Observatório Bíblico

Terça-feira, Julho 31, 2007

A dor daqueles que doem toda a vida

O senhor sabe: tanta pobreza geral, gente no duro ou no desânimo. Pobre tem de ter um triste amor à honestidade. São árvores que pegam poeira - Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas.

O teatro do horror
"A aviação comercial brasileira ganhará investimentos vultosos nos próximos anos. Não por ser esta uma questão de justiça, mas porque os reclamantes são poderosos. Se fosse pela justiça, o governo deixaria de se preocupar com aqueles que dormem nos corredores dos aeroportos por algumas noites, aquele povo bem servido que tem sofrido nas filas de chek-in, e trataria de multiplicar seus programas aos famintos da nação. Procuraria diminuir a dor daqueles que doem toda vida. Buscaria aquecer o frio daqueles que tremem em todo inverno. Daria abrigo àqueles que dormem mal toda noite. É provável que muitos discordem, ou que me odeiem por dizer isso. Provavelmente já passaram horas no saguão de Congonhas, tendo somente as mochilas como travesseiros. Mas será que já experimentaram as carências extremas? (...) Perdoe-me, leitor, o povo merece, sim, voar com dignidade para visitar os parentes na Europa e fazer compras em Miami. Sim, ninguém deveria enfrentar aquelas filas horríveis. Mas, por favor, não me diga que essa é uma questão de justiça. O que temos aqui é uma questão de poder. O apagão aéreo (...) tornou-se notícia permanente porque mexeu com gente graúda (...) Obviamente, nem todos os que voam são graúdos, mas parece que todos os graúdos voam", escreve Chico Guil em Carta Maior - 30/07/2007. Leia o texto completo.

>> Este é o post de número 1000 do Observatório Bíblico.

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Resenhas na RBL - 30.07.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Octavian D. Baban
On the Road Encounters in Luke-Acts: Hellenistic Mimesis and Luke's Theology of the Way
Reviewed by Thomas L. Brodie

Stephen Barton, ed.
The Cambridge Companion to the Gospels
Reviewed by Paul Foster

Dianne Bergant
Israel's Story: Part One
Reviewed by Sven Petry

John A. Bertone
The Law of the Spirit: Experience of the Spirit and Displacement of the Law in Romans 8:1-16
Reviewed by Volker Rabens

Thomas L. Brodie, Dennis MacDonald, and Stanley E. Porter, eds.
The Intertextuality of the Epistles: Explorations of Theory and Practice
Reviewed by Korinna Zamfir

Trevor J. Burke and J. Keith Elliott, eds.
Paul and the Corinthians: Studies on a Community in Conflict. Essays in Honour of Margaret Thrall
Reviewed by Joubert Stephan

Jacques Cazeaux
Le partage de minuit: Essai sur la Genèse
Reviewed by Hugh S. Pyper

Dorothea Erbele-Küster and Detlef Dieckmann, eds.
"Du hast mich aus meiner Mutter Leib gezogen": Beiträge zur Geburt im Alten Testament
Reviewed by Silvia Schroer

Dennis Hamm
The Acts of the Apostles
Reviewed by Steve Walton

James L. Kugel, ed.
Prayers That Cite Scripture
Reviewed by Marvin A. Sweeney

James Limburg
Encountering Ecclesiastes: A Book for Our Time
Reviewed by David Brian Warner

Mark Munn
The Mother of the Gods, Athens, and the Tyranny of Asia: A Study of Sovereignty in Ancient Religion
Reviewed by Gerhard van den Heever

Mikeal Parsons
Luke: Storyteller, Interpreter, Evangelist
Reviewed by Robert C. Tannehill

Susanne Rudnig-Zelt
Hoseastudien: Redaktionskritische Untersuchungen zur Genese des Hoseabuches
Reviewed by Eberhard Bons

Wolfgang Schrage
Vorsehung Gottes? Zur Rede von der providentia Dei in der Antike und im Neuen Testament
Reviewed by Michael Labahn

Mikael Sjöberg
Wrestling with Textual Violence: The Jephthah Narrative in Antiquity and Modernity
Reviewed by Rüdiger Bartelmus

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Simposio da ABIB sobre Biblia e Ciências Humanas

ABIB: Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica - Regional São Paulo

I Simpósio Regional Bíblia e Ciências Humanas

Data: 25 de agosto de 2007
Local: Seminário Teológico da Igreja Presbiteriana Independente
Rua Genebra, 180 – Bela Vista – São Paulo
(próximo à Câmara Municipal e às estações Anhangabaú e Sé do Metrô)

:: Apresentação
A Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica – ABIB, recentemente instituída, tem o objetivo de congregar pesquisadores e pesquisadoras em Bíblia nos mais diversos campos e ambientes, com vistas a favorecer a identidade acadêmica. Para tanto, vem realizando congressos em âmbito nacional – o próximo deverá ocorrer em 2008 – e também eventos de alcance regional.

:: Simpósio Regional São Paulo
Em 25 de agosto de 2007, será realizado o I Simpósio Regional São Paulo, com o tema Bíblia e Ciências Humanas, que espera reunir biblistas do Estado, seja para acompanhar a programação e interferir no debate, seja para contribuir com a apresentação de uma comunicação acadêmica.

:: Programação
8h Abertura
8h30 Mesa-redonda: Bíblia e Ciências Humanas
Conferencistas:
. Prof. Dr. Archibald Mulford Woodruff (UMESP, Seminário da IPI)
. Prof. Dr. André Chevitarese (UFRJ)
11h Intervalo
11h30 ABIB: apresentação e notícias
12h30 Almoço
14h Comunicações acadêmicas
16h Intervalo
16h30 Conferência: Bíblia e Ciências Humanas - Perspectivas
Conferencista:
. Prof. Dr. Milton Schwantes (UMESP, EDT)
18h Encerramento

:: Inscrições
Para efetuar a inscrição no I Simpósio Regional Bíblia e Ciências Humanas, favor preencher os dados abaixo e enviar para o endereço eletrônico <abib.sp@bol.com.br>. Caso haja interesse em apresentar uma comunicação, pedimos que os dados sejam enviados até dia 10/08.
A taxa de inscrição, a ser paga no momento da abertura dos trabalhos, é de:
R$ 20,00 (sócios da ABIB)
R$ 30,00 (não-sócios)

:: Ficha de Inscrição:
Nome:
Endereço:
Telefone:
E-mail:
Instituição e atividade que exerce em ligação com a Bíblia:
Título da comunicação (caso queira fazê-la):
Resumo da comunicação (10 a 15 linhas):

> No dia do evento será possível afiliar-se à ABIB, caso haja interesse.

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Martini e a missa em latim

Leia no blog de Antonio Lombatti a postura crítica do Cardeal Carlo Maria Martini sobre a missa em latim.

Notícia publicada no jornal Il Sole 24 Ore, de Milão.

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Segunda-feira, Julho 30, 2007

Mark Goodacre e seu "personal blog"

Você já soube do Mark Goodacre's Personal Blog?

Novinho em folha, começou dia 28.

Comece lendo o post Why I am experimenting with a personal blog.

Como classificá-lo? Blog pessoal? Penso que, inventado pelo guru dos biblioblogueiros, cai melhor em cultura.

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Sábado, Julho 28, 2007

Congresso Internacional da CBA 2007

Será realizado nos dias 4 a 7 de agosto de 2007 o Setuagésimo Encontro Internacional da Associação Bíblica Católica da América, a CBA: The Catholic Biblical Association of America. O local é a Universidade Santa Clara, Santa Clara, Califórnia, USA.

Veja o programa aqui e aqui.

The Seventieth International Meeting of The Catholic Biblical Association of America will be held August 4-7, 2007 at Santa Clara University, Santa Clara, CA.

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Quinta-feira, Julho 26, 2007

Religião e formação de classes... - Bibliografia

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa
>> Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias
>> Capítulo 5: Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade
>> Capítulo 6: Apresentação de sociedades asiáticas em etnografia helenística
>> Capítulo 7: A evolução de um domínio sem tradições na Judéia e a revolta crescente contra ele
>> Capítulo 8: Estabelecimento da antiga relação de classes na Judéia
>> Capítulo 9: Oposição da religião à política


Bibliografia
> A bibliografia, quando possível, foi atualizada e traduções para o português, quando encontradas, foram preferidas nas citações. O ISBN - International Standard Book Number ou Número Padrão Internacional de Livro - sendo encontrado, será citado, pois facilita a busca pelo livro. Nesta bibliografia, com duas exceções, são citados apenas autores mencionados no resumo. No livro a bibliografia ocupa as páginas 167-173.

BACHOFEN, J. J. Der Mythus von Orient und Occident: eine Metaphysik der alten Welt. München: Beck, 1956.

CAUSSE, A. Du groupe ethnique à la communauté religieuse: le problème sociologique de la religion d'Israël. Paris: Librairie Félix Alcan, 1937.

DROYSEN, J. G. Geschichte des Hellenismus. München: Deutscher Taschenbuch Verlag, 1986. ISBN 9783423059763

DURKHEIM, E. Da divisão do trabalho social. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004. ISBN 853361022X

EDDY, S. K. The King is Dead: Studies in the Near Eastern Resistance to Hellenism 334-31 B.C. Lincoln: University of Nebraska Press, 1961.

FORTES, M. Kinship and the Social Order: The Legacy of Lewis Henry Morgan. London : Routledge, 2004. ISBN 9780415330091.

FRIED, M. The Evolution of Political Society: An Essay In Political Anthropology. New York: McGraw-Hill, 1967. ISBN 9780075535799.

GARCÍA MARTÍNEZ, F. Textos de Qumran: edição fiel e completa dos Documentos do Mar Morto. Petrópolis: Vozes, 1995.

GODELIER, M. Ökonomische Anthropologie: Untersuchungen z. Begriff d. sozialen Struktur primitiver Gesellschaften. Reinbek (bei Hamburg): Rowohlt, 1982. ISBN 9783499250439.

HENGEL, M. The Zealots: Investigations into the Jewish Freedom Movement in the Period from Herod I Until 70 A.D. London: T & T Clark, 2000. ISBN 9780567293725.

KREISSIG, H. Die sozialen Zusammenhänge des judäischen Krieges: Klassen und Klassenkampf im Palästina des 1. Jahrhunderts v.u. Z. Berlin: Akademie-Verlag, 1970.

LÉVI-STRAUSS, C. As estruturas elementares do parentesco. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. ISBN 8532628583.

MAUSS, M. Ensaio sobre a dádiva. Lisboa: Edições 70, 1989. ISBN 9789724402260.

MEYER, E. Die Entstehung des Judentums: eine historische Untersuchung. Hildesheim: G. Olms, 1987. ISBN 3487009951.

MORGAN, L. H. Ancient Society for Researches in the Lines of Human Progress from Savagery through Barbarism to Civilization. New Brunswick, NJ: Transaction Publishers, 2000. ISBN 9780765806918.

PATAI, R. Sitte und Sippe in Bibel und Orient. Frankfurt am Main: Ner-Tamid-Verlag, 1962.

PEREIRA DE QUEIROZ, M. I. Réforme et révolution dans les sociétés traditionnelles: histoire et ethnologie des mouvements messianiques. Paris : Éditions Anthropos, 1968.

POLANYI, K. Trade and Market in the Early Empires: Economies in History and Theory. New York: The Free Press, 1957.

SAHLINS, M. D. Sociedades tribais. 2. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1974.

SCHOLEM, G. Über einige Grundbegriffe des Judentums. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1996. ISBN 3518133179

THACKERAY, H. St. J./MARCUS, R./WIKGREN, A./FELDMAN, L. H. Josephus I-X, Cambridge: Harvard University Press, 1926-1965.

TOV, E. (ed.) The Dead Sea Scrolls Electronic Library, a CD-Rom edition. Leiden: Brill, 2006. ISBN 9789004150621.

WEBER, M. Ancient Judaism. New York: The Free Press, 1967. ISBN 9780029341308. Original: Das antike Judentum. Max Weber, Gesammelte Politische Schriften. Potsdamer Internet-Ausgabe (texto online).

________ Economia e Sociedade: Fundamentos da Sociologia Compreensiva, Vols. 1 e 2. Brasília: Editora da UnB, 2004. ISBN 852303142X e 8523003908.

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Quarta-feira, Julho 25, 2007

SAFE - Saving Antiquities for Everyone

SAFE - Saving Antiquities for Everyone - é uma organização sem fins lucrativos dedicada a preservar a herança cultural mundo afora.

Our mission is to raise public awareness about the irreversible damage that results from looting, smuggling and trading illicit antiquities.

Dica de Jim Davila em PaleoJudaica.com.

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Terça-feira, Julho 24, 2007

Esquizofrenia informativa de los medios opositores

En los últimos días, los medios opositores han difundido infinitas versiones sobre la causa por la cual el avión de TAM siguió de largo por la pista central de Congonhas, atravesó una avenida y se estrelló contra un depósito (...) Esa misma esquizofrenia informativa se vive con respecto a los cada vez más habituales apagones aéreos. El domingo los principales medios brasileños sostenían que los retrasos y las complicaciones que paralizaron durante horas los aeropuertos brasileños el sábado habían sido provocados por un boicot de los controladores aéreos... Leia em Página/12, diário argentino, edição de hoje, sobre a crise aérea e os meios de comunicação brasileiros.

Leia Mais:
E a imprensa arremeteu - Gilson Caroni Filho em Carta Maior: 20/07/2007
O que estava em causa na cobertura da mídia após o acidente da TAM era a construção da "crônica da tragédia anunciada". Ao incluir as vítimas fatais no seu cálculo político, mais uma vez a mídia folhetinizou um drama real, banalizando a vida.

Mídia eleva tom contra Lula. Ministro do STM sugere golpe - Marco Aurélio Weissheimer em Carta Maior: 24/07/2007
Editoriais e colunistas falam em “colapso do lulismo”, “corriola governamental” e incapacidade de governar o país. Ministro do Superior Tribunal Militar diz que “pessoas de bem vão se pronunciar como já fizeram em um passado não muito distante”.

Vôo TAM 3054 - Especial da Folha Online

Atualizando: 25.07.2007 - 10h00
Novas reflexões sobre a tragédia do Airbus - Bernardo Kucinski em Carta Maior: 24/07/2007
Confirmou-se por completo e ganhou musculatura a tese central do meu primeiro comentário, então apenas intuída, de que o desastre da TAM deu-se num contexto de maximização de lucros. A estratégia das companhias, que fez de Congonhas um centro nacional de redistribuição de passageiros (“hub”), foi explicada por Daniel Ritter no jornal Valor da sexta (20) e confirmada elo executivo da TAM José Hélcias, no Estadão desta terça (...) Ao anunciar a desativação de Congonhas como “hub”, o governo admite que, mesmo depois de instalado o caos na malha aérea, continuava aceitando criticamente o sistema deixado pelo governo anterior no qual as companhias definiam a política pública para o setor. Essa passividade estava implícita no meu primeiro comentário, mas não suficientemente enfatizada (...) Desde o primeiro momento, deu-se a exploração político-partidária da tragédia, pela mídia e pelos principais líderes tucanos, José Serra e Tasso Jereissati. Assim como desastre se dá no contexto de uma crise generalizada do tráfego aéreo, sua politização também é uma extensão natural do processo de linchamento do governo Lula que vem desde o “mensalão”. O ataque começou no momento mesmo da tragédia, quando os âncoras, sem informação suficiente para comentar as cenas espetaculares do incêndio, fixaram-se obsessivamente no problema da pista. Mesmo porque a pista foi liberada ainda sem as ranhuras previstas no projeto e o caos aéreo já durava dez meses. Mas já naquela noite, os repórteres do Estadão ficaram sabendo que o avião voava há uma semana com o reverso travado (...) Só que o Estadão preferiu desprezar esse verdadeiro furo de reportagem que poderia mudar o rumo do noticiário... Leia o texto completo.

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 9

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa
>> Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias
>> Capítulo 5: Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade
>> Capítulo 6: Apresentação de sociedades asiáticas em etnografia helenística
>> Capítulo 7: A evolução de um domínio sem tradições na Judéia e a revolta crescente contra ele
>> Capítulo 8: Estabelecimento da antiga relação de classes na Judéia


9. Oposição da religião à política

9.1. J. J. BACHOFEN louva a vitória do Ocidente sobre o Oriente nas derrotas de Cartago e Jerusalém.

Obs.: este capítulo vai analisar três metas dos judeus nas suas revoltas contra o domínio helenístico-romano:
. a dos essênios
. a da revolução de Bar Kosiba
. a da libertação dos escravos por dívida

:: Renovação da aliança com Deus
9.2. Segundo o Documento de Damasco, a comunidade essênia rompeu com a ordem social dominante nos séculos II a.C./I d.C. e se organizou internamente segundo princípios alternativos. O princípio constitutivo do grupo de Damasco não era o parentesco, mas a livre união. Importante é que o conteúdo de solidariedade do grupo de parentesco agnático se tornou independente e foi racionalizado em normas éticas, cuja validade fica assegurada através de um pacto.

9.3. A relação com os estrangeiros implica em não fazer nenhum negócio com eles: nada lhes deve ser vendido ou deles comprado. As relações comerciais se limitam à troca.

9.4. O conteúdo das relações sociais com os outros judeus, os de fora do grupo, aparece no Documento como expressão de um mundo que vive de acordo com outra lei. Sua separação dos outros e a sua condenação deles é justificada com o conceito de aliança Iahweh-Israel.

9.5. "Os conceitos religiosos do Manuscrito de Damasco têm pois seu fundamento não numa orientação para aquilo que vem, mas supõem a condição social de uma sociedade de classes e, contrastando com suas instituições impessoais e assimétricas, insistem nas relações pessoais e recíprocas" (p. 147) [Die religiösen Konzepte der Damaskusschrift beruhen daher nicht auf einer Orientierung am Überkommenen, sondern haben die gesellschaftliche Bedingung einer Klassengesellschaft zur Voraussetzung und insistieren kontrafaktisch zu deren unpersönlichen und reziproken Beziehungen].

9.6. Comparando o Documento de Damasco e Qumran (Regra da Comunidade):
. Damasco: pressupõe a propriedade privada e subordina a determinadas regras a circulação e consumo dos produtos; provavelmente se espelha nas regras de distribuição da hierocracia; é uma união de chefes de família
. Qumran: subordina não só a circulação e o consumo, mas também a produção (no campo e na oficina) às regras da comunidade; segue o modelo corporativo do clã (mishpâhâ); é uma comunidade (yhd) muito complexa na sua organização (há uma hierarquia comandada pelos sacerdotes aaronitas)
. Em Qumran as relações internas seguem o princípio do dom e da retribuição, o princípio da reciprocidade, enquanto as relações para fora se reduzem à compra e venda

9.7. O autor conclui:
. o tradicionalismo dos essênios reconstruiu as tradições
. não como leis (nómoi) político-utópicas
. mas com ênfase nos aspectos coletivos da tradição que legitimavam a formação de grupo religioso de concepção corporativa
. e motivaram a resistência à mudança social

> "O interesse dos essênios nas tradições foi determinado tendo como pano e fundo a emancipação da sociedade helenística das tradições coletivistas, e tinha como meta a conservação destas tradições como normas das relações sociais" (p. 150).

:: Restauração de Israel
9.8. G. SCHOLEM (1970) acredita que as idéias apocalípticas dos judeus são em sua essência e origem uma teoria da catástrofe. Eles querem a destruição e a superação da História. O Messias transcende assim as relações sociais e a História.

9.9. M. I. PEREIRA QUEIROZ (1968) diz que todo movimento messiânico tem três elementos:
. coletividade oprimida e descontente
. a esperança na chegada de um enviado de Deus que colocará fim ao tempo de sofrimento
. crença em paraíso que é ao mesmo tempo santo e profano

> Por que surgem estes elementos?
Quando há reciprocidade de condições sócio-econômicas e de sistemas simbólicos político-culturais, nos quais as figuras religiosas tradicionais tomam intensidade messiânica e se tornam motivação de revolta contra o regime dominante

> Por que símbolos tradicionais passam a ser revolucionários?
O exame será baseado na revolta de Bar Kosiba

9.10. O conceito de liberdade era a meta dos três grandes levantes judaicos (Macabeus em 167-142 a.C.; guerra de 66-73 d.C.; revolta de Bar Kosiba em 132-135 d.C.). Os documentos comprovam o que se entendia por liberdade: autonomia política, exercício da justiça, suspensão dos tributos, cobrança dos impostos pelos próprios judeus e cunhagem de moeda própria.

> Mas existe um conceito sicário-zelota de liberdade que é diferente deste: é também religioso: "Israel não pode reconhecer o domínio romano, pois Deus é o seu Senhor" (p. 153). Esta seria uma oposição ao culto aos césares.

9.11. Ao lado do conceito de liberdade existe o de ge'ulla (= resgate da terra) que deve ser traduzido por "reconstrução" ou "restauração". Mas quem a realiza? Iahweh é o goel na literatura bíblica... mas agora Bar Kosiba é o restaurador, segundo os documentos da revolta. "Nos documentos de Bar Kosiba, o símbolo religioso foi adaptado ao político e significa libertação do domínio estrangeiro através de revolta organizada" (p. 155).

9.12. O título de nâsî (= príncipe), aplicado a Bar Kosiba: o senhorio do nâsî se legitima pela obediência às tradições. "O senhor não está acima da lei, e nem como pessoa inteligente é fonte de justiça, mas ele se legitima justamente pela harmonia de suas ordens com as tradições" (p. 156).

> "Também a aceitação do título de nâsî deve-se à dialética das condições político-sociais e aos modelos explicativos da tradição, em cujos processos o título de senhor transmitido tornou-se símbolo do senhorio orientado pela tradição, e expressava a consciência da contradição existente com a estrutura de poder do helenismo" (p. 157).

:: Grito de libertação
9.13. Outro importante conceito é o da proclamação do ano de libertação (Dt 15,2 etc.). O Código de Hammurabi: relação entre anduraru e derôr (= libertação)...

> "A importância de derôr não pode, através de construções literárias artificiais, ser desviada do seu sentido coletivo social. Do mesmo modo como observamos no conceito de ge'ulla, também este conceito serviu para criar regras de solidariedade segmentária e exigências normativas, e com isso dar definição prática ao acontecimento do tempo de salvação. Norma segmentária, e não consolo de culto, torna-se paradigma do tempo de salvação" (p. 163).

:: Resumo
9.14. "O problema principal da história da religião é a relação entre a idéia religiosa e a ação social" (p. 165).

. Os três elementos discutidos se devem à resistência contra relações sociais:
> os essênios: têm "como meta realizar relações de fraternidade, reciprocidade e solidariedade. Assim, a nova sociedade nasce contra a sociedade de classes helenístico-romana (...) Os essênios retomam como motivação desta sociedade a idéia de aliança divina com o grupo de parentesco israelita" (p. 165).

> a revolução de Bar Kosiba: usa a geu'lla como conceito de mudança revolucionária. "A reconstrução de Israel tem em mira uma reviravolta que renova a união pessoal, assegura a solidariedade dos irmãos e realiza uma ordem econômica coletiva" (p. 166).

> a instituição da libertação dos escravos por dívida: "Tornou-se paradigma do tempo de salvação, no qual as relações atuais são medidas e julgadas" (p. 166).

9.15. A observação de M. WEBER (1920) sobre o judaísmo antigo: o sofrimento de um povo e não de indivíduos tornou-se o objeto de esperanças de salvação religiosa. Foi a tradição religiosa que serviu como elemento crítico face às situações novas criadas pela helenização, fazendo da salvação o direito dos oprimidos.

9.16. O cristianismo primitivo:
. supõe, como Qumran, a crise da organização israelita tradicional da solidariedade, abalada pela entrada da propriedade privada e pela apropriação do excedente
. mas, diferente de Qumran, o cristianismo primitivo não se segregou num resto fiel e nem partiu para uma revolução política
. o cristianismo "transferiu para mais tarde a crise da lealdade ao parentesco" (p. 166), diz o autor citando Mt 19,29. "O cristianismo primitivo contradisse ao mesmo tempo conteúdos essenciais da tradição judaica e fez da decisão subjetiva a base da ação" (p. 166).

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 8

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa
>> Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias
>> Capítulo 5: Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade
>> Capítulo 6: Apresentação de sociedades asiáticas em etnografia helenística
>> Capítulo 7: A evolução de um domínio sem tradições na Judéia e a revolta crescente contra ele


8. Estabelecimento da antiga relação de classes na Judéia

8.1. A conclusão a que se chegou até aqui é a de que sob o controle romano a base do domínio não era mais a tradição, mas o direito abstrato. Como aprofundar esta conclusão? Pesquisando a alteração das instituições sociais nesta época romana. Documentos: documentos de Murabba'at (encontrados no deserto de Judá e que foram levados para lá pelos partidários da revolta de Bar Kosiba entre 132-135 d.C.), NT e tradição tanaíta (os Tannaim são os rabinos que escreveram a Mishnah no séc. II d.C.).

:: Da fiança ao arremate da propriedade
8.2. O direito de hipoteca se baseava na regra da penhora (= ‘ârab): o devedor insolvente tem que trabalhar para seu credor (= escravidão por dívida - 6 anos) ou entregar seus bens para pagar a dívida: isto funcionava no tempo de Neemias. Qumran ainda conhece este direito: 1Q22 III 4-6; 11QMelquisedec e 4QOrdb 513.

8.3. A literatura rabínica (Mishna Shebî`it 10) e o NT (Mt 5,25-26/Lc 12,58) mostram outra norma: não é mais o credor, mas é o juiz que é considerado o responsável em cobrar a dívida contra o devedor. Se o devedor não pode pagar, fica preso até que algum familiar o faça.

8.4. Há também o caso, documentado na literatura rabínica, do prozbol: caso houvesse execução da dívida, as terras do devedor passavam definitivamente para a posse do credor (e não por um tempo determinado como era antigamente a lei israelita). Esta regra está documentada em Murabba'at. "Esta concessão pertence à tradição jurídica greco-romana [prosbolê, em grego] e representa novidade no direito judaico de penhora, novidade esta que possibilitava contratos de dívida entre judeus e estrangeiros" (p. 130). Também o ano de perdão caiu, segundo Mur 18. E os juros aparecem também em Lc 16,6-7 (ver nota a da Bíblia de Jerusalém (2002) a Lc 16,8). E o caso da casamento onde a ketubbâ substituiu o mohar (= dote).

:: As conseqüências da insolvência
8.5. Prisão por dívida fiscal já era conhecida antes da era helenística (Esd 7,26), mas agora há prisão por dívida particular como testemunha a parábola do servo cruel (Mt 18,23-25). O Estado agora protegia os contratos particulares, porque o credor não era mais o pequeno camponês vizinho (e parente, dentro do clã), mas o daneistês, o profissional de empréstimos ou o administrador de grandes propriedades. Antigamente, o vizinho credor aceitava como pagamento o trabalho do devedor (= escravidão por dívida); agora, não se aceita mais o trabalho, porque a mão-de-obra era abundante [conseqüência do tipo de cultivo e da tomada da terra pelos grandes investidores] e o credor queria era dinheiro ou terras

8.6. A conclusão é que há duas diferenças entre o pré-exílio e a época romana:
. o empréstimo antes do exílio era assegurado pela mão-de-obra (= escravidão por dívida); no pós-exílio (época persa/grega), o empréstimo era garantido pelo terreno e pela mão-de-obra; agora (época romana) o empréstimo é garantido pelo fator de produção terra e dinheiro, porque este é o interesse dos credores

. não se emprestavam somente víveres para plantação e consumo (como no pré-exílio), mas emprestava-se dinheiro. E o credor podia declarar a terra do devedor insolvente como sua propriedade particular, para compensar o empréstimo.

. "Os dois momentos apontam para uma sociedade na qual terra e trabalho tornaram-se meios abstratos da produção de valores, e na qual também o empréstimo servirá a este fim" (p. 133) [Beide Momente verweisen auf eine Gesellschaft, in der Land und Arbeit zum abstrakten Mittel der Produktion von Werten geworden waren und in der auch das Darlehen diesem Zweck diente]

:: Do patrimônio à propriedade particular
8.7. Os contratos de venda encontrados entre os documentos de Murabba'at e os evangelhos (Mt 13,44;Lc 14,18) mostram que a limitação da venda da terra pela prerrogativa agnática não vale mais. Acaba-se também o direito de herança agnática.

:: Relações de produção
8.8. Nesta época na Palestina havia: o pequeno agricultor [Kleinbauerntum], o arrendatário (colono) [Pachtverhältnis - Kolonat] e a oikos (trabalhada por escravos ou operários) [Sklaverei und Lohnarbeit basierenden Oikos]. Na literatura rabínica há três formas de arrendamento:
. o sôker, que arrenda a terra por uma quantia de dinheiro
. o hôker, que arrenda a terra por uma quantidade de mantimentos
. o 'arîs, que é arrendador parcial.

8.9. O arrendamento parcial...

8.10. A oikos...

8.11. O arrendamento por uma quantia de dinheiro ou mantimentos...

8.12. Bar Kosiba arrendou as terras (que ele confiscou de Roma)...

8.13. O que se nota, nesta época, é a decadência do pequeno agricultor, porque o sistema de arrendamento tomou conta. Como as famílias não conseguiam pagar a parte da colheita devida ao Estado, suas terras eram desapropriadas. A economia familiar tradicional era imprópria para a produção de excedentes lucrativos para os novos senhores e a nova ordem econômica. "É na racionalidade deste economia que se funda a razão de os grupos familiares não terem mais grande importância no tempo dos romanos" (p. 141) [In dieser ökonomischen Rationalität ist es begründet, daß die Familienbetriebe in der römischen Zeit keine allzu große Bedeuteng mehr hatten].

:: Nova racionalidade econômica nas parábolas evangélicas
8.14. As parábolas usam, como símbolos, elementos da ordem social da Galiléia: Mc 12,1-11; Mt 20,1-15; Mt 25,14-28; Lc 12,57-59. A colheita era tempo de alegria no AT: agora em o NT não o é mais: Mt 25,24; Jo 4,37; Mt 13,30; Jo, 4,36.

. "A relação trabalho/produto cedeu à mediação que simboliza a situação escatológica: a relação do homem com suas necessidades é transmitida através do poder" (p. 142).

. "A interpretação da relação de Deus como não recíproca, recorre ao tipo de senhorio prebendal de terras" (p. 142). Isto é uma conseqüência teológica (indireta) das relações sociais...

8.15. As fontes histórico-sociais da época romana testemunham:
. a submissão dos agricultores livres ao sistema de apropriação do excedente
. a perda da força das instituições antigas, que protegiam a sociedade judaica da formação de classes
. que o novo proprietário da terra hipotecada pode dispor livremente dela e que os parentes agnatos perdem seus direitos de herança, enquanto o devedor insolvente vai para a cadeia
. o progresso social realizou-se contra as antigas tradições da solidariedade [Die Ausrichtung der Ökonomie auf Rentabilität war möglich nur als Widerspruch zu den egalitären religiösen Traditionen - p. 155 da edição de 1978]. O complexo tradicional rural-sacerdotal, sancionado por Neemias, como resistência à formação de classes, perdeu definitivamente sua força.

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Segunda-feira, Julho 23, 2007

Golpistas!

Plano dos EUA antecipou ação dos militares
Na série de documentos sobre o envolvimento dos EUA no golpe militar de 1964 no Brasil, que o governo norte-americano vem liberando nos últimos tempos [sublinhado meu] e transformando em arquivo eletrônico em respeito a uma lei de liberdade de informação, há um plano que mereceu apenas citação e só pode ser consultado fisicamente, depois de um processo trabalhoso. Chama-se "A Contingency Plan for Brazil" (um plano de contingência para o Brasil). É de 11 de dezembro de 1963 e foi escrito por Lincoln Gordon, então embaixador dos EUA no país, e Benjamin H. Head (1905-1993), então secretário-executivo do Departamento de Estado. Nele, diplomatas elencam desfechos possíveis para a crise institucional e política do Brasil e sugerem possíveis ações do governo americano. Uma delas chama a atenção por ser quase uma proposta de ação para os militares revoltosos... Leia o texto completo de Sérgio Dávila na Folha Online de 15/07/2007 - 12h19.

Veja também:
Leia a íntegra do documento "Um plano de contingência para o Brasil" - Folha Online: 14/07/2007 - 17h30

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UFMG: The Bible and its Translations

I Colóquio Internacional "A Bíblia e suas Traduções"

1st International Colloquium “The Bible and its Translations”

Data: 22 a 24 de agosto de 2007

Local: Faculdade de Letras, UFMG, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Organizadores: Prof. Dr. Carlos Alberto Gonh (FALE/UFMG) e Profa. Dra. Lyslei Nascimento (FALE/UFMG)

Tema: A ‘tradução’ da Bíblia a partir da perspectiva de Roman Jakobson, ou seja, da interpretação dos signos verbais de uma determinada língua por meio de outra: a tradução interlingual; a reformulação ou interpretação dos signos verbais por outros signos da mesma língua: a tradução semiótica; a interpretação dos signos verbais por meio de sistemas não-verbais, como o cinema, a pintura ou a música: a tradução intersemiótica; e, na perspectiva de Walter Benjamin, “a tradução para exprimir a relação mais íntima e invisível entre as línguas”; ou, ainda, a tradução como jogo intertextual da diferença, como queria Paul Valery, Jorge Luis Borges e Haroldo de Campos

Público-alvo: Professores, pesquisadores e alunos de pós-graduação e graduação.

Participações confirmadas: Joel Robertson (EUA); Steven Eagren (Canadá); Aléxia Duchowny (Brasil); Berta Walman (Brasil); Carlos Gohn (Brasil); Daisy Wajnberg (Brasil); Elcio Cornelsen (Brasil); Enrique Mandelbaum (Brasil); Jacynto Lins Brandão (Brasil); Julio Jeha (Brasil); Luiz Nazario (Brasil); Lyslei Nascimento (Brasil); Mariângela Paraizo (Brasil); Nancy Rozenchan (Brasil); Renato Pucci (Brasil); Suzana Chwartz (Brasil); Thereza Virgínia (Brasil)

Patrocínio: FALE (Faculdade de Letras da UFMG) - PAIE (Programa de Apoio a Eventos da UFMG) / CENEX (Centro de Extensão da FALE/UFMG) / POSLIT (Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários da FALE/UFMG)

Promoção: Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG

Período de inscrição: 15/07 a 10/08

Informações e Inscrições: Núcleo de Estudos Judaicos da UFMG ou Lyslei Nascimento.


1st International Colloquium “The Bible and its Translations”

Date: 22-24 August, 2007

Venue: Faculdade de Letras – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Pampulha Campus

Coordinators: Prof. Carlos Alberto Gonh e Profa. Lyslei Nascimento

Topic: ‘Translation’ is here understood in the perspective of Roman Jaboson – as interpreting verbal symbols from one language by means of using signs of some other one: interlingual translation; as re-formulating or interpreting verbal symbols by means of using symbols of the same language: semiotic intralingual translation; as interpreting verbal symbols by means of non-verbal systems, such as cinema, painting or music: intersemiotic translation; and also in the perspective of Walter Benjamin, when this author postulates that “translation has as its primary aim the expression of the most intimate and invisible relationship between languages”; or still, translation in the perspective of those, like Paul Valey, Jorge Luis Borges and Haroldo de Campos, who aimed at the erasure of the notion of the ‘unique text’ and favored translation as intertextual play of differences

Public: The Colloquium will be open for teachers, researchers and graduate students who want to present papers and for undergraduate students who want to present posters

Already confirmed participants include: Joel Robertson (USA), Steven Engler (Canada), Aléxia Duchowny (Newton Paiva, Brasil); Berta Waldman (USP, Brasil); Elcio Cornelsen (UFMG, Brasil); Enrique Mandelbaum (USP, Brasil); Lyslei Nascimento (UFMG, Brasil); Jacynto Lins Brandão (UFMG, Brasil); Luiz Nazario (UFMG, Brasil); Mariângela Paraizo (UFMG, Brasil); Nancy Rozenchan (USP, Brasil); Renato Pucci (Tuitui/PR, Brasil); Thereza Virgínia Barbosa (UFMG, Brasil).

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Resenhas na RBL - 18.07.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Daniel Berrigan
Genesis: Fair Beginnings, Then Foul
Reviewed by Dan W. Clanton Jr.

Michelle Brown, ed.
In the Beginning: Bibles Before the Year 1000
Reviewed by Michael W. Holmes

William G. Dever
Did God Have a Wife?: Archaeology and Folk Religion in Ancient Israel
Reviewed by Patrick D. Miller

Alessandro Falcetta, ed.
James Rendel Harris: New Testament Autographs and Other Essays
Reviewed by Christopher Tuckett

Jennifer A. Glancy
Slavery in Early Christianity
Reviewed by Fabian E. Udoh

Melanie Johnson-DeBaufre
Jesus among Her Children: Q, Eschatology, and the Construction of Christian Origins
Reviewed by Harry T. Fleddermann

Tim Meadowcroft
Haggai
Reviewed by Henning Graf Reventlow

Piotr Michalowski and Niek Veldhuis, eds.
Approaches to Sumerian Literature: Studies in Honour of Stip (H. L. J. Vanstiphout)
Reviewed by Antoine Cavigneaux

Ute Neumann-Gorsolke
Herrschen in den Grenzen der Schöpfung: Ein Beitrag zur alttestamentlichen Anthropologie am Beispiel von Psalm 8, Genesis 1 und verwandten Texten
Reviewed by Thomas Krueger

Stanley E. Porter, ed.
Paul and His Theology
Reviewed by M. Eugene Boring

Paul A Rainbow
The Way of Salvation: The Role of Christian Obedience in Justification
Reviewed by Timothy Gombis

Horst Simonsen
Leonhard Goppelt (1911-1973)-Eine theologische Biographie: Exegese in theologischer und kirchlicher Verantwortung
Reviewed by Jim West

Anthony C. Thiselton
Thiselton on Hermeneutics: Collected Works with New Essays
Reviewed by Stanley E. Porter

Johan C. Thom
Cleanthes' Hymn to Zeus: Text, Translation, and Commentary
Reviewed by Troels Engberg-Pedersen

Martin Wallraff, ed.
Julius Africanus und die Christliche Weltchronistik
Reviewed by Jutta Tloka

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Outros ossuarios com o nome "Jesus"

Antonio Lombatti, em seu blog, tem um post de hoje com o título More ossuaries with the name "Jesus".

Que trata de vários ossuários da mesma região onde Simcha Jacobovici diz ter encontrado O Sepulcro Esquecido de Jesus...

Há muitos sepulcros "encontrados" de Jesus! Vários ossuários trazem o nome "Jesus"...

Leia o post, que está em italiano, e veja as as fotos de ossuários e inscrições!

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Sábado, Julho 21, 2007

O Sepulcro Esquecido de Jesus: de novo

Para quem perdeu a coisa toda em março deste ano, o filme - com pose de documentário - O Sepulcro Esquecido de Jesus estará novamente no Discovery Channel nestes dias, aqui no Brasil, nos seguintes horários:
  • domingo, dia 22: 20h00
  • segunda, dia 23: 00h00, 03h00, 06h00 e 14h00
Antes de ver o filme, que provocou tanta polêmica, leia mais sobre ele aqui, aqui e aqui.

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 7

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa
>> Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias
>> Capítulo 5: Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade
>> Capítulo 6: Apresentação de sociedades asiáticas em etnografia helenística


7. A evolução de um domínio sem tradições na Judéia e a revolta crescente contra ele (142 a. C.- 135 d. C.)

:: Dominadores Asmoneus e seus adversários (142-63 a. C.)
7.1. A ordem política na Judéia após a vitória dos Macabeus nos é transmitida em 1Mc 14,27-47. As instituições que compõem a assembléia deliberativa no tempo de Simão (140 a.C.) são:
. os sacerdotes
. o povo (laós)
. os arcontes da nação (a gerousia de Jerusalém, que se distingue da aristocracia do país)
. os anciãos da terra

7.2. A junção dos poderes de sumo sacerdote, estratego (poder militar) e etnarca (poder político) em uma única pessoa fundamentou novo controle do poder e uniu a motivação religiosa à expansão político-militar.

7.3. O Estado asmoneu não durou por causa dos romanos e por causa das divisões internas. Os acordos com Roma eram feitos (com o Senado) pelo sumo sacerdote e povo judeu (demos). A transformação, por Alexandre Janeu, do sumo sacerdócio em reinado (segundo Flávio Josefo foi Aristóbulo quem introduziu o reinado em 105 a.C.) era uma violação das normas judaicas (libertando a máquina estatal dos cidadãos) e causou a oposição da velha aristocracia que exigiu o afastamento do reinado, o que, de fato, os romanos fizeram.

:: Arrendamento do Estado republicano e secularização do poder (63-43 a. C.)
7.4. Por que Pompeu interferiu no Oriente? Interesses também financeiros: houve revolta, na Ásia, contra o pagamento de impostos a Roma, recolhidos pelos publicanos (ordo publicanorum) e Pompeu veio restabelecer os interesses dos publicanos.

7.5. Submeteu Jerusalém e seu território (a Judéia) a tributo (juridicamente, stipendium): era prêmio pela vitória e castigo pela guerra. Entre os anos 63 e 44 a.C., uma sociedade de publicanos, sediada em Sídon, tinha adquirido o direito, do Estado romano, de recolher, como tributo dos produtores, uma quarto da colheita.

7.6. Os agricultores firmavam um pacto diretamente com a societas: isto excluía a intermediação da aristocracia local. Tanto a supervisão das colheitas como a troca dos produtos ficava a cargo da Sociedade dos Publicanos. O arrendamento do estipêndio valia por um turno de 5 anos, podendo ser suspenso por Roma.

7.7. Como a revolta contra Roma era intensa, especialmente no meio rural (muitos judeus apoiavam Aristóbulo), o governador Gabínio (57-55 a.C.) tomou várias medidas de amplas conseqüências:
. mandou reconstruir as cidades helenistas
. separou o cargo de sumo sacerdote da administração política, em Jerusalém
. separou o santuário da politéia
. regulamentou aristocraticamente a constituição
. dividiu o povo em cinco partes, ficando cada uma delas submetida a uma cidade dirigida por um sinédrio: Jerusalém, Gadara, Amato, Jericó e Séforis. Além da justiça local, estas cidades tinham função na arrecadação de impostos aduaneiros (portoria)
. protegia as cidades contra a pressão dos publicanos para atrair a aristocracia local para o seu lado

7.8. O idumeu Antípater era epimeletés, era comandante militar e não estava, de fato, submetido ao poder executivo do sumo sacerdote. No ano 47 a.C. César o nomeou epítropos (procurador) da Judéia: isto aumentou seu poder militar e seu poder de comando sobre a quota dos impostos. Quando em 44 a. C. terminou o contrato com a sociedade dos publicanos, o arrendamento dos impostos lhe foi entregue totalmente.

7.9. Já a aplicação da justiça era da competência do Sinédrio de Jerusalém.

7.10. A administração dos tributos sob Antípater: a Judéia devia pagar 700 talentos de prata (cada talento = 26 kg; 26 x 700 = 18200 kg!) a Roma. Quando as cidades de Gofna, Emaús, Lida e Tamna não puderam pagar o devido, o magistrado e toda a população foram vendidos como escravos. E suas terras e propriedades confiscadas.

> A Judéia foi dividida, sob Antípater, em onze toparquias e a aristocracia local (os dynatoí) eram quem arrendava o direito de recolher o tributo.

7.11. Uma toparquia tinha a seguinte organização:
. ela é controlada por um stratêgós
. tem um escrivão dos contratos de compra, dívida e arrendamento: o komogrammateús
. e tem o parnas, que vem do grego prónoos, chefe e administrador de escalão inferior
. os tribunais judeus (synédrion, boulê) pertenciam à organização política dos subúrbios das toparquias

:: Herodes cria um poderio livre das tradições (42-4 a. C.)
7.12. No confronto entre Herodes e Antígono podemos observar:
. os partidários de Antígono viviam especialmente na Judéia e na Galiléia e são relacionados por Flávio Josefo com o "banditismo galileu" que vivia em espeluncas, estava organizado e atacava sobretudo estrangeiros. Este banditismo surgiu da impossibilidade dos camponeses pagarem tributo e queria reconstruir a antiga ordem
. os partidários de Herodes viviam na Samaria, na Iduméia e partes da Galiléia e eram membros de uma aristocracia economicamente bem situada, etnicamente indiferente. Havia entre eles ricos latifundiários.

7.13. Herodes não tinha legitimidade judaica, pois descendia de idumeus e sua mãe era descendente de árabe! Foi legitimado por um essênio, como uma escolha divina. Assim, Herodes, por ser estrangeiro, não tinha para com os judeus nenhuma relação de reciprocidade e sua legitimidade se fundava na própria estrutura do poder exercido.

7.14. Quando venceu os seguidores de Antígono, Herodes construiu uma estrutura de poder independente da tradição judaica:
. nomeava o sumo sacerdote do Templo: destituiu os Asmoneus e nomeou um sacerdote da família sacerdotal babilônica e, mais tarde, da alexandrina
. exigia de seus súditos um juramento que obrigava a pessoa a obedecer às suas ordens em oposição às normas patriarcais (se uma pessoa recusasse o juramento, era perseguida, com exceção dos fariseus e dos essênios)
. interferiu na justiça do Sinédrio
. mandava vender os assaltantes (também revolucionários políticos) como escravos no exterior (e sem direito a resgate!)
. a venda à escravidão e a execução pessoal (a morte) tornaram-se normas comuns do arrendamento estatal

7.15. Mas, se ele violava assim a tradição, como conseguia legitimidade?
. A estrutura de poder do Estado sob Herodes era bem diferente da estrutura da época do Asmoneus:
- o rei era legitimado como pessoa e não por descendência
- o poderio não se orientava pela tradição, mas pela aplicação do direito pelo senhor
- o direito à terra era transmitido pela distribuição: o dominador a dava ao usuário, era a assignatio
- a base filosófica helenística é que legitima o poder do rei, quando diz que o rei é a "lei viva"(émpsychos nómos), em oposição à lei codificada, ou seja: o rei é a fonte da lei, porque ele é regido pelo nous. O rei é a imagem de Deus que ordena e conserva o cosmos pelo nous: o rei tem função salvadora e, por isso, dá aos seus súditos uma ordem racional, através das normas do Estado. O rei em pessoa é a continuação do seu reino e o salvador de seus súditos
- o poder militar de Herodes se baseava nos mercenários estrangeiros que ficavam em fortalezas, ou em terras (cleruquias) dadas aos mercenários por ele (terras no vale de Jezrael), e nas cidades não-judaicas por ele fundadas, a cujos cidadãos ele tinha dado como posse o território que as rodeava, com os camponeses dentro!

:: "Leiturgía" ou serviço público no tempo de César e a formação da revolução
7.16. Quando Arquelau foi deposto, no ano 6 d.C., a Judéia tornou-se província romana, governada por uma procurador (prefeito) que tinha o imperium em suas mãos:
- poder total de administrador [Verwaltung]
- juiz [Rechtsprechung]
- defensor [Verteidigung]

. Duas medidas foram tomadas: a venda dos domínios reais (de Arquelau) e um recenseamento:
- as propriedades reais foram declaradas ager publicus e vendidas. Assim os domínios reais do vale de Jezrael (antigamente do sumo sacerdote Hircano) e da Galiléia foram vendidos a estranhos, que nada tinham a ver com as tradições judaicas
- o recenseamento servia para registrar pessoas e bens, em vista do pagamento do tributum solis et capitis

. o tributum capitis, cobrado em dinheiro, somava-se aos tributos sobre os produtos da terra e aos impostos indiretos e alfandegários. Pesava muito, por isso, sobre quem não tinha propriedades. Foi este o objeto da pergunta feita a Jesus sobre o "imposto a César". Era de 1 centésimo na Síria, mas era mais pesado na Judéia, por causa das revoltas (no mínimo 1 denário)

. o tributum solis era cobrado em víveres e dinheiro.
- os responsáveis pelo recolhimento destes impostos eram os magistrados das toparquias e os aristocratas locais: este sistema de assegurar dívidas coletivas de impostos pela riqueza dos escolhidos para a magistratura era chamado de leiturgía e era característico da época dos césares

7.17. O direito de nomear o sumo sacerdote e de controlar a guarda das vestes sacerdotais ficou com Herodes de Cálcis e, em seguida, com Agripa II. A jurisdição foi transmitida ao procurador e este a confiou ao Sinédrio. A pena capital era, entretanto, direito intransferível do procurador.

:: As facções revoltosas e seus motivos
7.18. A revolta dos judeus contra Roma tinha três metas:
. suspensão do pagamento dos tributos
. suspensão dos sacrifícios pelo povo romano e seu César
. ereção da soberania política

7.19. A guerra dos anos 66-73 d.C. tinha três centros:
- o Templo
- a Judéia
- a Galiléia

. Nos conflitos internos entre as várias tendências, observamos que:
- o conflito entre os grupos galileus era caracterizado pela oposição entre princípios aristocráticos e democráticos. O grupo proletário atualizou a tradição judaica do qahal (ekklesía), assembléia, contra a aristocracia que tendia a transformá-la em associação normativa da cidade. "O tradicionalismo radical democrata da população das cidades da Galiléia foi provavelmente o meio político que Jesus pressupôs"(p. 120). Nota 111, p. 120: "As parábolas evangélicas, que se referem às situações sociais e políticas da zona rural da Galiléia, apresentam um mundo de duas classes: a dos ricos e a dos pobres, a dos latifundiários e a do pequeno e endividado agricultor. Uma camada política, a dos funcionários urbanos (estrategos e arcontes) não tem graduação digna de nota".
- O movimento zelota era formado pelos sacerdotes em Jerusalém (ano 66 d.C.) - o movimento zelota é atestado sob este nome somente no ano 66 d.C. Mas é provável que suas origens estejam ligadas à resistência de Judas, o Galileu e do fariseu Sadoc por ocasião do recenseamento de Quirino, no ano 6 d.C.; enquanto os sicários representavam o movimento rural revolucionário da Judéia, dirigido por Judas, o Galileu, e seus sucessores (nem todos os sicários eram galileus, mas estavam ligados à Galiléia através de seus líderes - só a Judéia fora atingida pela nova ordem no ano 6 d.C., a Galiléia não). Zelotas e sicários entraram em choque em Jerusalém: os sicários executaram o sumo sacerdote Ananias - pai de Eleazar, chefe dos zelotas; os zelotas mataram Menaém, filho de Judas, o Galileu. Então os sicários se retiraram para Massada.

7.20. O autor apresenta, no resumo das pp. 123-125, 4 teses sobre o cerne do conflito:
> os judeus relacionaram, e com razão, tributos e escravidão. Dois momentos fundamentais explicitam este processo: em 142 a.C. a suspensão dos tributos selêucidas foi saudada como libertação e em 6 d.C. a imposição de registro dos bens particulares (censo) em vista de impostos foi vista como prelúdio da escravidão aberta

> havia um conflito entre a antiga aristocracia, formada pelos antigos moradores, a gerousia e o sinédrio, e a nova aristocracia do dinheiro e do exército, engajada no arrendamento estatal. Os donos tradicionais das terras (a velha aristocracia) tinham interesse em possuir grande número de dependentes (para mobilização em caso de conflitos), enquanto a nova aristocracia prefere os donativos em víveres e dinheiro (preferindo vender o devedor, em caso de insolvência, a estrangeiros, do que fazê-lo escravo por dívida)

> a tradição religiosa judaica da aliança Iahweh-Israel limitava o crescimento das diferenças sociais e da estratificação de classes. Daí o apelo às normas religiosas serem fundamentais para os grupos de resistência judaica... normas desativadas pelo sistema jurídico do dominador que foi, pouco a pouco, sendo implantado

> a guerra contra Roma nos anos 66-73 d.C. não foi da classe baixa contra o latifúndio (leitura de KREISSIG), pois ela seria impossível sem a participação ativa da aristocracia nativa pertencente ao Sinédrio. Esta aristocracia, que não se beneficiava do arrendamento estatal, tinha bons motivos para participar do levante... Todos lutavam (apesar das diferenças) por uma ordem na qual a tradição religiosa garantisse a legitimidade da ordem social!

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 6

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa
>> Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias
>> Capítulo 5: Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade


6. Apresentação de sociedades asiáticas em etnografia helenística

Obs.: o capítulo 6 não está todo resumido...

A questão tratada é: qual é a "interpretatio graeca" das estruturas da sociedade asiática?

:: Helenismo como conceito histórico-filosófico
6.1. J. G. DROYSEN (Geschichte des Hellenismus, 1836) acredita que a intenção de Alexandre seria a fusão da essência ocidental e oriental, meta que conseguiu, mas que correu risco após sua morte.
. DROYSEN caracteriza o helenismo como "mistura" do grego macedônio com a vida étnica local. Por detrás disso está o princípio filosófico da mediação do particular (etnias orientais) com o geral (o helenismo).
. DROYSEN compara o sucesso do helenismo com o da burguesia do séc. XIX.

:: Sociedades sem a institucionalizada procura do lucro
6.2. A etnografia de Heródoto (485-424 a.C.)...

6.3. As obras literárias gregas dos séc. IV\III a.C.

6.4. Comparando Diodoro Sículo (que se apóia em Hecateu de Abdera) com Heródoto...

6.5. Evêmeros...

6.6. Jâmbulo...

6.7. Conclusão...

:: A harmoniosa sociedade de Moisés
6.8. Hecateu de Abdera escreveu sobre os judeus...

6.9. A Carta de Aristéias a Filócrates (entre 145 e 100 a.C.)...

6.10. Conclusão: são dois os princípios que determinaram a exposição dos aspectos políticos do judaísmo antigo:
. as tradições judaicas são formuladas em forma de nómoi (leis) gregas
. a sociedade judaica é apresentada como protótipo da pólis, onde os cidadãos são iguais.

6.11. Resumo: a finalidade da exposição: corrigir uma idéia de helenismo como algo sem contradição, que é a idéia de DROYSEN. A etnografia grega, ao escrever sobre as sociedades orientais e ao mostrá-las como sociedades harmônicas (idealizando-as), está denunciando o helenismo como sociedade de classes.

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 5

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa
>> Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias


5. Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade (332-142 a.C.)

:: Arrendamento do Estado e mobilização dos excedentes
5.1. A pólis grega não tinha uma burocracia estatal profissional. Quanto às finanças públicas, a pólis arrendava a particulares o recolhimento os impostos, por tempo limitado.

> A administração ptolomaica somou este arrendamento à estrutura oriental de controle do Estado sobre o cálculo e a arrecadação dos impostos: as aristocracias orientais participaram, assim da exploração econômica e tiveram influência no Estado.

5.2. Dois decretos de Ptolomeu II Filadelfo, de 261/260 a.C., sobre a administração da província siro-fenícia, mostram que havia em um distrito um ecônomo que controlava as finanças e toda uma hierarquia de funcionários inferiores. Todos os camponeses palestinos pagavam tributo: cada um pagava ao arrendatário de sua aldeia.

5.3. No fim do século III a.C. José Tobias assumiu o controle sobre a arrecadação tributária da província siro-fenícia. Flávio Josefo diz que ele levou aos judeus a prosperidade. E foi de dois modos: fez diminuir o número de bocas para comer através da escravidão (rendendo assim mais excedentes) e estimulou culturas mais rentáveis (olivais no lugar de cereais).

:: A aristocracia se emancipa da hierocracia
5.4. A teoria grega do Estado admitia a pólis e o éthnos. Sob Antíoco III, a Judéia é considerada como éthnos (pode ser que o fosse também sob os Ptolomeus). O decreto de Antíoco III, de 198 a.C., é ilustrativo, especialmente porque nos permite ver os primeiros passos da emancipação da aristocracia (a gerousia) da hierocracia. A autonomia étnica trouxe aos aristocratas das cidades novas possibilidades: a lei baseava-se no poder do conquistador, proprietário nominal da terra conquistada, que cedia a quem ele bem quisesse a sua exploração. Isto estava em contradição com a base jurídica da posse (e não propriedade da terra, segundo a tradição judaica (a terra é de Iahweh). Estava aberto o caminho para a ruptura da aristocracia com a tradição antiga.

5.5. Esta ordem política foi confirmada pelos Selêucidas sucessores de Antíoco III, como o testemunham documentos macabeus e romanos.

:: Motivos da luta dos Macabeus pela liberdade
5.6. O problema do comércio, aos sábados, em Jerusalém, permanecia. E isso era insuportável aos ricos. Aí vem Jasão.

5.7. Há um texto em Estrabão que foi identificado como um manifesto antiasmoneu originário dos círculos helenizantes. E eles justificam suas atitudes dizendo que as prescrições judaicas tradicionais violam as normas mosaicas. Jerusalém fora fundada por Moisés como pólis e devia se adequar a isso.

5.8. A resistência dos Macabeus é contra a intromissão estatal no direito sagrado: os Macabeus são sacerdotes - os revolucionários fazem valer os antigos mandamentos: 1Mc 2,34;2,46 etc; os seus adversários seguem as ordens do rei: 1Mc 2,19-20;6,21-23 etc. Baseiam-se na antiga solidariedade de descendência (chamada por Kippenberg de solidariedade segmentária - segmentärer Solidarität) contra o domínio político do Estado helenizante.

5.9. E os motivos da luta são também econômicos, gerados pelo arrendamento estatal. Quando, em 142 a.C., o rei Demétrio II concedeu aos judeus isenção das contribuições, isto foi festejado como libertação da escravidão e começo de uma nova era (1Mc13,41-42).

> É que, com o desaparecimento do arrendamento, a aristocracia não era mais identificada com o Estado, dando aos camponeses maior folga em relação aos senhores da terra. A desigualdade permaneceu a mesma, mas os camponeses conseguiram controle sobre o excedente.

5.10. Já no ano 152 a.C., Demétrio I fizera uma promessa de isenção, o que nos dá idéia do montante dos tributos. É 1Mc 10,29-31 que narra a isenção dos três tipos de tributos:
. todo o povo (e não só a gerousia e parte dos sacerdotes, como no decreto de Antíoco III) é libertado dos impostos individuais
. é suspenso um tributo que corresponde a um terço da colheita e a metade dos frutos das árvores
. é assegurada a isenção dos impostos (= 2,5% sobre a circulação de mercadorias) e do dízimo (= antigo imposto sobre os produtos da terra). Eles agora são receitas do Estado macabeu, recolhidos junto aos judeus

5.11. Concluindo: o sistema de arrendamento estatal grego a aristocratas abastados é que levou, em boa parte, ao conflito. Como direito de conquista da terra, os dominadores exigiam tributos, e os aristocratas os recolhiam dos camponeses e os repassavam, violando as normas étnicas internas do povo judeu.
. A lógica (grega) deste arrendamento era: reduzir o direito de cidadania a pequena faixa aristocrática, mantendo os produtores como simples moradores, objeto de conquista, sem direito de cidadania.
. E esta lógica estava funcionando, até que, em Jerusalém, uma camada aristocrática forçou a helenização e entrou em choque com o direito sagrado tradicional do povo judeu. Aí veio o conflito com os Macabeus. Que não teve objetivos religiosos. O que se queria era uma reforma da constituição da Judéia.

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Sexta-feira, Julho 20, 2007

Livros para download em Servicios Koinonia

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TdL

Gênese, crise e desafios da Teologia da Libertação
...três ordens de fatores e (...) cinco aspectos eclesiais, combinados entre si, estão na raiz da Teologia da Libertação. Esta nasce e se desenvolve como uma reflexão crítica a partir da práxis libertadora dos cristãos. Ou seja, num primeiro momento desenrola-se em inúmeros grupos, movimentos e pastorais sociais a luta pela libertação; só depois, num segundo momento, é que se desenvolve a reflexão teórica. Esta, no decorrer do tempo torna-se simultaneamente causa e efeito de novas lutas e novas sínteses reflexivas. Instala-se o que Juan Luis Segundo irá chamar de círculo hermenêutico: a consciência sobre a realidade opressiva leva a uma prática libertadora, a qual alimenta uma reflexão teórica que, por sua vez, retroage sobre a realidade, renovando e aprofundando a ação social e política (...) Mas um dos maiores desafios que hoje se coloca à TdL é, sem dúvida, o pluralismo cultural e religioso, como uma das principais características da chamada pós-modernidade. Leia o texto completo do Pe. Alfredo J. Gonçalves na Adital - 27.06.2007.

A Teologia da Libertação está viva
A história faz-se às vezes como ondas que vão e vêm. Mas nunca se consegue destruir os ventos da libertação e a palavra profética, a coragem de enfrentar os poderes, anunciar a justiça e construir a solidariedade. Sempre há um São Francisco, um Bartolomeu de las Casas, um D. Oscar Romero, sempre surge um Santo Dias, um Chico Mendes, uma Dorothy Stang. Ou um D. Luciano Mendes de Almeida, um Adriano Hypólito, um Ivo Lorscheiter, um Helder Câmara, que foram, cada um a seu tempo, portadores do novo e protagonistas do futuro. E sempre de novo surgem os mártires do povo, muitos dos quais nunca vai se ouvir falar, mas que no chão da vida doam seu sangue por um novo céu e uma nova terra, pelo Reino. Leia o texto completo de Selvino Heck na Adital - 31.05.2007

Vida e morte da Teologia da Libertação
A Teologia da Libertação quer pensar a fé cristã respondendo às perguntas dos aflitos. A Teologia da Libertação continua viva ao preocupar-se com os novos pobres do continente e assumir-se como uma teologia da compaixão. Leia o texto completo de Fernando Altemeyer Júnior na Adital - 14.05.2007

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Quinta-feira, Julho 19, 2007

Religião e formação de classes na antiga Judéia 4

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco
>> Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa


4. Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias (446-432 a. C.)

4.1. O surgimento das cidades áticas, especialmente de Atenas...

:: Crise agrária na Judéia
4.2. Ne 5,1-5 narra um conflito social na Judéia. Há três grupos de queixosos:
. alguns empenharam seus filhos (escravidão por dívida) para receber alimentos
. outros hipotecaram suas terras na época da fome
. outros ainda, por não ter pago os impostos, tiveram que vender seus filhos como escravos

> Há determinada seqüência na formação da dependência: primeiro penhoram-se os filhos (escravidão), depois a terra.

> A penhora dos filhos é a ‘ârab: o devedor insolvente tem que trabalhar para seu credor até saldar sua dívida. Mas se não for possível esta retribuição direta, ele e sua família podem ser vendidos a um terceiro como escravos por dívida e o credor recebe o seu preço.

4.3. Os casos de empobrecimento de um israelita e as respectivas soluções são as seguintes, segundo Lv 25,23-55:
. ele, o empobrecido, vende seu campo ou sua casa
. ele recebe dinheiro ou víveres como empréstimo
. ele é vendido a um israelita
. ele é vendido a um estrangeiro

4.4. Aí aparece o seguinte: a venda do campo ao goel agnático era o primeiro passo que levava um camponês à pobreza. A escravidão do chefe de família vem em segundo lugar. É o contrário de Ne 5.

4.5. Examinemos o caso 2 de Ne 5,1-5: o caso daqueles que têm campos, vinhas, casas e oliveiras (v. 11) e que tiveram que empenhá-los durante uma penúria. Trata-se de penhora cujo usufruto foi transferido ao credor. Ou seja: o credor tem direito aos produtos excedentes.

4.6. Como aparece também em Mq 2,1 ("Ai daqueles que planejam...") os credores podiam se apropriar com facilidade dos campos e das casas dos outros. Se o camponês que penhora sua produção não produzir o suficiente, acaba na escravidão. A penhora permite ataque direto do credor à propriedade e à família do devedor. E, como nos mostra o papiro 10 de Cowley (papiros de Elefantina, séc. V a.C.) - cf. p. 55 - é desproporcional o tamanho da penhora em relação ao empréstimo feito.

4.7. A crise do tempo de Neemias, que aparece em Ne 5, pode ter tido vários motivos, como:
. piora da qualidade da terra
. mau tempo que prejudicou a colheita
. crescimento do número de familiares
. divisão e diminuição das terras por causa da herança
. exigências estatais de pagamentos de impostos sobre o terreno, de acordo com seu tamanho
. e pior: este imposto tinha que ser pago em moedas

> Daí: quem já tivesse hipotecado seus campos e sua produção precisava vender filhos e filhas como escravos.

4.8. A terminologia desta formação de classes:
. ‘ebed: escravo, servo: é o último grau de dependência, é quando uma pessoa se torna objeto de compra. Há distinção entre escravo estrangeiro (permanente) e escravo israelita, por dívida, que deve ser libertado no sétimo ano (Ex 21,2;Lv 25,39-41;Dt 15,12).
. sâkîr: operário: é o caso de quem perdeu suas terras e resgatou suas dívidas pelo trabalho.
. tôshâb: morador: é o estrangeiro domiciliado em Israel com situação jurídica e social específica.
. 'ikkâr: lavrador: citado em 7 textos do AT, indica em três deles um camponês dependente do dono da terra: Is 61,5; 2Cr26,10 e Jl 1,11. É possível, por causa da data destes textos, que esta dependência só tenha acontecido no pós-exílio.

4.9. Voltemos à crise da época de Neemias, como aparece em Ne 5,6-12:
. v. 7: "repreendi os nobres (hôrîm) e os magistrados (seganîm)
. Estes são os credores, dos quais muitos judeus dependiam: são da classe alta, pessoas de posses. Por que a repreensão de Neemias? É que o endividamento tinha como objetivo levar à venda (ao estrangeiro) o judeu empobrecido. É que estava florescendo o comércio de escravos no Mediterrâneo.

4.10. As providências tomadas por Neemias:
. foi uma anistia: renúncia às rendas (pelos credores) das terras hipotecadas
. conseqüência: exclusão da escravidão do judeu ao estrangeiro (se a lei tiver funcionado...)
. mas: não houve distribuição de terras para os sem-terra.

:: Revolta dos camponeses e religião
4.11. A queixa dos camponeses era contra três tipos de dependência:
. serviço para pagar as dívidas
. obrigação de pagar juros e tributos
. escravidão

> A queixa era baseada no conceito de fraternidade/solidariedade judaica, fundamentado na relação de parentesco. Desapropriação e escravidão não são compatíveis com esta ordem jurídica. Os conceitos de 'âh = irmão, ‘âmît = compatriota e rê’a = amigo não são puramente intelectuais, mas designam os membros de uma sociedade solidária.

4.12. O cap. 25 do Levítico trata desta questão, da igualdade entre irmãos para todos os judeus, ao falar do sábado e do ano jubilar.

4.13. Mas para se entender bem este capítulo é preciso considerar a situação de sacerdotes e levitas em Israel no pós-exílio.

> O culto e o sacerdócio não tinham propriedades, dependiam do tesouro do Estado (Esd 4,3;5,1-17;6,4-9 etc). Sacerdotes e levitas viviam da contribuição dos camponeses, estando eles mesmos isentos de contribuição (Esd 7,24). Prestavam serviços em Jerusalém só de tempos em tempos, morando, no mais, em suas cidades e aldeias (Ne 11,20.36; 1Cr 24,1-19). Segundo o Dt os levitas não têm herança, terra, e são juridicamente iguais aos gerîm (estrangeiros residentes): mas esta é a visão dos levitas sobre si mesmos, uma vez que há indícios de que alguns sacerdotes e levitas possuíam terras (Jr 1,1;32,6-15; Am 7,17: estes são da nobreza; Ne 11,20;13,10; Lv 27,21 etc.) Era permitido aos levitas usar os prados comunitários (migrâsh) das cidades (‘îr): Js 14,4; Lv 25,34; Nm 35,1-8; 1Cr 6,39-41.

4.14. Lv 25 determina que:
. se o irmão deve vender seu terreno, então o parente agnático mais próximo deve comprá-lo
. se isto não for possível, no 49º ou 50º ano o antigo dono deve receber de volta sua propriedade vendida
. se o irmão receber empréstimo em dinheiro ou víveres, não se deve cobrar dele nem juros, nem quantidade maior de víveres
. se é vendido a israelita, não deve prestar serviços de escravo, mas deve ser considerado como um tôshâb (estrangeiro residente) ou um diarista. No ano jubilar esta condição de empregado termina e ele deve voltar ao seu clã
. se o irmão for vendido a estrangeiros como escravo, deve ser resgatado pelo parente mais próximo. Caso contrário, deve ser libertado no ano jubilar

4.16. Todas as cláusulas tentam evitar a formação de classes. Exige-se a solidariedade na forma de resgate e de ajuda ao vizinho, mas também há duas concepções teológicas específicas: o ritual do ano jubilar e o direito sagrado à terra (a terra é de Iahweh).

4.17. Lv 25,23 liga a idéia de propriedade sagrada da terra à regra da organização do clã israelita:
. a posse da terra é direito de usufruto e não de propriedade: é uma relação de posse, não uma relação jurídica, baseada na posse concreta da terra
. segue-se que a dívida não confere ao credor direito de propriedade, nem da terra nem do homem, mas apenas uso limitado, como paga pelo empréstimo
. o tempo de uso é de 49 anos
. unem-se três normas com o postulado do direito de uso:
- a ge'ulla (resgate da terra): o direito preferencial de compra da terra
- o direito de resgate das casas
- o resgate de israelita que cai na escravidão estrangeira.

4.18. É provável que esta casuística jamais tenha funcionado. Mas o importante é: segundo estas formulações, a solidariedade não se baseia mais na relação de parentesco, mas na relação sagrada da propriedade da terra e do homem. Este é o conceito que preside à queixa dos camponeses em Ne 5: um amplo conceito de "irmão" que ultrapassa as normas estritas de parentesco.

4.19. A regra do ano jubilar está em contradição com a norma do resgate imediato da terra e do escravo e do ano sabático: é porque estas regras não funcionam mais que se tem de exigir a regra dos 49 anos.

> O ano jubilar, primitivamente, devia indicar a nova divisão das terras entre as famílias dos clãs. Se o clã, no pós-exílio, fosse igualitário, não haveria necessidade de leis de devolução da terra. É sinal, o ano jubilar, de estratificação social, onde uma aristocracia, criada no interior do clã, tende a excluir os mais pobres.

4.20. Agora, por que o sentido religioso, dado pelos sacerdotes, à posse da terra, propriedade de Iahweh? Coincidência de interesses dos camponeses e sacerdotes/levitas empobrecidos. A classe sacerdotal sem terras estava interessada no controle público das terras e não na privatização da propriedade da terra. Só assim ela poderia ter certeza das contribuições para o Templo e para os seus agentes.

4.21. A conseqüência ideológico-política: instituições camponesas de solidariedade adquiriram fundamento religioso e teológico [Diese Konstellation von Interessen hatte zur Folge, daß Institutionen bäuerlicher Solidarität religiös begründet wurden].

:: Constituição tradicional da Judéia no tempo de Neemias
4.22. A Judéia da época de Neemias é também obra dos dominadores persas, que favoreceram a criação de um Estado sacerdotal (em oposição a um Estado político) como forma de manter o controle.
. Nos documentos de Esdras/Neemias distinguem-se israelitas, sacerdotes e levitas como grupos específicos (Ne 11,9.14.22).
. Através de uma carta enviada de Elefantina aos judeus de Jerusalém em 410 a.C., sabemos que havia um governador persa, uma comunidade sacerdotal com o seu chefe e uma comunidade aristrocrática com o seu chefe.

4.23. E aparece determinada ordem social em Ne 10,31-38 (cf. texto). Esta ordem se fundamenta na tradição religiosa judaica e reflete a resistência do povo contra os interesses da aristocracia quer desejava se desligar das instituições tradicionais da religião/sociedade judaicas.
Especialmente:
v. 32b: a restrição da penhora (Ne 5)
vv.33.36.37b: o dízimo para os levitas (Ne 13,10)
v. 32a: a proibição de negociar no sábado (Ne 13,15)
v. 31: a proibição do casamento com estrangeiras (Ne 13,23)
v. 32b: o descanso da terra a cada 7 anos (cf. p. 67 para os motivos)

> São normas que vão contra os interesses aristocráticos. A reforma de Neemias favoreceu os camponeses da tribo.

4.24. "Neemias, o governador persa da província, assumiu os ideais dos camponeses devedores. Em nome do poder central baixou normas que protegiam os camponeses nativos, bem como o Templo contra um capitalismo comercial do tipo das cidades gregas" (p. 71-72).

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 3

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia
>> Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco

3. Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa (539-332 a. C.)

:: Discussão sobre a economia doméstica fechada
3.1. A partir da época persa a família (bêt 'âb) tornou-se a unidade econômica fundamental, e não mais o clã. Também na Grécia e na Itália: o óikos, a família, formava a unidade fundamental da economia.

3.2. A questão da "economia doméstica fechada" [geschlossene Hauswirtschaft]...

3.3. A pergunta fundamental: surgiu algum progresso econômico que ameaçou as relações de parentesco da sociedade judaica? [Gab es wirtschaftliche Entwicklungen, die den Zusammenhalt der nach Verwandtschaftsgruppen organisierten judäischen Gesellschaft bedrohten?]

3.4. As fontes:
. os livros de Esdras, Neemias, Crônicas
. os papiros de Elefantina
. os livros de Ageu, Zacarias, Malaquias, Joel, partes de Ezequiel e Isaías, Jó e Rute
. os escritos sacerdotais

:: Agricultura
3.5. A província da Judéia, sob domínio persa, estava quase que só na região montanhosa. Somente no nordeste ela se estendia um pouco pela planície do Jordão.
. Na região montanhosa, o cultivo dependia das chuvas. Na planície era possível a irrigação e a rentabilidade era maior.
. As encostas íngremes das montanhas do leste impossibilitavam o aproveitamento da terra, enquanto que a região que descia para a planície costeira era mais favorável, só que a terra é calcária, desenvolvendo-se ali apenas plantas de raízes profundas como a oliveira, a parreira e a figueira.

3.6. Através de Ag 1,11 sabemos que na Judéia se cultiva o trigo, a vinha e a oliveira.
. Também Nm 5,11;13,15 diz que estas são as plantas principais da Judéia no século V a.C.
. Convém lembrar-se também da criação de gado, favorável na Judéia.
. Outros testemunhos que apontam na mesma direção: Eupólemo (séc. II a.C.) e a Carta de Aristéias a Filócrates (séc. II a.C.)

3.7. O cultivo da oliveira era menos trabalhoso do que o do trigo. E podia ser feito em terrenos ruins para o trigo. Só que este cultivo exige riquezas, já que a oliveira só dá lucro dez anos depois de plantada.

3.8. Na Ática e na Itália...

3.9. Os casos da Ática e da Itália nos ensinam que o tipo de aproveitamento da terra (como na Judéia) dependia:
. da existência de uma aristocracia que dispusesse de dinheiro
. da possibilidade de troca de derivados da azeitona e da uva pelo trigo.

3.10. Pelo menos este último fator já existia no tempo de Neemias: Ne 10,32 supõe que o 'am hâ'ârets vendia, em Jerusalém, além de outras coisas, trigo trazido de outra região. É possível que a produção de trigo da Judéia não fosse suficiente para o consumo. Neste caso, os seus habitantes deveriam produzir derivados de azeitona e de uva e manufaturados para trocar pelo trigo.

:: Profissão e comércio
3.11. A mais antiga profissão em Israel era a de hârâsh, da raiz hrsh, "talhar". Era o "artífice" que trabalhava com metal, pedra e madeira, podendo ser: lapidador, marceneiro, carpinteiro, pedreiro, ferreiro, serralheiro, armeiro, fundidor.

> Alguns profissionais - todos? - estavam organizados em clãs (Ne 3,8.31-32;1Cr 2,55;4,21.23 etc).

3.12. O comércio era feito por atacado e varejo nas cidades. Por ex., os habitantes de Tiro traziam peixes e mercadorias variadas para vendê-las em Jerusalém no sábado (Ne 13,16). Também os habitantes de Judá faziam isso (Ne 13,15).

> O comércio internacional é pouco documentado nesta época. Para o início do séc. VI a.C. existe Ez 27. Esd 3,7 indica que Judá exportava para Sídon "víveres, bebidas e óleo". Enquanto importava ouro, pedras preciosas, madeira de lei e cerâmica grega.

:: Propagação da moeda
3.13. O dinheiro, como medida de valor na troca de produtos, já existia muito antes da moeda.
. No Israel antigo caracterizava-se a riqueza pela posse do gado (Gn 13,2;32,5;1Sm25,2 etc). Também a etimologia confirma: miqne (= posse de gado, bens em gado, rebanho) e miqna (= aquisição, compra).
. Era usado o ouro - na forma de peças de enfeite - nas transações (Gn 20,16;37,28;Nm 31,50;Js 7,21). Este ouro era pesado segundo o método sumério-babilônico, o shekel (Gn 23,16;Jr 32,9). Também pesava-se a prata.

3.14. As primeiras moedas citadas no AT: as dracmas persas de ouro, cunhadas após 517 a.C. por Dario I (os dáricos). Pesava uma dracma de ouro 8,4 gramas (Esd 2,69;Ne 7,70-72). Circulavam na Judéia também as moedas de prata de Atenas. Ainda: os siclos de prata da Pérsia (5,6 gramas) e as moedas yehud, cunhadas na Judéia. A proporção prata/ouro para troca era: ouro = 1 / prata = 13.

> Com uma dracma de ouro compravam-se 300 litros de cevada: daí que as moedas de prata eram mais práticas no uso cotidiano graças a seu valor menor.

3.15. Por que Dario mandou cunhar moedas?
. Heródoto informa: no tempo de Ciro e de Cambises não havia deteminações fixas sobre o tributo devido pelas províncias ao império persa. Dario criou um sistema que permitia calcular receitas e despesas e regularizou os tributos com a criação da moeda.

3.16. Os moradores da Judéia não tinham minas de prata. Assim, vendiam seus produtos agrícolas (excedentes ou não) e adquiriam prata (Ne 5,4). Segundo Heródoto, a V satrapia, à qual pertencia a Judéia, pagava à Pérsia 350 talentos de prata por ano.

3.17. Conseqüências: os agricultores judeus precisavam diminuir o número de familiares que viviam de renda e produzir bens que dessem mais lucro. Vendia-se cevada e derivados da oliveira e da videira e gado. Não havendo grande produção de cevada na Judéia, o que compensava era o cultivo de oliveiras e parreiras. Para vender o excedente dependiam de negociantes estrangeiros.

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 2

Leia:
>> Introdução
>> Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia

2. O sistema judaico de parentesco

:: Subdivisão da Judéia em grupos de parentesco
2.1. O resultado das pesquisas de J. P. WEINBERG (1983) sobre a comunidade pós-exílica é o seguinte:
. Há duas versões da lista de repatriados do exílio babilônico: Esd 2,1-70 e Ne 7,6-72a.

. A lista é composta de três partes:
- registro da posição das pessoas
- relação das doações destinadas ao Templo
- relatório sobre a região onde moravam os repatriados

. A lista divide os repatriados nos seguintes grupos:
- israelitas
- sacerdotes
- levitas
- cantores
- porteiros
- escravos do Templo
- filhos dos escravos de Salomão

. Estes grupos são ainda subdivididos em:
- os que descendem do mesmo patriarca
- os que pertencem a determinada localidade (e também uma distinção entre judeus e benjaminitas)

:: O tipo de mishpâhâ israelita
2.2. E. MEYER (Die Entstehung des Judentums, 1896) afirma que a mishpâhâ tem importância social e política e que surge pela ligação de numerosas famílias entre si, sob a ficção de terem os mesmos antepassados e o mesmo sangue.

2.3. O que é a mishpâhâ?
. é um grupo de descendência patrilinear
. confere direitos corporativos de propriedade da terra
. é unidade de convocação do exército ('elef = milhares...)
. caracteriza-se pela residência comum (mesmo local) de seus membros
. onde o direito de posse é transmitido por herança (nahalâ)
. é formada de bêt 'abôt, famílias ampliadas
. seus membros têm responsabilidade mútua (levirato, ge’ulla...)
. tem regras específicas de casamento (preferência pelo casamento entre primos patrilineares, dote... )
. é a responsável pelas festas cultuais e pela memória coletiva
. integra uma tribo

2.4. R. PATAI (Sitte und Sippe in Bibel und Orient, 1962) confirma a presença de 6 traços fundamentais da mishpâhâ israelita só encontráveis em sociedades do Oriente Médio. A família bíblica é:
. endógama: casam-se com parentes
. patrilinear: descendência pai-filho
. patriarcal: poder do pai
. patrilocal: a mulher vai para a casa do marido
. ampliada: reúne os parentes próximos todos no grupo
. polígena: tem muitas pessoas

2.5. A característica básica é o casamento patrilinear entre primos primeiros. É o parentesco agnático (= relacionamento dos varões dentro do parentesco consangüíneo), que aparece:
. na transferência da posse da terra
. no levirato
. na ge'ulla (resgate da terra).

> A casa e o clã unem-se através da relação agnática de parentesco, implicando reciprocidade e comportamento solidário.

:: Exposição da concepção de clã no livro de Rute
2.6. Exposição do enredo do livro...

2.7. Conclusões:
. A venda da terra (terra classificada como nahalâ, herança, posse) é limitada pela prerrogativa dos agnatos. Acima do princípio de troca está o do parentesco.

. O levirato é prática importante.

. A eficácia do resgate e do levirato é fundada na hesed, que significa a solidariedade, a confirmação de uma relação comunitária. Esta solidariedade, na concepção clânica, reduz-se ao grupos de parentes agnáticos.

:: Resgate de posse familiar na Judéia e na Ática
2.8. Através do direito de ge'ullâ (= resgate da terra) eram negociadas na Judéia, legitimamente, as terras. A venda da terra ao parente que tinha o direito de compra podia proteger o proprietário empobrecido de pagar tributos e impostos a estrangeiros. Podia protegê-lo de cair na escravidão por dívida e até mesmo de ser vendido como escravo a estrangeiros. Mas o colocava na dependência do parente mais rico dentro do clã.

2.9. A prásis epí lýsei grega...

2.10. Comparação entre a norma grega e a judaica...

:: Elementos de desigualdade no clã judaico
2.11. Assim, havia dentro das famílias dos mishpâhôt, e também entre os mishpâhôt, diferenças consideráveis.

2.12. No pós-exílio parece que a família adquiriu importância em relação ao clã e cuidou de seus interesses independentemente do clã...

2.13. Dentro dos clãs e entre eles havia hierarquia. Como diz G. BORKAMM (1959): se antigamente os zeqênîm (anciãos) tinham autoridade graças à posição que ocupavam nas grandes famílias (clãs) e nas tribos, agora ela se baseia na posição especial que sua família possui no meio do povo...

2.14. O cargo de preposto (= delegado, representante) era ligado à primogenitura, criando desigualdade dentro do clã entre os irmãos mais velhos e os mais novos. O preposto ia morar em Jerusalém e participava da administração. Esta hierarquia tornou-se o fundamento da administração persa, que, pressupondo a desigualdade social no sistema de parentesco judaico, a reforçou.

2.15. A função econômica dos prepostos de família...

:: Resumo
2.16. Três dados fundamentais:
. A estrutura de parentesco determinava a reprodução das famílias e as relações sociais dentro da família
. A estrutura de parentesco unia as famílias em uma hierarquia baseada nas prerrogativas dos irmãos mais velhos sobre os mais novos, mas criava laços de solidariedade entre eles (como no caso da escravidão e da venda da terra)
. A terra podia ser negociada entre parentes, mas não com estranhos ao círculo de parentesco. Este princípio levou ao acúmulo de terras pelas famílias mais ricas.

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 1

Leia:
>> Introdução

1. Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia

1.1. Duas precisões:
a) O parentesco, etnologicamente, não é um conceito que diz respeito à descendência natural: é uma classificação de ordem social, baseada nas relações de descendência. Logo, as instituições do sistema de parentesco são um produto histórico, criado por interesses sociais
b) O Estado não é a forma primária da comunidade humana: há sociedades sem Estado, conforme se verificou na África.

:: Etnologia de parentesco
1.2. L. H. MORGAN (Ancient Society, 1877) diz que há duas formas fundamentais de sociedade primitivas:
. a "societas", baseada nas relações pessoais
. a "civitas", baseada no território e na propriedade privada.

> Por detrás desta classificação há o seguinte: a descoberta de que nem todos os sistemas de parentesco eram naturais. Há sistemas onde não são as relações de consangüinidade que mais contam, mas a de parentes mais afastados, por exemplo.
> Daí MORGAN trabalhar o conceito de gens (hoje prefere-se linhagem) como instituição que organiza socialmente os indivíduos numa sociedade tradicional.

1.3. Avançando mais, M. FORTES (Kinship and the Social Order, 1969) chama a atenção para:
. a interação, que regula as relações entre as pessoas
. os títulos legais, atribuídos a grupos e através deles aos indivíduos

> São dois aspectos complementares do sistema de parentesco.

1.4. C. LÉVI-STRAUSS (The Elementary Structures of Kinship, 1969) partiu da exogamia e concluiu que os grupos se relacionam socialmente através da troca de mulheres... E. LEACH (1971) refutou a tese de Lévi-Strauss.

:: Antropologia econômica
1.5. M. MAUSS (Die Gabe, 1924) afirma que a dádiva, uma forma de trocas livres, realizadas pelos grupos, numa sociedade arcaica é o fato social ("fait social") completo, é o mais significativo.

1.6. K. POLANYI (Trade and Market in the Early Empires, 1957) designa, como formas de integração, a reciprocidade, a distribuição e a troca.

1.7. M. D. SAHLINS (Tribesmen, 1968), explicando a reciprocidade, diz que ela é posta em prática gradualmente e que é a forma de circulação das sociedades tribais.

1.8. M. GODELIER (Ökonomische Anthropologie, 1973) afirma, por sua vez, que a determinação da função social das diversas formas de circulação tem por base a diferença de valor atribuída aos bens em cada sociedade. Os bens estão ordenados hierarquicamente, em classes diferentes, e somente nelas podem ser trocados.

:: Antropologia política
1.9. O conceito de segmentário foi usado por E. DURKHEIM (The Division of Labor in Society, 1893) para a sua análise da divisão do trabalho. A sociedade segmentária é a sociedade baseada nas relações de parentesco. "Falamos de 'sistema segmentado' não apenas porque é composto de segmentos combinados, mas também porque é constituído apenas disso: sua coerência não é mantida de cima através de instituições políticas públicas (como por uma autoridade soberana)", diz M. D. SAHLINS, Sociedades tribais. 2. ed. Zahar, Rio de Janeiro 1974, p. 29.

1.10. M. FRIED (The Evolution of Political Society, 1967) chama as sociedades segmentárias de sociedades niveladoras.

1.11. Como interpretar a passagem da sociedade segmentária para a sociedade de classes?
. A primeira solução vê a passagem como problema (sociedade segmentária) e solução (sociedade de classes)
. A segunda solução vê a passagem como mudança e domínio em estrutura complexa.

1.12. A colaboração entre etnologia e história é fundamental. Especialmente na área do Mediterrâneo, onde o relacionamento de apadrinhamento foi central.

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Religião e formação de classes na antiga Judéia 01

Quero falar de um livro e de seu conteúdo. E gostaria que meus visitantes se servissem dele.



KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judéia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. Traduzido do alemão por João Aníbal G. S. Ferreira. São Paulo: Paulus, [1988] 1997, 184 p. ISBN 8505006798.


Trabalho com partes deste texto na Literatura Pós-Exílica, no segundo semestre do Segundo Ano de Teologia. Tenho um resumo de seus pontos principais há muito tempo. Pensei em colocá-lo no blog para facilitar o seu acesso aos meus alunos. E acredito que possa servir a outras pessoas interessadas.

O livro de Hans G. Kippenberg é o resultado de uma tese de livre-docência [Habilitation] apresentada na Faculdade de Filosofia e Sociologia da Universidade Livre de Berlim [Fachbereich Philosophie und Sozialwissenschaften der Freien Universität Berlin], Alemanha, em 1975. Li, no original alemão, a edição publicada em 1978 pela editora Vandenhoeck & Ruprecht. Fiquei entusiasmado com o livro e com o que pude aprender, na época, com ele. Agradeço ao amigo Wolfgang Gruen, de Belo Horizonte, que nos apresentou a obra em reunião do grupo dos "Biblistas Mineiros". Notei, porém, que muitos de meus alunos não conseguiam vencer as dificuldades da obra - um denso estudo sócio-antropológico, com vocabulário bastante técnico e centenas de notas de rodapé - que foi traduzida para o português em 1988, a partir da edição de 1982. Daí a idéia do resumo. Outras traduções? O livro teve tradução para o português e o japonês. Foi só o que consegui descobrir.

O resumo terá 11 partes, cada uma representando um dos 9 capítulos do livro, mais a Introdução e, por último, uma atualização da bibliografia citada, com eventuais traduções e links para as respectivas editoras. Se necessário, citarei, entre parênteses, palavras ou frases da obra original, em alemão.

Não ignoro que os estudos nesta área fizeram avanços consideráveis nestes últimos 25 anos, mas creio ser defensável a atualidade - pelo menos da maior parte - deste estudo. Alerto também que alguns pontos tratados pelo autor, pelo grau de complexidade, estão apenas citados e não foram explicados. Por outro lado, em outras situações, colocarei links para estudos mais amplos sobre o tema tratado. E, finalmente, anoto que há pequenos problemas com a transliteração do hebraico, que nem sempre segue as normas estabelecidos em meu curso.

Sobre o autor, Prof. Dr. Hans G. Kippenberg, Professor de História e Teoria das Religiões no Max-Weber-Kolleg für kultur- und sozialwissenschaftliche Studien (Centro Max Weber para os Estudos Culturais e Sociais), da Universidade Erfurt, em Erfurt, Alemanha:


  • Hans G. Kippenberg nasceu em 1939. Estudou Teologia, História das Religiões, Línguas Semíticas e Iranianas nas Universidades de Marburg (1959/60), Tübingen (1960/62), Göttingen (1962/63), Leeds (Reino Unido) (1966) e Berlin (1969-1976).
  • Atividade profissional:
. 1964-1967: Repetent für Allgemeine Religionsgeschichte am Bremer Studienhaus der Theologischen Fakultät Göttingen.
. 1969-1977: Assistent/Assistenzprofessor für Allgemeine Religionsgeschichte im Fachbereich Philosophie und Sozialwissenschaften der Freien Universität Berlin.
. 1977-1989: Professor für Allgemeine Religionsgeschichte und Vergleichende Religionswissenschaft an der Rijksuniversiteit Groningen (Países Baixos).
. 1989-2004: Professor für Religionswissenschaft mit dem Schwerpunkt Geschichte und Theorie der Religionen an der Universität Bremen.
. 1989-2004: apl. Professor an der Rijksuniversiteit Groningen.
. 1998-heute: Fellow am Max-Weber-Kolleg der Universität Erfurt.
. Professor convidado em Universidades de Wassenaar, Heidelberg, Berlim, Princeton, Bielefeld, Chicago, Israel...


Introdução
1. O objetivo da obra: relacionar o conteúdo das tradições religiosas judaicas com a vida social dos judeus.

O sentido de "tradição" usado aqui é diferente do sentido dado ao termo por Max WEBER e seguidores:


  • M. WEBER fala de "tradição" na pesquisa das relações sociais das sociedades pré-modernas
  • Aqui se fala de "tradição" como continuidade de narrações e costumes
  • Em M. WEBER: tradição x racionalidade
  • Aqui: tradição x nova criação
2. Qual é o motivo da obra?
É que os movimentos judaicos de resistência contra os gregos e contra os romanos tiveram interpretações divergentes por parte dos autores.

3. M. HENGEL (Die Zeloten, 1961) defende que o movimento zelota de resistência tem razões religiosas como dominantes. Ele defende a independência e a prioridade do religioso sobre o político-social. Ele entende a ação organizada dos zelotas como a ação de uma seita, que se inspira numa dogmática messiânica.

4. H. KREISSIG (Die sozialen zusammenhänge des judäischen Krieges, 1970) defende que, na revolta contra Roma, são os camponeses e sacerdotes das camadas mais baixas os motores principais. Ele defende que foram as contradições sociais, criadas por condições socioeconômicas, que possibilitaram o processo. E contesta a importância das tradições religiosas para a ação política: "Quaisquer possam ter sido os papéis dos partidos religiosos, tanto estimulando como freando, as grandes dissensões aconteceram entre as classes, como em todo lugar na História Universal, desde que elas existem".

5. HENGEL e KREISSIG trabalham dentro da dicotomia Religião e Sociedade: para um são as motivações religiosas que dominam a história; para outro são as motivações sociais que contam.

6. S. K. EDDY (The King is Dead, 1961) avançou um pouco na interpretação da guerra dos Macabeus, quando recusou a dicotomia Religião/Sociedade. Ele aponta três motivos, interligados, para a resistência religiosa ao helenismo:


  • lutas tendo por meta a retomada do poder pelos nativos
  • luta pelo poder, visando o privilégio social dos revolucionários (Macabeus) e o fim da exploração econômica
  • luta pelo poder, com o objetivo de proteger a Lei e a religião
> Ele defende que a esperança dos combatentes contra o helenismo era de instauração da monarquia nativa local.
> Mas ele deixa aberta a questão: a união de religião e resistência política era ou não coincidência?

7. Várias tentativas já foram feitas no sentido de reconstituir social e cientificamente a história e a sociedade israelitas, como CAUSSE (Du groupe ethnique à la communauté religieuse, 1937) que acredita ter Israel evoluído do princípio de parentesco para o princípio de localização.

8. M. WEBER (Das antike Judentum, 1917-1919) diz que os pastores nômades, os artesãos, os comerciantes e os sacerdotes das tribos hóspedes é que fizeram aliança com as tribos guerreiras de Israel, donas da terra. O modelo weberiano é o da República Romana e suas classes sociais (patrícios, clientes e plebeus). Mas em Israel o direito de cidadania não estava ligado à posse da terra, pelo menos intrinsecamente, mas sim à ascendência... Daí que a aliança não é entre possuidores e não-possuidores de terra, mas entre israelitas sem terra contra cananeus com terra.

9. Avançou a sociologia etnológica, neste meio tempo, em três áreas: etnologia do parentesco, etnologia econômica e antropologia política. Daí o presente livro: ele interpreta a antiga literatura judaica em relação aos conceitos e métodos da etnologia (ou antropologia social). A etnologia tenta reconstruir o tipo de ordem social da Judéia antiga, comparando-o com o de outras sociedades do Antigo Oriente Médio.

> Neste processo considera-se ainda a relação do indivíduo com a sociedade e da idéia religiosa com a ordem social mais como contradição do que como unidade.

10. Os movimentos judaicos de resistência levantam a seguinte questão: existia uma relação intrínseca entre determinados conteúdos da tradição religiosa e as lutas de resistência, ou a relação era extrínseca ou casual?

>> A hipótese do autor é: a tradição se uniu com duas tendências antagônicas: a tendência à formação de classes e a tendência à solidariedade. Formam-se, então, dois complexos divergentes de tradição que fundamentam os conteúdos religiosos dos movimentos judaicos de resistência [Die religiöse Tradition - so die Hypothese dieser Arbeit - ist in diesem Prozeß mit den beiden antagonistischen Tendenzen von Klassenbildung und Solidarität in Verbindung greteten. In der Herausbildung dieser beiden - in ihren Inhalten und ihren sozialen Funktionen divergierenden - Traditionskomplexe ist auch die Rolle bestimmter religiöser Inhalte in den judäischen Widerstandsbewegungen begründet].

11. O conceito de "antigo":

  • na análise marxista, representa o modo de produção baseado na escravidão e na propriedade particular
  • em nosso caso, caracteriza relações sociais nas quais os camponeses perdem o controle sobre a produção:
. este processo começou na Judéia no séc. VIII a. C. com o plantio de novas culturas, o comércio com produtos artesanais e, mais tarde, com o uso da moeda, levando, finalmente, à fixação generalizada de valores monetários dos bens e homens


  • mas também é preciso ver que a apropriação crescente dos excedentes leva à ruptura das relações sociais tradicionais. O comércio levou o camponês à dependência da aristocracia. Daí a resistência política do campo contra a aristocracia.

Leia em seguida:
Capítulo 1: Solidariedade e formação de classes à luz da etnologia - Solidarität und Klassenbildung aus ethnologischer Sicht

Capítulo 2: O sistema judaico de parentesco - Das judäische Verwandtschaftssystem

Capítulo 3: Condições da economia na região montanhosa da Judéia no tempo do domínio persa - Bedingungen des Wirtschaftens im judäischen Bergland in persische Zeit

Capítulo 4: Crise agrária, revolta dos camponeses e reforma de Neemias - Agrarkrise, bäuerlicher Widerstand und die Reform Nehemias

Capítulo 5: Arrendamento estatal grego e luta dos Macabeus pela liberdade - Griechische Staatspacht und makkabäischer Freiheitskampf

Capítulo 6: Apresentação de sociedades asiáticas em etnografia helenística - Zur Interpretation asiatischer Gesellschaften in hellenistischer Ethnographie

Capítulo 7: A evolução de um domínio sem tradições na Judéia e a revolta crescente contra ele - Die Progression einer traditionsfreien Herrschaft in Judäa und des Widerstandes gegen sie

Capítulo 8: Estabelecimento da antiga relação de classes na Judéia - Die Etablierung der antiken Klassenverhältnisse in Judäa

Capítulo 9: Oposição da religião à política - Opposition der Religion gegen die Politik

Bibliografia - Literatur

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Terça-feira, Julho 17, 2007

JJ 3054

Vôo 3054 da TAM

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A verdade do Pan

A Verdade do Pan 2007

Um blog que faz um clipping de tudo o que sai na imprensa sobre os XV Jogos Pan-americanos - Rio 2007.

Não perca!

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Segunda-feira, Julho 16, 2007

Vote nas mais belas imagens do Universo

Clique aqui e vote nas maravilhas do Universo. Está em Space.com - Best Galactic Images.

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Crossan: Latim, Grego ou Aramaico?

Leia o post Crossan, Back to Greek, or, Better, Aramaic? no biblioblog de Mark Goodacre, NT Gateway Weblog.

Mas não fique apenas no Crossan. Siga o link no final do post de Mark, para apreciar a riqueza de opiniões sobre o assunto, como, por exemplo, a de Kathleen Flake...

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Domingo, Julho 15, 2007

Israel quer de volta a Inscrição de Siloé

Israel está reclamando da Turquia a devolução da Inscrição de Siloé, que se encontra no Museu de Istambul.

A Inscrição de Siloé, em hebraico arcaico, do século VIII a.C., tem seis linhas. Foi descoberta em 1880 e, alguns anos depois, removida para o Museu de Istambul. Confira foto, texto, tradução, explicação, bibliografia e links em K. C. Hanson Siloam Inscription e também em BiblePlaces.com Hezekiah's Tunnel.

O que é a Inscrição de Siloé?

No século VIII a.C., quando reinava na Assíria Tiglat-Pileser III, o rei Acaz de Judá pediu sua proteção contra uma invasão de vizinhos, mas perdeu sua independência, acabando vassalo da Assíria. A esperança para Judá renasceu com o rei Ezequias, filho e sucessor de Acaz. Associado ao trono desde criança, em 728/7 a.C., ao ser coroado em 716/15 a.C. este rei começou uma reforma no país para tentar debelar a crise.

Um dos alvos da reforma teria sido a ruptura com práticas cultuais não-javistas dos agricultores. Entre outras coisas, teria abolido os lugares altos (bâmôt), quebrado as estelas (matsêbôt), cortado o poste sagrado (‘asherâh). Até mesmo do Templo de Jerusalém Ezequias teria retirado símbolos dos cultos da fertilidade, como uma serpente de bronze. É o que nos conta 2Rs 18,4, embora aqui a Obra Histórica Deuteronomista tente apresentar uma justificativa para a presença desta serpente de bronze no Templo (“que Moisés havia feito, pois os israelitas até então ofereciam-lhe incenso” – cf. Nm 21,8-9).

Entretanto, há autores, como Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman (A Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003, p. 318) e Mario Liverani (Oltre la Bibbia: storia antica di Israele. 6 ed. Roma-Bari: Laterza, 2007, p. 173), que apresentam uma perspectiva um pouco diferente: a "reforma" de Ezequias não teria sido a restauração de uma estrutura desmantelada ao longo do tempo, mas uma inovação. A idolatria dos judaítas não foi um abandono de seu anterior monoteísmo, pois esta era a forma como a população de Judá tinha praticado seu culto por centenas de anos. A reforma sinaliza na direção da transformação de Iahweh de Deus nacional, convivendo com os deuses regionais, em Deus exclusivo.

A destruição de Samaria em 722 a.C. levou refugiados de Israel para Jerusalém, pois novas estruturas foram construídas, como bairros novos, ampliação de muralhas e o túnel que levava as águas da fonte Gihon para o reservatório de Siloé. Sobre este último feito testemunham 2Rs 20,20 e a Inscrição de Siloé, que celebra o encontro das duas turmas de escavadores.

O fato é que Jerusalém superou seu antigo isolamento e, ancorada na política assíria, cresceu de 5 para 60 hectares e de cerca de 1000 para algo em torno de 15 mil habitantes. E em Judá, no final do século VIII a.C., podem ser contados cerca de 300 assentamentos e uma população de uns 120 mil habitantes. A fortaleza de Laquis, na Shefelá, se desenvolveu extraordinariamente. Outros fortalezas foram construídas na mesma região. Surge portanto, só agora, uma elite judaíta e se formam as estruturas de um verdadeiro Estado. Todas estas mudanças trazem consigo o fenômeno do profetismo, bem mais antigo no reino de Israel, mas só a partir deste momento tomando forma bem definida em Jerusalém, com Isaías (Is 1-39) e Miquéias, duas vozes formidáveis em defesa do javismo.

Enquanto isso, na Assíria, Senaquerib subiu ao trono em 705 a.C. e imediatamente teve que enfrentar nova revolta na Babilônia. Todas as províncias do oeste então se levantaram. Acreditavam ter chegado o momento da libertação. O Egito prometeu ajuda, mais uma vez. A coalizão integrava Tiro, com outras cidades fenícias; Ascalon e Ekron, com algumas cidades filistéias; Moab, Edom e Amon; e Ezequias, de Judá, entrou como um dos líderes da revolta. Fortificou suas defesas e se preparou cuidadosamente para esperar a Assíria. Senaquerib não se fez de rogado e já em 701 a.C. ele começou por Tiro, vencendo-a. Logo os reis de Biblos, Arvad, Ashdod, Moab, Edom e Amon se entregaram e pagaram tributo a Senaquerib. Somente Ascalon e Ekron, juntamente com Judá, resistiram. Senaquerib tomou primeiro Ascalon. Os egípcios tentaram socorrer Ekron e foram derrotados. E foi a vez de Judá. Senaquerib tomou 46 cidades fortificadas em Judá e cercou Jerusalém.

Testemunhos arqueológicos da devastação foram encontrados em várias escavações por todo o território. Especialmente significativos são a representação assíria da tomada de Laquis encontrada no palácio de Senaquerib em Nínive - hoje está no British Museum - e a escavação, feita pelos britânicos na década de 30 e por David Ussishkin, da Universidade de Tel Aviv, na década de 70 do século XX, da poderosa fortaleza, esta que era a segunda mais importante cidade do reino e protegia a entrada de Judá.

Entretanto, por motivos ainda hoje desconhecidos, talvez uma peste, Senaquerib levantou o cerco de Jerusalém e retornou à Assíria. A cidade voltou a respirar, no último minuto, mas teve que pagar forte tributo aos assírios. Não se sabe porque Jerusalém se salvou. 2Rs 19,35-37 diz que o Anjo de Iahweh atacou o acampamento assírio. Existe uma notícia de Heródoto, História II,141, segundo a qual num confronto com os egípcios os exércitos de Senaquerib foram atacados por ratos (peste bubônica?). Talvez Senaquerib tenha partido por causa de alguma rebelião na Mesopotâmia. Ou ainda: há autores que pensam que Jerusalém nem precisou ser sitiada para ser vencida. Nos Anais de Senaquerib se diz o seguinte: "Quanto a Ezequias do país de Judá, que não se tinha submetido ao meu jugo, sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam (...) Quanto a ele, encerrei-o em Jerusalém, sua cidade real, como um pássaro na gaiola...". Pode-se ler sobre isto em GRABBE, L. L. (ed.) 'Like a Bird in a Cage': The Invasion of Sennacherib in 701 BCE. Sheffield: Sheffield Academic Press, 2003, 352 p. ISBN 0826462154.

Outra questão é se teria havido uma segunda campanha de Senaquerib na Palestina. De qualquer maneira, segundo os Anais de Senaquerib, o tributo pago por Ezequias ao rei assírio foi significativo: "Quanto a ele, Ezequias, meu esplendor terrível de soberano o confundiu e ele enviou atrás de mim, em Nínive, minha cidade senhorial, os irregulares e os soldados de elite que ele tinha como tropa auxiliar, com 30 talentos de ouro, 800 talentos de prata, antimônio escolhido, grandes blocos de cornalina, leitos de marfim, poltronas de marfim, peles de elefante, marfim, ébano, buxo, toda sorte de coisas, um pesado tesouro, e suas filhas, mulheres de seu palácio, cantores, cantoras; e despachou um mensageiro seu a cavalo para entregar o tributo e fazer ato de submissão". Uso aqui a tradução que está em BRIEND, J. (org.) Israel e Judá: Textos do Antigo Oriente Médio. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1997, p. 76.

Informação que concorda, em termos gerais, com a de 2Rs 18,13-16: "No décimo quarto ano do rei Ezequias, Senaquerib, rei da Assíria, subiu contra todas as cidades fortificadas de Judá e apoderou-se delas. Então Ezequias, rei de Judá, mandou esta mensagem ao rei da Assíria, em Laquis: 'Cometi um erro! Retira-te de mim e aceitarei as condições que me impuseres'. O rei da Assíria exigiu de Ezequias, rei de Judá, trezentos talentos de prata e trinta talentos de ouro, e Ezequias entregou toda a prata que se achava no Templo de Iahweh e nos tesouros do palácio real. Então Ezequias mandou retirar o revestimento dos batentes e dos umbrais das portas do santuário de Iahweh, que... rei de Judá, havia revestido de metal, e o entregou ao rei da Assíria" (tradução da Bíblia de Jerusalém, 2002).

Estas informações podem se lidas em DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 88, p. 11-27, 2005. Uma apresentação deste meu artigo pode ser vista aqui.

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Maravilhas em fotos

Veja belas fotografias das 7 & 7 "maravilhas" do Mundo...

Photo Gallery: New 7 Wonders vs. Ancient 7 Wonders

No National Geographic News.

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Sites da semana, por Andie Byrnes

Sites da semana, indicados por Andie Byrnes, sobre o Egito e a egiptologia.

Via Egyptology News, em 15 de julho de 2007.

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Avalos debate seu livro na lista Biblical Studies

A lista de discussão Biblical Studies estará promovendo de 5 a 10 de agosto de 2007 um colóquio online com Hector Avalos a propósito de seu recém-lançado livro The End of Biblical Studies.

Veja mais sobre o autor e o livro em Avalos publica livro contra os estudos bíblicos.

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Sexta-feira, Julho 13, 2007

Nabu-sharrussu-ukin, eunuco chefe

Sobre a tabuinha cuneiforme do Museu Britânico, decifrada e publicada nestes dias, e que cita Nabu-sharrussu-ukin, um personagem babilônico, supostamente também citado em Jr 39,3, leia dois posts de Chris Heard em Higgaion, nos dias 11 e 13 de julho, e siga os links neles contidos para outros biblioblogs que discutem o caso.

Como qualquer descoberta arqueológica que encontra possível correspondência em texto bíblico, também esta causa polêmica. Observo agora mesmo no blogroll do Google Reader que (hoje) multiplicam-se os posts sobre o assunto!

The mystery of Nabu-sharrussu-ukin

More on Nabu-sharrussu-ukin

Atualizando: 22h40
Jeremiah 39:3 and History: A New Find Clarifies a Mess of a Text - John Hobbins, em Ancient Hebrew Poetry.

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Os recentes documentos vaticanos nos biblioblogs

Vaticano
:: Litterae Apostolicae Motu Proprio Datae Benedictus XVI Summorum Pontificum (7 de julho de 2007) - Disponível em latim.

:: Carta do Santo Padre Bento XVI aos Bispos que acompanha a Carta Apostólica «Motu Proprio» Summorum Pontificum sobre o uso da Liturgia Romana anterior à reforma realizada em 1970 (7 de julho de 2007). Disponível em English, French, German, Italian, Portuguese, Spanish. Também na página da CNBB.

:: Congregação Para a Doutrina da Fé: Respostas a questões relativas a alguns aspectos da doutrina sobre a Igreja (29 de junho de 2007). Disponível em English, French, German, Italian, Latin, Polish, Portuguese, Spanish. Também na página da CNBB.

Nota do CONIC
:: Nota do CONIC [Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil] referente aos esclarecimentos sobre a “Dominus Iesus" apresentados pela Congregação Para a Doutrina da Fé no dia 10 de julho de 2007 (CNBB - 11 de julho de 2007)

Alguns biblioblogs (nos comentários dos posts há mais links)

:: Can it be true? The Pope declares Catholic Church the Only True Church - The Forbidden Gospels Blog - Posted by April DeConick, July 10, 2007

:: Corrections to Earlier Post on Catholic Declaration - The Forbidden Gospels Blog - Posted by April DeConick, July 10, 2007

:: Papa Ratzinger is on a Roll - Ancient Hebrew Poetry - Posted by John F. Hobbins on July 10, 2007

:: Pope Declares: Other Christians Are Not the True Church - Dr. Claude Mariottini - Professor of Old Testament - Posted by Dr. Claude Mariottini @ 7/10/2007

:: Repeat after me: 'You are not a proper church.' - Times Online - Posted by Ruth Gledhill on July 10, 2007

:: De Ware Kerk - Aantekeningen bij de Bijbel - Posted by J. P. van de Giessen, juli 11, 2007

:: Five lessons about Normation - The Forbidden Gospels Blog - Posted by April DeConick, July 11, 2007

:: Not True Churches? - Dr. Platypus - Posted by Darrell Pursiful on July 11, 2007

:: Some Remarks about the Catholic revival of the Latin Mass - The Forbidden Gospels Blog - Posted by April DeConick, July 11, 2007

:: Sans le latin, la messe nous em…. (Georges Brassens) - Le Pharisien Libéré - 11 juillet 2007

:: ‘That would be an ecumenical matter' - Chrisendom - Posted by Chris Tilling on July 12, 2007

Observo que esta é apenas uma amostra. Biblioblogs tratam, prioritariamente, de questões bíblicas, não teológicas, como é o caso em questão. O volume maior de notícias sobre o tema está, é claro, nos jornais do mundo inteiro. Mas há muita notícia e pouca análise. Supostamente, deveria ser nos Teoblogs, os blogs de teologia, que poderíamos encontrar mais análise online, especialmente nestes primeiros dias. Mas isto eu não fui conferir. Verifique, com esta expectativa, os blogrolls de Faith and Theology e de Theology Blogs. O primeiro é de Ben Myers, o segundo de Patrik Hagman.

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Quarta-feira, Julho 11, 2007

Jogos Pan-Americanos

XV Jogos Pan-americanos - Rio 2007 (site oficial, também em English e Español)

Jogos Pan-Americanos - Rio 2007

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Segunda-feira, Julho 09, 2007

Dois estudos sobre o profeta Jeremias

Pois é. Continuo querendo aprender mais sobre o "véio Jeré", como costumo brincar, à moda caipira, quando falo, com meus alunos, de minha predileção pela profecia de Jeremias.

Por isso, acrescentei ontem mais dois livros sobre o grande profeta à bibliografia selecionada e comentada de minha página.

Um é o conhecido comentário, reeditado no ano passado, de um grande exegeta falecido em 2000, Robert P. Carroll. Obra em dois volumes. Robert P. Carroll foi professor de Bíblia Hebraica e Estudos Semíticos na Universidade de Glasgow, Escócia.

Outro é um estudo, também publicado em 2006, de um apaixonado estudioso do Antigo Testamento e da profecia de Jeremias, Walter Brueggemann, Professor Emérito de Antigo Testamento do Columbia Theological Seminary, Decatur, Georgia, Estados Unidos.

CARROLL, R. P. Jeremiah. 2 vols. Sheffield: Sheffield Phoenix Press, 2006. vol. I: 512 p. vol II: 384 p. ISBN 9781905048632

BRUEGGEMANN, W. Like Fire in the Bones: Listening for the Prophetic Word in Jeremiah. Minneapolis: Fortress, 2006, 272 p. ISBN 9780800635619

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Bibliografia

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Domingo, Julho 08, 2007

Sites indicados por Andie Byrnes

Sites da semana, com vários temas interessantes.

Via Egyptology News, por Andie Byrnes, em 8 de julho de 2007.

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Um triunfo de marketing turistico meio bobo

:: A Unesco afirma que a lista é muito limitada. A sua própria relação de patrimônios mundiais inclui 660 pontos culturais e 166 naturais.

:: Unesco argues that the list is very limited. Its own World Heritage List numbers sites including 660 cultural and 166 natural.

Vitória do Cristo

Cristo está entre as sete maravilhas do mundo

Unesco critica concurso das 'Novas Sete Maravilhas'

La UNESCO no está implicada en la campaña de las “7 nuevas maravillas del mundo”

UNESCO confirms that it is not involved in the “New 7 wonders of the world” campaign

New 7 Wonders of the World (site oficial)

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Sábado, Julho 07, 2007

Nova gramatica de copta por Bentley Layton

Para os interessados em copta, uma gramática introdutória escrita por gente competente e fortemente recomendada por Mark Goodacre, do NT Gateway Weblog, onde vi a notícia:


LAYTON, B. Coptic in 20 Lessons: Introduction to Sahidic Coptic With Exercises & Vocabularies. Leuven: Peeters Publishers, 2007, viii + 204 p. ISBN 978-90-429-1810-8.


Também a indiquei em minha página, na seção + Novidades.

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Avalos publica livro contra os estudos bíblicos

Hector Avalos, Professor de Estudos Religiosos na Iowa State University, acaba de lançar polêmico livro no qual denuncia a inutilidade dos estudos bíblicos do modo como vêm sendo feitos hoje e defende o seu fim.

Quem estiver interessado neste debate, poderá ler o artigo de Avalos publicado pelo SBL Forum no ano passado, The Ideology of the Society of Biblical Literature and the Demise of an Academic Profession.

Poderá acompanhar a forte reação que se seguiu em Letters in Response to Avalos. E fazer uma busca por "Hector Avalos" nos biblioblogs, usando o Google Blog Search, por exemplo, para ver as muitas discussões que ocuparam os biblistas nos meses seguintes.

O livro, publicado agora em julho de 2007, é:

AVALOS, H. The End of Biblical Studies. Amherst, New York: Prometheus Books, 2007, 399 p. ISBN 978-1591025368

Na página da editora se lê (clique em Quick Search > Biblical Criticism):
In this radical critique of his own academic specialty, biblical scholar Hector Avalos calls for an end to biblical studies as we know them. He outlines two main arguments for this surprising conclusion. First, academic biblical scholarship has clearly succeeded in showing that the ancient civilization that produced the Bible held beliefs about the origin, nature, and purpose of the world and humanity that are fundamentally opposed to the views of modern society. The Bible is thus largely irrelevant to the needs and concerns of contemporary human beings. Second, Avalos criticizes his colleagues for applying a variety of flawed and specious techniques aimed at maintaining the illusion that the Bible is still relevant in today’s world. In effect, he accuses his profession of being more concerned about its self-preservation than about giving an honest account of its own findings to the general public and faith communities.

Dividing his study into two parts, Avalos first examines the principal subdisciplines of biblical studies (textual criticism, archaeology, historical criticism, literary criticism, biblical theology, and translations) in order to show how these fields are still influenced by religiously motivated agendas despite claims to independence from religious premises. In the second part, he focuses on the infrastructure that supports academic biblical studies to maintain the value of the profession and the Bible. This infrastructure includes academia (public and private universities and colleges), churches, the media-publishing complex, and professional organizations such as the Society of Biblical Literature.

In a controversial conclusion, Avalos argues that our world is best served by leaving the Bible as a relic of an ancient civilization instead of the “living” document most religionist scholars believe it should be. He urges his colleagues to concentrate on educating the broader society to recognize the irrelevance and even violent effects of the Bible in modern life.

Em 11 de julho de 2006 mencionei o assunto no post When did exegetes lose interest in theology? Leia este post novamente e veja minha posição sobre o assunto.

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Hatshepsut, rainha por toda a eternidade

If saying her name will truly secure her place in eternity, then Hatshepsut has nothing to worry about...

Como o nome Hatshepsut está em todas as bocas... logo a rainha egípcia não tem o que temer. Seu lugar na eternidade está garantido.

Hatshepsut reinou no Egito no século XV a.C. e era da Décima Oitava Dinastia.

Leia mais em Yet more re Hatshepsut, no Egyptology News, de Andie Byrnes.

Leia mais sobre o Egito, em português, aqui.

E faça uma busca por Hatshepsut no Google Brasil, deixando marcada a opção "páginas em português".

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Sexta-feira, Julho 06, 2007

Kurumin 7

Estive, neste último dia e meio, bastante atarefado, "brigando" para configurar o Kurumin Linux, em sua última versão, a 7. Gostei do bichim... ele está bem mais comportado nesta versão!

Para quem estiver disposto a encarar o desafio de cuidar de uma ave esfeniscídea, aí está um pingüim brasileiro bastante interessante, criado pelo Morimoto.

Kurumin is a Linux distribution destined to desktops based in the Knoppix. It has the same system of detection of hardware, but is very smaller, less than 700 MB, doing with that a quick download. Developed by Carlos E. Morimoto, from Brazil.

Etimologia de curumim?
Segundo o Houaiss: do tupi kunu'mi ou kuru'mi 'menino, rapaz novo ou jovem'; f. hist. 1886 curumins, 1888 coromim. Variantes: colomi, colomim, columim, culumi, culumim, curumi. E o Aurélio dá sinônimos, brasileiros, como pequeno, miúdo, rapaz, garoto, guri, crila, piá.

Outras opções de pingüim? Aqui vive uma numerosa família. Mas se você visitar
:: DistroWatch.com
:: Linux Distributions
:: LQ ISO
encontrará uma colônia inteira...

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Mumia da rainha Hatshepsut foi identificada

A notícia é do fim de junho, portanto não é tão nova assim. Contudo, visite os sites indicados para ver as fotos. Pois, embora descoberta em 1903, só agora foi identificada a múmia da rainha egípcia Hatshepsut.

Belas fotos no site do Dr. Zahi Hawass, Secretário Geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

E as notícias e comentários nos blogs Egyptology News, de Andie Byrnes, de Londres, Reino Unido e Egiptología, de Francisco J. Martín Valentín y Teresa Bedman, de Madri, Espanha.

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Cresce o trafico de bens culturais pela Internet

O tráfico ilícito de bens culturais é atualmente uma das atividades criminosas mais lucrativas do mundo. O ICOM, a UNESCO e a INTERPOL estão bastante preocupados com este problema, tanto mais que ele tem alcançado significativas proporções ao utilizar os recursos da Internet, dificultando, sobremaneira, o seu controle por parte das autoridades competentes.

Leia o press-release abaixo, aqui transcrito do site do ICOM em espanhol e inglês. Vi este apelo na lista Iraqcrisis graças a Chuck Jones.

ICOM - International Council of Museums - Consejo Internacional de Museos - 5 de Julio de 2007
PARIS – El tráfico ilícito de bienes culturales es actualmente una de las actividades criminales más lucrativas en el mundo. El patrimonio cultural de cada pueblo tiene un valor universal incalculable, y atentar contra este legado acarrea repercusiones dramáticas, no sólo para la comprensión de su historia e identidad por parte del pueblo de origen, sino también para el futuro de la humanidad entera. El ICOM, la UNESCO e INTERPOL están muy preocupados por esta plaga, y eso tanto más cuanto que el tráfico ilícito de bienes culturales ha alcanzado durante los últimos años una dimensión considerable en Internet, donde resulta difícil para las autoridades nacionales competentes comprobar eficientemente todos los objetos propuestos a la venta. firmado juntas una carta cuyo objeto son las Medidas básicas relativas a los bienes culturales que se ponen a la venta en Internet, y que se han comprometido a difundir ante los Estados Miembros de la UNESCO y de INTERPOL, así como los comités nacionales, organizaciones regionales y afiliadas del ICOM. Con este fin, la carta ha sido traducida en los seis idiomas oficiales de la UNESCO, a saber el inglés, el francés, el español, el ruso, el árabe y el chino. Esta carta, que encontrarán adjunta, presenta una lista de verificación de las Medidas básicas para contrarrestar el aumento de las ventas de bienes culturales en Internet. Para que esta iniciativa común sea eficaz, es absolutamente necesario comunicar la carta a las autoridades competentes de cada país. Su colaboración es imprescindible para que podamos sacar adelante esta campaña de sensibilización. Significa mucho para nosotros luchar contra el tráfico ilícito de bienes culturales, por eso les agradecemos su apoyo.


Illicit traffic on internet. Appeal from ICOM, UNESCO and INTERPOL
PARIS – The illicit traffic of cultural property is currently one of the most lucrative criminal activities in the world. Every civilisation’s cultural heritage is universal and priceless, and the harm caused by illicit trafficking has disastrous repercussions, not only on peoples’ understanding of their history, and thus on their cultural identity, but also with regard to the future of all humankind. ICOM, UNESCO and INTERPOL are all the more concerned about this plague since illicit trafficking in cultural property has increased at an alarming rate over the past several years through the Internet, where it is difficult for the national authorities to effectively monitor all of the objects offered for sale. Aware of the gravity of the situation, the three organizations co-signed a letter covering Basic Actions concerning Cultural Objects being offered for Sale over the Internet which they pledged to disseminate to all UNESCO and INTERPOL States parties, as well as to ICOM’s national committees, regional and affiliated organizations. To this end, the letter has been translated into UNESCO’s six official languages which are English, French, Spanish, Russian, Arabic and Chinese. This letter, which you will find herewith, sets out a checklist of the Basic Actions to counter the Increasing Illicit Sale of Cultural Objects through the Internet. For this common initiative to prove effective, it is imperative to communicate the letter to the concerned authorities in each country. Your articipation is essential to enable us to carry out this awareness-raising campaign. We are closely committed to fighting the illicit traffic of cultural property, and we are very grateful for your support.

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Alcool sujo

Europa "não quer álcool sujo do Brasil", diz jornal
(...) O termo é uma referência à desconfiança do bloco dos 27 em relação às práticas de cultivo de açúcar brasileiras, vistas por líderes europeus como potencialmente danosas ao ambiente (...) "Bruxelas advertiu o país amazônico que não importará seu biocombustível se for produzido de forma insustentável".

Está na BBC Brasil de 06/07/2007 - 08h06.

Leia também:
Compra de terras por empresas transnacionais é ameaça, por Maurício Thuswohl, em Carta Maior: 30/06/2007
Trajetória e Desafios do Álcool no Brasil, por Georges Flexor, em Carta Maior: 04/07/2007

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Terça-feira, Julho 03, 2007

Resenhas na RBL - 02.07.2007

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

Stephen C. Carlson
The Gospel Hoax: Morton Smith's Invention of Secret Mark
Reviewed by Craig L. Blomberg

John Chryssavgis, trans.
Barsanuphius and John: Letters
Reviewed by Tim Vivian

Michael E. Fuller
The Restoration of Israel: Israel's Re-gathering and the Fate of the Nations in Early Jewish Literature and Luke-Acts
Reviewed by M. Eugene Boring

Russell Fuller and Kyoungwon Choi
Invitation to Biblical Hebrew: A Beginning Grammar
Reviewed by Arian Verheij

Russell Fuller, with Kyoungwon Choi
Invitation to Biblical Hebrew: A Beginning Grammar: Classroom DVDs
Reviewed by Thomas Wagner

Joseph H. Hellerman
Reconstructing Honor in Roman Philippi: Carmen Christi as Cursus Pudorum
Reviewed by Jason Lamoreaux

David G. Horrell
An Introduction to the Study of Paul
Reviewed by Christopher Stanley
Reviewed by Stephen Westerholm

Henry Ansgar Kelly
Satan: A Biography
Reviewed by Jim West

Millard Lind
The Sound of Sheer Silence and the Killing State: The Death Penalty and the Bible
Reviewed by Jason R. Tatlock

Bernhard Mutschler
Das Corpus Johanneum bei Irenäus von Lyon: Studien und Kommentar zum dritten Buch von Adversus Haereses
Reviewed by Riemer Roukema

T. A. Perry
The Honeymoon Is Over: Jonah's Argument with God
Reviewed by Michael H. Floyd

Robert Rezetko, Timothy H. Lim, and W. Brian Aucker, eds.
Reflection and Refraction: Studies in Biblical Historiography in Honour of A. Graeme Auld
Reviewed by Diana Edelman

John F. A. Sawyer, ed.
The Blackwell Companion to the Bible and Culture
Reviewed by Dan W. Clanton Jr.

Albert Wifstrand; Lars Rydbeck and Stanley E. Porter, eds.
Epochs and Styles: Selected Writings on the New Testament, Greek Language and Greek Culture in the Post-Classical Era
Reviewed by Steven Thompson

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Por que os textos nao-canonicos nos incomodam?

Nos últimos três dias April DeConick, Professora de Estudos Bíblicos na Rice University, Houston, Texas, USA, andou se perguntando em seu The Forbidden Gospels Blog: Por que os textos não-canônicos nos deixam incomodados? - Why do non-canonical texts make us uneasy?

Não é minha área, mas andei lendo os seus posts e acho que vale a pena fazer uma parada por lá. DeConick é especialista em textos cristãos não-canônicos, com grande ênfase nos estudos gnósticos.

Ela está recomendando também o livro de Birger Pearson, Ancient Gnosticism: Traditions and Literature, publicado agora no final de junho, como excelente introdução ao gnosticismo. A obra foi citada em minha página + Novidades.

A série é composta de 4 posts de April DeConick e um de Tony Chartrand-Burke do biblioblog Apocryphicity, que DeConick reproduz, com entusiasmo, em seu blog (Part 5). E não se esqueça de ler os comentários aos posts, que enriquecem o debate. Os links são:

:: Part 1: Why do non-canonical texts make us uneasy? (Sunday, July 1, 2007)
:: Part 2: Your responses to the question, "Why do non-canonical texts make us uneasy?" (Monday, July 2, 2007)
:: Part 3: What I don't think about non-canonical texts (Monday, July 2, 2007)
:: Part 4: Why I think that non-canonical texts make us uneasy (Tuesday, July 3, 2007)
:: Part 5: Why non-canonical texts are useful according to Tony Chartrand-Burke (Tuesday, July 3, 2007)

:: Do Non-canonical Gospels Make You “Uneasy”? (Tuesday, July 3, 2007)

Atualizando: 17h25
A coisa promete... acabei de publicar e já tenho que atualizar, pois saiu a parte 6 da série:
:: Part 6: Judy Redman's Thoughts on Non-canonical Unease (Tuesday, July 3, 2007)

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Livro esgotado? Garimpe na Estante Virtual

Para quem gosta de livros e para quem precisa encontrar livros esgotados, um achado: no momento, a Estante Virtual reúne na Internet os acervos de 573 sebos e livreiros, de 136 cidades brasileiras.

É possível procurar o livro por Autor, Título ou Editora e ainda filtrar a busca por Região > Estado > Cidade. Ou fazer a busca por Assunto - chamada de Busca por Estante.

Explica o site:
A Estante Virtual é um mecanismo de busca que procura seu livro simultaneamente nos acervos de dezenas de sebos e livreiros e ainda de centenas de internautas. Assim, quando você faz uma busca na estante virtual, você está fazendo uma busca em centenas de estantes ao mesmo tempo. Com isso, além da economia de tempo, você tem uma chance muito maior de encontrar o livro que procura!

Descoberta feita lendo o blog do Josias de Souza.

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Segunda-feira, Julho 02, 2007

Et pour cause, destaco na blogosfera

É bem sabido que mineiro não perde trem, mas como, desta vez, quase contrariei a tradição, apenas destaco alguns assuntos que chamam, neste momento, minha atenção nos biblioblogs:

:: Jim West, atendendo a um pedido de Stephen L. Cook, fez, em seu blog homônimo, um sumário (digest), em duas partes [Obs.: blog apagado: 21.03.2008] do colóquio online promovido pela lista Biblical Studies com Terje Østigård a propósito de seu livro Political Archaeology and Holy Nationalism.

:: Duane Smith, de Abnormal Interests, faz, em Who Can "Fully" Interpret the Bible? algumas observações críticas sobre a questão da interpretação da Bíblia por crentes e não-crentes, a partir de uma colocação feita por Claude Mariottini sobre o assunto em sua entrevista para Biblioblogs.com.

:: Hershel Shanks deu, tardiamente, sua opinião sobre o rumoroso caso criado no meio acadêmico por Simcha Jacobovici com seu filme O Sepulcro Esquecido de Jesus (The Lost Tomb of Jesus). Jim West comenta o texto do jornalista em Shanks on Simcha, no que é seguido por Christopher Heard em Higgaion, com Shanks on scholarly reaction to the “Jesus tomb” hoopla.

Et pour cause...

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Domingo, Julho 01, 2007

Do Felis silvestris lybica ao gato doméstico

Pois é: mais uma contribuição do Antigo Oriente Médio...

Gatos domésticos têm origens no Oriente Médio

Os gatos domésticos são descendentes dos gatos que viviam no Oriente Médio cerca de 130 mil anos atrás, segundo afirma um estudo do National Cancer Institute de Bethesda, nos Estados Unidos, publicado pela revista "Science", que colheu amostras de DNA de mil felinos de três continentes (...) Os pesquisadores chefiados por Stephen O'Brien colheram e analisaram o material genético mitocondrial tanto dos gatos domésticos quanto dos selvagens de todas as cinco espécies conhecidas. Da relação entre as amostras foi revelado que os felinos domésticos descendem daqueles selvagens que viviam no Oriente Médio.Segundo os pesquisadores americanos, entre dez e doze mil anos atrás, na região onde atualmente se localiza o Iraque, os gatos foram inseridos no convívio humano para acabar com os ratos que infestavam as aldeias... (Fonte: Folha Online: 30/06/2007 - 09h12 - da Ansa, em Roma)


The Near Eastern Origin of Cat Domestication

The world's domestic cats carry patterns of sequence variation in their genome that reflect a history of domestication and breed development. A genetic assessment of 979 domestic cats and their wild progenitors (Felis silvestris silvestris - European wildcat; F. s. lybica - Near Eastern wildcat; F. s. ornata - Central Asian wildcat; F. s. cafra - sub Saharan African wildcat; and F. s. bieti - Chinese desert cat) indicated that each wild group represents a distinctive subspecies of Felis silvestris. Further analysis revealed that cats were domesticated in the Near East, likely coincident with agricultural village development in the Fertile Crescent. Domestic cats derive from at least five founders from across this region, whose descendents were subsequently transported across the world by human assistance. (Fonte: Driscoll, C. et al. Science Magazine - Abstract published online June 28, 2007)

Leia também: Feline five give birth to billions


Atualização: 20h06
Na lista de discussão ANE-2 há dados interessantes sobre o assunto, como, por exemplo, o vocabulário acádico para designar os gatos... Quem estiver interessado em conhecer o assunto, consulte aqui e olhe outros e-mails (de hoje mesmo) com o mesmo tema (algo como Domestication of the Cat in the Near East).

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Biblioblogueiro de julho, 2007: Claude Mariottini

Jim West, em Biblioblogs.com, entrevista Claude Mariottini, autor do biblioblog Dr. Claude Mariottini - Professor of Old Testament, escolhido como o biblioblogueiro do mês de julho de 2007.

Claude Mariottini é brasileiro de origem, mas vive e trabalha nos Estados Unidos desde 1963. É professor de Antigo Testamento no Northern Baptist Seminary, em Lombard, Illinois, desde 1988.

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Biblical Studies Carnival XIX

Seleção dos melhores posts de junho de 2007.

Feita por Stephen L. Cook em seu biblioblog Biblische Ausbildung.

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