Observatório Bíblico

Domingo, Setembro 30, 2007

Arquivo Maaravi: Estudos Judaicos na UFMG

Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG - Chamada para publicação

O Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG convida pesquisadores, escritores e artistas a enviarem trabalhos para


A publicação da Arquivo Maaravi é parte das comemorações dos três anos do NEJ na UFMG. A revista, semestral, tem, como objetivo principal, abrigar ensaios, resenhas, contos e poemas na área dos Estudos Judaicos.

Cada número possui uma linha temática que determinará um dossiê preestabelecido. Os ensaios enviados e submetidos ao Conselho Editorial irão compor esse dossiê. Os poemas e contos também serão de tema livre, desde que relacionados à área de dedicação da revista. Cada número terá uma entrevista com escritores, pesquisadores e artistas que se dediquem aos Estudos Judaicos.


A agenda da Arquivo Maaravi para os próximos 04 números é a seguinte:

:: Número 1: Dossiê – Shoah: arquivos do bem, arquivos do mal
Data limite para envio de trabalhos: 10 de junho 2007 (encerrado)
Publicação: setembro de 2007

:: Número 2: Dossiê – Torah: arquivos multidisciplinares da escritura
Data limite para envio de trabalhos: 30 de outubro 2007
Publicação: dezembro 2007

:: Número 3: O estranho, o mágico e o maravilhoso no arquivo da tradição judaica
Data limite para envio de trabalhos: 10 de abril 2008
Publicação: julho 2008

:: Número 4: Humor, ironia e controvérsia no arquivo da cultura judaica
Data limite para envio de trabalhos: 30 de outubro 2008
Publicação: dezembro 2008.

Leia também: UFMG: The Bible and its Translations

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A arqueologia da Palestina que conta

True treasures of the Holy Land
Although sometimes overshadowed by the grand claims of amateurs, important discoveries are now being made by biblical archeologists on an almost weekly basis. In just the past month, researchers have announced five major finds in Israel, three in Jerusalem alone.

:: Beehives from the 10th or ninth century BC at Tel Rehov, in Israel's Bet She'an Valley

:: A possible Egyptian fortress from before the time of the Exodus, buried beneath a seventh century BC Philistine village near the Gaza Strip

:: A quarry in Jerusalem that may have supplied massive stone blocks for the Second Temple, built in the first century BC

:: A wall, possibly from the Second Temple itself, found during repair work on top of Jerusalem's Temple Mount

:: A huge city drain in Jerusalem dating from the time of the First Jewish Revolt in the first century AD.

A maior parte dos links são do blog de Todd Bolen, BiblePlaces Blog, onde, em geral, há belas fotos.

The Boston Globe - September 30, 2007

Via Explorator 10.23 - September 30, 2007

Leia também: Cline denuncia as constantes fraudes na arqueologia.

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Cline denuncia as constantes fraudes na arqueologia

Raiders of the faux ark
Biblical archeology is too important to leave to crackpots and ideologues. It's time to fight back.
Noah's Ark. The Ark of the Covenant. The Garden of Eden. Sodom and Gomorrah. The Exodus. The Lost Tomb of Jesus. All have been "found" in the last 10 years, including one within the past six months. The discoverers: a former SWAT team member; an investigator of ghosts, telepathy, and parapsychology; a filmmaker who calls himself "The Naked Archeologist"; and others, none of whom has any professional training in archeology. We are living in a time of exciting discoveries in biblical archeology. We are also living in a time of widespread biblical fraud, dubious science, and crackpot theorizing. Some of the highest-profile discoveries of the past several years are shadowed by accusations of forgery, such as the James Ossuary, which may or may not be the burial box of Jesus' brother, as well as other supposed Bible-era findings such as the Jehoash Tablet and a small ivory pomegranate said to be from the time of Solomon. Every year "scientific" expeditions embark to look for Noah's Ark, raising untold amounts of money from gullible believers who eagerly listen to tales spun by sincere amateurs or rapacious con men; it is not always easy to tell the two apart. The tools of modern archeology, from magnetometers to precise excavation methods, offer a growing opportunity to illuminate some of the intriguing mysteries surrounding the Bible, one of the foundations of western civilization. Yet the amateurs are taking in the public's money to support ventures that offer little chance of furthering the cause of knowledge. With their grand claims, and all the ensuing attention, they divert the public's attention from the scientific study of the Holy Land - and bring confusion, and even discredit, to biblical archeology (...) At a time when the world is increasingly divided by religion, both domestically and internationally, and when many people are biblically illiterate, legitimate inquiries into the common origins of religions have never been more important. I believe that the public deserves - and wants - better. We have an obligation to challenge the lies and the hype, to share the real data, so that the public discussion can be an informed one...

Leia a análise completa de Eric H. Cline, que denuncia: ao mesmo tempo em que vivemos uma época de fascinantes descobertas arqueológicas no Oriente Médio e que podem contribuir muito para a compreensão do mundo bíblico, vivemos uma época de fraudes generalizadas, pressupostos científicos duvidosos, teorias fantásticas e fanáticas sem nenhum fundamento.

É hora de dar o troco. É hora de denunciar. É hora de combater o amadorismo daqueles que se autoproclamam arqueólogos e que montam espetáculos grandiosos para ganhar dinheiro e vender ao público falsos produtos como as "descobertas" da Arca de Noé, da Arca da Aliança, do Jardim do Éden, de Sodoma e Gomorra, do Êxodo, do Sepulcro Esquecido de Jesus, do Ossuário de Tiago...

É hora da arqueologia séria também divulgar, através de todos os meios, as suas descobertas. O público merece e quer o melhor. E os especialistas têm a obrigação de desafiar e desmistificar as mentiras e o sensacionalismo das cada vez mais freqüentes fraudes arqueológicas que dizem, via jornais, revistas, televisão, Internet e outros meios eletrônicos que, finalmente, a verdade bíblica, ocultada ao mundo, por séculos, pelas autoridades religiosas judaicas e cristãs, acaba de ser revelada.

Vi o texto no PaleoJudaica.com, do Jim Davila. A análise, escrita por Eric H. Cline, está em The Boston Globe - 30 de setembro de 2007.

Eric H. Cline é Professor no Departamento de Literaturas e Línguas Clássicas e Semíticas da Universidade George Washington, em Washington, D.C. Diretor associado de escavações em Megiddo, Israel.

É autor do recente From Eden to Exile: Unraveling Mysteries of the Bible. Washington, D.C.: National Geographic Society, 2007, 256 p. - ISBN 9781426200847. Leia resenhas do livro.

E preste atenção também a este comentário que está na página da Amazon.com: "In a world that turns more and more to irrational views of history, Eric Cline demythologizes the 'mysteries of the Bible'. He does so with the force of reason, using clear language and a perfect command of the ancient records and the finds from the field." Israel Finkelstein, Institute of Archaeology, Tel Aviv University, author, with N. A. Silberman, of The Bible Unearthed [tradução brasileira: A Bíblia não tinha razão].

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A literatura henoquica em novo livro de Boccaccini

Está para sair, pela Editora Brill, mais um livro sobre a literatura henóquica, editado por Gabriele Boccaccini e John J. Collins. Por enquanto, não tenho mais informações sobre esta obra, a não ser o que está na página da editora.


BOCCACCINI, G.; COLLINS, J. J. (ed.) The Early Enoch Literature. Leiden: Brill, x + 374 p. - ISBN 9789004161542.


Lançamento previsto para outubro de 2007.

Diz a editora Brill:
In recent years there has been a lively debate about the early Enoch literature and its place in Judaism. This volume is intended to represent that debate, by juxtaposing pairs of articles on several key issues: the textual evidence, the relationship to the Torah, the calendar, the relation to wisdom, the relation to the temple, the sociological setting and the relation to the Dead Sea Scrolls. It is not the intention of the editors to impose a consensus, but rather to stimulate discussion by bringing together divergent viewpoints. The book should be a useful textbook not only on the Enoch literature and apocalypticism, but more generally on Second Temple Judaism.

Leia Mais:
Judaísmo Rabínico
Livro coordenado por Boccaccini tem nova resenha na Review of Biblical Literature
Novo livro do Enoch Seminar editado por Boccaccini

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Sexta-feira, Setembro 28, 2007

Os rumos da Teologia hoje

A Teologia precisa “reinventar seu tradicional diálogo com as outras ciências em bases muito mais árduas”, afirma Afonso Maria Ligório Soares, Presidente da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (SOTER).

Segundo ele, a Teologia sempre esteve em diálogo com a ciência do seu tempo, mas, para dialogar, é preciso ter claro o que é próprio de cada interlocutor. Um teólogo que não dialoga com a ciência de seu tempo nem teólogo é.

Em entrevista concedida à IHU On-Line, Afonso Maria Ligório Soares aponta para a necessidade de construir “uma teologia pluralista não confessionalmente cristã, mas transreligiosa, pluri-religiosa, macro-ecumênica ou inter-faith”.

Afonso Maria Ligório Soares é Mestre em Teologia Fundamental pela Universidade Gregoriana de Roma, Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e Pós-Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Atualmente é Professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Coordenador do Departamento de Teologia e Ciências da Religião da mesma Universidade.

Confira a entrevista Para onde vamos? Os rumos da Teologia hoje, publicada pela IHU On-line, n. 237, 24 de setembro de 2007, p. 38-40.

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Feira do Livro de Ribeirao Preto

A 7a. Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, SP, começou hoje, dia 28, e vai até o dia 7 de outubro.

Visite o site da Feira e veja a programação.

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Quarta-feira, Setembro 26, 2007

Paolo Merlo analisa Kuntillet ‘Ajrud

O artigo de Paolo Merlo, Professor da Pontifícia Universidade Lateranense, Roma, sobre a inscrição de Kuntillet ‘Ajrud, na qual Iahweh aparece associado a Asherah, está disponível online. Em italiano.

O artigo foi publicado pela revista SEL (n. 11, 1994) - Studi Epigrafici e Linguistici sul Vicino Oriente Antico - do Instituto de Estudios Islámicos y del Oriente Próximo, de Zaragoza, Espanha.

Leia L‘Asherah di Yhwh a Kuntillet ‘Ajrud. Rassegna critica degli studi e delle interpretazioni.

Lembro que a descoberta das inscrições de Kuntillet ‘Ajrud e de Khirbet el-Qôm são muito importantes para se debater as origens de Israel e o sincretismo javista/baalista existente em Canaã. Há uma enorme bibliografia sobre o assunto.

Tomei conhecimento do assunto em ABZU e no blog Abnormal Interests, de Duane Smith.

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Anchor Bible foi adquirida por Yale

Está circulando pelos biblioblogs (Jim Davila, Iyov), com sabor de comemoração, a notícia da aquisição da Coleção Anchor Bible, da Doubleday, pela Yale University Press. A editora promete acelerar o programa de publicações da coleção, daí a comemoração.

Quem é biblista obrigatoriamente conhece a Coleção Anchor Bible, com seus cerca de 115 volumes, valiosos comentários, o ótimo dicionário em 6 volumes, que tenho em um único CD...

Transcrevo de The Book Standard um trecho da notícia Yale Acquires Anchor Bible Series:
Yale University Press has acquired the Anchor Bible series from Doubleday for undisclosed terms. The series, which was started in 1956 with guidance from biblical scholar William Foxwell Albright, is a collection of more than 115 volumes of biblical scholarship. The overall series is divided into the Anchor Bible Commentary Series, a book-by-book translation and exegesis of the Hebrew Bible, the New Testament, and the Apocrypha; the six-volume Anchor Bible Dictionary set; and the open-ended Anchor Bible Reference Library series... (September 25, 2007, by Kimberly Maul).

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Aprenda Hebraico

No dia 29 de junho de 2006, publiquei o post Site de Jacob Richman ensina gratuitamente hebraico moderno. Leia.

Depois, prossiga aqui, pois vi hoje no biblioblog do Dr. Claude Mariottini o post Learn Hebrew. E retomo o asssunto, com mais dados.

Jacob Richman, de Ma'aleh Adumim, Israel, nos informa que, em seu site Learn Hebrew, o interessado pode aprender cerca de 1700 palavras e frases de hebraico moderno, organizadas em 46 categorias diferentes, como alfabeto, animais, clima, comida, esporte, computadores, corpo humano, família etc.

Tudo com clara pronúncia e tradução para 5 línguas. Com possibilidade de impressão e outros recursos mais.

Sei, por exemplo, que o alfabeto, com bela pronúncia, pode ser extremamente útil para minhas aulas...

Jacob Richman tem outros sites interessantes. Veja o seu diretório de sites aqui.

E veja seu blog Good News from Israel.

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Domingo, Setembro 23, 2007

Hauser bate forte na teoria das fontes do Pentateuco

No Forum SBL de setembro 2007, Alan J. Hauser, Professor da Appalachian State University, Boone, Carolina do Norte, USA, publicou um artigo sobre a situação atual da pesquisa do Pentateuco, com o título de Sources of the Pentateuch: So Many Theories, So Little Consensus [Fontes do Pentateuco: tantas teorias, tão pouco consenso].

Hauser critica, neste artigo, fortemente, as muitas tentativas pós-wellhausenianas de explicação do Pentateuco que ainda permanecem no campo da teoria das fontes. Ele insiste que é preciso verificar com mais rigor os pressupostos metodológicos subjacentes a tais teorias: "In source-critical studies, the energy and focus have typically been on discerning the details and content of the sources. Rarely has there been a serious look at underlying methodological presuppositions. I want to raise a few of these methodological issues, pointedly".

Hauser concorda com a insuficiência do consenso wellhauseniano. Mas também vê a falência das propostas posteriores, que não conseguem construir um novo consenso e atribui este fato a uma teimosa acomodação a pressupostos que deveriam ser questionados.

O modelo das fontes do Pentateuco, que insiste em sobreviver nas atuais propostas, é, para o autor, o problema maior. Ele diz, por exemplo: "... a key flaw of source criticism is that, rather than reexamining its conceptual framework, and rather than probing for its methodological flaws, it continues to generate nuanced reiterations of its central construct, assuming that the best way to study the Pentateuch is to divide it into its sources, place each into its own proposed historical context, and then interpret the content in this conceptual framework. Source-critics have rarely questioned the cogency and usefulness of this approach".

Ele conclui que
Factors that should challenge the center of source criticism include our growing awareness of the complex interrelationships among the many parts of the Pentateuch, as well as with other ancient Israelite literature, both oral and written; the difficulty of reconstructing the particulars of historical contexts for specific periods/events in ancient Israelite history; our imperfect understanding of ancient Israelite literature, its conventions, its variety, and the ways in which creative writers played on these; and the promise of new methods that can help us better evaluate the text of the Pentateuch. Taken as a whole, these factors demonstrate the need for a thoroughgoing reassessment of the foundation on which source critical studies have been based for well over a century.

Entretanto: se alguém pensa que vai encontrar, neste artigo, uma solução para o problema do Pentateuco, desista...

Para mim, está claro: enquanto algumas questões fundamentais da História de Israel não forem resolvidas, não se chegará a um novo consenso acerca de quem, quando e como foi composto o Pentateuco.

O que sabemos do antigo Israel através da Bíblia Hebraica, para nós, hoje, não é mais uma resposta. É um problema. Como já notava, em 1992, Philip R. Davies.

Ora, no ano seguinte, em 1993, também Rolf Rendtorff já afirmava, com todas as letras: “Os problemas da interpretação do Pentateuco estão intimamente ligados aos problemas mais amplos da reconstrução da história de Israel e da história de sua religião (...) Não é por acaso que uma das mudanças mais importantes estejam ocorrendo com as hipóteses sobre as origens de Israel”. E completava: “Um dos muitos pontos de incerteza é a questão da identidade de Israel” (RENDTORFF, R. The Paradigm is Changing: Hopes and Fears. Em LONG, V. P. (ed.) Israel’s Past in Present Research: Essays on Ancient Israelite Historiography. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 1999, p. 60-61 - ISBN 9781575060286. O artigo de Rendtorff, à época professor em Heidelberg, foi reimpresso da revista Biblical Interpretation 1 (1993), p. 34-53).

Leia Mais:
. A História de Israel no debate atual
. O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? Ele desapareceu e levou consigo a Hipótese Documentária, explica Rolf Rendtorff
. O que aconteceu com o Javista na atual pesquisa do Pentateuco? Van Seters responde a Rolf Rendtorff
. Mais uma vez o Javista se despede do Pentateuco. Mas para onde ele estaria indo?
. Pistas para uma leitura do Pentateuco e da OHDtr

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Patriarcas? Que Patriarcas?

Tem gente "caçando" os patriarcas...

Diz o Star-Telegram.com, ao relatar as escavações do arqueólogo Steven Collins em busca de Sodoma, em Excavating Sodom, posted on Sat, Sep. 08, 2007:
Collins, dean of the College of Archaeology at Trinity Southwest University in Albuquerque, N.M., has searched for a decade for Sodom and Gomorrah, which the Bible says were sinful cities destroyed by God. The excavation is of a Bronze Age site in Jordan, near the Dead Sea. Collins is seeking to determine the authenticity of Old Testament patriarchal narratives, particularly the stories of Abraham, Isaac, Jacob, Joseph, Moses and Joshua (...) He is using biblical text, archaeology and geography in his quest.

Minha sugestão é que o arqueólogo peça o auxílio de Thomas L. Thompson e de alguns amigos seus, para rápido sucesso na empreitada e aperfeiçoamento do método empregado: o uso do texto bíblico, da arqueologia e da geografia - he is using biblical text, archaeology and geography in his quest ;-)

E, finalmente, como castigo, que todos os leitores deste post leiam o capítulo 4 do livro do Cássio, Leia a Bíblia como literatura, que explica o que são os gêneros literários bíblicos!

Via Explorator 10.22 - September 23, 2007.

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Sites da Semana em Egyptology News

Sites da semana, indicados por Andie Byrnes, sobre o Egito e a egiptologia.

Em Egyptology News, 23 de setembro de 2007.

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Sábado, Setembro 22, 2007

Gn 1-11 e a importancia dos mitos

Acabei de ler um post de Christopher Heard em seu biblioblog Higgaion com o título de Teaching the Genesis creation stories. Ali ele relata sua experiência de trabalhar em sala de aula com Gn 1-11 e o que funciona ou não, em termos de compreensão por parte dos alunos, quando se faz uma abordagem literária destes textos.

Mas relata também um incrível caso: um outro professor norte-americano, de outra instituição que não a sua, teria sido recentemente punido por sua escola por explicar que a estória de Adão e Eva tem um sentido simbólico e que não deve ser lida literalmente.

[Bitterman said]: "I told them it was an extremely meaningful story, but you had to see it in a poetic, metaphoric or symbolic sense, that if you took it literally, that you were going to miss a whole lot of meaning there". Traduzindo de maneira mais ou menos livre: "Eu disse [aos alunos] que esta [Gn 2-3] era uma estória extremamente significativa, mas que deve ser vista em um sentido poético, metafórico ou simbólico, pois se for lida literalmente, se perde uma grande parte de seu significado".

O caso chamou minha atenção, pois leciono Pentateuco, trabalho com estes textos, e acho complicado que alguém ainda possa ser punido por razão tão absurda. Mais absurda ainda se considerarmos os séculos de pesquisa histórico-crítica sobre tão conhecidos textos de Gênesis. E em um país que detém a hegemonia política mundial, que produz uma quantidade enorme de pesquisa exegética e científica, que possui todos os meios possíveis para debater a relação da ciência com a fé... Mas é um país plural. E estas contradições são cada vez maiores, com o crescimento de um criacionismo fundamentalista. Que, por sinal, já chegou aqui, de lá importado.

Pois é! Christopher Heard, que também considera esta situação absurda, por outro lado diz que, mesmo não vivendo esta realidade em sua Universidade, há colegas seus que chegam a evitar a palavra "mito" ao falar destes assuntos: "...even at Pepperdine, I know that my colleagues sometimes choose their words very carefully to avoid certain vocabulary ('myth') while communicating the same concepts".

Leiam o caso. E considerem que estamos no Mês da Bíblia, que tem como tema Gn 1-11, e que nossas abordagens são bastantes enriquecedoras, se considerarmos o material utilizado tanto na academia quanto no meio popular. Apesar de nossos limitados recursos. Retomem a leitura dos posts que escrevi com os títulos de Gn 1-11 na Vida Pastoral, Pistas para uma leitura do Pentateuco e da OHDtr e CEBI recomenda para o Mês da Bíblia.

Finalmente, quero lembrar que, ainda em 1995, escrevi um texto curtinho sobre Gn 1-11 para uma revista de divulgação de Ribeirão Preto. E expliquei, com linguagem simples, o que chamei de

Os mitos judaicos e a nossa realidade

Ainda faltavam uns 500 ou 600 anos para o nascimento de Jesus de Nazaré, quando alguns teólogos de Jerusalém recolheram histórias que as pessoas contavam e escreveram vários desses textos que hoje estão na Bíblia Hebraica, no livro do Gênesis, nos capítulos 1 a 11.

Que textos são esses?

São muito conhecidos: a história da serpente que tenta Eva no paraíso, a árvore que produz um fruto proibido, Caim que assassina seu irmão Abel, Noé e sua arca cheia de animais sobrevivendo ao dilúvio, a torre de Babel que confunde as línguas...

Será que isto aconteceu desse jeito mesmo que é contado? Ou serão só lendas, contos ou mitos?

Às vezes a gente acha que só é verdadeira aquela história que reproduz os fatos fielmente, tim-tim por tim-tim, como eles aconteceram. Será? E aqueles fatos que acontecem com todo o mundo e que também podem acontecer em qualquer época e em qualquer lugar? E o sentido que um autor quer dar a um acontecimento não determina o jeito dele contar?

Pois isto é o mito. E o mito fala de uma experiência humana universal. E Gn 1-11 é recheado de mitos, contados por aqueles autores anônimos de Jerusalém há dois mil e quinhentos anos.

O paraíso nunca existiu. Nem mesmo uma serpente falante, um fruto proibido, os irmãos Caim e Abel, um dilúvio universal, uma arca de Noé ou uma torre de Babel. Mas todos eles existem sempre, exatamente porque não estão situados em nenhum tempo e lugar.

O paraíso é uma esperança, uma utopia, não uma saudade de um tempo passado. É uma esperança de harmonia e felicidade que a humanidade deve construir. E pode construir.

A serpente representava, na época dos reis de Israel, um sistema social e político que explorava as pessoas e provocava a sua infelicidade, destruindo o projeto de uma sociedade solidária e harmoniosa.

O fruto proibido é a tentação de possuir um poder absoluto que nos permita dominar os outros e escravizá-los aos nossos interesses.

Tanto Caim quanto Abel continuam hoje a se confrontar em sangrentos conflitos, seja em nossas ruas brasileiras, seja no Oriente Médio, ou em nossas casas.

A fidelidade de Noé, um homem correto, a um projeto de sociedade solidária, o transforma em símbolo de uma humanidade que renasce de enormes catástrofes porque acredita na vida.

Na cidade e torre de Babel as pessoas são confundidas por Iahweh quando queriam construir um poder imperialista onde todos falariam uma mesma língua - na política, na economia, na cultura - e, assim se tornariam absolutos, decretando o fim da liberdade humana.

Como se vê, esses temas tão antigos, contados na linguagem do mito, continuam extremamente atuais dois mil anos depois de Jesus de Nazaré. Devem ser lidos para fazer a gente pensar e tomar uma atitude. Não para pensarmos no que aconteceu antigamente, mas para enxergarmos melhor o está acontecendo hoje e ver o que é possível fazer para melhorar o mundo.

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Sexta-feira, Setembro 21, 2007

BibleWorks Classroom Resources

BibleWorks explica a novidade em seu site:
Each semester, professors are finding that BibleWorks can help them in the classroom. Below, we've assembled tips for using BibleWorks in the classroom. New tips come out regularly. If you would like to be notified via email when a new tip is published, click here to sign up.

Se você é professor de Bíblia, inscreva-se na Classroom Tips mailing list para receber, via e-mail, as dicas do programa sobre como utilizá-lo com maior proveito em suas aulas.

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Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Joachim Jeremias

Jim West está nos lembrando que o famoso exegeta alemão do Novo Testamento Joachim Jeremias nasceu em 20 de setembro de 1900.

Quando escrevi minha dissertação de Mestrado na década de 70, sobre a Parábola das Dez Virgens (Mt 25,1-13), fui fortemente influenciado pelo conhecido livro de Jeremias, Die Gleichnisse Jesu, ou, em inglês, The Parables of Jesus.

Meu orientador foi o Prof. Dr. Ugo Vanni, da Gregoriana e do Bíblico, em Roma.

Certa vez falei sobre isso neste blog aqui.

No Brasil, este livro de Joachim Jeremias, As parábolas de Jesus, foi publicado pela Paulus. Está na oitava edição, com data de 1997. ISBN: 8534907005.

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Desaparecimento das linguas, inclusive no Brasil

Metade das línguas do mundo corre risco de sumir, aponta estudo

Metade das cerca de 7.000 línguas faladas hoje em todo o mundo deve sumir até o final do século, em alguns casos à velocidade aproximada de uma extinção a cada 14 dias. A estimativa catastrófica é resultado de uma investigação financiada pela National Geographic Society, que apontou as cinco regiões do planeta onde há mais línguas ameaçadas de extinção. Um dos "hotspots" inclui o Estado de Rondônia.

Leia o texto completo na Folha Online: 20/09/2007 - 09h58, escrito por Giovana Girardi.

Leia Mais:
Enduring Voices Project
História dos idiomas mapeia Babel de hoje

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Aviso aos navegantes: Guestbook desativado

O Livro de Visitas está, na Ayrton's Biblical Page, temporariamente desativado.

Lamento pelo transtorno.

Enquanto isso, leia as mensagens arquivadas ou aprenda mais sobre navegação segura.

Notícias em breve.

Atualizando: 08.10.2007 - 16h45
Aos interessados, alerto que o Guestbook, o Livro de Visitas, está de volta, com novo visual e novas possibilidades.

Visite o link na página inicial de meu site aqui e deixe sua mensagem.

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Quarta-feira, Setembro 19, 2007

Resenhas na RBL - 18.09.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Peter Jeffery
The Secret Gospel of Mark Unveiled: Imagined Rituals of Sex, Death, and Madness in a Biblical Forgery
Reviewed by Scott G. Brown - Essay review (47 pages)

Peter Busch
Magie in neutestamentlicher Zeit
Reviewed by Mladen Popović

Ole Davidsen, Rolv Nøtvik Jakobsen, Stefan Klint, and Kirsten Nielsen, eds.
Litteraturen og det hellige
Reviewed by Søren Holst

Martin Goodman
Judaism in the Roman World: Collected Essays
Reviewed by Judith M. Lieu

Sigurd Hjelde
Sigmund Mowinckel und seine Zeit: Leben und Werk eines norwegischen Alttestamentlers
Reviewed by Mark E. Biddle

Isaac Kalimi and Peter J. Haas, eds.
Biblical Interpretation in Judaism and Christianity
Reviewed by Craig A. Evans

Klaus Koch; Friedhelm Hartenstein and Martin Rösel
Der Gott Israels und die Götter des Orients: Religionsgeschichtliche Studien II
Reviewed by Michael S. Moore

Andreas Köhn, ed.
Ernst Lohmeyers Zeugnis im Kirchenkampf: Breslauer Universitätspredigten
Reviewed by Michael Labahn

Michelle V. Lee
Paul, the Stoics, and the Body of Christ
Reviewed by Richard A. Wright

Marc J. H. Linssen
The Cults of Uruk and Babylon: The Temple Ritual Texts as Evidence for Hellenistic Cult Practices
Reviewed by Hector Avalos

Alastair H. B. Logan
The Gnostics: Identifying an Early Christian Cult
Reviewed by Jon Ma. Asgeirsson

Tremper Longman III
Proverbs
Reviewed by Katharine Dell

Francisco Lozada Jr. and Tom Thatcher, eds.
New Currents Through John: A Global Perspective
Reviewed by Uta Poplutz

David Pastorelli
Le Paraclet dans le corpus johannique
Reviewed by Jörg Frey

Vincent A. Pizzuto
A Cosmic Leap of Faith: An Authorial, Structural, and Theological Investigation of the Cosmic Christology in Col 1:15-20
Reviewed by Matthew E. Gordley

Gregory Wong
Compositional Strategy of the Book of Judges: An Inductive, Rhetorical Study
Reviewed by Klaas Spronk

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Terça-feira, Setembro 18, 2007

Biblical Studies Carnival: considere 10 linguas!

Uma boa média, não acham? Inglês, alemão, francês, italiano, neerlandês, espanhol, português... o que mais sugerem?

Leiam Biblical studies and the English language no SansBlogue, de Tim Bulkeley, que é da Nova Zelândia, e que está encarregado do Carnaval dos Estudos Bíblicos deste mês. Ele está aceitando a sugestão de fazer um "Carnaval" que considere posts em outras línguas além do inglês.

E, depois, releiam meu post de 7 de outubro de 2006: Quantos idiomas deveria um biblista dominar?

Há também vários posts do Jim West sobre o "barreira" lingüística - línguas modernas - construída por determinados exegetas, na sua maioria, norte-americanos. Pior: mais do que atos isolados, verifica-se uma tendência. Leiam.

Para mim, está claro que este é um problema político, não de (im)possibilidade cultural. Por isso é tão localizado.

Sei disso por ter estudado em uma Universidade - a Gregoriana, de Roma - com colegas de 75 nacionalidades diferentes, por ter caído - como Obelix! - ainda muito jovem, no caldeirão de línguas que é o PIB, também em Roma, por ter vivido em outros países europeus, como a Alemanha, morando com famílias alemãs... Isso ao longo de 6 anos.

E mais: por ter estudado, ainda nos cursos ginasial e científico (terminologia e realidade da época, hoje extintas), aqui no Brasil, 5 línguas... português, inglês, francês, latim e grego clássico no Colégio Marista e nos Seminários de Patos de Minas e de Diamantina, MG.

Enfim: quando se fala de Estudos Bíblicos, o estudioso só tem a ganhar com o pluralismo lingüístico. Minha opinião.

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Um registro daquilo que pensamos que somos

Sondas Voyager completam 30 anos no espaço com mensagem de paz

Leia na Folha Online de 06/09/2007 - 11h54.


Leia também:
Inventando o Universo
The Carl Sagan Portal
Voyager: The Interstellar Mission


>> We are a way for the Cosmos to know itself. Carl Sagan

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Segunda-feira, Setembro 17, 2007

It is the Death of History

It is the death of history

Special investigation by Robert Fisk - The Independent: 17 September 2007

4,000-year-old Sumerian cities torn apart and plundered by robbers. The very walls of the mighty Ur of the Chaldees cracking under the strain of massive troop movements, the privatisation of looting as landlords buy up the remaining sites of ancient Mesopotamia to strip them of their artefacts and wealth. The near total destruction of Iraq's historic past – the very cradle of human civilisation – has emerged as one of the most shameful symbols of our disastrous occupation.

Evidence amassed by archaeologists shows that even those Iraqis who trained as archaeological workers in Saddam Hussein's regime are now using their knowledge to join the looters in digging through the ancient cities, destroying thousands of priceless jars, bottles and other artefacts in their search for gold and other treasures.

In the aftermath of the 1991 Gulf War, armies of looters moved in on the desert cities of southern Iraq and at least 13 Iraqi museums were plundered. Today, almost every archaeological site in southern Iraq is under the control of looters.

In a long and devastating appraisal to be published in December, Lebanese archaeologist Joanne Farchakh says that armies of looters have not spared "one metre of these Sumerian capitals that have been buried under the sand for thousands of years.

"They systematically destroyed the remains of this civilisation in their tireless search for sellable artefacts: ancient cities, covering an estimated surface area of 20 square kilometres, which – if properly excavated – could have provided extensive new information concerning the development of the human race.

"Humankind is losing its past for a cuneiform tablet or a sculpture or piece of jewellery that the dealer buys and pays for in cash in a country devastated by war. Humankind is losing its history for the pleasure of private collectors living safely in their luxurious houses and ordering specific objects for their collection."

Ms Farchakh, who helped with the original investigation into stolen treasures from the Baghdad Archaeological Museum in the immediate aftermath of the invasion of Iraq, says Iraq may soon end up with no history.

"There are 10,000 archaeological sites in the country. In the Nassariyah area alone, there are about 840 Sumerian sites; they have all been systematically looted..."

Leia o texto completo em The Independent de hoje. Vi o texto na lista de discussão Iraqcrisis.

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Domingo, Setembro 16, 2007

Biblioblogueiro de setembro de 2007: Alan Bandy

Jim West, em Biblioblogs.com, entrevista Alan Bandy, autor do biblioblog Café Apocalypsis, escolhido como o biblioblogueiro do mês de setembro de 2007.

Alan Bandy é Professor de Estudos Cristãos no Louisiana College, Pineville, Louisiana, USA. Obteve seu Ph.D. recentemente, com uma tese sobre o Apocalipse.

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Sábado, Setembro 15, 2007

Quatro livros sobre Biblia que valem a leitura

Passei a tarde lendo resenhas de alguns livros sobre Antigo Testamento que me interessam, por suas temáticas e enfoques, de modo especial. Dois sobre Metodologia Bíblica, um sobre o Pentateuco e outro sobre História de Israel. Um de 2005, dois de 2006 e um de 2007.

:: ESLER, P. F. (ed.) Ancient Israel: The Old Testament in Its Social Context. Minneapolis: Fortress, 2005. xvii + 420 p. - ISBN 0800637674

O livro Antigo Israel: o Antigo Testamento em seu contexto social, organizado por Philip Francis Esler, e que trata da análise sócio-antropológica do Antigo Testamento, só recebeu elogios nas resenhas de Hallvard Hagelia, da Noruega, e de Patricia Dutcher-Walls, do Canadá.

Resultado de uma conferência realizada em 2004 na Universidade St. Andrews, na Escócia, o livro traz expressiva contribuição de vários autores para a área da metodologia bíblica. Eu já o mencionara em Leitura sócio-antropológica da Bíblia.

Resenhas de Hallvard Hagelia, da Ansgar School of Theology and Mission Kristiansand, Noruega, publicada pela RBL em 11 de junho de 2006, e de Patricia Dutcher-Walls, da Vancouver School of Theology, Vancouver, Canadá, publicada pelo Journal of Hebrew Scriptures, vol. 7, de 2007.


:: DOZEMAN, T. B; SCHMID, K. (eds.) A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2006, viii + 198 p. - ISBN 9781589831636

Este livro vem chamando a atenção de muita gente desde que foi publicado no ano passado. É coordenado por Thomas Dozeman e Konrad Schmid e trata do Pentateuco: Um adeus para o Javista? A composição do Pentateuco na interpretação européia recente. Dele já falei em setembro do ano passado, no post Mais uma vez o Javista se despede do Pentateuco. Mas para onde ele estaria indo? É bom dar uma olhada lá primeiro.

A resenha é de J. Harold Ellens, da University of Michigan-Ann Arbor, em Ann Arbor, Michigan, USA, publicada pela RBL em 25 de agosto de 2007, e também é elogiosa.

Parece que neste livro se avança um pouco na direção de um possível consenso, por enquanto inexistente, acerca de como e quando teria sido composto o Pentateuco. Na minha opinião, contudo, muita água ainda vai passar debaixo da ponte até que se chegue a algum acordo sobre o tema.


:: MOORE, M. Philosophy and Practice in Writing a History of Ancient Israel. London: T &T Clark, 2006, x + 205 p. - ISBN 9780567029812

A terceira obra da qual andei lendo uma resenha é uma tese escrita por Megan Moore sob a supervisão de John Hayes da Emory University, Atlanta, Georgia, USA, com o título de Filosofia e prática na escrita de uma História do Antigo Israel. É um livro que se propõe fazer uma avaliação dos pressupostos dos especialistas que se aventuram a escrever "Histórias de Israel".

E aí, naturalmente, entre outras coisas interessantes, não poderia faltar um balanço da escaramuça que vem acontecendo nos últimos anos entre os "minimalistas" e os "não-minimalistas", termos, já em si, controvertidos. E o uso das fontes, e até onde vai a credibilidade histórica dos textos bíblicos, e... haja controvérsia!

Ernst Axel Knauf, da Universidade de Berna, em Berna, na Suíça, que é do ramo, acha que a obra contribui para o debate na área e vê relevância neste tipo de balanço. A resenha, por ele assinada, foi publicada pela RBL em 1 de setembro de 2007.


:: DIAS DA SILVA, C. M. Leia a Bíblia como literatura. São Paulo: Loyola, 2007, 104 p. - ISBN 9788515033072

Finalmente, quero falar, mais uma vez, do livro do Cássio Murilo Dias da Silva, que acaba de ser lançado pela Loyola. Agradeço ao Cássio que me enviou um exemplar com bela dedicatória.

Por enquanto, li detalhadamente quatro dos sete capítulos e passei os olhos pelo restante do livro. Acredito que o livro, que é sobre metodologia bíblica, possa ser lido com proveito por alunos da graduação em Teologia, logo que tenham adquirido algumas noções de introdução à Bíblia e aos métodos de exegese bíblica.

Graficamente bem cuidado, atento à didática, mas com uma densidade bastante grande, rigoroso no tratamento do tema. Características do autor. Justificadamente diz Cássio na dedicatória, este livrinho tem o máximo de exegese em um um mínimo de páginas. Vou utilizá-lo em minha disciplina de Introdução à S. Escritura, que enfoca prioritariamente os métodos de leitura da Bíblia. Daqui a um ano saberei até onde funciona.

Os quadrinhos explicativos espalhados pelo texto - ah, e a caricatura do autor: comparem o enorme nariz com o minúsculo banquinho! - ajudam bastante. Servem como guia de leitura e podem ser usados para diminir a tensão da séria leitura! Valeu, Cássio. Alunos do Primeiro e Segundo Anos do CEARP mostraram grande interesse no livro. E um aluno do Quarto Ano acha que o livrinho pode ser mais uma ferramenta útil na preparação do exame De Universa Theologiae. Minha única reclamação, por enquanto, é que, ao citar exemplos da literatura brasileira, o autor ignorou Guimarães Rosa...

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Quinta-feira, Setembro 13, 2007

Sobre o tunel descoberto em Jerusalem

Sobre o túnel recentemente descoberto em Jerusalém, um bom lugar para se ler sobre o assunto e ver fotos é o BiblePlaces Blog de Todd Bolen.

Veja o post First Century Drain Found in Jerusalem. E não deixe de ler os comentários ao post.

Também no Dr Leen Ritmeyer’s blog.

Veja Herodian drain found in Jerusalem. Com foto e desenho.

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Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Portinari: Guerra e Paz no seculo XXI

No Blog do Emir Sader, O povo, a guerra e a paz de Portinari, postado em 11/09/2007 às 10h30. Uma oportuna reflexão sobre a guerra e a paz a partir dos painéis de Portinari, o pintor de Brodowski, no Conselho de Segurança da ONU (United Nations Security Council - UNSC), em Nova York.

Assim começa Emir:
Neste ano, cumprem-se 40 anos da inauguração dos painéis Guerra e Paz, de Candido Portinari, no prédio da ONU, em Nova York. Quadros que não puderam ser inaugurados pelo pintor brasileiro, que teve sua entrada nos EUA impedida por negação de visto de parte do governo estadunidense, sob acusação de “comunista” (...) Este artigo celebra os quadros, mais do que atuais, de Portinari.

Leia o texto completo.

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Segunda-feira, Setembro 10, 2007

Resenhas na RBL - 10.09.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

G. Johannes Botterweck, Helmer Ringgren, and Heinz-Josef Fabry, eds.
Theological Dictionary of the Old Testament: Volume 15: šākar–taršîš
Reviewed by W. Boyd Barrick

Peter H. Davids
The Letters of 2 Peter and Jude
Reviewed by James P. Sweeney
Reviewed by Daniel B. Wallace

Craig A. Evans
Fabricating Jesus: How Modern Scholars Distort the Gospels
Reviewed by Stephen J. Patterson

Michael V. Fox
Ecclesiastes: The Traditional Hebrew Text with the New JPS Translation
Reviewed by Thomas M. Bolin

Garrett C. Kenney
Mark's Gospel: Lectures and Lessons
Reviewed by Tom Shepherd

Lars Kierspel
The Jews and the World in the Fourth Gospel: Parallelism, Function, and Context
Reviewed by Adele Reinhartz

Jonathan D. Lawrence
Washing in Water: Trajectories of Ritual Bathing in the Hebrew Bible and Second Temple Literature
Reviewed by James W. Watts

Peter J. Leithart
1 and 2 Kings
Reviewed by Randall L. McKinion

Anthony C. Thiselton
1 Corinthians: A Shorter Exegetical and Pastoral Commentary
Reviewed by H. H. Drake Williams III

Dieter Vieweger
Archäologie der biblischen Welt
Reviewed by Jonathan L. Reed

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CEBI recomenda para o Mes da Biblia

O CEBI - Centro de Estudos Bíblicos - está recomendando as seguintes publicações como subsídio para o Mês da Bíblia. Confira na página do CEBI:

Rogério I. DE ALMEIDA CUNHA e CEBI MG, Criação de um outro mundo. Gênesis 1-11, 2007, 133 p. - ISBN 9788577330157
A equipe do CEBI-MG, a exemplo dos anos anteriores, empenhou-se na elaboração de um subsídio para o Mês da Bíblia. O título do trabalho se inspira na diretiva do Fórum Social Mundial: Um outro mundo é possível. Um outro mundo de criação, de trabalho cotidiano a produzir vida em abundância, sem violência, feito como num ensaio, sem escravizações, um outro mundo de carinho feminino, a salvo das águas, na construção da cidade em que Deus quer morar conosco.

Carlos MESTERS e Francisco OROFINO, A Terra é nossa mãe - Gênesis 1-12, 2007, 88 p. - ISBN 9788577330188
A história narrada em Gênesis 1-11 mostra como a maldição se instalou na criação de Deus, onde tudo era bom. A bênção retorna com a vocação de Abraão e Sara. Por isso, Gn 1-11 é a porta de entrada. Gênesis 12 nos coloca dentro da casa. Conforme os autores, o texto foi escrito para devolver a fé, a esperança e o amor a um povo explorado, descrente e desanimado.

Haroldo REIMER e CEBI GO, Gênesis. Casa comum: espaço de vida, cuidado e felicidade. Encontros Bíblicos de Gênesis 1 a 11, 2007, 56 p. - ISBN 9788577330133
Gênesis 1 a 11 são textos onde se encontram as realidades fundamentais da vida humana, as grandes questões da fé: a) a criação e a evolução do mundo material, do universo; b) os seres humanos (pecado, liberdade, graça); c) a ecologia, o mundo como espaço de vida. A equipe do CEBI-GO preparou este material para aprofundá-las, através de roteiros para sete encontros, cada qual com um subsídio de aprofundamento.

Milton SCHWANTES, Gênesis 1-11. Vida, Comunidade e Bíblia, 2007, 68 p. - ISBN 9788577330126
Conforme o autor, estes primeiros capítulos da Bíblia estão entre os mais conhecidos e também os mais explicados. O problema reside em que tipo de pré-compreensão se apossou de Gênesis 1-11. Há uma tendência de se reduzir tudo aos caps. 1-3, paraíso e pecado. É importante, pois, considerar todos os onze capítulos. Em linguagem simples, cativante e profunda, o autor nos conduz pelos onze capítulos, demonstrando a riqueza da narrativa e os detalhes da mensagem.

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Domingo, Setembro 09, 2007

Utilitarios

Passei algum tempo - um bom tempo deste feriado prolongado! - atualizando minhas 5 páginas de informação sobre utilitários.

Como sempre, as explicações estão em inglês e português. Espero, entretanto, que tenham ficado melhores...

Para uma visita, convido os interessados!

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Utilities

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Quinta-feira, Setembro 06, 2007

Niels Peter Lemche faz aniversario hoje

O grande estudioso dinamarquês Niels Peter Lemche está aniversariando hoje, dia 6 de setembro. Parabéns, Professor, pelos seus 62 anos.

Não conheço Lemche pessoalmente, mas, certa vez, ele me enviou um e-mail muito amável sobre o que escrevi em minha página acerca dos participantes do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica, sendo ele mesmo um dos mais criativos do grupo. Li alguns de seus livros e vários artigos. Com muito proveito.

Veja a sua produção bibliográfica aqui e aqui. É um nome obrigatório para quem estuda a história do Antigo Israel, com livros imprescindíveis.

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Novo script para o blogroll do Google Reader

Se você possui o prático Blogroll construído com o Google Reader e hoje ele parou, de repente, de funcionar, vá até a página do Google Reader e construa um novo script, substituindo o antigo em seu modelo de blog.

Pelo menos o meu parou de funcionar hoje, e, ao fazer isso, ele voltou ao normal. Notei que o script está um pouco diferente do anterior. Se alguém está com o mesmo problema, faça-me saber o que ocorreu, através dos comentários (comments) deste post.

Como ajuda (help) utilize os links que estão em Construa um blogroll com o Google Reader.

What is a clip?
A clip is a compact list of the latest headlines from items with a particular tag. You can easily add a clip to your website or blog by copy-pasting it's HTML code into your site template. To obtain the HTML code, go to the "tags" tab in the settings page. You'll also be able to customize your clip's appearance to match your site.

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Resenha de um bom livro sobre o Jesus Histórico

Na Review of Biblical Literature acaba de ser publicada, com data de 1 de setembro de 2007, uma boa resenha do livro de David Gowler sobre o Jesus Histórico, do qual já falei aqui. É o tipo de livro que seria muito útil para nossos alunos de graduação em Teologia, se fosse rapidamente traduzido para o português.

GOWLER, D. B. What Are They Saying About the Historical Jesus? Mahwah, NJ: Paulist Press, 2007, x + 190 p. ISBN 9780809144457

A resenha é assinada por Mary J. Marshal, da Murdoch University, Murdoch, Austrália. A resenhista assim termina as 8 páginas em pdf:
Notwithstanding the various concerns expressed above, I consider this volume a most welcome addition to the WATSA series and to the extant range of publications pertaining to the historical Jesus. A feature I find particularly appealing is Gowler’s emphasis on the relevance of the historical Jesus for Christian faith, and I appreciate his reference to John 1:38–39a at the beginning and end of his text (2, 144), to form an inclusio. As he states, “[the] historical Jesus still challenges our hearts, minds, and imaginations, and, as we search for ‘where he is staying,’ he is there before us, dialogically inviting us to ‘Come andsee’ ” (144). While the constraints under which Gowler was working meant that he could not cover the field as comprehensively as he would have liked (ix), he nevertheless showed wisdom in his selection of key scholars. The book provides a valuable overview of contemporary research on the subject, and I strongly recommend it as an introductory volume for students and others who are seeking a deeper understanding of Jesus of Nazareth, his ministry, and his mission.

Sem dúvida, o livro oferece um bom panorama da pesquisa atual sobre a questão do Jesus Histórico.

Leia-se isso em conexão com o que fala Comblin em seu texto sobre um projeto missionário a partir da Conferência de Aparecida. Especialmente quando ele enfatiza a necessidade de uma cristologia fundada sobre um conhecimento mais sólido do Jesus Histórico, que, no documento de Aparecida, segundo Comblin, é um ponto fraco:
A questão é: o que significa a humanidade de Jesus? Qual é o significado das palavras e dos atos de Jesus tais como os evangelhos os relatam? Em que consiste a humanidade de Jesus? O que é ser homem? O texto lembra muitas coisas bonitas tiradas dos evangelhos, que o mostram como mestre de sabedoria e revelador de um modo de vida a ser imitado pelos discípulos. É uma enumeração de atos e palavras belas da vida de Jesus. Falta a síntese e o que reúne todos esses ditos e fatos numa vida humana (129-135). Esta enumeração não diz o significado da vida humana de Jesus, ou seja do seu ministério missionário. A vida dos seres humanos deve interpretar-se a partir do contexto histórico em que ela se situa. Aqui não se fala do contexto histórico, como se Jesus estivesse fora da história, como um mestre que voa acima dos séculos.

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Resenhas na RBL - 05.09.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Roger S. Bagnall and Raffaella Cribiore
Women's Letters from Ancient Egypt, 300 BC-AD 800
Reviewed by Carolyn Osiek

Mark J. Boda and Gordon T. Smith, eds.
Repentance in Christian Theology
Reviewed by David H. Wenkel

M. Eugene Boring
Mark: A Commentary
Reviewed by Darrell L. Bock

Georg Braulik
Studien zu den Methoden der Deuteronomiumsexegese
Reviewed by Jack R. Lundbom

Robert L. Brawley, ed.
Character Ethics and the New Testament: Moral Dimensions of Scripture
Reviewed by Patrick J. Hartin

David B. Gowler
What Are They Saying about the Historical Jesus
Reviewed by Mary J. Marshall

Gordon J. Hamilton
The Origins of the West Semitic Alphabet in Egyptian Scripts
Reviewed by Youri Volokhine

Larry W. Hurtado
The Earliest Christian Artifacts: Manuscripts and Christian Origins
Reviewed by James F. McGrath
Reviewed by Joseph Verheyden

Giorgio Jossa
Giudei o cristiani? I seguaci di Gesù in cerca di una propria identità
Reviewed by Joseph Verheyden

Richard Kalmin
Jewish Babylonia between Persia and Roman Palestine
Reviewed by Lester L. Grabbe

Megan Moore
Philosophy and Practice in Writing a History of Ancient Israel
Reviewed by Ernst Axel Knauf

William S. Morrow
Protest against God: The Eclipse of a Biblical Tradition
Reviewed by James L. Crenshaw

Hillel Newman, edited by Ruth Ludlam
Proximity to Power and Jewish Sectarian Groups of the Ancient Period: A Review of Lifestyle, Values, and Halakhah in the Pharisees, Sadducees, Essenes, and Qumran
Reviewed by Gerbern Oegema

Jerome H. Neyrey
The Gospel of John
Reviewed by Mary L. Coloe

Reinhard Nordsieck
Das Thomas-Evangelium: Einleitung; Zur Frage des historischen Jesus; Kommentierung aller 114 Logien
Reviewed by Ismo Dunderberg

Brant Pitre
Jesus, the Tribulation, and the End of the Exile: Restoration Eschatology and the Origin of the Atonement
Reviewed by Matthew S. Harmon

Thilo Alexander Rudnig
Davids Thron: Redaktionskritische Studien zur Geschichte von der Thronnachfolge Davids
Reviewed by John Van Seters

Dirk Sager
Polyphonie des Elends: Psalm 9/10 im konzeptionellen Diskurs und literarischen Kontext
Reviewed by Joachim Vette

Peter Wick
Paulus
Reviewed by Matthias Konradt

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Quarta-feira, Setembro 05, 2007

Pistas para uma leitura do Pentateuco e da OHDtr

Estive ontem à noite na Paróquia Cristo Rei, em Ribeirão Preto, onde atua o jovem padre Josirlei Aparecido da Silva, meu ex-aluno no CEARP.

Falei durante cerca de duas horas sobre o Pentateuco e a Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr). Havia 146 pessoas presentes, quando inicialmente se pensava em um evento para no máximo 50 participantes. Foi muito interessante, com um público atento e demonstrando vontade de aprender. Muitos estavam com sua Bíblia, para rápida consulta durante a palestra e levando para casa insistente recomendação minha para que conferissem os textos depois, com mais vagar.

Minha palestra foi a primeira das 4 que acontecerão neste mês de setembro, Mês da Bíblia. Outros três colegas estarão falando sobre Literatura Profética, Evangelhos e Literatura Paulina.

Para tratar de assunto tão amplo e complexo em tão pouco tempo, utilizei um roteiro simplificado, distribuído aos presentes, e que transcrevo abaixo, no qual escrevi apenas as palavras-chave. Repassando a história da pesquisa do século 18 até hoje, tentei transmitir o significado das várias etapas da redação dos dois grandes conjuntos de livros bíblicos. Sempre abordando o texto no seu contexto. Ou seja: Pentateuco e História de Israel caminham juntos em qualquer tentativa de explicação, pois, quando um se move o outro sente imediatamente o deslocamento de perspectiva.

Poucas datas - com certo arredondamento, para não complicar - nomes dos principais estudiosos envolvidos na pesquisa do Pentateuco e da OHDtr e várias recomendações de leitura para a ampliação do que foi apenas esboçado. Privilegiei os textos presentes em minha página e neste blog, pela maior facilidade de acesso aos dados via Internet e porque em todos estes textos há ampla indicação bibliográfica. No roteiro, as datas junto aos nomes dos autores referem-se às suas principais obras sobre o tema.

Na página da CNBB de ontem, 4 de setembro, há um artigo do arcebispo de Londrina, PR, Dom Orlando Brandes, com o título: Mobilização Bíblica, nosso futuro.

Vale a pena a leitura. Ele faz veemente apelo para uma ampla mobilização bíblica em nossas comunidades. Gostei, entre outras coisas, quando disse: O conhecimento da Palavra de Deus facilitará o diálogo com outras religiões cristãs e impulsionará o ecumenismo. Os frutos de uma mobilização bíblica são palpáveis. Cresce o discipulado, o profetismo e a missão. Os sacramentos recobram vigor e sabor. A ação pastoral evangelizadora recobrará o encantamento, o fascínio e a intrepidez dos inícios da Igreja.

Brandes foi meu contemporâneo em Roma, nos bons tempos de estudo na Universidade Gregoriana e de convivência no Colégio Pio Brasileiro.

Mas vamos às pistas de leitura do Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio) e da Obra Histórica Deuteronomista (Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis)


Quatro datas na História de Israel (3x6=18), segundo os padrões tradicionais:
1800 a.C.: Abraão; 1200 a.C.: Moisés; 600 a.C.: Exílio; 0: Jesus de Nazaré


Três tempos na História de Israel, segundo sua organização social
1200 a.C.: tempo das tribos; 1000 a.C.: tempo dos reis; 600 a.C.: tempo dos sacerdotes


:: O Pentateuco: do consenso wellhauseniano às leituras atuais
. Até o século 18: Moisés
. Richard Simon - 1678 e 1690: romper com os mestres
. Jean Astruc – 1753:
- no Gênesis: Iahweh e Elohim
- estilos diferentes
- repetição de assuntos
- conclusão: mais de um autor
. Uma longa história: muitos pesquisadores e muitas propostas...
. J. Wellhausen – 1883: Javista (J)+Eloísta (E), Deuteronômio (D), Sacerdotal (P) > consenso wellhauseniano
. as contribuições do século XX até meados da década de 70

>> A influência de dois recursos: novos métodos de análise dos textos bíblicos e nova arqueologia

. Thomas L. Thompson – 1974: os patriarcas
. John van Seters - 1975; Hans Heinrich Schmid - 1976; Rolf Rendtorff - 1977: novas propostas – o Pentateuco no final da monarquia ou exílio
. Norman K. Gottwald – 1979; muitos outros – de 1980 até hoje: quem é Israel? Canaã transformado? como ocorreu esta transformação?
. Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman: o Pentateuco é da época do rei Josias, entre 629 e 609 a. C.

> Leituras recomendadas:
DA SILVA, A. J. A História de Israel no Debate Atual [artigo fundamental para uma explicação do roteiro acima]
DA SILVA, A. J. Observatório Bíblico > História de Israel
DA SILVA, A. J. Observatório Bíblico > Antigo Testamento
DA SILVA, A. J. Observatório Bíblico > Arqueologia
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA A Interpretação da Bíblia na Igreja. São Paulo: Paulinas, 1994 [recomendo a seção sobre métodos de leitura da Bíblia]


:: A Obra Histórica Deuteronomista: como responder aos desafios do presente repensando o passado?
. Martin Noth – 1943: um autor, na Palestina, na época do exílio
. Frank Moore Cross - 1968 e 1973: duas edições, uma na época de Josias e outra no exílio babilônico
. Rudolf Smend - 1971 e 1978: três edições, todas no exílio babilônico

> Leituras recomendadas:
A OHDtr em Estudos Bíblicos
A Obra Histórica Deuteronomista na revista Estudos Bíblicos
DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005 [o livro dos “Biblistas Mineiros” sobre a OHDtr sairá pela Vozes até dezembro de 2007]


>> Para saber mais:
:: Na Ayrton's Biblical Page
. Artigos
. Bibliografia Bíblica
. Links

:: No Observatório Bíblico
. Bibliografia comentada sobre a OHDtr
. Gn 1-11 na Vida Pastoral
. Literatura Deuteronomista: como responder aos desafios do presente repensando o passado? [programa do curso no CEARP]
. O Pentateuco de Jean-Louis Ska
. O Pentateuco: do consenso wellhauseniano aos novos paradigmas [programa do curso no CEARP]

:: DVD
. A história das origens - A narrativa dos pais Vol 1 [sobre Gn 1-11] - Coleção: O Caminho de Deus com a Humanidade – Paulus.

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Terça-feira, Setembro 04, 2007

Toda a Historia de Israel caberia em dez páginas

Philip Davies afirma, em artigo publicado por The Expository Times 2007 119: 15-21, The History of Ancient Israel and Judah, que uma história política do Antigo Israel, que preencha os requisitos da moderna historiografia, caberia em apenas dez páginas. Mas isto teria um custo: o abandono da Bíblia, o produto cultural mais importante (de Israel)...

“… [a] modern political history of Ancient Israel [which would] satisfy modern criteria of history writing … might stretch to ten pages. But the cost is to abandon the most important historical product, the Bible, and to leave it without explanation.”

Coloque este trecho do artigo no contexto da dificuldade em identificar o Israel bíblico com o Israel histórico, já discutido por Philip R. Davies em seu livro In Search of 'Ancient Israel', e a polêmica afirmação começa a ficar mais clara.

E não se esqueça dos dois livros de Philip Davies que serão publicados em breve.

Cito o resumo do artigo The History of Ancient Israel and Judah de Philip R. Davies, publicado por The Expository Times, Edimburgo, Escócia:
Writing a `history of Israel' is a task that is vastly different to writing history of modern events, yet this distinction is often not recognized. There are limitations in the written sources, the archaeological record is unable to locate a `biblical Israel' in differentiation from the various cultures that inhabited Palestine in the same period and the bible itself was written with a particular theological agenda many centuries after the events it purports to report. Rather what is preserved in the biblical texts is a collection of snapshots of how Israel has been remembered. This `cultural history' allows for the appropriation of the stories of communities of faith. It is within such layers of memory that the resources can be found to refashion the understanding of the biblical story in a way that finds meaning for successive generations.

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Ortodoxia: futuro problema para Israel?

Crescimento de população ortodoxa preocupa israelenses -- Folha Online - BBC Brasil: 04/09/2007 - 09h37
Israel enfrenta um crescente dilema demográfico em relação aos judeus ortodoxos: a população não pára de crescer, aumentando a pressão sobre a defesa do país, uma vez que o grupo não presta serviço militar.

Threat to Israeli army future - BBC News: 2 Sep 2007 (video)
A rise in the number of youngsters becoming ultra-orthodox Jews could threaten the future of the army, as they will avoid conscription duties.

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Oxford vai discutir a questao sinotica em 2008

Mark Goodacre, que é da área, recebeu e postou em seu NT Gateway Weblog, a notícia da realização de importante conferência sobre a questão sinótica a ser realizada no Lincoln College da Universidade de Oxford, Reino Unido, de 7 a 10 de abril de 2008.

Veja Oxford Conference in the Synoptic Problem.

A Conferência quer marcar o centenário das conversações sobre a questão sinótica que levaram à publicação da obra Oxford Studies in the Synoptic Problem (ed. William Sanday; Oxford: Clarendon, 1911).

A proposta é traçar um panorama da pesquisa sobre a questão sinótica nos últimos cem anos e indicar os rumos que esta poderá tomar no futuro. Os resultados serão publicados por Peeters, de Leuven, Bélgica.

Veja a lista dos participantes no post de Mark Goodacre, que, por sinal, apresentará um trabalho na conferência, a quem agradeço pela notícia. É um assunto que pode interessar a vários colegas brasileiros que pesquisam e lecionam Novo Testamento.

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Domingo, Setembro 02, 2007

Juda e os judaitas nos seculos VI-IV AEC

A idéia de fazer uma conferência sobre Judá e os judaítas no período babilônico nasceu em um colóquio de pesquisadores da área, em Paris, no ano 2000.

A conferência aconteceu na Universidade de Tel Aviv, Israel, em maio de 2001. E dela surgiu LIPSCHITS, O.; BLENKINSOPP, J. (eds.) Judah and the Judeans in the Neo-Babylonian Period. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2003, xii + 612 p. - ISBN 9781575060736, obra que foi muito bem avaliada em três resenhas às quais tive acesso: na RBL, em 2004, por Bob Becking e por John Kessler, e na CBQ, por John C. Endres, em 2005.

Uma segunda conferência, desta vez cobrindo o período persa foi realizada na Universidade de Heidelberg, Alemanha. Como resultado do debate foi publicado LIPSCHITS, O.; OEMING, M. (eds.) Judah and the Judeans in the Persian Period. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2006, xxii + 721 p. - ISBN 9781575061047, obra bem recebida nas resenhas de Erhard Gerstenberger, na RBL em outubro de 2006, e de Richard J. Bautch, na CBQ de julho de 2007.

Uma terceira conferência, desta vez sobre Judá e os Judaítas no século IV AEC, foi realizada em Münster, na Alemanha, em agosto de 2005. O volume com os debates acaba de ser publicado, assim como os anteriores, pela Eisenbrauns, agora, no dia 31 de agosto de 2007:

LIPSCHITS, O.; KNOPPERS, G. N.; ALBERTZ, R. (eds.) Judah and the Judeans in the Fourth Century B.C.E. Winona Lake, IN: Eisenbrauns, 2007, xii + 423 p. - ISBN 9781575061306.

Espero que a contribuição seja tão significativa para a História de Israel como foram as duas primeiras.

Para mais detalhes, veja:

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Bibliografia

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Sábado, Setembro 01, 2007

Comblin analisa o projeto missionario de Aparecida

Uma extraordinária análise do grande mestre. Transcrevo alguns trechos para que o leitor interessado possa ver o que o espera na leitura do artigo. O texto do teólogo José Comblin pode ser lido na revista AlterInfos - América Latina/Dial (Diffusion de l'information sur l'Amérique Latine), em espanhol e português. Encontrei-o também no site do CEBI - Centro de Estudos Bíblicos.

José Comblin
El proyecto de Aparecida - 8 de agosto de 2007
O projeto de Aparecida - 13 de agosto de 2007
Projeto Ambicioso - Conferência dos Bispos Católicos - CEBI: 27 de agosto de 2007

No primeiro parágrafo diz Comblin:
"O projeto da Conferência de Aparecida é ambicioso. Trata-se de nada menos do que uma inversão radical do sistema eclesiástico. Há séculos a pastoral da Igreja está concentrada na conservação da herança do passado. Todas as instituições foram adaptadas a essa finalidade. O sistema foi instalado no século XII e desde então não mudou sensivelmente. De acordo com o projeto de Aparecida, tudo vai ser orientado para a missão. A realização prática desse projeto vai exigir o século XXI inteiro. Pois, os bispos lançaram esse projeto, mas agora o primeiro problema consiste em convencer o clero. A presente geração não está preparada para essa inversão das suas tarefas. Vai ser necessário mudar radicalmente a formação e preparar novas gerações sacerdotais bem diferentes da atual".

Em seguida Comblin faz uma síntese histórica do projeto missionário da Igreja desde o primeiro milênio até hoje, para concluir que:
"Agora vem o projeto episcopal, que vai exigir uma mudança de mentalidade e uma mudança de comportamento. A missão será a prioridade e deixará no segundo plano a administração da pequena minoria que freqüenta as paróquias. Será necessário mudar a formação sacerdotal de modo radical. Os religiosos vão ter que voltar à sua vocação original, e deixar de ser administradores de paróquias ou de obras".

A partir deste ponto, o artigo está dividido em três partes:
1. Os temas mais significativos do documento conclusivo
2. Algumas dúvidas
3. Os problemas


:: Entre os temas mais significativos, Comblin destaca:

. A escolha do tema geral de toda a Conferência: missão
"Há uns 30 anos atrás na América Latina não se falava em missão (...) A missiologia nem sequer estava nos programas de formação sacerdotal. Era a especialidade de alguns que iam dedicar-se a regiões mais despovoadas ou retiradas como a Amazônia (...) Desde então apareceram muitas experiências que se apresentaram como missionárias. A própria palavra missionário entrou no uso comum do povo que identifica já certas pessoas como missionários e missionárias. Muitos grupos adotaram o nome de missionários. Hoje em dia a consciência de uma necessidade missionária no meio de uma sociedade cada vez mais secularizada cresceu muito. A V Conferência do Celam recolheu o que se preparou durante 30 anos".

. A Conferência decidiu voltar ao método de Medellín e Puebla: o esquema ver-julgar-agir da Ação Católica
"Há uma insistência muito forte nessa continuidade (n.391-398). É difícil não descobrir nessa insistência uma discreta expressão de arrependimento e de confissão. É inegável que tinha diminuído a influência de Medellín e de Puebla nos últimos anos. Não faltavam sacerdotes que simplesmente diziam que Medellín já estava superado e já não servia mais para a Igreja atual. Por isso, convém destacar a forte insistência da Conferência de Aparecida. Essa continuidade com Medellín e Puebla manifesta-se, sobretudo, em dois temas fundamentais: a opção pelos pobres e as comunidades eclesiais de base. São justamente dois temas que foram muito atacados ou tratados com indiferença como sendo coisas do passado (...) A Conferência de Aparecida renova a opção pelos pobres (n. 397,398, 399). Não se trata de uma fórmula convencional. O texto é insistente (...) O documento conclusivo fala explicitamente das Comunidades Eclesiais de Base (n. 178-179). Esta é a parte do documento que sofreu mais correções em Roma, pois o texto dos bispos era muito mais incisivo. Assim mesmo, o texto enuncia todos os frutos positivos das Comunidades Eclesiais de Base, reconhecendo que elas foram o sinal da opção pelos pobres".

. Os melhores capítulos do Documento são os capítulos 7 e 8 sobre a missão. Aí se acham as afirmações mais fortes
"A mudança deve afetar todas as instituições da Igreja. Começa com a reforma da paróquia. Esta terá que ser subdividia em unidades menores (372), de pequenos grupos com melhor relacionamento (...) O capítulo 8 elabora uma pastoral social que vai ser reafirmada e reforçada (401-404). O documento enumera as novas categorias de pobres que surgiram (...) nos últimos tempos. Enfim o Documento assume desafios contemporâneos: a ecologia e os problemas do meio ambiente e a pastoral urbana. O programa de pastoral urbana é muito completo (...) O desafio da pastoral urbana já foi definido por sociólogos católicos no final do século XIX. Depois de 100 anos a hierarquia assume o desafio. A Igreja católica tem ainda estruturas rurais e mentalidade rural. Na sociedade rural a paróquia identifica-se com a sociedade. Agora as coisas mudaram tanto que a imensa maioria dos cidadãos vive na margem da Igreja e somente recorre a ela no nascimento e na morte ou recorre aos Santos nas doenças".

. A análise da realidade da América Latina
"No segundo capítulo há uma extensa apresentação da realidade de América latina. Essa exposição recorreu à ajuda de especialistas e cientistas, já que oferece informações bastante completas e pormenorizadas (...) No entanto, o Documento não chega a condenar o capitalismo e o sistema atual de globalização embora tenha mostrado todos os seus vícios. Não podia ir mais longe do que a chamada Doutrina social da Igreja, tão silenciosa nos últimos tempos".


:: Na seção sobre as dúvidas, diz Comblin:

. Quem vai pôr esse programa em prática?
"O projeto de Aparecida é tão radical que surge uma dúvida: quem vai pôr esse programa em prática? (...) O clero atual não tem condições para aplicar esse programa (...) Pessoalmente acho que os futuros missionários capazes de mudar a fisionomia da Igreja serão leigos, missionários leigos".

. Como vai começar a aplicação do programa de Aparecida?
"Não poderá realizar-se de cima para baixo. Não se poderá começar com um planejamento teórico. Começará com pessoas voluntárias dispostas a entrar numa aventura, desta vez com o apoio da hierarquia (...) Nos últimos anos em muitos lugares as dioceses realizaram anos missionários, missões populares, sem êxito nenhum. Tudo ficou no papel porque em lugar de partir das pessoas voluntárias que se sentiam pouco valorizadas, mais toleradas do que apoiadas na sua vocação missionária, entregaram a missão as agentes de pastoral da estrutura diocesana ou paroquial (...) Não adianta dar cursos para ensinar uma doutrina".

.Como será a formação missionária?
"O que se entende por formação de missionários? A atual formação nos seminários ou nas faculdades de teologia é justamente o contrário. O sistema atual dá uma formação acadêmica ou com pretensões acadêmicas. No Brasil muitos deram muito valor ao reconhecimento dos estudos de seminário pelo Ministério da Educação. Ora, com certeza o Ministério da Educação não tem projetos missionários. Os certificados oficiais parecem ser garantias justamente para aqueles que não sentem uma vocação missionária muito forte. Não tenho nada contra esses certificados acadêmicos, mas isto não tem nada a ver com a missão. A formação acadêmica torna a pregação vazia, sem contato com o povo. Os padres foram preparados para ser pequenos professores de teologia. Só isso já explica muitas coisas quanto aos problemas da Igreja que foram denunciados pelo documento de Aparecida. A formação missionária inclui primeiro uma forte e radical espiritualidade concentrada na Bíblia em geral, mas sobretudo nos evangelhos, isto é, na vida terrestre de Jesus. Em segundo lugar, a formação consiste em multiplicar os encontros com pessoas, famílias, grupos. O missionário precisa aprender a estar presente em todos os lugares da vida social, como um sinal de vida renovada, animada pela fé, esperança e caridade (...) A exposição da doutrina jamais converteu alguém. Jesus manifesta-se pela vida de certas pessoas e não pela doutrina. Não se forma missionários com cursos, seminários ou discussões abstratas. É preciso aprender o linguajar popular. Alguns sacerdotes ou bispos sabem fazer isso perfeitamente: são missionários que se tornaram assim pela graça de Deus, superando os esquemas de formação acadêmica que receberam. Um exemplo: frei Carlos Mesters".

. Um problema de toda a Igreja ocidental: ela ignora o Espírito Santo
"O ensinamento do Novo Testamento é diferente, tanto na teologia de Paulo como na teologia de João (...) Uma conversão mais radical ainda seria necessária para voltar ao ensinamento do Novo Testamento sobre o Espírito".


:: Quanto aos problemas, diz Comblin:

. Uma cristologia fraca
"A parte mais fraca do documento, a meu ver, é a cristologia. Era de se esperar. Não foi por acaso que a Notificação enviada a Jon Sobrino foi publicada na véspera da Conferência de Aparecida. Pois aqui estamos exatamente no maior problema teológico da atualidade. A questão é: o que significa a humanidade de Jesus? Qual é o significado das palavras e dos atos de Jesus tais como os evangelhos os relatam? Em que consiste a humanidade de Jesus? O que é ser homem? O texto lembra muitas coisas bonitas tiradas dos evangelhos, que o mostram como mestre de sabedoria e revelador de um modo de vida a ser imitado pelos discípulos. É uma enumeração de atos e palavras belas da vida de Jesus. Falta a síntese e o que reúne todos esses ditos e fatos numa vida humana (129-135). Esta enumeração não diz o significado da vida humana de Jesus, ou seja do seu ministério missionário. A vida dos seres humanos deve interpretar-se a partir do contexto histórico em que ela se situa. Aqui não se fala do contexto histórico, como se Jesus estivesse fora da história, como um mestre que voa acima dos séculos".

. Falta análise da estrutura eclesial latino-americana
"O texto faz uma enumeração dos aspectos positivos e negativos da Igreja latino-americana. (98-100) Não se colocam tanto os aspectos positivos como os negativos no contexto histórico. É como se tudo fosse de igual significado. Não se faz nenhuma análise das estruturas".

. Há um surpreendente silêncio sobre os movimentos pentecostais...

. Na descrição da sociedade atual, não são devidamente consideradas as duas culturas existentes: a dos incluídos e a dos excluídos...


Comblin finaliza:
"Mesmo assim (...) nasceu uma nova consciência. O documento final constitui um motivo de renovada esperança para os velhos e oferece algumas orientações bem definidas aos jovens".

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Biblical Studies Carnival XXI

Acabou agosto, mês de cachorro doido, mês de desgosto, mas, para nosso conforto, Duane Smith, em seu biblioblog Abnormal Interests, de apropriado nome, fez uma seleção dos melhores posts do avoado mês que versaram sobre estudos bíblicos e áreas afins, operação por nós apelidada de XXI Carnaval dos Estudos Bíblicos...

Entrementes, de setembro que começa, mais ainda se espera, sendo, por aqui, o Mês da Bíblia!

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