Observatório Bíblico

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Como um blog adquire sua legitimidade?

A internet vai gerar novas formas de inteligência coletiva?

Estou convencido de que sim. Os meios de comunicação oferecidos à humanidade, as redes digitais instantâneas parecem ter um objetivo principal: alimentar ou criar uma coerência global. Um blog adquire a sua legitimidade se for identificado com outros blogs [sublinhado meu], e o primeiro sítio que surge no Google é aquele que é ‘hyperligado’ pelo maior número de sítios... Essa legitimação por parte da coletividade carrega os seus perigos: ela se defende contra o individual e despreza aquilo que é marginal ou fora dos padrões. Mas também representa um enorme potencial que pode mudar profundamente a nossa relação com o mundo. O humano da condição inumana está bem mais próximo da formiga - que vive, existe e compreende o universo através de sua coletividade – que não é o de um indivíduo autônomo, consciente e singular.

Este é um pequeno trecho da entrevista de Ollivier Dyens, professor do Departamento de Estudos Franceses da Universidade de Concordia (Montreal), que estuda há mais de quinze anos o impacto das novas tecnologias na sociedade. Entrevista publicada no Le Monde, de 27.01.2008. Dyens é autor do livro La Condition inhumaine (A condição inumana).

A entrevista está em Notícias do IHU de 29.01.2008.

Leia o texto completo de A revolução ‘inumana’.

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Resenha de livro de Mario Liverani causa polêmica

Claude Mariottini em Mario Liverani and the History of Israel fez uma resenha da versão inglesa do livro de Mario Liverani, Oltre la Bibbia: Storia Antica di Israele. 6a. ed. Roma-Bari: Laterza, [2003] 2007, 526 p. - ISBN 9788842070603. Leia a resenha e os comentários ao post.

Jim West escreveu um post sobre a resenha, com o título de Claude Mariottini’s Impossible Impossibility [Obs.: blog falecido, link apagado: 22.03.2008]. Que provocou bastante polêmica sobre a questão da historiografia do antigo Israel. Leia o post e os muitos comentários. E recomendo, como complementação, ver o documentário A Bíblia e seu tempo - um olhar arqueológico sobre o Antigo Testamento. Que acabou de sair no Brasil. Em 2 DVDs.

Conheço e uso o livro de Liverani, desde que saiu em italiano. Acabei de indicar este que considero um excelente livro, para os meus alunos de História de Israel. Existe uma versão em espanhol, a mais acessível para a maioria. É realmente uma pena que não exista ainda uma versão para o português, embora, em italiano, já tenham saído, em cinco anos, seis edições da obra. As aulas do CEARP começam no dia 11 de fevereiro.

É claro que o livro não é perfeito, mas deve ser visto como uma tentativa séria de trabalhar a hoje tão conturbada "História de Israel".

Atualmente ninguém consegue mais escrever uma "História de Israel" sem ter que enfrentar muitas polêmicas. Nem mesmo um grande especialista em Antigo Oriente Médio como Mario Liverani.

Penso que uma História de Israel deva ser, hoje, não muito mais do que uma história/estória à base de tentativas e aberta ao debate.

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Segunda-feira, Janeiro 28, 2008

HTTP 500 - Erro Interno do Servidor

Desde o dia 25 passado o Livro de Visitas (Guestbook) e as Enquetes Bíblicas (Biblical Polls) da Ayrton's Biblical Page estão inacessíveis.

Há um HTTP 500, um erro interno do servidor (HTTP 500 - Internal Server Error) do Yahoo! que bloqueia todo acesso ao Banco de Dados. Não funcionam nem mesmo as ferramentas administrativas.

Respondendo a um meu e-mail enviado no dia 26, o Suporte do Yahoo! disse, no dia 27, que

...you are facing issues while connecting to the MySQL database... Few of our other customers have also reported similar concerns and we are looking into any difficulties you reported. We are trying to find out the root cause of this issue to fix it as soon as possible. We apologize for any inconvenience you may have experienced due to this issue.

Atualizando: 28.01.2008 - 22h00
Tudo voltou ao normal. Sem perda de dados. Ufa!

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Domingo, Janeiro 27, 2008

Resenhas na RBL: 25.01.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

John M. G. Barclay, trans.
Flavius Josephus: Against Apion
Reviewed by René Bloch

Jeannine K. Brown
Scripture as Communication: Introducing Biblical Hermeneutics
Reviewed by Tony Costa

Philip F. Esler and Ronald A. Piper
Lazarus, Mary and Martha: A Social-Scientific and Theological Reading of John
Reviewed by Peter Phillips

Ulrich Fistill
Israel und das Ostjordanland: Untersuchungen zur Komposition von Num 21,21-36,13 im Hinblick auf die Entstehung des Buches Numeri
Reviewed by Ulrike Sals

Thomas R. Hatina, ed.
Biblical Interpretation in Early Christian Gospels: Vol. 1: The Gospel of Mark
Reviewed by David du Toit

Christine Helmer, ed.
The Multivalence of Biblical Texts and Theological Meanings
Reviewed by Christoph Stenschke

Dan Jaffé
Le Talmud et les origines juives du christianisme: Jésus, Paul et les judéo-chrétiens dans la littérature talmudique
Reviewed by Bogdan G. Bucur

Christopher R. Seitz
Prophecy and Hermeneutics: Toward a New Introduction to the Prophets
Reviewed by Michael B. Shepherd

A. T. Sulavik, ed.
Guillelmus de Luxi: Postilla super Baruch, Postilla super Ionam
Reviewed by Mark W. Elliott

Robert Tannehill
The Shape of Luke's Story: Essays on Luke-Acts
Reviewed by Robert F. O'Toole

Stephen Voorwinde
Jesus' Emotions in the Fourth Gospel: Human or Divine?
Reviewed by William R. G. Loader

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Sexta-feira, Janeiro 25, 2008

Ainda Talpiot

Stephen Pfann, em The View from Jerusalem, faz hoje um apanhado da abordagem da Conferência de Jerusalém sobre a Tumba de Talpiot pela mídia que, como se vê, não combina com as posturas dos participantes do evento.

Leia: The Media and Three Surveys by the Tomb Symposium Participants

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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

Tumba de Talpiot: a controversia continua

A Tumba de Talpiot, debatida recentemente por dezenas de especialistas em uma conferência em Jerusalém, continua gerando controvérsias. Por exemplo:

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Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

Livro em homenagem a Philip R Davies online

Parcialmente online, devo dizer. Vi no Awilum.com, de Charles Halton, que viu em John Hobbins...

Mas o fato é que no blog da T & T Clark, há sete capítulos disponíveis online, totalmente gratuitos, do livro publicado em homenagem a Philip R. Davies, do qual falei no post Homenagem a Philip Davies.

Esta é uma obra que homenageia Philip R. Davies por ocasião de seus 60 anos de vida. Os autores se propõem refletir sobre a influência de Philip R. Davies nos estudos bíblicos nos últimos 30 anos.


BURNS, D.; ROGERSON, J. W. (eds) In Search of Philip R. Davies: Whose Festschrift is it Anyway? London: T & T Clark, 2007, 288 p. ISBN 9780567027177.

São os seguintes capítulos:

:: Ehud Ben Zvi, When YHWH Tests People: General Considerations and Particular Observations Regarding the Books of Chronicles and Job

:: Lester L. Grabbe, Prophecy as Inspired Biblical Interpretation: The Teacher of Righteousness and David Koresh

:: R. Barry Matlock, “Jew By Nature”: Paul, Ethnicity, and Galatians

:: Jacob Neusner, The Second Temple Origins of the Halakhah of Besah

:: Thomas L. Thompson, Why Talk About the Past: The Bible, Epic and Historiography

:: Robert L. Webb, The Rhetoric of 2 Peter: An Apologia for Early Christian Ethics (And Not ‘Primitive Christian Eschatology’)

:: Keith W. Whitelam, The Death of Biblical History

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A controvertida Tumba de Talpiot

Mark Goodacre publicou hoje, a pedido dos Professores Eric Meyers e Jodi Magness, em seu NT Gateway Weblog, a seguinte declaração sobre a Tumba de Talpiot e a Conferência de Jerusalém:

The Talpiot Tomb Controversy Revisited
A firestorm has broken out in Jerusalem following the conclusion of the “Third Princeton Theological Seminary Symposium on Jewish Views of the Afterlife and Burial Practices in Second Temple Judaism: Evaluating the Talpiot Tomb in Context.” Most negative assessments of archaeologists and other scientists and scholars who attended have been excluded from the final press reports. Instead the media have presented the views of Simcha Jacobovici, who produced the controversial film and book “The Lost Tomb of Jesus” with Hollywood director James Cameron, and who claims that his identification has been vindicated by the conference papers. Nothing further from the truth can be deduced from the discussion and presentations that took place on January 13-17, 2008...

E, após várias considerações, a conclusão:
To conclude, we wish to protest the misrepresentation of the conference proceedings in the media, and make it clear that the majority of scholars in attendance – including all of the archaeologists and epigraphers who presented papers relating to the tomb - either reject the identification of the Talpiot tomb as belonging to Jesus’ family or find this claim highly unlikely.

Leia o texto completo.

Texto que é firmado por:
Professor Jodi Magness, University of North Carolina at Chapel Hill
Professor Eric M. Meyers, Duke University
Choon-Leong Seow, Princeton Theological Seminary
F.W. Dobbs-Allsopp, Princeton Theological Seminary
Lee McDonald, Princeton Theological Seminary, visiting
Rachel Hachlili, Haifa University
Motti Aviam, University of Rochester
Amos Kloner, Bar Ilan University
Christopher Rollston, Emmanuel School of Religion
Shimon Gibson, University of North Carolina at Charlotte
Joe Zias, Science and Antiquity Group, Jerusalem
Jonathan Price, Tel Aviv University
C.D. Elledge, Gustavus Adolphus College

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Conferencia em Jerusalem avalia Tumba de Talpiot

Na semana passada, de 13 a 16 de janeiro de 2008, vários especialistas (e outros nem tanto), estiveram reunidos em Jerusalém para uma Conferência sobre a Tumba de Talpiot. Tumba que ficou muito conhecida através do filme O Sepulcro Esquecido de Jesus.

O tema da conferência foi Jewish Views of the After Life and Burial Practices in Second Temple Judaism. Evaluating the Talpiot Tomb in Context. Este link conduz ao programa da conferência.

Os debates não podiam deixar de suscitar controvérsias, em matéria tão sensível.

Leia sobre o evento em The View from Jerusalem, e, se quiser, em outros biblioblogs, pois muitos noticiaram e discutiram o assunto.

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Sexta-feira, Janeiro 18, 2008

Dossie Shoah

A Profa. Dra. Lyslei Nascimento, do Núcleo de Estudos Judaicos da Faculdade de Letras da UFMG, distribuiu, via e-mail, em 15 de janeiro de 2008, o seguinte comunicado:

É com grande satisfação que comunicamos o lançamento, online, de Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG no site do NEJ. Agradecemos, em primeiro lugar, a todos os colaboradores desse primeiro número, dedicado aos estudos sobre a Shoah. A contribuição dos especialistas que enviaram seus trabalhos foi excepcional. Recebemos artigos, poemas, contos e resenhas de todo Brasil, da Argentina e de Israel, dos Estados Unidos e de Portugal, além da Espanha e da Venezuela. A escolha do tema deveu-se, principalmente, à quase total ignorância ou esquecimento voluntário desse fatal acontecimento que marca, de forma indelével, em sua brutalidade e contundência, o século XX. Nesse sentido, nossa participação no "Seminário Internacional Memória da Shoah", no Museu Yad Vashem, e no "Seminário Memória e História do Holocausto", na Universidade Hebraica de Jerusalém, em 2006, foram fundamentais. O extermínio, nos campos de morte nazistas, de 6 milhões de judeus, 500 mil ciganos, 10 mil homossexuais, além de outros grupos minoritários considerados indesejáveis pelo regime de Hitler, não pode ser uma nota de rodapé nos manuais de História, como desejam os negacionistas ou revisionistas. Com essa atitude deliberada, eles compõem um “arquivo do mal” a fim de reduzir a Shoah a um fato irrelevante, abrindo espaço para que, em nossos dias, a intolerância e a barbárie sejam reeditadas. Com essa publicação, desejamos trazer a público estudos que mantenham o arquivo da Shoah continuamente aberto, em memória das vítimas, em defesa da vida. O apoio e a ajuda inestimável dos pareceristas e da equipe do Cedecom da UFMG foram indispensáveis. Também agradecemos à Faculdade de Letras, em especial, à Diretoria, à Coordenadoria de Pesquisa e ao Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários. Solicitamos a divulgação do lançamento da Arquivo Maaravi e convidamos pesquisadores, escritores e artistas a colaborarem nos próximos números dedicados aos Estudos Judaicos.

Visite, portanto, Arquivo Maaravi - Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG - n. 1: Dossiê - Shoah: arquivos do bem, arquivos do mal.

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Quinta-feira, Janeiro 17, 2008

Resenhas na RBL: 17.01.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Young S. Chae
Jesus as the Eschatological Davidic Shepherd: Studies in the Old Testament, Second Temple Judaism, and in the Gospel of Matthew
Reviewed by Daniel M. Gurtner

Robert B. Chisholm Jr.
Interpreting the Historical Books: An Exegetical Handbook
Reviewed by Brian D. Russell

Craig Cooper, ed.
Politics of Orality: (Orality and Literacy in Ancient Greece, Vol. 6)
Reviewed by Jonathan A. Draper

Tamás Czövek
Three Seasons of Charismatic Leadership: A Literary-Critical and Theological Interpretation of the Narrative of Saul, David and Solomon
Reviewed by Robin Gallaher Branch

John Paul Heil
Ephesians: Empowerment to Walk in Love for the Unity of All in Christ
Reviewed by Gosnell L. Yorke

J. Todd Hibbard
Intertextuality in Isaiah 24-27: The Reuse and Evocation of Earlier Texts and Traditions
Reviewed by Jeffery M. Leonard

Steven W. Holloway, ed.
Orientalism, Assyriology and the Bible
Reviewed by Patricia Dutcher-Walls

George H. van Kooten, ed.
The Revelation of the Name YHWH to Moses: Perspectives from Judaism, the Pagan Graeco-Roman World, and Early Christianity
Reviewed by Sabrina Inowlocki

Jerome Murphy-O'Connor
Jesus and Paul: Parallel Lives
Reviewed by Joseph A. Fitzmyer, S.J.

Grant R. Osborne
The Hermeneutical Spiral: A Comprehensive Introduction to Biblical Interpretation
Reviewed by Oda Wischmeyer

Rosemary Radford Ruether, ed.
Feminist Theologies: Legacy and Prospect
Reviewed by Mary L. Coloe

Megan Hale Williams
The Monk and the Book: Jerome and the Making of Christian Scholarship
Reviewed by Jonathan Yates

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Jesus e os camponeses: novo livro de D. Oakman

Quem já leu algo de Douglas E. Oakman, como Jesus and the Economic Questions of His Day (1987) ou Palestine in the Time of Jesus: Social Structures and Social Conflicts (com K. C. Hanson, 2002), sabe da importância de seus estudos para se entender a Palestina da época de Jesus.

Pois mais um estudo de Oakman, Jesus e os camponeses, acaba de ser publicado agora em janeiro de 2008, na coleção Matrix: The Bible in Mediterranean Context da editora Cascade Books, que tem outros estudos bem interessantes:


OAKMAN, D. E. Jesus and the Peasants. Eugene, OR : Cascade Books, 2008, 348 p. - ISBN 9781597522755

Diz a editora:
While some of the chapters focus on systemic issues, others probe the depths of individual Gospel passages. The author's keen eye for textual detail, archaeological data, comparative materials, and systemic overviews make this volume a joy for anyone interested in understanding Jesus in his own context. The volume is organized into three interrelated parts:
1) Political economy and the peasant values of Jesus
2) The Jesus traditions within peasant realities
3) The peasant aims of Jesus.

Aproveite e visite a Home Page de Douglas E. Oakman.

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Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Leitura do livro de Rute: algumas dificuldades

Meu artigo Leitura sócio-antropológica do livro de Rute ficou pronto no dia 27 de dezembro. Será publicado na revista Estudos Bíblicos número 98, em junho de 2008. Confira aqui a minha proposta de leitura.

Contudo, ainda não sei se consegui fazer uma leitura sócio-antropológica - que explica os fatos sociais - ou uma leitura sócio-histórica - que descreve os dados sociais relevantes! Mas o que foi feito, bem ou mal, já foi feito. A partir de março, por favor, as avaliações são bem-vindas.

O que eu gostaria de colocar a seguir, após a bibliografia e as resenhas de obras sobre Rute, são algumas questões difíceis que encontrei ao estudar o texto e ao confrontar posições de diferentes autores. Questões que eu chamaria de abertas, porque podem ter muitas respostas ou mesmo não ter nenhuma resposta mais segura, por enquanto. Como já disse, o livro é pequeno, muito bem escrito, mas tem alguns nós difíceis de desatar.

Observo que neste texto serão colocados apenas os problemas. As soluções que encontrei ou escolhi estarão na revista Estudos Bíblicos.

1. Uma questão metodológica, para começar. Já abordada em meu artigo Leitura Sócio-Antropológica da Bíblia Hebraica. Uma típica dificuldade encontrada pelos biblistas no uso da leitura sócio-antropológica é a diversidade de tendências e a grande extensão do campo das ciências sociais, o que faz com que alguém, mesmo com um conhecimento razoável das obras de Durkheim, Weber e Marx e de eventuais pensadores mais recentes, se sinta bastante perdido quando se fala de perspectivas de conflito, funcionalismo estrutural, idealismo cultural, materialismo cultural... Com freqüência não se sabe que método escolher ou misturam-se na análise várias tendências sociológicas, criando um método eclético que corre o risco de oferecer uma belíssima solução para um problema inexistente ou mal colocado. Ou, como alertam outros autores, nós, biblistas, costumamos utilizar teorias antropológicas e sociológicas que já foram abandonadas pelos especialistas nas respectivas áreas, porque consideradas superadas. Ou, em outras duras palavras: chegamos sempre atrasados, e o resultado é bastante insatisfatório.

2. Por que será que o autor/a de Rute situa os acontecimentos em Belém de Judá e os seus personagens como efrateus? Por causa da genealogia de Davi em 4,17b-22 (Booz gerou Obed, Obed gerou Jessé e Jessé gerou Davi)? Mas seria a genealogia de Davi parte da obra original ou um acréscimo posterior usado para "canonizar" o livro? Ora a genealogia tem uma perspectiva exclusivamente androcêntrica, em contraste com o restante do livro que tem uma perspectiva ginocêntrica. Como conciliar as duas coisas? Buscando outra solução, há quem pense que pode ser uma aplicação da profecia de Mq 5,1-3 (5,1a: "E tu, Belém-Éfrata, pequena entre os clãs de Judá, de ti sairá para mim aquele que governará Israel")... Porém assim não estamos, mais uma vez, arrumando uma solução "davídica" para o problema? Outros dizem: sim, solução davídica, mas não por causa deste ou daquele texto, mas porque há um "davidismo" forte entre os judaítas que elogiam Belém em contraste com Jerusalém, pois os reis (de Jerusalém) levaram Judá ao exílio, enquanto Davi (de Belém) levou as tribos acuadas e dispersas a grande país... Contudo, pergunta-se ainda: há realmente este "davidismo" no pós-exílio? Como comprová-lo? De qualquer maneira, seria viável a postura que insiste em ler o livro de Rute como uma defesa da restauração da dinastia davídica no pós-exílio?

3. Por que escolher Moab como destino da família de Elimelec e uma moabita, Rute, como a portadora da solução para a crise da família? Moab é a terra de um povo que outras tradições bíblicas vêem com hostilidade, conforme se lê em Dt 23,3-7 e Ne 13,1-3. Lembro ao leitor que em todo o livro apenas os territórios de Judá (restrito a Belém de Judá e aos efrateus) e Moab (restrito a "campos de Moab e às moabitas Orfa e Rute") são explicitamente citados.

4. A migração da família de Elimelec para Moab e a volta de Noemi e Rute a Belém poderiam estar sugerindo ao leitor uma analogia com a situação de exílio babilônico e volta para Judá e isto poderia ser usado como um argumento razoável para colocar o livro na época persa?

5. Terá mesmo existido em Yehud - nome aramaico do Judá pós-monárquico -, a partir da metade do século V a.C, a chamada comunidade do “Segundo Templo”, também apelidada pelos estudiosos, em alemão, de Bürger-Tempel-Gemeinde? Esta comunidade pode ser sumariamente definida como uma unidade social que surge da união do pessoal do templo com os proprietários de terra, criando um sistema econômico autônomo. Esta Bürger-Tempel-Gemeinde criaria, assim, uma sociedade dentro da sociedade, um restrito grupo privilegiado não co-extensivo com a sociedade mais ampla da província. Seria este o contexto no qual foi escrito o livro de Rute, que defende a tradicional estrutura do clã (mishpâhâ) constituído por um agrupamento de famílias ampliadas (bêth-'abhôth) que moram na mesma região e se auxiliam tanto no setor social quanto no econômico, constituindo uma comunidade jurídica local?

6. Na época do domínio persa sobre Yehud, há, pelo menos, outras três propostas para dar estabilidade e identidade à comunidade. Há a proposta de Zorobabel e Josué: reconstruir o Templo e o altar, narrada em Ag 1,1-15a; Zc 4,1-6a;10b-14; Esd 3,1-13; já a proposta de Esdras é manter a pureza da raça e observar a Lei, narrada em Esd 9,1-10,44; Ne 8,1-18 e, finalmente, a de Neemias, que é reconstruir Jerusalém, devolver terras alienadas e perdoar dívidas de agricultores empobrecidos, como está em Ne 5,1-19. As três vêm de Jerusalém. Ora, estas três propostas são rejeitadas ou, no mínimo, ignoradas pelo autor/a do livro de Rute. Jerusalém, o Templo, o culto, as autoridades centrais enviadas pela Pérsia nem são mencionadas no livro. Situar a estória na “época dos juízes”, não seria um modo inteligente de camuflagem literária utilizada pelo autor/a do livro de Rute para fazer sua própria proposta tão diferente das outras? E nem tão sutil assim é o desafio à proibição de casamentos com estrangeiras decretado por Esdras: Rute não é apenas uma estrangeira, ela é uma moabita. E assim é insistentemente chamada no livro: “Rute, a moabita”! Uma moabita que jamais é designada na estória como estrangeira residente (ger), merecedora de ajuda, pessoa com direitos (Dt 24,19–21), mas que é uma nokriyyâ, uma estrangeira sem nenhum direito (Rt 2,10). Para aqueles que gostam de pensar que a estória está, de fato, falando dos "dias em que julgavam os juízes”, pergunto: onde estão estes juízes no quarto ato do livro (4,1-12)? Nem mesmo se usa o verbo “julgar” (shâphat), na reunião em que se decide quem vai comprar a propriedade de Noemi e se casar com Rute ...

7. Quem lida com o livro de Rute enfrenta o grande problema de decidir se a solução proposta pelo autor/a no capítulo 4 envolve além do resgate da terra, a ge’ulla (Lv 25), também o casamento com o cunhado, o levirato (Dt 25,5-10), e qual seria a relação entre estas duas leis. Esta questão divide os especialistas, pois Rute não é judaíta, Booz não é seu cunhado, não há contrato de casamento (contrariando normas legais documentadas, na época, em papiros da comunidade judaíta de Elefantina), o texto fala o tempo todo apenas de “resgate”, a exigência de casamento com Rute feita por Booz ao parente anônimo que tem direito de resgate da terra parece extraordinária, já que os textos das leis não falam nada disso. Estaríamos lidando com uma lei anterior a Dt 25,5-10, que poderia ser chamada de “casamento redentor”, mais amplo que o levirato em sentido estrito? Ou, em sentido oposto, estaríamos lidando com uma interpretação bem mais recente de Dt 25,5-10, uma espécie de midrash da antiga lei, aplicada aqui de maneira muito mais livre? Enfim, por que as duas leis estariam interligadas, devendo ser executadas em conjunto (4,5)? Ou ainda: o livro de Rute aplica, no capítulo 4, a lei do resgate e do levirato ou apenas a lei do resgate?

8. Uma questão menor, mas que aparece em certos autores é a compra da terra que Booz faz no capítulo 4. De quem é a terra? É de Noemi ou de outra pessoa do clã para quem Noemi já vendera a terra? Há autores que dizem ser de outra pessoa. Mas onde está isto no texto?

9. Onde foi escrito o livro de Rute? Em Jerusalém? Em outro lugar? Esta é uma questão que não abordei...

10. Quem escreveu o livro de Rute? Um homem? Uma mulher? Qualquer um dos dois? O livro tem uma perspectiva ginocêntrica e isto coloca a possibilidade de uma autoria feminina. Mas seria esta autoria feminina necessária para explicar a perspectiva do livro? Sendo as duas genealogias do final - uma curta, 4,17b, e uma longa, 4,18-22 - essencialmente androcêntricas, e considerando como bastante provável que não faziam parte da obra original, quando teriam sido acrescentadas e quem o teria feito?

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Libanio analisa a greve de fome de Dom Cappio

Merece leitura atenta a entrevista do teólogo João Batista Libânio à IHU On-Line:

A greve de fome de Dom Cappio: um ato de nítido alcance político

Fonte: Notícias IHU - 15/1/2008.

E lembro novamente: para ficar informado, digite na caixa de busca do Notícias IHU a palavra cappio.

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Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

A Biblia e seu tempo: coisa rara no Brasil

Acabei de ver, pela primeira vez, os dois DVDs de A Bíblia e seu tempo - um olhar arqueológico sobre o Antigo Testamento.

Que, como todo mundo já sabe, é o documentário que a Revista História Viva, da Duetto Editorial, acabou de lançar. E que é baseado no livro de Finkelstein/Silberman, The Bible Unearthed.

Ora, se você leciona História de Israel ou trabalha com qualquer disciplina bíblica ou apenas quer aprender mais... o que está esperando? Corra e compre. É coisa rara e extraordinária sair algo tão qualificado assim por aqui.

Sabe o que é estudar História de Israel guiado por Israel Finkelstein, Neil Asher Silberman, Thomas Römer, Jacques Briend, Donald B. Redford, Amihai Mazar, John Van Seters, David Ussishkin e outros... todos especialistas de renome em arqueologia, história ou exegese?

Vou ver o documentário mais uma vez. Dura cerca de três horas e meia, mas estou pensando seriamente em escrever uma resenha sobre ele.

Recomendo o documentário aos meus colegas, claro, e aos meus alunos de História de Israel (Primeiro Ano) e Literatura Deuteronomista (Segundo Ano), nem é preciso dizer, com insistência e urgência, pois já em fevereiro estaremos tratando disso em sala de aula...

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Escrevendo hebraico e grego em Unicode

Como escrever hebraico, grego e outras línguas do Antigo Oriente Médio usando fontes Unicode no Windows XP, Vista ou outro sistema?

Eu já anotara algo sobre isto no dia 19 de junho de 2007 em Como usar fontes Unicode no Windows XP.

Agora, novamente, no blog Tyndale Tech, veja as explicações datadas de sexta-feira passada. Muito interessantes.

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Sábado, Janeiro 12, 2008

Livros sobre Israel e sua historia a caminho

Comprados na Amazon.com, os seguintes livros sobre Israel e sua história estão a caminho. Talvez em tempo para que algumas de suas idéias sejam debatidas com os alunos ainda neste primeiro semestre de 2008.

BERQUIST, J. L. (ed.) Approaching Yehud: New Approaches to the Study of the Persian Period. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007, ix + 249 p. - ISBN 9781589831452.

FINKELSTEIN, I.; MAZAR, A. The Quest for the Historical Israel: Debating Archaeology and the History of Early Israel. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2007, 220 p. - ISBN 9781589832770.

FINKELSTEIN, I.; SILBERMAN, N. A. David and Solomon: In Search of the Bible's Sacred Kings and the Roots of the Western Tradition. New York: The Free Press, 2006, 352 p. - ISBN 9780743243629.

GRABBE, L. L. A History of the Jews and Judaism in the Second Temple Period: Vol 1, Yehud: A History of the Persian Province of Judah. London: T & T Clark, 2006, 496 p. - ISBN 9780567043528.

GRABBE, L. L. Ancient Israel: What Do We Know and How Do We Know It? London: T & T Clark, 2007, 328 p. - ISBN 9780567032546.

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Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Resenhas na RBL: 08.01.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Russell C. D. Arnold
The Social Role of Liturgy in the Religion of the Qumran Community
Reviewed by Carol A. Newsom

John Sietze Bergsma
The Jubilee from Leviticus to Qumran: A History of Interpretation
Reviewed by Erhard Gerstenberger

Christian Blumenthal
“Es wird aber kommen der Tag des Herrn”: Eine textkritische Studie zu 2Petr 3,10
Reviewed by Jörg Frey

Walter Brueggemann
The Theology of the Book of Jeremiah
Reviewed by Carolyn J. Sharp

Catharine Edwards and Greg Woolf, eds.
Rome the Cosmopolis
Reviewed by Jonathan L. Reed

Jeffrey C. Geoghegan
The Time, Place, and Purpose of the Deuteronomistic History: The Evidence of “Until This Day”
Reviewed by Timothy M. Willis

John Goldingay
Old Testament Theology: Israel's Faith
Reviewed by Stephen A. Reed

Mark W. Hamilton, Thomas H. Olbricht, and Jeffrey Peterson, eds.
Renewing Tradition: Studies in Texts and Contexts in Honor of James W. Thompson
Reviewed by Korinna Zamfir

Ulrich Luz; Helmut Koester, ed.; James Crouch, trans.
Matthew 1-7: A Commentary
Reviewed by David Sim
Reviewed by Charles L. Quarles

Joan Goodnick Westenholz and Aage Westenholz
Cuneiform Inscriptions in the Collection of the Bible Lands Museum Jerusalem: The Old Babylonian Inscriptions
Reviewed by Michael S. Moore

Raphaëlle Ziadé
Les martyrs Maccabées: de l'histoire juive au culte chrétien: Les homélies de Grégoire de Nazianze et de Jean Chrysostome
Reviewed by Jan Willem van Henten

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Reforma tributaria e pacote do governo

Entidades lançam movimento por reforma tributária e defendem pacote do governo
Várias entidades de representação da sociedade civil, da igreja e movimentos sociais lançaram hoje uma campanha em defesa do que chamam de uma "reforma tributária justa". O documento do movimento foi enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento), e para deputados e senadores. No documento, essas entidades defendem as medidas anunciadas pelo governo para compensar o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), como a elevação das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e da CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) das instituições financeiras. "Foi uma medida acertada e justa, pois atinge os mais ricos e sobretudo os bancos, o sistema financeiro e empresas estrangeiras." O documento diz que "as classes ricas do Brasil se articularam com seus políticos no Senado Federal e conseguiram derrubar a CPMF". "A CPMF era um imposto que penalizava os mais ricos e 70% dele provinha de grandes empresas e bancos. Os seus mecanismos de arrecadação impediam a sonegação e permitiam que a Receita Federal checasse as movimentações financeiras com o imposto de renda, evitando fraudes e desvios." As entidades criticam o PSDB, DEM e outras entidades que criticaram a elevação das alíquotas do IOF e da CSLL. "As forças conservadoras voltaram a se articular para condenar essas medidas, tendo à frente Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e Febraban (Federação Brasileira de Bancos]." Entre os signatários do movimento estão...

Fonte: Folha Online: 10/01/2008 - 12h55

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Quarta-feira, Janeiro 09, 2008

Finkelstein contesta Mazar sobre Palacio de Davi

Israel Finkelstein - e outros colegas - contestam Eilat Mazar sobre o pretenso Palácio de Davi, descoberto em Jerusalém [sobre a descoberta leia aqui].

O seu texto, publicado hoje sob permissão por Jim West na lista de discussão Biblical Studies é:

FINKELSTEIN, I. et al. Has King David's Palace in Jerusalem Been Found? Tel Aviv University.

Infelizmente, o acesso, por enquanto (?), é restrito aos asssinantes da lista.

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Livro online sobre Historia de Israel

No site da British Academy está disponível online o volume 143 dos Proceedings of the British Academy para ser lido ou baixado gratuitamente:



WILLIAMSON, H. G. M. (ed.), Understanding the History of Ancient Israel. Oxford: Oxford University Press, 2007, 452 p. - ISBN 9780197264010.




Diz a editora:
In recent years the study of the history of Ancient Israel has become very heated. On the one hand there are those who continue to use the Bible as a primary source, modified and illustrated by the findings of archaeology, and on the other there are some who believe that primacy should be given to archaeology and that the Biblical account is then seen to be for the most part completely unreliable in historical terms. This volume makes a fresh contribution to this debate by inquiring into the appropriate methods for combining different sorts of evidence-archaeological, epigraphical, iconographical, as well as Biblical. It also seeks to learn from related historical disciplines such as classical antiquity and early Islamic history, where similar problems are faced. The volume features contribution from a strong team of internationally distinguished scholars, frequently in debate with each other, in order to ensure that there is a balance of opinion. Chapters focus on the ninth century BCE (the period of the Omri dynasty) as a test case, but the proposals are of far wider application. The result is a work which brings together in mutually respectful dialogue the representatives of positions which are otherwise in danger of talking across one another. This volume will be essential reading for students and scholars of the Bible, as well as being of great interest to all for whom the Bible is a work of fundamental importance for religion and culture.



Veja o Sumário (Contents):

:: H. G. M. Williamson, Regius Professor of Hebrew, University of Oxford and Student, Christ Church; Fellow of the British Academy
Preface; List of Abbreviations xiii-xx


:: J. W. Rogerson, Emeritus Professor of Biblical Studies, University of Sheffield
Setting the Scene: A Brief Outline of Histories of Israel 3-14


:: Keith W Whitelam, Professor of Biblical Studies, University of Sheffield
Setting the Scene: A Response to John Rogerson 15-23


:: Hans M Barstad, Professor of Hebrew and Old Testament, University of Edinburgh
The History of Ancient Israel: What Directions Should We Take? 25-48


:: Philip R. Davies, Emeritus Professor of Biblical Studies, University of Sheffield
Biblical Israel in the Ninth Century? 49-56


:: Lester L. Grabbe, Professor of Hebrew Bible and Early Judaism, University of Hull
Some Recent Issues in the Study of the History of Israel 57-67


:: T. P. Wiseman, Emeritus Professor of Classics and Ancient History, University of Exeter
Classical History: A Sketch, with Three Artefacts 71-89


:: Chase F. Robinson, Lecturer in Islamic History, University of Oxford
Early Islamic History: Parallels and Problems 91-106


:: Amélie Kuhrt, Professor of Ancient Near Eastern History, University College London
Ancient Near Eastern History: The Case of Cyrus the Great of Persia 107-127


:: David Ussishkin, Emeritus Professor of Archaeology, University of Tel Aviv
Archaeology of the Biblical Period: On Some Questions of Methodology and Chronology of the Iron Age 131-141


:: Amihai Mazar, Professor of Archaeology, Hebrew University of Jerusalem
The Spade and the Text: The Interaction between Archaeology and Israelite History Relating to the Tenth–Ninth Centuries BCE 143-171


:: Christoph Uehlinger, Professor of the History of Religions, University of Zurich
Neither Eyewitnesses, Nor Windows to the Past, but Valuable Testimony in its own Right: Remarks on Iconography, Source Criticism and Ancient Data-processing 173-228


:: M. J. Geller, Department of Hebrew and Jewish Studies, University College London
Akkadian Sources of the Ninth Century 229-241


:: K. Lawson Younger Jr, Professor of Old Testament, Semitic Languages and Ancient Near Eastern History, Trinity International University
Neo-Assyrian and Israelite History in the Ninth Century: The Role of Shalmaneser III 243-277


:: André Lemaire, Directeur d'études, École Pratique des Hautes Études, Paris
West Semitic Inscriptions and Ninth-Century BCE Ancient Israel 279-303


:: Marc Zvi Brettler, Dora Golding Professor of Biblical Studies, Brandeis University
Method in the Application of Biblical Source Material to Historical Writing (with Particular Reference to the Ninth Century BCE) 305-336


:: Graeme Auld, Professor of Hebrew Bible, University of Edinburgh
Reading Kings on the Divided Monarchy: What Sort of Narrative? 337-343


:: Rainer Albertz, Professor für Altes Testament, University of Münster
Social History of Ancient Israel 347-367


:: Bernard S. Jackson, Alliance Family Professor of Modern Jewish Studies, University of Manchester
Law in the Ninth Century: Jehoshaphat's 'Judicial Reform' 369-397


:: Nadav Na'aman, Professor of Jewish History, University of Tel Aviv
The Northern Kingdom in the Late Tenth–Ninth Centuries BCE 399-418



Não perca. Na Amazon.com o livro custa $99.00.

Dica de Jim West.

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Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

Garcia Martinez: a pesquisa atual sobre Qumran

Leio hoje no BibbiaBlog um texto muito interessante de Florentino García Martínez: Che cosa è cambiato nella ricerca su Qumran. Polemiche e prospettive [O que mudou na pesquisa sobre Qumran. Polêmicas e Prospectivas], originariamente publicado em SBF Taccuino em 30.11.2007, às 20:35. SBF é a sigla do Studium Biblicum Franciscanum, Jerusalém.

Como se sabe, Florentino García Martínez é um importante especialista em Qumran e Manuscritos do Mar Morto.

Neste artigo, aqui traduzido do espanhol para o italiano, ele aborda três pontos:
. Primo punto: i cambiamenti nella ricerca - as mudanças na pesquisa
. Punto secondo: Le polemiche - as polêmicas
. Punto terzo: prospettive - Prospectivas

A Fonte é: García Martínez, Florentino. “Qumrán en el siglo XXI: Cambios y perspectivas después de 50 años de estudios”, in Miscelánea de Estudios Árabes y Hebraicos 55 (2006) 309-334.

Leia Mais:
Observatório Bíblico: Marcador "Manuscritos do Mar Morto"
Os Essênios: a Racionalização da Solidariedade

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Sobre o uso social da Web no Brasil

Como se sabe, começou hoje, em Las Vegas, a CES (Consumer Electronics Show) 2008. Veja o quanto se "baba" sobre o evento. Leia aqui e aqui.

É, por isso, uma boa hora para se ler a entrevista feita pela IHU On-Line com Gilson Schwartz, Professor do Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da USP: 'Uma internet sem espírito gera apenas um monte de 'macacos' jogando videogame'.

Um trecho apenas:

IHU On-Line - No Ciclo produzido pelo Instituto de Estudos Avançados da USP, sobre o livro A riqueza das redes [Yochai BENKLER, The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets and Freedom. New Haven: Yale University Press, 2007, 528 p. - ISBN 9780300125771. A Riqueza das Redes: Como a Produção Social Transforma os Mercados e a Liberdade], discutiu-se a inserção da produção social na cultura brasileira. Como essa inserção vem acontecendo?

Gilson Schwartz - O Brasil tem uma população urbana muito grande, mas, por enquanto, a chamada produção social (que muitos traduzem como "web 2.0") [sublinhado meu] não tem grande destaque no país. Se formos observar o que tem acontecido de mais criativo em termos de uso social da rede, a chamada produção social, o Brasil está atrasado, como são atrasadíssimos todos os indicadores sociais do país. Mas, aos poucos, estão surgindo projetos inovadores. Falam muito do gosto do brasileiro por mídia, mas esquecem de dizer que a massa de usuários da web é "formada" por décadas de Xuxas, Trapalhões, sensacionalismo barato e até de cunho religioso, entre outras práticas de baixo impacto criativo.

Fonte: IHU Notícias - 07/01/2008

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Centenarios de Machado e Rosa

Seminário Nacional de Literatura e Cultura Brasileira: Machado e Rosa
Esse seminário, a realizar-se no período de 30 de setembro a 03 de outubro de 2008, presta uma homenagem a dois dos mais destacados representantes da Literatura brasileira: Machado de Assis e Guimarães Rosa. A Machado de Assis associa-se, entre outras coisas a criação de Academia Brasileira de Letras e a Guimarães Rosa a inserção definitiva da Literatura brasileira em âmbito mundial. No ano em que são comemorados o centenário de morte de Machado de Assis e o de nascimento de Guimarães Rosa, torna-se imperiosa uma ação que preste homenagem a esses dois ilustres brasileiros [sublinhados meus].

De 30 de setembro a 3 de outubro de 2008? Ainda está longe, mas fique de olho!

Veja a programação.

Fonte: IHU Eventos

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Os 4 blogs da Professora Claudia A. P. Ferreira

Em 16 de outubro de 2007 noticiei o nascimento do blog de Cláudia Andréa Prata Ferreira, Professora Doutora do Setor de Hebraico do Departamento de Letras Orientais e Eslavas da Faculdade de Letras da UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em História Comparada (PPGHC) do Departamento de História da UFRJ. Blog que levava o nome de Estudos Judaicos - Estudos Bíblicos - Língua Hebraica.

O que vi hoje é que, novo ano, a Prof. Cláudia fez uma remodelação, dividindo os assuntos e mantendo, como descobri via John Hobbins, 4 blogs:
. Língua Hebraica
. Estudos Judaicos
. Estudos Bíblicos
. História das Religiões e Religiosidades

Meus parabéns! Seus endereços já estão incluídos no meu Blogroll do Google Reader.

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International Biblical Studies Writing Month

Chris Brady at Targuman, circa a month ago, declared December through January International Biblical Studies Writing Month: "By the power vested in me by the Great Meturgeman (...) I declare January (and a bit of December) Biblical Studies Academic Writing Month".

Till now the challenge has been accepted by Tim Bulkeley at SansBlogue, by Chris Heard at Higgaion, by AKMA at Random Thoughts, by Charles Halton at Awilum, and by Dr. Claude Mariottini at Dr. Claude Mariottini - Professor of Old Testament. If it is an International Call for any material related to the Bible and submitted for publication, I have something.

I finished in December 27, 2007 an article about Ruth. The article, in Portuguese (Brazilian) Language, Leitura sócio-antropológica do livro de Rute [Ruth in Social-Scientific Perspective], will be published until June of 2008 by Estudos Bíblicos [Biblical Studies Journal] n. 98, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, Brazil - ISSN 16764951.

The essay seeks to look for the background world of the story of Ruth in the Persian Province of Yehud. Accepting the biblical book as a fictitious story based on real locations, the article uses social science approaches to describe the imaginative world in which the action takes place. Since the story uses real places and fictitious persons to construct the narrative, I considered three levels of perception: 1. the imaginative world of the story itself; 2. the real world behind the book's references, and 3. the social and ideological constructs of this world.

The story of Ruth, often read as an idyllic story or as a book oriented to the final Davidic genealogy, and yet sometimes as a figurative expression of a post-exilic hope for the restoration of the Davidic dynasty, was modified by an androcentric closure, but it is a strongly gynocentric narrative with a serious intent: it may be read as a countertext, deviating from dominant biblical norms, and producing a radical vision while remaining seamlessly attached to the prevailing traditions that it implicitly transforms.


I introduce the article, in Portuguese, with these words:

Ao fazer a proposta de uma leitura sócio-antropológica, estou sugerindo que estas duas ciências sociais, entre outras, podem contribuir hoje de maneira eficaz para o estudo dos textos bíblicos. Mas também estou pressupondo como necessária a abordagem literária dos mesmos textos bíblicos, para evitar a armadilha da leitura do texto como relato fidedigno da realidade social subjacente.

Qual seria, porém, a contribuição específica da leitura sócio-antropológica? Penso que pode ser o fato desta abordagem examinar não somente a literatura bíblica, mas também as forças sociais subjacentes à produção desta literatura, onde se distingue a sociedade que está por trás do texto da sociedade que aparece dentro do texto. O desafio maior, neste caso, será combinar, sem reducionismos, as abordagens sócio-antropológica e literária.

Vou utilizar o livro de Rute para visualizar esta proposta. Este livro é uma estória que usa lugares reais e pessoas fictícias situadas em determinado espaço e tempo para construir a sua narrativa. Daí que três níveis conectados pela perspectiva conferida ao texto pelo autor/a da estória devem ser considerados:
· o imaginário do autor/a que gera a narrativa
· o mundo real fora do livro
· a construção social e ideológica deste mundo pelo autor/a para atingir um objetivo.

É preciso, portanto, como sugeri, olhar em duas direções:
· para a sociedade que aparece dentro do texto, observando quem são os personagens, o mundo no qual se movem e quais são suas práticas econômicas, políticas e sociais
· para a sociedade que aparece por trás do texto, investigando a situação na qual e para a qual o livro foi escrito.

Deste modo deveria ser possível mostrar que o modo como os personagens organizam sua visão de mundo são, na verdade, ferramentas literárias utilizadas pelo autor/a na construção de uma estória totalmente fictícia, mas que, sem dúvida, produz uma mensagem que é considerada pelo autor/a de Rute como um caminho a ser buscado, estruturando o livro como uma narrativa orientada por uma proposta séria.

O artigo pode ser desenvolvido da seguinte maneira:
1. Olhando a estória com os olhos do autor/a, pergunto: o que diz o livro de Rute?
2. Olhando para além do livro, pergunto: o que é possível saber da época em que foi escrito o livro de Rute?
3. Olhando a estória com os olhos do leitor atual, pergunto: qual é a proposta do livro de Rute?


Leia Mais:
Bibliografia sobre Rute
Enquete sobre Rute
Resenhas de livros sobre Rute

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Sábado, Janeiro 05, 2008

50 pessoas que podem salvar o planeta

50 people who could save the planet
... who are the people who can bring about change, the pioneers coming up with radical solutions? We can modify our lifestyles, but that will never be enough. Who are the politicians most able to force society and industry to do things differently? Where are the green shoots that will get us out of the global ecological mess? To come up with a list of the 50 people most able to prevent the continuing destruction of the planet, we consulted key people in the global environment debate. Our panel included scientists - former World Bank chief scientist and now the British government's scientific adviser on climate change, Bob Watson, Indian physicist and ecologist Vandana Shiva, Kenyan biologist and Nobel prize-winner Wangari Maathai; activists - Guardian columnist George Monbiot and head of Greenpeace International Gerd Leipold; politicians - Green party co-leader and MEP Caroline Lucas, and London mayor Ken Livingstone; sustainable development commissioner for the UK government Jonathon Porritt and novelist Philip Pullman. Then the Guardian's science, environment and economics correspondents met to add their own nominations and establish a final 50 (...) Some people made it to the final 50 not just because of their work but because - like the man who has found a simple way to save energy in a refrigerator, or the boy who collects impressive amounts of money for the protection of tigers - they represented a significant grassroots technological or social movement. And some got on the list because they were considered the driving forces behind the decision-makers. One church leader, for example, made it largely because the world's religions have huge investments and are shifting the political landscape in the US and Europe. The final list includes an Indian peasant farmer, the world's leading geneticist, German and Chinese politicians, a novelist, a film director, a civil engineer, a seed collector and a scientist who has persuaded an African president to make a tenth of his country a national park. There are 19 nationalities represented. Nearly one in five of those listed comes from the US, and one in three is from a developing country, suggesting that grassroots resourcefulness will be as important as money and technology in the future. Nearly one in three of the people chosen has a scientific background, even if not all practice what they studied. It's not a definitive list and there are no rankings, but these 50 names give a sense of the vast well of people who represent the stirrings of a remarkable scientific and social revolution, and give us hope as we enter 2008...

Marina Silva - Politician
Marina Silva, 49, is Brazil's environment minister. The daughter of a Brazilian rubber tapper, she spent her childhood collecting rubber from the Amazon forest and demonstrating against the destruction wrought by illegal loggers. In one of the great political journeys, she rose from being illiterate at 16 to become Brazil's youngest senator, and is now the woman most able to prevent the Amazon's wholesale ruin. Under her watch, deforestation has reduced by nearly 75% and millions of square miles of reserves have been given to traditional communities. Last year 1,500 companies were raided and one million cubic metres of illegally felled timber were confiscated. But the future, says Silva, is peril ous. The only way that long-term loss will be averted is with foreign help. "We don't want charity, it's a question of ethics of solidarity," she says.
Fonte: The Guardian - Jan 5, 2008.


"Guardian" põe Marina Silva entre "50 pessoas que podem salvar o planeta"

A ministra do Meio Ambiente do Brasil, Marina Silva, foi citada neste sábado em uma lista preparada pelo jornal britânico The Guardian com "as 50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta". Segundo o jornal, a lista, preparada por um painel de especialistas, identifica "os 50 homens e mulheres com o poder de nos salvar de nós mesmos". "Todo mundo concorda que uma ação urgente é necessária para evitar uma mudança climática catastrófica, mas quem realmente tem a influência e as idéias para fazer isso acontecer?", diz o Guardian em sua apresentação. No texto dedicado a Marina Silva, o jornal destaca sua história como "filha de um seringueiro brasileiro, passando sua infância coletando látex da floresta amazônica e protestando contra a destruição provocada pelos madeireiros ilegais". "Em uma das grandes histórias políticas, ela passou de analfabeta aos 16 anos à mais jovem senadora do Brasil e agora é a mulher mais capaz de prevenir a total ruína da Amazônia", diz o texto. O jornal comenta que, sob sua gestão no ministério, o desmatamento na
Amazônia caiu 75%, e vastas áreas de floresta foram destinados a comunidades indígenas. "Mas o futuro, diz Silva, é arriscado. A única maneira de evitar uma perda no longo prazo é com ajuda internacional", diz o jornal, citando uma declaração da ministra: "Não queremos caridade, é uma questão da ética da solidariedade"...

Fonte: BBC Brasil: 05/01/2008 - 09h13

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Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

The New Jerome Biblical Commentary em português

Com um atraso de quase 20 anos, mas chegou...

BROWN, R.; MURPHY, R. E.; FITZMYER, J. A. (eds.) Novo comentário bíblico São Jerônimo: Antigo Testamento. São Paulo: Paulus/Academia Cristã, 2007, 1264 p. - ISBN 9788598481197.

Original inglês: The New Jerome Biblical Commentary. New Edition. Sheed and Ward, 2002, 1526 p. - ISBN 9780225668032 [Há várias edições em inglês, publicadas desde 1990 por diferentes editoras]

Diz Cássio Murilo Dias da Silva na apresentação da obra:
O Novo Comentário Bíblico de São Jerônimo é uma verdadeira enciclopédia bíblica, na qual, além de uma introdução e um comentário a cada um dos livors bíblicos, encontram-se também artigos mais amplos concernentes à História de Israel, à teologia bíblica e à hermenêutica. Não obstante, trata-se de uma obra de leitura ágil e agradável. De fato, concisão, objetividade e clareza são apenas algumas das características dos artigos deste comentário, destinado não só a exegetas e teólogos, mas também a pregadores, missionários, catequistas, cientistas de outras áreas do conhecimento e toda pessoa que busca informações consistentes e abalizadas sobre o livro da Palavra de Deus. Nenhum dos artigos se apresenta como a última palavra sobre os argumentos tratados. Antes, oferecem um ponto de partida seguro e fundamentado para o estudo e a discussão de quase tudo o que se refere à Bíblia [sublinhado meu]. Por tudo isso, o Novo Comentário Bíblico de São Jerônimo é uma daquelas obras indispensáveis para qualquer biblioteca de teologia, seja ela pessoal ou de um faculdade. Em resumo, a publicação em língua portuguesa do Novo Comentário Bíblico São Jerônimo vem preencher uma lacuna que há muito permanecia aberta.

Na Amazon.com se lê:
This reference book is a compact commentary on the entire Bible that readers can use to familiarize themselves with the methods and paths followed by biblical scholars. It features current theories on dating, historical reconstruction, and archaeological information. Contemporary perspectives and topical articles of an introductory nature include Hermeneutics, Canonicity, Old Testament themes, and coverage of biblical theology. Additional commentary includes articles on Jesus, the early Church, Gnosticism, and the subapostolic church. Especially for seminarians and clergy who require a commentary on the Scriptures both during their formal study of theology and for preaching in their ministry. Also, for those interested in religion and theology on all levels and feel the need for an adequate background in the Bible.

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Dois livros publicados pela Paulus

Ainda não os vi, mas parecem valer a pena.

Eduardo Arens é bem conhecido dos biblistas brasileiros por seu livro Ásia menor nos tempos de Paulo, Lucas e João: Aspectos sociais e econômicos para a compreensão do Novo Testamento, também publicado pela Paulus em 1998.


ARENS, E. A Bíblia sem mitos: uma introdução crítica. São Paulo: Paulus, 2007, 416 p. - ISBN 9788534927703

Tradução do original espanhol: La Biblia sin mitos, una introducción crítica. Lima: Centro de Estudios y Publicaciones, 2004, 391 p.

"A Bíblia como documento fundacional da comunidade cristã (e, antes dela, da comunidade hebraica), a Palavra de Deus como manifestação do Espírito a partir do fundamento do texto, o problemático texto, antigo, de centenas de anos, a mensagem nova para cada pessoa e para cada dia; esses são os aspectos sobre os quais esta obra centra sua atenção. A abordagem dos problemas de contexto cultural e religioso dos textos bíblicos, com senso crítico e apoio das ciências históricas, permite respeitá-los e valorizá-los com aquilo que são: testemunhos de vida e de fé que procedem de numerosas comunidades de crentes, capazes de alimentar hoje nossa própria vivência".

"El libro está dividido en tres capítulos: la primera narra la génesis de los textos bíblicos en su contexto histórico, cultural y social; la segunda se ocupa del canon bíblico, es decir de cómo fueron aceptados unos textos y otros no, que después serían considerados "apócrifos"; y la tercera está referida a la hermenéutica, es decir a la interpretación propiamente dicha de los textos sagrados. Un libro sumamente interesante".


PRIETO, C. Cristianismo e paganismo: a pregação do evangelho no mundo greco-romano. São Paulo: Paulus, 2007, 136 p. - ISBN 9788534927857

Tradução do original francês: Christianisme et paganisme : La prédication de l'Evangile dans le monde gréco-romain. Genève: Labor et Fides, 2004, 175 p. - ISBN 9782830911404.

"O processo de inculturação do cristianismo no mundo romano durante os anos 80-90 é estudado detalhadamente neste livro, graças a uma análise de textos extraídos dos evangelhos de Lucas e de João, dos Atos dos Apóstolos e do Apocalipse. A autora propõe uma bela análise dos textos bem como um quadro do contexto histórico que permite ao leitor fazer uma idéia da cultura em que os autores neotestamentários estavam imersos. Para isso a autora seleciona e analisa alguns textos bíblicos dos Evangelhos de Lucas e de João, dos Atos dos Apóstolos e do Apocalipse. O livro está dividido em cinco capítulos. Cada capítulo se divide em duas partes. A primeira parte é dedicada à análise de um ou mais textos bíblicos, segundo o método narrativo. A escolha desse método permite seguir passo a passo a narrativa e analisar as intenções de Christine Pietro. Na segunda parte do capítulo a autora apresenta um quadro do contexto histórico que rodeia o tema tratado. Esse método adotado pela autora permite que o leitor tenha uma idéia do universo cultural no qual os autores neotestamentários estavam inseridos. Cada uma das duas partes de cada capítulo pode também ser lida independentemente, conforme a busca do leitor por uma análise de textos bíblicos ou referências culturais sobre o mundo antigo que rodeava a Igreja. Christine Prieto estudou Cinema antes de se tornar teóloga pelo Instituto Protestante de Teologia de Paris e pela Universidade de Lausanne. Desde 2002, é pastora e animadora bíblica da Igreja Reformada da França".

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Quinta-feira, Janeiro 03, 2008

Homenagem a Dom Aloisio Lorscheider

Leia: Dom Aloísio Lorscheider. Por Dom Demétrio Valentini.

Publicado na Adital: 29.12.2007

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Resenhas na RBL: 03.01.2008

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Joseph Blenkinsopp
Opening the Sealed Book: Interpretations of the Book of Isaiah in Late Antiquity
Reviewed by Riemer Roukema

Greg Carey
Ultimate Things: An Introduction to Jewish and Christian Apocalyptic Literature
Reviewed by Lorenzo DiTommaso

A. Andrew Das
Solving the Romans Debate
Reviewed by David J. Downs

Martin Hengel; Claus-Jürgen Thornton, ed.
Studien zur Christologie: Kleine Schriften IV
Reviewed by Lidija Novakovic

Larry W. Hurtado, ed.
The Freer Biblical Manuscripts: Fresh Studies of an American Treasure Trove
Reviewed by Juan Hernández Jr.

Percy S. F. van Keulen
Two Versions of the Solomon Narrative: An Inquiry into the Relationship between MT 1 Kgs. 2-11 and LXX 3 Reg. 2-11
Reviewed by Zipora Talshir

Victor Matthews
Manners and Customs in the Bible: An Illustrated Guide to Daily Life in Bible Times
Reviewed by Aaron Koller

Santiago Guijarro Oporto
Jesús y sus primeros discípulos
Reviewed by Ruben Dupertuis

Christine Stark
«Kultprostitution» im Alten Testament? Die Qedeschen der Hebräischen Bibel und das Motiv der Hurerei
Reviewed by Christian Frevel

Guy Waters
The End of Deuteronomy in the Epistles of Paul
Reviewed by Kenneth D. Litwak

Karen Strand Winslow
Early Jewish and Christian Memories of Moses' Wives: Exogamist Marriage and Ethnic Identity
Reviewed by Amelia Devin Freedman

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A Biblia e seu tempo em DVD

No site da Revista História Viva, publicada pela Duetto, como noticiado em The Bible Unearthed em DVD: agora no Brasil e em A Bíblia e seu tempo, já estão disponíveis os dois DVDs de




Vol. 1: Os patriarcas - O êxodo
Vol. 2: Os reis - "O livro"

Preço de cada DVD: R$ 24,90 + frete. Os DVDs são vendidos também nas bancas.

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Livro sobre Deuteronomista em italiano

Vi hoje no BibbiaBlog que o livro de Thomas RÖMER, The So-Called Deuteronomistic History: A Sociological, Historical and Literary Introduction. New Edition. London: T & T Clark, 2007, x + 202 p. ISBN 9780567032126, que comentei aqui, foi traduzido para o italiano:


RÖMER, T. Dal Deuteronomio ai libri del Re. Introduzione storica, letteraria e sociologica. Torino: Claudiana, 2007, 224 p. ISBN 9788870166743.

Nesta obra Thomas Römer tenta responder às várias questões que continuam a ser discutidas a propósito da Obra Histórica Deuteronomista com uma solução de compromisso entre as soluções de Harvard e de Göttingen. Ele defende uma desenvolvimento da obra em três estágios, com uma primeira edição anterior ao exílio (Harvard – F. M. Cross), uma segunda edição durante o exílio (a tese de M. Noth) e uma edição final no pós-exílio (a edição DtrN de Göttingen – R. Smend).

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Einstein: Sua Vida, Seu Universo

ISAACSON, W. Einstein: Sua Vida, Seu Universo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, 656 p. - ISBN 9788535911282.

Tradução do inglês: Einstein: His Life and Universe. New York: Simon & Schuster, 2007, 704 p. - ISBN 9780743264730 (A edição em 'Paperback' será publicada em maio de 2008).

Diz a editora:
"Einstein: sua vida, seu universo, a nova biografia de Albert Einstein, baseia-se numa coleção de cartas divulgadas em 2006, vinte anos depois da morte de sua enteada, conforme ela determinara em testamento. Escrita pelo jornalista Walter Isaacson, que já presidiu os grupos Time e cnn, e amplamente elogiada pela crítica, revela um Einstein avesso a qualquer tipo de dogma. Foi esse espírito rebelde que permitiu o nascimento da teoria que revolucionaria a física. O conteúdo das cartas desnuda a vida íntima de uma mente genial. Um homem simples e afável, mas ao mesmo tempo impertinente e distante, Einstein mantinha relacionamentos pessoais difíceis, segredos e casos extraconjugais, além de desprezar a guerra e se divertir com a aura de celebridade. Livre de amarras, Einstein podia explorar sua curiosidade, traço fundamental de sua personalidade e, em suas próprias palavras, essencial para seu brilhantismo: Não tenho nenhum talento especial, apenas uma ardente curiosidade. Mas, no fim da vida, a rebeldia deu lugar ao inconformismo, tanto em termos científicos quanto políticos. Einstein: sua vida, seu universo nos revela o menino curioso, o estudante genial e insolente que se apaixona pela colega de curso, o funcionário do escritório de patentes que revoluciona a física, o homem atormentado por problemas conjugais, o pai muitas vezes ausente, o físico por fim reconhecido no mundo todo, o militante pacifista e sua busca frustrada pela teoria do campo unificado uma solução matemática que explicasse as idiossincrasias da recém-nascida mecânica quântica, fruto de uma idéia sua".


Sem usar matemática, biografia de Einstein conta como o gênio mudou a física
Em 1905, [Einstein] sacou que o tempo não era absoluto: para alguém se movendo, o tempo passa mais devagar do que para quem está parado. Dez anos depois, cravou que o espaço é curvo: um meteoro não é atraído pela lei de gravidade da Terra; na verdade, ele escorrega como uma bola de sinuca numa caçapa. Apesar de se tratarem de conceitos físicos avançados, essas teorias estão explicadas para gente normal na ótima biografia "Einstein - Sua Vida, seu Universo". Mesmo longo, o livro não traz uma única equação matemática. E extrapola a física teórica, já que a vida de Einstein se confunde com a história do século 20: fala da vida pessoal, dos amores, da decisão de criar a bomba atômica, da criação do Estado de Israel e, principalmente, dos processos mentais que fizeram Albert Einstein (1879-1955) virar um "Einstein". Ou seja, faz você viajar com ele na velocidade da luz. Fonte: Folha Online: 17/12/2007 - 08h35.

Mais sobre Einstein? Leia aqui e aqui.

Leia também:
Astrônomos da Alemanha vêem "parto" de planeta - Folha Online: 03/01/2008 - 08h16

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Biblical Studies Carnival XXV

Seleção dos melhores posts de dezembro de 2007.

Feita pelo biblioblogueiro do mês, Christian Brady em seu biblioblog Targuman.

Tyler F. Williams, do Codex, está preparando um Carnaval de Estudos Bíblicos com os melhores posts de 2007. Aguarde: Biblical Studies Carnival - Best of 2007.

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Quarta-feira, Janeiro 02, 2008

As Viagens dos Reis Magos

"Os folcloristas e antropólogos, a exemplo de Câmara Cascudo e Carlos Rodrigues Brandão, já interpretaram sobejamente as folias [de Reis], explicitando-lhes as características fundamentais: são parte do catolicismo popular, são de origem predominantemente camponesa e englobam o peditório do cortejo, que é feito em nome do padroeiro. Mas como praticante, e mesmo assumindo todas essas características, entendo que, de todas as formas possíveis de se explicar o que é uma Folia de Reis, a mais definidora é o seu giro, a peregrinação de um ponto inicial (a festa de saída) a ponto terminal (a festa de chegada - o 'arremate'), previamente definidos. Entre os dois pontos expoentes dos festejos de cada ano, a folia expressa-se inteira, em todas as suas dimensões (organizativa, artística, religiosa, social), dentro de cada casa onde os integrantes se apresentam como procuradores de uma esmola e viajores à procura de um certo recém-nascido. É bonito e emocionante, sim, ver a diversificação das formas e vozes das folias num grande encontro de companhias, em uma praça ou em um ginásio de esportes. Mas a folia é, na sua essência, o giro, a viagem para Belém, em cada casa por onde ela passa (...) Nasceu daí a vontade de escrever sobre os Reis Magos, tomando-os como viajantes" (p.8).

Quem assim escreve é Jadir de Morais Pessoa. Nascido de uma família mineira radicada em Itapuranga, Goiás, Jadir foi criado no Povoado de Lages, cujo centro eram as rezas e as novenas da Capela de Nossa Senhora do Rosário e o giro da Folia de Reis, terminando no dia cinco de janeiro. Ainda na adolescência, estudando em Goiânia, Jadir foi assumido como folião de Reis pelos integrantes do terno das Lages. Cursou em seguida Filosofia e Teologia na PUC-Campinas e fez o Mestrado e o Doutorado em Antropologia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob a orientação do Professor Carlos Rodrigues Brandão.

Hoje Jadir é Professor Titular na Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás. Em todo esse percurso de estudante e professor, sempre manteve a identidade de folião de Reis.

Jadir foi meu aluno quando cursou Teologia na PUC-Campinas (1981-1984). E, ao pesquisar o texto bíblico de Mt 2,1-12 para a escrita deste livro, acabou encontrando meu texto A Visita dos Magos: Mt 2,1-12. Dele se serviu no capítulo primeiro, A caminho de Belém, para acompanhar a primeira das sete viagens dos Reis Magos...

Escrito em parceria com a pesquisadora francesa da temática dos Reis Magos na França e em outros países da Europa, Madeleine Félix, o livro do qual estou falando é:


Jadir de Morais PESSOA e Madeleine FÉLIX, As Viagens dos Reis Magos. Goiânia: Ed. da UCG, 2007, 256 p. ISBN: 8571033706.

Em sete capítulos, fartamente ilustrados, Jadir e Madeleine acompanham os Reis Magos em suas sete viagens:
1. A caminho de Belém
2. De Constantinopla a Milão
3. De Milão a Colônia
4. De Colônia para a Europa ocidental medieval
5. Na bagagem da catequese jesuítica
6. Trilhando a diversidade cultural brasileira
7. Os Três Reis de casa em casa

Fico muito contente ao ver esta extraordinária pesquisa do amigo Jadir, que, gentilmente, me enviou um exemplar com bonita dedicatória em dezembro passado. O livro foi lançado em janeiro de 2007.

Leia Mais:
Currículo Lattes de Jadir de Morais Pessoa
Madeleine FÉLIX, Le Livre des Rois Mages. Paris: Desclée de Brouwer, 2000, 239 p. - ISBN 9782220040486
Professor Jadir de Morais Pessoa (UFG) lança livro em parceria com escritora francesa
Tradição revigorada

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Biblioblogueiro de janeiro 2008: Christian Brady

Jim West, em Biblioblogs.com, entrevista Christian Brady, autor do blog Targuman, escolhido como o biblioblogueiro do mês de janeiro de 2008.

Especialista em estudos targúmicos, Christian Brady é Dean of the Schreyer Honors College at Penn State (The Pennsylvania State University, PA, USA).

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Terça-feira, Janeiro 01, 2008

Feliz 2008!

Aam Saiid/Sana Saiida!
Akemashite Omedeto!
Bonne Année!
Buon Anno!
Ein Gutes Neues Jahr!
Felicxan Novan Jaron!
Felix Sit Annus Novus!
Feliz Ano Novo!
Feliz Año Nuevo!
Gelukkig Nieuwjaar!
Gelukkige Nuwejaar!
Godt nytår!
Happy New Year!
Kali Chronia!
Rogüerohory Año Nuévo-re!
S Novim Godom!
Shana Tova!
Xin Nien Kuai Le!

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