Observatório Bíblico

Domingo, Outubro 26, 2008

Gerd Theissen: O Movimento de Jesus

Esta é uma revisão do conhecido livro de Gerd Theissen, Sociologia do Movimento de Jesus [original alemão: 1977]. São Leopoldo: Sinodal/Vozes, 1989, 187 p. - ISBN 8523301968.


THEISSEN, G. O Movimento de Jesus: História social de uma revolução de valores. São Paulo: Loyola, 2008, 480 p. - ISBN 8788515035502.


Original alemão: Die Jesusbewegung. Sozialgeschichte einer Revolution der Werte. Gütersloh: Gütersloher Verlagshaus, 2004, 320 S. - ISBN 9783579065038.


Diz a Loyola:
Em Sociologia do Movimento de Jesus (...) Theissen defendeu quatro teses: no começo do cristianismo primitivo havia carismáticos itinerantes sem pátria, (que), vivenciando uma ética radical, faziam parte de um movimento intrajudaico de renovação. (O) seu surgimento foi condicionado por uma crise da sociedade judaico-palestina, (enquanto) sua resposta a essa crise era uma visão de amor e reconciliação. Da revisão desse escrito surgiu o presente livro. A estrutura continua a mesma. A tese do radicalismo itinerante também é defendida aqui. Os carismáticos itinerantes eram considerados a medula do movimento de Jesus, um movimento intrajudaico de renovação, desencadeado por Jesus no âmbito sírio-palestino, que floresceu entre 30 e 70 d.C. Neste livro ele é ambientado ainda mais na história do povo judeu pela comparação com outros movimentos de renovação do judaísmo. Em conseqüência, defende-se a tese de que esse movimento aprendeu do fracasso de outros anteriores e assimilou experiências prévias. Somente assim foi capaz de, na forma do jovem cristianismo dele decorrente, sair da cultura autóctone, penetrando e alterando a cultura estrangeira superior. O autor descreve sua realidade histórico-social e psicológico-social. Suas análises mostram que, em vez do poder, os seguidores de Jesus realizaram uma revolução dos valores, das normas e das convicções religiosas. A esse movimento devemos algumas das nossas mais preciosas tradições.

Gerd Theissen, nascido em 1943, é Professor de Teologia do Novo Testamento na Universidade de Heidelberg, Alemanha. Veja mais publicações de Gerd Theissen aqui e aqui.

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Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

Jesus e os camponeses: novo livro de D. Oakman

Quem já leu algo de Douglas E. Oakman, como Jesus and the Economic Questions of His Day (1987) ou Palestine in the Time of Jesus: Social Structures and Social Conflicts (com K. C. Hanson, 2002), sabe da importância de seus estudos para se entender a Palestina da época de Jesus.

Pois mais um estudo de Oakman, Jesus e os camponeses, acaba de ser publicado agora em janeiro de 2008, na coleção Matrix: The Bible in Mediterranean Context da editora Cascade Books, que tem outros estudos bem interessantes:


OAKMAN, D. E. Jesus and the Peasants. Eugene, OR : Cascade Books, 2008, 348 p. - ISBN 9781597522755

Diz a editora:
While some of the chapters focus on systemic issues, others probe the depths of individual Gospel passages. The author's keen eye for textual detail, archaeological data, comparative materials, and systemic overviews make this volume a joy for anyone interested in understanding Jesus in his own context. The volume is organized into three interrelated parts:
1) Political economy and the peasant values of Jesus
2) The Jesus traditions within peasant realities
3) The peasant aims of Jesus.

Aproveite e visite a Home Page de Douglas E. Oakman.

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Quinta-feira, Agosto 10, 2006

Devemos evitar a familiaridade com a Bíblia para melhor compreendê-la?

Quando fiz a resenha do livro de Philip R. Davies, In Search of ‘Ancient Israel’, Sheffield, Sheffield Academic Press, [1992] 1995, encontrei, no capítulo que trata da definição do Israel bíblico, este provocador convite: precisamos desafiar nossa formação teológica e desfamiliarizarmo-nos com a Bíblia!

Philip R. Davies argumenta que para quem se empenha numa pesquisa histórica, o Israel bíblico é um problema e não um dado. O termo ‘Israel’ é utilizado em pelo menos 10 sentidos diferentes na literatura bíblica, segundo especialistas na área, e de um modo bastante flexível. Nós precisamos perguntar que tipo de termo é este. Mas, “muitos biblistas têm uma longa convivência com a Bíblia, e sua noção de Israel já está internalizada, a tal ponto que eles tomam seus vários usos como sendo homogêneos, sua complexidade como simples e suas contradições como invisíveis (...) O ‘Israel’ da literatura bíblica é automaticamente adotado como um termo apropriado para o uso erudito, incluindo toda a sua variedade e contradição” (p. 49). Deste modo, ‘Israel’ é um povo, tem uma religião, tem seu próprio deus; ‘Israel’ é uma terra, é um reino unido sob Davi e Salomão, é dividido em dois reinos... Por isso, nós devemos tomar uma atitude que desafia nossa formação teológica: desfamiliarizarmo-nos com a Bíblia!

Agora, lendo Tyler F. Williams no biblioblog Codex, encontro o mesmo argumento no post The Strange New World of the Bible. Ele argumenta que freqüentemente temos uma falsa percepção de familiaridade com a Bíblia que é um tropeço para a sua compreensão. Precisamos manter a consciência da distância histórica entre o mundo bíblico e o nosso, se quisermos evitar a sobreposição de nossos pressupostos à realidade da época em que a Bíblia foi escrita. Ele estava lendo o livro de Bruce J. Malina e Richard L. Rohrbaugh, Social-Science Commentary on the Synoptic Gospels, Minneapolis, Fortress Press, [1992], 2a. edição, 2003. E, deste livro, ele cita vários exemplos de como o mundo mediterrâneo no qual o Novo Testamento foi gestado tem muito menos em comum com o Ocidente moderno do que imaginamos.

Também tratei disso ao escrever o artigo Leitura Sócio-Antropológica do Novo Testamento, no primeiro item do texto. Aí uso a introdução feita por Rohrbaugh ao livro por ele organizado com o título The Social Sciences and New Testament Interpretation [As Ciências Sociais e a Interpretação do Novo Testamento], publicado em Peabody, Massachusetts, Hendrickson, em 1996. Gostaria que o leitor pudesse fazer uma visita a esse artigo e considerasse alguns dados interessantes.

Como a proposta de leitura do Pai Nosso feita por Douglas E. Oakman. Bem, se alguém ficar chocado e quiser ver com mais detalhes e fundamentação o que ele está dizendo, consulte o meu texto Leitura sócio-antropológica no livro do Cássio Murilo Dias da Silva, Metodologia de Exegese Bíblica, São Paulo, Paulinas, 2000 [2a. edição: 2003], capítulo 11, especialmente as páginas 358-361. Sem se esquecer da detalhada nota 10 na p. 360, que trabalha o significado do texto do Pai Nosso utilizando o texto de Mt em grego.

Por outro lado, deixo uma provocação para a reflexão do leitor: um dos pontos fundamentais de nossa leitura popular da Bíblia é exatamente a familiaridade com a qual conseguimos tratar o texto bíblico. Qual seria a hermenêutica mais correta? Ou não estaria uma em oposição à outra?

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Quarta-feira, Abril 05, 2006

Como os romanos crucificavam uma pessoa?

Eu vi na semana passada o post de Jim Davila no biblioblog PaleoJudaica.com sobre os muitos modos usados pelos romanos para crucificar uma pessoa: Image of Jesus' crucifixion may be wrong, says study. Mas só hoje, lendo mais sobre o assunto, fiquei impressionado! Veja o artigo que está na página da ABC News, onde se explica que a pessoa podia ser pregada na cruz até mesmo pelos genitais... Jim Davila custa a crer, por não haver evidências de tal prática, mas não duvida da imaginação dos antigos romanos...


Right Side Up or Right Side Down? Doubts Cast on Jesus' Crucifixion
British Study Tries to Prove How Jesus Died

By Mike Lee - March 30, 2006
Was Christ crucified upside down with his feet nailed to the top of the cross, his head toward the ground? Or was he not even nailed, but instead lashed to the cross with cords, perhaps to the side, rather than the front of the cross? These gruesome questions have suddenly been raised by scientists in a new study published by Britain's Journal of the Royal Society of Medicine (...) Sometimes a victim was nailed to the cross by his genitals, according to the authors. Although the study does not allege that this is what happened to Christ, it poses that possibility (cont.)

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