Observatório Bíblico

Sábado, Março 31, 2007

Cosmogonias Mesopotamicas no Codex

Como noticiado aqui, Tyler Williams, em Codex, está apresentando e discutindo as cosmogonias mesopotâmicas.

Isto é particularmente importante para a compreensão de Gn 1-2.

São quatro partes: começou com o post Ideas of Origins and Creation in Ancient Mesopotamia, Part 1, que discutiu as questões metodológicas e os recursos disponíveis para o estudo dos textos mesopotâmicos; na parte 2, tratou dos textos babilônicos antigos e na parte 3 dos textos neo-babilônicos.

Finalmente, na quarta parte, Tyler Williams fará uma síntese das idéias mais importantes que surgiram ao longo do estudo e sua relação com nossa compreensão dos textos bíblicos sobre a criação.

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Literatura Sumeria Online

Mais um link na Ayrton's Biblical Page:

Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL)

O Electronic Text Corpus of Sumerian Literature (ETCSL) é um projeto da Faculdade de Estudos Orientais da Universidade de Oxford que disponibiliza online cerca de 400 textos sumérios em transliteração e tradução para o inglês. Sobre este site, no ano passado fiz um comentário no Observatório Bíblico aqui.

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Links

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Recursos para o estudo da Vetus Latina

Dois links sobre os estudos da Vetus Latina foram acrescentados à Ayrton's Biblical Page:

Vetus Latina - Resources for the study of the Old Latin Bible

Vetus Latina Institut

O que é a Vetus Latina?
A "versão latina antiga", conhecida como Vetus Latina, é a tradução - ou conjunto de traduções da Bíblia - anterior à Vulgata (fins do século IV). Os escritos de Tertuliano, nos fins do século II, contêm freqüentes citações bíblicas, em latim, sobre as quais não sabemos a origem. Mas, um pouco mais tarde, Cipriano de Cartago, no século III, serve-se para suas citações de uma tradução, cujo texto coincide substancialmente com o dos manuscritos posteriores. No que se refere ao Novo Testamento, esta versão, denominada "africana", traduz um texto grego do século II, anterior à recensão de Orígenes. Isto supõe que o texto seja muito antigo e que goze, portanto, de considerável valor crítico. O texto africano sofreu contínuas adapatações ao vocabulário litúrgico dos diferentes lugares pelos quais se propagou. Até fins do século IV circulavam na Itália, na Gália e na Espanha diversas recensões chamadas "européias". As datas de algumas dezenas de manuscritos sobreviventes do Novo Testamento: do século IV ao século XIII. Por outro lado, são muito raros e fragmentários os manuscritos conservados da Vetus Latina do Antigo Testamento. Há o Codex Gothicus Legionensis, manuscrito da Vulgata dos fins do século X, que oferece leituras marginais tiradas da Vetus Latina. E as citações dos Padres da Igreja constituem também uma fonte importante para o conhecimento desta antiga versão.

A estes vários textos latinos, anteriores à Vulgata, damos o nome de Vetus Latina.
Fonte: ECHEGARAY, J. G. et alii A Bíblia e seu Contexto. São Paulo: Ave-Maria, 1994, p. 514-515. ISBN 85-276-0347-0

O Instituto Vetus Latina funciona no mosteiro de Beuron, Alemanha, às margens do Danúbio. Na década de 70, estudando na Itália, passava as férias de verão em Böblingen, trabalhando na fabricação de carros Mercedes na Daimler-Benz, em Sindelfingen. Em um (in)certo fim de semana, estive com alguns colegas brasileiros e o amigo alemão Rolf Schäfer e família em Beuron... Vi onde se desenvolvia o projeto Vetus Latina. O lugar e as circunstâncias são, ainda hoje, paisagens fascinantes em minha memória. Visite Beuron.

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Links

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Sexta-feira, Março 30, 2007

James Tabor: primeiro de abril?

Adivinha quando e onde você encontrará James Tabor?

No Biblioblogs.com, avisa Jim West! Biblioblogueiro do mês, no dia primeiro de abril...

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Crise no ar: todos os aeroportos foram fechados

Crise no Tráfego Aéreo

Atualizando: 02/04/2007 - 10h23
Sem querer, Lula quebra tabu militar (Folha Online: 01/04/2007)

Texto imperdível, de Kennedy Alencar.

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Quinta-feira, Março 29, 2007

Wikipedia avaliada pelos biblioblogueiros

A coisa anda fervendo... Mark Goodacre falou a favor da Wikipedia, Jim West falou contra, Loren Rosson opinou, Duane Smith também, Rick Sumner encasquetou...

Leia:
Wikipedia and Web 2.0

Leia também:
Citizendium, Scholarpedia, Wikipedia

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Quarta-feira, Março 28, 2007

O Sepulcro Esquecido de Jesus: o feijao com arroz...

Um giro pela blogosfera aponta para alguns importantes posts sobre O Sepulcro Esquecido de Jesus, que já se tornou o assunto "nosso de cada dia". Ou, em estilo bem brasileiro, o feijão com arroz de cada dia dos biblioblogueiros.

Confirmando o que foi dito aqui: The fake became the real.

Hoje vale a pena olhar o post de Mark Goodacre:

Talpiot Tomb Various

Atualizando em 30.03.2007 - 23h17:

Today on Talpiot

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Construa um blogroll com o Google Reader

Para quem ainda não prestou atenção: acrescentei ao Observatório Bíblico algo que estou achando interessante e muito prático. Coloquei na coluna da direita, ao alcance de um click, mais de uma centena de biblioblogs.

É um blogroll construído com o Google Reader. Aprendi com outros. Veja o NT Gateway Weblog, por exemplo.

Como fazer isso?

Eu li algumas instruções, e, com um pouco de paciência, deu tudo certo.

Você pode ler:
By Bloggers For Bloggers (Google Reader Blog)
Google Reader - Help
Google Reader Help - Google Labs

Também pode ajudar:
Dica anti-mediocridade: use RSS (Não Seja Medíocre, por Roberto Bechtlufft)

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Morreu hoje o biblista italiano Giuseppe Barbaglio

Leia a notícia no Bibbiablog:

Morte di Giuseppe Barbaglio (1934-2007)
Questa mattina è deceduto a Roma Giuseppe Barbaglio, noto e stimato biblista italiano. I funerali sono previsti sabato alle ore 12 presso S. Gregorio al Celio. Nato nel 1934 a Crema, ha conseguito la laurea in teologia all’Università Gregoriana, la licentia docendi in scienze bibliche all’Istituto Biblico di Roma...(cont.) [Obs.: link quebrado - Observação feita em 24.02.2009]

Há livros dele traduzidos para o português.

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Terça-feira, Março 27, 2007

Asterix em arabe e hebraico contribui para a paz

Asterix, o herói gaulês, teve um de seus álbuns traduzido, simultaneamente, para o árabe e o hebraico. A versão foi lançada no Salão do Livro de Paris (23 a 27 de março de 2007). Aí está a contribuição do intrépido guerreiro para a paz no Oriente Médio.

Leia:

Astérix en arabe et en hébreu : les sangliers de la paix
Le premier album d`Astérix traduit simultanément en arabe et en hébreu a été présenté ce week-end au Salon du livre de Paris. L`idée des traducteurs est de lancer "une passerelle" entre les cultures... (RTN - Neuchâtel - Suisse)

Asterix ganha versões em árabe e hebraico
O herói dos quadrinhos Asterix deu sua contribuição simbólica para o entendimento no Oriente Médio no último fim de semana, com o lançamento simultâneo das traduções para o árabe e o hebraico de seu livro, na Feira Literária de Paris... (Folha Online: 27/03/2007 - 07h46)

Astérix editado em hebraico e em árabe em simultâneo
O primeiro álbum das aventuras de Astérix traduzido simultaneamente em árabe e em hebraico foi apresentado no fim-de-semana no Salão do Livro de Paris, com o objectivo de lançar "uma ponte" entre as duas culturas, segundo os seus tradutores. Trata-se de As 1001 Noites de Astérix, ou Asterix Chez Rahazade, no título original... (Diário de Notícias Online - Lisboa: 27/03/2007)


Veja também:
Astérix: Le Site Officiel
Histórias de Asterix vão ganhar nova edição
Salon du Livre - Paris 2007

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O Sepulcro Esquecido de Jesus e a Estatistica

Para quem quiser ver algo realmente sério sobre os cálculos estatísticos presentes no caso do Sepulcro Esquecido de Jesus, há uma boa leitura em:

Bayes' Theorem And The "Jesus Family Tomb"

Não deixe de ver os vários links existentes no final deste artigo. E nem é preciso falar do texto mais acadêmico dos dois autores, Jay Cost and Randy Ingermanson, em formato pdf...

Observe também:
Ingermanson on Statistics March 27

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Etanol banhado a sangue, suor e morte

BID e irmão de Bush vão lançar pacote pró-etanol (Folha Online: 27/03/2007 - 09h19)

Biocombustíveis são fraude, diz colunista do "Guardian" (BBC Brasil: 27/03/2007 - 08h06)

Bush, Lula e a embriaguez do etanol (Adital - 26/03/2007)


Leia também:
Bush no Brasil

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300 de Esparta: Ocidente versus Oriente?

O filme 300 de Esparta entra em cartaz no Brasil na sexta-feira, 30 de março de 2007.

Veja, sobre isso, quatro links: o site oficial do filme em inglês, outro site sobre o filme em português, uma resenha do filme, escrita pelo Professor emérito de História Antiga da Pennsylvania State University, USA, Eugene N. Borza, da qual transcrevo pequenos trechos e, finalmente, uma reportagem de CartaCapital sobre o espetáculo à parte que foi a divulgação do filme para os jornalistas no Rio de Janeiro.

O Prof. Eugene N. Borza chama a atenção para vários aspectos do filme, entre eles o aspecto histórico. Diz que sua fidelidade histórica não pode ser avaliada, já que ele não pretende ser historicamente preciso. O filme é uma fantasia, não uma reconstrução do que aconteceu no confronto entre espartanos e persas no ano 480 a.C. no desfiladeiro das Termópilas, na Grécia.

Por outro lado, diz o resenhista, história ou fantasia, neste filme, os asiáticos, particularmente Xerxes, são representados como a verdadeira encarnação do mal e da tirania, em oposição aos espartanos que representam a liberdade e a justiça. O Oriente é sórdido, mau, o lado escuro da força, enquanto o Ocidente representa a beleza e a luz. Ele considera esta dicotomia mais séria ainda, pois os dois lados, persa e grego, são historicamente injustiçados em suas motivações e ações pela distorcida fantasia que enfeita o filme e encanta os espectadores ocidentais.

Difícil é ver como uma postura destas poderia ser considerada politicamente correta, ou mesmo neutra, por parte de Teerã, nas atuais circunstâncias de confronto dos Estados Unidos e Reino Unido com o Irã. Para quem não se tocou, os iranianos atuais são os herdeiros dos persas antigos...

300

300 de Esparta

Spartans Overwhelmed at Thermopylae, Again (by Eugene N. Borza - Archeology: March 22, 2007)
To judge this film's adherence to historical fact (insofar as we understand it) is to do it a disservice, for the film does not even pretend to be historically accurate (...) This film is not even science fiction, a genre based on an extension of reality. In fact, 300 is one step removed from sci-fi: it is fantasy (...) But, for devotees of historical nitpicking: a few nits. There is no attempt to explain the complex issues faced by the Greek city-states confronting the Persian advance. Leonidas is portrayed as intending to take his 300 Spartans up to Thermopylae in order to defeat the Persians and fight for freedom. Setting aside the simple-minded ideology about liberty, reason, and justice (like other Greeks, the Spartans themselves had a long history of attempting to coerce if not actually enslave other peoples when it suited their interests), it is ludicrous to suggest that a great Spartan general like Leonidas would believe that 300 men could thwart the advance of tens--perhaps hundreds--of thousands of Asian troops. Leonidas' motivation is not credible, even in a comic book. The actual Spartan stand at Thermopylae as a delaying action is both credible and historical (...) The Asians, in particular Xerxes (chillingly played by the Brazilian actor Rodrigo Santoro), are portrayed as the embodiment of evil and mindless tyranny, as opposed to the Spartans who represent freedom and justice. This stark dichotomy is unfortunate. It is an unnecessary misrepresentation of both Persians and Greeks to have set up both sides in unrelieved black and white: the East as sordid, evil, and dark, while the West represents beauty and light. I do not read into this, as some have, a subliminal commentary on current events, but I'll bet that this film will not be shown in Tehran. Indeed, the racist implications of the film have already been condemned by Iranians who have not even seen it (...) It does history and the Persians a real disservice in portraying the Asians entirely as degenerates.

Talents em Copacabana
O lançamento de 300 de Esparta mostra como um sucesso é construído

Eles são sempre chamados talents. E quem não souber o que é talent, que providencie um dicionário. Nas junkets dos blockbusters, com entrevistas em formato round-table e première no red carpet, muitas são as expressões estrangeiras. Prática consagrada dos grandes estúdios, a junket, trocando em miúdos, é um evento destinado a reunir jornalistas dos mais variados veículos e países para a divulgação de um filme embalado para o sucesso. A palavra junket também pode designar piquenique ou festa. Pois aconteceu no Brasil, pela primeira vez, uma junket de porte e feições internacionais. Na segunda-feira 19 e na terça 20, cerca de 60 jornalistas latino-americanos reuniram-se no suntuoso Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, para acompanhar o talent tour do filme 300 de Esparta, que entra em cartaz em 550 salas do País na sexta-feira 30. O primeiro dia foi reservado para jornais e revistas. O segundo, para as tevês. Se a estratégia é velha conhecida dos jornalistas da área cultural, o mesmo não se pode dizer do público. Explicitar esses mecanismos invisíveis é uma boa maneira de compreender de que modo um filme é preparado como produto para consumo (cont.) Fonte: Ana Paula Sousa, em CartaCapital de 27 de março de 2007 - Ano XIII - Número 437.

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Domingo, Março 25, 2007

O Sepulcro Esquecido de Jesus: slogans e distorções

O termo slogan, no Random House Webster's Unabridged Electronic Dictionary (Version 2.0, 1994), significa uma frase ou palavra-símbolo. Podemos entendê-lo como fórmula sucinta, metáfora ou versão simplificada de uma teoria. Para CARVALHO, J. S. Construtivismo: uma pedagogia esquecida da escola. Porto Alegre: ArtMed, 2001, os slogans são frases simbólicas extraídas de doutrinas teóricas ou de orientações práticas, que se tornam importantes elementos de impacto na difusão de correntes de pensamento e de movimentos intelectuais. Os slogans sempre representam uma simplificação das idéias ou das teorias que os originam, são fragmentos, ainda que representativos, de uma construção teórica que é bem mais ampla e complexa.

"A divulgação ou reprodução de um slogan não visa esclarecer detalhadamente conceitos ou perspectivas, mas veicular e manter um espírito solidário em torno da doutrina ou de um programa de ação a ela associado", explica CARVALHO, J. S. Construtivismo, p. 97.

Os slogans são assistemáticos, de tons menos solenes e mais populares, para serem repetidos com mais veemência do que para serem meditados, com caráter mais persuasivo e programático do que elucidativo.

Para APPLE, M. W. Trabalho Docente e Textos: economia política das relações de classe e de gênero em educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995, o slogan se alicerça em três princípios: 1. exerce um determinado atrativo para nos prender, oferecendo um certo vislumbre de possibilidades imaginativas para gerar um apelo e uma exigência de ação; 2. é vago o suficiente para que os grupos ou indivíduos poderosos o acolham sob seus vastos guarda-chuvas, mas especifico para oferecer alguma coisa; e 3. serve para o aqui e agora, para guiar o trabalho prático.

O termo distorção, de acordo com o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa (Versão 1.0, dezembro de 2001), significa alteração da forma, de características estruturais, desvirtuamento, infidelidade. No Dicionário Etimológico Nova Fronteira da Língua Portuguesa, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982, distorção vem de torcer, que quer dizer dobrar, vergar, entortar, alterar, desvirtuar.

Este último é exatamente o sentido original da raiz latina distortio, um substantivo feminino derivado do verbo distorquere, usado por autores clássicos como Cícero, Horácio, Sêneca e Suetônio, explica CALONGHI, F. Dizionario Latino-Italiano. 3a. ed. Torino: Rosenberg & Sellier, 1972.

Para nós, o termo distorcer se aproxima da idéia de assimilação deformante usada por Piaget. Para PIAGET, J. O juízo moral na criança. São Paulo: Summus, 1994, a assimilação deformante acaba sendo uma necessidade de deformar as coisas, um objeto de conhecimento para satisfazer o próprio interesse ou um desejo particular, ou mesmo uma idéia preconcebida a respeito de algo. Sempre que o pensamento não experimenta a necessidade efetiva de uma acomodação à realidade, sua tendência natural o impelirá a deformar as coisas. Assimilamos um conteúdo, mas podemos deformá-lo para satisfazer à necessidade psicobiológica de aproximar o pensamento da realidade.

Em suma, distorcemos ou deformamos uma idéia para podermos entender alguma coisa que ainda não está tão clara para nós. É nossa necessidade de explicarmo-nos a nós mesmos, ou a outrem, as coisas que ainda não entendemos. Para Piaget, a assimilação deformante é própria do “egocentrismo intelectual que caracteriza as formas iniciais do pensamento da criança” (O juízo moral na criança, p. 132). Mas, entendemos que essa forma de lidar intelectualmente com a realidade que ainda não conhecemos pode se estender ao longo de nossa história.

No mesmo sentido podem ser utilizados também os termos desvio, equívoco e viés, lembrando que estes termos são sinônimos de anomalia, anormalidade, ambigüidade, confusão, dúvida, imprecisão.

>>Texto escrito por Rita de Cassia da Silva em sua tese de doutorado. Publicado sob permissão.

SILVA, R. C. Saberes Construtivistas de professores do ensino fundamental: alguns equívocos e seus caminhos. Tese de Doutorado. Araraquara, 2005.

Rita de Cassia da Silva é Psicóloga pela PUC-Campinas, SP, e Doutora em Educação pela UNESP de Araraquara, SP.

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O Sepulcro Esquecido de Jesus: linguagem e ideologia

A linguagem molda a visão e o pensamento dos seres humanos e, simultaneamente, molda a concepção que eles têm de si mesmos e de seu mundo. A linguagem vista assim é motivo de debate e de conflito, pois onde está a linguagem está também a ideologia. A linguagem é um ato dentro de relações sociais, diz ORLANDI, E. P. A linguagem e seu funcionamento: as formas do discurso. 4. ed. Campinas: Pontes, 1996. Portanto, há a confrontação de sentidos e os significados estão num processo de interação.

Falamos sempre de algum lugar. Em nossa fala há também nossa posição no mundo. Mostramos onde estamos quando falamos. Não somos neutros, sempre estamos defendendo nossa posição no mundo. Nosso discurso é cheio de significações. Com nossa linguagem criamos, interpretamos e deciframos significações de forma lógica, racional, conceitual ou mítica e simbólica.

Há o discurso cotidiano ou a linguagem do senso comum, o discurso ideológico, o discurso político, o discurso religioso, o discurso cientifico etc. A análise desses discursos revela os sentidos e significados, mas esta análise também não é neutra. Ela passa pelo discurso de quem interpreta, pela sua concepção de mundo, de ser humano, de sociedade etc. Interpretar o dizer, tanto falado como escrito, é uma tarefa de tornar compreensível aquilo que requer uma explicação ou tradução. Numa tradução fazemos suposições, críticas, por vezes simplificações, e até mesmo distorcemos algumas asserções. Portanto, é necessário um exercício constante de interrogação sobre nossas críticas e suposições.

Orlandi, A linguagem e seu funcionamento, p. 135 nos diz que “Nas situações acadêmicas, tem-me parecido que o não dito, isto é, a margem do dizer que é constituída pela relação com o que foi dito, é que acaba sendo mais fecunda. Porque faz parte da incompletude e se faz desejo”. Assim, o que um autor não diz em um texto torna-se objeto de desejo daqueles que o interpretam. Conseqüentemente, o intérprete coloca no texto aquilo que é o seu modo de ver o texto. Desta maneira, o texto interpretado já não é somente o texto do autor, mas sim, o texto do autor e do intérprete. As idéias se mesclam e se transformam em outras idéias.

Quando queremos tornar compreensível uma teoria, somos orientados pelo modo como ela está expressa. No entanto, a interpretação é um modo de dizer algo que passa pela compreensão daquilo que foi dito e do nosso modo de ver as coisas. Os dados que um cientista interpreta passa pela visão que ele tem dos dados. Numa interpretação literária ou interpretação de uma teoria, há algumas regras que devemos considerar: por exemplo, o texto e o contexto. Precisamos ver como foi escrito este texto, ou seja, qual a abordagem que o autor utiliza para formular sua teoria. Ele sempre fala de algum lugar para alguém e fala de um determinado contexto histórico. Quando vamos ler a teoria, precisamos considerar estes elementos na sua construção. Se uma teoria foi construída a partir de um referencial das ciências da natureza, por exemplo, ela deve ser lida dentro dos referenciais destas ciências, levando em conta a época, os acontecimentos e interesses do momento em que foi escrita.

Nada impede que lancemos outros olhares sobre um conceito ou uma teoria, porém, sem perder de vista que cada teoria é escrita em um determinado momento e com interesses que podem ser diversos daqueles que estamos interpretando. Quando lemos a partir de nossos interesses algo que um autor disse, podemos incorrer em erros hermenêuticos, pois nossa leitura pode não corresponder ao que ele quis dizer. É o que dissemos que ele disse que pode estar errado, mas, em nossa interpretação podemos também avançar a partir das idéias originais. Uma teoria pode levar a outra.

O que dizemos ganha vida, espessura, faz história e traz conseqüências. Podemos provocar o debate, alargar ou restringir os enunciados. Quando teorizamos sobre algo, passamos por esse processo. Quando estamos lendo uma obra literária, entramos no mundo do autor, mas entramos com nossos sentimentos, idéias e desejos. Quando lemos uma teoria científica, nem sempre entramos no mundo do autor, é mais comum interpretarmos com o nosso olhar e nossa visão de mundo, o que foi escrito num outro momento e com outra concepção de mundo.

>>Texto escrito por Rita de Cassia da Silva em sua tese de doutorado. Publicado sob permissão.

SILVA, R. C. Saberes Construtivistas de professores do ensino fundamental: alguns equívocos e seus caminhos. Tese de Doutorado. Araraquara, 2005.

Rita de Cassia da Silva é Psicóloga pela PUC-Campinas, SP, e Doutora em Educação pela UNESP de Araraquara, SP.

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Sábado, Março 24, 2007

A Tumba de Talpiot segundo James Tabor

James Tabor publicou hoje, 24 de março de 2007, em seu The Jesus Dynasty Blog, uma síntese de suas opiniões sobre a Tumba de Talpiot.

Veja:

The Talpiot Jesus Tomb: An Overview

Logo no começo, ele diz:
Here is a summary of my views of the Talpiot/Yeshua tomb and its possible connection to a hypothesized family tomb of Jesus of Nazareth.

E, após falar do contexto histórico, das estatísticas e das inscrições, ele termina dizendo:
There is more to learn and more that will come out soon on this whole subject but right now this is a summary of the evidence as I see it.

Enquanto isso, o documentário continua a ser apresentado aqui no Brasil pelo Discovery Channel.

Ainda temos mais duas apresentações: amanhã às 10h00, bom horário, e segunda-feira, às 04h00, de madrugada...

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Sexta-feira, Março 23, 2007

Bovon discorda de O Sepulcro Esquecido de Jesus

O Professor François Bovon, da Harvard Divinity School, um dos especialistas que participam de O Sepulcro Esquecido de Jesus, publicou um artigo no SBL Forum, no qual manisfesta sua discordância com pontos fundamentais do documentário.

Ele diz, em The Tomb of Jesus, que:
  • First, I have now seen the program and am not convinced of its main thesis. When I was questioned by Simcha Jacobovici and his team the questions were directed toward the Acts of Philip and the role of Mariamne in this text. I was not informed of the whole program and the orientation of the script.
Primeiro, agora eu vi o programa e não estou convencido de sua tese principal. Quando fui entrevistado por Simcha Jacobovici e sua equipe, as perguntas eram sobre os Atos de Filipe e o papel de Mariamne neste texto. Eu não estava informado sobre o programa como um todo e a orientação do script.


  • Second, having watched the film, in listening to it, I hear two voices, a kind of double discours. On one hand there is the wish to open a scholarly discussion; on the other there is the wish to push a personal agenda. I must say that the reconstructions of Jesus' marriage with Mary Magdalene and the birth of a child belong for me to science fiction.
Segundo, tendo visto o filme, eu ouço nele duas vozes, uma espécie de discurso duplo. Por um lado, há um desejo de iniciar uma discussão acadêmica; por outro lado, há um desejo de "vender uma idéia" pessoal. Eu devo dizer que as reconstruções do casamento de Jesus com Maria Madalena e o nascimento de uma criança pertencem para mim à ficção científica.


  • Third, to be more credible, the program should deal with the very ancient tradition of the Holy Sepulcher, since the emperor Constantine in the fourth century C.E. built this monument on the spot at which the emperor Hadrian in the second century C.E. erected the forum of Aelia Capitolina and built on it a temple to Aphrodite at the place where Jesus' tomb was venerated.
Terceiro, para ter mais credibilidade, o programa deveria ter tratado da tradição muito antiga do Santo Sepulcro, já que o imperador Constantino, no século IV d.C. contruiu este monumento no local em que o imperador Adriano, no século II d.C., construíra o fórum de Aelia Capitolina e nele o templo de Afrodite no lugar em que a tumba de Jesus era venerada.


  • Fourth, I do not believe that Mariamne is the real name of Mary of Magdalene. Mariamne is, besides Maria or Mariam, a possible Greek equivalent, attested by Josephus, Origen, and the Acts of Philip, for the Semitic Myriam.
Quarto, eu não acredito que Mariamne seja o nome real de Maria Madalena. Mariamne é, ao lado de Maria ou Mariam, um possível equivalente grego, atestado por Josefo, Orígenes e os Atos de Filipe, para o semítico Miriam.


  • Fifth, the Mariamne of the Acts of Philip is part of the apostolic team with Philip and Bartholomew; she teaches and baptizes. In the beginning, her faith is stronger than Philip's faith. This portrayal of Mariamne fits very well with the portrayal of Mary of Magdala in the Manichean Psalms, the Gospel of Mary, and Pistis Sophia. My interest is not historical, but on the level of literary traditions. I have suggested this identification in 1984 already in an article of New Testament Studies.
Quinto, a Mariamne dos Atos de Filipe é parte do grupo apostólico com Filipe e Bartolomeu; ela ensina e batiza. No início, sua fé é mais forte do que a fé de Filipe. Este retrato de Mariamne combina muito bem com o retrato de Maria de Magdala nos Salmos Maniqueus, no Evangelho de Maria e na Pistis Sofia. Meu interesse não é histórico, mas sim no plano das tradições literárias. Eu sugeri esta identificação já em 1984 em um artigo de New Testament Studies.

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Jacobovici entrevistado pelo Jerusalem Post

The Jerusalem Post entrevistou Simcha Jacobovici, diretor de O Sepulcro Esquecido de Jesus.

Leia:

One on One: The cross he bears

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Quinta-feira, Março 22, 2007

S.O.S H2O - World Water Day

22 de março, dia mundial da água: ‘A água não é Coca Cola’

Movimento de defesa marca o Dia Mundial da Água no Brasil

Não há o que festejar no Dia Mundial da Água

Oferta de água no Oriente Médio pode cair pela metade até 2050, diz Bird

Water for Life

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The Lost Tomb of Jesus: Archaeological Adventure

Visite o site The Lost Tomb of Jesus: Discovery Channel e veja várias coisas interessantes, clicando nos itens do menu à esquerda: mapas, vídeos, entrevistas, documentos, linha do tempo, as inscrições dos ossuários de Talpiot e muito mais.

Entretanto, quase tudo pode ser acessado também em português, através do site Discovery Channel - O sepulcro esquecido de Jesus.

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Terça-feira, Março 20, 2007

O Sepulcro Esquecido de Jesus: observações críticas

O número de apresentações
É muito bom ter esta variedade de horários, 11 ao todo, distribuídos ao longo de 7 dias, por dois motivos: oportunidade para mais pessoas assistirem e facilidade para quem gosta ou precisa observar com detalhes o documentário. Porém, é um verdadeiro "bombardeio" de tumba ou sepulcro de Jesus às vésperas da Semana Santa, em uma cultura como a nossa que, sabidamente, celebra com extrema dramaticidade ibérica, muito mais a "Paixão e Morte de Jesus" do que sua vida, seus feitos e suas propostas. Este "bombardeio" de apresentações não acontece por acaso.

1. A tumba de família de Jesus em Talpiot
A seqûência de "descobertas" que se nota no primeiro segmento é a seguinte: evangelhos > Talpiot > ossuários > Jesus, filho de José > Maria > Mateus > Joset. No final do segmento, o telespectador já deveria estar convencido de que esta é, sem dúvida, a tumba da família de Jesus, pois a história de sua família está reconstruída e recuperada através das inscrições em 4 dos ossuários.

Algumas questões, entretanto, se impõem desde o começo:
  • Como se fez para que a hipótese de ser esta a tumba da família de Jesus se transformasse em certeza em apenas 22 minutos?
  • Quando e com que recursos uma pobre família da Galiléia, como a de Jesus, teria construído uma tumba tão elaborada, considerada pelos especialistas como uma tumba de uma família rica?
  • Como comprovar que a genealogia de Jesus em Lc 3 é uma genealogia autêntica da família de Maria, como defende Tabor?
  • Por que é feito um uso seletivo dos evangelhos? Por que Mateus é desacreditado quando denuncia como complô de lideranças judaicas a história do roubo do corpo de Jesus pelos discípulos, enquanto Lucas e Marcos são fontes seguras para os nomes de familiares de Jesus?
  • Começar um documentário e fundamentar suas principais conclusões em uma visão conspiratória da história não é bastante problemático?
  • Onde está a percepção de que "evangelho" não é biografia nem livro de história e que, dentro de um evangelho, há vários gêneros literários?
  • Por que genealogias teológicas teriam credibilidade histórica, como a de Lucas?
Além de se discutir o uso problemático das fontes, deve-se investigar a relação entre Bíblia e Arqueologia, a arqueologia vista como caça ao tesouro... mesmo que este tesouro seja simbólico, um valor sagrado, uma relíquia, o lugar onde Jesus foi enterrado, por exemplo.

Chamo a atenção, finalmente, para a presença de Jacobovici no filme: sempre alerta, olhar inquiridor, soluções rápidas, mente aberta, inteligente... enfim, uma figura! Ele é um cineasta, um jornalista investigativo ou um personagem? Talvez seja o real protagonista do filme. De qualquer maneira, ele é o "mocinho" do filme. Vejo assim: na ausência das grandes figuras do documentário - Jesus, Maria, Madalena são apenas nomes em caixas de pedra - a figura incomum do cineasta, sempre em primeiro plano, dá segurança ao telespectador, enquanto o guia, soluciona dúvidas, resolve o que parece impossível, se emociona com as descobertas... Enfim, Jacobovici cria uma personalidade com a qual o telespectador pode se identificar sem receio de ficar perdido em suas dúvidas... Só que tudo isto é construído. A "caça ao tesouro" levou inteiros 3 anos! Nada foi encontrado "por acaso". Caberia aqui uma discussão sobre a relação e distinção entre documentário e ficção.

2. Probabilidades estatísticas
A linha de raciocínio aqui é a seguinte: 3 especialistas contestam que os nomes encontrados indiquem algo de extraordinário, mas nada disso vale, pois a eles são contrapostas as opiniões de James Tabor que diz ser "provável" - para logo passar ao "deve ser" a tumba da família de Jesus - e do matemático Feuerverger, que apenas diz "ser possível", mas é um matemático e professor de estatística, e isso pesa.

Cabe aqui uma observação sobre a (im)precisão das expressões que estou usando: posso não ter anotado tudo corretamente ao ver o filme! Mas, principalmente, as falas são dubladas... e as dublagens não são tão confiáveis assim! Mas não é só o que é falado que dá respaldo à tese de Jacobovici. O modo como os especialistas são apresentados, inclusive o ambiente em que são filmados, conta muito. Observo, por exemplo, que o matemático Feuerverger é sempre apresentado em ambiente acadêmico clássico, escrevendo fórmulas em tradicional quadro de sala de aula, o que dá respeitabilidade às suas opiniões, embora elas sejam extremamente cautelosas e vagas. Respeitabilidade? Lembro-me de uma das mais difundidas fotos de Einstein, na qual ele está escrevendo fórmulas no quadro... Mais para a frente veremos cientistas fazendo sofisticados exames de DNA e de pátina em modernos laboratórios, utilizando avançadas tecnologias, com marcante presença da eletrônica, em países de forte produção científica, como Estados Unidos e Canadá.

3. Busca da tumba e o ossuário de Caifás
O argumento que preside este segmento é: se Caifás é autêntico, Joset - daí toda a família de Jesus - também o é. De maneira muito clara se sugere o seguinte: a arqueologia oficial aceita muita coisa, desde que não envolva a familia de Jesus. No meu entender, sugere até mesmo um complô eclesiástico para manter a versão oficial das Igrejas. Há um "entulho ideológico" que impede o acesso à tumba de Jesus? Observo este paralelo entre o entulho físico do cano e o entulho simbólico sugerido... Aquele pode ser removido por um simples encanador, enquanto este resiste... A figura de David Mevorah simboliza esta resistência! Então, com quem fica o telespectador? Quer ver o que há além do entulho? Quer remover o seu próprio "entulho ideológico", herdado através de sua educação religiosa formal? Por que não olhar do outro lado? Não é o que fazem os intrépidos caçadores de tesouros nos conhecidos filmes admirados por milhões?

4. Maria Madalena
Maria Madalena é a chave aqui: reputação restabelecida, liderança consolidada, ordenada (?), enquanto a atitude da hierarquia é colocada sob suspeita. A narrativa oficial é ironizada e substituída o tempo todo, sugerindo a existência de uma visão distorcida desenvolvida ao longo dos séculos. Sobre as estatísticas nada falarei: é assunto complicado, do qual nada entendo, e, por isso remeto o leitor para as explicações sobre o raciocínio de Andrey Feuerverger como estão no biblioblog de Mark Goodacre.

5. Mariamne, Madalena e os Atos de Filipe
Todo o segmento está fundado nos Atos de Filipe e na leitura de François Bovon, culminando no símbolo encontrado ao mesmo tempo em Dominus Flevit e na entrada da tumba de Talpiot. Cujo significado, aliás, permanece desconhecido. Maria Madalena é colocada nas alturas. Em determinado ponto, Tal Ilan chega a dizer que Madalena foi a verdadeira fundadora do cristianismo.

Aqui já se percebe, passado mais da metade do documentário, como o raciocínio é sempre na base de suposições que suportam outras suposições, que, por sua vez, suportam outras... É uma seqüência de: e se... e se... devia haver... se o ossuário... mas se... E desse conjunto frágil de suposições, supostamente fundadas, tiram-se facilmente conclusões, como: logo, claro, incrível... Todo o peso da argumentação recai sobre um frágil condicional. Contudo, para reforçar tal argumentação, a palavra mágica dos documentários aparece de vez em quando: "evidências". Vamos procurar evidências... as evidências indicam... encontramos evidências...

Neste ponto o documentário já pode colocar na boca dos arqueólogos que examinaram Talpiot em 1980 algo que jamais suspeitaram: 26 anos atrás arqueólogos encontraram ossuários da família de Jesus em Talpiot... Enquanto isso, Jacobovici lança o desafio para sua equipe, mas também para o telespectador: temos de achar a tumba, a tumba da família sagrada, diz ao perceber que estavam na segunda tumba, a tumba intacta, a tumba errada.

6. DNA
Toda a seqüência está fundada no exame de DNA, uma palavra mágica hoje nos meios de comunicação, nos filmes policiais, nos tribunais, que resolve qualquer dúvida. Se o telespectador ainda não estava convencido, aqui não há como escapar: o DNA mostra que Jesus e Mariamne, quer dizer, Maria Madalena não eram filhos da mesma mãe, sendo, portanto, marido e mulher.

O que estamos vendo aqui é liberdade de pensamento em relação às versões oficiais das Igrejas ou independência para chutar em todas as direções? E se os personagens fossem membros da mesma família, mas com outro grau de parentesco? E por que foram retiradas amostras exatamente destes dois ossuários e não dos outros? No debate que é apresentado após o filme, ao serem pressionados sobre isso, Jacobovici e Tabor alegam que os outros haviam sido aspirados, limpos pelo IAA para alguma exposição - não documentada por eles - e por isso não continham nenhuma amostra de DNA que pudesse ser facilmente retirada. Ora, por que não providenciaram a retirada de amostras por métodos mais sofisticados, se ficaram 3 anos trabalhando no documentário? Argumenta Jacobovici que ele é apenas um jornalista, que ele fez o seu trabalho, que apresentou o que achava relevante... e que ele espera que os cientistas prossigam com o trabalho mais sofisticado... Claramente, ele não quer correr nenhum risco de ver sua proposta desacreditada por provas científicas.

7. Descoberta a verdadeira tumba
Encontrada a tumba de Talpiot, o leitmotiv é: emoção pela descoberta. A indicação decisiva vem, diz o documentário, da "visita quase profética de uma mulher cega". Noto aqui a presença do providencial, o desígnio invisível que guia os caçadores para a descoberta decisiva: "visita quase profética". Interessante: após mais de 1 hora de convencimento do telespectador, entra-se, de fato, na tumba. É tanta espera, tanta ansiedade, que é um alívio quando ele, telespectador, também entra na tumba guiado pela mão segura de Jacobovici.

8. O décimo ossuário está desaparecido: pode ser o Ossuário de Tiago?
O segmento está todo fundado no Ossuário de Tiago como sendo o ossuário desaparecido da coleção de Talpiot. Ora, quem acompanhou a polêmica sobre o Ossuário de Tiago sabe que tal identificação é bastante problemática. Oded Golan e outros envolvidos com este ossuário foram parar nos tribunais israelenses, julgados por fraude, o processo está em andamento. Claro, nada disso é dito no documentário.

Quero observar aqui que são tantos os dados, tão complexos, tão "científicos", relatados de maneira tão bem dosada, que um leigo no assunto só pode aceitar o que lhe é apresentado como autêntico, pois não há como distinguir o possível do real, o "se" do comprovado.

9. A pátina combina: o ossuário desaparecido é o Ossuário de Tiago
De maneira quase mágica é resolvido o problema do décimo ossuário desaparecido, recorrendo-se ao controvertido Ossuário de Tiago. Remeto o leitor para a discussão dos especialistas e que foi postado nos biblioblogs. Procure nos links deste post aqui. Agora, o caso do livro de Jonas é, literalmente, "pura picaretagem". Jesus falava em códigos?

10. Judá, filho de Jesus e Madalena
Um final em grande estilo: finalmente foi encontrado o filho de Jesus. Isto resolve muitos problemas, não? Torna Jesus alguém mais humano, resolve o problema de sua ligação com Madalena e põe um ponto final no irritante debate dos exegetas sobre a identidade do discípulo amado.

Mas ao selar a tumba com seus segredos, deixa aberta a perspectiva de continuação, com "O sepulcro esquecido de Jesus 2".

Enfim, como disse Milton Moreland, do Rhodes College de Memphis, em encontro regional da SBL nos USA na semana passada: "The fake became the real". Expressão que significa, em tradução livre, A fraude se transformou em verdade. O que ele está dizendo é que os caçadores de relíquias no Oriente Médio tomaram o lugar da real pesquisa arqueológica. E mais: vendem ao público a idéia de que esta é a autêntica arqueologia.

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O Sepulcro Esquecido de Jesus: o filme

O documentário, de duas horas de duração, seguido por um debate de uma hora, está programado para os seguintes horários, segundo o Discovery Channel:
  • domingo, dia 18: 20h00
  • segunda, dia 19: 00h00, 6h00 e 13h00
  • quarta, dia 21: 00h00 e 22h00
  • quinta, dia 22: 01h00 e 6h00
  • sábado, dia 24: 20h00
  • domingo, dia 25: 10h00
  • segunda, dia 26: 04h00
São, portanto, 11 apresentações. Assisti a do dia 18 e, novamente, a primeira e a terceira do dia 19.


O documentário foi realizado por Simcha Jacobovici em parceria com James Cameron. Suas biografias estão na página do filme no Discovery Channel.

São 10 segmentos, de cerca de 7 minutos cada um, com intervalos de 3 ou 4 minutos, totalizando algo como 1 hora e meia de programa e meia hora de intervalo. Exceções são o primeiro segmento que tem 22 minutos, três vezes mais do que a média, e o quinto, com seus 12 minutos de duração.

O documentário é dublado em sua maior parte. Em português, um narrador guia o telespectador, e também em português estão as falas dos personagens, como os documentaristas, pesquisadores e especialistas consultados. Em hebraico, acompanhadas por legendas em português, as falas de algumas pessoas da região de Talpiot, em Jerusalém, onde a tumba se encontra.

A música de fundo utilizada é bastante suave. Ao ser apresentado em letras grandes, no início de cada segmento, o título do documentário, um sopro de vento retira a poeira existente sobre a escrita, limpando a imagem, como se fosse soprada a poeira real dos objetos arqueológicos examinados. Algumas vezes, após a "solução" do documentário para determinada hipótese, cenas fictícias, representando a vida dos personagens que são objeto do filme, são inseridas, ilustrando, deste modo, graficamente, o que acabou de ser investigado.

Verificar uma lista de pessoas envolvidas no documentário pode ajudar na compreensão do que é feito:
  • Amos Kloner, Professor na Universidade Bar-Ilan, em Ramat Gan, Israel. Arqueólogo a serviço do IAA em 1980, ele elaborou e publicou um relatório oficial sobre a tumba de Talpiot na época de sua descoberta.
  • Andrey Feuerverger, Professor de Matemática e Estatística da Universidade de Toronto, Canadá.
  • Carney Matheson, Professor de Antropologia na Universidade de LakeHead, Thunder Bay, Ontário, Canadá.
  • Charles Pellegrino, arqueólogo, é co-autor do livro The Jesus Family Tomb, junto com Simcha Jacobovici.
  • David Mevorah, Curador do Museu de Israel, em Jerusalém.
  • François Bovon, Professor da Harvard Divinity School, USA.
  • Frank Moore Cross, Professor Emérito da Harvard Divinity School, USA.
  • James D. Tabor, Professor do Departamento de Estudos Religiosos da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, USA. Doutor em Estudos Bíblicos pela Universidade de Chicago, com ênfase nas áreas de Origens Cristãs e Judaísmo Antigo. Entre outras coisas, Tabor é o autor de um polêmico livro sobre o Jesus Histórico, The Jesus Dynasty: The Hidden History of Jesus, His Royal Family, and the Birth of Christianity. New York: Simon & Schuster, 2006, 384 p. O livro foi traduzido para o português: A dinastia de Jesus: a história secreta das origens do cristianismo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006, 368 p. ISBN 8-5000-2030-X Confira seu blog, onde há vários posts sobre a tumba de Talpiot. Ele é, no documentário, o principal assessor bíblico de Simcha Jacobovici. Está sempre ao seu lado, explicando ao telespectador várias questões arqueológicas e bíblicas.
  • John Dominic Crossan, Professor Emérito de Estudos Religiosos na Universidade DePaul, de Chicago, USA, é irlandês. Especialista de renome sobre o Jesus Histórico, Crossan escreveu grande número de obras sobre o assunto.
  • Simcha Jacobovici, diretor, roteirista e produtor do documentário. Nascido em Israel e naturalizado canadense, Jacobovici formou-se em Artes e Filosofia pela Universidade de McGill e cursou pós-graduação em Artes e Relações Internacionais pela Universidade de Toronto, ambas no Canadá. Tem, em seu currículo, vários prêmios como cineasta.
  • Shimon Gibson, arqueólogo britânico que trabalha em Israel e em territórios da Autoridade Palestina. Professor do Instituto W. F. Albright de Pesquisa Arqueológica, em Jerusalém. Doutorado em Londres, com especialização em cenários antigos do Levante, Gibson foi um dos primeiros arqueólogos a atuar na escavação e mapeamento do interior da tumba de Talpiot quando descoberta em 1980.
  • Stephen Cox, cientista forense.
  • Tal Ilan, Professora de Estudos Judaicos da Freie Universität Berlin - Universidade Livre de Berlim, Alemanha -, é israelense. Fez seus estudos na Universidade Hebraica de Jerusalém onde doutorou-se com uma tese sobre as mulheres judias na Palestina greco-romana.
1. A tumba de família de Jesus em Talpiot
O documentário começa com uma advertência sobre a inexistência de consenso entre os especialistas sobre o que será apresentado, deixando ao telespectador a tarefa de elaborar seu próprio julgamento. E, como primeira cena, opta pela ficção, representando o crucificado e enfatizando que a morte mais famosa da História é, sem dúvida, a de Jesus de Nazaré. Mas não isenta de controvérsias, pois, a partir do texto de Mt 28,11-15, se conclui que realmente seus discípulos o sepultaram em segredo e um ano depois, juntamente com seus familiares, recolheram seus ossos e os depositaram em um ossuário na tumba da família em Jerusalém.

Recua-se no tempo. Agora estamos vendo as máquinas descobrindo acidentalmente a tumba em 1980, quando operários preparavam o terreno para a construção de um conjunto de edifícios em Talpiot, subúrbio de Jerusalém. Os arqueólogos descobrem ali dentro 10 ossuários que são retirados e examinados pela Autoridade Israelense de Antiguidades, o IAA. Seis deles tinham inscrições. Catalogados, são transferidos para o Museu Rockefeller, em Jerusalém, trancados e ignorados pelo IAA, enquanto que os ossos neles existentes, como de costume, são retirados e enterrados em outro túmulo. A tumba de Talpiot é novamente fechada. Tudo é mostrado com cenas fictícias, somado a fotos da época e entrevistas com moradores locais que testemunharam a descoberta.

Ficamos sabendo também que os ossuários só foram utilizados pelos judeus durante os 100 anos que precederam a destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C. Embora cerca de mil ossuários tenham sido encontrados na região, apenas 20% deles contêm inscrições. Daí ser impressionante o encontro de 6 ossuários com inscrições em uma mesma tumba.

Três especialistas são entrevistados: Shimon Gibson, que estava lá em 1980 e registrou a descoberta, Tal Ilan e James Tabor. Este último defende como viável e normal o sepultamento de Jesus em uma tumba provisória e sua transferência para o sepulcro permanente na tumba da família em Talpiot. Frank Moore Cross explica como se lê a inscrição de um ossuário: "Jesus, filho de José", enquanto Jacobovici fica impressionado com a descoberta, dizendo: "incrível"! John Dominic Crossan, em rápida aparição, ao ser questionado sobre as conseqüências da descoberta dos ossos de Jesus, garante que, caso isto se confirme, não afetará sua fé. Com a contribuição de Tabor, são feitas algumas reflexões sobre o significado da ressurreição de Jesus e sua ascensão aos céus, e o especialista não vê contradição entre as narrativas evangélicas e o encontro do túmulo de Jesus - com Jesus dentro!

Após ser feito um quadro genealógico da família de Jesus, com belos recursos visuais, é apresentado como caso raro o osssuário que traz o nome "Maria", versão latinizada do hebraico Miriam. Mas se explica que, após a morte de Jesus, Maria, sua mãe, continuou seus ensinamentos, reunindo muitos discípulos, vários deles romanos convertidos, daí a latinização de seu nome.

Assim, cada nome encontrado nos ossuários da tumba de Talpiot vai sendo referendado pelos evangelhos. Inclusive Mateus, que não é o apóstolo, mas uma forma do nome Matatias, nome sacerdotal, da família dos Macabeus, que está na genealogia de Lc 3,23-38 pelo parentesco de Maria com esta família. Aliás, é dito que na genealogia de Lucas, que é a da família de Maria, há vários personagens com o nome Mateus. E, finalmente, o grande trunfo: o nome Yose ou Joset está também em um ossuário e este é o nome de um dos irmãos de Jesus, citado em Mc 6,3;15,40.47, mas é a primeira vez que este nome aparece, nesta forma - um apelido - em um ossuário.

Ao final deste primeiro segmento, com 4 ossuários e respectivas inscrições examinadas, já temos a afirmação de que esta é a tumba da família de Jesus. Observa-se que falta José, o pai de Jesus, que não foi enterrado em Talpiot pois ao morrer antes dos outros, na Galiléia, por lá ficou.

2. Probabilidades estatísticas
Após um resumo do primeiro segmento, pergunta-se por que, estando todos juntos na mesma tumba, ninguém prestou atenção a estes nomes? Ora, estes nomes eram muito comuns na Palestina do século I, confirmam Shimon Gibson, Amos Kloner e Frank Moore Cross. Então recorre-se ao matemático Andrey Feuerverger, que explica: se em uma rua de Jerusalém gritássemos, naquela época, o nome "Jesus", cerca de 4% dos homens responderiam; se fosse "Maria", 25% das mulheres responderiam. Mas a reunião de Jesus + José + Maria + Joset dá uma baixa possibilidade de se ter alguma resposta, por isso a descoberta dos nomes na tumba precisa ser levada a sério, pois pode tratar-se de uma família do Novo Testamento.

Neste ponto, Jacobovici, sempre alerta, diz que é preciso descobrir mais evidências. Então é preciso localizar a tumba em Talpiot, que ficou debaixo dos blocos de apartamentos. Devem ser cruzados os dados do IAA com a análise das plantas dos apartamentos de Talpiot, sabendo, inclusive, que, em 1980, duas tumbas foram encontradas e uma não foi explorada. Como chegar a uma tumba que está debaixo dos edifícios? Através de uma câmera robótica que vai ser descida pelos canos ali existentes. Que canos? Ora, os rabinos ortodoxos pedem, ao ser localizada uma tumba que será bloqueada por construções, que seja colocado um cano que vá até ela, mantendo uma passagem livre para os espíritos das pessoas ali enterradas.

3. Busca da tumba e o ossuário de Caifás
O segmento apresenta a tentativa de introdução de uma câmera operada por controle remoto através do cano que leva à tumba. O operador é Bill Tarant, perito em câmera robótica. Mas a tentativa falha, pois o cano está obstruído por entulho. Sugere-se, então, chamar um encanador para a desobstrução da passagem. Enquanto isso, Tabor argumenta: se acharam a tumba de Caifás por acaso, em 1990, por que não a de Jesus? O ossuário de Caifás é, em seguida, apresentado. Ele serve de alavanca para Jacobovici desafiar David Mevorah, Curador do Museu de Israel, que, cético, se recusa a acreditar na descoberta da tumba de Jesus. Ele argumenta que o nome "Caifás" em ossuário ornamentado e também a inscrição "José, filho de Caifás" não são descobertas comuns como os nomes da tumba de Talpiot. Mas Jacobovici também argumenta que o nome Joset, de Talpiot, só foi encontrado ali. De qualquer maneira, o documentário conclui que parece haver duplo critério por parte do Curador: Caifás, sim; Talpiot, não. Qual é a razão? Por que aceitam descobertas como autênticas, desde que não se mexa com Jesus?

4. Maria Madalena
O quarto segmento trata do quinto ossuário, onde se lê "Mara" e "Mariamne". Ora, estamos falando de Maria Madalena ou Maria de Magdala, que tem um irmão chamado Filipe. Por que o nome está em grego, o único nome em grego na tumba de Talpiot? Porque em Magdala se falava, além do aramaico, o grego. O documentário explica que Maria Madalena não deve ser confundida nem com a mulher adúltera de Jo 8,1-11 e nem com a pecadora de Lc 7,36-50, como muitas pessoas costumam fazer. Especialistas falam e se dizem surpresos e/ou curiosos com um possível encontro de Madalena em ossuário da tumba de Talpiot. Então fala o matemático Andrey Feuerverger sobre as chances de ser esta a tumba da família de Jesus, se Mariamne for mesmo Maria Madalena.

Também se explica o papel de Madalena no século I: ela foi importante, missionária, ordenada, sendo, porém, suprimida por uma Igreja dominada por homens, assim como foram rejeitados dois textos importantes: O Evangelho de Maria Madalena e Os Atos de Filipe.

5. Mariamne, Madalena e os Atos de Filipe
Relata-se aqui que em um antigo mosteiro do monte Athos, na Grécia, foi descoberto o livro Os Atos de Filipe. E aparece no documentário François Bovon, explicando que Mariamne é o nome de Maria Madalena nos Atos de Filipe. Assim o documentário continua a explicar quem foi Madalena: missionária, apóstolo, pregadora, forte, fiel, íntima de Jesus. Isto legitima o seu título como "Mara", que em aramaico significa "Mestra".

Mas, não há uma tradição de que Maria Madalena foi para a França após a morte de Jesus? Não nos Atos de Filipe, escrito do século IV. Ela teria morrido em Jerusalém e sepultada ali. Deste modo, estariam Madalena e Jesus na mesma tumba? O que isso significa?

Por fim, o encanador desobstruiu o cano e a câmera chegou à tumba, com uma enorme surpresa: ossuários são vistos, esta é a tumba errada, é a segunda tumba, a tumba que não foi explorada. Portanto, a tumba dos ossuários da família de Jesus fica 20 metros dali, ao sul.

Mas esta tumba está em um contexto e Jacobovici vai visitar a rede de tumbas dos primeiros discípulos de Jesus descoberta pelos franciscanos em Dominus Flevit na década de 50. Ora, foi ali que se encontrou um ossuário com o nome de Simão bar Jonah, que seria o ossuário de Simão Pedro. Mas ele não morreu e foi sepultado em Roma, segundo a tradição? Sim, mas em Roma nada foi encontrado, enquanto que em Jerusalém há este ossuário... Jacobovici descobre emocionado, bem ali, no cemitério dos discípulos de Jesus, o símbolo que está na fachada da tumba de Talpiot, um ^ (um v invertido, como uma divisa militar) com um círculo em relevo dentro dele.

6. DNA
Mas nos ossuários de Jesus e Mariamne não haveria amostras de DNA? Entram em cena Stephen Pfann e Steven Cox, que recolhem amostras destes dois ossuários, junto com amostras aleatórias, levando tudo para o Canadá, para análise. Carney Matheson, ao analisar as amostras não consegue material suficiente para uma análise de DNA nuclear, mas sim para o DNA mitocondrial que apenas revela se duas ou mais pessoas são filhos da mesma mãe. E acontece o grande achado científico: o DNA mitocondrial revela que as duas pessoas não eram irmãos. Há polimorfismos nas duas seqüências: eles não têm a mesma mãe. Logo, se estão na mesma tumba, podem ser marido e mulher. Se Jesus e Madalena eram marido e mulher, especula o documentário, por que esta união foi mantida em segredo? Certamente para ocultar uma dinastia, conclui, pois sendo Jesus alguém que lutava contra a ordem constituída, descendentes seus certamente seriam mortos. E aqui o filme apresenta cenas - com atores - do cotidiano de casados de Jesus e Madalena.

7. Descoberta a verdadeira tumba
Antigo construtor é consultado, descobre-se uma laje suspeita, e no momento exato em que se especula se seria ali, chega uma moradora dos apartamentos de Talpiot, uma mulher cega, que confirma ser ali mesmo a entrada da tumba. É feita a retirada da laje: a tumba verdadeira aparece. Jacobovici desce: emoção.

8. O décimo ossuário está desaparecido: pode ser o Ossuário de Tiago?
Reabertura da tumba 26 anos após a sua descoberta. Grande achado. Mas não é que um dos ossuários de Talpiot desapareceu? Isto está registrado pelo IAA, que encontrou 10 ossuários na tumba, mas só possui 9 em seu acervo. Roubado? Por quem? Porém, em outubro de 2002 veio a público o Ossuário de Tiago, propriedade do israelense Oded Golan. Que é entrevistado e explica, mais uma vez, porque demorou tanto para perceber a importância deste ossuário.

Tiago, Filho de José, Irmão de Jesus: esta é a inscrição no ossuário. Então o documentário fala sobre Tiago, irmão de Jesus: líder do movimento de Jesus em Jerusalém após a sua crucifixão, Tiago foi tão importante que mereceu do historiador judeu Flávio Josefo mais atenção do que o próprio Jesus e acabou apedrejado por ordem de Anás. Explica Tabor que a inscrição "irmão de Jesus" pode ter sido acrescentada por fraudadores, como defendem muitos especialistas, mas que isto não muda nada. O ossuário é autêntico, assim como a primeira parte da inscrição, e o exame da pátina - depósito de materiais que se forma na superfície de objetos antigos - dirá se ele veio da tumba da Talpiot.

Entra em cena o arqueólogo Charles Pellegrino, que recolhe a pátina para exame. E Feuerverger reforça: se o Ossuário de Tiago for o desaparecido de Talpiot, isto tem um forte valor comprobatório. Fato extraordinário, ainda diz Feuerverger.

9. A pátina combina: o ossuário desaparecido é o Ossuário de Tiago
No Laboratório Criminal de Suffolk, dirigido por Robert E. Genna, nos USA, especialistas forenses analisam amostras de pátina dos ossuários com sofisticados aparelhos eletrônicos. E descobrem que a pátina dos ossuários de Mariamne e de Tiago combinam, mas as amostras aleatórias enviadas para o laboratório não. Logo, o Ossuário de Tiago é o décimo ossuário de Talpiot, o ossuário desaparecido, aumentando assim a probabilidade de ser esta a tumba da família de Nazaré. O narrador explica que "essa é uma evidência fundamental de que o Ossuário de Tiago vem de Talpiot".

Enquanto isto, o documentário mostra Jacobovici e equipe na tumba. Descobrem que o chão está cheio de páginas das Escrituras em decomposição, ou seja, a tumba teria sido transformada em genizá - depósito de velhos manuscritos - por ocasião de sua abertura em 1980. Jacobovici toma um manuscrito do livro de Jonas e explica que este livro é o código para se entender Jesus. O documentário informa que os evangelhos registram que Jesus falava sempre usando parábolas e códigos, coisa natural para quem luta contra o governo. E que, quando questionado sobre o que iria fazer, disse: leiam o livro de Jonas e vocês saberão.

10. Judá, filho de Jesus e Madalena
Finalmente é examinado um ossuário de uma criança e que contém a inscrição Yehuda bar Yeshua, Judá, filho de Jesus. O filho de Jesus e Madalena? Embora o Novo Testamento nada diga sobre um filho de Jesus, isto pode ter sido mantido em segredo para ocultar, dos romanos, a sua linhagem, pois era forte a perseguição na época. E o discípulo amado de Jo 19,25-27 que estava com sua mãe ao pé da cruz e a quem Jesus se dirige pouco antes de morrer? Não seria a mulher Maria Madalena e o discípulo que Jesus amava, seu filho? Isto é representado com atores no documentário.

Mas ter uma criança na tumba de Talpiot talvez estrague tudo, talvez não seja a tumba da família de Jesus de Nazaré... Mas se não for a tumba de Jesus, temos de admitir uma enorme coincidência com tantos nomes da família todos reunidos...

Vozes são ouvidas: é o IAA que comparece, expulsa Jacobovici e equipe da tumba e exige que a lacrem. Que fechem a tumba "da família de Jesus". O que é feito, pois o IAA não autorizara a entrada de ninguém lá. E o documentário termina perguntando: "Quem sabe que segredos ainda existem lá dentro e quanto tempo permanecerão ocultos sob os apartamentos de Talpiot?"

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Segunda-feira, Março 19, 2007

O Sepulcro Esquecido de Jesus: aguarde a resenha

Estou preparando uma resenha do documentário O Sepulcro Esquecido de Jesus. Deverá ficar pronta ainda hoje e será publicada neste biblioblog até o final do dia. Aguarde.

Embora não seja minha especialidade - pois trabalho com Bíblia Hebraica -, tentarei fazer uma descrição do filme, dos personagens envolvidos e algumas observações críticas sobre o significado de todo esse episódio.

Enquanto isso, veja os horários de apresentação do documentário na TV. Tem duas horas de duração, seguido por um debate de uma hora. Foi programado para os seguintes horários, segundo o Discovery Channel:
  • domingo, dia 18: 20h00
  • segunda, dia 19: 00h00, 6h00 e 13h00
  • quarta, dia 21: 00h00 e 22h00
  • quinta, dia 22: 01h00 e 6h00
  • sábado, dia 24: 20h00
  • domingo, dia 25: 10h00
  • segunda, dia 26: 04h00
São, portanto, 11 apresentações ao longo de 7 dias.

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Domingo, Março 18, 2007

Jon Sobrino

Adital - 23/11/2005
Carta a Ignacio Ellacuría
Jon Sobrino

Adital - 27/10/2006
Carta a Ellacuría
Jon Sobrino

Congregação para a Doutrina da Fé
Notificação sobre as obras do P. Jon SOBRINO S.I.:
Jesucristo liberador. Lectura histórico-teológica de Jesús de Nazaret (Madrid, 1991) e
La fe en Jesucristo. Ensayo desde las víctimas (San Salvador, 1999).
(...)
O Sumo Pontífice Bento XVI, na Audiência concedida a 13 de Outubro de 2006 ao abaixo assinado Cardeal Prefeito, aprovou a presente Notificação, decidida na Sessão Ordinária do Dicastério, mandando que seja publicada.
Dado em Roma, na sede da Congregação para a Doutrina da Fé, a 26 de Novembro de 2006, Festa de N. S. Jesus Cristo, Rei do Universo.
William Cardeal Levada
Prefeito
Angelo Amato, sdb
Arcebispo titular de Sila
Secretário

Obras notificadas (original espanhol e tradução em português):
SOBRINO, J. Jesucristo liberador. Lectura histórico-teológica de Jesús. 4. ed. Madrid: Trotta, [1991] 2001, 352 p. ISBN 978-84-87699-20-7
SOBRINO, J. La fe en Jesucristo. Ensayo desde las víctimas. Madrid: Trotta, 1999, 512 p. ISBN 978-84-8164-268-1

SOBRINO, J. Jesus, o Libertador. I - A História de Jesus de Nazaré. Petrópolis: Vozes, 1994, 392 p. ISBN 85-326-0980-5
SOBRINO, J. A Fé em Jesus Cristo: ensaio a partir das vítimas. Petrópolis: Vozes, 2001, 512 p. ISBN 8-5326-2394-8

Adital - 23/01/2007
Em Nairobi, o II Fórum Mundial de Teologia e Libertação
Mauro Castagnaro

Adital - 13/03/2007
A ‘Penitência Perpétua’ imposta a Jon Sobrino
Eduardo Hoonaert

Adital - 13/03/2007
Somos todos pecadores
Marcelo Barros

Adital - 14/03/2007
Homenagem a Jon Sobrino e a François Houtart

Adital - 14/03/2007
O que está por trás da condenação de Jon Sobrino?
Jung Mo Sung

BBC Brasil - 14/03/2007
Papa dá 'puxão de orelha' em teólogos da libertação, avaliam vaticanistas
Valquíria Rey, de Roma

Instituto Humanitas Unisinos - 16/3/2007
Jon Sobrino diz que não vai rever suas idéias

Adital - 16/03/2007
Sombras da Inquisição
Frei Betto

Adital - 16/03/2007
Sobre a condenação do teólogo JON SOBRINO
Roberto Zwetsch

Adital - 16/03/2007
Campanha de apoio a Jon Sobrino


Visite também:
Revista Electrónica Latinoamericana de Teología - RELAT
Universidad Centroamericana "José Simeón Cañas" - UCA
UCA: Nuestros Mártires


Outras leituras:
Cristología latinoamericana: Bibliografía (1968-2000)
Jorge Costadoat
GALARRAGA, A. M. F. A teologia da ressurreição em Jon Sobrino. Porto Alegre: PUCRS, 2005.

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Sábado, Março 17, 2007

The 4th Anniversary of Iraq War

4 Years Far Too Many - 1,000+ Actions for PEACE!

BBC News: Special Reports - The Struggle for Iraq

Folha Online: Especial - Guerra no Iraque

Manifestantes protestam em todo o mundo pelo fim da guerra no Iraque

Milhares em Washington pedem fim da guerra

Protesters march against Iraq war

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Visite a Adital

O que é Adital

>>> Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

>> É uma agência de notícias que nasceu para levar a agenda social latino-americana e caribenha à mídia internacional
>> Quer estimular um jornalismo de cunho ético e social
>> Quer favorecer a integração e a solidariedade entre os povos
>> Desvenda para o mundo a dignidade dos que constroem cidadania
>> Dá visibilidade às ações libertadoras que o Deus da Vida faz brotar nos meios populares
>> Faz conhecer o protagonismo dos atores sociais que são nossas fontes de informação e são democratizadores da comunicação.

>>> Ao escolher o nome de Frei Tito de Alencar Lima, morto em 1974, vítima da ditadura militar implantada no Brasil em 1964, fazemos uma homenagem a todas as pessoas que lutam em defesa da vida e da dignidade humana.

Como nasceu
>> Em dezembro de 1999, três entidades italianas - a Fundação Rispetto e Paritá, a Agência de Notícias Adista, a Rede Radiè Resch -, apresentaram ao Frei Betto a proposta de organizar uma agência de notícias que divulgasse para o mundo a vida e os processos sociais da América Latina e do Caribe. Em 2000, uma equipe começou a estruturar ADITAL, na cidade de Fortaleza, no nordeste brasileiro. Até 2002 contamos com o apoio da: Missionscentral der Franciscaner (Alemanha), ADVENIAT (Alemanha), a Rede "Radiè Resch" (Alemanha), e do Governo do Departamento de Bolzano (Itália). E até 2004 recebemos a colaboração da Fundação "Rispetto e Paritá" (Itália).

>> Hoje são mais de 1.000 ONGs, organizações populares, centros universitários, igrejas e movimentos sociais da América Latina e Caribe que nos enviam, diariamente, suas informações. Estes, junto a duas dezenas de repórteres e mais de quarenta colunistas, constituem o nosso diferencial.

>> A produção de notícias da ADITAL destina-se aos jornalistas da mídia mundial (escrita, radial, televisiva, on-line) e a todos os setores da sociedade civil no mundo.

>> Em português e espanhol.

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The Lost Tomb of Jesus no Google

Este é apenas um exercício de curiosidade, sem maior precisão, pois tais buscas variam muito - às vezes, ao longo de um mesmo dia - e muito "lixo" acaba sendo contabilizado, embora todas as frases tenham sido colocadas entre aspas para evitar a ocorrência das palavras isoladamente.

As buscas foram feitas no Google Brasil, utilizando-se a barra do Google no IE7, em 4 de março de 2007, por volta das 21h00, e em 17 de março, por volta das 12h30, horário de Brasília.

Como me parece óbvio, não preciso explicar que o primeiro resultado é de 4 de março e o segundo após o / é de 17 de março...

>> Em toda a web:
  • Lost Tomb of Jesus: 484.000 ocorrências/874.000 ocorrências
  • Talpiot tomb: 31.800 ocorrências/62.000 ocorrências
  • Tumba perdida de Jesus: 16.100 ocorrências/75.000 ocorrências
  • Túmulo perdido de Jesus: 9.120 ocorrências/652 ocorrências
  • Tumba da família de Jesus: 235 ocorrências/220 ocorrências
  • Túmulo da família de Jesus: 24 ocorrências/46 ocorrências
  • Túmulo de Talpiot: 20 ocorrências/59 ocorrências.
>> Páginas em português:
  • Túmulo perdido de Jesus: 989 ocorrências/318 ocorrências
  • Lost Tomb of Jesus: 245 ocorrências/423 ocorrências
  • Tumba perdida de Jesus: 243 ocorrências/214 ocorrências
  • Tumba da família de Jesus: 233 ocorrências/207 ocorrências
  • Túmulo da família de Jesus: 24 ocorrências/46 ocorrências
  • Túmulo de Talpiot: 20 ocorrências/44 ocorrências
  • Talpiot tomb: 14 ocorrências/78 ocorrências.

Observação:
A imprecisão da busca pode ser maior do que pensei inicialmente. É que nas frases em português como "Tumba perdida de Jesus" aparecem alguns resultados também em espanhol...

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O Sepulcro Esquecido de Jesus: no Discovery, amanhã

Já que o documentário O Sepulcro Esquecido de Jesus será apresentado aqui amanhã, dia 18 de março, às 20h00, no Discovery Channel, uma boa atualização das discussões sobre estória tão controvertida seria oportuna.

Não acredito que este caso possa ter grandes repercussões no Brasil, mas arrisco um palpite: muita gente vai consumir o produto sem se preocupar com a qualidade, como um Ossuário de Tiago, um Código Da Vinci, a Gruta de João Batista e quejandos, como se dizia antigamente. Ou vai recusar o pacote sem procurar saber porque ele está sendo entregue.

Nos dois casos, a ausência de uma abordagem consciente e crítica é preocupante.


Confira os muitos recursos disponíveis nos biblioblogs, a partir de:

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Quarta-feira, Março 14, 2007

Continua o debate sobre a tumba de Talpiot

Lendo o biblioblog de Mark Goodacre, NT Gateway Weblog, pode-se ficar informado sobre o prosseguimento do debate sobre a tumba de Talpiot.

Confira: Talpiot Tomb Various e Mariamene and Martha, Stephen Pfann.

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Terça-feira, Março 13, 2007

Recursos online sobre o conflito Israel-Palestinos

Visitando hoje o biblioblog Crossings, de Bruce Fisk, Professor de Novo Testamento no Departamento de Estudos Religiosos do Westmont College em Santa Barbara, Califórnia, encontrei um link que me chamou a atenção.

Trata-se de uma página cheia de recursos existentes na Internet sobre o conflito Israel-Palestinos, material organizado pelas bibliotecas da Universidade Duke, Durham, Carolina do Norte:



Há links para todo tipo de recurso: diretórios de links, blogs do Líbano e de Israel, organizações internacionais que lidam com o conflito, imprensa, agências governamentais e grupos políticos de Israel e da Autoridade Palestina, agências de direitos humanos, grande variedade de mapas...

Como diz o site, os links conduzem a informações sobre os dois povos, com o objetivo de apresentar suas atividades, opiniões e perspectivas a partir de três pontos de vista: palestino, israelense e observadores do resto do mundo.

Israeli-Palestinian Conflict Internet Resources: this site provides links to information about both peoples, with the aim of presenting the range of activities, opinions, and perspectives that exist among Palestinians, Israelis as well as concerned observers worldwide.

Coloquei o endereço em minha página sobre a Crise no Oriente Médio.

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Oriente Médio

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Segunda-feira, Março 12, 2007

Apenas um pensamento que me azucrina

No meu entender, a sacralização do cotidiano, antigo ou atual, sempre encontrou na Bíblia uma ferramenta eficaz, enquanto esta possibilita a leitura do real como subjetividade, espaço no qual a ação humana é reduzida à vivência intensa da emoção e do entusiasmo, constituindo a realidade total, até acabar assumindo o rótulo de história objetiva, momento em que perde seu fervor querigmático e se acomoda.

O mundo bíblico e o mundo atual se entrelaçam de tal maneira que o ressentimento pode ser legitimado, desde que seja lido como indignação moral, ao mesmo tempo em que vivências primitivas são literalmente recriadas, apresentando-se como panacéias para os malefícios da racionalidade ocidental.

Esse mecanismo social permite ao intelectual, entre outras coisas, desobrigar-se de um compromisso social efetivo, reduzindo os problemas do mundo a problemas morais...

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Ribla: a Africa no imaginario israelita e cristão

O mais recente fascículo da RIBLA, o 54, que é o segundo de 2006, tem como tema as Raízes Afro-Asiáticas no Mundo Bíblico. A revista traz 8 artigos e 3 resenhas em suas 136 páginas. Chegou na semana passada.

No editorial deste número da Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana, escreve Maricel Mena López, na p. 5, que
O presente número visa ampliar o horizonte de compreensão do Oriente Médio Antigo, a partir da inclusão de povos de origem afro-asiática (Egito, Cuch ou Etiópia, Sabá) na constituição da tradição judaico-cristã. Deste modo queremos resgatar os textos bíblicos da sua unilateral interpretação ocidental, que negligenciou a participação ativa da África no imaginário israelita e cristão. Partimos (...) da constatação de que há uma participação ativa e constante do mundo africano nas experiências antropológicas do Israel bíblico e pós-bíblico. Quando se vê a história do povo de Israel e de Judá a partir de óticas ocidentais, deixa-se de considerar a África como uma das perspectivas culturais e religiosas para a compreensão da Palestina.

Tal desafio lançado pelas autoras e autores de RIBLA, converte-se também em desafio para o leitor: verificar se os artigos conseguem, de fato, a quebra de paradigmas nos estudos bíblico-exegéticos que vigorou durante muito tempo em nome da 'cientificidade acadêmica' supostamente neutra que priorizou textos e culturas do mundo semita ocidental (Maricel Mena López, Editorial, p. 5).

Neste número assinam os artigos Nancy Cardoso Pereira (Porto Alegre, Brasil), Maricel Mena López (Bogotá, Colômbia), María Cristina Ventura Campusano (San José, Costa Rica), Sandro Gallazzi (Macapá, Brasil), Clemildo Anacleto da Silva (Porto Alegre, Brasil), José Luiz Izidoro (Iguape, Brasil) e Diana Rocco Tedesco (Buenos Aires, Argentina). As 3 resenhas foram escritas por Jorge Pixley, Maricel Mena López e Diego Agudelo.

Como ainda não li o texto todo, só o editorial e o primeiro artigo, nada posso opinar sobre o resultado de tão grande desafio.

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Domingo, Março 11, 2007

Free Classic Greek Software

Um software gratuito, que parece valer a pena fazer o download: Kalós.

O software, na versão 4.0.7, tem pouco mais de 28 MB. O endereço para contatos aponta para Atlanta, GA, USA. Há ajuda e tutorial sobre o funcionamento do programa no site. Acabei de ver a indicação na lista de discussão B-Greek, dada por Jonathan Robie, que é do ramo.

Diz o site Kalós:
Kalós is a free Classic Greek Dictionary, trilingual, with definitions in English, French and Spanish. It contains approximately 25,000 entries... Kalós also includes New Testament and koiné vocabulary, including biblical names, which makes it a very useful resource for religion and theology scholars [sublinhado meu]... Kalós includes morphological analysis, and produces beautiful tables and charts with the inflections of any word... The charts can be printed and exported to most popular document formats, including Microsoft Excel and Adobe .pdf... Kalós works on Windows 2000, XP, Vista, and on any version of Mac OS X. Date released: 12.01.2006.

Se você precisa de mais recursos para o estudo do grego bíblico, veja meus links para várias páginas aqui. Além, é claro, do curso de grego de minha página.

Ora, se você é alguém interessado no mundo grego, vai gostar deste site que David Meadows recomenda na Explorator de hoje: 300 Spartan Warriors.

E quem é que nunca ouviu falar do filme Os 300 de Esparta, que está chegando por aí em nova versão?

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Jim West resenha especial sobre DSS

Jim West vai resenhar o especial sobre os Manuscritos do Mar Morto, que será apresentado hoje na TV. Nos USA.

Fique atento.


Atualizando: 12/03/2007 - 11h00

Jim West resenhou ontem o especial sobre os Manuscritos do Mar Morto e fez uma avaliação positiva.

Nada viu de novo, só o já conhecido, mas a discussão dos especialistas, com suas várias propostas sobre a origem e o significado dos Manuscritos e de Qumran, parece ter sido interessante.

Jim recomenda o especial - que sairá em DVD ou talvez passe no National Geographic daqui - para estudantes ou leigos no assunto que estão interessados em uma introdução básica, mas honesta, aos Manuscritos do Mar Morto.

Sua conclusão:
Over all it was a good presentation. The theories of Baigent and Feather were utilized, I think, to offer a different perspective. It was made perfectly clear that both of them were minority voices which had little to no support in the wider scholarly community. Nothing new was disclosed here - but the presentation would certainly be very useful for beginning students or interested lay people who were desirous of a basic introduction to study of the scrolls.

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SBL publica livro sobre os Manuscritos do Mar Morto

A SBL - Society of Biblical Literature - publicou um pequeno livro sobre os Manuscritos do Mar Morto. Os textos, anteriormente publicados em revistas, são de vários autores e vêm acompanhados de mais de 90 fotografias coloridas, o que deve tornar o livrinho de apenas 96 páginas bem interessante para um primeiro contato com a mais importante descoberta de manuscritos feita na Palestina.


VV.AA.The Dead Sea Scrolls. SBL: Atlanta, GA, 2007, 96 p. ISBN 978-1-58983270-1




O livro
...this book provides readers with a full historical and photographic account of the Dead Sea Scrolls, from their initial discovery in 1947 to their recent publication and ongoing interpretation. Within the pages of this full-color volume, which includes over 90 photos, readers will learn not only how the Dead Sea Scrolls were found but also why many scholars believe that other scrolls still await discovery. In addition to becoming acquainted with the Scrolls and the ancient group who originally wrote them, readers will find out why the Dead Sea Scrolls continue to be significant for the Jewish and Christian religions today.

Autores e textos
  • Harry Thomas Frank, "How the Dead Sea Scrolls Were Found"
  • Baruch Safrai, "More Scrolls Lie Buried! Recollections from Years Gone By"
  • Frank Moore Cross, "The Dead Sea Scrolls and the People Who Wrote Them"
  • Emanuel Tov, "Publishing the Scrolls: Reflections on Thirty Years of Scholarly Work"
  • Sidnie White Crawford, "The Fluid Bible: The Blurry Line between Biblical and Nonbiblical Texts"
  • James C. VanderKam,"The Scrolls and Early Christianity: How They Are Related and What They Share"
  • Lawrence H. Schiffman, "Significance of the Scrolls: A New Perspective on the Texts from the Qumran Caves"

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Sábado, Março 10, 2007

Biblical Studies Carnival no SBL Forum

Na última edição do SBL Forum, a de março de 2007, Tyler Williams, do biblioblog Codex, explica de maneira clara e didática o que é a instituição do Biblical Studies Carnival.

E há links para todos os carnavais sobre estudos bíblicos que foram feitos até agora.

Leia Welcome to the Biblical Studies Carnival.

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Quinta-feira, Março 08, 2007

Bush no Brasil

Bush chega tarde e com pouco à América Latina - Caio Blinder, na BBC Brasil, 08/03/2007
...O atual presidente americano é muito impopular na América Latina. Ele não deverá ser tratado efusivamente pelas multidões...

Entidades rechaçam modelo de produção com base no agronegócio - Natália Suzuki, na Agência Carta Maior, 07/03/2007

Protestos contra Bush unificam leque amplo de organizações - Verena Glass, na Agência Carta Maior, 06/03/2007

Relações Brasil-EUA - Especial da BBC Brasil


Atualização: 10/03/2007 - 11h56

A queimada de cana e seu impacto sócioambiental - Manoel Eduardo Tavares Ferreira, na Adital, 07/03/2007
O uso do fogo na agricultura é condenado há mais de um século pelos manuais de conservação do solo e edafologia, pelas conseqüências negativas por ele provocadas na produtividade da terra (...) Com a febre da monocultura da cana, a prática das queimadas passou a ser rotineira.

Bush não é bem-vindo no Brasil - Verena Glass e Bia Barbosa, na Agência Carta Maior, 08/03/2007
Enquanto o Air Force One e outros seis aviões sobrevoavam a América Latina rumo ao Brasil, trazendo a bordo George Bush e sua comitiva, todas as críticas ao presidente dos EUA se concentraram em um caldo grosso de revolta, repúdio e desafio que entornou na Avenida Paulista e sacudiu as paredes do centro financeiro do país com uma mensagem clara: Bush não é bem-vindo no país.

O que Bush vem fazer no Brasil? - Bernardo Kucinski, na Agência Carta Maior, 08/03/2007
Onze razões para não confiar no dirigente americano.

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Quarta-feira, Março 07, 2007

Especial sobre os Manuscritos do Mar Morto na TV

No dia 7 de fevereiro de 2007 anotei em meu blog que a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto está fazendo 60 anos. Agora leio que o canal de TV National Geographic vai fazer um especial (nos USA, no dia 11 próximo) sobre o impacto desta descoberta nos dias atuais e como, 60 anos depois, os Manuscritos do Mar Morto ainda continuam oferecendo novos e valiosos elementos para a compreensão do mundo da Palestina do século I d.C., mundo no qual Jesus viveu.

O especial de uma hora vai entrevistar especialistas e curadores dos Manuscritos que têm feito extraordinários esforços para preservar estes valiosos textos e vai mostrar como os cientistas usam os mais avançados recursos de leitura como o digital infrared imaging (tecnologia computadorizada de obtenção de imagens em infravermelho feita por sensores desenvolvidos pela NASA para estudar objetos a partir do espaço) para decifrar os milhares de fragmentos recuperados desde 1947 nas Grutas de Qumran.

Entre os especialistas que participam deste especial estão nomes de destaque na área, como se pode ver abaixo, com sublinhado meu, na notícia, em inglês, que li no Religion News Service, quando dela tomei conhecimento através do biblioblog de Jim West.

Coincidência ou não, explicando os rudimentos da crítica textual para os alunos do Primeiro Ano de Teologia do CEARP na manhã de hoje, falávamos da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, de sua importância para os estudos bíblicos e dos recursos computadorizados que vêm sendo utilizados em sua leitura desde a década de 90.

Para ler meu artigo sobre os Manuscritos do Mar Morto, clique aqui.

Obs.: não vi indicação alguma, por enquanto, de que este especial será apresentado, algum dia, no National Geographic Channel aqui.

National Geographic Channel - Sunday, March 11, at 9 p.m.

Decoding the Dead Sea Scrolls
Comprised of more than 900 manuscripts and tens of thousands of brittle fragments, the Dead Sea Scrolls are the oldest known collection of biblical texts, which contain not only representations of the Jewish and Christian Bibles, but also unknown psalms, random apocalyptic musings and even a treasure map. Interestingly, they also include information on the rituals and tenets of a mysterious monastic sect that many scholars believe authored the Scrolls. The special examines the modern-day impact of these ancient treasures, and how 60 years after their discovery, they are still revealing new clues and shedding new light on the world into which Jesus Christ was born. Join NGC as we trace the steps of their discovery by Bedouins in 1947 in Judean desert caves just as the country of Israel was fighting for recognition and survival; through the illegal buying and selling of fragments on the black market; and eventually to the museum in Jerusalem where they remain today. Featuring interviews with renowned scientists and conservators, this one-hour special also examines the extraordinary efforts being made to preserve these priceless writings before they disintegrate and their secrets disappear forever. In particular, one scientific team is using the latest infrared and computer imaging technology to literally spell out this 2,000-year-old mystery one letter at a time. Experts featured in The Dead Sea Scrolls include Michael Baigent, author and commentator on ancient religions; Dr. Eric H. Cline, archaeologist, George Washington University (Washington, D.C.); Hanan Eshel, archaeologist, bar Ilan University (Israel); Robert Feather, metallurgist and religion scholar; Katharina Galor, archaeologist, Brown University (Rhode Island); Dr. Oren Gutfeld, archaeologist, Hebrew University of Jerusalem; Jodi Magness, archaeologist, University of North Carolina at Chapel Hill; Yuval Peleg, archaeologist; Stephan Pfann, president, University of the Holy Land of Jerusalem; Adolpho Roitman, curator, The Shrine of the Book, The Israel Museum (Jerusalem); Pnina Shor, archaeologist, Israel antiquities authority; Emanuel Tov, editor-in-chief, Dead Sea Scrolls Publication Project; and Dr. Bruce Zuckerman, director of the West Semitic Research Project and the Hebrew Bible, University of Southern California at Los Angeles.

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Terça-feira, Março 06, 2007

Cinismo tambem devia ter limites

Pois é, leia você mesmo e avalie:

EUA criticam Iraque e Afeganistão por ferirem direitos humanos (Folha Online: 06/03/2007 - 18h40)

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Segunda-feira, Março 05, 2007

Morreu Dom Ivo Lorscheiter

Faleceu hoje Dom José Ivo Lorscheiter (CNBB)

Aos 79 anos, morre dom Ivo Lorscheiter, ex-presidente da CNBB (Folha Online)

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A leitura de blogs em dez paises

BBC Brasil: 05 de março, 2007 - 17h33 GMT

Japoneses são os que mais lêem blogs, diz pesquisa
Cerca de três em cada quatro internautas japonses têm o costume de ler blogs e fazem isso com uma freqüência média de cinco vezes por semana, de acordo com uma pesquisa realizada pela multinacional de relações públicas Edelman.
O Japão é seguido no ranking, de longe, por outros dois países asiáticos: Coréia do Sul, onde 43% dos internautas dizem ler blogs; e China, onde a parcela é de 39%. Os Estados Unidos aparecem em quarto lugar, com 27% da população afirmando ler blogs. A pesquisa, que mediu hábitos de leitura de blogs em dez países, não incluiu o Brasil. O japonês, diz a pesquisa, também é o segundo idioma em quantidade de posts em blogs, com 33%, atrás apenas do inglês (39%). O chinês aparece em terceiro lugar, com 10% do número de posts na blogosfera, de acordo com dados de 2006. O estudo também foi conduzido na Grã-Bretanha, França, Itália, Polônia, Alemanha e Bélgica (...) Segundo o levantamento, os leitores de blogs são em sua maioria jovens e do sexo masculino. Isso só não ocorre no Japão e na Polônia, onde as mulheres são maioria entre os leitores. Em todos os países pesquisados, o percentual de "formadores de opinião" que lêem blogs é maior do que o do total da população. Em média, diz a pesquisa, dois em cada dez leitores de blogs tomaram algum tipo de atitude como resultado da leitura (cont.)

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Etanol, desmatamento e aquecimento global

BBC Brasil: 05/03/2007 - 07h10

Etanol não é solução para aquecimento global, diz jornal
O diário britânico The Independent questiona em sua reportagem de capa e em seu editorial desta segunda-feira as vantagens do etanol, alertando para os possíveis problemas ambientais causados pelo aumento na produção do combustível e afirmando que a substituição do petróleo pelo álcool não é a solução para combater o aquecimento global. O jornal afirma que a visita do presidente George W. Bush ao Brasil nesta semana e a perspectiva da criação de uma “Opep do etanol”, nos moldes do cartel dos produtores de petróleo, “vem atraindo frenéticos investimentos em biocombustíveis nas Américas”. A reportagem observa que “para seus defensores, o etanol, que pode ser produzido a partir de milho, cevada, trigo, cana-de-açúcar ou beterraba, é uma panacéia verde – uma fonte de energia renovável e limpa, que nos veria trocar poços de petróleo decadentes por plantações sem limite para satisfazer nossas necessidades de energia”. Mas o Independent observa que um crescente número de economistas, cientistas e ambientalistas vêm alertando para os problemas que o crescimento acelerado na produção de etanol pode provocar. “A perspectiva de um aumento súbito na demanda por etanol está provocando preocupações sérias até mesmo no Brasil”, diz o jornal. “A indústria do etanol tem sido ligada à poluição do ar e da água em escala épica, além do desmatamento tanto na Amazônia como nas florestas tropicais atlânticas e à destruição do cerrado brasileiro.” (cont.)

The Big Green Fuel Lie
George Bush says that ethanol will save the world. But there is evidence that biofuels may bring new problems for the planet.

Leia em The Independent, o artigo de Daniel Howden, publicado hoje.

Também: A switch to biofuels will not save the planet.

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O Sepulcro Esquecido de Jesus: The Day After

Discovery Channel: O Sepulcro Esquecido de Jesus
Página do filme, em português, que será apresentado no Brasil no dia 18 de março às 20h00 no Discovery Channel. No site podem ser lidas as biografias de alguns dos envolvidos no filme. Acho que vivem entre a realidade e a ficção, em termos de investigação e documentação... mas que são "mestres marqueteiros", ah, isso eles são. E premiados! Se duvidar, é gente capaz de achar (e filmar) a Atlântida e a Arca de Noé... com toda a fauna presente!

The Lost Tomb of Jesus Documentary: Live Blog - Mark Goodacre em NT Gateway Weblog
Minha previsão é que [o filme] continuará a ser debatido durante uns dois dias após esta apresentação, mas logo o interesse por ele desaparecerá.

“The Lost Tomb of Jesus” - Goodacre’s Live Blog (and my own) - Chris Brady em Targuman
“The Lost Tomb of Jesus: Critical Look” - Live Blog -- Chris Brady em Targuman

The Jesus Tomb: A Critical Look - Kevin Wilson em Blue Cord
Analisa aqui o debate que se seguiu à apresentação do filme

The Tomb: My Review - Jim West em Dr Jim West [Obs.: blog falecido, link sepultado: 22.03.2008]
Se você está disposto a aceitar uma longa sequência de suposições infundadas, você poderá ser convencido pelo filme... Pessoalmente, eu exijo um pouco mais do que suposições e isto Jacobovici não pode oferecer, e, de fato, não oferece. Mais do que entretido, eu fiquei aborrecido, simplesmente porque muitas pessoas sem conhecimento adequado da área podem ser enganadas pelo filme. Não se deixe enganar pelo modo como as estatísticas são manipuladas neste filme... Neste caso, estatísticas nada provam.


Fique de olho, porque durante o dia deve vir mais por aí!

Atualizando: 18h51

The Talpiot Tomb Controversy - Chris Weimer em Thoughts on Antiquity
Assim como outros documentários no Discovery Channel (e outros canais deste tipo), [este] foi sensacionalista, cheio de pesquisa superficial e (...) desinteressante. Notei uma grande quantidade de problemas, muitos ainda não resolvidos...

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Domingo, Março 04, 2007

Jim West resenha A Tumba de Jesus

Como sempre, Jim West sai na frente: o filme está passando agora e ele já o está resenhando [Obs.: blog falecido, resenha perdida: 22.03.2008].

Também em tempo real, Mark Goodacre: The Lost Tomb of Jesus Documentary: Live Blog.

Outros?

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A Tumba de Jesus no SBL Forum

No Forum da SBL (Society of Biblical Literature) Jodi Magness analisa a estória da "Tumba da Família de Jesus" em Talpiot.

Jodi Magness é Professora de Judaísmo Antigo no Departamento de Estudos de Religião da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, USA.

O título de seu texto, no qual critica a pretensão dos "descobridores" da tumba de Jesus, é: Has the Tomb of Jesus Been Discovered?

Ela começa seu ensaio dizendo que
In a new documentary film (and related book), director Simcha Jacobovici and producer James Cameron claim to have identified the tomb of Jesus and his family in the Jerusalem suburb of Talpiyot. The tomb itself is not a new discovery; it was excavated in 1980 and published by Amos Kloner, an Israeli archaeologist. What is new is the sensational claim that this is the tomb of Jesus and his family. Although Jacobovici and Cameron are not scholars, their claim is supported by a handful of archaeologists and religious studies specialists. On the other hand, many archaeologists (including Kloner) and scholars of early Judaism and Christianity reject this claim. In this article I explain why the Talpiyot tomb cannot be the tomb of Jesus and his family.

E termina concluindo que
The identification of the Talpiyot tomb as the tomb of Jesus and his family contradicts the canonical Gospel accounts of the death and burial of Jesus and the earliest Christian traditions about Jesus. This claim is also inconsistent with all of the available information — historical and archaeological — about how Jews in the time of Jesus buried their dead, and specifically the evidence we have about poor, non-Judean families like that of Jesus. It is a sensationalistic claim without any scientific basis or support [sublinhado meu].

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Problemas nos modelos do Blogger

Blogger Status

Issue history:
2:00 PM: Many blog templates are currently broken due to an inability to load the template images from blogblog.com.

2:25 PM: Engineers are performing maintenance on a failed server. Expect return to full service rather soon.

Se você encontrar um blog meio estranho, sem todos os detalhes do modelo, com a página toda acinzentada... infelizmente é porque o Blogger ainda está com problemas! As coisas estão funcionando pela metade, por aqui. Estão tentando corrigir, é o que dizem no Blogger Status.

2:35 PM: Templates have been restored to full functionality.

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Guia para os telespectadores da estória de Talpiot

Acabei de ver agora nas listas ANE-2 e Biblical Studies que Joe Zias preparou um guia para os telespectadores do documentário do Discovery Channel The Lost Tomb of Jesus:


Aliás, Joe Zias em e-mail para a lista de discussão ANE-2, cita Byron McCane, que diz, entre outras coisas:
The publicity for the Discovery Channel documentary "The Lost Tomb of Jesus" has a disturbingly familiar ring. First came the James Ossuary; then The DaVinci Code, next the John the Baptist cave, and now the lost tomb of Jesus. The two archaeologists involved in "The Lost Tomb of Jesus," for example, already have a well-known track record for sensationalism. These programs go for the quick buck. Everything is crafted to generate interest, to make sales. The disturbing trend in recent documentaries toward profit-driven sensationalism, however, is an insult to all concerned, and especially to those of us who are scholars of these subjects. And that is why it is scholars who should bring this train of sensationalism to a stop.

Explico o começo: Toda esta publicidade em torno do documentário "The Lost Tomb of Jesus" do Discovery Channel tem um aspecto muito familiar: primeiro foi o Ossuário de Tiago, depois o Código Da Vinci, em seguida, a Gruta de João Batista e agora a Tumba Perdida de Jesus. Os dois arqueólogos envolvidos na estória, por exemplo, são conhecidos por uma visível postura sensacionalista em suas atuações... Tudo é direcionado para o comércio... É um insulto a todos, especialmente aos especialistas da área, que devem dar um basta nisso...

Como o documentário será apresentado hoje, dia 4, nos EUA, seria prudente os brasileiros irem se prevenindo, pois vem aí um tsunami de propaganda. Por isso recomendo mais leituras. Dia 18 de março a TV apresenta a coisa aqui.

Ben Witherington e outros especialistas apresentaram dez razões que mostram o absurdo da estória de uma tumba da família de Jesus em Talpiot. Se você leu algo da discussão iniciada aqui por Christopher Heard, em Higgaion, é sobre estes argumentos que ele está trabalhando. E depois dos argumentos que transcrevo abaixo (com tradução), observe, no artigo, o nome dos especialistas que conhecem de fato o assunto, entre eles Joe Zias, citado acima.

Veja Ten Reasons Why The Jesus Tomb Claim is Bogus, que são:

1. There is no DNA evidence that this is the historical Jesus of Nazareth
2. The statistical analysis is untrustworthy
3. The name "Jesus" was a popular name in the first century, appearing in 98 other tombs and on 21 other ossuaries
4. There is no historical evidence that Jesus was ever married or had a child
5. The earliest followers of Jesus never called him "Jesus, son of Joseph"
6. It is highly unlikely that Joseph, who died earlier in Galilee, was buried in Jerusalem, since the historical record connects him only to Nazareth or Bethlehem
7. The Talpiot tomb and ossuaries are such that they would have belonged to a rich family, which does not match the historical record for Jesus
8. Fourth-century church historian Eusebius makes quite clear that the body of James, the brother of Jesus, was buried alone near the temple mount and that his tomb was visited in the early centuries, making very unlikely that the Talpiot tomb was Jesus' "family tomb"
9. The two Mary ossuaries do not mention anyone from Migdal, but simply has the name Mary, one of the most common of all ancient Jewish female names
10. By all ancient accounts, the tomb of Jesus was empty, making it highly unlikely that it was moved to another tomb, decayed for one year's time, and then the bones put in an ossuary

Traduzindo para o português:

1. Não há evidência de DNA de que este seja o Jesus de Nazaré histórico
2. A análise estatística que foi efeituada não é confiável
3. O nome "Jesus" era comum no século primeiro, aparecendo em 98 outras tumbas e em 21 outros ossuários
4. Não há evidência histórica de que Jesus tenha se casado ou tido um filho
5. Os primeiros seguidores de Jesus nunca o chamaram de “Jesus, filho de José”
6. É improvável que José, que morreu mais cedo na Galiléia, tenha sido enterrado em Jerusalém, já que dados históricos o ligam apenas a Nazaré ou Belém
7. A tumba e os ossuários encontrados em Talpiot teriam pertencido a uma família rica, contrariando o que é historicamente aceito sobre Jesus
8. O historiador da Igreja Eusébio, do século IV, deixa claro que o corpo de Tiago, o irmão de Jesus, foi enterrado sozinho perto do monte do Templo e que sua tumba era visitada nos primeiros séculos, tornando bastante improvável que a tumba de Talpiot seja a "tumba da família" de Jesus
9. Os dois ossuários das duas Marias não mencionam ninguém de Migdal, mas simplesmente trazem o nome Maria, um dos mais comuns entre todos os nomes de mulheres judias da época
10. Segundo todos os relatos da antiguidade, a tumba de Jesus estava vazia, sendo improvável que ele tenha sido removido para outra tumba, ficado em decomposição durante um ano e depois seus ossos tenham sido colocados em um ossuário.

Termino a leitura, mas observo: para ser justo, os argumentos acima pedem o benefício da dúvida: nem todos são tão históricos assim. Alguns têm um forte sabor teológico!

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Sábado, Março 03, 2007

A novela da Tumba continua

Veja o Blog dos editores da Scientific American, o SciAm Observations.

O post é de ontem, dia 2 de março de 2007, e vale a pena ser lido [link desaparecido - blog mudou de nome. Observação feita em 24.02.2009]:

Says Scholar Whose Work Was Used in the Upcoming Jesus Tomb Documentary: "I think it's completely mishandled. I am angry."

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A Glossary of Methods of Biblical Interpretation

An extended glossary of the terminology currently used in interpreting the Bible.

TATE, W. R. Interpreting the Bible: A Handbook of Terms and Methods [Interpretando a Bíblia: um manual de termos e métodos]. Peabody, Mass.: Hendrickson, 2006, viii + 482 p. ISBN 1-5656-3515-9.


Escrito para o leitor culto, mas não necessariamente especializado em estudos bíblicos, este é um glossário com explicação de cerca de 50 termos e métodos de leitura crítica da Bíblia.

Deixando em segundo plano o método histórico-crítico, o manual privilegia os métodos mais recentes, com ênfase nas leituras sincrônicas, literárias, de gênero e sócio-antropológicas. E dá mais espaço ao Novo Testamento, por ser esta a especialidade do autor, professor de Humanidades na Evangel University, em Springfield, Missouri, USA.

Pode ser muito útil para os nossos estudantes de graduação em Teologia (e seus professores), especialmente nas disciplinas de Introdução à S. Escritura ou Introdução aos Métodos de Leitura da Bíblia.

Uma resenha foi escrita por Steven L. Mckenzie e publicada na Review of Biblical Literature em 27 de janeiro de 2007. O resenhista, professor do Rhodes College, Memphis, Tennessee, recomenda a obra como um instrumento de consulta extremamente útil.

Veja ainda, na página da editora Hendrickson, o sumário e um capítulo do livro.

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Bibliografia

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Sexta-feira, Março 02, 2007

Plantar energia vai aumentar a fome e a sede no mundo?

Diante da fome e da escassez de água potável, o que significa plantar energia?

A utilização de parcela crescente das terras agriculturáveis do mundo para o plantio de matéria prima de biocombustívies levanta questão sobre os problemas da fome e da falta d’água que atingem cerca de um bilhão de pessoas.

Leia artigo de Verena Glass, na Agência Carta Maior de 2 de março de 2007.

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Quinta-feira, Março 01, 2007

Richard Bauckham sobre a Tumba Perdida de Jesus

Chris Tilling publicou em seu blog Chrisendom um post de Richard Bauckham sobre a Tumba Perdida de Jesus.

Richard Bauckham é Professor de Novo Testamento na Universidade St Andrews, Escócia.

Leia The alleged ‘Jesus family tomb’.

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Christopher Heard e a Tumba Perdida de Jesus

Em Higgaion, de Christopher Heard, há um excelente post sobre o espetáculo que estão vendendo com o nome de A Tumba Perdida de Jesus.

Leia The Talpiot/Jesus tomb: point and counterpoint, item 1.

E fique atento à seqüência, pois vem mais por aí. Christopher Heard é professor de Religião na Pepperdine University, em Malibu, Califórnia, USA.

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Biblioblogueiro de março de 2007: James Spinti

Jim West, em Biblioblogs.com, entrevista James Spinti, autor do biblioblog Idle musings of a bookseller, escolhido como o biblioblogueiro do mês de março de 2007.

James Spinti é livreiro da editora Eisenbrauns, de Indiana, USA, casa com publicações acadêmicas de qualidade sobre o Antigo Oriente Médio, estudos bíblicos, arqueologia e assiriologia.

Leia a entrevista e aprecie o pensamento de um livreiro bem preparado nesta extraordinária área de estudos que é o Antigo Oriente Médio.

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Biblical Studies Carnival XV

Seleção dos melhores posts de fevereiro de 2007 feita por Charles Halton em seu blog Awilum.com.

Esta edição é dedicada, com justiça, à memória de Bruce Manning Metzger, falecido recentemente.

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