Observatório Bíblico

Segunda-feira, Abril 28, 2008

Estudos reeditados que merecem ser lidos

JAMIESON-DRAKE, D. Scribes and Schools in Monarchic Judah: A Socio-Archaeological Approach. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008, 240 p. - ISBN 9781906055486. Publicação prevista para julho de 2008.
This highly original study locates the question of scribes and scribal schools in monarchic Judah in a socio-archaeological context. It departs from earlier studies by assigning priority to interpreting archaeological data within a broad interdisciplinary framework before trying to assess biblical and epigraphic sources. The book provides an analysis of data on settlement, public works, and luxury items in order to produce an archaeologically based picture of the development of state level administrative systems in Judah. The study questions the consensus that the Judahite monarchy became a state at some point in the tenth century BCE. The evidence for the increase in population, building, production, centralization and specialization in the eighth century suggests that Judah did not function as a state before the eighth century BCE. This incisive study challenges the assumption of widespread literacy and the traditional picture of the development of the Judahite monarchy. This volume is a reprint of the 1991 edition with a new preface by Robert B. Coote and Keith W. Whitelam setting the work in the context of recent debates on the history of ancient Israel. David Jamieson-Drake is Director of Institutional Research at Duke University, Durham, North Carolina.


COOTE, R. B.; WHITELAM, K. W. The Emergence of Early Israel in Historical Perspective. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008, 220 p. - ISBN 9781906055455. Publicação prevista para julho de 2008.
This highly original study takes a panoramic view of history in order to set the emergence of Israel in the broadest possible perspective. It begins with a study of the nature of historywriting and the increasing problems involved in utilizing the biblical text for historical reconstruction. The authors suggest an alternative approach which assigns priority to interpreting archaeological data within a broad interdisciplinary framework. The book provides a broad overview of settlement patterns and social relations throughout Palestinian history from the middle of the third millennium BCE to the present day in order to illustrate how the emergence of Israel in the early Iron Age fits into the march of time. Archaeological evidence for the appearance of dispersed settlements in the highlands and steppes of Palestine at the beginning of the early Iron Age followed by the rapid centralization of this area suggests that Israel emerged within Palestine in response to the decline in east Mediterranean trade at the end of the Late Bronze Age. The development of an Israelite monarchy is seen as being inextricably linked to the factors involved in Israel's emergence-as distinct from much previous research which has presented the monarchy as alien to the origins of Israel. This volume is a reprint of the 1987 edition with a new preface by Robert B. Coote and Keith W. Whitelam setting the work in the context of recent debates on the history of ancient Israel. Robert B. Coote is Nathaniel Gray Professor of Hebrew Exegesis and Old Testament at San Francisco Theological Seminary and the Graduate Theological Union. Keith W. Whitelam is Professor of Biblical Studies in the University of Sheffield.

Robert B. Coote e Keith W. Whitelam vêem as origens de Israel como parte de um processo de integração milenar entre as regiões das cidades e as regiões das montanhas. Processo que pode ser chamado de 'realinhamento' ou 'transformação', pois nos períodos de prosperidade as regiões das montanhas providenciavam recursos para as cidades dos vales, enquanto que nos momentos das crises elas absorviam as populações que deixavam tais cidades. No surgimento de Israel o colapso do comércio foi o fator mais significativo, segundo estes autores, pois colocou em crise a sobrevivência das cidades e exigiu dos povoados das montanhas uma forma mais eficaz de colaboração e cooperação para a sobrevivência, levando a um aumento populacional significativo. Com o desenvolvimento destas regiões o comércio foi recuperado, promovendo mais tarde o aparecimento do Estado.

HOPKINS, D. C. The Highlands of Canaan: Agricultural Life in the Early Iron Age. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2008, 330 p. - ISBN 9781906055462. Publicação prevista para setembro de 2008.
In this masterly survey of the agricultural way of life and material world of late second millennium Canaan and emergent Israel, Hopkins asks, What obstacles did the Early Iron Age settlers of the Highlands face in their struggle for survival? How did they buffer the immense variability of their environment and take advantage of its natural diversity? How crucial were their particular social structures to their continued survival? The author’s researches into the dynamics of agricultural systems attested in ethnographic and anthropological sources constantly undergird the development of his picture. His work has proved to be a mandatory resource for all students of early Israel. Contents: the parameters of agricultural systems (e.g. environment, technology and population); geomorphology; climate and climatic change; natural vegetation and soils; population and settlement patterns; water conservation and control; soil conservation and fertility maintenance; risk spreading and the optimization of labor. This volume is a reprint of the 1985 edition, with a new preface by Keith W. Whitelam setting the work in the context of recent research on agriculture, daily life and the history of ancient Israel. David Hopkins is Professor of Archaeology and Biblical Interpretation, Wesley Theological Seminary, Washington, DC.

David C. Hopkins faz neste livro uma avaliação detalhada da agricultura na região montanhosa da Palestina na Idade do Ferro I (1200-900 a.C.), observando que o desenvolvimento social aconteceu junto com a intensificação do cultivo da terra. Para Hopkins, estas pessoas desenvolveram um sistema de colaboração ao nível de clã e de famílias, o que lhes permitia uma integração de culturas agrícolas com a criação de animais, evitando, deste modo, os desastres comuns a que uma monocultura estava sujeita nestas regiões tão instáveis, especialmente em recursos hídricos. Hopkins valorizou mais o sistema cooperativo baseado no parentesco do que o uso de técnicas como terraços, cisternas e o uso do ferro para explicar o sucesso destes assentamentos agrícolas. Para Hopkins, diferentes unidades clânicas e tribais israelitas devem ter surgido a partir de diferentes atividades agrícolas.

Leia Mais:
A Teoria da Evolução Pacífica e Gradual
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Domingo, Abril 20, 2008

O Exodo do Egito: da Biblia à arqueologia

Moisés pode não ter existido, sugere pesquisa arqueológica - Reinaldo José Lopes - Do G1, em São Paulo: 20/04/2008 - 09h00
Escavações e inscrições mostram que povo de Israel se originou dentro da Palestina. História sobre libertação do Egito teria influência de interesses políticos posteriores.

Leia... eu também estou por lá!

Leia ainda:
Bíblia abriga duas versões contraditórias da criação do mundo - Reinaldo José Lopes - Do G1, em São Paulo: 06/04/2008 - 09h00 - Atualizado em 07/04/2008 - 10h53

Obs.: Não deixe de ler os comentários feitos pelos leitores: há uma fartura de posições fundamentalistas! Seria até divertido... se não fosse trágico!

Outros temas bíblicos? Experimente clicar aqui.

Atualização: 01/05/2008 - 23h15
Em Biblical Studies Carnival XXIX, publicado hoje, diz Jim West sobre este post:

"Airton Jose da Silva points to an interesting assertion- that archaeology proves that Moses didn’t exist. Enjoy, if you dare. But be forewarned, archaeology cannot prove a negative".

Jim alerta que a arqueologia não pode provar uma negativa. Perfeito. Só que o artigo é do Reinaldo José Lopes, do G1, canal de notícias do sistema Globo, e tem por título Moisés pode não ter existido, sugere pesquisa arqueológica.

Que não deve ser entendido, obviamente, como archaeology proves that Moses didn’t exist [arqueologia prova que Moisés não existiu], mas archaeology suggests that Moses didn’t exist [arqueologia sugere que Moisés não existiu]. Leia mais aqui.

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Quarta-feira, Março 05, 2008

Enquete - Poll: A Biblia e seu tempo

Criei na Ayrton's Biblical Page duas enquetes sobre este fabuloso documentário. Foi no dia 28 de fevereiro.

Pergunto:
  • Você já viu o documentário "A Bíblia e seu tempo"?
  • O documentário em DVD "A Bíblia e seu tempo" é baseado na obra de:
Acho que pouca gente está votando. Ou pior: será que tão pouca gente viu o documentário?

Garanto que o documentário vale a pena.

E não se esqueça: tenha ou não visto, vote na enquete!

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Segunda-feira, Março 03, 2008

Pode uma Historia de Israel ser escrita?

Nos últimos dias fiz uma revisão e atualização de toda a bibliografia de meu artigo sobre o pensamento de alguns participantes do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica.

The article proposes to investigate the more important publications of some members of the European Seminar on Historical Methodology, and to define their position in the current research of the "History of Israel".

Confira: Pode uma 'História de Israel' ser escrita? Observando o debate atual sobre a História de Israel. Na Ayrton's Biblical Page. Além da bibliografia espalhada ao longo do texto, a lista de livros citados pode ser acessada facilmente no final do artigo.

Todas as obras estão com links para editoras e livrarias online. Além disso, coloquei o número de páginas e o ISBN de cada livro. Com o ISBN, o leitor pode facilmente encontrar a obra através do seu identificador exclusivo.

ISBN é a sigla para International Standard Book Number ou Número Padrão Internacional de Livro.

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Sábado, Fevereiro 09, 2008

Historia de Israel 2008: o que sabemos?

Chegou ontem, enviado pela Amazon.com, o meu exemplar do livro de GRABBE, L. L. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It? London: T & T Clark, 2007, xx + 306 p. - ISBN 9780567032546.

O Antigo Israel: o que sabemos e como sabemos?

Lester Grabbe chegou bem no momento em que estou para começar o meu curso de História de Israel 2008. Que passo a descrever abaixo. Observo que as novidades em relação ao ano passado estão sobretudo na bibliografia.

Este curso de História de Israel compreende 4 horas semanais, com duração de um semestre, o primeiro dos oito semestres do curso de Teologia. Aos alunos são distribuídos um roteiro impresso do curso e um CD com os roteiros de todos as minhas disciplinas do ano em curso. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas da Faculdade e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel desde suas origens até o século I d.C.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica vétero-testamentária produzida no período.


III. Conteúdo Programático

1. Noções de geografia do Antigo Oriente Médio
  • O Crescente Fértil
  • A Mesopotâmia
  • A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 a.C.
  • A Síria e a Fenícia
  • A Palestina
2. As origens de Israel
  • A teoria da conquista
  • A teoria da instalação pacífica
  • A teoria da revolta
  • A teoria da evolução pacífica e gradual
3. Os governos de Saul, Davi e Salomão
  • Nascimento e morte da monarquia a partir dos textos bíblicos
  • A ruptura do consenso
  • As fontes: seu peso, seu uso
  • Dois exemplos de fontes primárias: as estelas de Tel Dan e de Merneptah
  • A questão teórica: como nasce um Estado antigo?
  • As soluções de Lemche e Finkelstein & Silberman
4. O reino de Israel
  • Israel de Jeroboão I a Jeroboão II
  • A Assíria vem aí: para Israel é o fim
  • As conclusões de Finkelstein & Silberman
5. O reino de Judá
  • Os Reis de Judá
  • A reforma de Ezequias e a invasão de Senaquerib
  • A reforma de Josias e o Deuteronômio
  • Os últimos dias de Judá
  • Por que Judá caiu?
6. A época persa e as conquistas de Alexandre
  • A situação da Grécia e a política macedônia
  • As conquistas de Alexandre Magno (356-323 a.C.)
  • Quem é Alexandre Magno?
  • A anexação da Judéia por Alexandre
  • A situação da Judéia no momento da anexação
7. Os Ptolomeus governam a Palestina
  • Os Diádocos lutam pela herança de Alexandre
  • A situação da Palestina de 323 a 301 a.C.
  • As guerras sírias entre Ptolomeus e Selêucidas
  • Alexandria e os judeus
  • O governo dos Ptolomeus
  • A administração ptolomaica da Palestina
8. Os Selêucidas: a helenização da Palestina
  • O governo de Antíoco III, o Grande
  • Antíoco IV e a proibição do judaísmo
  • As causas da helenização
9. Os Macabeus I: a resistência
  • Matatias e o começo da revolta
  • A luta de Judas Macabeu (166-160 a.C.)
  • Jônatas, o primeiro Sumo Sacerdote Macabeu (160-143 a.C.)
10. Os Macabeus II: a independência
  • Simão consegue a independência da Judéia
  • João Hircano I e as divisões internas dos judeus
  • Aristóbulo I e a reaproximação com o helenismo
  • Alexandre Janeu, o primeiro rei macabeu
  • Salomé Alexandra e o poder dos fariseus
  • Aristóbulo II e a intervenção de Pompeu
11. O domínio romano
  • A “Pax Romana” chega a Jerusalém
  • O sistema sócio-econômico da Palestina no século I d.C.
  • A organização político-religiosa da Palestina
IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. A história de Israel na pesquisa atual. In: História de Israel e as pesquisas mais recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. 181 p. - ISBN 8532628281, p. 43-87.

DONNER, H. História de Israel e dos povos vizinhos. 2v. 4. ed. São Leopoldo: Sinodal/Vozes, 2006, 535 p. - ISBN vol. I:8523304649; ISBN vol. II:8523304657.

FINKELSTEIN, I.; SILBERMAN, N. A. A Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003, 515 p. - ISBN 8589876187. Apresentação e resenha na Ayrton's Biblical Page.


Complementar
BRIEND, J. (org.) Israel e Judá: textos do Antigo Oriente Médio. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1997, 104 p. - ISBN 8534905908.

CURTIS, A. Oxford Bible Atlas. 4. ed. New York: Oxford University Press, 2007, 224 p. - ISBN 9780191001581.

DA SILVA, A. J. A história de Israel na pesquisa atual. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 71, p. 62-74, 2001. Artigo disponível online.

DA SILVA, A. J. A história de Israel no debate atual. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. A origem dos antigos Estados israelitas. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 78, p. 18-31, 2003.

DA SILVA, A. J. Manuscritos do Mar Morto: recursos para estudo. Disponível no Observatório Bíblico.

DA SILVA, A. J. Manuscritos do Mar Morto: resenhas na RBL. Indicações no Observatório Bíblico.

DA SILVA, A. J. Observatório Bíblico: Marcador “Geografia”.

DA SILVA, A. J. O Pentateuco e a História de Israel. In: Teologia na pós-modernidade. Abordagens epistemológica, sistemática e teórico-prática. São Paulo: Paulinas, 2003, 496 p. - ISBN 853561110X, p. 173-215.

DA SILVA. A. J. Os essênios: a racionalização da solidariedade. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. Pode uma ‘História de Israel’ ser escrita? Observando o debate atual sobre a história de Israel. Artigo na Ayrton's Biblical Page.

DA SILVA, A. J. The History of Israel in the Current Research. Journal of Biblical Studies 1:2, Apr.-Jun. 2001. Artigo online.

DAVIES, P. R. In Search of ‘Ancient Israel’. London: T. & T. Clark, [1992] 2005, 166 p. - ISBN 9781850757375.

FINKELSTEIN, I.; MAZAR, A. The Quest for the Historical Israel: Debating Archaeology and the History of Early Israel. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007, 220 p. - ISBN 9781589832770.

FINKELSTEIN, I.; SILBERMAN, N. A. David and Solomon: In Search of the Bible's Sacred Kings and the Roots of the Western Tradition. New York: The Free Press, 2006, 352 p. - ISBN 9780743243629.

GARCÍA MARTÍNEZ, F. Textos de Qumran: edição fiel e completa dos Documentos do Mar Morto. Petrópolis: Vozes, 1995, 582 p. - ISBN 8532612830.

GRABBE, L. L. A History of the Jews and Judaism in the Second Temple Period: Vol 1, A History of the Persian Province of Judah. London: T & T Clark, 2006, 496 p. - ISBN 9780567043528.

GRABBE, L. L. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It? London: T & T Clark, 2007, xx + 306 p. - ISBN 9780567032546.

HORSLEY, R. A. Arqueologia, história e sociedade na Galiléia: o contexto social de Jesus e dos Rabis. São Paulo: Paulus, 2000, 196 p. - ISBN 8534915679.

KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judéia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, 1997, 184 p. ISBN 9788505006796. Resumo no Observatório Bíblico.

LIVERANI, M. Oltre la Bibbia: storia antica di Israele. 6. ed. Roma-Bari: Laterza, 2007, 526 p. - ISBN 9788842070603 (em espanhol: Más allá de la Biblia: historia antigua de Israel. Barcelona: Editorial Crítica, 2005). Apresentação na Ayrton's Biblical Page.

LONG, V. P. (ed.) Israel's Past in Present Research: Essays on Ancient Israelite Historiography. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1999, xx + 612 p. - ISBN 9781575060286.

LOWERY, R. H. Os reis reformadores: culto e sociedade no Judá do Primeiro Templo. São Paulo: Paulinas, 2004, 351 p. - ISBN 8535612912.

MAZAR, A. Arqueologia na terra da Bíblia: 10.000 - 586 a.C. São Paulo: Paulinas, 2003, 558 p. - ISBN 8535610316.

MOORE, M. Philosophy and Practice in Writing a History of Ancient Israel. London: T &T Clark, 2006, 205 p. - ISBN 9780567029812.

MOREGENZTERN, I.; RAGOBERT, T. A Bíblia e seu tempo - um olhar arqueológico sobre o Antigo Testamento. 2 DVDs. Documentário baseado no livro The Bible Unearthed, de Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman. São Paulo: História Viva - Duetto Editorial, 2007. Mais informações no Observatório Bíblico.

PEREGO, G. Atlas bíblico interdisciplinar. São Paulo: Paulus/Santuário, 2001, 124 p. - ISBN 8572007512.

PIXLEY, J. A história de Israel a partir dos pobres. 9. ed. Petrópolis: Vozes, 2004, 136 p. - ISBN 8532602827.

ROAF, M. Mesopotâmia e o Antigo Médio Oriente. 2v. Madrid: Edições del Prado, 1996.

ROGERSON, J. Bíblia: Os caminhos de Deus. 2v. Madrid: Edições del Prado, 1996.

VV.AA. Recenti tendenze nella ricostruzione della storia antica d'Israele. Roma: Accademia Nazionale dei Lincei, 2005, 202 p. - ISBN 8821809331.

WILLIAMSON, H. G. M. (ed.), Understanding the History of Ancient Israel. Oxford: Oxford University Press, 2007, 452 p. - ISBN 9780197264010. Disponível online.

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Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

A Biblia e seu tempo: coisa rara no Brasil

Acabei de ver, pela primeira vez, os dois DVDs de A Bíblia e seu tempo - um olhar arqueológico sobre o Antigo Testamento.

Que, como todo mundo já sabe, é o documentário que a Revista História Viva, da Duetto Editorial, acabou de lançar. E que é baseado no livro de Finkelstein/Silberman, The Bible Unearthed.

Ora, se você leciona História de Israel ou trabalha com qualquer disciplina bíblica ou apenas quer aprender mais... o que está esperando? Corra e compre. É coisa rara e extraordinária sair algo tão qualificado assim por aqui.

Sabe o que é estudar História de Israel guiado por Israel Finkelstein, Neil Asher Silberman, Thomas Römer, Jacques Briend, Donald B. Redford, Amihai Mazar, John Van Seters, David Ussishkin e outros... todos especialistas de renome em arqueologia, história ou exegese?

Vou ver o documentário mais uma vez. Dura cerca de três horas e meia, mas estou pensando seriamente em escrever uma resenha sobre ele.

Recomendo o documentário aos meus colegas, claro, e aos meus alunos de História de Israel (Primeiro Ano) e Literatura Deuteronomista (Segundo Ano), nem é preciso dizer, com insistência e urgência, pois já em fevereiro estaremos tratando disso em sala de aula...

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Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

Livro online sobre Historia de Israel

No site da British Academy está disponível online o volume 143 dos Proceedings of the British Academy para ser lido ou baixado gratuitamente:



WILLIAMSON, H. G. M. (ed.), Understanding the History of Ancient Israel. Oxford: Oxford University Press, 2007, 452 p. - ISBN 9780197264010.




Diz a editora:
In recent years the study of the history of Ancient Israel has become very heated. On the one hand there are those who continue to use the Bible as a primary source, modified and illustrated by the findings of archaeology, and on the other there are some who believe that primacy should be given to archaeology and that the Biblical account is then seen to be for the most part completely unreliable in historical terms. This volume makes a fresh contribution to this debate by inquiring into the appropriate methods for combining different sorts of evidence-archaeological, epigraphical, iconographical, as well as Biblical. It also seeks to learn from related historical disciplines such as classical antiquity and early Islamic history, where similar problems are faced. The volume features contribution from a strong team of internationally distinguished scholars, frequently in debate with each other, in order to ensure that there is a balance of opinion. Chapters focus on the ninth century BCE (the period of the Omri dynasty) as a test case, but the proposals are of far wider application. The result is a work which brings together in mutually respectful dialogue the representatives of positions which are otherwise in danger of talking across one another. This volume will be essential reading for students and scholars of the Bible, as well as being of great interest to all for whom the Bible is a work of fundamental importance for religion and culture.



Veja o Sumário (Contents):

:: H. G. M. Williamson, Regius Professor of Hebrew, University of Oxford and Student, Christ Church; Fellow of the British Academy
Preface; List of Abbreviations xiii-xx


:: J. W. Rogerson, Emeritus Professor of Biblical Studies, University of Sheffield
Setting the Scene: A Brief Outline of Histories of Israel 3-14


:: Keith W Whitelam, Professor of Biblical Studies, University of Sheffield
Setting the Scene: A Response to John Rogerson 15-23


:: Hans M Barstad, Professor of Hebrew and Old Testament, University of Edinburgh
The History of Ancient Israel: What Directions Should We Take? 25-48


:: Philip R. Davies, Emeritus Professor of Biblical Studies, University of Sheffield
Biblical Israel in the Ninth Century? 49-56


:: Lester L. Grabbe, Professor of Hebrew Bible and Early Judaism, University of Hull
Some Recent Issues in the Study of the History of Israel 57-67


:: T. P. Wiseman, Emeritus Professor of Classics and Ancient History, University of Exeter
Classical History: A Sketch, with Three Artefacts 71-89


:: Chase F. Robinson, Lecturer in Islamic History, University of Oxford
Early Islamic History: Parallels and Problems 91-106


:: Amélie Kuhrt, Professor of Ancient Near Eastern History, University College London
Ancient Near Eastern History: The Case of Cyrus the Great of Persia 107-127


:: David Ussishkin, Emeritus Professor of Archaeology, University of Tel Aviv
Archaeology of the Biblical Period: On Some Questions of Methodology and Chronology of the Iron Age 131-141


:: Amihai Mazar, Professor of Archaeology, Hebrew University of Jerusalem
The Spade and the Text: The Interaction between Archaeology and Israelite History Relating to the Tenth–Ninth Centuries BCE 143-171


:: Christoph Uehlinger, Professor of the History of Religions, University of Zurich
Neither Eyewitnesses, Nor Windows to the Past, but Valuable Testimony in its own Right: Remarks on Iconography, Source Criticism and Ancient Data-processing 173-228


:: M. J. Geller, Department of Hebrew and Jewish Studies, University College London
Akkadian Sources of the Ninth Century 229-241


:: K. Lawson Younger Jr, Professor of Old Testament, Semitic Languages and Ancient Near Eastern History, Trinity International University
Neo-Assyrian and Israelite History in the Ninth Century: The Role of Shalmaneser III 243-277


:: André Lemaire, Directeur d'études, École Pratique des Hautes Études, Paris
West Semitic Inscriptions and Ninth-Century BCE Ancient Israel 279-303


:: Marc Zvi Brettler, Dora Golding Professor of Biblical Studies, Brandeis University
Method in the Application of Biblical Source Material to Historical Writing (with Particular Reference to the Ninth Century BCE) 305-336


:: Graeme Auld, Professor of Hebrew Bible, University of Edinburgh
Reading Kings on the Divided Monarchy: What Sort of Narrative? 337-343


:: Rainer Albertz, Professor für Altes Testament, University of Münster
Social History of Ancient Israel 347-367


:: Bernard S. Jackson, Alliance Family Professor of Modern Jewish Studies, University of Manchester
Law in the Ninth Century: Jehoshaphat's 'Judicial Reform' 369-397


:: Nadav Na'aman, Professor of Jewish History, University of Tel Aviv
The Northern Kingdom in the Late Tenth–Ninth Centuries BCE 399-418



Não perca. Na Amazon.com o livro custa $99.00.

Dica de Jim West.

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Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

A Biblia e seu tempo em DVD

No site da Revista História Viva, publicada pela Duetto, como noticiado em The Bible Unearthed em DVD: agora no Brasil e em A Bíblia e seu tempo, já estão disponíveis os dois DVDs de




Vol. 1: Os patriarcas - O êxodo
Vol. 2: Os reis - "O livro"

Preço de cada DVD: R$ 24,90 + frete. Os DVDs são vendidos também nas bancas.

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Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

A Biblia e seu tempo

No site da Revista História Viva, publicada pela Duetto, como noticiado ontem no post The Bible Unearthed em DVD: agora no Brasil, já está está disponível o primeiro DVD de A Bíblia e seu tempo - um olhar arqueológico sobre o Antigo Testamento.

Preço: R$ 24,90 + frete. Mas, veja também nas bancas.

Trechos dos dois DVDs podem ser vistos no site.


Sobre o conteúdo, diz o site:
De onde veio o povo de Israel? O que realmente sabemos sobre os patriarcas Abrão, Isaac e Jacó? O êxodo realmente aconteceu? Quando e por que o Antigo Testamento foi escrito? Por que a Bíblia registrou tudo isso? A resposta a todas essas questões está na série de dois DVDs que História Viva traz com exclusividade ao Brasil. O documentário apresenta pesquisas arqueológicas realizadas em Israel, na Jordânia e no Egito, além de estudos realizados na Suíça, França e Estados Unidos. Em um trabalho de dez anos de investigação, os pesquisadores Israel Finkelstein, do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv, e o arqueólogo e historiador Neil Silberman, ambos autores do best-seller A Bíblia não tinha razão [The Bible Unearthed], revelam quais são as evidências históricas por trás dos textos sagrados.

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Domingo, Dezembro 16, 2007

The Bible Unearthed em DVD: agora no Brasil

Em 2 de novembro de 2006 escrevi o post The Bible Unearthed de Finkelstein e Silberman vira filme. Releia, por favor.

Depois, leia este outro post, escrito em 18 de janeiro de 2007: Jim West resenha The Bible Unearthed em DVD. Resenha que prossegue aqui, aqui, aqui e aqui.

Ontem recebi de Cláudia A. P. Ferreira, Professora da UFRJ, a notícia de que o documentário foi traduzido para o português e está sendo lançado pela Duetto Editorial em 2 DVDs com o título A Bíblia e seu tempo - um olhar arqueológico sobre o Antigo Testamento.

Além da loja da Duetto, onde estará disponível, o documentário será vendido também nas bancas, pois é parte da revista História Viva.

Por enquanto, é só isso que sei. A data prevista para o lançamento era ontem, mas no site da Duetto não há, ainda, nenhum anúncio. Quando conseguir mais informações, colocarei aqui.

Este será um excelente instrumento para as aulas de História de Israel.

Atualizando: 17.12.2007 - 16h50
O primeiro DVD já está à venda. Clique aqui.

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Quinta-feira, Outubro 04, 2007

Congresso Internacional de Assiriologia de 2008

O Qüinquagésimo Quarto Congresso Internacional de Assiriologia será realizado em Würzburg, Alemanha, de 21 a 25 de julho de 2008. O tema: Organization, Representation and Symbols of Power in the Ancient Near East.

Veja o programa, os participantes, as palestras na página do Congresso (em alemão, inglês e francês), que diz:
We are honored to invite you to Würzburg for the 54e Rencontre Assyriologique Internationale. The convention will take place July 21-25, 2008, in the facilities of the University of Würzburg. The Department for Ancient Near Eastern Studies of the Julius-Maximilians-Universität Würzburg is responsible for the coordination.

Aproveite e visite a Homepage do Rencontre Assyriologique Internationale - Congresso Internacional de Assiriologia -, que lista os congressos já realizados e futuros.

Via ANE-2.

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Terça-feira, Setembro 04, 2007

Toda a Historia de Israel caberia em dez páginas

Philip Davies afirma, em artigo publicado por The Expository Times 2007 119: 15-21, The History of Ancient Israel and Judah, que uma história política do Antigo Israel, que preencha os requisitos da moderna historiografia, caberia em apenas dez páginas. Mas isto teria um custo: o abandono da Bíblia, o produto cultural mais importante (de Israel)...

“… [a] modern political history of Ancient Israel [which would] satisfy modern criteria of history writing … might stretch to ten pages. But the cost is to abandon the most important historical product, the Bible, and to leave it without explanation.”

Coloque este trecho do artigo no contexto da dificuldade em identificar o Israel bíblico com o Israel histórico, já discutido por Philip R. Davies em seu livro In Search of 'Ancient Israel', e a polêmica afirmação começa a ficar mais clara.

E não se esqueça dos dois livros de Philip Davies que serão publicados em breve.

Cito o resumo do artigo The History of Ancient Israel and Judah de Philip R. Davies, publicado por The Expository Times, Edimburgo, Escócia:
Writing a `history of Israel' is a task that is vastly different to writing history of modern events, yet this distinction is often not recognized. There are limitations in the written sources, the archaeological record is unable to locate a `biblical Israel' in differentiation from the various cultures that inhabited Palestine in the same period and the bible itself was written with a particular theological agenda many centuries after the events it purports to report. Rather what is preserved in the biblical texts is a collection of snapshots of how Israel has been remembered. This `cultural history' allows for the appropriation of the stories of communities of faith. It is within such layers of memory that the resources can be found to refashion the understanding of the biblical story in a way that finds meaning for successive generations.

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Sexta-feira, Agosto 31, 2007

Egiptologia no Brasil

Está na ANBA - Agência de Notícias Brasil-Árabe, assinada por Isaura Daniel, a seguinte notícia: Egiptólogos brasileiros se reúnem em Curitiba.

"Pesquisadores brasileiros vão dividir a partir de hoje (30), em Curitiba, os seus conhecimentos a respeito do Egito Antigo. Até o sábado (01) o Centro Universitário Campos de Andrade (Uniandrade) vai receber egiptólogos e estudiosos do assunto vindos de várias partes do Brasil. Eles vão participar do 2° Encontro Nacional de Estudos Egiptológicos. O tema será a religião no cotidiano do Egito Antigo. Segundo o coordenador do encontro, Moacir Elias Santos, são esperadas cerca de 150 pessoas. Serão abordados, por exemplo, como os faraós associavam sua propaganda política à religião, o culto aos animais que ocorria na época e os textos dos sarcófagos, antigas tumbas. Também farão parte dos painéis temas extras ao assunto principal, como a herança dos obeliscos egípcios na atualidade, elementos das charges e caricaturas egípcias na imprensa brasileira e a presença do Egito Antigo na literatura infanto-juvenil. De acordo com Santos, que também é professor adjunto e responsável pela disciplina de História Antiga e Arqueologia do curso de História da Uniandrade, o encontro terá como conferencistas grandes autoridades em egiptologia, como Juan José de Castilhos, do Instituto Uruguaio de Egiptologia, e Maurício Elvis Schneider, do Círculo Brasileiro de Egiptologia. Participarão do encontro como palestrantes especialistas de universidades dos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná".

Leia a notícia completa. Versão em inglês: Egyptologists from Brazil to meet in Curitiba.

Agradeço a Andie, do Egyptology News, pela dica.

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Quinta-feira, Agosto 30, 2007

Debate entre Finkelstein e Mazar em livro

Está para sair em livro, agora em setembro de 2007, o debate entre os arqueólogos Israel Finkelstein e Amihai Mazar ocorrido em outubro de 2005 no International Institute for Secular Humanistic Judaism - IISHJ - de Farmington Hills, MI, USA.

FINKELSTEIN, I.; MAZAR, A. The Quest for the Historical Israel: Debating Archaeology and the History of Early Israel. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007, 220 p. ISBN 9781589832770.


Three decades of dialogue, discussion, and debate within the interrelated disciplines of Syro-Palestinian archaeology, Israelite history, and Hebrew Bible on the question of the relevance of the biblical account for reconstructing early Israel's history have created the need for a balanced articulation of the issues and their prospective resolutions. This book brings together for the first time and under one cover, the currently emerging "centrist" paradigm as articulated by Israel Finkelstein and Amihai Mazar, two leading figures in the field of early Israelite history and archaeology. Although these two authors advocate distinct views of early Israel's history, they nevertheless share the position that the material cultural data, the biblical traditions, and the ancient Near Eastern written sources are all significantly relevant to the historical quest for Iron Age Israel. The results of their research are featured here in accessible, parallel syntheses of the historical reconstruction of early Israel with the aim of facilitating comparison and contrast of their respective interpretations. The two histories presented in Quest are based on invited lectures the authors delivered in October 2005 at the International Institute for Secular Humanistic Judaism's Sixth Biennial Colloquium in Detroit, Michigan.

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Quinta-feira, Julho 26, 2007

Religião e formação de classes... - Bibliografia

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa
>> Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias
>> Capítulo 5: Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade
>> Capítulo 6: Apresentação de sociedades asiáticas em etnografia helenística
>> Capítulo 7: A evolução de um domínio sem tradições na Judéia e a revolta crescente contra ele
>> Capítulo 8: Estabelecimento da antiga relação de classes na Judéia
>> Capítulo 9: Oposição da religião à política


Bibliografia
> A bibliografia, quando possível, foi atualizada e traduções para o português, quando encontradas, foram preferidas nas citações. O ISBN - International Standard Book Number ou Número Padrão Internacional de Livro - sendo encontrado, será citado, pois facilita a busca pelo livro. Nesta bibliografia, com duas exceções, são citados apenas autores mencionados no resumo. No livro a bibliografia ocupa as páginas 167-173.

BACHOFEN, J. J. Der Mythus von Orient und Occident: eine Metaphysik der alten Welt. München: Beck, 1956.

CAUSSE, A. Du groupe ethnique à la communauté religieuse: le problème sociologique de la religion d'Israël. Paris: Librairie Félix Alcan, 1937.

DROYSEN, J. G. Geschichte des Hellenismus. München: Deutscher Taschenbuch Verlag, 1986. ISBN 9783423059763

DURKHEIM, E. Da divisão do trabalho social. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004. ISBN 853361022X

EDDY, S. K. The King is Dead: Studies in the Near Eastern Resistance to Hellenism 334-31 B.C. Lincoln: University of Nebraska Press, 1961.

FORTES, M. Kinship and the Social Order: The Legacy of Lewis Henry Morgan. London : Routledge, 2004. ISBN 9780415330091.

FRIED, M. The Evolution of Political Society: An Essay In Political Anthropology. New York: McGraw-Hill, 1967. ISBN 9780075535799.

GARCÍA MARTÍNEZ, F. Textos de Qumran: edição fiel e completa dos Documentos do Mar Morto. Petrópolis: Vozes, 1995.

GODELIER, M. Ökonomische Anthropologie: Untersuchungen z. Begriff d. sozialen Struktur primitiver Gesellschaften. Reinbek (bei Hamburg): Rowohlt, 1982. ISBN 9783499250439.

HENGEL, M. The Zealots: Investigations into the Jewish Freedom Movement in the Period from Herod I Until 70 A.D. London: T & T Clark, 2000. ISBN 9780567293725.

KREISSIG, H. Die sozialen Zusammenhänge des judäischen Krieges: Klassen und Klassenkampf im Palästina des 1. Jahrhunderts v.u. Z. Berlin: Akademie-Verlag, 1970.

LÉVI-STRAUSS, C. As estruturas elementares do parentesco. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. ISBN 8532628583.

MAUSS, M. Ensaio sobre a dádiva. Lisboa: Edições 70, 1989. ISBN 9789724402260.

MEYER, E. Die Entstehung des Judentums: eine historische Untersuchung. Hildesheim: G. Olms, 1987. ISBN 3487009951.

MORGAN, L. H. Ancient Society for Researches in the Lines of Human Progress from Savagery through Barbarism to Civilization. New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 2000. ISBN 9780765806918.

PATAI, R. Sitte und Sippe in Bibel und Orient. Frankfurt am Main: Ner-Tamid-Verlag, 1962.

PEREIRA DE QUEIROZ, M. I. Réforme et révolution dans les sociétés traditionnelles: histoire et ethnologie des mouvements messianiques. Paris : Éditions Anthropos, 1968.

POLANYI, K. Trade and Market in the Early Empires: Economies in History and Theory. New York: The Free Press, 1957.

SAHLINS, M. D. Sociedades tribais. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1974.

SCHOLEM, G. Über einige Grundbegriffe des Judentums. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1996. ISBN 3518133179

THACKERAY, H. St. J./MARCUS, R./WIKGREN, A./FELDMAN, L. H. Josephus I-X, Cambridge: Harvard University Press, 1926-1965.

TOV, E. (ed.) The Dead Sea Scrolls Electronic Library, a CD-Rom edition. Leiden: Brill, 2006. ISBN 9789004150621.

WEBER, M. Ancient Judaism. New York: The Free Press, 1967. ISBN 9780029341308. Original: Das antike Judentum. Max Weber, Gesammelte Politische Schriften. Potsdamer Internet-Ausgabe (texto online).

________ Economia e Sociedade: Fundamentos da Sociologia Compreensiva, Vols. 1 e 2. Brasília: Editora da UnB, 2004. ISBN 852303142X e 8523003908.

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Terça-feira, Julho 24, 2007

Religião e formação de classes na antiga Judéia 9

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa
>> Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias
>> Capítulo 5: Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade
>> Capítulo 6: Apresentação de sociedades asiáticas em etnografia helenística
>> Capítulo 7: A evolução de um domínio sem tradições na Judéia e a revolta crescente contra ele
>> Capítulo 8: Estabelecimento da antiga relação de classes na Judéia


9. Oposição da religião à política

9.1. J. J. BACHOFEN louva a vitória do Ocidente sobre o Oriente nas derrotas de Cartago e Jerusalém.

Obs.: este capítulo vai analisar três metas dos judeus nas suas revoltas contra o domínio helenístico-romano:
. a dos essênios
. a da revolução de Bar Kosiba
. a da libertação dos escravos por dívida

:: Renovação da aliança com Deus
9.2. Segundo o Documento de Damasco, a comunidade essênia rompeu com a ordem social dominante nos séculos II a.C./I d.C. e se organizou internamente segundo princípios alternativos. O princípio constitutivo do grupo de Damasco não era o parentesco, mas a livre união. Importante é que o conteúdo de solidariedade do grupo de parentesco agnático se tornou independente e foi racionalizado em normas éticas, cuja validade fica assegurada através de um pacto.

9.3. A relação com os estrangeiros implica em não fazer nenhum negócio com eles: nada lhes deve ser vendido ou deles comprado. As relações comerciais se limitam à troca.

9.4. O conteúdo das relações sociais com os outros judeus, os de fora do grupo, aparece no Documento como expressão de um mundo que vive de acordo com outra lei. Sua separação dos outros e a sua condenação deles é justificada com o conceito de aliança Iahweh-Israel.

9.5. "Os conceitos religiosos do Manuscrito de Damasco têm pois seu fundamento não numa orientação para aquilo que vem, mas supõem a condição social de uma sociedade de classes e, contrastando com suas instituições impessoais e assimétricas, insistem nas relações pessoais e recíprocas" (p. 147) [Die religiösen Konzepte der Damaskusschrift beruhen daher nicht auf einer Orientierung am Überkommenen, sondern haben die gesellschaftliche Bedingung einer Klassengesellschaft zur Voraussetzung und insistieren kontrafaktisch zu deren unpersönlichen und reziproken Beziehungen].

9.6. Comparando o Documento de Damasco e Qumran (Regra da Comunidade):
. Damasco: pressupõe a propriedade privada e subordina a determinadas regras a circulação e consumo dos produtos; provavelmente se espelha nas regras de distribuição da hierocracia; é uma união de chefes de família
. Qumran: subordina não só a circulação e o consumo, mas também a produção (no campo e na oficina) às regras da comunidade; segue o modelo corporativo do clã (mishpâhâ); é uma comunidade (yhd) muito complexa na sua organização (há uma hierarquia comandada pelos sacerdotes aaronitas)
. Em Qumran as relações internas seguem o princípio do dom e da retribuição, o princípio da reciprocidade, enquanto as relações para fora se reduzem à compra e venda

9.7. O autor conclui:
. o tradicionalismo dos essênios reconstruiu as tradições
. não como leis (nómoi) político-utópicas
. mas com ênfase nos aspectos coletivos da tradição que legitimavam a formação de grupo religioso de concepção corporativa
. e motivaram a resistência à mudança social

> "O interesse dos essênios nas tradições foi determinado tendo como pano e fundo a emancipação da sociedade helenística das tradições coletivistas, e tinha como meta a conservação destas tradições como normas das relações sociais" (p. 150).

:: Restauração de Israel
9.8. G. SCHOLEM (1970) acredita que as idéias apocalípticas dos judeus são em sua essência e origem uma teoria da catástrofe. Eles querem a destruição e a superação da História. O Messias transcende assim as relações sociais e a História.

9.9. M. I. PEREIRA QUEIROZ (1968) diz que todo movimento messiânico tem três elementos:
. coletividade oprimida e descontente
. a esperança na chegada de um enviado de Deus que colocará fim ao tempo de sofrimento
. crença em paraíso que é ao mesmo tempo santo e profano

> Por que surgem estes elementos?
Quando há reciprocidade de condições sócio-econômicas e de sistemas simbólicos político-culturais, nos quais as figuras religiosas tradicionais tomam intensidade messiânica e se tornam motivação de revolta contra o regime dominante

> Por que símbolos tradicionais passam a ser revolucionários?
O exame será baseado na revolta de Bar Kosiba

9.10. O conceito de liberdade era a meta dos três grandes levantes judaicos (Macabeus em 167-142 a.C.; guerra de 66-73 d.C.; revolta de Bar Kosiba em 132-135 d.C.). Os documentos comprovam o que se entendia por liberdade: autonomia política, exercício da justiça, suspensão dos tributos, cobrança dos impostos pelos próprios judeus e cunhagem de moeda própria.

> Mas existe um conceito sicário-zelota de liberdade que é diferente deste: é também religioso: "Israel não pode reconhecer o domínio romano, pois Deus é o seu Senhor" (p. 153). Esta seria uma oposição ao culto aos césares.

9.11. Ao lado do conceito de liberdade existe o de ge'ulla (= resgate da terra) que deve ser traduzido por "reconstrução" ou "restauração". Mas quem a realiza? Iahweh é o goel na literatura bíblica... mas agora Bar Kosiba é o restaurador, segundo os documentos da revolta. "Nos documentos de Bar Kosiba, o símbolo religioso foi adaptado ao político e significa libertação do domínio estrangeiro através de revolta organizada" (p. 155).

9.12. O título de nâsî (= príncipe), aplicado a Bar Kosiba: o senhorio do nâsî se legitima pela obediência às tradições. "O senhor não está acima da lei, e nem como pessoa inteligente é fonte de justiça, mas ele se legitima justamente pela harmonia de suas ordens com as tradições" (p. 156).

> "Também a aceitação do título de nâsî deve-se à dialética das condições político-sociais e aos modelos explicativos da tradição, em cujos processos o título de senhor transmitido tornou-se símbolo do senhorio orientado pela tradição, e expressava a consciência da contradição existente com a estrutura de poder do helenismo" (p. 157).

:: Grito de libertação
9.13. Outro importante conceito é o da proclamação do ano de libertação (Dt 15,2 etc.). O Código de Hammurabi: relação entre anduraru e derôr (= libertação)...

> "A importância de derôr não pode, através de construções literárias artificiais, ser desviada do seu sentido coletivo social. Do mesmo modo como observamos no conceito de ge'ulla, também este conceito serviu para criar regras de solidariedade segmentária e exigências normativas, e com isso dar definição prática ao acontecimento do tempo de salvação. Norma segmentária, e não consolo de culto, torna-se paradigma do tempo de salvação" (p. 163).

:: Resumo
9.14. "O problema principal da história da religião é a relação entre a idéia religiosa e a ação social" (p. 165).

. Os três elementos discutidos se devem à resistência contra relações sociais:
> os essênios: têm "como meta realizar relações de fraternidade, reciprocidade e solidariedade. Assim, a nova sociedade nasce contra a sociedade de classes helenístico-romana (...) Os essênios retomam como motivação desta sociedade a idéia de aliança divina com o grupo de parentesco israelita" (p. 165).

> a revolução de Bar Kosiba: usa a geu'lla como conceito de mudança revolucionária. "A reconstrução de Israel tem em mira uma reviravolta que renova a união pessoal, assegura a solidariedade dos irmãos e realiza uma ordem econômica coletiva" (p. 166).

> a instituição da libertação dos escravos por dívida: "Tornou-se paradigma do tempo de salvação, no qual as relações atuais são medidas e julgadas" (p. 166).

9.15. A observação de M. WEBER (1920) sobre o judaísmo antigo: o sofrimento de um povo e não de indivíduos tornou-se o objeto de esperanças de salvação religiosa. Foi a tradição religiosa que serviu como elemento crítico face às situações novas criadas pela helenização, fazendo da salvação o direito dos oprimidos.

9.16. O cristianismo primitivo:
. supõe, como Qumran, a crise da organização israelita tradicional da solidariedade, abalada pela entrada da propriedade privada e pela apropriação do excedente
. mas, diferente de Qumran, o cristianismo primitivo não se segregou num resto fiel e nem partiu para uma revolução política
. o cristianismo "transferiu para mais tarde a crise da lealdade ao parentesco" (p. 166), diz o autor citando Mt 19,29. "O cristianismo primitivo contradisse ao mesmo tempo conteúdos essenciais da tradição judaica e fez da decisão subjetiva a base da ação" (p. 166).

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 8

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa
>> Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias
>> Capítulo 5: Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade
>> Capítulo 6: Apresentação de sociedades asiáticas em etnografia helenística
>> Capítulo 7: A evolução de um domínio sem tradições na Judéia e a revolta crescente contra ele


8. Estabelecimento da antiga relação de classes na Judéia

8.1. A conclusão a que se chegou até aqui é a de que sob o controle romano a base do domínio não era mais a tradição, mas o direito abstrato. Como aprofundar esta conclusão? Pesquisando a alteração das instituições sociais nesta época romana. Documentos: documentos de Murabba'at (encontrados no deserto de Judá e que foram levados para lá pelos partidários da revolta de Bar Kosiba entre 132-135 d.C.), NT e tradição tanaíta (os Tannaim são os rabinos que escreveram a Mishnah no séc. II d.C.).

:: Da fiança ao arremate da propriedade
8.2. O direito de hipoteca se baseava na regra da penhora (= ‘ârab): o devedor insolvente tem que trabalhar para seu credor (= escravidão por dívida - 6 anos) ou entregar seus bens para pagar a dívida: isto funcionava no tempo de Neemias. Qumran ainda conhece este direito: 1Q22 III 4-6; 11QMelquisedec e 4QOrdb 513.

8.3. A literatur