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A Visita dos Magos - Magi
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NOSSO TEMPO |
TEMPO DO EVANGELHO |
TEMPO DE JESUS |
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| O texto é lido HOJE: as razões de nossa leitura | O texto é escrito por Mateus para uma COMUNIDADE: as razões da escrita | O texto conta certos acontecimentos com pessoas agindo ao redor de JESUS: as razões das ações |
| Século XXI | 80-90 d.C. | 8-6 a.C. |
| A LEITURA | A ESCRITURA | O ACONTECIMENTO |
Defeitos a evitar:
saltar da leitura para o acontecimento: não é uma reportagem - leitura ingênua
ler mal o texto, vendo o que está em nossa cabeça (pressuposições) e não o que o texto diz - ideologia
A chave para entender o texto:
leitura: comunidade atual (o exegeta esclarece)
escritura: comunidade primitiva (o evangelista esclarece)
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A COMUNIDADE é a ponte que nos liga através de dois mil anos de história, pois: é cristã - tem projeto de... - daí, a fé é compromisso com... |
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10 Tempo: Olhar o texto - A Leitura
20 Tempo: Olhar a situação da época do autor - A Escritura
30 Tempo: Olhar a situação da época dos fatos - O Acontecimento
Conclusão
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A Folia de Reis |
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1. Com licença morador Boa tarde, como vai? Quem vem lhe trazer bênção É a visita de nosso Pai. |
4. Apareceu aquele sinal Que clareou o mundo de luz Chegou o tempo o dia e a hora Do nascimento de Jesus. |
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2. Ô que hora tão bonita Que a estrela apareceu Oi, clareou lá em Belém Onde que Jesus nasceu. |
5. Quando o bom Jesus nasceu De toda a parte souberam Aí para adorar o nascimento Foi que os Reis Magos vieram. |
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3. O sinal mais importante Que neste mundo foi visto Foi quando apareceu a estrela Mas que clareia Jesus Cristo. |
Cantoria de Folia de Reis no sul de Minas. Cf. BRANDÃO, Carlos Rodrigues, Sacerdotes de Viola, Petrópolis, Vozes, 1981, p. 29.
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"A Folia de Reis é um espaço camponês simbolicamente estabelecido durante um período de tempo igualmente ritualizado, para efeitos de circulação de dádivas - bens e serviços - entre um grupo precatório e moradores do território por onde ele circula (...) Ao constituir o espaço simbólico da jornada dos Reis, a Folia transporta para dentro dele, com nomes e proclamações de bênçãos: as pessoas, os animais, os objetos e as trocas do próprio mundo camponês. Assim, os mesmos homens do trabalho agrário cotidiano aparecem por sete dias revestidos de cumplicidade com os mitos populares de uma história sagrada que todos conhecem por ali (...) Tudo o que fazem é recontar, nos versos e no que eles comandam, a jornada da busca de um Deus nascido pobre, por Três Reis Magos (muito mais nomeados como 'santos' do que como 'magos' ou 'sábios'), entre trocas de ofertas de dons e contradons (...) Aí então (...) as palavras da cantoria proclamam a própria vida e a morte da gente do lugar", explica BRANDÃO, C. R., o. c., pp. 36;40-41;50-51. |
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Os Personagens
Os Personagens centrais, entretanto, são
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O Texto de Mt 2,1-12 |
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1. Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram magos do Oriente a Jerusalém, 2. perguntando: "Onde está aquele que nasceu* rei dos judeus? Com efeito, vimos a sua estrela no seu surgir e viemos homenageá-lo". 3. Ouvindo isso, o rei Herodes ficou alarmado e com ele toda Jerusalém. 4. E, convocando todos os chefes dos sacerdotes e os escribas do povo, procurou saber deles onde havia de nascer o Cristo. 5. Eles responderam: "Em Belém da Judéia, pois é isto que foi escrito pelo profeta: 6. E tu Belém, terra de Judá, de modo algum és o menor entre os clãs de Judá, pois de ti sairá um chefe que apascentará Israel, o meu povo". 7. Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e procurou certificar-se com eles a respeito do tempo em que a estrela tinha aparecido. 8. E, enviando-os a Belém, disse-lhes: "Ide e procurai obter informações exatas a respeito do menino e, ao encontrá-lo, avisai-me, para que também eu vá homenageá-lo". 9. A essas palavras do rei, eles partiram. E eis que a estrela que tinham visto no seu surgir ia à frente deles até que parou sobre o lugar onde se encontrava o menino. 10. Eles, revendo a estrela, alegraram-se imensamente. 11. Ao entrar na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o homenagearam. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 12. Avisados em sonho que não voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho para a sua região. Tradução da Bíblia de Jerusalém, São Paulo, Paulus, 1985, Nova edição, revista, 5a impressão: junho de 1996. *. A tradução da Bíblia de Jerusalém "O rei dos judeus recém-nascido" é incorreta. O grego diz: "Poû estin ho techtheìs basileùs tõn Ioudaíôn". Techtheìs: particípio aoristo passivo nominativo masculino singular do verbo tíktô, "nascer". |
Mt 2,1-12 pode ser dividido em 4 partes, cada uma composta de três elementos:
1a) vv. 1-2: os magos chegam a Jerusalém
| a. Jesus nasceu em Belém | |
| b. Magos do Oriente vieram a Jerusalém | |
| c. Os magos perguntaram por aquele que nasceu rei dos judeus |
2a) vv. 3-6: Herodes e os doutores judeus
| a. Herodes ouviu e ficou alarmado | |
| b. Herodes convocou os especialistas e procurou saber | |
| c. Os doutores judeus responderam |
3a) vv. 7-9a: Herodes e os magos
| a. Herodes chamou os magos | |
| b. Herodes enviou-os a Belém | |
| c. Os magos partiram |
4a) vv. 9b-12: Os magos chegam a Belém
| a. Os magos reviram a estrela, que parou sobre o lugar | |
| b. Os magos entraram onde estava o menino e o homenagearam | |
| c. Os magos ofereceram-lhe presentes e regressaram para sua terra |
Mt 2,1-12 é composto segundo o princípio usual da oposição simétrica dos elementos, uma disposição conhecida como paralelismo antitético:
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10) Os magos chegam a Jerusalém |
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| 20) Herodes e os doutores judeus | |
| 30) Herodes e os magos | |
| 40) Os magos chegam a Belém | |
| O mesmo paralelismo antitético visto de outra maneira |
Os magos chegam a Jerusalém
x Os magos chegam a Belém
Herodes e os
doutores judeus x Herodes e os magos
| Outras propostas para arranjar o paralelismo antitético são possíveis, como a seguinte |
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A. vv. 1-2: Os magos procuram o rei dos judeus em Jerusalém, lugar do poder despótico de Herodes |
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| B. vv. 3-6: As autoridades dos judeus não encontram Jesus | ||
| C. vv. 7-8: Herodes quer homenagear Jesus | ||
| A'. vv. 9-10: Os magos dirigem-se a Belém, lugar da dinastia davídica | ||
| B'. v. 11: Os magos, sábios gentios, encontram Jesus | ||
| C'. v. 12: Herodes quer matar Jesus[1] | ||
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As principais oposições são |
| Jerusalém | x | Belém |
| Doutores judeus | x | Magos gentios |
| Matar Jesus | x | Homenagear Jesus |
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Entretanto, a oposição fundamental, que preside todo o conjunto é |
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As elites judaicas rejeitam Jesus |
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| Gentios sábios aceitam Jesus |
Este
é o recado central do texto.
Entretanto: isto aconteceu de fato?
[1]. Cf. PERROT, C. As Narrativas da Infância de Jesus: Mt 1-2 - Lc 1-2. São Paulo: Paulus, 1982, p. 43.