História de Israel
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História de Israel

 

 

 

 

 

 

 

5.4. Os Últimos Dias de Judá

É que em 612 a.C. a Assíria teve seu império assaltado e sua capital destruída pelos medos e babilônios. Seu rei fugiu para Harã e resistiu ainda dois anos, com ajuda egípcia. Diz a Crônica Babilônica:

"No décimo sexto ano de Nabopolassar, no mês de ayyar, o rei da Babilônia mobilizou suas tropas e marchou contra a Assíria (...) No mês de arahsammu os medos vieram em auxílio do rei da Babilônia; eles uniram suas tropas e marcharam para Harã contra Assur-ubalit, que se tinha assentado no trono da Assíria"[3].

Em 610 a.C. o rei da Assíria é desalojado de Harã. Em 609 a.C. os assírios tentam, mais uma vez, tomar Harã. Sem sucesso. Os egípcios foram ajudá-los. Josias, rei de Judá, procura deter as forças egípcias em Meguido. É morto e levado para Jerusalém, com grande desolação para o povo. Josias tentava impedir a retomada do controle egípcio sobre a sua região. E faliu. Tinha 39 anos de idade.

Seu filho Joacaz sobe ao trono em 609 a.C., quando contava 23 anos de idade. Como assírios e egípcios nada conseguiram contra os babilônios, o faraó Necao II procurou consolidar seu poder na Palestina.

Chama Joacaz até seu quartel-general na Síria, depõe o azarado rei e deporta-o para o Egito. Coloca no trono de Judá o irmão de Joacaz, Joaquim, que tinha 25 anos de idade. Joacaz reinara três meses...

Judá passou então a pagar pesado tributo ao Egito, o que durou até 605 a.C., quando o rei babilônio Nabucodonosor derrotou as forças egípcias e desceu até a Palestina. Joaquim fez com ele um acordo e Judá não foi destruído.

Mas não durou nada. Em 600 a.C. Nabucodonosor tentou invadir o Egito e não conseguiu. Judá rebelou-se, acreditando na libertação. Seu erro foi fatal. Enquanto os babilônios marchavam para Jerusalém, morreu Joaquim (talvez assassinado), em dezembro de 598 a.C. e foi substituído por seu filho Joaquin, de 18 anos, que capitulou no dia 16 de março de 587 a.C.

O rei foi deportado para a Babilônia com a corte e toda a classe dirigente. Segundo a Crônica Babilônica

"No sétimo ano, no mês de kismilu [18.12.598-15.1.597], o rei da Babilônia mobilizou suas tropas e marchou para Hattu. Ele se estabeleceu na cidade de Judá e no mês de addar, no segundo dia [16.3.597], ele tomou a cidade; aprisionou o rei e colocou outro, de sua escolha, no lugar dele, e exigiu uma pesada renda que levou para a Babilônia"[4].

No lugar de Joaquin os babilônios deixaram o tio, Sedecias, então com 21 anos de idade. Judá estava mesmo arruinado. Com várias cidades destruídas, sua economia desorganizada e o melhor da nação exilado, pouco restava ao fraco Sedecias que pudesse ser feito.

Algumas tentativas de revolta foram abafadas. Finalmente, em 588 a.C., Judá começou uma clara rebelião contra a Babilônia, que o levou à destruição final.

Os babilônios destruíram, em 588 mesmo, as cidades fortificadas de Judá, assediando a desesperada Jerusalém em 587 a.C., no mês de janeiro.

Na fortaleza de Laquis, situada a 45 km a sudoeste de Jerusalém, numa estrada que leva ao Egito, foram encontrados, em 1935 e 1938, vinte e um óstraca. Testemunhos dramáticos da invasão babilônica de 588 a.C., os óstraca [pedaços de cerâmica sobre os quais se escrevia uma mensagem] falam do cerco, da situação crítica em que se encontram e das medidas tomadas[5].

Durante um breve período, o cerco de Jerusalém foi levantado: havia a esperança egípcia. Que não se concretizou. Finalmente, em 19 de julho de 586 a.C., Jerusalém cedeu.

Sedecias fugiu na direção de Amon. Não adiantou. Foi preso e levado diante de Nabucodonosor a Rebla, na Síria, assistiu à execução de seus filhos, foi cegado, acorrentado e levado para a Babilônia, onde morreu.

Em agosto, o comandante da guarda de Nabucodonosor entrou em Jerusalém, incendiou tudo, derrubou o Templo, as muralhas, levou as pessoas de maior destaque que executou em Rebla, diante de Nabucodonosor, enquanto deportava outro grupo para a Babilônia. Calcula-se que cerca de 4.600 homens da classe dirigente judaica tenham ido para o exílio. Somadas as mulheres e as crianças, seu número poderia chegar a quase vinte mil pessoas. A população restante, camponesa, foi deixada no país.

O debate atual sobre o exílio pode ser conferido aqui.

Estes dados estão em Jr 52,27-30, que documenta três deportações: a de 597 a.C., sob Joaquin; a de 586 a.C., sob Sedecias; e uma última, de 582 a.C., talvez em represália ao assassinato de Godolias.

Porque, de fato, na Judéia, os babilônios colocaram Godolias como governador. Godolias acabou assassinado pelo nacionalista Ismael, em outubro do mesmo ano. Acabara-se Judá. A história do povo, e sua literatura, vão continuar no exílio, que durou 48 anos. Os judaítas puderam começar o retorno à terra só após 538 a.C., quando Ciro, o rei persa que conquistou o império babilônico, decretou a anistia dos povos deporta­dos.

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[3]. Cf. AA.VV., Israel e Judá, pp. 81-82.

[4]. Cf. AA.VV., Israel e Judá, p. 84.

[5]. Cf. dois textos em AA.VV., Israel e Judá, pp. 85-86.