História de Israel - History of Israel

 

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1.5. A Palestina

Palestina é um nome derivado de "filisteus", em hebraico pelishtim, um povo que habitava a faixa costeira situada entre o Egito e a  Fenícia. Os filisteus são de origem egéia, talvez de Creta. Faziam parte dos "povos do mar", que após 1175 a.C., mais ou menos, tentaram invadir o Egito, mas foram vencidos pelo faraó Ramsés III e passaram a viver naquela parte da Palestina.

Canaã, ou terra de Canaã, é outro nome da região usado para designar esta terra, nome proveniente de seus antigos habitantes, os cananeus. Sob os hebreus, passou a ser chamada de terra de Israel, e mais tarde Judá ou Judéia, que era apenas uma parte de seu território.

A superfície da Palestina é de 16.000 km2, sem a Transjordânia. Contando com a Transjordânia, que nem sempre pertenceu a Israel, são 25.000 km2 de território. A superfície da Bélgica, mais ou menos.

Do Mediterrâneo ao Jordão, no norte, são cerca de 48 km de largura e na altura do mar Morto são cerca de 80 km. O comprimento é de 250 km de Dan a Bersheba, ou de 320 km de Dan a Cades-Barnea, incluindo o deserto do Negueb nesta última, que não era propriamente território de Israel.

Israel é uma zona subtropical, com chuvas de novembro a março e seca de abril a outubro. A temperatura vai de -2 a 45 graus Celsius, variando também segundo os lugares graças à topografia. Cai neve em Jerusalém e Jericó é muito quente. Tel-Aviv, Haifa e Tiberíades são quentes e úmidas.

A população foi estimada por W. F. Albright e R. de Vaux, dois renomados biblistas e arqueólogos, em 800 mil habitantes, no período de Davi e Salomão, considerado até meados da década de 70 do século XX como o mais florescente da história de Israel. Mas hoje nem sabemos se houve um monarquia unida, quanto mais um Império davídico-salomômico. Por isso, é melhor não projetarmos a população para este período. Para a época do NT calcula-se: 500 mil habitantes na Palestina e 4 milhões no exterior (diáspora).

Samaria, quando foi destruída pelos assírios em 722 a.C., teria cerca de 30 mil habitantes e a Jerusalém do tempo de Jesus também não passava de 25 a 30 mil habitantes fixos.

A configuração geográfica é a seguinte: há duas cadeias de montanhas que percorrem a Palestina de norte a sul e são: a continuação do Líbano, Cisjordânia, e a continuação do Antilíbano, a Transjordânia. Entre estas duas cadeias está o vale do Jordão, numa depressão de 390 metros abaixo do nível do mar que vai do lago de Hule, ao norte, até o mar Morto, ao sul.

Assim, podemos descrever a Palestina, quanto ao relevo em quatro faixas verticais, norte-sul: a Transjordânia, o vale jordânico, a Cisjordânia e a costa mediterrânea.

1.5.1. A Transjordânia

As montanhas da Transjordânia são altas e apresentam profundas gargantas, por onde correm os afluentes ocidentais do Jordão. Do sul para o norte, os afluentes são: Zered, Arnon, Jabbok e Yarmuk.

Na Transjordânia estavam antigamente os seguintes países ou regiões: Edom, Moab, Ammon, Galaad e Bashan.

Edom é o país ocupado por um povo semita do deserto siro-arábico aí por volta de 1300 a.C. O país está ao sul do mar Morto, em um planalto de 1600 metros de altitude, 110 km de comprimento e 25 km de largura. Seu limite ao norte é o rio Zered, ao sul o golfo de Aqaba. Sua capital, Sela. Outras cidades: Teman, uma fortaleza perto de Sela; Bosrah e Tofel, ao norte. A Bíblia costuma unir Teman e Bosrah para designar todo o país de Edom.

Moab está situado entre os vales do Zered e do Arnon, porém levava freqüentemente sua fronteira ao norte do Arnon. Seu território principal está situado em um planalto de 1200 metros de altitude.

As cidades do ano 3000 a.C. foram destruídas e abandonadas. Aí por volta de 1300 a.C. o país foi novamente ocupado por semitas nômades e pastores.

Sua capital era Kir-hareseth (Kir, Kir-heres), a moderna Kerak. Outras cidades: Aroer, Dibon, Medeba e Heshbon. Cerca de oito km a oeste de Medeba está o monte Nebo (para a tradição sacerdotal) ou Pisgah (para a tradição eloísta) de onde Moisés teria contemplado a terra de Canaã e morrido.

No tempo do NT, a sudoeste do monte Nebo estava a fortaleza de Maqueronte, onde Herodes Antipas mandou matar João Batista. Moab e Israel nunca foram amigos. A tribo de Rubens tentou se estabelecer na parte norte de seu território, mas foi expulsa. Sob Davi e Salomão, Moab foi submetida, mas se libertou logo após a divisão de 931 a.C., sempre segundo os textos bíblicos.

Antes de Israel adotar a monarquia como forma de governo, Moab já o fizera. Seu deus principal era Kemosh. Sua língua se assemelha bastante ao hebraico.

Ammon era uma tribo aramaica que se estabeleceu na região superior do Jabbok. Sua capital era Rabbath-Ammon, a atual Amman, capital da Jordânia. Parece que se estabeleceram aí em 1300 a.C., mais ou menos. Os limites de seu território não são bem definidos, e Ammon foi o mais fraco dos reinos transjordânicos. Esteve freqüentemente submetido a Israel, de quem sempre foi inimigo. Cultuavam os amonitas o deu Moloc (ou Melek), e sacrificavam-lhe crianças. Sua língua se assemelha ao aramaico.

Galaad (ou Gilead) está também na região do Jabbok. Esta região foi conquistada pelos israelitas e habitada pelas tribos de Gad e Manassés. Seu território tem uns 60 km de norte a sul por 40 km leste-oeste e é bastante fértil. Chove bem e era coberta antigamente por densos bosques. Famoso era seu bálsamo e abundantes suas vinhas. Suas cidades principais: Penuel, Mahanaim, Succoth, Jabesh-Galaad, Ramoth-Galaad. No tempo do NT: Gerasa, Gadara, Pella.

Bashan (ou Hauran) é uma região ao norte do Galaad, formada por férteis planícies, boas para o cultivo do trigo e ótimas para pastagens. Seus bosques eram comparáveis aos do Líbano. A região sempre foi objeto de luta entre Israel e Síria, que se revezavam na sua posse. Não possuía cidades de destaque.

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