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Filipe II institui em Corinto, em 337 a.C., uma liga helênica permanente. Todas as cidades participam, menos Esparta. Em caso de conflito interno, recorrerão a arbitragem. Em caso de guerra, Filipe II será o comandante[17]. "Esta unidade nascente da Grécia, Filipe quer consolidá-la por uma grande empresa comum: a expedição contra os persas"[18]. Diante deste projeto macedônio é importante que se verifique como está a Pérsia no século IV a.C. Sabemos que o grande império enfrenta sérios problemas, tais como o despotismo do poder central, que pode ser bem exemplificado pelo governo do penúltimo rei, Artaxerxes III Oco, que reina de 358 a 338 a.C.; o despotismo, a independência e as revoltas dos sátrapas (governadores das províncias), especialmente nas regiões da Ásia Menor, da Fenícia e do Egito; as intrigas permanentes dos gregos, já que a Pérsia se serve abundantemente de mercenários gregos no seu exército e também porque interfere constantemente na política de várias cidades gregas. "Houve momentos ao longo do séc. IV que nem sequer a independência de fato parecia bastar aos chefes locais. Rejeitaram as ordens reais, atreveram-se a cunhar moeda de ouro, tentaram um entendimento entre eles, tanto mais facilmente, ao princípio, quanto já nem todos eram de pura linhagem persa: Dátames e Mausolo eram cários de origem. Aroandas viera de Bactriana e só Ariobazarnes e Autofradates eram mesmo persas (...) O que o rei continuava a ter a seu favor era a sua posição central em Susa e a inevitável desunião de seus adversários"[19]. E a imensa riqueza acumulada pelo Império, largamente usada para corromper seus adversários. Entretanto, nada disto adiantará. Dario III Codomano, o último rei persa, sobe ao poder em 336 a.C. É um bravo homem, mas, neste tempo, Alexandre, que sobe ao trono no mesmo ano, já está organizando a sua derrota. 6.2. As Conquistas de Alexandre Magno (356-323 a. C.)Em 357 a.C. Filipe II casa-se com Olímpia, uma princesa do Épiro. E no dia 22 de julho de 356 a.C. nasce Alexandre. Quando Alexandre chega aos 13 anos de idade, em 342 a.C., seu pai convida Aristóteles, o mais tarde famoso filósofo, para ser o preceptor do jovem príncipe. Dos 13 aos 16 anos Alexandre estuda com Aristóteles, ou seja, de 342 a 339 a.C. Em 338 Alexandre e seu pai vencem a coligação grega em Queronéia. Alexandre destaca-se nesta batalha, comandando a cavalaria macedônia. Em 337 a.C. Filipe II casa-se com Cleópatra, sobrinha de Átalo, nobre macedônio. Olímpia fica assim preterida e se exila no Épiro com seu filho Alexandre, pois este entrara em conflito com seu pai. Só em 336 a.C. é que Alexandre se reconcilia com Filipe II e volta à Macedônia. Ainda em 336 a.C. Filipe é assassinado por Pausânias, talvez por instigação do rei persa, talvez por vingança de Olímpia. Há a suspeita de que Alexandre conhecia o plano para eliminar o pai. Em seguida, Alexandre assume o poder. Tem 20 anos de idade.
Em 334 a.C., com cerca de 30 mil homens de infantaria e 5 mil cavaleiros, Alexandre parte para a Ásia, no começo da primavera. Cruza o Helesponto e vence a primeira batalha contra os persas ao atravessar o rio Granico e desbaratar o exército que os sátrapas da região organizam para enfrentá-lo. Ainda em 334 a.C. e parte de 333 a.C. Alexandre conquista a Ásia Menor. Em 333 a.C. enfrenta um considerável exército persa em Isso, comandado pelo rei Dario, e obtém grande vitória, no dia 12 de novembro. A família de Dario - sua mãe, sua esposa, duas filhas e um filho - cai prisioneira de Alexandre, assim como o enorme tesouro que o rei persa levara para Damasco. Dario foge com o que resta de seu exército. Ainda em 333 a.C. Alexandre conquista a Síria e a Fenícia. Tiro resiste à incorporação e é sitiada de janeiro a julho de 332 a.C., durante sete meses, caindo diante do poder de Alexandre. Gaza, no sul da Palestina, é sitiada e cai após 2 meses de cerco. Alexandre entra no Egito, sendo coroado faraó em Mênfis. Funda Alexandria e consulta o oráculo de Amon em Siwah. No dia 1º de novembro de 331 a.C. Alexandre enfrenta-se novamente com Dario e o derrota em Gaugamela, perto de Arbela. O caminho para a Mesopotâmia e a Pérsia está aberto e Alexandre entra em Babilônia, Susa e Persépolis. Em 330 a.C. Alexandre toma Ecbátana e Dario é assassinado pelo sátrapa Besso, em julho. Alexandre descobre uma conspiração para matá-lo e executa seus generais Filotas e Parmênion. Em 329 a.C. acontece a conquista da Samarcanda, da Bactriana, da Sogdiana e a tomada de Maracanda, nos confins orientais do Império Persa. Em Bactros Alexandre casa-se com Roxana. Em 328 a.C., num momento de ira, ao ser questionado por suas atitudes orientalizantes, Alexandre mata seu amigo e companheiro Clito, o Negro. No mesmo ano acontece a conjuração dos pajens e Alexandre manda executar Calístenes, sobrinho de Aristóteles, que o acompanha como historiógrafo. Em 327 a.C. Alexandre e seu exército partem para a Índia. Em 326 a.C. Alexandre atravessa o rio Indo. Em seguida, acontece a travessia do rio Hidaspes e a vitória sobre o rei Poro. Chegando ao rio Hífaso, o exército se recusa a ir em frente. Começo do retorno. Em 325 a.C. Alexandre atravessa o deserto de Gedrósia e a Carmânia. Em 324 a.C. Alexandre retorna a Persépolis e a Susa. Celebra-se aí o casamento de Alexandre com Estatira, filha de Dario. Seus oficiais e 10 mil soldados gregos casam-se, no mesmo dia, com mulheres persas. Ainda em 324 a.C. acontece uma revolta do exército em Ópis. Em 323 a.C. Alexandre chega a Babilônia, onde morre, de malária, no dia 11 de junho - embora os dias 10 e 13 sejam também citados por especialistas -, com quase 33 anos de idade[20]. [17]. GLOTZ, G., A cidade grega, p. 310, comenta: "A unidade helênica só vingou depois da catástrofe de Queronéia, graças a Filipe da Macedônia, que a conseguiu com a ponta da espada (...) Convocou a Corinto os delegados de todas as cidades. Deu instruções a essa assembléia constituinte. Eram ordens. Formou-se, assim, uma liga que, sob muitos aspectos, lembrava as ligas hegemônicas dos tempos idos, mas que delas se diferenciava pelos seguintes característicos essenciais: poder ilimitado de um chefe único, intervenção decidida, clara, na política interna das cidades". [18]. DE CASTRO, P., o. c., p. 24. [19]. VAN EFFENTERRE, H., A idade grega, 550 a 270 a.C., Lisboa, Dom Quixote, 1979, p. 153. Cf. também CULICAN, W., Medos e persas, Lisboa, Editorial Verbo, 1968, pp. 163-176; FRYE, R. N., A herança persa, Lisboa, Arcádia, 1972, pp. 165-174; ROSTOVZEV, M., Storia economica e sociale del mondo ellenistico I, Firenze, La Nuova Italia, 1981, pp. 69-85. [20]. Há inúmeras biografias de Alexandre Magno. Dos autores antigos devem ser lidas as de PLUTARCO, Alexandre, em Vidas Paralelas IV, São Paulo, PAUMAPE, 1992, pp. 133-208; ou na edição da Cultrix, São Paulo s/d, pp. 138-199; ARRIANO, Histoire d'Alexandre, Anabase, Inde, Paris, Éd. du Minuit, 1984; DIODÓRO SÍCULO, Bibliothéque historique, livres XVII et XVIII, Paris, Les Belles Lettres/ C.U.F., 1976-1978; QUINTO-CÚRCIO, Histoires, 2 vols., Paris, Les Belles Lettres/C.U.F., 1947-1948. Entre os modernos, em português, temos BENOIST-MÉCHIN, J., Alexandre Magno, Porto, Lello & Irmão, 1980; DE CASTRO, P., Alexandre, o Grande, São Paulo, Editora Três, 1973; ORLANDI (org.), Alexandre Magno, Lisboa/São Paulo, Verbo, 1976. São muito famosos, entre outros, os estudos de TARN, W. W., Alexander the Great, 2 vols., Cambridge 1950-1951; SEIBERT, J., Alexander der Grosse, Darmstadt 1972. Cf. também BOSWORTH, A. B., Conquest and Empire. The Reign of Alexander the Great, Cambridge, Cambridge University Press, 1988.
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