Observatório Bíblico

Quarta-feira, Maio 07, 2008

Profissão Teólogo: Entrevista com Márcio Fabri

A diferença entre pastor e teólogo. Uma reflexão sobre a profissionalização do teólogo. Entrevista especial com Márcio Fabri dos Anjos
“A confusão entre os papéis do teólogo e do pastor me parece inadequada, em especial por estas funções exigirem habilitações bem diferenciadas.” Esta é a opinião do teólogo Márcio Fabri dos Anjos. Em entrevista concedida à IHU On-Line, por e-mail, o professor falou sobre a presença da Teologia na sociedade contemporânea, sobre a possibilidade de reconhecimento dos cursos de Teologia por parte do MEC e das propostas de profissionalização do teólogo e as características sociais da proposta. Para ele, “as perguntas éticas da humanidade devam ser sempre assumidas pela Teologia”.

Márcio Fabri dos Anjos é Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, Itália (1975). Ex-presidente da SOTER - Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (1991-1998); fundador e ex-presidente da SBTM - Sociedade Brasileira de Teologia Moral (1980-86). Diretor do Instituto Alfonsianum de Ética Teológica. É pesquisador e docente do Centro Universitário São Camilo, São Paulo; professor orientador de doutorado da Accademia Alfonsiana, da Pontificia Università Lateranense, Roma, Itália; professor de teologia moral no ISPES - Instituto São Paulo de Estudos Superiores e na Pontifícia Faculdade de Teologia N. S. da Assunção (São Paulo); assessor da CRB - Conferência Nacional dos Religiosos do Brasil; membro da diretoria da SBB - Sociedade Brasileira de Bioética; membro da Câmara técnica de Bioética do CREMESP - Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo. Tem desenvolvido estudos principalmente na área de bioética e religião, com ênfase em conceitos fundamentais como vulnerabilidade, autonomia, dignidade humana e argumentação ética.

Destaco na entrevista quatro trechos:

IHU On-Line – Para o senhor, qual é o papel da Teologia na sociedade contemporânea?
Márcio Fabri dos Anjos – (...) A Teologia ganha particular relevância quando se percebe a estreita relação entre fé e processos históricos, fé e transformações culturais. Isto ficou claro com a Teologia do Político na Europa e a Teologia da Libertação na América Latina; e não menos claro nas contribuições da Teologia em grandes temas da atualidade como os fundamentalismos, questões de ética social, de ecologia e bioética. A Teologia é capaz de apontar razões para além da simples razão instrumental dominante em nosso momento cultural, o que me parece fundamental.

IHU On-Line – Como as mudanças propostas pelo MEC e pelo Congresso Nacional afetam a Teologia praticada e ensinada hoje?
Márcio Fabri dos Anjos – Há dois assuntos diferentes nesta questão. A possibilidade de reconhecimento civil da Teologia, monitorado pelo MEC, foi a meu ver um importante avanço para colocar a Teologia como forma de conhecimento em sociedade. Além disso, ao monitorá-la pelo viés da cientificidade, provoca uma gradativa abertura do pensar teológico para além das fronteiras confessionais em que ela se dá. Assim, o reconhecimento civil da Teologia é um processo que ainda não acabou; supõe outros passos, alguns bem complexos, mas todos necessários. Quanto ao que tramita no Congresso Nacional, refere-se a projetos sobre a profissionalização do “teólogo/a”. Envolve questões como as características sociais deste profissional, exigências sobre sua habilitação e seus direitos. Há que se perguntar também que interesses estão subjacentes a estes projetos. Em 1994, coordenei um estudo publicado dois anos depois com o título “Teologia: profissão”. Mas na época o interesse básico era o reconhecimento civil que veio alguns anos depois.

IHU On-Line – Os proponentes dos projetos em tramitação no Congresso Nacional estariam fazendo prevalecer suas trajetórias de pastores com prejuízo para a exigência de formação acadêmica superior em Teologia?
Márcio Fabri dos Anjos – Os dois projetos têm diferenças, mas em ambos é preciso olhar a questão da profissionalização com uma metódica suspeita, como observou o professor Ricardo Willy Rieth. Aparece ali uma convergência para um cadastramento dos profissionais da área, permitindo a suspeita de interesses econômicos subjacentes. Isto se soma a um alargamento do profissional “teólogo” para incluir também quem exerce funções de “pastor/a” e alargar assim o grupo de associados. Mesmo que não se verifique tal suspeita, a confusão entre os papéis do teólogo e do pastor me parece inadequada, em especial por estas funções exigirem habilitações bem diferenciadas. Se as comunidades confessionais exigem ou não uma formação e atualização teológica de seus pastores/as, esta é uma questão interna à comunidade. Em sociedade, a habilitação do teólogo/a está sendo monitorada e reconhecida através de exigências acadêmicas, que devem ser melhoradas, mas que já estabelecem passos em vista do serviço da Teologia em sociedade.

IHU On-Line – Pensar a Teologia como profissão pode vir a ser um desacato à experiência religiosa pressuposta no fazer teológico?
Márcio Fabri dos Anjos – A Teologia da Libertação ressaltou a estreita relação que existe entre teoria e prática. O modo de gerar conhecimento hoje também privilegia a aproximação com a experiência e a particularidade. A profissionalização da Teologia pode ser então um desacato à experiência religiosa, e também ao método teológico, na medida em que dela se distanciar, tornando-se como que uma burocracia teórica, ou uma teologia de gabinete. Por outro lado a profissionalização coloca uma pergunta interessante sobre a aplicabilidade da Teologia. Os grupos religiosos em geral vinham destinando o estudo teológico para a formação de seus líderes religiosos, padres e pastores. O termo “leigo” chegou a entrar no vocabulário como sinônimo de “estar por fora”. Em países como a Alemanha, o estudo da Teologia tem, de longa data, outros endereços. No Brasil, esta destinação do estudo teológico está mudando, e traz perguntas sobre sua programação curricular. Acredito que o momento atual seja muito imaturo para a profissionalização da Teologia, mas julgo necessário trazer para os currículos as perguntas sobre a destinação do estudo teológico.

Leia a entrevista completa.

Fonte: Notícias do Dia - IHU On-Line: 07/05/2008

Leia Mais:
Para onde vai a Teologia no Brasil?
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Teologia e academia no Brasil
Por que você quer estudar Teologia?
Com que olhar a Teologia olha o mundo?

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Segunda-feira, Maio 05, 2008

SOTER 2008

O Congresso 2008 da SOTER será realizado em Belo Horizonte, MG, de 7 a 10 de julho de 2008. Este é o 21º Congresso Nacional da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião, fundada em julho de 1985.

Tema: Sustentabilidade da Vida e Espiritualidade

Objetivo: Nosso objetivo é reunir pesquisadores que forneçam dados e categorias de análise para, num debate interdisciplinar, do ponto de vista teológico e das ciências sociais da religião, repropor de forma ampla a questão da sustentabilidade integral da vida no planeta e suas implicações nas culturas e religiões de nossos povos. O tema é grave e urgente e pretendemos abordá-lo de maneira ecológica e plural, acolhendo contribuições do âmbito das religiões, da política, das ciências da vida e da saúde, numa discussão atenta à complexidade que o assunto comporta. Tudo isso nos permite prever um Congresso extremamente rico e proveitoso. Um livro com as contribuições dos conferencistas está sendo preparado, e deverá ser publicado com antecedência pelas Paulinas, a fim de ajudar nas reflexões que pretendemos desenvolver ao longo do evento.

Programação

Segunda-feira, 7 de julho
15h00: Reunião da Diretoria
16h00. Reunião da Diretoria e os Conselheiros Regionais

Noite - Abertura do Congregsso
20h00: Palavras de Dom Walmor
Palestra de abertura: A geopolítica do desenvolvimento sustentável – Panorama Mundial
Profª. Drª Maria Adélia Aparecida de Souza (USP e PUC-Campinas)

Confraternização

Terça-feira, 8 de julho
8h30: Brasil sustentável: desafios das políticas governamentais
Ministra do Meio Ambiente Marina Silva
10h30: Paradigma ecológico: gestão e educação ambientais
Prof. Dr. Afonso Murad (FAJE)

14h00: GTs/Comunicações:
1. Ecofeminismo e sustentabilidade (Coord.: Profª. Drª. Anete Roese, FAJE e PUC-Minas)
2. Ecologia, trabalho e economia sócio–solidária (Coord.: Prof. Dr. Pedro de Oliveira, UFJF e PUC-Minas)
3. Bíblia e Ecologia
4. Filosofia da Religião (Coord.: Prof. Dr. Flávio Senra, PUC-Minas)

16h30: Reuniões das Regionais

19h30: Painel "Povos Indígenas e Afro-americanos alternativas de sustentabilidade"
1. Indígenas – CIMI
2. Afros – Centro Atabaque

21h00: Lançamento de livros - Coquetel

Quarta-feira, 9 de julho
8h30: Sustentabilidade nas cosmovisões religiosas: uma visão panorâmica
Prof. Dr. Marcial Maçaneiro (Fac. Dehoniana)

10h30: Mesas de Trabalho
14h00: Mesas de Trabalho

16h30: GTs/Comunicações
1. Sustentabilidade da vida na cidade (Coord.: Prof. Dr. José Comblin)
2. Pastoral da ecologia (Coord.: Prof. Dr. Manuel Godoy, PUC-Minas)
3. Religiões e defesa da vida
4. Ensino Religioso (Coord.: Prof. Dr. Afonso Soares, PUC-SP)

18h00: Assembléia da SOTER

19h30: Espiritualidade e Confraternização

Quinta-feira, 10 de julho
8h30: Novos céus e nova terra, vida no campo a na cidade
Prof. Dr. Carlos Mesters
10h30: Por uma Teologia da Sustentabilidade
Prof. Dr. Luiz Carlos Susin (PUC-RS)
14h00: Espiritualidade e Sustentabilidade
Prof. Dr. Leonardo Boff (UERJ)

16h00: Encerramento

Veja todos os detalhes do Congresso aqui.

Para conferir algumas das publicações dos Congressos da SOTER, clique aqui, aqui, aqui e aqui.

A Direção da SOTER para o triênio julho de 2007-julho de 2010 é a seguinte:
Presidente: Afonso Maria Ligório Soares (SP)
Vice-Presidente: Benedito Ferraro (SP)
Primeiro-Secretário: Ivanete Dal Farra (SP)
Segundo-Secretário: Luiz Carlos da Silva (SP)
Tesoureiro: João Décio Passos (SP)

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Quarta-feira, Abril 30, 2008

Com que olhar a Teologia olha o mundo?

Três artigos que acabei de ler na revista Estudos Teológicos, da EST, e que valem a pena. Todos tratam da relação da Teologia com a Academia, ou, se preferirmos, do desafio que é fazer Teologia a partir das múltiplas definições que dão do mundo a ciência e a fé. Como diz o Editorial, são artigos que "enfocam o estatuto teórico da teologia no âmbito das demais ciências".

Os três autores são professores e pesquisadores da Faculdades EST, de São Leopoldo, RS. Os artigos foram publicados no ano passado, 2007, e estão no vol. 47, n. 2 da revista, com texto completo disponível online em formato pdf.

Enio R. Mueller, A teologia e seu estatuto teórico: contribuições para uma discussão atual na universidade brasileira. Estudos Teológicos 2007, vol. 47, n. 2, p. 88-103.

Do artigo:
"Neste momento histórico, a Teologia, depois de ser convidada oficialmente para o grande concerto da academia no Brasil, busca definir seu estatuto teórico. Ou seja, o que exatamente faz com que ela se sinta no direito a ter um lugar como protagonista deste concerto. A impressão geral, no mundo acadêmico, é que a Teologia ainda não mostrou por que ocupa, agora, uma cadeira nesta orquestra. Penso que a própria Teologia é, em parte, responsável por esta situação. A não-necessidade de pensar seu estatuto teórico já é evidência de uma compreensão do mesmo que por tanto tempo, ao lado de outros fatores históricos, tem mantido a Teologia fora da universidade brasileira. Em discussão está o que as ciências vêem. O que cada uma vê 'que só ela vê', que é o que justifica a inclusão de uma nova ciência no concerto geral. Em nosso caso, concretamente, o que a Teologia vê 'que só ela vê'".


Júlio Paulo Tavares Zabatiero, Do Estatuto Acadêmico da Teologia: pistas para a solução de um problema complexo. Estudos Teológicos 2007, vol. 47, n. 2, p. 67-87.

Como exemplo, um trecho:
"Sua localização no limiar entre experiência de fé e experiência científica implica que a teologia será, também, e inevitavelmente, uma teoria crítica da fé vivida. Teólogas e teólogos não podem aceitar e compactuar com formas de vida cristã que reduzam a fé aos interesses institucionais que regulamentam a vida de seus fiéis, ou aos interesses individualistas de crentes que confundem salvação com a satisfação de seus próprios desejos".


Rudolf von Sinner, Teologia como Ciência. Estudos Teológicos 2007, vol. 47, n. 2, p. 57-66.

Do artigo, um exemplo:
"Portanto, a teologia é a reflexão metodologicamente responsável sobre o falar de Deus, esta linguagem primária que proclama a boa nova de Deus e se dirige a Ele em louvor e oração. Não é restrita a teólogas e teólogos academicamente formados, mas é de forma especial tarefa destas e destes apresentarem e discutirem argumentos teológicos sobre determinado assunto da fé. É neste sentido que a teologia é ciência: está sempre à procura da verdade, ainda que não a possua nem a possa encontrar de forma absoluta. Apresenta o que dela percebe com argumentos que podem ser criticados e discutidos. A dúvida é um importante motor desta procura, desde que não destrua a fé num ceticismo sem fim. Preserva, contudo, a teologia de cair num dogmatismo auto-reprodutivo. São estes mesmos dois perigos que qualquer ciência enfrenta: cair no ceticismo ou no dogmatismo, ou seja, na negação de uma diferença sustentável entre opinião e conhecimento ou na restrição do conhecimento científico a um tipo muito específico de conhecimento".

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Sábado, Abril 26, 2008

Por que voce quer estudar Teologia?

Um caminho de acesso a Deus. Entrevista especial com Vitor Galdino Feller
“O risco possível de desacato à experiência religiosa é fazer da profissão de teólogo apenas um meio de subsistência, sem relações e compromissos com a fé da comunidade a que se serve, um pedestal que o afasta da vida concreta de seus irmãos de fé.” Essa é a constatação do teólogo Vitor Galdino Feller sobre a profissionalização e reconhecimento dos teólogos pelo Estado brasileiro. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, Feller falou sobre a presença e o papel da teologia e a religião na sociedade contemporânea e sobre o projeto que tramita no Congresso Nacional e como ele influencia a teologia atual. Doutor em Teologia, pela Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, Vitor Galdino Feller é, atualmente, diretor e professor no Instituto Teológico de Santa Catarina, em Florianópolis.

Confira a entrevista completa em Notícias do Dia - IHU On-Line: 26/04/2008

Destaco quatro trechos:

IHU On-Line – Como essas mudanças propostas pelo MEC e pelo Congresso Nacional afetam a teologia praticada e ensinada hoje?
Vitor Galdino Feller – A possibilidade dada pelo MEC para o reconhecimento de cursos de Teologia provoca os estudiosos da área a buscarem um perfil sempre mais acadêmico e científico para a teologia. Mesmo que toda teologia seja confessional, porque é ciência da fé, dentro uma determinada igreja ou religião, ela tem também uma dimensão racional. Ela deve explicitar a racionalidade e a razoabilidade da fé, com vistas a evitar expressões fundamentalistas, fanáticas, proselitistas, que são contrárias à liberdade religiosa e, portanto, desumanas. Já os projetos de profissionalização do teólogo em tramitação no Congresso Nacional não batem com a realidade atual, nem com a tradição da ciência teológica. Se aprovados assim como estão, levarão ao descrédito a condição e a pretendida profissão do teólogo [sublinhado meu]. Não se pode pretender que sejam teólogos as pessoas que realizam liturgias, celebrações, cultos e ritos, que dirigem e administram comunidades, que formam pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições, que orientam e aconselham pessoas, que realizam ação social na comunidade, que praticam vida contemplativa e meditativa e que preservam a tradição de sua religião. Na Igreja Católica, por exemplo, há uma infinidade de catequistas, ministros, missionários, sacristães, secretários paroquiais, conselheiros, coordenadores de pastorais as mais diversas etc., que nem sequer estudaram teologia. A profissão dessas pessoas poderia ser outra: agentes religiosos. Não se pode considerá-los como teólogos. Além disso, não tiram seu sustento desse serviço, que exercem na forma de voluntariado e gratuitamente. É exigência da Igreja Católica que todos os candidatos ao sacerdócio estudem teologia. Nem por isso os padres são considerados teólogos. Não há que se esquecer, ainda, que, se todas as pessoas que exercem essas atividades se tornarem profissionalmente teólogos, poderão passar a exigir direitos salariais como profissionais. Além de perder-se a dimensão da gratuidade do serviço religioso, todas as igrejas deveriam tornar-se empresas, com uma série infinda de funcionários, o que tornaria inviável o exercício da fé e da evangelização e, portanto, a existência das igrejas e religiões. Teólogos devem ser os que vivem e se sustentam do trabalho no ensino e no estudo, na pesquisa e na produção teológica. Para isso, devem ter feito, pelo menos, o curso de graduação em Teologia. A exigência de um curso de pós-graduação seria ainda mais conveniente [sublinhado meu]. Em comparação com os que concluem o curso de direito e devem fazer o exame da OAB para serem considerados e poderem exercer a profissão de advogados, também o concluinte de uma graduação em Teologia, para exercer a profissão de teólogo, deve qualificar-se academicamente para isso. A própria palavra “teólogo” traz em si, etimologicamente, a exigência do estudo, da ciência, do pensamento [sublinhado meu].

IHU On-Line – Os proponentes desse projeto que está tramitando no Congresso Nacional têm trajetórias profissionais como pastores de denominações religiosas que historicamente vêem a teologia com suspeita, como ressaltou o professor Ricardo Willy Rieth. Esses proponentes têm ainda rejeitado a formação acadêmica superior em Teologia. Como o senhor analisa esse fato?
Vitor Galdino Feller – Esses projetos desrespeitam a história da teologia e, portanto, de muitíssimos cientistas que se deram ao trabalho de estudar, ensinar, pesquisar e publicar produções científicas sobre a fé e os fenômenos religiosos. Esses projetos deixam a impressão de que tudo está começando agora. Além disso, esquecem que toda religião tem uma dimensão racional, que precisa ser explicitada, sob pena de ficar no emocionalismo, no devocionismo, ou de levar ao fanatismo, ao exclusivismo. Desvios perigosos para a fé, a religião e a sociedade. Fé sem razão é tão perigosa para o ser humano e a comunidade humana quanto a exacerbação da razão, na forma de racionalismo fechado ao mistério [sublinhado meu].

IHU On-Line – Como o senhor analisa o ensino da Teologia no Brasil, hoje?
Vitor Galdino Feller – Há um aumento considerável de cursos de Teologia no Brasil. Quanto mais cursos de Teologia houver, quanto mais pessoas, sobretudo lideranças leigas, fizerem teologia, mais a teologia deixará de ser eurocêntrica, clerical, androcêntrica. Ao mesmo tempo, mais as nossas igrejas e religiões poderão contribuir – para além de sua própria renovação e refundação – para a construção da ética, da solidariedade, da cidadania, do senso e da prática da justiça. Isso é comprovado pelo histórico da teologia da libertação e, agora, dos estudos sobre o pluralismo religioso tão marcante no país.

IHU On-Line - Pensar a teologia como profissão pode vir a ser um desacato à experiência religiosa pressuposta no fazer teológico?
Vitor Galdino Feller - Não creio. Afinal, na prática, a profissão de teólogo já existe. Não é oficializada pelo estado brasileiro, como o é em alguns países da Europa. Mas existe na realidade da Igreja Católica e das igrejas protestantes históricas. Nessas igrejas, a teologia já é uma profissão. Nos dois sentidos da palavra: ocupação, ofício, emprego, que requer conhecimentos especiais; e declaração ou confissão pública da fé, na medida em que se ensina e se publicam textos sobre ela. O risco possível de desacato à experiência religiosa é fazer da profissão de teólogo apenas um meio de subsistência, sem relações e compromissos com a fé da comunidade a que se serve, um pedestal que o afasta da vida concreta de seus irmãos de fé [sublinhado meu].

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Quinta-feira, Abril 24, 2008

Teologia e academia no Brasil

Entre a cidadania teológica e a esquizofrenia acadêmica. Entrevista especial com Ricardo Willy Rieth

Com a possibilidade aberta pelo MEC para autorização e reconhecimento de cursos de bacharelado, a partir de 1999, a Teologia alcançou uma espécie de "cidadania" acadêmica”, afirmou Ricardo Willy Rieth em entrevista à IHU On-Line realizada por e-mail. Rieth analisa o percurso da teologia no Brasil, dos projetos encaminhados ao Senado e à Câmara Federal e fala sobre o ensino da teologia no país. Trabalhando com docentes e pesquisadores de diversas áreas, Rieth se diz impressionado com a ignorância teológica presente nas academias. “Mesmo aqueles que professam alguma crença, sofrem de uma "esquizofrenia acadêmica", ou seja, são incapazes de estabelecer relações entre o saber de sua área específica e o saber religioso”, disse. Ricardo Willy Rieth é teólogo e sociólogo. É doutor em teologia pela Universidade de Leipzig, na Alemanha, onde também obteve o título de pós-doutor. Atualmente, é professor da Universidade Luterana do Brasil – Ulbra e da Escola Superior de Teologia – EST.

Da entrevista, destaco três trechos. Leia a entrevista completa em Notícias do Dia - IHU On-Line: 24/04/2008

IHU On-Line - Como o senhor analisa o ensino da Teologia no Brasil, hoje?
Ricardo Willy Rieth - É notável a expansão de cursos de Teologia em todas as regiões do Brasil. Muitos, inclusive, buscando autorização oficial. As denominações que historicamente mantinham compromisso com uma formação teológica consistente, como a Igreja Católica Apostólica Romana e as igrejas protestantes históricas, seguem nesta linha. Denominações que, no passado, negligenciavam uma formação teológica em nível superior, como algumas igrejas pentecostais, grupos de espiritismo kardecista e cultos afro-brasileiros, estão gradativamente mudando sua postura. Por outro lado, se tal expansão traz consigo um aprofundamento da qualidade do ensino e da formação é algo difícil de avaliar. Tenho percebido que estudantes de Teologia têm agido da mesma forma que universitários em geral nos últimos tempos, ou seja, optando pelo pragmatismo da formação rápida e voltada ao pronto ingresso no mercado de trabalho, em detrimento de uma formação mais pautada pela reflexão crítica acerca dos conteúdos e práticas associados à Teologia. Infelizmente, as instituições de ensino superior têm atendido, ou têm sido levadas a atender a essa demanda de seus "clientes" [sublinhado meu].

IHU On-Line - A possibilidade de criação de um Conselho Nacional de Teólogos muda, de que forma, a relação entre a Igreja e o Estado?
Ricardo Willy Rieth - Penso que não mudaria. As denominações religiosas, cristãs ou não, seguirão determinando os critérios de seleção e designação dos membros do seu clero, independente das normas propostas por um suposto conselho nacional. Eventualmente, as condições do exercício da profissão de teólogo (a) na esfera pública - capelanias militares, por exemplo - poderiam ser afetadas.

IHU On-Line - Alguém que exerça a atividade de teólogo mesmo sem ser diplomado pode ser reconhecido pelo Estado, caso esse conselho seja aprovado. Qual sua opinião sobre isso?
Ricardo Willy Rieth - Para muitos, dentre os quais me incluo, a não-exigência de diploma oficialmente reconhecido colocaria este conselho de antemão em descrédito. Aliás, os teólogos precisam esforçar-se para que seu título, "teólogo", cujo significado, de fato, é desconhecido para amplos setores da população brasileira, seja digno de crédito e visto de forma positiva. Isso porque muitos, infelizmente, têm associado títulos mais conhecidos, como "pastor", por exemplo, a vigarista e "picareta", e "padre", a pedófilo, muitas vezes com conteúdos tendenciosos apresentados pelos meios de comunicação.


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Terça-feira, Abril 15, 2008

A Teologia e seu papel na sociedade brasileira

Recebi ontem, 14 de abril de 2008, alarmante e-mail do Presidente da SOTER, Dr. Afonso Maria Ligorio Soares.

O fato é que muita gente, teólogos inclusive, não está ciente do que vem ocorrendo nos bastidores do Congresso Nacional quando o assunto é Teologia. Ao noticiar em 18 de março passado, no post Para onde vai a Teologia no Brasil? o absurdo que se articula, vi que muita gente se surpreendeu... Observo que os sublinhados no e-mail são meus.

O e-mail:

  • Reunião: A Teologia e seu papel na sociedade - mudanças em curso no MEC e no Congresso Nacional

  • Convocação: Diretoria nacional da SOTER e seu Conselho Regional em São Paulo

  • Quem: Diretores, Coordenadores e Docentes de Faculdades e Institutos de Teologia do Estado de São Paulo

  • Quando: dia 14 de maio de 2008

  • Local: sede da Editora Paulinas - Rua Pedro de Toledo 164, 1º andar, ao lado do Metrô Santa Cruz, em São Paulo-SP.

  • Horário: das 9h às 13h.
São Paulo, 8 de abril de 2008

Prezado colega Diretor/Coordenador/Conselheiro/,

Em nome da Diretoria nacional da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER) e de seu Conselho Regional em São Paulo, gostaríamos de convidá-lo para uma reunião com os diretores de Faculdades e Institutos de Teologia do Estado de São Paulo no próximo dia 14 de maio, quarta-feira. A diretoria da Editora Paulinas gentilmente aceitou sediar esse evento em suas dependências, na Rua Pedro de Toledo 164, 1º andar, ao lado do Metrô Santa Cruz, em São Paulo-SP.

Pensamos em um primeiro encontro de uma manhã, das 9h às 13h. O que nos motiva a tal iniciativa é, em primeiro lugar, retomar a mobilização dos Institutos de Teologia paulistas, de forma a criar um espírito de partilha e mútuo crescimento entre nossas instituições de ensino. Em segundo lugar, move-nos a urgência de alguns acontecimentos que exigem de nós um maior esclarecimento e uma tomada de posição sobre os rumos a serem seguidos.

Ocorre que o papel da teologia na sociedade e seu lugar na academia e no serviço às comunidades estão prestes a sofrer sérios revezes [sublinhado meu], a menos que possamos estar atentos e unidos nesse momento. No âmbito acadêmico (MEC, Capes, CNPq), sentimos sinais de retrocesso e de desqualificação da Teologia como saber acadêmico [sublinhado meu]; no âmbito político, como tem saído na imprensa, há dois projetos tramitando no Congresso Nacional (um no Senado e outro na Câmara) sobre a regularização da profissão de teólogo e a criação de certo “Conselho Federal de Teólogos”; além destes, também foi entregue ao Sen. Pedro Simon um projeto que altera a lei sobre a figura dos “mediadores de conflito” (que hoje são: os psicólogos, os psiquiatras e os assistentes sociais) para aí incluir o profissional diplomado em curso válido de teologia.

Tais projetos, se aprovados, alterarão sensivelmente o reconhecimento civil dos cursos de teologia e dos profissionais neles formados. Na pior das hipóteses, Instituições tradicionais como a Igreja Católica e as Protestantes históricas correm o risco de nem mesmo poder deliberar sobre o que é teologia e quem é o teólogo em suas agremiações [sublinhado meu].

É por isso que entendemos ser muito importante que sua Instituição se faça representar nessa reunião – o diretor, os membros do Conselho e/ou coordenadores dos cursos de Teologia, ou alguém por eles indicado. Sua participação irá contribuir para uma maior aproximação entre nossas instituições e facilitar uma colaboração mais efetiva em vista do fortalecimento da presença pública da Teologia na sociedade, na academia e nas igrejas.
Contando com sua compreensão e participação, despedimo-nos na certeza de podermos encontrá-lo nesta próxima ocasião.

Dr. Afonso Maria Ligorio Soares - Presidente da SOTER
E-mail: soter@soter.org.br

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Quinta-feira, Março 20, 2008

Simposio de Teologia na PUC-Rio em abril

Desafios e horizontes para a Teologia no diálogo com a sociedade contemporânea: Fé-Ciência-Transdisciplinariedade. Este é o tema do I Simpósio Internacional de Teologia, promovido pelo Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

O evento, que ocorrerá de 1 a 3 de abril de 2008, quer propiciar a exposição dos avanços do diálogo da Teologia com/através e além da Cultura e das Ciências, para estabelecer condições de novos patamares de linguagem, temática, abordagem e epistemologia do conhecimento. Isso possibilitará criar aproximações da crise da cultura ocidental, rediscutir novos elementos da razão , buscar consensos científicos que ajudem a superar a polaridade e propor re-elaborações da razão religiosa na atualidade.

Entre os conferencistas estão Andrés Torres Queiruga, professor da Universidade de Santiago de Compostela, Espanha; Elisabeth Schüssler Fiorenza, professora da Universidade de Harvard, EUA; Manfredo de Oliveira, professor da Universidade Federal do Ceará e Luiz Carlos Susin, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Os painéis abordarão os seguintes temas: Teologia e Física, Teologia e Ciências Humanas, Teologia e Ciências da Religião, Teologia e Cultura, Teologia, Resiliência e Pastoral, Bíblia e Ecologia.

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Terça-feira, Março 18, 2008

Para onde vai a Teologia no Brasil?

A coisa é preocupante. Leia. Será que basta dizer "ai Jesus!" para ser teólogo?

Projetos reconhecem líder religioso como 'teólogo', mesmo sem curso

Dois projetos de lei em tramitação no Congresso estão causando polêmica pela liberalidade com que conferem o título de teólogo a líderes religiosos. Para ser teólogo, bastaria 'praticar vida contemplativa' ou 'realizar ação social na comunidade', por exemplo. A reportagem é de José Maria Mayrink e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 18-03-2008.
O primeiro, do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e candidato à prefeitura do Rio, reconhece o não-diplomado que há mais de cinco anos exerça efetivamente a 'atividade de teólogo'. O segundo, do ex-deputado Victorio Galli (PMDB-MT), pastor da Assembléia de Deus, abre mais o leque: 'Teólogo é o profissional que realiza liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirige e administra comunidades; forma pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orienta pessoas; realiza ação social na comunidade; pesquisa a doutrina religiosa; transmite ensinamentos religiosos, pratica vida contemplativa e meditativa e preserva a tradição. ' A classificação está prevista no artigo 2º do projeto de lei 2.407/07, da Câmara.
Esse perfil abrange todos os padres, pastores, ministros, obreiros e sacerdotes de todas as religiões. O número passaria de 1 milhão, pela estimativa do Conselho Federal de Teólogos (CFT), com base em dados do IBGE. Hoje teólogos devem ser formados em cursos de graduação.
O presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter), Afonso Ligorio Soares, o professor Paulo Fernandes de Andrade, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), levaram suas objeções a Crivella no dia 20 de dezembro, mas não conseguiram que ele desistisse do projeto. Segundo a assessoria do senador, ele concordaria em submeter a questão a um debate mais amplo, convocando uma audiência pública. 'Os projetos são inconstitucionais, porque interferem na liberdade religiosa e na liberdade de a Igreja se definir internamente, pois é ela que decide quem pode ser sacerdote ou pastor', afirma Soares.
Para o padre Márcio Fabri, professor da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção da Arquidiocese de São Paulo e ex-presidente da Soter, o teólogo exerce um serviço confessional que é interno às comunidades, às quais cabe regulá-lo.
O projeto de lei do Senado (PLS 114/2005) recebeu parecer favorável do senador Magno Malta (PR-ES), pastor da Igreja Batista. Enviado para a Comissão de Assuntos Sociais do Senado, está pronto há um ano para entrar na pauta de votação.
'Acima de qualquer outra profissão, a profissão de fé exige muito mais de vocação e devoção do que de formação acadêmica', afirmou Crivella, por e-mail. 'Contudo, creio que seja útil, embora não indispensável, uma formação em Teologia.' Questionado sobre sua formação, o senador Crivella respondeu que ela ocorreu 'na prática'. 'Professo o evangelismo desde os meus 14 anos de idade e, a par do ministério que exerci no Brasil, também atuei como missionário por quase dez anos na África. Assim, a minha formação decorre de uma longa experiência de convívio com Deus e a Sua Palavra.'
Cartórios

Segundo o presidente do CFT, pastor Walter da Silva Filho, da Assembléia de Deus, foi o Conselho que sugeriu ao senador a regulamentação da profissão de teólogo. O texto de Crivella prevê a criação, pelo Poder Executivo, de um Conselho Nacional de Teólogos que, na avaliação de Silva Filho, poderia ser o órgão que ele preside.
'Há nos bastidores uma tentativa de forçar, após a aprovação do projeto, a aceitação pelo governo do CFT como órgão competente para registro da profissão de teólogo', adverte o pastor Jorge Leibe Pereira, da Assembléia de Deus. Presidente da Ordem Federal de Teólogos Interdenominacionais do Brasil (Otib), que, assim como o CFT, cobra taxas pela expedição de registro de diplomas e certificados, Leibe afirma que dirigentes do CFT querem o monopólio da Teologia no Brasil, 'o que é inaceitável'. Para Crivella, caso seu projeto seja aprovado, 'o natural será nos encaminharmos para representação única'.
Banalização
Alertado para o risco de banalização do teólogo, já que pessoas não qualificadas poderiam comprovar, com testemunhas, terem exercido a atividade há mais de cinco anos, Crivella afirma que, pelo seu projeto, só seriam beneficiados os 'estudiosos da realidade da fé', e não todos os ministros de culto.
Teólogo, segundo Soares, que além de presidente da Soter é professor de pós-graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), 'é um estudioso e cientista que faz uma reflexão crítica sobre sua própria religião'.
O pastor presbiteriano Fernando Bortoletto Filho, diretor-executivo da Associação de Seminários Teológicos Evangélicos, que tem 40 filiados de diferentes denominações, disse ter ficado perplexo com a generalização do conceito de teólogo. 'As escolas formam bacharéis em Teologia que não são considerados teólogos. Merece esse título quem tem produção científica própria, a ponto de se tornar referência por seu pensamento', define Bortoletto, citando como exemplo o católico Leonardo Boff. 'Há professores de Teologia que não são teólogos', acrescentou. O diretor do Seminário Presbiteriano de São Paulo, reverendo Gerson Lacerda, concorda. 'Fiz curso de Teologia, mas não sou teólogo', diz. Lacerda preocupa-se também com a criação de conselhos ou ordens de teólogos. 'Não me filiei a nenhum deles nem vejo necessidade.'
Trechos
Projeto de lei 2.407/07
:
'Teólogo é o profissional que realiza liturgias, celebrações, cultos e ritos; dirige e administra comunidades; forma pessoas segundo preceitos religiosos das diferentes tradições; orienta pessoas; realiza ação social na comunidade; pesquisa a doutrina religiosa; transmite ensinamentos religiosos, pratica vida contemplativa e meditativa e preserva a tradição'
Projeto de lei 114/05:
Cria o Conselho Nacional de Teólogos, representação única dos teólogos do Brasil.



Fonte: Notícias do Dia - IHU On-Line: 18/03/2008

Links Úteis
Assembléia de Deus
Associação de Seminários Teológicos Evangélicos - ASTE
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB
Congresso Nacional do Brasil: Câmara dos Deputados - Senado Federal
Conselho Federal de Teólogos - CFT
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
Curso de Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP
Igreja Presbiteriana do Brasil
Igreja Universal do Reino de Deus - IURD
O Estado de S. Paulo: Projetos reconhecem líder religioso como ''teólogo'', mesmo sem curso
Ordem Federal de Teólogos Interdenominacionais do Brasil - OTIB
Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção
Sociedade de Teologia e Ciências da Religião - SOTER

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Cursos de Teologia e Ciencias da Religião

Faculdades de teologia reconhecidas pelo MEC têm vagas ociosas

Estudo feito pelo professor e teólogo luterano Evaldo Luís Pauly, do Centro Universitário La Salle, em Canoas (RS), mostra que 34 cursos de Teologia e de Estudos de Religião, com reconhecimento do Ministério da Educação, formaram menos de 300 teólogos em 2002. É um resultado modesto, levando-se em conta que 2.133 alunos se candidataram para disputar 2.013 vagas. Deles, 1.292 foram aprovados e 296 receberam o diploma de bacharel. 'Há, portanto, forte ociosidade nesses cursos, pois cerca de 40% das vagas não são preenchidas', observa Pauly, autor de estudo sobre o ensino da Teologia no Brasil. A notícia é de José Maria Mayrink e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 18-03-2008. São dados parciais, porque o pesquisador trabalhou com informações defasadas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), aos quais poderia acrescentar outros cursos, ainda não reconhecidos, a maioria oferecida por seminários e faculdades pertencentes a igrejas e instituições religiosas de várias denominações. Como cursos livres de Teologia, muitos deles de ensino a distância, oferecem graduação, mestrado e doutorado, embora seus diplomas e certificados não sejam reconhecidos pelo MEC. 'Esses cursos já devem chegar a milhares', diz Pauly. Em algumas das faculdades de ensino a distância, os alunos têm a liberdade de construir a sua própria grade de matérias para conseguir o diploma ou certificado em até 90 dias. São cursos destinados à formação de pastores evangélicos ou de ministros de outras denominações. Há ainda instituições que oferecem cursos de ensino médio, o que não daria direito ao diploma de bacharel nem ao título de teólogo, no caso de ser aprovado o projeto de lei do senador Marcelo Crivella. Entre as habilitações, várias faculdades evangélicas têm cursos para ensinar o pastor como fundar e administrar sua própria igreja.


Fonte:
Notícias do Dia - IHU On-Line: 18/3/2008

Atualizando: 16h25

Evaldo Luis Pauly: O novo rosto do ensino de teologia no Brasil: Números, normas legais e espiritualidade

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Segunda-feira, Março 17, 2008

Literatura e Teologia na IHU On-Line

O belo e o verdadeiro. A tensa e mútua relação entre literatura e teologia.

Este é o tema de capa da Revista IHU On-Line, edição 251, que saiu hoje, 17 de março de 2008.

Amanhã, após ler os textos, voltarei ao assunto.

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Quarta-feira, Março 12, 2008

Cadastro de Professores Mestres e Doutores

Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé faz cadastro de especialistas
A CNBB, através da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé e da Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (OSIB), está construindo um banco de dados de pessoas ligadas à Igreja com pós-graduação em diversas áreas do conhecimento. “Isso possibilitará conhecer, dar visibilidade e aproveitar melhor os estudos de cada um, a serviço da Igreja”, explica o assessor da Comissão, padre Wilson Angotti. “É importante que esta iniciativa seja divulgada ao máximo, sobretudo, entre os clérigos que possuam especialização, mestrado ou doutorado e também entre religiosos e leigos, nestas mesmas condições, que atuem nas instituições de ensino ligadas à Igreja”, considera o assessor.

O cadastro será feito somente através do site da CNBB. Ao acessar a página inicial, o interessado clica sobre “Cadastro de pós-graduação”. Registra um login (que pode ser o próprio nome ou iniciais que o identifiquem) e cria uma senha de fácil memorização. Em seguida, preenche os campos da ficha: dados pessoais, cursos e publicações. “Conservando a senha utilizada será possível, posteriormente, corrigir, completar e atualizar os dados ali registrados”, explica padre Wilson.

“Ao tomar conhecimento desta iniciativa, aquele que tiver pós-graduação realize o próprio cadastro e divulgue a informação para que outros também possam fazê-lo". Padre Wilson acredita que com esse bando de dados "será fácil localizar um professor, um perito ou um assessor, segundo a necessidade de quem procura”. Os dados do registro estarão disponíveis para consultas gratuitas.

Fonte: CNBB - 11 de março de 2008

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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Jung Mo Sung fala sobre Hugo Assmann

Hugo Assmann: teologia com paixão e coragem: este é o título do artigo que Jung Mo Sung escreveu para o Instituto Humanitas Unisinos e que foi publicado em Notícias do IHU.

Hugo Assmann faleceu em 22.02.2008.

Atualizando: 27.02.2008 - 16h26
Hugo Assmann e a coragem de dizer a verdade - Jung Mo Sung em Adital de 25.02.2008

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Terça-feira, Dezembro 18, 2007

Na IHU On-Line de Natal: Jesus de Nazaré

A revista IHU On-Line, edição 248, de 17 de dezembro de 2007, tem como tema de capa Jesus e o abraço universal.

Diz o Editorial:
"Ao longo dos diversos anos de existência da IHU On-Line e à medida em que ela foi crescendo e se constituindo como uma revista de reflexão, fomos abordando, na última edição do ano, por ocasião do Natal, a figura de Jesus Cristo, sempre sob diversos ângulos. Em 2002 (edição 47), o título de capa era Jesus visto pelos “outros”; em 2003 (edição 88), Ó Cristo, onde estás? Os caminhos da fé cristã na contemporaneidade; em 2004 (edição 128), O cristianismo e a ultramodernidade. Limites e possibilidades do seu futuro. Já em 2005 (edição 169) o tema foi Mudanças no campo religioso brasileiro e, em 2006 (edição 209), Por que ainda ser cristão?

Quem é Jesus? No contexto contemporâneo do pluralismo religioso, qual é a relevância de Jesus de Nazaré? Esta é a questão proposta para os teólogos e as teólogas de várias partes do mundo, de diferentes culturas e de diferentes igrejas, que participam desta edição.

O texto de Faustino Teixeira, professor e pesquisador do PPCIR/UFJF, faz uma bela introdução à presente edição. Ele foi o principal e fundamental parceiro na preparação e elaboração da presente edição. A ele agradecemos, penhoradamente, mais esta parceria, que cada vez mais se fortalece e promete frutos vindouros..."

As entrevistas:
:: Faustino Teixeira: Jesus de Nazaré: um fascínio duradouro
:: Felix Wilfred: Jesus pertence ao conjunto da humanidade
:: Michael Amaladoss: Jesus e os avatares na compreensão hindu
:: Joseph O’Leary: O cristianismo foi moldado pelo contexto ocidental
:: Elizabeth Johnson: Jesus e as imagens sobre Deus: para além do masculino e do feminino
:: Elisabeth Parmentier: Feminismo e retorno ao Jesus histórico
:: Maria Clara Bingemer: O rosto feminino de Deus
:: Reinhold Bernhardt: Jesus para além de relativismos e fundamentalismos
:: Claude Geffré: A secreta cumplicidade entre o humanismo de Jesus e o humanismo secular
:: Joseph Moingt: Desacordos entre a pregação de Jesus e a da Igreja
:: John Hick: Deus, Jesus e o pluralismo religioso
:: Gavin D’Costa: O homem que torna Deus uma realidade para nós
:: Peter Hünermann: A unidade de Jesus com os seres humanos

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Sábado, Novembro 24, 2007

Faustino Teixeira escreve sobre Leon-Dufour

No dia 13 de novembro de 2007 faleceu o exegeta francês Xavier Léon-Dufour. Faustino Teixeira, teólogo, professor e pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, escreveu um comentário sobre a contribuição de Léon-Dufour para o pensamento teológico.

Assim começa A paixão duradoura pelo Mistério: Xavier Léon-Dufour (1912-2007):
Nesses tempos de “inverno eclesial” algumas perdas se fazem sentir de forma muito dolorosa. Ficamos um pouco mais órfãos depois de 13 de novembro, quando partiu um dos mais brilhantes exegetas da tradição cristã, o jesuíta Xavier Léon-Dufour. Esse notável pensador nasceu em Paris no ano de 1912. Ordenou-se sacerdote no ano de 1943, tendo decidido seguir os estudos na área de exegese do Novo Testamento. Foi responsável pela cadeira de exegese durante muitos anos na Faculdade Teológica de Lyon-Fourvière (1957-1974), e depois no Centre Sèvre de Paris. São clássicas as suas produções na área exegética, com destaque para o Vocabulário de Teologia Bíblica (1962) e o monumental comentário sobre o evangelho de João (1988-1996), em quatro volumes. Pode-se ainda destacar suas publicações envolvendo os temas da ressurreição (1971) e a eucaristia (1977). Nessa minha breve reflexão vou me servir de dois livros recentes que traduzem o rico itinerário acadêmico de Léon-Dufour: Un bibliste cherche Dieu (2003) e Dieu se laisse chercher. Dialogue d´un bibliste avec Jean-Maurice de Montremy (1995). Ele mesmo se define num de seus livros como um buscador do mistério...

Leia o texto completo. Está em Notícias IHU de 24/11/2007.

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Terça-feira, Novembro 06, 2007

III Forum Mundial de Teologia e Libertação

'Água, Terra, Teologia para outro mundo possível' é o tema do III Fórum Mundial de Teologia e Libertação

"O tema do III Fórum Mundial de Teologia e Libertação (FMTL) foi definido durante reunião do Comitê Organizador do Fórum nos dias 26 e 27 de outubro na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre. Os preparativos para a terceira edição do FMTL, que acontecerá em Belém/PA, em janeiro de 2009, dias antes da realização do Fórum Social Mundial no mesmo local, foram iniciados na reunião do Comitê em julho de 2007 em Belo Horizonte, MG.

Em sua organização e metodologia, o Fórum contará com vários eixos temáticos que mapeiam zonas e fronteiras do debate teológico e visam estimular a interação de experiências, interpretações e saberes, favorecendo a discussão teológica e a divulgação de pesquisas em teologia. Os eixos temáticos escolhido são: religiões, ecumenismo e diálogo inter-religioso; culturas, etnias e teologia; política, economia e teologia; direitos humanos, democracia e teologia; paz, alternativas à violência e teologia; textos sagrados e teologia; ecologia, corporeidade e teologia; gênero, feminismos e teologia; opção pelos pobres e teologia; arte, comunicação e teologia; novas tecnologias e teologia.

O I FMTL, com o tema Teologia para outro mundo possível, aconteceu em Porto Alegre, Brasil, de 21 a 25 de janeiro de 2005, antes do V Fórum Social Mundial. O II FMTL, com o tema Espiritualidade para outro mundo possível, aconteceu em Nairobi, capital do Quênia, na África, do dia 16 a 19 de janeiro de 2007, às vésperas do VII Fórum Social Mundial, também em Nairobi, com participação de mais de trezentas pessoas, metade vinda do continente africano.

A proposta do III FMTL está sendo construída com a colaboração de teólogos e teólogas representantes das Instituições que integram o Comitê Organizador, a saber: Associação de Teólogos(as) do Terceiro Mundo – ASETT/EATWOT; AMERINDIA; Sociedade de Teologia e Ciências da Religião – SOTER; Centre de théologie et d’éthique contextuelles québécoises – CETECQ; Centro Ecumênico de Serviço à Evangelização e Educação – CESEP; Centro Ecumênico de Evangelização, Capacitação Assessoria – CECA; Comunidad de Educación Teológica Ecuménica Latinoamericana y Caribeña – CETELA; Escola Superior de Teologia – EST; Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS; Instituto Humanitas Unisinos – IHU".

Fonte: Notícias IHU - 5/11/2007

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Sexta-feira, Novembro 02, 2007

Hans Küng, segundo Luiz A Gomez de Souza

Está na Carta Maior, 1/11/2007:

Hans Küng no Brasil
É tempo de reabrir temas congelados nos últimos anos na Igreja Católica, e a lucidez do teólogo cristão Hans Küng, agora em visita ao Brasil, será de grande ajuda. Talvez um outro concílio aproveitará seu discernimento.

Assim começa a análise de Luís Alberto Gómez de Souza:
Hans Küng é um dos maiores teólogos cristãos da atualidade, valente, ousado, homem de fé e de espiritualidade fortes. Seu giro por várias cidades do Brasil foi um triunfo, com auditórios cheios. Aqui no Rio, foi recebido pela Universidade Candido Mendes, graças ao seu Reitor Candido Mendes, em seu Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião, que dirijo, e pelo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, no auditório da UCAM, rua da Assembléia 10. Ali, centenas de pessoas ouviram em absoluto silêncio sua fala em inglês, com tradução simultânea, de quase duas horas. A série de palestras começou na Universidade Unisinos, em São Leopoldo, dos jesuítas, e depois no Instituto Goethe em Porto Alegre, na Universidade Federal do Paraná, na Católica de Brasília (que não é pontifícia), na Câmara de Deputados, aqui no Rio e na Federal de Juiz de Fora, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa. As PUCs do país não puderam convidá-lo.

Leia o texto completo.

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Sábado, Outubro 27, 2007

Sobre a proposta de Hans Küng

Por uma ética mundial. Um comentário

Paulo Soethe, diretor do PPG em Letras da UFPR, comenta duas das entrevistas publicadas pela revista IHU On-Line desta semana.

São as entrevistas de Denis Müller e de Manfredo Araújo de Oliveira.

Fonte: Notícias IHU - 27/10/2007

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Sexta-feira, Outubro 26, 2007

Hans Küng: Bibliografia

As publicações de Hans Küng?

Veja no site da Fundação Ética Mundial - Stiftung Weltethos:

:: Literatur - Bibliographien (em alemão)

:: Vollständige Bibliographie der Veröffentlichungen von Prof. Dr. Hans Küng 1955-2007 (em alemão)

:: Bibliografía de las obras de Hans Küng 1955-2007 (em espanhol)

:: Bibliography of Hans Küng's Publications in English 1955-2007 (em inglês)

:: Bibliographie des oeuvres françaises de Hans Küng 1955-2007 (em francês)

O WorldCat, por sua vez, lista, hoje, 627 obras de Hans Küng em 25 línguas diferentes.

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Hans Küng recebe titulo e faz palestra na UFJF

Leio na página do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora, MG, a notícia:

"Será ministrada, hoje, 26/10, na UFJF, a palestra Religiões mundiais e ética mundial, pelo Ciclo de Conferências com Hans Küng. O evento será no Museu de Arte Moderna Murilo Mendes a partir das 20:00h. A entrada é franca. Pouco antes, às 19:00h, o Prof. Hans Küng receberá da UFJF o título de Doutor Honoris Causa. Confira a programação. O prof. Hans Küng, que nasceu na cidade de Sursee (Suíça) em 1928, é hoje considerado um dos mais importantes teólogos e pensadores católicos de nosso tempo. Confira sua biografia".

Atualização: 27.10.2007 11h53
Hans Küng em Juiz de Fora - Notícias IHU

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Um debate com Hans Küng

Ética Mundial: uma alternativa à ditadura do absolutismo e à ditadura do relativismo. Um debate com Hans Küng
Hans Küng é um intelectual altamente respeitado pela autoridade de suas pesquisas, por sua produção bibliográfica e por seus pronunciamentos. Ele transita por áreas como a física, a biologia e a política internacional, refletindo sobre as questões fundamentais da vida humana e consegue encontrar profundas relações entre as mudanças epocais, as descobertas científicas, a história das religiões e os comportamentos cotidianos. Apresentamos, a seguir, mais uma “entrevista” com Küng. Na verdade, a IHU On-Line reuniu aqui trechos de diversas conversas mantidas pelo teólogo suíço com os diversos auditórios que interagiram com ele na Unisinos, após as conferências ministradas nos dias 22, na Unisinos, e 23, no Instituto Goethe de Porto Alegre.

Leia o texto completo.

Fonte: Notícias IHU - 26/10/2007

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A conferencia de Hans Küng em Curitiba

Um novo paradigma para as relações sociais foi o tema de Hans Küng em Curitiba

Fonte: Notícias IHU - 26/10/2007

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Quinta-feira, Outubro 25, 2007

Hans Küng: fazer uma Teologia aberta

Ética Mundial, religiõe