Observatório Bíblico

Sexta-feira, Maio 02, 2008

Colóquio sobre Narrativa e Exegese Bíblica

Edições Loyola e Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, São Paulo, convidam professores e pós-graduandos em Bíblia para um colóquio com André Wénin sobre Narrativa e Exegese Bíblica.

Este evento, que é gratuito, acontecerá no dia 19 de maio de 2008, às 14h00, na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo.

Inscrições até dia 16 de maio na secretaria da Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, na Av. Nazaré, 933 - Ipiranga. Informações: Tel.: (11)6162-2292 e http://www.teologia-assuncao.br/

André Wénin, Doutor em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, 1988, é Professor de Exegese do Antigo Testamento na Universidade Católica de Lovaina, Bélgica, e professor convidado da Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma, para a teologia bíblica do Pentateuco.

Área de Pesquisa: Literatura narrativa do Antigo Testamento, em especial, do Gênesis

Área de Ensino: Antigo Testamento: introdução e exegese; Hebraico Bíblico

Publicação traduzida no Brasil: O Homem Bíblico: Leituras do Primeiro Testamento. São Paulo: Loyola, 2006, 184 p. - ISBN 9788515031993.
Original: L'homme biblique: Lectures dans le premier Testament. 2. ed. Paris: Éditions du Cerf, 2004, 220 p. - ISBN 9782204074186.

André Wénin, Docteur en Sciences Bibliques (PIB, 1988), est Professeur d'exégèse de l'Ancien Testament à la Faculté de Théologie, de l'Université Catholique de Louvain-la-Neuve, Belgique. Il est également professeur invité à l'Université Grégorienne de Rome pour la théologie biblique du Pentateuque.

Domaines de recherche: Littérature narrative de l’Ancien Testament, en particulier la Genèse

Domaines d’enseignement: Ancien Testament : introduction et exégèse ; hébreu biblique.

Comunicado enviado por Cássio Murilo Dias da Silva.

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Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Leitura do livro de Rute: algumas dificuldades

Meu artigo Leitura sócio-antropológica do livro de Rute ficou pronto no dia 27 de dezembro. Será publicado na revista Estudos Bíblicos número 97, em março de 2008. Confira aqui a minha proposta de leitura.

Contudo, ainda não sei se consegui fazer uma leitura sócio-antropológica - que explica os fatos sociais - ou uma leitura sócio-histórica - que descreve os dados sociais relevantes! Mas o que foi feito, bem ou mal, já foi feito. A partir de março, por favor, as avaliações são bem-vindas.

O que eu gostaria de colocar a seguir, após a bibliografia e as resenhas de obras sobre Rute, são algumas questões difíceis que encontrei ao estudar o texto e ao confrontar posições de diferentes autores. Questões que eu chamaria de abertas, porque podem ter muitas respostas ou mesmo não ter nenhuma resposta mais segura, por enquanto. Como já disse, o livro é pequeno, muito bem escrito, mas tem alguns nós difíceis de desatar.

Observo que neste texto serão colocados apenas os problemas. As soluções que encontrei ou escolhi estarão na revista Estudos Bíblicos.

1. Uma questão metodológica, para começar. Já abordada em meu artigo Leitura Sócio-Antropológica da Bíblia Hebraica. Uma típica dificuldade encontrada pelos biblistas no uso da leitura sócio-antropológica é a diversidade de tendências e a grande extensão do campo das ciências sociais, o que faz com que alguém, mesmo com um conhecimento razoável das obras de Durkheim, Weber e Marx e de eventuais pensadores mais recentes, se sinta bastante perdido quando se fala de perspectivas de conflito, funcionalismo estrutural, idealismo cultural, materialismo cultural... Com freqüência não se sabe que método escolher ou misturam-se na análise várias tendências sociológicas, criando um método eclético que corre o risco de oferecer uma belíssima solução para um problema inexistente ou mal colocado. Ou, como alertam outros autores, nós, biblistas, costumamos utilizar teorias antropológicas e sociológicas que já foram abandonadas pelos especialistas nas respectivas áreas, porque consideradas superadas. Ou, em outras duras palavras: chegamos sempre atrasados, e o resultado é bastante insatisfatório.

2. Por que será que o autor/a de Rute situa os acontecimentos em Belém de Judá e os seus personagens como efrateus? Por causa da genealogia de Davi em 4,17b-22 (Booz gerou Obed, Obed gerou Jessé e Jessé gerou Davi)? Mas seria a genealogia de Davi parte da obra original ou um acréscimo posterior usado para "canonizar" o livro? Ora a genealogia tem uma perspectiva exclusivamente androcêntrica, em contraste com o restante do livro que tem uma perspectiva ginocêntrica. Como conciliar as duas coisas? Buscando outra solução, há quem pense que pode ser uma aplicação da profecia de Mq 5,1-3 (5,1a: "E tu, Belém-Éfrata, pequena entre os clãs de Judá, de ti sairá para mim aquele que governará Israel")... Porém assim não estamos, mais uma vez, arrumando uma solução "davídica" para o problema? Outros dizem: sim, solução davídica, mas não por causa deste ou daquele texto, mas porque há um "davidismo" forte entre os judaítas que elogiam Belém em contraste com Jerusalém, pois os reis (de Jerusalém) levaram Judá ao exílio, enquanto Davi (de Belém) levou as tribos acuadas e dispersas a grande país... Contudo, pergunta-se ainda: há realmente este "davidismo" no pós-exílio? Como comprová-lo? De qualquer maneira, seria viável a postura que insiste em ler o livro de Rute como uma defesa da restauração da dinastia davídica no pós-exílio?

3. Por que escolher Moab como destino da família de Elimelec e uma moabita, Rute, como a portadora da solução para a crise da família? Moab é a terra de um povo que outras tradições bíblicas vêem com hostilidade, conforme se lê em Dt 23,3-7 e Ne 13,1-3. Lembro ao leitor que em todo o livro apenas os territórios de Judá (restrito a Belém de Judá e aos efrateus) e Moab (restrito a "campos de Moab e às moabitas Orfa e Rute") são explicitamente citados.

4. A migração da família de Elimelec para Moab e a volta de Noemi e Rute a Belém poderiam estar sugerindo ao leitor uma analogia com a situação de exílio babilônico e volta para Judá e isto poderia ser usado como um argumento razoável para colocar o livro na época persa?

5. Terá mesmo existido em Yehud - nome aramaico do Judá pós-monárquico -, a partir da metade do século V a.C, a chamada comunidade do “Segundo Templo”, também apelidada pelos estudiosos, em alemão, de Bürger-Tempel-Gemeinde? Esta comunidade pode ser sumariamente definida como uma unidade social que surge da união do pessoal do templo com os proprietários de terra, criando um sistema econômico autônomo. Esta Bürger-Tempel-Gemeinde criaria, assim, uma sociedade dentro da sociedade, um restrito grupo privilegiado não co-extensivo com a sociedade mais ampla da província. Seria este o contexto no qual foi escrito o livro de Rute, que defende a tradicional estrutura do clã (mishpâhâ) constituído por um agrupamento de famílias ampliadas (bêth-'abhôth) que moram na mesma região e se auxiliam tanto no setor social quanto no econômico, constituindo uma comunidade jurídica local?

6. Na época do domínio persa sobre Yehud, há, pelo menos, outras três propostas para dar estabilidade e identidade à comunidade. Há a proposta de Zorobabel e Josué: reconstruir o Templo e o altar, narrada em Ag 1,1-15a; Zc 4,1-6a;10b-14; Esd 3,1-13; já a proposta de Esdras é manter a pureza da raça e observar a Lei, narrada em Esd 9,1-10,44; Ne 8,1-18 e, finalmente, a de Neemias, que é reconstruir Jerusalém, devolver terras alienadas e perdoar dívidas de agricultores empobrecidos, como está em Ne 5,1-19. As três vêm de Jerusalém. Ora, estas três propostas são rejeitadas ou, no mínimo, ignoradas pelo autor/a do livro de Rute. Jerusalém, o Templo, o culto, as autoridades centrais enviadas pela Pérsia nem são mencionadas no livro. Situar a estória na “época dos juízes”, não seria um modo inteligente de camuflagem literária utilizada pelo autor/a do livro de Rute para fazer sua própria proposta tão diferente das outras? E nem tão sutil assim é o desafio à proibição de casamentos com estrangeiras decretado por Esdras: Rute não é apenas uma estrangeira, ela é uma moabita. E assim é insistentemente chamada no livro: “Rute, a moabita”! Uma moabita que jamais é designada na estória como estrangeira residente (ger), merecedora de ajuda, pessoa com direitos (Dt 24,19–21), mas que é uma nokriyyâ, uma estrangeira sem nenhum direito (Rt 2,10). Para aqueles que gostam de pensar que a estória está, de fato, falando dos "dias em que julgavam os juízes”, pergunto: onde estão estes juízes no quarto ato do livro (4,1-12)? Nem mesmo se usa o verbo “julgar” (shâphat), na reunião em que se decide quem vai comprar a propriedade de Noemi e se casar com Rute ...

7. Quem lida com o livro de Rute enfrenta o grande problema de decidir se a solução proposta pelo autor/a no capítulo 4 envolve além do resgate da terra, a ge’ulla (Lv 25), também o casamento com o cunhado, o levirato (Dt 25,5-10), e qual seria a relação entre estas duas leis. Esta questão divide os especialistas, pois Rute não é judaíta, Booz não é seu cunhado, não há contrato de casamento (contrariando normas legais documentadas, na época, em papiros da comunidade judaíta de Elefantina), o texto fala o tempo todo apenas de “resgate”, a exigência de casamento com Rute feita por Booz ao parente anônimo que tem direito de resgate da terra parece extraordinária, já que os textos das leis não falam nada disso. Estaríamos lidando com uma lei anterior a Dt 25,5-10, que poderia ser chamada de “casamento redentor”, mais amplo que o levirato em sentido estrito? Ou, em sentido oposto, estaríamos lidando com uma interpretação bem mais recente de Dt 25,5-10, uma espécie de midrash da antiga lei, aplicada aqui de maneira muito mais livre? Enfim, por que as duas leis estariam interligadas, devendo ser executadas em conjunto (4,5)? Ou ainda: o livro de Rute aplica, no capítulo 4, a lei do resgate e do levirato ou apenas a lei do resgate?

8. Uma questão menor, mas que aparece em certos autores é a compra da terra que Booz faz no capítulo 4. De quem é a terra? É de Noemi ou de outra pessoa do clã para quem Noemi já vendera a terra? Há autores que dizem ser de outra pessoa. Mas onde está isto no texto?

9. Onde foi escrito o livro de Rute? Em Jerusalém? Em outro lugar? Esta é uma questão que não abordei...

10. Quem escreveu o livro de Rute? Um homem? Uma mulher? Qualquer um dos dois? O livro tem uma perspectiva ginocêntrica e isto coloca a possibilidade de uma autoria feminina. Mas seria esta autoria feminina necessária para explicar a perspectiva do livro? Sendo as duas genealogias do final - uma curta, 4,17b, e uma longa, 4,18-22 - essencialmente androcêntricas, e considerando como bastante provável que não faziam parte da obra original, quando teriam sido acrescentadas e quem o teria feito?

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Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

International Biblical Studies Writing Month

Chris Brady at Targuman, circa a month ago, declared December through January International Biblical Studies Writing Month: "By the power vested in me by the Great Meturgeman (...) I declare January (and a bit of December) Biblical Studies Academic Writing Month".

Till now the challenge has been accepted by Tim Bulkeley at SansBlogue, by Chris Heard at Higgaion, by AKMA at Random Thoughts, by Charles Halton at Awilum, and by Dr. Claude Mariottini at Dr. Claude Mariottini - Professor of Old Testament. If it is an International Call for any material related to the Bible and submitted for publication, I have something.

I finished in December 27, 2007 an article about Ruth. The article, in Portuguese (Brazilian) Language, Leitura sócio-antropológica do livro de Rute [Ruth in Social-Scientific Perspective], will be published until March of 2008 by Estudos Bíblicos [Biblical Studies Journal] n. 97, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, Brazil - ISSN 16764951.

The essay seeks to look for the background world of the story of Ruth in the Persian Province of Yehud. Accepting the biblical book as a fictitious story based on real locations, the article uses social science approaches to describe the imaginative world in which the action takes place. Since the story uses real places and fictitious persons to construct the narrative, I considered three levels of perception: 1. the imaginative world of the story itself; 2. the real world behind the book's references, and 3. the social and ideological constructs of this world.

The story of Ruth, often read as an idyllic story or as a book oriented to the final Davidic genealogy, and yet sometimes as a figurative expression of a post-exilic hope for the restoration of the Davidic dynasty, was modified by an androcentric closure, but it is a strongly gynocentric narrative with a serious intent: it may be read as a countertext, deviating from dominant biblical norms, and producing a radical vision while remaining seamlessly attached to the prevailing traditions that it implicitly transforms.


I introduce the article, in Portuguese, with these words:

Ao fazer a proposta de uma leitura sócio-antropológica, estou sugerindo que estas duas ciências sociais, entre outras, podem contribuir hoje de maneira eficaz para o estudo dos textos bíblicos. Mas também estou pressupondo como necessária a abordagem literária dos mesmos textos bíblicos, para evitar a armadilha da leitura do texto como relato fidedigno da realidade social subjacente.

Qual seria, porém, a contribuição específica da leitura sócio-antropológica? Penso que pode ser o fato desta abordagem examinar não somente a literatura bíblica, mas também as forças sociais subjacentes à produção desta literatura, onde se distingue a sociedade que está por trás do texto da sociedade que aparece dentro do texto. O desafio maior, neste caso, será combinar, sem reducionismos, as abordagens sócio-antropológica e literária.

Vou utilizar o livro de Rute para visualizar esta proposta. Este livro é uma estória que usa lugares reais e pessoas fictícias situadas em determinado espaço e tempo para construir a sua narrativa. Daí que três níveis conectados pela perspectiva conferida ao texto pelo autor/a da estória devem ser considerados:
· o imaginário do autor/a que gera a narrativa
· o mundo real fora do livro
· a construção social e ideológica deste mundo pelo autor/a para atingir um objetivo.

É preciso, portanto, como sugeri, olhar em duas direções:
· para a sociedade que aparece dentro do texto, observando quem são os personagens, o mundo no qual se movem e quais são suas práticas econômicas, políticas e sociais
· para a sociedade que aparece por trás do texto, investigando a situação na qual e para a qual o livro foi escrito.

Deste modo deveria ser possível mostrar que o modo como os personagens organizam sua visão de mundo são, na verdade, ferramentas literárias utilizadas pelo autor/a na construção de uma estória totalmente fictícia, mas que, sem dúvida, produz uma mensagem que é considerada pelo autor/a de Rute como um caminho a ser buscado, estruturando o livro como uma narrativa orientada por uma proposta séria.

O artigo pode ser desenvolvido da seguinte maneira:
1. Olhando a estória com os olhos do autor/a, pergunto: o que diz o livro de Rute?
2. Olhando para além do livro, pergunto: o que é possível saber da época em que foi escrito o livro de Rute?
3. Olhando a estória com os olhos do leitor atual, pergunto: qual é a proposta do livro de Rute?


Leia Mais:
Bibliografia sobre Rute
Enquete sobre Rute
Resenhas de livros sobre Rute

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Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

Enquete sobre Rute

Para quem gosta de um desafio, lembro que coloquei algumas enquetes (poll) sobre Rute aqui.

Faça uma visita à página e dê sua opinião.

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Quarta-feira, Outubro 10, 2007

Como diz o causo do outro

"Num mito, quanto mais se bate, mais ele cresce. Porque ao contrário do que essas vulgaridades pensam, um mito não é sinônimo de uma mentira. Um mito é uma história que explica porque estamos aqui e somos assim ou assado. Um mito remonta a enigmas que não conseguimos explicar. Então temos que narrar".

Este texto é do Flávio Aguiar, editor-chefe da Carta Maior. Está no artigo A sombra do Che, e fala de cinco razões para os arautos da direita brasileira detestarem a sombra de Ernesto Guevara. Publicado em 05/10/2007, o artigo é bom.

Mas penso no texto aqui citado por outras razões. Os mitos bíblicos. Um mito explica porque estamos aqui e somos o que somos. Mesmo quando não conseguimos ou queremos explicar, podemos narrar.

Quem ainda se lembra de meu post Gn 1-11 e a importância dos mitos, de 22 de setembro passado?

Pois é... Amanhã continuarei conversando com o Primeiro Ano de Teologia do CEARP, na aula de Pentateuco, sobre isso. Estamos estudando Gn 1-11.

O título do post?

Quando eu era menino pequeno lá em Minas, Juca Garcia, fazendeiro rico e estúrdio, homem sistemático, vizinho nosso, aparecia, de vez em quando, para uma visita nas tardes de domingo. E dizia para meu pai: "Compadre, como diz o causo do outro...", sendo o "outro" ele mesmo.

Um jeito de contar, uma sabedoria especial do sertão. Mitos. Mito.

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Domingo, Setembro 23, 2007

Hauser bate forte na teoria das fontes do Pentateuco

No Forum SBL de setembro 2007, Alan J. Hauser, Professor da Appalachian State University, Boone, Carolina do Norte, USA, publicou um artigo sobre a situação atual da pesquisa do Pentateuco, com o título de Sources of the Pentateuch: So Many Theories, So Little Consensus [Fontes do Pentateuco: tantas teorias, tão pouco consenso].

Hauser critica, neste artigo, fortemente, as muitas tentativas pós-wellhausenianas de explicação do Pentateuco que ainda permanecem no campo da teoria das fontes. Ele insiste que é preciso verificar com mais rigor os pressupostos metodológicos subjacentes a tais teorias: "In source-critical studies, the energy and focus have typically been on discerning the details and content of the sources. Rarely has there been a serious look at underlying methodological presuppositions. I want to raise a few of these methodological issues, pointedly".

Hauser concorda com a insuficiência do consenso wellhauseniano. Mas também vê a falência das propostas posteriores, que não conseguem construir um novo consenso e atribui este fato a uma teimosa acomodação a pressupostos que deveriam ser questionados.

O modelo das fontes do Pentateuco, que insiste em sobreviver nas atuais propostas, é, para o autor, o problema maior. Ele diz, por exemplo: "... a key flaw of source criticism is that, rather than reexamining its conceptual framework, and rather than probing for its methodological flaws, it continues to generate nuanced reiterations of its central construct, assuming that the best way to study the Pentateuch is to divide it into its sources, place each into its own proposed historical context, and then interpret the content in this conceptual framework. Source-critics have rarely questioned the cogency and usefulness of this approach".

Ele conclui que
Factors that should challenge the center of source criticism include our growing awareness of the complex interrelationships among the many parts of the Pentateuch, as well as with other ancient Israelite literature, both oral and written; the difficulty of reconstructing the particulars of historical contexts for specific periods/events in ancient Israelite history; our imperfect understanding of ancient Israelite literature, its conventions, its variety, and the ways in which creative writers played on these; and the promise of new methods that can help us better evaluate the text of the Pentateuch. Taken as a whole, these factors demonstrate the need for a thoroughgoing reassessment of the foundation on which source critical studies have been based for well over a century.

Entretanto: se alguém pensa que vai encontrar, neste artigo, uma solução para o problema do Pentateuco, desista...

Para mim, está claro: enquanto algumas questões fundamentais da História de Israel não forem resolvidas, não se chegará a um novo consenso acerca de quem, quando e como foi composto o Pentateuco.

O que sabemos do antigo Israel através da Bíblia Hebraica, para nós, hoje, não é mais uma resposta. É um problema. Como já notava, em 1992, Philip R. Davies.

Ora, no ano seguinte, em 1993, também Rolf Rendtorff já afirmava, com todas as letras: “Os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião (...) Não é por acaso que uma das mudanças mais importantes estejam ocorrendo com as hipóteses sobre as origens de Israel”. E completava: “Um dos muitos pontos de incerteza é a questão da identidade de Israel” (RENDTORFF, R. The Paradigm is Changing: Hopes and Fears. Em LONG, V. P. (ed.) Israel’s Past in Present Research: Essays on Ancient Israelite Historiography. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1999, p. 60-61 - ISBN 9781575060286. O artigo de Rendtorff, à época professor em Heidelberg, foi reimpresso da revista Biblical Interpretation 1 (1993), p. 34-53).

Leia Mais:
. A História de Israel no debate atual
. O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? Ele desapareceu e levou consigo a Hipótese Documentária, explica Rolf Rendtorff
. O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? Van Seters responde a Rolf Rendtorff
. Mais uma vez o Javista se despede do Pentateuco. Mas para onde ele estaria indo?
. Pistas para uma leitura do Pentateuco e da OHDtr

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Sábado, Setembro 22, 2007

Gn 1-11 e a importancia dos mitos

Acabei de ler um post de Christopher Heard em seu biblioblog Higgaion com o título de Teaching the Genesis creation stories. Ali ele relata sua experiência de trabalhar em sala de aula com Gn 1-11 e o que funciona ou não, em termos de compreensão por parte dos alunos, quando se faz uma abordagem literária destes textos.

Mas relata também um incrível caso: um outro professor norte-americano, de outra instituição que não a sua, teria sido recentemente punido por sua escola por explicar que a estória de Adão e Eva tem um sentido simbólico e que não deve ser lida literalmente.

[Bitterman said]: "I told them it was an extremely meaningful story, but you had to see it in a poetic, metaphoric or symbolic sense, that if you took it literally, that you were going to miss a whole lot of meaning there". Traduzindo de maneira mais ou menos livre: "Eu disse [aos alunos] que esta [Gn 2-3] era uma estória extremamente significativa, mas que deve ser vista em um sentido poético, metafórico ou simbólico, pois se for lida literalmente, se perde uma grande parte de seu significado".

O caso chamou minha atenção, pois leciono Pentateuco, trabalho com estes textos, e acho complicado que alguém ainda possa ser punido por razão tão absurda. Mais absurda ainda se considerarmos os séculos de pesquisa histórico-crítica sobre tão conhecidos textos de Gênesis. E em um país que detém a hegemonia política mundial, que produz uma quantidade enorme de pesquisa exegética e científica, que possui todos os meios possíveis para debater a relação da ciência com a fé... Mas é um país plural. E estas contradições são cada vez maiores, com o crescimento de um criacionismo fundamentalista. Que, por sinal, já chegou aqui, de lá importado.

Pois é! Christopher Heard, que também considera esta situação absurda, por outro lado diz que, mesmo não vivendo esta realidade em sua Universidade, há colegas seus que chegam a evitar a palavra "mito" ao falar destes assuntos: "...even at Pepperdine, I know that my colleagues sometimes choose their words very carefully to avoid certain vocabulary ('myth') while communicating the same concepts".

Leiam o caso. E considerem que estamos no Mês da Bíblia, que tem como tema Gn 1-11, e que nossas abordagens são bastantes enriquecedoras, se considerarmos o material utilizado tanto na academia quanto no meio popular. Apesar de nossos limitados recursos. Retomem a leitura dos posts que escrevi com os títulos de Gn 1-11 na Vida Pastoral, Pistas para uma leitura do Pentateuco e da OHDtr e CEBI recomenda para o Mês da Bíblia.

Finalmente, quero lembrar que, ainda em 1995, escrevi um texto curtinho sobre Gn 1-11 para uma revista de divulgação de Ribeirão Preto. E expliquei, com linguagem simples, o que chamei de

Os mitos judaicos e a nossa realidade

Ainda faltavam uns 500 ou 600 anos para o nascimento de Jesus de Nazaré, quando alguns teólogos de Jerusalém recolheram histórias que as pessoas contavam e escreveram vários desses textos que hoje estão na Bíblia Hebraica, no livro do Gênesis, nos capítulos 1 a 11.

Que textos são esses?

São muito conhecidos: a história da serpente que tenta Eva no paraíso, a árvore que produz um fruto proibido, Caim que assassina seu irmão Abel, Noé e sua arca cheia de animais sobrevivendo ao dilúvio, a torre de Babel que confunde as línguas...

Será que isto aconteceu desse jeito mesmo que é contado? Ou serão só lendas, contos ou mitos?

Às vezes a gente acha que só é verdadeira aquela história que reproduz os fatos fielmente, tim-tim por tim-tim, como eles aconteceram. Será? E aqueles fatos que acontecem com todo o mundo e que também podem acontecer em qualquer época e em qualquer lugar? E o sentido que um autor quer dar a um acontecimento não determina o jeito dele contar?

Pois isto é o mito. E o mito fala de uma experiência humana universal. E Gn 1-11 é recheado de mitos, contados por aqueles autores anônimos de Jerusalém há dois mil e quinhentos anos.

O paraíso nunca existiu. Nem mesmo uma serpente falante, um fruto proibido, os irmãos Caim e Abel, um dilúvio universal, uma arca de Noé ou uma torre de Babel. Mas todos eles existem sempre, exatamente porque não estão situados em nenhum tempo e lugar.

O paraíso é uma esperança, uma utopia, não uma saudade de um tempo passado. É uma esperança de harmonia e felicidade que a humanidade deve construir. E pode construir.

A serpente representava, na época dos reis de Israel, um sistema social e político que explorava as pessoas e provocava a sua infelicidade, destruindo o projeto de uma sociedade solidária e harmoniosa.

O fruto proibido é a tentação de possuir um poder absoluto que nos permita dominar os outros e escravizá-los aos nossos interesses.

Tanto Caim quanto Abel continuam hoje a se confrontar em sangrentos conflitos, seja em nossas ruas brasileiras, seja no Oriente Médio, ou em nossas casas.

A fidelidade de Noé, um homem correto, a um projeto de sociedade solidária, o transforma em símbolo de uma humanidade que renasce de enormes catástrofes porque acredita na vida.

Na cidade e torre de Babel as pessoas são confundidas por Iahweh quando queriam construir um poder imperialista onde todos falariam uma mesma língua - na política, na economia, na cultura - e, assim se tornariam absolutos, decretando o fim da liberdade humana.

Como se vê, esses temas tão antigos, contados na linguagem do mito, continuam extremamente atuais dois mil anos depois de Jesus de Nazaré. Devem ser lidos para fazer a gente pensar e tomar uma atitude. Não para pensarmos no que aconteceu antigamente, mas para enxergarmos melhor o está acontecendo hoje e ver o que é possível fazer para melhorar o mundo.

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Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Pistas para uma leitura do Pentateuco e da OHDtr

Estive ontem à noite na Paróquia Cristo Rei, em Ribeirão Preto, onde atua o jovem padre Josirlei Aparecido da Silva, meu ex-aluno no CEARP.

Falei durante cerca de duas horas sobre o Pentateuco e a Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr). Havia 146 pessoas presentes, quando inicialmente se pensava em um evento para no máximo 50 participantes. Foi muito interessante, com um público atento e demonstrando vontade de aprender. Muitos estavam com sua Bíblia, para rápida consulta durante a palestra e levando para casa insistente recomendação minha para que conferissem os textos depois, com mais vagar.

Minha palestra foi a primeira das 4 que acontecerão neste mês de setembro, Mês da Bíblia. Outros três colegas estarão falando sobre Literatura Profética, Evangelhos e Literatura Paulina.

Para tratar de assunto tão amplo e complexo em tão pouco tempo, utilizei um roteiro simplificado, distribuído aos presentes, e que transcrevo abaixo, no qual escrevi apenas as palavras-chave. Repassando a história da pesquisa do século 18 até hoje, tentei transmitir o significado das várias etapas da redação dos dois grandes conjuntos de livros bíblicos. Sempre abordando o texto no seu contexto. Ou seja: Pentateuco e História de Israel caminham juntos em qualquer tentativa de explicação, pois, quando um se move o outro sente imediatamente o deslocamento de perspectiva.

Poucas datas - com certo arredondamento, para não complicar - nomes dos principais estudiosos envolvidos na pesquisa do Pentateuco e da OHDtr e várias recomendações de leitura para a ampliação do que foi apenas esboçado. Privilegiei os textos presentes em minha página e neste blog, pela maior facilidade de acesso aos dados via Internet e porque em todos estes textos há ampla indicação bibliográfica. No roteiro, as datas junto aos nomes dos autores referem-se às suas principais obras sobre o tema.

Na página da CNBB de ontem, 4 de setembro, há um artigo do arcebispo de Londrina, PR, Dom Orlando Brandes, com o título: Mobilização Bíblica, nosso futuro.

Vale a pena a leitura. Ele faz veemente apelo para uma ampla mobilização bíblica em nossas comunidades. Gostei, entre outras coisas, quando disse: O conhecimento da Palavra de Deus facilitará o diálogo com outras religiões cristãs e impulsionará o ecumenismo. Os frutos de uma mobilização bíblica são palpáveis. Cresce o discipulado, o profetismo e a missão. Os sacramentos recobram vigor e sabor. A ação pastoral evangelizadora recobrará o encantamento, o fascínio e a intrepidez dos inícios da Igreja.

Brandes foi meu contemporâneo em Roma, nos bons tempos de estudo na Universidade Gregoriana e de convivência no Colégio Pio Brasileiro.

Mas vamos às pistas de leitura do Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio) e da Obra Histórica Deuteronomista (Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis)


Quatro datas na História de Israel (3x6=18), segundo os padrões tradicionais:
1800 a.C.: Abraão; 1200 a.C.: Moisés; 600 a.C.: Exílio; 0: Jesus de Nazaré


Três tempos na História de Israel, segundo sua organização social
1200 a.C.: tempo das tribos; 1000 a.C.: tempo dos reis; 600 a.C.: tempo dos sacerdotes


:: O Pentateuco: do consenso wellhauseniano às leituras atuais
. Até o século 18: Moisés
. Richard Simon - 1678 e 1690: romper com os mestres
. Jean Astruc – 1753:
- no Gênesis: Iahweh e Elohim
- estilos diferentes
- repetição de assuntos
- conclusão: mais de um autor
. Uma longa história: muitos pesquisadores e muitas propostas...
. J. Wellhausen – 1883: Javista (J)+Eloísta (E), Deuteronômio (D), Sacerdotal (P) > consenso wellhauseniano
. as contribuições do século XX até meados da década de 70

>> A influência de dois recursos: novos métodos de análise dos textos bíblicos e nova arqueologia

. Thomas L. Thompson – 1974: os patriarcas
. John van Seters - 1975; Hans Heinrich Schmid - 1976; Rolf Rendtorff - 1977: novas propostas – o Pentateuco no final da monarquia ou exílio
. Norman K. Gottwald – 1979; muitos outros – de 1980 até hoje: quem é Israel? Canaã transformado? como ocorreu esta transformação?
. Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman: o Pentateuco é da época do rei Josias, entre 629 e 609 a. C.

> Leituras recomendadas:
DA SILVA, A. J. A História de Israel no Debate Atual [artigo fundamental para uma explicação do roteiro acima]
DA SILVA, A. J. Observatório Bíblico > História de Israel
DA SILVA, A. J. Observatório Bíblico > Antigo Testamento
DA SILVA, A. J. Observatório Bíblico > Arqueologia
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA A Interpretação da Bíblia na Igreja. São Paulo: Paulinas, 1994 [recomendo a seção sobre métodos de leitura da Bíblia]


:: A Obra Histórica Deuteronomista: como responder aos desafios do presente repensando o passado?
. Martin Noth – 1943: um autor, na Palestina, na época do exílio
. Frank Moore Cross - 1968 e 1973: duas edições, uma na época de Josias e outra no exílio babilônico
. Rudolf Smend - 1971 e 1978: três edições, todas no exílio babilônico

> Leituras recomendadas:
A OHDtr em Estudos Bíblicos
A Obra Histórica Deuteronomista na revista Estudos Bíblicos
DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005 [o livro dos “Biblistas Mineiros” sobre a OHDtr sairá pela Vozes até dezembro de 2007]


>> Para saber mais:
:: Na Ayrton's Biblical Page
. Artigos
. Bibliografia Bíblica
. Links

:: No Observatório Bíblico
. Bibliografia comentada sobre a OHDtr
. Gn 1-11 na Vida Pastoral
. Literatura Deuteronomista: como responder aos desafios do presente repensando o passado? [programa do curso no CEARP]
. O Pentateuco de Jean-Louis Ska
. O Pentateuco: do consenso wellhauseniano aos novos paradigmas [programa do curso no CEARP]

:: DVD
. A história das origens - A narrativa dos pais Vol 1 [sobre Gn 1-11] - Coleção: O Caminho de Deus com a Humanidade – Paulus.

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Sábado, Agosto 18, 2007

Gn 1-11 na Vida Pastoral

O número de setembro-outubro de 2007 – ano 48, n. 256 - da revista Vida Pastoral publicada pela Paulus tem 4 artigos sobre Gn 1-11. Foram escritos pela equipe do Centro Bíblico Verbo, de São Paulo. Recomendo a leitura, pois explica de maneira clara e com linguagem simples textos que usamos muito e que, com freqüência, são mal compreendidos.

Vida Pastoral é uma revista bimestral para sacerdotes e agentes de pastoral e é distribuída gratuitamente às instituições cadastradas no Anuário Católico do Brasil e a particulares que a solicitarem. Passe numa das livrarias da Paulus ou mande um e-mail para assinaturas@paulus.com.br e veja como conseguir um número ou a assinatura anual.

No editorial deste número diz o redator Pe. Claudiano Avelino dos Santos sobre os artigos de Gn 1-11:
A percepção de que a criação é obra da bondade de Deus é antiga. A Bíblia nos traz nos primeiros onze capítulos do Gênesis relatos teológicos que expressam essa convicção. Não são relatos jornalísticos ou teses científicas. São, antes disso, textos de fé que, com linguagem própria, ajudam a, não obstante as mazelas presentes no mundo, manter a esperança. E mais para o final, após apresentar os 4 artigos, diz o redator: As reflexões que o Centro Bíblico Verbo apresenta a respeito desses capítulos são oportunas para um tempo em que a preocupação com o futuro da Terra é tema urgente.

Os artigos são os seguintes:
. Deus viu que tudo era muito bom! Uma introdução a Gênesis 1-11 – Maria Antônia Marques – p. 3-11
. Colcha de memórias: uma leitura de Gn 1,1-2,4a – Cecília Toseli e Maria Antônia Marques – p. 12-19
. Vós sereis como deuses: uma leitura de Gênesis 2,4b-3,24 – Shigeyuki Nakanose – p. 20-28
. A maldade do homem era grande sobre a terra: uma leitura de Gênesis 6,1-9,17 – Equipe do Centro Bíblico Verbo – p. 29-35

Para saber mais, recomendo:
:: Três livros bem acessíveis sobre Gn 1-11:
. CENTRO BÍBLICO VERBO Deus viu que tudo era muito bom: entendendo o livro de Gênesis 1-11. São Paulo: Paulus, 2007, 160 p. ISBN 9788534927
. MESTERS, C. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2001, 152 p. ISBN 8532603319
. SCHWANTES, M. Projetos de esperança: meditações sobre Gênesis 1-11. São Paulo: Paulinas, 2002, 141 p. ISBN 857311844X

:: Dois livros, de nível acadêmico, para aprofundamento, sobre a formação do Pentateuco:
. DE PURY, A. (org.) O Pentateuco em questão: as origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2002, 324 p. ISBN 8532615899
. SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2003, 304 p. ISBN 8515024527. Resenha disponível em <http://www.airtonjo.com/novidades2003b.htm>. Acesso: 18 agosto 2007. Veja também O Pentateuco de Jean-Louis Ska.

:: Um artigo sobre a situação atual dos estudos do Pentateuco e da História de Israel:
. DA SILVA, A. J. A História de Israel no Debate Atual. Acesso: 18 agosto 2007.

:: Uma lista com cerca de 50 comentários do livro do Gênesis:
. Para quem tem interesse no estudo do Gênesis

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Terça-feira, Junho 19, 2007

Congresso da IOSOT em 2007

A IOSOT - International Organization for the Study of the Old Testament ou Organização Internacional para o Estudo do Antigo Testamento - foi fundada em 1950 em Leiden, nos Países Baixos, com a finalidade de promover o estudo acadêmico do Antigo Testamento e áreas afins.

O XIX Congresso da IOSOT acontece em Liubliana (Ljubljana), Eslovênia, de 12 a 20 de julho de 2007. Veja os resumos (abstracts) das palestras do Congresso. Há coisas muito interessantes. Para mim, sobretudo as que tratam dos profetas. Jeremias comparece nas discussões!

Interessou-me, porém, a proposta de Ulrich Berges, da Westfälische Wilhems-Universität Münster, Alemanha, sobre o Dêutero-Isaías.

O autor faz um histórico da identificação deste texto (Is 40-55) e de seu anônimo autor como um profeta do exílio babilônico (586-538 a.C.) desde Döderlein, em 1788, passando por Eichhorn, até chegar a Duhm, em 1892. Sobre isto, escrevi alguma coisa aqui. Sua proposta, contudo, é de que nada no Dêutero-Isaías nos obriga a defender um só autor para o texto, como vem sendo feito desde então. Para ele, é bem mais provável um autoria múltipla destes capítulos: It is not an individual prophet that stands behind these chapters but rather a prophetically inspired group of trained literary craftsmen probably to be linked with exiled temple-singers.

Leia o abstract de Adeus ao Dêutero-Isaías ou profecia sem um profeta.

Farewell to Deutero-Isaiah or prophecy without a prophet
Until the end of the 18th century the authorship and the authority of Isaiah ben Amoz for the whole of the book of Isaiah were nearly uncontested. The situation changed with Johann Gottfried Döderlein (1746-1792), Johann Gottfried Eichhorn (1752-1827) and especially with Bernhard Duhm (1847-1928). While the first of these reckoned with an anonymous exilic author for the chapters Is 40-66 [40-52 in the case of Eichhorn], the third one promoted and developed that idea by separating chapters 56-66 and by the invention of the artificial names Deutero- and Trito-Isaiah respectively. Whereas the idea of a personality behind Isa 56-66 never reached global acceptance, the invention of a prophetic persona behind Isa 40-55 was accepted to such an extent that it became the general opinion for the last hundred years. Despite some few critics the hypothesis obtained the status of an unchallenged certainty and the anonymous exilic prophet was considered “in persona” as the high point of Hebrew poetry and theology. But the points of criticism remained valid and were never sufficiently answered. Why didn’t the biblical tradition conserve the name of such a prominent figure? If this prophet even died in jail or was martyred (cf. Isa 53), why has that not been remembered by his disciples and followers? If a collective authorship for Isa 56-66 is widely admitted in our time, why isn’t the same acceptable for Isa 40-55? It has to be stressed that no prophetic “I” is found in these chapters. In 40,6 the massoretic text has to be followed and 48,16c is clearly a late addition. The first person singular in the second and third Ebed songs (49,1-6; 50,4-9) can’t be used either to fill this biographical vacuum. There is simply no prophetic persona present who acts by words and deeds but rather the one and only prophetic voice of Isaiah ben Amoz that reverberates in the whole book. The great variety of literary forms in these chapters ought not to be seen as a sign of an originally historical activity of the anonymous prophet, since the literary structure of the individual chapters is much stronger than normally acknowledged. From the point of view of redaction criticism the arguments and criteria for the separation of a deutero-isaianic “Grundschrift” turn out to be so disparate that not even a minor consensus has been achieved. The different proposed “Grundschriften” in fact result in quite different personalities of the anonymous exilic prophet. The alternative solution lies at hand: it is not an individual prophet that stands behind these chapters but rather a prophetically inspired group of trained literary craftsmen probably to be linked with exiled temple-singers. The allusions and connections to the traditions of the Psalms, the book of Lamentation, the priestly stratum, the word-theology of Deuteronomy among others do point in that direction.

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Segunda-feira, Junho 04, 2007

Que nome dar a este conjunto de livros?

Claude Mariottini faz hoje, em seu blog, um apanhado (roundup), em Name Those Books, da ampla discussão gerada por seu post de 25 de maio sobre que nome usar para mencionar as Escrituras judaico-cristãs. Leia. É muito interessante.

Gostei da fala da leitora judia, Iris, que escreve seu comentário ao post de Claude Mariottini a partir da Alemanha: vale mais é a postura de respeito à crença do outro do que a terminologia usada para citar seus livros sagrados.

Cito um trecho de sua fala:
As a Jew I am very active in interreligious dialogue activities in Germany. I know this discussion and that people want to express their respect by avoiding the term "Old Testament" (...) In Christian-Jewish dialogue groups I use sometimes the term "old testament". This is when I want to emphasize the Christian view on these texts. I don`t feel insulted by the term "old testament" as long as Christians behave respectfully.

Em tradução livre: Como judia, estou fortemente envolvida no diálogo inter-religioso na Alemanha. Eu conheço esta discussão e sei que as pessoas querem expressar seu respeito [pelos judeus] evitando o termo "Antigo Testamento" (...) Em grupos de diálogo judeu-cristão eu uso, às vezes, o termo "antigo testamento", quando quero enfatizar a visão cristã sobre estes textos. Eu não me sinto de modo algum insultada pelo termo "antigo testamento", desde que os cristãos ajam respeitosamente.

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Quarta-feira, Maio 30, 2007

Old Testament/Tanakh/Jewish Scriptures?

Em Thoughts on Antiquity se lê no post de Chris Weimer What is the “Old Testament”? o seguinte:

There’s been a little discussion going on about what nomenclature to give what is commonly referred to as the “Old Testament”. Claude Mariottini started the conversation with an article, and like the author of that article, decides on Old Testament as best, partly for theological reasons. Richie at Ecclesiastical Mutt responded with the general advice of keeping things “PC”. Chris Heard responded advocating “Tanakh”. He especially notes (in the comments) that it’s only to be used when specifically referring to the Tanakh (...) Overall, I think Jewish scriptures fits it best.

Claude Mariottini responde hoje a Chris Heard com Old Testament or Tanakh: A Response to Chris Heard.

Gostaria de lembrar que no dia 31 de janeiro de 2006 escrevi: Antigo Testamento/Primeiro Testamento/Bíblia Hebraica/Tanak... que rótulo usar?

Neste post cito e recomendo Tyler F. Williams que, em Codex, escreveu: Old Testament/First Testament/Hebrew Bible/Tanak: What's in a Name? Quite a Bit Actually!

No contexto da atual discussão, acredito que uma releitura deste post de Tyler Williams poderia ser útil.

Atualizando: 31.05.2007 - 16h00
O próprio Tyler Williams propõe novamente o mencionado post. Argumenta: My position hasn’t changed since my previous post, so I thought I would reprint it here for you all. Também Duane Smith em Abnormal Interests contribui para a discussão com Those Mostly Hebrew Writings.

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Sexta-feira, Maio 04, 2007

Tyler Williams e as cosmogonias mesopotamicas

Como noticiado aqui, Tyler Williams, em Codex, vinha apresentando e discutindo, em quatro partes, as cosmogonias mesopotâmicas.

Veja a última parte em Theogony, Cosmogony, and Anthropology in ANE Creation Accounts (Creation in Ancient Mesopotamia, Part 4).

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Quarta-feira, Maio 02, 2007

Do mau uso de Isaias na defesa do Sionismo

Hoje comecei a estudar, com meus alunos do Segundo Ano de Teologia do CEARP, na disciplina Literatura Profética, o livro de Isaías, mais precisamente o Proto-Isaías, que está em Is 1-39. Os capítulos normalmente considerados como provenientes da pregação do profeta Isaías, que atuou em Jerusalém entre 740 e 701 a.C., são cerca de 20 apenas, havendo vários acréscimos mesmo neste primeiro dos três grandes blocos que compõem o livro de Isaías.

Agora, lendo biblioblogs de meus colegas, encontro interessante post de Claude Mariottini, exegeta brasileiro que vive e trabalha nos Estados Unidos. O que meu colega aborda é algo com que já tive que me confrontar algumas vezes, por isso o seu post me chamou a atenção: há pessoas que não aceitam a corrente divisão do livro de Isaías em três blocos, Primeiro, Segundo e Terceiro Isaías, respectivamente, Is 1-39; 40-55; 56-66. Pode-se ver um exemplo muito interessante desta postura em um post que escrevi em 21 de setembro de 2006, respondendo a uma mensagem deixada em meu Guestbook por um visitante da Ayrton's Biblical Page. Naquele caso específico, o que exigiu minha intervenção foi perceber que há pessoas que jamais aceitaram ou aceitam que se negue, como objetivo último da profecia, o elemento preditivo.

No post de hoje do Dr. Claude Mariottini, com o título de The Book of Isaiah and Zionism, ele cita - e critica - um artigo publicado pela revista Israel Today, em 30 de abril de 2007, onde a leitura de Isaías - visto como um livro único do tempo de Isaías de Jerusalém - vai, entretanto, além: serve aos interesses do sionismo de maneira atrevida e deslavada.

Diz o artigo Debit and Credit, entre outras coisas, que:
Modern theologians have invented the Deutero-Isaiah theory, which claims that the second part of Isaiah was written later than the first by another author. Their works were later compiled together under the name of the first author, the “real” Isaiah. However, anyone who really looks at Isaiah in context will see clearly that there were not two of them who supposedly contradicted each other, but rather there was one writer who prophesied regarding two different periods of time. In chapters 1 to 39, Isaiah prophecies about the destruction of the Temple (70 AD) and the banishment of the Jews from Israel (135 AD). Then from chapter 40 to the end, Isaiah prophecies about the end of the Jewish Diaspora when modern - day Zionism begins, fulfilled by the founding of the State of Israel.

Explicando para os leitores brasileiros: segundo o artigo, Is 1-39 profetiza sobre a destruição do Templo em 70 d.C. e a expulsão dos judeus de Israel em 135 d.C., enquanto que em Is 40-66 o profeta trata do fim da diáspora judaica ocorrida com a fundação do atual Estado de Israel.

É preciso dizer mais?

O que é Israel Today? Em About Us se explica:
Israel Today is a Jerusalem-based news agency providing a biblical and objective perspective on local news. Founded in 1978, when it began publishing a monthly German news magazine, the English language edition of Israel Today was launched in January 1999 (...) Israel Today’s mission is to be the definitive source for a truthful and balanced perspective on Israel and to provide timely news directly from Jerusalem – the focus of world attention. This is especially important in these times when we see prophetic events unfolding before our eyes.

Traduzo o final: "A missão de Israel Today [Israel Hoje] é ser a fonte definitiva para uma perspectiva confiável e equilibrada sobre Israel e para oferecer notícias atualizadas diretamente de Jerusalém - o foco da atenção mundial. Isto é especialmente importante nestes tempos quando nós vemos eventos proféticos acontecendo diante de nossos olhos".

É preciso dizer mais?

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Sábado, Março 31, 2007

Cosmogonias Mesopotamicas no Codex

Como noticiado aqui, Tyler Williams, em Codex, está apresentando e discutindo as cosmogonias mesopotâmicas.

Isto é particularmente importante para a compreensão de Gn 1-2.

São quatro partes: começou com o post Ideas of Origins and Creation in Ancient Mesopotamia, Part 1, que discutiu as questões metodológicas e os recursos disponíveis para o estudo dos textos mesopotâmicos; na parte 2, tratou dos textos babilônicos antigos e na parte 3 dos textos neo-babilônicos.

Finalmente, na quarta parte, Tyler Williams fará uma síntese das idéias mais importantes que surgiram ao longo do estudo e sua relação com nossa compreensão dos textos bíblicos sobre a criação.

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Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

Tyler Williams estuda Cosmogonias Mesopotâmicas

Tyler Williams, em Codex, vai apresentar e discutir as cosmogonias mesopotâmicas. Isto é particularmente importante para a compreensão de Gn 1-2. Em quatro partes, começando com o post Ideas of Origins and Creation in Ancient Mesopotamia, Part 1, já publicado, serão discutidas as questões metodológicas e os recursos disponíveis para o estudo dos textos mesopotâmicos (parte 1), os textos babilônicos antigos (parte 2), os textos neo-babilônicos (parte 3) e, finalmente, na quarta parte, uma síntese das idéias mais importantes que surgiram ao longo do estudo e sua relação com nossa compreensão dos textos bíblicos sobre a criação.

Ele diz:
Next to a close reading of the biblical text, one of the most important steps in its interpretation is knowledge of the ancient cultural and literary context of the Bible (...) Thus, when approaching the biblical creation accounts in Genesis 1 and 2, it is essential to have some knowledge of other ancient Near Eastern creation accounts (...) This is the first of four posts on ideas of creation in ancient Mesopotamia. This post will discuss some methodological issues surrounding the study of Mesopotamian texts and highlight some of the resources available for studying this literature. The second and third posts will survey Old Babylonian texts and Neo-Babylonian texts, respectively. The fourth post will synthesize some of the findings and relate them to our understanding of the biblical creation texts.


Isto até me anima a terminar um trabalho iniciado tempos atrás, de organização e publicação dos textos de um seminário no qual trabalhei com 15 alunos do CEARP sobre Cosmogonias Antigas e Cosmologias Modernas. Estudamos - em nível de introdução, pois isto ocorreu na graduação em Teologia - as Cosmogonias mesopotâmicas, egípcias, cananéias e israelitas (bíblicas), finalizando com um apanhado geral das várias cosmologias científicas modernas.

A compreensão das cosmogonias do Antigo Oriente Médio em seus contextos trouxe uma notável contribuição para a compreensão dos textos bíblicos de criação. Não estávamos em busca de semelhanças ou paralelos entre os textos orientais antigos, os textos bíblicos e as diferentes teorias da cosmologia moderna. Buscamos entendê-los dentro dos limites de sua época e função. Valeu a pena.

A dificuldade que enfrentei na época e que permanece para a publicação - isto explica o seu adiamento - diz respeito aos próprios textos. A maioria está em inglês e alguns em espanhol. Estas são traduções dos originais, feitas por especialistas da área e bastante confiáveis. Os poucos textos que tenho em português, porém, são tradução de tradução, pois vieram do inglês ou do francês, o que diminui a sua confiabilidade. Mas, aguardem.

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Sábado, Janeiro 27, 2007

A descoberta do Livro da Lei na epoca de Josias

David Henige, da Memorial Library, University of Wisconsin, Madison, USA, escreve no Journal of Hebrew Scriptures - Volume 7, de 2007, o artigo Found But Not Lost: A Skeptical Note on the Document Discovered in the Temple Under Josiah, ou seja, Encontrado mas não perdido: uma nota cética sobre o documento descoberto no Templo sob Josias. O texto está disponível online e pode ser lido em formato html ou pdf.

Às vésperas de mais uma reunião dos Biblistas Mineiros e do lançamento de nosso livro sobre a Obra Histórica Deuteronomista, as considerações deste artigo me pareceram úteis.

No abstract ele diz: In this paper I look at the famous story of the finding of the “book of the law” in the temple during the reign of Josiah. Adopting a pragmatic/plausible approach and keeping in mind the biblical testimony about earlier circumstances in Judah, I argue that the story as we have it lacks inherent plausibility and should be rejected as an etiological invention, whether or not of the time. None of the various scenarios that could explain its disappearance can also serve to explain why it remained hidden for so long, only to be discovered at just the right moment to provide a willing Josiah with the justification to begin a cultic reform program.

Henige vai discutir a notícia de 2Rs 22,3-23,3 que narra a descoberta de um "livro da Lei" durante a reforma do Templo ordenada pelo rei Josias (640-609 a.C.), em seu décimo oitavo ano de governo (622 a.C.). Diz o texto, que transcrevo parcialmente na tradução da Bíblia de Jerusalém, publicada pela Paulus em 2002:

O sumo sacerdote Helcias disse ao secretário Safã: "Achei o livro da Lei no Templo de Iahweh". Helcias deu o livro a Safã, que o leu. O secretário Safã veio ter com o rei e informou-lhe: (...) "O sacerdote Helcias deu-me um livro", e Safã leu-o diante do rei. Ao ouvir as palavras contidas no livro da Lei, o rei rasgou as vestes. Ordenou ao (...): Ide consultar Iahweh por mim, pelo povo e por todo Judá a respeito das palavras deste livro que acaba de ser encontrado (...) Foram ter com a profetisa Hulda (...) O rei mandou reunir junto de si todos (...) Leu diante deles todo o conteúdo do livro da Aliança encontrado no Templo de Iahweh. O rei estava de pé sobre o estrado e concluiu diante de Iahweh a Aliança que o obrigava a seguir Iahweh e a guardar seus mandamentos, seus testemunhos e seus estatutos de todo o seu coração e de toda a sua alma, para pôr em prática as cláusulas da Aliança escrita neste livro. Todo o povo aderiu à Aliança.


David Henige cita, no começo do artigo, a posição de alguns autores sobre o assunto, como:
. "O relato de 2Rs 22-23 foi escrito no tempo de Josias e deve ser verdadeiro", diz Nadav Na’aman, em “Reflections on the Discussion”, em Lester L. Grabbe (ed.), Good Kings and Bad Kings, London, 2005, p. 348.

. "...Mas nós não sabemos se a estória desta 'descoberta' (ou alguma racionalização, como uma inserção deliberada do rolo logo após a composição) é verdadeira, diz Philip R. Davies, em “Josiah and the Law Book”, em Good Kings and Bad Kings, p. 70.

. "Há realmente um livro por trás desta estória...?", pergunta W. Boyd Barrick, The King and the Cemeteries: Toward a New Understanding of Josiah’s Reform, Leiden, 2002, p. 131.

. "Durante muito tempo os críticos defenderam a idéia de que esta 'descoberta' era uma fraude piedosa...; hoje esta opinião foi abandonada. Quase com certeza o trabalho pertence a uma época antiga", reflete Roland de Vaux, Ancient Israel: Its Life and Institutions, New York, 1961, p. 338.

. "A descoberta de um livro da lei no Templo não é implausível...", diz Mordechai Cogan, “Into Exile: from the Assyrian Conquest of Israel to the Fall of Babylon”, em Michael D. Coogan (ed.) The Oxford History of the Biblical World, New York, 1998, p. 346.


Após algumas considerações metodológicas, o autor vai nos dizer que, sobre a veracidade desta 'descoberta', há, grosso modo, cinco posições dos especialistas:

. aceitação/paráfrase: porque é o que a Bíblia diz - como T.C. Mitchell, “Judah until the Fall of Jerusalem (c. 700-586 B.C.)” em CAH2 III/2, Cambridge, 1991, p. 388.
. aceitação com argumentação - como Iain Provan, 1 and 2 Kings, Peabody MA, 1995, p. 271.
. descarte: pode ser, pode não ser, mas isto não importa - como Mark A. O’Brien, The Deuteronomistic History Hypothesis: a Reassessment, Freiburg, 1989, p. 239-40 n. 41.
. dúvida: poderia ser, mas provavelmente não - como Giovanni Garbini, Myth and History in the Bible, Sheffield, 2003, p. 64 ou Thomas Römer, The So-Called Deuteronomistic History: a Sociological, Historical, and Literary Introduction, London, 2005, p. 50-55.
. rejeição com argumentação: de modo algum é verdadeira - como... (o articulista não cita ninguém, só explica a postura!)

O autor descarta a primeira e a última posição como dependentes de crenças, e se situa em algum lugar entre a penúltima e a última. E explica que os pesquisadores estão preocupados, em geral, com o aspecto literário da questão quando perguntam o que foi encontrado no Templo, mas aqui, neste artigo, ele está preocupado com a questão histórica, ou seja, sua pergunta é se foi encontrado algum escrito no Templo. Ele diz que partilha da posição de K. L. Noll de que este é um "um conto muito estranho" (K.L. Noll, Canaan and Israel in Antiquity: an Introduction, Sheffield, 2001, p. 230). E ilustra esta esquisitice com uma leitura atenta do relato, cheio de incongruências.

David Henige levanta, em seguida, várias hipóteses sobre a época e o motivo porque tal livro teria sido "perdido" ou "escondido" no Templo. E rejeita todas as possibilidades já aventadas para explicar este fato, concluindo que "nenhuma teoria do desaparecimento do texto explica adequadamente a ocasião de sua (re)descoberta e nem a reação que ela provocou" (p. 12).

O autor acaba concluindo que temos apenas três possibilidades: um antigo manuscrito foi realmente descoberto; um novo manuscrito foi criado e "encontrado"; nada foi encontrado, mas o episódio tornou-se parte de uma elaboração etiológica.

A primeira é a hipótese mais implausível e a mais difícil de ser aceita, a não ser que o relato bíblico sobre o anti-javista rei Manassés, avó de Josias, deva ser reavaliado, como muitos hoje estão fazendo (por exemplo: Francesca Stavrakopoulou, King Manasseh and Child Sacrifice: Biblical Distortions of Historical Realities, Berlin, 2004).

A segunda hipótese é a mais difundida, não existindo argumento que possa rejeitá-la ou confirmá-la de modo inquestionável.

A terceira hipótese é a mais econômica e a mais plausível, pois uma tal elaboração posterior serviria aos interesses de quem precisava confirmar o Deuteronômio como mosaico e canônico.

O autor, embora não esteja aqui buscando confirmar ou negar qualquer hipótese, mas apenas tentando entender os argumentos em jogo, acaba ficando com esta última quando diz: Even so, looking at the pragmatics of the case, rather than its linguistics or its theological agenda, leads inexorably to a single conclusion. The story of the finding of the “book of the law” in the Temple during the eighteenth year of the reign of Josiah of Judah was a post-facto fabrication designed to lend legitimacy to the reforms being carried out at the time or to justify them retrospectively. To put it another way, it is more likely that the content of the text—whenever there actually came to be a text—conformed to the tenor of any reforms than the contrary (p. 16).

A conclusão do autor merece atenção. Ele diz que a descoberta de um "livro da lei" é um argumento e tanto para aqueles que defendem de unhas e dentes a historicidade das narrativas bíblicas, que poderiam argumentar: se um manuscrito pôde ser descoberto intacto depois de um longo período de dormência, não teriam outros manuscritos muito antigos sido preservados do mesmo modo e não teriam servido de fonte para os textos bíblicos?

Pois é. O autor não chegou, como já avisara, a nenhuma conclusão espantosa. Que, talvez, nem exista neste caso. Apenas lembro ao leitor que David Henige termina o seu artigo dizendo que o objetivo de uma historiografia crítica é estabelecer, a partir dos melhores critérios disponíveis, uma estrutura interpretativa sólida.

Finalizo, com uma lição que se tira desta leitura: historiadores devem trabalhar a partir de indícios que possam conduzir a evidências e não à simples reafirmação de assentadas crenças.

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Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

Lemche o