História de Israel
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História de Israel

 

 

 

 

 

 

 

Senaquerib subiu ao trono assírio em 705 a.C. e imediatamente teve que enfrentar nova revolta na Babilônia. Todas as províncias do oeste então se levantaram. Acreditavam ter chegado o momento da libertação. O Egito prometeu ajuda, mais uma vez. A coalizão integrava Tiro, com outras cidades fenícias; Ascalon e Ekron, com algumas cidades filistéias; Moab, Edom e Amon; e Ezequias, de Judá, entrou como um dos chefes da revolta. Fortificou suas defesas e preparou-se cuidadosamente para esperar a Assíria.

Que não se fez esperar. Senaquerib não se fez de rogado e já em 701 a.C. ele começou por Tiro, vencendo-a. Logo os reis de Biblos, Arvad, Ashdod, Moab, Edom e Amon se entregaram e pagaram tributo a Senaquerib.

Somente Ascalon e Ekron, juntamente com Judá, resistiram. Senaquerib tomou primeiro Ascalon. Os egípcios tentaram socorrer Ekron e foram derrotados. E foi a vez de Judá. Senaquerib tomou 46 cidades fortificadas em Judá e cercou Jerusalém.

Nos Anais de Senaquerib se diz o seguinte:

"Quanto a Ezequias do país de Judá, que não se tinha submetido ao meu jugo, sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam (...) Quanto a ele, encerrei-o em Jerusalém, sua cidade real, como um pássaro na gaiola...".

Entretanto, por motivos desconhecidos, talvez uma peste, ele levantou o cerco e voltou para a Assíria. Jerusalém voltou a respirar, no último minuto. Mas teve que pagar forte tributo aos assírios.

Não se sabe porque Jerusalém se salvou. 2Rs 19,35-37 diz que o Anjo de Iahweh atacou o acampamento assírio. Existe uma notícia de Heródoto, História II,141, segundo a qual num confronto com os egípcios os exércitos de Senaquerib foram atacados por ratos (peste bubônica?). Talvez Senaquerib tenha partido por causa de alguma rebelião na Mesopotâmia. S. Hermann, estudando o caso, conclui: "Pode-se considerar que algum fato, acontecido no acampamento assírio que assediava Jerusalém, tenha obrigado à partida; mas isto não exclui que Ezequias tenha enviado o seu tributo e renovado de modo ostensivo o tratado de vassalagem, cuja ruptura provocara a invasão assíria"[1].

Outra questão é se teria havido uma segunda campanha de Senaquerib na Palestina. De qualquer maneira, segundo os Anais de Senaquerib, o tributo pago por Ezequias ao rei assírio foi significativo:

"Quanto a ele, Ezequias, meu esplendor terrível de soberano o confundiu e ele enviou atrás de mim, em Nínive, minha cidade senhorial, os irregulares e os soldados de elite que ele tinha como tropa auxiliar, com 30 talentos de ouro, 800 talentos de prata, antimônio escolhido, grandes blocos de cornalina, leitos de marfim, poltronas de marfim, peles de elefante, marfim, ébano, buxo, toda sorte de coisas, um pesado tesouro, e suas filhas, mulheres de seu palácio, cantores, cantoras; e despachou um mensageiro seu a cavalo para entregar o tributo e fazer ato de submissão"[2].

Informação que concorda com a de 2Rs 18,13-16:

"No décimo quarto ano do rei Ezequias, Senaquerib, rei da Assíria, veio para atacar todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas. Então Ezequias, rei de Judá, mandou esta mensagem ao rei da Assíria, em Laquis: 'Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres'. O rei da Assíria exigiu de Ezequias, rei de Judá, trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro, e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real. Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh, que... rei de Judá, havia revestido de ouro, e o entregou ao rei da Assíria".

Com isso, a reforma de Ezequias perdeu o rumo. Seu sucessor Manassés foi um dos piores governos de Judá. E um longo governo: 55 anos. Estando fortíssimo o império assírio, sua influência se espalhou. Deuses, cultos, costumes, domínio assírio. Um grande sincretismo religioso ameaçava o javismo. Quem protestava era duramente reprimido.

Manassés foi sucedido pelo filho Amon que acabou assassinado por elementos anti-assírios, provavelmente. E foi entronizado, com apenas 8 anos de idade, seu filho Josias, em 640 a.C. Durante seu reinado, Judá alcançou esperançosa independência.

5.3. A Reforma de Josias e o Deuteronômio

A Assíria estava nos seus estertores finais, enfrentando uma violência proveniente de vários pontos do império. Povos dominados e oprimidos pela extrema violência e crueldade assírias levantaram as cabeças. Principalmente os babilônios e os medos, artífices da derrocada definitiva da Assíria, entre 626 e 610 a.C.

Foi um momento bom para Judá. Sob a influência de um forte espírito nacionalista, o rei Josias deu início a uma ampla reforma, descrita em pormenores em 2Rs 22,3-23,25 como o obra mestra deste rei. Parece que a reforma começou aí pelo ano de 629 a.C., décimo segundo do reinado de Josias, que contaria então com 20 anos de idade.

Aproveitando a fraqueza assíria, Josias recuperou o controle sobre as províncias do antigo reino de Israel, aumentando seus tributos e melhorando suas defesas. Houve uma limpeza geral no país: cultos e práticas estrangeiras, introduzidos em Judá sob a influência assíria, foram definitivamente eliminados. A magia e os vários modos de adivinhação, banidos. Os santuários do antigo reino de Israel, considerados idólatras, destruídos.

Do Templo de Jerusalém foi recuperado um código de leis, o núcleo do atual livro do Deuteronômio, como se lê em 2Rs 22. Segundo alguns, escrito no reino do norte e levado para Jerusalém em seguida à destruição de Samaria em 722 a.C.; segundo outros, escrito em Jerusalém mesmo, durante o governo de Ezequias, por grupos fugidos do norte, o Deuteronômio original compreendia os capítulos 12,1-26,15 - um código de leis, segundo alguns, uma espécie de ritual de renovação da aliança - ornamentados por uma introdução (os atuais capítulos 4,44-11,32) e uma conclusão, os capítulos 26,16-28,68.

Ao ser promulgado por Josias em 622 a.C. como lei oficial do Estado, o Deuteronômio deu vida à reforma, mostrando que a certeza do povo de que Judá era indestrutível devido à promessa davídica era uma loucura. Era preciso reviver as antigas tradições mosaicas, pois só elas valiam a pena.

A reforma de Josias surtiu efeito? Sim e não. Positiva no geral, teve, contudo, pontos negativos. Não encontrou uma independência prolongada para poder se desenvolver; foi feita de cima para baixo, imposta pelo governo, sem base popular mais ampla; suas medidas ficaram no exterior apenas sem levar o povo a uma reconstrução real do javismo; a centralização do culto não deu bons resultados, esvaziando a vida e a religiosidade do povo... E o pior: os acontecimentos se precipitaram, Josias morreu cedo demais e a reforma se perdeu.

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[1]. HERMANN, S., Storia d'Israele. I tempi dell'Antico Testa­mento, Brescia, Queriniana, 19792, p. 347.

[2]. Cf. AA. VV., Israel e Judá. Textos do Antigo Oriente Médio, São Paulo, Paulus, 1985, p. 76.