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6. A Época Persa e as Conquistas de AlexandreEm 334 a.C., Alexandre, rei da Macedônia, entra com seus exércitos na Ásia Menor, depois de controlar toda a Grécia. Aos 23 anos de idade, o macedônio derrota o principal exército persa em Isso. Estamos no ano de 333 a.C. e o controle macedônio de todo o Oriente, até o vale do rio Indo, vai acontecer sem interrupções significativas. É o fim do Império Persa e o começo de uma nova era, a do helenismo. A rota das conquistas de Alexandre passa pela Síria, Fenícia, Palestina, Egito. E, de volta, em direção à Babilônia, Susa, Persépolis e além. Na Fenícia e na Palestina somente as cidades de Tiro e Gaza oferecem a Alexandre alguma resistência: Tiro resiste heroicamente a 7 meses de cerco e Gaza, fiel aos persas, cai após 2 meses. Durante estas campanhas, toda a Palestina, pertencente à V satrapia persa, é anexada ao novo império, sem maiores problemas. Inclusive a comunidade judaica que vive em Jerusalém e arredores. As interrogações que afloram neste ponto dizem respeito à situação da Grécia no século IV a.C. e à política macedônia que possibilita a Alexandre a conquista do imenso Império Persa. Política que foi iniciada por Filipe II e desenvolvida de modo brilhante por seu filho. Tentarei, assim, responder às seguintes questões:
6.1. A Situação da Grécia e a Política MacedôniaO declínio da cidade-estado grega acontece antes mesmo de seu confronto com a Macedônia. A guerra é uma das principais características da Grécia do século IV a.C. De 431 a.C., começo da guerra do Peloponeso, a 338 a.C., data da vitória de Filipe II na batalha de Queronéia - cerca de um século - a guerra quase nunca pára. Atenas, no século V a.C., guiada por Címon e Péricles, torna-se uma potência imperial. Mas confronta-se com Esparta, dando origem à guerra do Peloponeso, que dura de 431 a 404 a.C., quando Atenas é derrotada.
Esparta, senhora do mundo grego a partir de 404 a.C., cai rapidamente, especialmente porque sua estrutura institucional não lhe permite manter um império. O número de cidadãos espartanos, que é de cerca de 8.000 em 480 a.C., chega a cair para apenas 2.000 em 371 a.C. As causas podem ser vistas nas perdas da guerra, na concentração da terra em poucas mãos e na perda da Messênia, libertada pelo tebano Epaminondas em 370-369 a.C. Esparta perde sua hegemonia, definitivamente, na batalha de Leuctras, em 371 a.C., derrotada por Tebas. "Esparta não passará, desde então, de uma cidade de segunda categoria, limitada na sua ação ao Peloponeso, sobre o qual nunca mais conseguirá restabelecer a sua antiga dominação"[2]. Tebas sucede a Esparta na hegemonia sobre a Grécia, mas cai em 362 a.C., na batalha de Mantinéia - embora vitoriosa - quando morre seu célebre general Epaminondas. Em seguida, Tebas favorece os desígnios de Filipe II em relação à Grécia, mas acaba se aliando a Atenas, quando Filipe a ameaça. Termina derrotada pelo rei macedônio, em Queronéia, em 338 a.C. Posteriormente, em 335 a.C., Alexandre Magno reduz Tebas a ruínas. A batalha de Queronéia marca o fim da independência da Grécia[3]. No século IV a.C., por toda a Grécia, começa a emergir fortemente o contraste entre os ideais democráticos prometidos pelas constituições das cidades e a desigualdade criada pelas condições econômicas e sociais. O grande orador ateniense Demóstenes, em discurso de defesa pronunciado em 352 a.C., deixa bem claro esta situação: "Outrora, a cidade era rica, era magnífica, digo a cidade, pois entre os particulares, ninguém se elevava por cima da massa (...) Hoje, todos os profissionais da vida pública têm, em privado, tal abundância de bens que mandam, por vezes, construir casas particulares mais imponentes do que muitos edifícios públicos; alguns compraram mais terras que aquelas que vós todos possuís, no tribunal"[4] O aumento dos mercenários é outro indício da desintegração da pólis grega. Ganhar a vida nos exércitos pagos pelos grandes reinos, seja a Pérsia ou outro qualquer, é a única saída para milhares de gregos empobrecidos. Estes homens perdem suas raízes cívicas, pois o exército é a única cidade que eles conhecem, ao mesmo tempo em que as cidades gregas perdem o controle da função militar. Há ainda inúmeros aspectos que poderiam ser analisados. Mas, enfim, vale apenas observar que os pensadores políticos do século IV a.C. começam a ficar sensíveis às tendências monárquicas, refletindo a evolução da época. "O poder efetivo passa cada vez mais das velhas cidades para os soberanos, gregos e não-gregos, que possuem os meios financeiros para assegurar a força militar que escapa às cidades. Ao perderem o controle da função militar, as cidades perdem igualmente a iniciativa política"[5]. Qual é a solução para o problema social da Grécia? Os gregos devem conquistar uma parte da Ásia, aí se instalarem, e submeter as populações locais à exploração do trabalho. Este será o projeto do macedônio Filipe II, realizado por seu filho Alexandre Magno. A Macedônia, com sua capital Pela, está situada ao norte da Grécia e é apenas semi-grega. Gregos de origem, os macedônios vivem, entretanto, em contato permanente com populações não-gregas, razão porque os atenienses, por exemplo, os qualificam como bárbaros. Na verdade sua língua é um dialeto grego com forte infusão de vocábulos estrangeiros e não é compreendido pelos gregos. Somente a aristocracia macedônia fala e escreve o grego ático. Mas os macedônios pertencem ao mesmo grupo étnico dos dórios e talvez tenham se originado de clãs ilírios ou trácios misturados com populações não-arianas... Da Macedônia arcaica quase nada sabemos. Mas, segundo o padrão conhecido dos dórios primitivos, os macedônios deveriam formar tribos de pastores parcialmente nômades, cada uma chefiada por um rei - simultaneamente líder guerreiro e religioso -, um conselho de anciãos e uma assembléia. Com o tempo uma das tribos acaba controlando as outras. No século VII a.C. estrangeiros se estabelecem entre os macedônios e acontece uma expansão de seu território e a consolidação de uma monarquia que se sustenta na aristocracia dos grandes proprietários de terra. A partir do contato e das alianças com a Pérsia, sob as pressões do persa Dario I (521-486 a.C.), o Estado macedônio absorve instituições políticas e militares do grande império oriental e se fortalece progressivamente até a época de Filipe II [6]. Filipe II, filho do rei Amintas, governa a Macedônia de 359 a 336 a.C. Tendo sido educado em Tebas, assimila a mentalidade grega clássica e também estuda as reformas militares de Epaminondas. As táticas militares deste grande comandante tebano, nascido por volta de 420 a.C., foram o segredo da (breve) hegemonia de Tebas sobre a Grécia, como vimos acima. Filipe II percebe que é necessário abrir à sua pátria os caminhos do mar Egeu, pois a região litorânea, com várias cidades autônomas, como Olinto, ou com cidades ligadas a Atenas, nunca tinha se submetido ao controle macedônio. Outro passo de Filipe II: a reorganização do exército macedônio. Especialmente a falange tebana, que é adaptada para fins ofensivos, tornando-se o principal instrumento de suas vitórias e das vitórias de Alexandre Magno. Filipe II "criou a infantaria `média' formada de macedônios e de mercenários ligeiramente armados: arqueiros, fundibulários, cavalaria onde serviam principalmente os nobres da Tessália e cavalaria ligeira empregada para reconhecimentos, tropas especialmente preparadas com meios adequados para o cerco e por fim a guarda real, tirada da infantaria"[7]. Filipe II cria o serviço militar obrigatório e profissionaliza o exército. Um corpo permanente de oficiais assessora o rei nas questões militares. Filipe II conquista a hegemonia sobre a Grécia. Faz uma política extremamente eficiente, sem escrúpulos, explorando as rivalidades entre as cidades gregas até se apresentar como a única alternativa possível para a solução dos conflitos. "Filipe II foi um excelente estrategista e um tático, homem de Estado e negociador perigoso, sabendo usar da corrupção, da mentira, da fraqueza ou da divisão dos adversários e do amor da paz em outros povos para os anestesiar e depois conquistar"[8]. Diante da ofensiva de Filipe II sobre a Grécia, três reações atenienses são típicas e servem para clarear a situação então vivida pelos gregos. A primeira é a de Demóstenes, famoso orador, o maior opositor de Filipe II e principal porta-voz da democracia ateniense. Demóstenes vê na hegemonia da Macedônia o maior dos riscos que a Grécia corre e faz de tudo para impedi-la. Demóstenes,
considerado o maior dos oradores Em maio de 341 a.C., diante da crescente ameaça representada por Filipe II, que utiliza vários subterfúgios para se intrigar com Atenas e destruí-la, Demóstenes pronuncia a "Terceira Filípica", na qual tenta alertar os atenienses para o perigo iminente. Entre outras coisas, ele aborda as transformações ocorridas na arte militar do século IV a.C. e chama a atenção para as suas conseqüências. Vejamos um trecho. "É verdade que os que querem consolar a cidade lhe pronunciam este discurso simplório: Filipe, dizem, não tem ainda o poder que outrora tinham os Lacedemônios [os espartanos] quando eram os senhores do mar e de todo o continente, quando tinham o Grande Rei [o rei da Pérsia] por aliado e ninguém lhes resistia. E, no entanto, a cidade fez-lhes frente, não foi dominada. Quanto a mim, constatando que tudo, por assim dizer, progrediu em dimensão, que o presente já nada se parece com o passado, penso que foram as coisas da guerra que conheceram as maiores mutações e o maior progresso. Primeiro que tudo, nada me diz que outrora os Lacedemônios, tal como todos os outros gregos, invadissem um país para lhe devastar o território com os seus hoplitas e os seus exércitos de cidadãos, a não ser quatro ou cinco meses por ano, durante a estação quente; após o que regressavam a casa. Além disso, tinham um comportamento tão arcaico, ou antes cívico, que não compravam qualquer serviço a ninguém; faziam uma guerra regular e aberta. Hoje, vós o presenciais, foram os traidores que tudo perdeu ou quase; as batalhas campais não servem para nada, e dizem-vos que Filipe se encontra aqui ou ali, onde ele quer, e não com uma falange de hoplitas; não, tropas ligeiras, cavaleiros, arqueiros, mercenários, eis o exército que lhe segue as passadas. Quando, por outro lado, ele cai sobre um povo minado por um mal interior e que não ousa sair dos muros para defender o seu território devido à desconfiança que aí reina, ele assesta as suas baterias e cerca a cidade. E abstenho-me de analisar o fato de que, para ele, não há qualquer diferença entre o verão e o inverno e que também não há para ele estação reservada onde interrompa as operações"[10]. Diametralmente oposta à de Demóstenes é a atitude de Ésquines, que se torna colaborador dos macedônios e destes recebe, em troca, significativas vantagens materiais. Demóstenes acusa-o, certa vez, de ter se enriquecido, recebendo de Filipe II terras na Macedônia, além de determinada quantia em dinheiro. E Ésquines não consegue desmentir seu rival e acusador. Ésquines, de origem modesta, torna-se famoso orador em Atenas, tendo nascido por volta de 390 a.C. e morrido provavelmente em 314 a.C. Temos dele três discursos: Contra Tímarcos, Sobre a Embaixada e Contra Ctesifonte. É o grande adversário de Demóstenes e um fato bem o ilustra. O cidadão ateniense Ctesifonte propõe ao povo, em 336 a.C., que a cidade conceda uma coroa de ouro a Demóstenes, por seus serviços prestados à pátria na sua luta contra a hegemonia macedônia. "Ésquines, partidário da facção macedônia e rival do autor da Oração da Coroa nas lides oratórias e na vida pública, moveu uma ação contra Ctesifonte, acusando-o de haver violado a Constituição por três motivos: 1º porque Demóstenes ainda não havia prestado contas de sua gestão em importante cargo público; 2º porque a coroação, por força da lei, deveria ter lugar na praça pública ou no Senado e não no teatro de Dionísio como pretendia Ctesifonte; e 3º porque Ctesifonte estaria atribuindo a Demóstenes, no projeto em que propunha a concessão da coroa de ouro, méritos que ele não possuía e serviços que ele não prestara"[11]. Em 330 a.C., após seis anos de tramitação do processo, os dois oradores se enfrentam. É então que Ésquines pronuncia o discurso "Contra Ctesifonte" e Demóstenes responde com sua "A Oração da Coroa", onde tenta provar que Ésquines é um traidor da pátria, comprado pelo ouro de Filipe II. Demóstenes vence. "Essa vitória não foi somente o reconhecimento dos serviços prestados pelo orador a Atenas; foi também um ousado protesto do povo ateniense, premiando o mais destemido adversário do expansionismo macedônio, e isso quando Alexandre, o Grande já era o senhor do mundo de então. Devem ter pesado na decisão dos atenienses, amantes da liberdade, afirmações de Demóstenes como esta: `Ninguém até hoje foi capaz, desde o início dos tempos, de persuadir Atenas a aceitar a servidão, tolerando o poder divorciado do direito'"[12]. A terceira posição sobre a questão da hegemonia macedônia sobre a Grécia é a de Isócrates[13], que nem é um combatente da resistência como Demóstenes, nem um colaboracionista como Ésquines. Isócrates quer se ver livre da pressão e do domínio persas. Esparta não é a esperança, Tebas também não. Atenas, verdadeira "capital" da Grécia, está submetida, segundo Isócrates, a uma má democracia e cometera o erro de fundar um império pela força, que agora desmorona. O mal é a desunião dos gregos. Todos lutam contra todos. Isso é o que dá poder à Pérsia. No "Panegírico" Isócrates pede a Atenas e a Esparta que esqueçam suas rivalidades e se unam contra a Pérsia: "É muito melhor fazer a guerra contra o Grande Reino do que disputarmos a nós próprios a hegemonia. É necessário que esta expedição seja feita pela geração atual a fim de que aqueles que conheceram juntos a infelicidade sejam também os que gozem a felicidade e não passem todo o seu tempo no infortúnio. Não chega já de um passado em que nem sequer se sabe que catástrofe nos faltou?"[14] "Feito o diagnóstico, Isócrates considerou que bastava a união para reparar todos os males. As cidades devem entender-se para combater o bárbaro e estender sobre toda a Ásia as leis da civilização da Grécia. Para isso é necessário que admitam uma direção única e que restabeleçam uma hegemonia necessária. Quem deve exercer essa hegemonia?"[15]. Segundo Isócrates, Filipe II é a solução. O "Filipe", escrito em 346 a.C., é uma exortação ao macedônio para que assuma o comando dos gregos contra os bárbaros. "Vemos assim que a unidade da Grécia podia ser concebida de muitas formas, umas baseadas na democracia da cidade e levando à resistência a um imperialismo, tendo por suporte valores do passado, no caso a de Demóstenes, outras aceitando esse imperialismo e constituindo-se numa variedade de colaboracionismo vulgar [ Ésquines], outras por concepções utópicas políticas e históricas, a de Isócrates, de alto teor moral e inegável desinteresse mas não menos perigosas para a independência e a liberdade dos cidadãos"[16]. [1]. HARVEY, P., Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina, Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 1987, verbete Guerra do Peloponeso. [2]. AUSTIN, M./VIDAL-NAQUET, P., Economia e sociedade na Grécia antiga, Lisboa, Edições 70, 1986, pp. 132-134. [3]. Cf. HARVEY, P. o. c., verbete Tebas. ROSTOVTZEFF, M., História da Grécia, Rio de Janeiro, Zahar, 1973, p. 216, comenta: "Quando a liga espartana se desintegrou e Tebas estava ficando cada vez mais fraca, a condição política da Grécia só pode ser definida pela palavra anarquia'". E acrescenta na p. 217: "Na Grécia, a democracia mostrou-se incapaz de criar uma forma de governo que deveria reconciliar o individualismo característico do país com as condições essenciais à existência de um Estado poderoso. Cf. também FINLEY, M. I., Os gregos antigos, Lisboa, Edições 70, 1984, pp. 75-80. [4]. DEMÓSTENES, Contra Aristócrates, 206ss. Cf. o texto em AUSTIN, M./VIDAL-NAQUET, P., o. c., p. 325. GLOTZ, G., A cidade grega, São Paulo, Difel, 1980, p. 257, diz que "a agricultura a tal ponto se comercializa que a grande propriedade se reconstitui pela progressiva evicção dos pequenos camponeses e pela concentração das parcelas de terra entre as mesmas mãos". [5]. AUSTIN, M./VIDAL-NAQUET, P., o. c., p. 143. [6]. Cf. GOUKOWSKY, P., Essai sur les origines du mythe d'Alexandre (336-270 av. J.-C.) I, Nancy, Université de Nancy II, 1978, pp. 9-12. [7]. DE CASTRO, P., Alexandre, o Grande, São Paulo, Editora Três, 1973, p. 21. [8]. DE CASTRO, P., o. c., p. 23. [9]. Sobre Demóstenes, cf. HARVEY, P., Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina, verbete Demóstenes; DE ROMILLY, J., Fundamentos de literatura grega, Zahar, Rio de Janeiro 1984, pp. 155-164. Esta autora observa na p. 161: "Demóstenes era democrata, mas precisamente por essa razão parecia-lhe que o verdadeiro remédio para todos os males possíveis seria o fortalecimento dos costumes democráticos. Para isso ele reclama duas coisas: o respeito à lei, e a vontade, da parte do povo, de aceitar suas responsabilidades". [10]. DEMÓSTENES, Terceira Filípica, 47-50. Cf. o texto em AUSTIN, M./VIDAL-NAQUET, P., o. c., p. 312. HARVEY, P., o. c., verbete Demóstenes, comenta sobre a "Terceira Filípica": "Esta é uma das mais belas orações de Demóstenes, marcada por um tom de gravidade e profunda preocupação". [11]. DA GAMA CURY, M., introdução a DEMÓSTENES, A Oração da Coroa, Rio de Janeiro, Ediouro, s/d, p. 6. [12]. Idem, ibidem, pp. 6-7. [13]. Isócrates, outro grande orador ateniense, vive entre 436 e 338 a.C. Temos dele vinte e um discursos e nove cartas. Seus discursos políticos pregam a unidade grega. O mais famoso é o "Panegírico", publicado em 380 a.C., provavelmente por ocasião do Festival Olímpico. [14]. ISÓCRATES, Panegírico, 166ss. Cf. o texto em AUSTIN, M./VIDAL-NAQUET, P., o. c., p. 313. [15]. DE CASTRO, P., o. c., p. 29. [16]. DE CASTRO, P., o. c., p. 30. |