Observatório Bíblico

Sábado, Dezembro 19, 2009

Leituras histórico-crítica e pós-modernas da Bíblia

Para quem se interessa por métodos de leitura da Bíblia, este artigo de John Van Seters pode interessar:

A Response to G. Aichelle, P. Miscall and R. Walsh, “An Elephant in the Room: Historical-Critical and the Postmodern Interpretations of the Bible”.

Foi publicado em The Journal of Hebrew Scriptures, vol. 9, 26, 2009.

Diz o abstract:
Van Seters's personal response to the recent article by G. Aichele, P. Miscall and R. Walsh, “An Elephant in the Room: Historical-Critical and Postmodern Interpretations of the Bible” (JBL 128 [2009], pp. 383–404) and to the authors's invitation for a conversation among historical-critical and postmodern biblical scholars.

Assim começa Van Seters:
In a recent article by G. Aichele, P. Miscall and R. Walsh, “An Elephant in the Room: Historical-Critical and Postmodern Inter-pretations of the Bible” (JBL 128 [2009], pp. 383–404), the authors decried the lack of dialogue between those who practice historical criticism and the postmodernists, and they proposed, as postmodernists, to initiate a discussion. As a scholar who practices historical criticism for many years, I would like to respond to their invitation, by means of this personal rejoinder.

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Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Seria só uma provocação?

Estava olhando, por acaso, os critérios usados para a classificação dos Top 50 mencionados no post anterior - Technical bits - e encontrei a seguinte frase:

In Biblical Studies the ability to write meaningful pieces that only you and, maybe, one other person in the world understand is the zenith of achievement.

Sei não. Se não for só uma frase retórica - o que acho que é - é muito esquisita. Não se aplica.


Caberia aqui um bocado de reflexão filosófica, epistemológica, teológica e muitas outras "lógicas" herdadas de gregos (e troianos)!

Penso que minha prática hermenêutica vai noutra direção...

Mas deve ser só uma brincadeira.

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Sábado, Agosto 08, 2009

Obama poderia ser o anticristo?

Na cabeça de muitos fundamentalistas (norte-americanos e... sei que há outros um pouco mais para cá!) não poderia, é!

O que é o mundo, não? Pão e pães é questão de "opinães"...

Duas observações apenas:
. A ignorância é atrevida e polifacética - título já usado neste blog para outro assunto
. Wie sagt Obelix immer: Die spinnen, die Fundamentalisten - expressão já usada neste blog para outros destinatários

Agora é só ler as interessantes explicações de James F. McGrath, Associate Professor of Religion at Butler University, Indianapolis, Indiana, USA, em seu blog Exploring Our Matrix:

:: How I Know Barack Obama Is NOT The Antichrist - Monday, June 16, 2008

:: Barack Obama the Antichrist? Shedding Some Lightning On The Subject - Monday, August 3, 2009

Se a coisa persiste? Claro, em 2008, 2009, 2000 e... Fundamentalismo é um modo de estar no mundo

Ignorância à parte, minha preocupação é geopolítica!

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Segunda-feira, Julho 13, 2009

Entrevista com Carlos Mesters, fundador do CEBI

Entrevista com Carlos Mesters, fundador do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos
"Biblista fundador do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI), que em 2009, completa 30 anos de atividades, o frei Carlos Mesters está em Fortaleza (CE) participando da 9ª. Edição do Curso de Verão na Terra do Sol, para falar sobre o livro do Profeta Isaías. O evento, cujo tema é 'Jovens, construtores de uma nova realidade. É possível?', começou na segunda-feira, dia 6, e prossegue até o próximo dia, 18, com cerca de 250 participantes. Conhecido por seus estudos sobre a Bíblia - estudou em Roma e em Jerusalém -, frei Mesters nasceu na Holanda em 1931, mas já mora no Brasil há sessenta anos. É professor e, desde 1973, trabalha nas Comunidades Eclesiais de Base - CEBs, sempre utilizando a leitura da Bíblia. Aproveitando a sua passagem pela capital cearense, a Adital conversou com frei Mesters sobre a importância da leitura popular da Bíblia, entre outros temas. Confira a entrevista!"

Entrevista con Carlos Mesters, fundador del Centro Ecuménico de Estudios Bíblico
"Biblista fundador del Centro Ecuménico de Estudios Bíblicos (CEBI), que en 2009 cumple 30 años de actividades, fray Carlos Mesters está en Fortaleza (CE) participando de la 9ª Edición del Curso de Verano en la Tierra del Sol, para hablar sobre el libro del Profeta Isaías. El evento, cuyo tema es 'Jóvenes, constructores de una nueva realidad. ¿Es posible?', comenzó el lunes 6 y continúa hasta el próximo día 18, con cerca de 250 participantes. Conocido por sus estudios sobre la Biblia -estudió en Roma y en Jerusalén-, fray Mesters nació en Holanda en 1931, pero vive en Brasil desde hace sesenta años. Es profesor y desde 1973 trabaja en las Comunidades Eclesiales de Base (CEBs), siempre utilizando la lectura de la Biblia. Aprovechando su paso por la capital cearense, Adital conversó con fray Mesters sobre la importancia de la lectura popular de la Biblia, entre otros temas. ¡Lea la entrevista!"


Mesters falou muitas coisas interessantes sobre a Bíblia e sobre a leitura popular, mas quero destacar o que disse sobre o fundamentalismo:

ADITAL - Nas igrejas está se dando espaço a atitudes fundamentalistas: os cristãos se sentem mais seguros, os melhores. Acontece o mesmo no setor bíblico?

Carlos Mesters - Um desafio muito grande, hoje, é o fundamentalismo que pega a Bíblia separada da história, do contexto, da comunidade, como se fosse uma pedra que cai do céu e se aplica à vida, sem olhar a pessoa que a recebe, seu contexto, sua origem. Isso é perigoso porque, no fundo, não respeita a Bíblia, não respeita a pessoa, não respeita o próprio Deus e faz de Deus o quebra-galho de tudo. Graças a Deus, na nossa igreja católica, isso foi condenado, pela primeira vez, no começo dos anos 90 por um decreto da Pontifícia Comissão Bíblica. Fundamentalismo é perigosíssimo e no Sínodo que teve em Roma no ano passado, uma das coisas de que mais falaram foi contra o fundamentalismo, como é perigoso desvincular a Bíblia das pessoas; vira um troço aéreo, solto no ar, cai na cabeça e pode até matar.

Fonte: Adital: 10/07/2009

Leia Mais:
Carlos Mesters

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Quinta-feira, Junho 11, 2009

O CEBI e a leitura ecumênica da Bíblia

Na Revista IHU On-Line, edição 296, de 08/06/2009, foi publicada uma entrevista com o biblista e assessor do CEBI Francisco Orofino. Veja:

Uma leitura bíblica libertadora e ecumênica a serviço da vida

Assim é apresentada a entrevista:
Para Francisco Orofino, do CEBI, a voz das igrejas cristãs terá maior repercussão se ela traduzir a proposta evangélica de vida em abundância para todos

Por Graziela Wolfart

Há 30 anos, foi criado o Centro de Estudos Bíblicos — CEBI. Para celebrar este aniversário, a IHU On-Line entrevistou por e-mail o biblista e assessor nacional do CEBI Francisco Orofino. Ele acredita que “a leitura ecumênica [da Bíblia] revela-se libertadora quando anima as comunidades a se organizar em defesa da vida ameaçada. (...) A Bíblia lida desta maneira revela a Palavra de Deus que convoca a todos e todas a criar comunidades e a participar nas lutas pelos direitos que são negados para a grande maioria do povo”. Sobre as três décadas de trabalho no CEBI, ele aponta que a dimensão ecumênica nos trabalhos “foi sempre um grande desafio, principalmentenaqueles estados em que a grande maioria dos participantes é da Igreja Católica Romana”. No entanto, constata: “É impossível pensar o trabalho do CEBI sem a dimensão do ecumenismo”.

Confira a entrevista.

Leia Mais:
Leitura popular da Biblia no Brasil

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Terça-feira, Maio 26, 2009

Biblistas: especialistas e divulgadores?

É recomendável a leitura do texto de Michael F. Bird, Highland Theological College in Dingwall, Escócia, escrito com Craig Keener, Palmer Seminary, Wynnewood, Pennsylvania, USA, e publicado no Fórum SBL deste maio:

Jack of All Trades [= pau-para-toda-obra] and Master of None: The Case for “Generalist” Scholars in Biblical Scholarship

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Quinta-feira, Abril 09, 2009

Ler a Bíblia no Brasil Hoje: artigo atualizado

O artigo Ler a Bíblia no Brasil Hoje foi atualizado.

O texto foi expandido, links para Bíblias e documentos online foram acrescentados, a bibliografia foi atualizada.

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Sábado, Abril 04, 2009

A importância da Bíblia na luta pela humanização

Na situação atual, muitos esperam um cristianismo vivido segundo o paradigma da religião forte e encarnado em minorias ativas e eficazes, capazes de assegurar identidades e visibilidades que se impõem, porque pensadas em uma estratégia defensiva e de concorrência. Para mim, considero que apenas vivendo a diferença cristã na companhia dos homens pode-se introduzir uma dinâmica que abale a indiferença à fé cristã e às suas exigências próprias também a muitos falsos católicos. Acredito que, em vista de uma recuperação do primado da fé, da espera pelas coisas últimas e por uma arte da comunicação autêntica, ainda são indispensáveis a leitura e o conhecimento do Evangelho entre aqueles que compõem a comunidade cristã.

Este é o começo de um artigo do monge fundador e prior da Comunidade Monástica de Bose, na Itália, Enzo Bianchi, publicado no jornal La Stampa em 03/04/2009 e reproduzido por Notícias - IHU On-Line de 04/04/2009 sob o título O Evangelho, o homem, a religião. Artigo de Enzo Bianchi.

Quase no final, diz o artigo:
A religião precisa do exercício da razão para não cair em formas paganizadoras, mágicas ou supersticiosas, mas também precisa que esse exercício racional ocorra não sem os outros, mas com os outros, todos habitantes da mesma pólis. Juntos, cristãos e não cristãos, devemos nos colocar a questão antropológica: o que é o homem? Para onde ele vai? Como pode viver em uma sociedade que luta contra a barbárie e em favor da humanização?

Leia o artigo completo. Que é de denúncia e anúncio.

Leia Mais:
Ler a Bíblia no Brasil Hoje

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Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

O hábito da vigilância hermenêutica: métodos

A Introdução à S. Escritura compreende 2 horas semanais, no primeiro semestre de Teologia. Mais do que estudar o surgimento e o conteúdo dos vários livros bíblicos, a disciplina é voltada para a compreensão/apreensão de alguns métodos de leitura dos textos bíblicos. Esta opção se justifica, pois a introdução a cada um dos livros é feita a partir das disciplinas que abordam áreas específicas da Bíblia ao longo do curso de Teologia.

Um dos problemas típicos desta disciplina é a carga horária exígua que lhe é, em geral, atribuída. Até porque, ao tomar contato com a moderna metodologia de abordagem dos textos bíblicos, a desmontagem de noções ingênuas adquiridas na educação anterior e a dificuldade em abandonar certezas que beiram o fundamentalismo requerem tempo e paciência. Além disso, conseguir a convivência da criticidade que se vai progressivamente adquirindo em sala de aula com as necessidades pastorais dos envolvidos no processo de aprendizagem, exige a construção de uma linguagem hermenêutica adequada, outra questão espinhosa.

Por isso, uma tarefa que se impõe a quem se envereda por esse caminho, é a comparação e o confronto da teoria exegética crítica com as leituras cotidianas e costumeiras da Bíblia. Isto é feito pelos alunos, que coletam e analisam os dados necessários.

Costumo orientar este processo através de uma série de questões que são propostas para a análise de uma leitura bíblica feita no ambiente pastoral dos estudantes.

I. Ementa
A disciplina privilegia o nascimento e a estruturação dos vários métodos de leitura da Sagrada Escritura, especialmente os modernos métodos histórico-críticos, sócio-antropológicos e populares.

II. Objetivos
Possibilita ao aluno a visualização das diversas problemáticas envolvidas na abordagem dos textos bíblicos no contexto e no pensamento contemporâneos.

III. Conteúdo Programático

1. A leitura histórico-crítica
  • A crítica textual
  • A crítica literária
  • A crítica das formas
  • A história da redação
  • A história da tradição
2. A leitura sócio-antropológica
  • Por que uma leitura sócio-antropológica da Bíblia?
  • Origem e características do discurso sociológico
  • Origem e características do discurso antropológico
  • A Bíblia e a leitura sócio-antropológica
  • Algumas dificuldades da leitura sócio-antropológica
3. A leitura popular
  • Ler a vida com a ajuda da Bíblia
  • A opção pelos pobres
  • Da Bíblia à Sociedade: passagem para o Político
4. Oficina bíblica: leitura de textos selecionados
  • Mc 6,30-44: a primeira multiplicação dos pães
  • Lc 3,21-22: o batismo de Jesus
  • Mt 2,1-12: a visita dos magos
  • Jo 2,1-12: as bodas de Caná
IV. Bibliografia
Básica
DIAS DA SILVA, C. M. Leia a Bíblia como literatura. São Paulo: Loyola, 2007, 104 p. - ISBN 9788515033072.

MESTERS, C. Flor sem defesa: uma explicação da Bíblia a partir do povo. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1999, 206 p.

ZENGER, E. et al. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2003, 560 p. - ISBN 9788515023288.

Complementar
ALMADA, S. (org.) Interpretação Bíblica em Busca de Sentido e Compromisso. Diversas aproximações ao texto de Lucas 1-2: Caleidoscópio de métodos, exegese e hermenêutica. RIBLA, Petrópolis, n. 53, 2006/1.

BUSHELL, M. BibleWorks 8. Norfolk, VA: BibleWorks, 2008 (software para o estudo da Bíblia). Acesso em: 04 fevereiro 2009.

CARTER, C. E.; MEYERS, C. L. (eds.) Community, Identity and Ideology: Social-Scientific Approaches to the Hebrew Bible. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1996, 574 p. - ISBN 9781575060057.

CHALCRAFT, D. J. (ed.) Social-Scientific Old Testament Criticism. London: T & T Clark, 2006, 400 p. - ISBN 9780567040848

DA SILVA, A. J. A visita dos magos: Mt 2,1-12. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. Leitura sócio-antropológica da Bíblia Hebraica. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. Leitura sócio-antropológica do Novo Testamento. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. Notas sobre alguns aspectos da leitura da Bíblia no Brasil hoje. REB, Petrópolis, v. 50, n. 197, p. 117-137, mar. 1990. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento. Acesso em: 04 fevereiro 2009.

DA SILVA, A. J. Por que milagres? O caso da multiplicação dos pães. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 22, 1989, p. 43-53.

DE OLIVEIRA, E. M. et al. Métodos para ler a Bíblia. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 32, 1991.

DIAS DA SILVA, C. M. com a colaboração de especialistas, Metodologia de Exegese Bíblica. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 2003, 526 p. - ISBN 8535606432.

EGGER, W. Metodologia do Novo Testamento: Introdução aos Métodos Lingüísticos e Histórico-Críticos. São Paulo: Loyola, 1994, 238 p. - ISBN 9788515010561.

ELLIOT, J. H. What is Social-Scientific Criticism? Minneapolis: Augsburg Fortress, 1993, 174 p. - ISBN 9780800626785.

ESLER, P. F. (ed.) Ancient Israel: The Old Testament in Its Social Context. Minneapolis: Fortress, 2005. xvii + 420 p. - ISBN 0800637674.

KONINGS, J.; RIBEIRO, S. H. et al. Bíblia: Teoria e Prática. Leituras de Rute. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 98, 2008.

KONINGS, J. Sinopse dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da Fonte Q. São Paulo: Loyola, 2005, 360 p. - ISBN 9788515030569.

PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA A Interpretação da Bíblia na Igreja. 6. ed. São Paulo: Paulinas, 1999.

REIMER, H.; DA SILVA, V. (orgs.) Hermenêuticas Bíblicas: Contribuições ao I Congresso Brasileiro de Pesquisa Bíblica. São Leopoldo: Oikos Editora/UCG/ABIB, 2006, 252 p.

REIMER, I. R.; SCHWANTES, M. (org.) Leituras Bíblicas Latino-Americanas e Caribenhas. RIBLA, Petrópolis, n. 50, 2005/1.

ROHRBAUGH, R. L. (ed.) The Social Sciences and New Testament Interpretation. Peabody, Mass: Hendrickson, 2004, 240 p. - ISBN 9781565634107.

SCHNELLE, U. Introdução à exegese do Novo Testamento. São Paulo: Loyola, 2004, 192 p. - ISBN 9788515024919.

SIMIAN-YOFRE, H. (ed.) Metodologia do Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2000, 200 p. - ISBN 9788515018499.

TATE, W. R. Interpreting the Bible: A Handbook of Terms and Methods. Peabody, Mass.: Hendrickson, 2006, viii + 482 p. - ISBN 9781565635159.

TREBOLLE BARRERA, J. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã. Introdução à História da Bíblia. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2000, 741 p. - ISBN 8532614370.

WEGNER, U. Exegese do Novo Testamento: Manual de Metodologia. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal/Paulus, 2002, 407 p. - ISBN 852330598X.


Leia Mais:
Em busca da competência hermenêutica

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Em busca da competência hermenêutica

Estou, nestes dias, preparando meus programas de aula para 2009. Começo a publicá-los no Observatório Bíblico. A intenção é de que possam servir, para além de meus alunos, a outras pessoas que, eventualmente, queiram ter uma noção de como se estuda a Bíblia em determinadas Faculdades de Teologia. Ou, pelo menos, parte da Bíblia, porque posso expor apenas os programas das disciplinas que leciono. Tomo aqui como referência o currículo do CEARP, onde trabalho. Já fiz isso certa vez, em 2006, mas a bibliografia vai mudando...

Quatro elementos serão levados em conta, em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional:

:: contextos da época bíblica
:: produção dos textos bíblicos
:: contextos atuais
:: leitores atuais dos textos

O sentido da Escritura, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos específicos.

Ou seja: "Da Escritura não se esperam fórmulas a ‘copiar’, ou técnicas a ‘aplicar’. O que ela pode nos oferecer é antes algo como orientações, modelos, tipos, diretivas, princípios, inspirações, enfim, elementos que nos permitam adquirir, por nós mesmos, uma ‘competência hermenêutica’, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos, ‘segundo o senso do Cristo’, ou ‘de acordo com o Espírito’, das situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados. As Escrituras cristãs não nos oferecem um was, mas um wie: uma maneira, um estilo, um espírito. Tal comportamento hermenêutico se situa a igual distância tanto da metafísica do sentido (positivismo) quanto da pletora das significações (biscateação). Ele nos dá a chance de jogar a sério a círculo hermenêutico, pois que é somente neste e por este jogo que o sentido pode despertar" explica BOFF, C. Teologia e Prática: Teologia do Político e suas mediações. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 266-267).

As disciplinas de Bíblia no curso de graduação em Teologia podem, segundo este modelo, ser classificadas em três áreas:

1. Disciplinas Contextuais:
:: História de Israel (alternativa: História da época do Antigo Testamento e História da época do Novo Testamento)

2. Disciplinas Instrumentais:
:: Introdução à S. Escritura (alternativa: Métodos de leitura dos textos bíblicos)

:: Língua Hebraica Bíblica
:: Língua Grega Bíblica

3. Disciplinas Exegéticas:
::
Pentateuco

:: Literatura Profética
:: Literatura Deuteronomista
:: Literatura Sapiencial
:: Literatura Pós-Exílica
:: Literatura Sinótica e Atos
:: Literatura Paulina
:: Literatura Joanina
:: Apocalipse


-----------------------------------------------------------------------------

Destas disciplinas, leciono:

No primeiro semestre:
:: História de Israel: 4 hs/sem.
:: Introdução à S. Escritura: 2 hs/sem.
:: Literatura Profética: 4 hs/sem.
:: Literatura Deuteronomista: 2 hs/sem.

No segundo semestre:
:: Pentateuco: 4 hs/sem.
:: Literatura Pós-Exílica: 4 hs/sem.


Leia Mais:
O hábito da vigilância hermenêutica: métodos
História de Israel 2009: o pouco que sabemos
Pentateuco 2009: ainda sem um novo consenso
Literatura Deuteronomista 2009: o desafio
Literatura Profética 2009: A Voz Necessária
Literatura Pós-Exílica 2009: tempo sem fronteiras

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Terça-feira, Novembro 25, 2008

CEBI estreita parcerias com entidades européias

Comitiva do CEBI vai à Europa para estreitar parcerias

CEBI - 25/11/2008: 14h04

Uma comitiva formada pelo Frei Carlos Mesters, por Lúcia Weiler e pelo secretário executivo do CEBI, Edmilson Schinelo, embarcou nesta segunda-feira, 24 de novembro, para a Europa, em missão junto às entidades parceiras da cooperação internacional e comunidades locais. A viagem de 15 dias – o retorno é no dia 10 de dezembro - inicia pela Holanda, passa pela Alemanha e termina na Suíça.

Leia a notícia completa no site do CEBI.

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Simpósio sobre leitura e ensino da Bíblia no Brasil

Leitura e ensino da Bíblia no Brasil é tema de simpósio

CEBI - 25/11/2008 - 13h49

A Leitura e Ensino da Bíblia no Brasil é o tema do Simpósio que Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE) promove de 15 a 18 de dezembro de 2008, em São Leopoldo. O evento será realizado no Seminário Concórdia da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), com participação de Milton Schwantes, Paulo Teixeira e Vilson Scholz.

A programação do simpósio conta com uma mesa redonda com professores da área de Bíblia sobre o ensino das disciplinas bíblicas nas escolas de teologia. Também será assunto do evento o panorama da hermenêutica no Brasil, bem como as percepções sobre leituras da Bíblia.

Além disso, haverá uma oficina sobre ferramentas para o ensino das línguas bíblicas e outra sobre o ensino da metodologia exegética.

As inscrições podem ser feitas junto ao site da ASTE.

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Terça-feira, Novembro 18, 2008

Mauro Pesce fala sobre o Sínodo

"Così l'esegesi cattolica va verso l'isolamento": Intervista a Mauro Pesce sul sinodo dei vescovi

(...) Del Sinodo e di altri temi abbiamo parlato con Mauro Pesce, biblista, professore di Storia del Cristianesimo all'Università di Bologna, nonché autore (insieme a Corrado Augias) del best seller Inchiesta su Gesù: Chi era l'uomo che ha cambiato il mondo. 22 ed.: 2008. Milano: Mondadori, 2006, 263 p. - ISBN 9788804560012 [Obs.: informação ampliada por mim] duramente attaccato da autorevoli voci del mondo cattolico istituzionale proprio per aver avvicinato il grande pubblico all'approccio storico ai Vangeli e alle fonti del cristianesimo delle origini.

(...) "A me sembra che questo Sinodo, più che una sintesi, un approfondimento o un ulteriore progresso rispetto all’atteggiamento che la Chiesa ha avuto nell’interpretazione della Bibbia dai tempi di Leone XIII (con l’enciclica Providentissimus Deus) fino al Concilio Vaticano II, abbia al contrario promosso un arretramento e un restringimento. È stato l’espressione di una particolare corrente teologica che oggi è maggioritaria in certi ambienti ecclesiastici cattolici, ma che non è l’unica teologia cattolica contemporanea e ovviamente nemmeno l’unica teologia importante manifestatasi negli ultimi cinquant’anni. Il Messaggio finale del Sinodo mi è sembrato fortemente ecclesiocentrico; non primariamente teocentrico e neppure primariamente cristocentrico. Per quanto non si dica più che fuori della Chiesa cattolica non vi è alcuna salvezza, la Chiesa cattolica diventa il punto di riferimento unico per il messaggio cristiano agli uomini lungo l’asse Rivelazione-Cristo-Chiesa-Missione. A mio avviso ci si sarebbe potuti servire di una teologia più teocentrica, in cui si riconosca che l’agire di Dio nel mondo si manifesta attraverso una pluralità di disegni per l’umanità che non possono essere tutti riassunti nella Bibbia o che veda già nella Bibbia un’apertura ad altre manifestazioni di Dio. Anche la cristologia con questo restringimento ecclesiologico si impoverisce, perché Cristo viene immaginato soltanto come una specie di ricapitolazione cristiana dell’Antico Testamento. Penso ai contributi che altre teologie potevano dare: dalla concezione di Clemente Alessandrino di una rivelazione di Dio che si diffonde nel mondo, alla pluralità delle vie di salvezza di San Tommaso Moro nel suo libro L’Utopia, al cardinale Nicola Cusano, per arrivare ai grandi teologi del ‘900 come Karl Rahner".

Leia a entrevista completa na Adista, nº 79, 15/11/2008. Ou na página de Mauro Pesce.

Ou, ainda, na tradução para o português que está em Notícias - IHU On-Line 17/11/2008, da qual transcrevo pequeno trecho:

‘Desse jeito, a exegese católica caminha rumo ao isolamento’. Entrevista com Mauro Pesce

(...) Sobre o Sínodo e outros temas, falamos com Mauro Pesce, biblista, professor de História do Cristianismo na Universidade de Bolonha, assim como autor (junto com Corrado Augias) do bestseller "A Vida de Jesus Cristo" [A Vida de Jesus Cristo: O Homem que mudou o mundo. Queluz de Baixo, Barcarena: Presença, 2008, 220 p. - ISBN 9789722339124], duramente atacado por vozes expoentes do mundo católico institucional por ter aproximado o grande público à abordagem histórica dos Evangelhos e às fontes do cristianismo das origens.

"O Sínodo dos bispos é um grande evento porque, em se tratando de uma assembléia coletiva do episcopado – mesmo tendo só um valor consultivo e não deliberativo –, certamente não deixará de produzir efeitos importantes, mesmo além da eventual encíclica que o papa poderá escrever sobre a interpretação da Bíblia hoje. É também um acontecimento muito importante, sobre o qual é necessário refletir com atenção. Parece-me que esse Sínodo, mais do que uma síntese, um aprofundamento ou um progresso posterior com relação à postura que a Igreja teve sobre a interpretação da Bíblia desde os tempos de Leão XIII (com a encíclica “Providentissimus Deus”) até o Concílio Vaticano II, promoveu, pelo contrário, um retrocesso [italiano: arretramento] e um restringimento. Foi a expressão de uma corrente teológica particular que hoje é majoritária em certos ambientes eclesiásticos católicos, mas que não é a única teologia católica contemporânea, nem obviamente a única teologia importante que se manifestou nos últimos 50 anos. A Mensagem final do Sínodo me pareceu fortemente eclesiocêntrica; não primariamente teocêntrica nem primariamente cristocêntrica. Mesmo que não se diga que fora da Igreja católica não há salvação, a Igreja católica se torna o único ponto de referência para a mensagem cristã aos homens pelo eixo Revelação-Cristo-Igreja-Missão. Na minha opinião, eles poderiam ter se servido de uma teologia mais teocêntrica, em que se reconheça que o agir de Deus no mundo se manifesta por meio de uma pluralidade de formas para a humanidade que não podem ser todas resumidas na Bíblia ou que veja já na Bíblia uma abertura a outras manifestações de Deus".

Leia Mais:
Quem é Mauro Pesce?
O debate sobre o livro Inchiesta su Gesù continua

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Domingo, Novembro 16, 2008

Entrevista com Johan Konings sobre o Sínodo

Está em Notícias - IHU On-Line de 16/11/2008: Sínodo dos Bispos atualizou o Concílio Vaticano II. Entrevista especial com Johan Konings

Konings, Mestre em Filologia Bíblica, 1968, e Doutor em Teologia pela Katholieke Universiteit Leuven, Bélgica, 1972, é coordenador de nosso grupo de estudos bíblicos que se reúne em Belo Horizonte, os "Biblistas Mineiros". É Professor da FAJE, Faculdade Jesuita de Filosofia e Teologia, de Belo Horizonte, MG.

Konings participou do Sínodo como assessor, e faz, nesta entrevista, uma avaliação bastante positiva do que lá aconteceu. Destaco três trechos da entrevista:

:: (...) "O Sínodo [realizado de 5 a 26 de outubro] de 2008 teve como tema: 'A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja'. Nota-se a intenção de continuar e de atualizar o Concílio, insistindo na 'missão', termo que não estava no texto do Concílio. Pois desde o Concílio percebeu-se que missão não é apenas ir aos indígenas da Amazônia, mas às tribos de nossa juventude urbana e aos pagãos de nossas avenidas e campi universitários. Olhando assim, achei o Sínodo fabuloso. Foi uma oportunidade para, através da voz de 253 bispos, eleitos por seus confrades de cada região, conhecer a situação e os projetos das mais diversas regiões onde a Igreja está presente neste mundo globalizado. E pode-se dizer que não se deu um passo para trás em relação ao Concílio, mas que, pelo contrário, se mostrou uma vontade unânime de avançar".

:: (...) "Nas proposições, ou seja, nas sugestões votadas em plenário para serem apresentadas ao Papa, aparecem claros avanços: o desejo de que a Bíblia seja mais divulgada, estudada com os devidos métodos científicos que a Igreja vem fomentando com toda a força nos últimos cinqüenta anos, claramente expostos no importantíssimo documento da Pontifícia Comissão Bíblica de 1993; o desejo de que o estudo leve à contemplação, à oração e à prática da comunhão fraterna; a valorização do trabalho dos leigos, dos agentes de pastoral bíblica, especialmente das mulheres, para as quais se pede seja estendida a ordenação ao ministério de leitorato; que os pobres sejam 'artífices de sua própria história', impulsionados pela Palavra de Deus acolhida nas suas comunidades; que a Bíblia esteja em todas as famílias, inclusive nas línguas dos povos pequenos e pobres; que a pastoral bíblica não seja uma pastoral ao lado das outras, mas a inspiração que permeie todas as pastorais; que finalmente se leve a sério o enriquecimento bíblico da Liturgia a partir do Vaticano II e o valor de uma homilia bem preparada pelo estudo e pela oração - além de bem proferida; essas e tantas outras foram expressões do desejo praticamente unânime dos bispos de avançar na linha do Concílio Vaticano II".

:: "Quanto à hermenêutica ou interpretação, toda escuta e toda leitura é uma interpretação, pois senão, não se entende nada. Os fundamentalistas pensam que eles não interpretam, mas interpretam sem que saibam, e reforçam interpretações subliminares sem se darem conta disso. Ora, interpretação sempre tem uma dupla interface - por isso se chama 'inter'-pretação: é interlocução, mediação entre o texto que representa o evento Jesus no seu momento fundador, abordado com métodos históricos e literários, e o nosso texto de hoje, o texto de nossa vida, em nossa sociedade, em nosso mundo político-econômico-social-cultural-ecológico etc., assimilado com a nossa psicologia pessoal e coletiva. Colocar tudo isso em diálogo é hermenêutica, é leitura. Também no caso da Bíblia".

Leia Mais:
Carlos Mesters fala sobre o Sínodo
Em defesa das conquistas da exegese acadêmica
Sínodo dos Bispos - Synod of Bishops in Rome
Martini: a leitura da Bíblia e o Sínodo de 2008

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Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Em defesa das conquistas da exegese acadêmica

Do mesmo jornalista citado no post anterior, John L. Allen Jr., li hoje um texto que me chamou a atenção: Synod: Coming to praise Bible scholarship, not just bury it.

Texto publicado em 19/10/2008 no National Catholic Reporter Conversation Cafe, seção dos blogs do jornal.

Segundo o jornalista, em seu John L Allen Jr Daily's blog, embora os participantes do Sínodo possuam pontos de vista divergentes, estão muito mais voltados para a firme defesa das conquistas da exegese acadêmica do que para sua crítica ou depreciação.

Transcrevo o seu texto, sem opinar, até mesmo porque não disponho de nenhuma informação direta sobre o assunto.

Blaming Bible scholars for a crisis of faith in the West is a time-honored exercise in Christian thought, but after a fairly tough opening round for the Biblical guild during the current Synod of Bishops in Rome, notes of praise as well as burial are beginning to be heard.

Bemoaning the corrosive influence of skeptical currents in exegesis has long been a truly ecumenical enterprise. In the early years of the 20th century, both Pope Pius X in his anti-modernist encyclical Lamentabili sane, and the Bible Institute of Los Angeles in a series of tracts called The Fundamentals: A Testimony To The Truth (from which “fundamentalism” draws its name), put scientific study of the Bible squarely in the dock.

During the first round of speech-making in the Oct. 5-26 synod, a host of bishops revived this tradition, though in less polemical fashion. Archbishop Terrence Prendergast of Ottawa, Canada, for example, suggested that a “loss of confidence among Catholics that scripture truly communicates God’s revelation” may be related to “the influence of modern Biblical scholarship on preaching.”

One could be forgiven the impression that for some bishops, modern Bible scholarship ought to come with a warning label: “May be hazardous to your faith.” Even Pope Benedict XVI got into the act, describing what he called a “so-called mainstream of exegesis in Germany” which “denies that the Lord instituted the Holy Eucharist, and says that Jesus’ corpse stayed in the tomb.”

Yet when the circoli minores, or small groups, that are currently working on propositions to be submitted to the pope gave their initial reports late last week, several came to the defense of Bible scholars. The result suggests that some synod participants may be concerned that an excessively negative tone could risk demoralizing those Bible scholars who are trying to put their talents at the service of the church [sublinhado meu].

A German-language group led by Bishop Friedhelm Hofmann of Würzburg, for example, reported on Friday afternoon that it had detected “a certain fear about the historical-critical method” in the first round of debate in the synod. The group warned that such fear could “endanger the merits and fruits of scientific exegesis.”

A properly spiritual interpretation of the Bible, Hofman’s group said, requires scientific exegesis as its “premise.”

A Spanish working group led by Fr. Julian Carrón, president of the Communion and Liberation movement, proposed that the synod offer a note of thanks to Catholic institutes of Bible studies, “especially those in Rome and Jerusalem” – a clear reference to the Jesuit-run Pontifical Biblical Institute in Rome and to the Dominican-run École Biblique in Jerusalem. Both are known for efforts to apply historical-critical tools to the study of scripture, though in the context of church teaching and tradition.

A French-language group led by Bishop Joseph Bouchard of Saint Paul in Alberta, Canada, suggested that references to Bible scholars in the synod documents be “positive,” since “the vocation of the exegete is to help the church’s judgment grow more mature.”

Taken together, the comments suggest that the synod is groping for a more balanced approach to historical-critical study, and the use of other scientific tools to understand the Bible, so that the other main point made by Benedict XVI in his brief remarks on Tuesday not get lost: Christianity is a historical religion, the pope said, not a myth, and hence it’s entirely appropriate that it be the subject of serious historical research.

Other points to emerge from the small group reports include:
• A basically positive tone with regard to Liturgies of the Word, led in many cases by laity, in regions where priest shortages dictate that there is no regular access to the Sunday Eucharist.

• A desire for deeper study of the reasons why some Catholics are defecting to Pentecostal and Evangelical movements, as well as repackaged versions of tribal and indigenous religion, in some parts of the world.
• Support for reading and reflecting on the Bible within small Christian communities, often referred to as “base communities” or “basic ecclesial communities.”
• Deeper attention to the ecumenical and inter-religious dimension of the Bible, especially in relations with Jews.
• Near-universal support for translations of the Bible into more languages, especially those spoken by poor and isolated communities.
• Division over three practical ideas that surfaced during the synod’s opening round: 1) a “compendium” or “directory” for homilists and preachers; 2) creating a special World Congress on the Word of God, analogous to existing Eucharistic Congresses; 3) revising the Lectionary, the collection of scripture readings for use at Mass. In each case, one group appeared to endorse the idea, while another expressed ambivalence or outright opposition.

The Synod of Bishops on "The Word of God in the Life and Mission of the Church" runs Oct. 5-26 in Rome.

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Carlos Mesters fala sobre o Sínodo

A Palavra está presente em todos os setores da vida da Igreja
Ao falar sobre a importância dos círculos bíblicos, Frei Carlos Mesters afirma que neles “a Bíblia se torna um espelho, no qual as pessoas descobrem dimensões mais profundas da sua própria vida que antes não tinham percebido”. Para ele, na entrevista (...) concedida por e-mail para a IHU On-Line, a importância de um sínodo sobre a Bíblia no atual momento é muito grande por vários motivos, dentre os quais “o aprofundamento que a Palavra de Deus pode trazer para a vida humana” e a percepção da “importância da presença da sabedoria de Deus na leitura que os pobres do mundo inteiro fazem da Bíblia” (...) Mesters é assessor de um dos bispos brasileiros na XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que ocorre de 5 a 26 de outubro, no Vaticano. A entrevista a seguir foi elaborada em parceria com a equipe de Teologia Pública do Instituto Humanitas Unisinos - IHU.


Leia a entrevista de Carlos Mesters na revista IHU On-Line, edição 278, de 20/10/2008. O tema de capa deste número é A financeirização do mundo e sua crise. Uma leitura a partir de Marx. Na versão em pdf a entrevista de Carlos Mesters está nas p. 29-30.




Outros pontos de vista sobre o Sínodo podem ser vistos no texto do jornalista norte-americano John L. Allen Jr. publicado no National Catholic Reporter em 17/10/2008 e reproduzido por Notícias: IHU On-Line em 20/10/2008: O Sínodo sobre a Bíblia em busca de um meio termo.


Se preferir, veja o original: The Synod on the Bible looks for middle ground; A 'poignant' press conference:
...One might say that the synod, dedicated to "The Word of God in the Life and Mission of the Church," is trying to steer a middle course between two extremes: Biblical fundamentalism, and secular skepticism. Cardinal William Levada, Prefect of the Congregation for the Doctrine of the Faith, told NCR on Thursday that he regards these seeming opposites as, in a sense, symbiotic: When fundamentalists make claims about the Bible that can't be reconciled with reason, he said, it feeds skepticism about the Bible in the broader culture. The aim of the synod could therefore be phrased as awakening a renewed passion for scripture, while simultaneously encouraging Catholics to read the Bible within the living tradition of the church -- thereby, or so the theory goes, holding faith and reason together. I'll give a quick summary of the proceedings so far, first looking at areas of general agreement and then three tensions that, at this stage, remain unresolved...


Leia Mais:
Sandro Magister em Chiesa (vários textos)
Sínodo dos Bispos - Synod of Bishops in Rome

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Quinta-feira, Outubro 16, 2008

Roland Boer x Michael F. Bird

Esta é uma polêmica que você vai apreciar.

Clique nestes links:
Visto em The Guild of Biblical Minimalists.

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Quinta-feira, Julho 31, 2008

Sobre a necessidade da releitura

Um leitor perguntou-me, ontem, em comentário a uma postagem sobre fundamentalismo, publicada em 3 de fevereiro de 2007, sobre a localização da frase de Roland Barthes que cito ali:

Quem não relê um texto, lê, em todos os textos, sempre o mesmo texto.

Respondi no comentário, mas faço questão de colocar a indicação também nesta postagem. O que disse?

Li este livro de Roland Barthes, S/Z, em italiano, pois, naquela época estava estudando na Itália e o livro estava mais acessível nesta língua (livros em italiano eram mais baratos do que em francês!). Minha citação é livre, por isso não coloco aspas. Mas a tradução italiana, feita por Lidia Lonzi, diz:

"Coloro que fanno a meno di rileggere si costringono a leggere dappertutto la stessa storia" (p. 20)

O contexto em que aparece a citação:
"La rilettura, operazione contraria alle abitudini commerciali e ideologiche della nostra società, che raccomanda di 'buttar via' la storia una volta che è stata consumata ('divorata'), perché si possa passare a un'altra storia, comprare un altro libro, e che è tollerata solo in certe categorie marginali di lettori (i bambini, i vecchi e i professori) è qui proposta in partenza, giacché essa sola può salvare il testo dalla ripetizione (coloro que fanno a meno di rileggere si costringono a leggere dappertutto la stessa storia), lo moltiplica nella sua diversità e nella sua pluralità..." (p. 20).

Tradução italiana: S/Z. Torino: Einaudi, 1973, 251 p. [edição atual: 1981, 251 p. - ISBN 880652027X]

Original francês: S/Z. Paris: Seuil, 1970, 277 p. [edição atual: 1976, 288 p. - ISBN 9782020043496]

Tradução em português: S/Z. Lisboa: Edições 70, 1999, 199 p. - ISBN 972441020X

Roland Barthes nasceu no dia 12 de novembro de 1915, em Cherbourg, Normandia e faleceu no dia 23 de março de 1980, em Paris, França. Roland Barthes (1915-1980) a été directeur d’études à l’École pratique des hautes études (« sociologie des signes, symboles et représentations ») avant d’occuper en 1976 la chaire de sémiologie littéraire au Collège de France.

Sobre o livro, diz a Editora Einaudi:
Elaborazione di un seminario tenuto alla Ecole pratique negli anni 1968-69, S/Z è la lettura che Barthes ha proposto della novella Sarrasine di Honoré de Balzac. Ma l'interpretazione critica si avvia immediatamente all'insegna di avvincenti, e ancora molto attuali problemi di metodo. Superando lo strutturalismo scolastico, che si limita allo smontaggio di un testo partendo dal presupposto che esso costituisca sempre una totalità chiusa e sufficiente a se stessa, Barthes in questo saggio intende invece valutare la pluralità di cui è fatto il testo, lo spessore dei codici che lo attraversano, partendo dall'articolazione delle "voci" di cui è tessuto: l'azione, la verità, la scienza, la persona, il simbolo. Luogo a cui si accede da più entrate, il testo chiede così la collaborazione attiva del lettore, che non è più soltanto consumatore ma produttore di ciò che legge. Questa ipotesi, e l'immagine "frammentaria" della nebulosa, del labirinto che avvolge i personaggi e il discorso narrativo, complici gli uni dell'altro, fanno intravvedere i temi che Barthes tratterà nel Piacere del testo (1973) e nei Frammenti di un discorso amoroso (1977), esprimendo ancor più in profondo i "turbamenti" della rappresentazione, i segni della "differenza", la crisi di un ordine.

Leia mais sobre S/Z aqui.

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Domingo, Junho 29, 2008

Os Biblistas Mineiros e a necessidade do método

Bíblia: Teoria e Prática – Leituras de Rute. Qual é o enfoque de cada artigo? Para que o leitor saiba o que lhe oferecemos, transcrevo aqui algumas linhas de cada um dos nove artigos que compõem esta número da Estudos Bíblicos 98, que acaba de ser publicada.

Editorial: Telmo José A. de Figueiredo

PARTE I

:: Agenda para o estudo de um texto bíblico - p. 11-32
Johan Konings - Mestre em Filologia Bíblica, 1968, e Doutor em Teologia pela Katholieke Universiteit Leuven, Bélgica, 1972.
Súsie Helena Ribeiro
Apresentamos aqui a agenda daquilo que parece fundamental para a leitura atenta de um texto bíblico. Leitura que faça jus ao texto, não mera leitura de consulta para satisfazer a curiosidade, fundamentar um dogma ou dar autoridade a uma ideologia; mas empenho em ler o texto como texto, como uma entidade, quase uma pessoa que se apresenta a nós face a face (...) Ora, se Carlos Mesters chamou a Bíblia de "livro feito em mutirão", pode-se dizer que também a leitura e o estudo melhor se fazem em mutirão. Determinadas tarefas podem ser realizadas pela comunidade (...) outras (...) exigirão algum "engenheiro", que, no seu gabinete, estude os assuntos mais especializados. O resumo final deste artigo (...) visualiza essa organização de tarefas.

:: Aprenda a enxergar com o cego Bartimeu, ou... Por que é necessário um método para ler a Bíblia? - p. 33-45
Cássio Murilo Dias da Silva - Doutor em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, 2005.
Como é possível aprender a enxergar com um cego? Na verdade, o relato da cura do cego Bartimeu (...) servirá de exemplo concreto para (...) demonstrar a necessidade de ler a Bíblia com um bom método (...) Caso leiamos a Bíblia (...) sem um método (...) muito da riqueza do texto bíblico passa despercebida aos nossos olhos e corremos o risco de nos contentar com o que não é importante. Ou, o que é pior, corremos o risco de pensar que o texto bíblico diz algo que ele não diz (...) Quem lê a Bíblia com um método adequado (...) conhece os passos para percorrer o universo do texto, tem os olhos e os ouvidos atentos para perceber nuanças e detalhes, consegue deleitar-se com o estilo de cada autor, pode apreender com mais largueza e profundidade a mensagem, sabe que não pode obrigar o texto a dizer o que ele não diz, sabe quais informações pode (e quais as que não pode) buscar no texto bíblico, sabe o que pode (e o que não pode) perguntar à Bíblia.

:: Bíblia: Mito? Realidade? - p. 45-61
Telmo José Amaral de Figueiredo - Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, 1997.
Os métodos de análise bíblica terminam por levantar, de modo direto ou indireto a questão se os fatos narrados pela Bíblia são históricos, ou seja, verdadeiros, ou invenções, lendas e fantasias de seus autores (...) Afinal, a Bíblia é formada por um conjunto de mitos ou ela narra a verdade dos fatos? A resposta a essa questão acabará por ser encontrada na clarificação dos termos que a compõem, isto é, o que é mito, o que vem a ser história? (...) Telmo José exemplifica a sua explicação com a análise de Gênesis 1 e trechos do poema babilônico Enuma Elish e o hino egípcio a Aton sobre a criação do mundo [texto extraído do Editorial, p. 8-9]

:: Como ler os apócrifos do Segundo Testamento - p. 62-71
Jacir de Freitas Faria - Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, 1996.
Como ler os apócrifos? Essa é uma boa pergunta. A Igreja ensinou ao longo de sua história que esses livros não deveriam ser lidos. Muitos deles foram enviados para o catálogo dos livros proibidos e até queimados (...) Ler os apócrifos exige um acurado estudo histórico da época de cada apócrifo. O contexto é importante para compreender o porquê da expressão de fé transformada em livros apócrifos (...) A tradição popular perpetuou na memória oral e escrita os ensinamentos de fé dos apócrifos (...) A literatura apócrifa do Segundo Testamento contribuiu sobremaneira para manter a fé no imaginário popular. São histórias de piedade que se transformaram em poesia, canto, pinturas, músicas e expressões devocionais.


PARTE II

:: Releituras rabínicas do livro de Rute - p. 72-76
Leonardo Alanati - Mestre em Língua Hebraica pelo Hebrew Union College, Jewish Institute of Religion, Cincinnati, USA - Rabino da Congregação Israelita Mineira
Este artigo apresenta alguns dos principais temas desenvolvidos na tradição judaica de exegese do livro de Rute através de comentários rabínicos entre os séculos II e VI no Talmude e em Rute Rabba, mas que foram ensinados e transmitidos oralmente por décadas ou até séculos antes da redação destas obras. Até o século XIX estes comentários dominaram a maneira judaica de ler o livro. Nos dois últimos séculos, judeus de correntes religiosas modernas adotaram e desenvolveram outras interpretações e leituras do mesmo (...) [Rute] aquela mulher solidária, corajosa, decidida, verdadeiramente admirável, permanecerá sempre no coração judaico como ancestral não apenas de líderes ilustres do passado, mas também do líder que levará a humanidade a uma nova era de paz, solidariedade, justiça e amor ao próximo.

:: Rute à luz do método histórico-crítico - p. 77-84
José Luiz Gonzaga do Prado - Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, (data?)
O documento da Pontifícia Comissão Bíblica, A interpretação da Bíblia na Igreja, de 1993, aponta o método histórico-crítico como indispensável para o estudo sério da Bíblia. Fala das origens do método, de sua evolução e dá-lhe também uma descrição simples e clara. Esta descrição vai guiar nossa busca. Analisaremos o livro de Rute por cada uma das oito etapas em que o Documento descreve o método. Assim esperamos chegar a algumas conclusões que fundamentem a abertura para as diferentes e possíveis hermenêuticas, abordagens ou leituras (...) [Há muitas] perguntas [sobre nossa realidade] que devemos levantar hoje e para as quais podemos encontrar respostas no livro de Rute. Basta lê-lo com os dois olhos, um na Bíblia e outro na vida.

:: A narratividade do livro de Rute - p. 85-106

Jaldemir Vitório - Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico, Roma, Itália, 1986. Doutor em Teologia pela PUC-RJ, 1995.
O objetivo deste artigo consiste em aplicar o método de análise narrativa ao livro de Rute. Este se presta muito bem para a finalidade por se tratar de uma narrativa breve e, ao mesmo tempo, como se verá, portadora de inesgotável riqueza literária (...) A análise narrativa oferece uma chave de interpretação que permite ao leitor entrar em sintonia com o texto, pelo conhecimento dos recursos literários empregados pelo narrador no processo de produção (...) O método da análise narrativa e os demais métodos de interpretação supõem de quem se avizinha dos textos bíblicos uma postura de leitor-intérprete. A ausência de atitude hermenêutica tem como resultado cair na armadilha do fundamentalismo ou do historicismo. A análise narrativa tem o mérito de aproximar o texto bíblico do leitor-intérprete atual ao mostrar como os autores bíblicos trabalharam de forma idêntica como trabalham os narradores atuais, tão distantes no tempo e no espaço.

:: Leitura socioantropológica do Livro de Rute - p. 107-120

Airton José da Silva - Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, Itália, 1976.
Qual seria a contribuição específica da leitura socioantropológica? Penso que pode ser o fato desta abordagem examinar não somente a literatura bíblica, mas também as forças sociais subjacentes à produção desta literatura, onde se distingue a sociedade que está por trás do texto da sociedade que aparece dentro do texto (...) Vou utilizar o livro de Rute para visualizar esta proposta. Este livro é uma estória que usa lugares reais e pessoas fictícias situadas em determinado espaço e tempo para construir a sua narrativa (...) [A partir desta perspectiva] deveria ser possível mostrar que o modo como os personagens organizam sua visão de mundo são, na verdade, ferramentas literárias utilizadas pelo autor/a na construção de uma estória totalmente fictícia, mas que, sem dúvida, produz uma mensagem que é considerada pelo autor/a de Rute como um caminho a ser buscado, estruturando o livro como uma narrativa orientada por uma proposta séria. {Por isso], 1. Olhando a estória com os olhos do autor/a, pergunto: o que diz o livro de Rute? 2. Olhando para além do livro, pergunto: o que é possível saber da época em que foi escrito o livro de Rute? 3. Olhando a estória com os olhos do leitor atual, pergunto: qual é a proposta do livro de Rute?

:: O protagonismo de uma sogra: a história de Noemi e Rute - Uma abordagem feminina sob o olhar da psicologia - p. 121-129

Maria Aparecida Duque e Rosana Pulga
O livro de Rute é cheio de personagens humanas. E onde há o humano, há também seus aspectos fenomenológicos, incluindo o psíquico. Não há, portanto, nenhum atrevimento literário de interpretá-lo por meio da ciência da Psicologia, onde essa história tão bem se adapta. Esse livro nos oferece uma riqueza de interpretações que podem ser lidas e refletidas nas mais diversas situações vivenciais (...) O dilema sogra-nora é analisado em pormenores, principalmente pela ótica do poder e da subserviência de uma pessoa a outra [Obs.: esta última frase está no Editorial, p. 10].

Observo que, infelizmente, não possuo informações completas sobre a formação acadêmica de 3 autoras: Súsie Helena Ribeiro (área de Letras), Maria Aparecida Duque (área de Psicologia) e Rosana Pulga (assessoria bíblica).

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Segunda-feira, Junho 23, 2008

Estudos Biblicos 98: Leituras de Rute

Acabo de receber o número 98 de Estudos Bíblicos, revista publicada pela Vozes, de Petrópolis.

Elaborado pelos Biblistas Mineiros, grupo que se reúne em Belo Horizonte, este número trata da questão dos métodos de leitura da Bíblia e tem como principal matéria de exame o livro de Rute. Clique no título, Bíblia: Teoria e Prática - Leituras de Rute, para ver o sumário da revista, que tem 132 páginas.

O meu artigo, Leitura socioantropológica do Livro de Rute, pode ser lido nas páginas 107-120.

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Quarta-feira, Maio 21, 2008

Leia a Biblia como literatura: hoje em Campinas

Encontrei na página de Notícias da Loyola:

Matéria com autor de Leia a Bíblia como literatura é publicada no Correio Popular, de Campinas
O autor de Edições Loyola Cássio Murilo Dias da Silva, doutor em ciências bíblicas, concedeu entrevista ao Caderno C do jornal Correio Popular, de Campinas (SP), sobre seu livro Leia a Bíblia como literatura, que será lançado hoje, às 19h30, na Livraria Cultura do Shopping Center Iguatemi Campinas (Av. Iguatemi, 777, piso 1 - Vila Brandina). A matéria, intitulada "Novo olhar sob a leitura da Bíblia", de Carlota Cafiero, publicada nesta quarta-feira, destaca que o livro de Cássio Murilo é um convite tentador para desfrutar os textos bíblicos como obras literárias. "A Bíblia tem histórias de aventura, romance, romance policial, poesia de amor", explicou o autor.

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Terça-feira, Maio 13, 2008

A leitura da Biblia no mundo globalizado

Faculdades EST realiza seminário conjunto com universidades alemãs
A leitura da Bíblia no mundo globalizado é o tema do seminário intercultural que a Faculdades EST está promovendo, neste mês de maio [de 2008], em parceria com as universidades alemãs de Bayreuth e Duisburg-Essen, através da Internet. O Seminário tem o apoio da CAPES, através do projeto PROBRAL 260/07. Entre os objetivos do estudo conjunto está o de promover a discussão teológica e a aproximação entre estudantes dos dois países. Um dos marcos desse encontro intercontinental foi a videoconferência, realizada no último dia 6 de maio, envolvendo docentes e estudantes das três universidades. Pela videoconferência, os participantes tiveram a oportunidade de se conhecer, formulando perguntas aos colegas das outras universidades. “Percebemos, da parte alemã, um grande interesse por temas como estrutura e atuação da igreja luterana no Brasil, pentecostalismo, umbanda e ecumenismo”, diz o Dr. Emílio Voigt, coordenador do EaD da Faculdades EST. O seminário se encerra no dia 26 de maio. Até lá, os participantes continuarão estudando em conjunto através do ambiente virtual de aprendizagem, disponibilizado pela Faculdades EST. Na sala virtual, os alunos encontram materiais para leitura e são realizadas atividades de interação e construção de conhecimento. A coordenação desse intercâmbio de formação teológica é da Faculdades EST através do professor Dr. Rodolfo Gaede e do Dr. Emilio Voigt.

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Sexta-feira, Maio 09, 2008

Cassio faz palestra sobre Biblia em Campinas

Edições Loyola e Livraria Cultura convidam para uma palestra sobre um modo diferente de ler a Bíblia.

Leia a Bíblia como literatura, por Cássio Murilo Dias da Silva

A palestra será no dia 21 de maio de 2008 às 19h30.

Na Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi, em Campinas, SP. A livraria foi inaugurada no dia 9 de abril de 2008.

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Quinta-feira, Maio 01, 2008

Desafio aos fundamentalistas

Desafio lançado por James F. McGrath, Professor de Religião na Butler University, Indianapolis, Indiana, USA, em seu blog Exploring Our Matrix.

Challenge to Anti-Intellectual Christian Fundamentalists

Leia e aprecie!

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Domingo, Abril 20, 2008

Fundamentalismo: um desafio permanente

O fundamentalismo continua a ser um desafio permanente para a leitura da Bíblia. Eu arriscaria até a dizer que ele tem crescido em extensão e ferocidade. A linguagem, pelo menos, é, sem dúvida, violenta.

No artigo Fundamentalismo e modernidade, publicado na revista Concilium, v. 241, n. 3, Petrópolis, 1992, o conhecido teólogo J. Moltmann escreve nas p. 142-143:
Os fundamentalistas não reagem às crises do mundo moderno, mas às crises que o mundo moderno provoca em sua comunidade de fé e em suas convicções básicas. A convição de fé se baseia na segurança da autoridade divina. Nas assim chamadas Religiões do Livro, é a autoridade divina do documento da revelação: a palavra de Deus é, como o próprio Deus, sem erro e infalível (...) As ciências históricas e empíricas do mundo moderno são reconhecidas enquanto concordarem com [o documento divino da revelação], mas são rejeitadas se questionarem esta autoridade intemporal (...) O documento divino da revelação não pode estar sujeito à interpretação humana mas, ao contrário, a interpretação humana deve estar sujeita ao documento divino da revelação. O fundamentalismo exclui todo juízo racional sobre a condicionalidade histórica de sua origem e sobre a diferença hermenêutica em relação às condições mudadas do presente. O conteúdo de verdade do documento da revelação é intemporal e não precisa ser constantemente explicado ou atualizado, mas apenas conservado intocável. O fundamentalismo baseado na revelação não argumenta, apenas afirma. Não pede compreensão, mas sujeição. Não se trata absolutamente de um problema hermenêutico mas de uma luta pelo poder: ou a palavra de Deus ou o 'espírito da época'. O fundamentalismo também não é um fenômeno de retirada ou de defesa, mas de avanço sobre o mundo moderno para dominá-lo. Faz parte das várias estratégias teo-políticas atuais...

Exemplifico o que Moltmann diz acima com frases fundamentalistas retiradas dos comentários feitos hoje a Moisés pode não ter existido, sugere pesquisa arqueológica - Reinaldo José Lopes - Do G1, em São Paulo: 20/04/2008 - 09h00 - Atualizado em 20/04/2008 - 11h14.

Os muitos erros de português dos textos foram preservados como estão nos comentários, pois indicam, a meu ver, com bastante clareza, a qualidade do pensamento expresso. Lembro, entretanto, que é necessário ir à página do artigo para ver as centenas de comentários, que devem ser lidos completos e em seu contexto, com todos os seus matizes e contradições, provas e contraprovas. Estes pequenos trechos são usados aqui apenas como ilustração viva e candente do raciocínio teológico de J. Moltmann.

. Tentar combater a bíblia, palavra viva de Deus com a ciência, estudos de homens, é uma aberração
. Atacando a fé do povo com uma idiotice sem fatos
. Irmãos, irmãs, povos e nacões... deixemos a ciencia e continuemos olhando pra Cristo, autor e consumador da nossa fé
. Abaixo os Ateus e Cientistas
. Um dia todos...inclusive esses historiadores...vão perceber que Ele existe sim!!!... Porém...será tarde....Ele está voltando...
. Esses cientistas não cre em Deus e nem na biblia por isso falam essas aberrações
. Devemos orar e pedir a Deus em nome de Jesus Cristo que nos revele a verdade atravès da fé. Não nos cabe questionar um passado tão distante que NINGUEM pode dizer com 100% de acerto o que de fato aconteceu
. Quem afirma tal coisa, não passa de um débil mental e um grande idiota. Sou capaz de apostar que é um ateu e nem em DEUS o idiota deve crer. Besta
. Sabendo que a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem, se torna um absurdo os ateus (atoas) questionarem a Bíblia. Creio piamente na Bíblia escrita, fala e inspirada por Deus! As coisas espirituais se discernem espiritualmente seus atoas!
. Se eles querem realmente provar algo concreto, que vão pesquisar o fundo do mar vermelho ao invés de propor supostamente
. Esses cientistas deviam deixar a fé das pessoas em paz, pois é só isso que nos resta
. Isso é inaceitável, a bilbia a palavra de Deus, esta acima do que qualquer coisa, ela é verdade absoluta e ponto final, isso explica o seu valor de geração em geração, não é uma simples expeculação absurda, com este assunto que vai torna-la mentirosa
. Estao se preocupando demais com coisas que nao irao mudar. Sao fatos! E fatos nao se mudam ou alteram. Se querem uma resposta para tudo que aconteceu; deveriam procurar conhecer mais esse Deus maravilhoso que temos. Certamente, se calariam
. Que se explodam esses malucos que ficam perdendo tempo em desmentir a Bíblia, se a Bíblia não é verdadeira pq, se perde tanto tempo tentando desvendá-la? Eu continuo acreditando nela. Eles só sabem jogar teses e teses no ar, mas provar que é verdade? Não vi nada até agora
. A Biblia é bem clara quando diz que quando Jesus estiver as portas de sua volta, varios lidres e estudiosos tentarão distorcer o que dis a verdadeira palavra de Deus, e lendo essa reportagem so posso alertar a todos que Jesus esta realmente as portas e esta reportagem é mais um sinal dessa tese!
. Para o crente não importa o que os ´sábios´ dizem da Bíblia, mas o que a Bíblia diz dos ´sábios´: (loucos que serão julgados pelo o Autor, O SENHOR DEUS)
. Esses cientistas, estão todos malucos, querem acabar com a palavra de DEUS atravéz da internet, mas o povo que acredita realmente na palavra de DEUS jamais deixará se levar por essas balelas
. O q voceis estão tentando fazer desmentindo as coisas do SENHOR estão escrita na palavra faz tempo, cuidado a criatura é inferior ao CRIADOR, está chegando o grande dia, nós da igreja sabemos o q temos VISTO e ouvido nas manifestações do ESPIRITO SANTO.Tomem cuidado, todos ficaremos fente a frente
. Todos esse cientistas vao para o inferno quando eles fizerem apassagem desta vida para a outra eles vao tomar um susto eles pensam que DEUS nao esta tomando conhecimento de tudo ai ja e tarde aguardem seus ateus.
. Abomino todos os teólogos que insistem em diminuir ou negar acontecimentos bíblicos. De Adão e Eva ao fim dos tempos
. Lamentavelmente, desde o início, a ciência procura anular completamente os relatos bíblicos. O interessante é que, em TODOS os casos, principalmente os mais polêmicos, os cientistas acabam por reconhecer que a Bíblia tinha razão
. O que representa a biblía para estes pesquisadores arqueológicos? Eu acho que eles devem dobrar o Joelho e pedir a DEUS que de sabedorias a eles, pois parece falta muito a eles
. Esse cientista e apenas um pequeno cumedo de feijão que ñ sabe de nada
. O diabo continua querendo engar o povo atravès da ciência dizendo que a Bìblia è mentira!
. Por mais que tentem desmiter os fatos biblicos nunca conseguiram enganar a todos com esses estudos, a ciencia não é nada diante do poder de DEUS
. Po...sobrou até pra moisés... mais eu continuo com a biblia...ela é infalível!
. O que vejo é homens tentando apagar e esquecer a existência de um Deus ´Jeová´, poderoso em Glória e Autoridade... Coitado dos Cientistas
. Pesquisadores todos idotas e tolos
. Realmente estes estudiosos da biblia sao homens de pequena fe! Como se pode dizer que fatos como o exodus eh ficcao, eh a mesma coisa dizer que Jesus nao existiu
. Eu ach que esses pesquisadores tem um pacto com o demonio, em tudo querem ahcar erros, ipocritas
. Todos nós que somos cristaos, sabemos que esse professor idiota, esta sendo usado para deturpar a palavra de DEUS, pois a SANTA BIBLIA fois escrita por maos de homens inspirado pelo ESPIRITO SANTO DE DEUS, ninguem sabe onde foi enterrado MOISES,senao o PAI que estas nos CEUS portanto sai de RÈ satanas
. Cientistas da ´nova era´ se preocupam em desmoralizar, desmentir a Biblia , distorcer os fatos,d a verdadeira realidade espiritual. De repente Jesus Cristo não existiu ou se existiu casou com Maria Madalena e DÚS nunca existiu ou se existe se trata de uma energia. Paciencia, os iniquos acreditam neles.
. Como diria Jô Soares: ´Cientistas desocupados´
. A ciencia tenta despistar mais sempre comprova o q esta escrito na biblia
. Infelizmente, temos esses artigos, escrito e somente gostaria de saber, se esses estudiosos, não tem nada mais importante, para estudar, e deixar a Bíblia, quietinha com seus ensinamentos
. O inimigo de Deus usa pessoas como essas que querem manchar a verdade Biblica
. Porque estes cientistas não dão uma chegadinha na parte do deserto onde estão as inscrições antigas sobre a travessia do mar vermelho, em pedras, é na parte onde os turistas não vão
. Penso que o povo de Deus tem que ficar bastante atento com resultados dessas pesquisas que tem sido feitas, na minha opinião essas afirmações vai aumentar cada vez mais, qual o objetivo é fazer que muitos cristão comece a duvidar de tudo , que esta por traz disso tudo nos sabemos é o inimigo.
. Tudo o que está escrito na Bíblia é verdade, sem tirar e nem acrescentar uma vírgula sequer. Estes cientistas mentirosos e herejes deveriam sim, é dedicar suas pesquisas em algo útil, como a cura de doenças como o câncer, ou quem sabe, achar solução para o aquecimento global
. A ciência ainda tá fria, muito fria, ela acredita que o homem foi a lua e que planetas existem, e que ha matéria no espaço, o homem ainda nem se conhece, não conhece a Terra, imagine conhecer o NADA (luz). Moises existiu sim.
. Existem inúmeros livros que trabalham a infabilidade e inerrância das Escrituras Sagradas. Por que a mídia nunca procura esses autores?
. Penso que não devemos discutir algo tão grandioso como Deus e sua palavra
. Bem que hoje estava sentindo um CHEIRINHO de ENXÔFRE, era o HÁLITO dos ATEUS!
. Os cientistas buscam, a toda força diga-se de passagem, descaracterizar, ou ainda pior, pormenorizar os fatos bíblicos que contam a história não só dos hebreus, como de toda humanidade. Nunca vão conseguir.CREMOS NA BIBLIA SIM. O QUE NÃO CREMOS É QUE VIEMOS DO MACACO.NUNCA VI MACACO VIRAR GENTE!!
. ATEUS!!! ELE pedirá: Dá conta da sua ADMINISTRAÇÃO!!!
. Pessoal... essa matéria não tem outro objetivo a não ser levantar `polêmica` e chamar a atenção p/ alguns cientistas desocupados... vão pesquisar a cura para doenças que estão matando as pessoas... vão pesquisar meios de acabar com a fome... a ciência sequer conseguiu provar que existiu a evolução...
. Os que creêm em Deus devem saber que a verdade divina não pode ser abalada nem mesmo pela maior prova humana. Para mim, creio em uma ciência que comprova a verdade de Deus. Firmem-se vocês tb.
. O que estou vendo nestes estudos, é, mais uma tentativa de desacreditar os textos sagrados da bíblia, que é a palavra de DEUS, e isto é próprio de quem sabe que esta derrotado e tenta de todas as maneras desviar a mente das pessoas. A bíblia não precisa de defensor ela é palavra de DEUS.
. Até hoje a ciencia sempre pos em prova a veracidade da Biblia. Até agora nao tem conseguido provar sequer um erro em seus fatos e dados historicos. Admiro muito um sacerdote que se diz professor de AT duvidar dos relatos Biblicos, apenas pelo metodo da induçao filosofica. Tenho duvida de sua fé.
. Essas pesquizas são financiadas por Satanás afim de confundir as pessoas e enfraquecer a crença em Deus. Esse tipo de matéria deveria ser censurado. Afinal de quem seria o interesse em desmistificar a Bíblia?
. "Ai daquele que acrecentar um til nas escrituras sagradas". diz a 'biblia' a palavra de Deus


Atualização: 21.04.2008 - 22h43
Nos dias 20 e 21 foram publicados 497 comentários de leitores sobre o artigo... Já tive a honra de ser esculhambado por vários fundamentalistas! Aliás, a tônica fundamentalista predomina. É um reverbério fascinante! E trágico, constato mais uma vez.

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