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11.1.4. Os Prefeitos e Procuradores Romanos da Judéia
O procurador ou prefeito era um administrador em ligação com o legado que governava a província romana da Síria e dependia dele. Residia em Cesaréia, mas subia a Jerusalém e podia lá permanecer conforme as circunstâncias ou as necessidades.
Pôncio Pilatos, prefeito da Judéia, que pronuncia a sentença de morte contra Jesus de Nazaré, é um governante duro e decidido, que nunca simpatizou com os judeus.
Herodes Agripa I, escrevendo ao Imperador Calígula, descreve-o como inflexível por natureza e cruel por causa de sua obstinação. Acusa-o de venal, violento, extorsivo e tirânico. Pertence à ordem dos cavaleiros, classe de pessoas ricas, muitos de origem humilde e até descendentes de escravos, que fizeram fortuna das mais variadas maneiras. Pilatos é nomeado procurador por Tibério, graças à influência de Sejano, o poderoso prefeito da guarda pretoriana em Roma que é realmente quem manobra o poder. Sejano faz de tudo para prejudicar os judeus. E consegue. Sob um pretexto qualquer, faz com que Tibério tome decisões anti-judaicas. Pilatos faz muitas coisas contrárias aos costumes judeus, desrespeitando-os deliberadamente, para irritá-los e reprimi-los. Embora saiba que os judeus abominam a reprodução de imagens de qualquer espécie, ele manda cunhar moedas com símbolos gentios. Símbolos como o lituus “um bastão recurvado numa das extremidades, em forma de chifre, que servia para demarcar o recinto onde os sacerdotes pagãos observavam as aves do sacrifício”, e o simpulum, espécie de concha sagrada. Pilatos é o único governante romano que tem tal ousadia[12]. Certa vez, Pilatos manda que seus soldados entrem em Jerusalém, à noite, levando efígies do Imperador nos estandartes. Quando amanhece, o povo se revolta com tal afronta, e ele tenta reprimi-lo. Mas tem que ceder diante da grande coragem dos judeus que preferem morrer a transgredir a Lei. Nas palavras de Flávio Josefo: “Certa feita, Pilatos mandou levar, de noite, para Jerusalém, um certo número de imagens veladas do César, que os romanos chamavam de ‘estandartes’. Mal o dia clareou, uma grande agitação tomou conta da cidade. Todos quantos chegavam perto, enchiam-se de indignação com o espetáculo, que eles tomaram como uma zombaria grave à lei que proibia colocar qualquer imagem que fosse no interior da cidade. Pouco a pouco a exacerbação dos habitantes da cidade atraiu grandes multidões de pessoas que moravam no campo. E todos se dirigiram a Cesaréia, para falar com Pilatos. Suplicavam-lhe que mandasse tirar as imagens de Jerusalém e desistisse de agir contra as normas da religião judaica. Pilatos recusou-se a atender ao pedido deles. Então os judeus se lançaram por terra e ficaram imóveis, no lugar, durante cinco dias e cinco noites. No sexto dia Pilatos sentou-se numa tribuna, no grande hipódromo da cidade, e convocou o povo, como se quisesse comunicar-lhe uma notícia. Em seguida, porém, fez aos soldados o sinal antes combinado, para cercarem os judeus, de armas na mão. Envolvidos por três fileiras de homens armados, os judeus foram tomados de violenta comoção diante do fato inesperado. Pilatos mandou massacrá-los, caso não admitissem a presença de imagens do Imperador em seu meio. Fez então novo sinal aos soldados para desembainharem as espadas. Os judeus, à uma, jogaram-se por terra, como se tivessem combinado entre si, e ofereceram o pescoço desnudo, declarando em alta voz que preferiam deixar-se matar a transgredir a Lei. Esta atitude heróica do povo em defesa de sua religião causou grande espanto em Pilatos. Ele ordenou, então, que as insígnias do Imperador fossem retiradas de Jerusalém”[13]. [9] . “O território de Arquelau foi assim reduzido a província e Copônio, um romano da ordem dos cavaleiros, foi enviado por Augusto como procurador (epítropos), com plena autoridade”, diz JOSEFO, F., Bellum Iudaicum, 2, 117. [10] . A inscrição foi encontrada no teatro romano de Cesaréia Marítima por uma expedição arqueológica italiana dirigida por Antonio Frova. Diz: TIBERIEVM PON]TIVS PILATVS PRAEF]ECTUS IVDA[EA]E. [11]
. Cf. SCHÜRER, E., Storia del Popolo Giudaico al Tempo de Gesù Cristo I,
Brescia, Paideia, 1985, pp. 441-444. [12] . Cf. SPEIDEL, K. A., O julgamento de Pilatos. Para você entender a Paixão de Jesus, São Paulo, Paulus, 1979, pp. 91-92. [13] . JOSEFO, F., Bellum Iudaicum, 2, 169-174. |