelismo
antitético
10) Os magos
chegam a Jerusalém
20) Herodes e
os doutores judeus
30) Herodes e
os magos
40) Os magos
chegam a Belém
O mesmo paralelismo antitético visto de outra
maneira
Os magos chegam a Jerusalém
x Os magos chegam a Belém
Herodes e os
doutores judeusx Herodes e os magos
Outras propostas para arranjar o paralelismo
antitético são possíveis, como a seguinte
A.
vv. 1-2: Os magos procuram o rei dos judeus em Jerusalém,
lugar do poder despótico de Herodes
B.
vv. 3-6: As autoridades dos judeus
não encontram Jesus
C. vv. 7-8:
Herodes quer homenagear Jesus
A'.
vv. 9-10: Os magos dirigem-se a Belém,
lugar da dinastia davídica
B'.
v. 11: Os magos, sábios gentios,
encontram Jesus