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Entre Mênfis e Heliópolis
havia um grande cemitério, onde foram construídas as famosas pirâmides e a esfinge.
Ali, depois da invasão muçulmana, foi construída a cidade do Cairo,
a atual capital do Egito. Sobre as pirâmides, uma curiosidade apenas: as três
grandes pirâmides, de
Quéops,
Quéfren e
Miquerinos foram construídas entre
os anos 2700 e 2500 a.C. A A noroeste do delta, Alexandre Magno mandou construir Alexandria em 331 a.C., cidade que se tornou célebre porto e grande centro cultural.Vivia ali importante colônia judaica. No delta está Avaris (Tânis, Zoan), capital do Egito sob os hicsos, um povo asiático que invadiu o país em 1670 a.C. e o dominou durante um século.
A irrigação era fundamental: faziam-se tanques ao longo do rio, através de um sistema de diques construídos em ângulo reto em relação ao Nilo. Canais de tamanhos e extensões variáveis levavam as águas das cheias a alguns quilômetros de seu leito, fertilizando as terras cultiváveis. As sementes eram lançadas na terra quando ainda havia a lama das enchentes. Em seguida, faziam passar sobre os campos o gado miúdo e, às vezes, com a ajuda de arados e enxadas, estas eram cobertas pela terra.
Os egípcios cultivavam cereais como o trigo, a cevada, o linho. Praticavam a horticultura, plantando especialmente o alho, a cebola, pepino, alface etc. As árvores frutíferas, a videira e outras plantas também eram conhecidas. O azeite de oliva era importado. O gado compunha-se de bovinos, asininos, eqüinos, caprinos, ovinos e suínos. Criados especialmente nas regiões pantanosas do delta. Criavam também aves, como gansos, patos e pombos. Praticava-se a pesca, importante na alimentação. A mão-de-obra básica era a camponesa. Homens livres que viviam em aldeias espalhadas ao longo do Nilo. Mas na entressafra eram eles que trabalhavam, em regime obrigatório, nas grandes obras estatais, como a construção de túmulos, palácios e templos. Os escravos existiam, mas não constituíam a mão-de-obra dominante. As terras pertenciam, na sua maioria, ao Estado, aos templos, a grandes proprietários da nobreza e, em menor proporção, aos pequenos proprietários que nela trabalhavam. Um dos traços mais visíveis da economia egípcia antiga era o estatismo faraônico. O controle da vida econômica passava na sua quase totalidade pelo rei, seus funcionários e templos. Este rígido controle da economia colocava nas mãos do Estado a quase totalidade do excedente econômico, que, obviamente, era distribuído segundo a lógica das classes dominantes: quem ficava com a maior parte eram as aristocracias sacerdotal, burocrática e militar.
A história egípcia é
tradicionalmente dividida em dinastias. Isto se deve a um sacerdote egípcio da
época ptolomaica, chamado Maneton que escreveu uma História do Egito, hoje perdida, mas cujos fragmentos foram
transmitidos por outros autores. Apesar dos progressos constatáveis na cronologia da História do Egito antigo, às vezes com base em fatos astronômicos datáveis, muita incerteza subsiste em quase todas as datas anteriores a 664. A margem de erro no início da História dinástica é de até 150 anos; as datas do Reino Médio são em geral bastante seguras; quanto ao período que se estende do início do Reino Novo a 664, o erro possível é de uma década aproximadamente"[5].
Alguns fatos importantes da história egípcia: ·
A unificação do Alto
e Baixo Egito se deu a partir do sul e provavelmente o primeiro faraó - título
egípcio que significa "a grande casa"; · Foi durante o período dinástico primitivo que se estabeleceu a forma definitiva da escrita hieroglífica. A mais antiga pirâmide (Pirâmide dos Degraus) foi construída por Zoser, fundador da III dinastia. Mênfis, provavelmente, foi a primeira capital egípcia. · A IV dinastia construiu as monumentais pirâmides de Quéops (Khufu), Quéfren (Khafra) e Miquerinos (Menkaura). Foi a época do florescimento clássico do Egito. · Nas pirâmides da V e VI dinastias foram encontrados os "Textos das Pirâmides", os escritos religiosos mais antigos do Egito. · O primeiro período intermediário é um período de depressão e confusão: o poder passava progressivamente das mãos do faraó para as mãos da nobreza provincial hereditária. Houve uma tumultuada revolução social. O interesse pela justiça social está refletido no famoso escrito "O camponês eloqüente" e o pessimismo aparece em "O diálogo de misantropo com a sua alma". · Foi Mentuhotep, príncipe tebano da XI dinastia, que, por volta de 2040 a.C., reunificou o império. Capital: Tebas. A XII dinastia transferiu-a para Mênfis, inaugurando um dos períodos mais estáveis do Egito: houve desenvolvimento agrícola, literário, científico, político ("democratização" de certas prerrogativas reais, como: a vida futura não é mais um privilégio do faraó apenas, mas os nobres devidamente sepultados podem tê-la). · Durante o segundo período intermediário houve novo declínio do poder, por pressão da nobreza feudal e de estrangeiros. Os hicsos conquistam o Egito em 1670 a.C. e o dominam durante um século. Capital hicsa: Avaris. ·
A XVIII dinastia,
comandada por Amósis, expulsa os hicsos e transforma o Egito na maior potência
mundial. A capital volta para Tebas. Tutmósis III foi quem levou o Egito ao
auge do poder, estendendo seu domínio até o · Ramsés II, o suposto faraó do êxodo de Israel, era da XIX dinastia, período do reino novo. Seu filho Merneptah cita Israel numa estela, por volta de 1220 a.C.: é a primeira menção extra-bíblica deste povo. Diz o texto: "Os príncipes estão prostrados dizendo: paz. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. Tehenu [ Líbia] está devastado; o Hatti está em paz. Canaã está privada de toda a sua maldade; Ascalon esta deportada; Gazer foi tomada; Yanoam está como se não existisse mais; Israel está aniquilado e não tem mais semente. O Haru [Canaã] está em viuvez diante do Egito". · Durante a XX dinastia o Egito é invadido pelos "povos do mar", dos quais fazem parte os filisteus.
[5]. CARDOSO, C. F. S., O Egito antigo, São Paulo, Brasiliense, 1982. Os especialistas seguem cronologias variadas. Só para mencionar duas das mais cotadas, Ciro Flamarion S. Cardoso, que acabei de citar, usa a de BAINES, J. & MÁLEK, J., Atlas of Ancient Egypt, Oxford, Phaidon, 1980 (em português: BAINES, J. & MÁLEK, J., O Mundo Egípcio. Deuses, Templos e Faraós, 2 vols., Madrid, Edições del Prado, 1996, Coleção Grandes Impérios e Civilizações), enquanto outros preferem a de GARDINER, A., Egypt of the Pharaohs, London, Oxford University Press, 1974. | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||