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2. Os Estudos de Albrecht Alt e de Martin Noth

Os estudos de Albrecht Alt (1883-1956), especialmente com seus conceitos de carisma e de cidade-estado, e de Martin Noth (1902-1968) sobre a importância social da aliança foram muito influenciados por Max Weber.

"Durante sua vida, Albrecht Alt esteve ligado à Palestina. Inclusive coordenou instituições que objetivavam a pesquisa arqueológica e histórico-cultural da Palestina e do Antigo Oriente. Seus continuados contatos com a terra palestinense e seus trabalhos de pesquisa de campo lhe proporcionaram vastos e profundos conhecimentos sobre as condições concretas e as circunstâncias territoriais da Palestina. Isto se reflete em sua interpretação dos textos bíblicos e em sua historiografia. Ele mesmo designa seu método de 'método histórico-territorial'", explica M. Schwantes na introdução ao livro de A. ALT, Terra prometida. Ensaios sobre a história do povo de Israel[15].

A influência de Max Weber sobre Martin Noth é ainda mais marcante: a teoria de Noth de uma anfictionia no Israel pré-monárquico, publicada em 1930, foi durante muito tempo um terreno quase sagrado no qual não se podia mexer. Uma anfictionia é uma liga de seis ou doze tribos ao redor de um santuário no qual habita a divindade e onde se renova a aliança entre as tribos, cada uma cuidando de sua manutenção durante dois ou um mês por ano. Assim, Israel, no período pré-monárquico, teria se constituído nesta forma anfictiônica ao redor de Iahweh. Esta explicação de Martin Noth é bastante semelhante à de Max Weber de um Israel pré-monárquico existindo como uma comunidade de aliança, o que teria possibilitado a coesão de grupos diversos tanto econômica quanto socialmente[16].

Andrew D. H. Mayes comenta esta influência do seguinte modo: "Alt e Noth tornaram-se a influência predominante na compreensão histórica de Israel, continuando a sê-lo até o presente. Embora os três tópicos a que nos referimos tenham sido objeto de discussão crítica mais recente, que minou seriamente as reconstituições que ofereceram, foi por seu trabalho que a perspectiva sociológica de Weber consolidou-se e que as possibilidades que forneciam essa perspectiva sociológica para entender Israel se tornaram claras"[17].

Winfried Thiel, só para citar um exemplo mais recente, em Die soziale Entwicklung Israels in vorstaatlichen Zeit, de 1980, “atualiza inteiramente a compreensão de Weber do Israel pré-monárquico à base de estudos mais recentes. Ele considera minuciosamente a natureza da sociedade beduína, do seminomadismo e da sociedade urbana, vendo a origem de Israel sobretudo no contexto seminômade e sua fixação no país como processo demorado e em larga medida pacífico, indo do pastoreio seminômade com agricultura subsidiária, passando por prática econômica mais igualitária distribuída, rumo a uma economia plenamente agrária com pastoreio subsidiário[18]”.

Charles E. Carter observa que após Alt e Noth o uso das ciências sociais nos estudos da Bíblia Hebraica declinou rapidamente. "A disciplina foi dominada, por um lado, por uma abordagem lingüística comparativa, literária e histórica (...) e, por outro lado, por uma orientação teológica que era tipicamente protestante em sua natureza. Qualquer estudo das origens de Israel ou de suas instituições - tanto da lei como dos práticas sociais ou da religião - tendia a ser escrita dentro destas perspectivas, com a escola Alt/Noth dominante na pesquisa européia e a escola de Albright dominante na América do Norte"[19].

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[15]. ALT, A., Terra prometida. Ensaios sobre a história do povo de Israel, São Leopoldo, Sinodal, 1987, p. 5.

[16]. Cf. NOTH, M., Das System der zwölf Stämme Israels, Stuttgart, Kohlhammer, 1930; Idem, Geschichte Israels, Göttingen, 1950. Para uma crítica do modelo da anfictionia, cf. GOTTWALD, N. K., As tribos de Iahweh, pp. 353-394.

[17]. MAYES, A. D. H., Sociologia e Antigo Testamento, em CLEMENTS, R. E. (org.), O mundo do antigo Israel, p. 53.

[18]. Idem, ibidem, p. 58; cf.  THIEL, W., Die soziale Entwicklung Israels in vorstaatlichen Zeit, Berlin, Evangelisches Verlaganstalt, 1980; em português: A sociedade de Israel na época pré-estatal, São Leopoldo/São Paulo, Sinodal/Paulus, 1993.

[19]. CARTER, C. E., A Discipline in Transition, em CARTER, C. E. & MEYERS, C. L.(eds.), Community, Identity and Ideology. Social Sciences Approaches on the Hebrew Bible, Winona Lake, Indiana, Eisenbrauns, 1996, p. 17. É claro que muitos outros pesquisadores e estudos deveriam ser citados aqui, como Antonin Causse, Johannes Pedersen, Roland de Vaux, Hermann Gunkel, Sigmund Mowinckel, W. F. Albright...