História de Israel - History of Israel

 

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1.2. A Mesopotâmia

A planície situada nos vales dos rios Tigre e Eufrates é chamada comumente de Mesopotâmia, nome que vem do grego e significa (terra) entre rios, notadamente o Tigre e o Eufrates. A Bíblia chama a esta terra de paddan aram ou aram naharayim (Síria dos dois rios). A Mesopotâmia foi berço deA Mesopotâmia - Clique aqui para ver o mapa civilizações antiqüíssimas e importantes, como os sumérios, os acádios, os assírios e os babilônios.

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Os sumérios construíram a sua civilização na Baixa Mesopotâmia entre os anos de 2800 e 2370 a.C., mais ou menos. As escavações feitas em Uruk revelaram o uso da escrita cuneiforme (sinais em forma de cunha) desde o início do III milênio. Foram os sumérios os inventores da escrita.

"água" em cuneiformeO chefe da cidade suméria tem o título de En (= senhor), de conotação religiosa. Ele dirige o culto, nas cenas gravadas nos cilindros. As únicas construções oficiais são os templos: as cidades eram dirigidas por senhores eclesiásticos, auxiliados por "anciãos", que formavam uma assembléia.

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O culto era celebrado para Inanna (a futura Ishtar), deusa da fecundidade e do amor, e para An, deus do céu. O templo era um centro econômico: possuía terras, onde cultivavam-se a cevada e o trigo. Também a horticultura, a vinha e a palmeira eram conhecidas. Usavam arados. Criavam principalmente carneiros e cabras e, mais raros, bois. Aparece o asno e o porco, assim como um carro de 4 rodas e o barco.

Há, no trabalho dos templos, marceneiros, ferreiros, ourives e ceramistas. O metal mais citado é o cobre. Também já conheciam a prata e o ouro. Havia mercadores e um comércio privado.

É impossível saber quando chegaram os sumérios à Baixa Mesopotâmia. Mas, pelo menos pode-se perceber que eles se misturaram às antigas culturas"escrava" em cuneiforme populares locais, talvez subários e populações de língua semítica. Parece que estavam na região na segunda metade do IV milênio a.C.

As cidades mais importantes eram: Adab, Zabalam, Umma, Bad-Tibira, Lagash, Akshak, Kish, Nippur, Shurupak, Uruk e Ur. Permaneceram sempre isoladas, na forma de cidades-estado. Cada uma possuía ao seu redor um cinturão de aldeias e eram separadas por pântanos e desertos, característicos da região.

Avançando um pouco mais no tempo e pesquisando outros lugares além de Uruk, os especialistas descobriram que as cidades organizavam-se ao redor dos templos e palácios reais.

No palácio vivia o rei, que era apenas um administrador do Estado, pertencente, na verdade, ao deus. Lugal (rei) era o seu título ou Ensi (chefe das cidades, governador, vice-rei), que indicava um poder menor do que o primeiro. O rei era sacerdote (mantinha os santuários), era juiz supremo, chefe militar e administrador dos canais de irrigação. Sua residência era mais uma fortaleza do que um palácio. Suas tropas chegavam a uma média de 600 a 700 homens, reforçados, na guerra, por camponeses. Além de uma infantaria armada de lanças, abrigada por grandes escudos e capacetes, havia carros de guerra com 4 rodas compactas, puxados por quadrigas de burros.

Não se sabe quando se formou a monarquia suméria; mas era uma monarquia militar, que entrou em luta com os chefes religiosos pelo controle interno das cidades e com as outras cidades em massacres periódicos. Contudo não permaneceram unificadas por muito tempo. Foi a função guerreira que fez surgir a realeza.

Esta fase de guerras constantes, a partir de 2800 a.C., mais ou menos, início da idade clássica sumeriana, levou à construção de grandes muralhas nas cidades. Uruk tinha muralhas de 9,5 km de extensão, com mais de 900 torres semicirculares, cobrindo uma superfície de 5 km2.

Lagash e Umma foram duas das cidades que mais dominaram suas vizinhas. Já a cidade de Nippur parecia ser uma espécie de território neutro, centro de uma anfictionia ou confederação.

Os templos podiam ter várias formas, mas a disposição interna era a mesma em qualquer lugar. As estátuas não são muito bonitas, são toscas demais. Revelam-nos o vestuário da época: o mais usado era o Kaunakés, espécie de saia com longas franjas estilizadas, em forma de lingüetas.

Links para o estudo da Mesopotâmia? Confira estes!

Na literatura produziam-se textos sapienciais, hínicos, épicos e mitológicos. A religião tem predominância naturista: os cultos da fertilidade estavam em primeiro plano. No ritual exerciam funções importantes a grã-sacerdotisa e o rei, simbolizando o casamento sagrado entre um deus (Dumuzi?) e uma deusa (Inanna). Em meados do III milênio, porém, deu-se uma transposição da temática naturista para a cósmica (os deuses passam a figurar elementos do cosmos), embora a primeira permanecesse.

Uma classificação possível para as cosmogonias mesopotâmicas pode ser a seguinte, baseada na cronologia e no gênero:

TEXTOS SUMÉRIOS: Cosmogonias do 30 milênio até começo do 20 milênio a.C.

TEXTOS ACÁDICOS: Cosmogonias da metade do 20 milênio até o 10 milênio a.C.

Listas de deuses: 3 textos

Cosmogonias menores:

1.       SLT 122-124 1.       Encantamentos: 3 textos
2.       TCL XV 10 = lista De Genouillac 2.       Textos Namburbi
3.       Lista do deus An = Anum 3.       Fundações ou refundações de Templos: 4 textos
 

4.       Disputas entre criaturas:

·          Disputa entre dois insetos

·          Disputa entre o Tamarindo e a Palmeira

·          Disputa entre o Boi e o Cavalo

5.       Prólogos ao Grande Tratado Astrológico: 2 textos
6.       VAT 17019

Textos narrativos de Nippur - motivo cósmico: 6 textos

Cosmogonias antológicas

1.       Gilgamesh, Enkidu e o Inferno

Atrahasis

2.       Casamento de An e Ki em meio à tempestade

Enuma elish

3.       A disputa entre a Árvore e o Junco
4.       NBC 11108
5.       Hino ao Templo de Eridu
6.       Louvor à Enxada

Textos narrativos de Eridu - motivo ctônico: 5 textos

A Teogonia Dunnu

1.       Enki e a Ordem do Mundo
2.       Enki e Ninhursag (ou Mito do Dilmun)
3.       A disputa entre o Pássaro e o Peixe
4.       Enki e Ninmah 
5.       História Suméria do Dilúvio

Um único texto: KAR 4

 

* Abreviações:

SLT: CHIERA, E., Sumerian Lexical Texts from the Temple School of Nippur, Chicago, Chicago University Press, 1929.

TCL: Textes cunéiformes - Musée du Louvre, Paris.

De Genouillac: DE Genouillac, H., Grande Liste de noms divins sumériens, RA 20 (1923), pp. 86-106.

DE Genouillac, H., Liste alphabétique des dieux sumériens, RA 25 (1928), pp. 137-139.

NBC: Nies Babylonian Collection, Yale University.

VAT: Vorderasiatische Abteilung Tontafeln - Coleção de tabuinhas cuneiformes do Museu de Berlim.

KAR: EBELING, E. (ed.), Keilschrifttexte aus Assur religiösen Inhalts, Wissenschaftliche Veröffentlichnungen der deutschen Orientgesellschaft XXVIII, XXXIV, Leipzig, 1919,1923.

 

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