Observatório Bíblico

Terça-feira, Janeiro 31, 2006

Leitura sócio-antropológica da Bíblia

Graças a Jim Davila no seu blog PaleoJudaica.com, tomei conhecimento deste livro que me parece, à primeira vista, muito interessante:


ESLER, Philip F. (ed.) Ancient Israel: The Old Testament In It's Social Context. Minneapolis: Fortress, 2005, 438 p.


O livro traz os ensaios de uma conferência realizada em St. Andrews, Escócia, em 2004, conforme relata o mesmo Jim Davila.


Veja a descrição do livro e os autores na página da editora e leia trechos na Amazon.com.

Leia meus artigos sobre leitura sócio-antropológica da Bíblia aqui e aqui.


Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Bibliografia

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The Pennsylvania Sumerian Dictionary

O Pennsylvania Sumerian Dictionary está preparando um dicionário de sumério para ser usado tanto por sumeriólogos como por leigos no assunto. Outros instrumentos para trabalhar com a língua suméria também estão sendo preparados. O projeto é desenvolvido pela seção babilônica do Museu de Antropologia e Arqueologia da Universidade da Pensilvânia, USA.

Agradeço a Charles Halton do blog awilum.org pela indicação feita aqui.

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Links

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Antigo Testamento/Primeiro Testamento/Bíblia Hebraica/Tanak... que rótulo usar?

Vale a pena ler o post de hoje de Tyler F. Williams em Codex Blogspot: Old Testament/First Testament/Hebrew Bible/Tanak: What's in a Name? Quite a Bit Actually! [Obs.: link quebrado - 21.03.2008 - 11h25]

Para além de reconhecer a conveniência de usar um ou outro rótulo conforme a audiência, ele mostra como todos estes nomes são apenas rótulos externos à coleção de livros bíblicos, sem tanta importância. A própria tradição bíblica não se autodenomina assim...


Essa questão afeta igualmente o Novo Testamento... ou seria Segundo Testamento?

Proveitoso também é ler o histórico que Tyler F. Williams faz destes rótulos: quem os criou, quando surgiram, porque foram criados... Que razões ideológicas ou, em direção oposta, que tentativas de convivência fraterna estão na origem destes conceitos?


E termina com a questão: E você, que rótulo usa e por que o usa?

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Segunda-feira, Janeiro 30, 2006

Continua o debate sobre a validade histórica dos textos bíblicos

Para quem se interessa pelo assunto, uma visita aos arquivos da lista de discussão ANE dos últimos dias vale a pena.

Especialmente o assunto listado como Biblical historicity, mas o thread tem assumido nomes diversos. Niels Peter Lemche é um dos que estão empenhados em aquecido debate...

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Domingo, Janeiro 29, 2006

Tratamento insuficiente de um tema interessante da História de Israel?

O assunto é da maior importância: a reconstrução da sociedade israelita anterior ao século X a.C. Mas o livro de


MILLER II, Robert D. Chieftains of the Highland Clans: A History of Israel in the Twelfth and Eleventh Centuries B.C. Grand Rapids: Eerdmans, 2005. xix + 186 p.

gerou controvérsias pelo modo como o tema foi tratado e as conclusões a que o autor chegou. Robert D. Miller II é professor de Sagrada Escritura no Mount St. Mary’s Seminary, Emmitsburg, Maryland, USA.

Na página da editora Eerdmans se lê a seguinte apresentação da obra:

An illuminating social history of ancient Israel, Chieftains of the Highland Clans offers an unusually thorough and original reconstruction of Israelite society prior to the rise of the monarchy around 1000 B.C. Using the latest archaeological research and anthropological theories, Robert Miller presents an intriguing picture of what life was like in early Israel. Ethnographic evidence from diverse cultures suggests the “complex chiefdom” model as the most appropriate for the archaeology of twelfth-and eleventh-century highland Palestine. This model details the economic and political realities of prestate societies with ascribed rank and hierarchical political control. As he applies and fine-tunes the complex chiefdom model, Miller illustrates areas of potential correspondence and contradiction between his reconstruction and the biblical text. Students of archaeology, Palestine, and the Hebrew Bible will not want to miss Miller’s fresh and fascinating conclusions about the sociopolitical nature of early Israel.


Entretanto, duas resenhas publicadas agora em janeiro pela RBL são bem menos otimistas, reticentes até.

Veja o que conclui Diana Edelman, da Universidade de Sheffield, Sheffield, Reino Unido:

The main thesis is that ethnographic evidence from diverse cultures shows a probability that complex chiefdoms immediately preceded state formation and that this is likely to have been the case in the highlands of Palestine in the twelfth-eleventh centuries before the emergence of the state in the tenth-century BCE (...) This volume demonstrates for me how severely limited our knowledge of the central highlands in the Iron I period is; of 453 sites, less than twenty seem to have beenexcavated, and the exposure is extremely limited at some sites, such as Beitin and Tell el-Ful, or the site was problematically dug, such as el-Jib. As a result, I think it is still premature to attempt to establish the political configurations that existed at this time in this region, in the wake of the devolution of the Late Bronze city-states, not to mention the ethnic affiliation(s) of the locals. I have reservations about using sociopolitical models to fill in the many gaps in our data and knowledge, particularly when the archaeological correlates being used are not unique to a single type of political control. It is always useful to consider possibilities, but it is also necessary, under the present circumstances where so little information exists, to consider a range of possibilities and not lock ourselves into a single model.

Também Pekka Pitkänen, Universidade de Gloucestershire, Cheltenham, Reino Unido, vai dizer que:

I am personally unconvinced of the validity of the chieftain model in all its aspects, based on the presentation (...) As Miller himself acknowledges, the archaeological data is not plentiful enough to make clear conclusions about various aspects of the model(s) used. Having said this and the criticisms above, I found interesting the ideas that/how bigger sites would/could dominate smaller sites, the possible hierarchical layers of power that can be identified, and possible social and societal interactions. I also think that building the model as Miller has done has been a worthwhile effort, even if the question of whether and to what extent the model is representative of ancient reality is not all that certain. This is altogether a worthwhile book in opening a discussion for reconstructing societal structures based on settlement patterns in the Israelite highlands in interaction with theories that try to estimate societal structures and interactions through a complex chiefdom model.

O autor usa, entre outros recursos teóricos, o Gravity Model which estimates how goods move between the differing social strata of a complex chiefdom... Sobre o Modelo Gravitacional leia mais aqui.


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Sábado, Janeiro 28, 2006

Big Brother is watching you

Sempre fui fanático por ficção científica. De Júlio Verne a Arthur Clarke... Ficção que vai se tornando realidade. Recentemente vi a notícia de que um "planeta-irmão" da Terra foi descoberto, usando um técnica prevista por Einstein em 1912.

Mas Arthur Clarke, mapeando, em 2005, os próximos 95 anos, prevê, entre outras coisas, que, por volta de 2010, apesar de protestos a favor da privacidade, o monitoramento de toda a vida na Terra torna-se lei, criando uma espécie de Big Brother que elimina todas as formas de violência. A referência está em Ficção das origens: Arthur Clarke, na coleção Exploradores do Futuro, da Scientific American Brasil, São Paulo: Duetto Editorial, 2005, p. 11.

Será que ele acertou a última parte, o fim de todas as formas de violência? Abaixo, reuni 5 trechos de reportagens que sairam entre 16 de dezembro de 2005 e 26 de janeiro de 2006.


Google enfrenta críticas por se autocensurar na China

Folha Online - 26/01/2006 - 11h39

A decisão do Google de censurar o conteúdo oferecido aos internautas chineses foi duramente criticada. Segundo especialistas ouvidos pela agência de notícias Associated Press, a ação representa a vitória do governo chinês, que monitora informações na internet e pune aqueles que expõem opiniões oposicionistas - diversos blogueiros já foram presos por este motivo (...) Apesar de todas as críticas, afirma a Associated Press, o Google não tem muito com o que se preocupar. Protestos parecidos já foram realizados quando Yahoo! e Microsoft concordaram em colaborar com o governo chinês, e nenhuma delas sofreu processos ou boicotes por isso. O serviço de blogs da Microsoft na China, por exemplo, barra termos como "democracia" e "direitos humanos". Além disso, alguns especialistas que estudam a internet na China afirmam que a censura não pode conter a força da internet. Apesar de a vigilância ser constante e muito rigorosa, é impossível controlar todo o conteúdo que será acessado pelos internautas locais - isso significa que, mesmo com mais dificuldades, eles lerão as informações da rede.


Google se nega a divulgar aos EUA dados sobre buscas

Folha Online - 20/01/2006 - 11h25

O gigante das buscas Google se recusou a cumprir uma intimação do governo norte-americano que vai contra a política de privacidade da companhia - a administração Bush gostaria de saber o que milhões de pessoas estão procurando na internet com a ajuda da popular ferramenta. Segundo a empresa, o governo quer uma lista com todos os termos digitados na caixa de buscas durante uma semana específica - caso elaborado, este documento teria milhões de palavras. Além disso, o Google deveria fornecer cerca de 1 milhão de endereços virtuais contidos em seu banco de dados e selecionados a esmo. A intimação, afirma a agência de notícias Associated Press, mostra como os sites de busca podem ser úteis para os governos, quando eles querem controlar a população. Para justificar o pedido, representantes dos EUA falam que estas informações são "vitais" para o cumprimento de leis que protegem crianças contra a pedofilia. Com a recusa do Google - a intimação chegou à empresa em meados do ano passado -, o advogado Alberto Gonzales, que representa os EUA, pediu nesta semana que um juiz de San José interviesse no caso e fizesse outra requisição oficial para a entrega das informações. Ontem, o Yahoo! confirmou à Associated Press ter recebido uma intimação parecida. "Não revelamos qualquer informação pessoal de nossos usuários", afirmou a empresa. A Microsoft - dona da ferramenta de buscas MSN - se recusou a dizer se recebeu um pedido oficial deste tipo. Para especialistas, este caso preocupa por ir contra as políticas de privacidade das empresas de busca (...) Este tipo de preocupação em relação ao direito à privacidade aumentou ainda mais quando se soube que, depois dos ataques de 11 de setembro, os EUA tiveram acesso à comunicação de civis sem autorização oficial para fazê-lo.


EUA mantêm desde 2001 megaoperação secreta de espionagem

Folha Online - 30/12/2005 - 21h29

Os Estados Unidos mantêm, desde os ataques de 11 de setembro de 2001, o maior programa secreto de espionagem e prisões de estrangeiros desde o fim da Guerra Fria, informa nesta sexta-feira o jornal americano "The Washington Post". Isso inclui permissões da CIA [agência de inteligência americana] de prender suspeitos terroristas vinculados à rede Al Qaeda em qualquer país do mundo, e usar técnicas de tortura condenadas como violações aos direitos humanos. O programa, batizado pela sigla GST, também permitiria à agência americana estabelecer uma rede de inteligência com serviços secretos de vários países, manter prisões clandestinas fora dos Estados Unidos, e mover prisioneiros para qualquer lugar do globo. Nos últimos dois anos, vários aspectos dessa operação secreta vieram a público, e provocaram vários protestos de civis contra a ação do governo Bush e também em países que colaboram com os EUA. Apesar disso, todos os programas continuam a operar, de acordo com membros do governo ouvidos pelo jornal americano.


EUA monitoram civis sem autorização legal, diz jornal

Folha Online - 16/12/2005 - 11h05

À procura de evidências de terrorismo, e sob recomendação do presidente George W. Bush, a Agência de Segurança Nacional americana monitora secretamente ligações e e-mails de civis residentes nos EUA que se comunicavam com pessoas no exterior, segundo texto publicado no site do jornal "The New York Times" desta sexta-feira. O monitoramento, que passou a ser feito meses após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, não teve autorização da Justiça americana, geralmente necessária para realizar esse tipo de espionagem, informa o jornal. De acordo com o "New York Times", sob uma ordem presidencial, assinada em 2002, a agência de inteligência americana começou a monitorar todos as ligações telefônicas internacionais e mensagens vindas de provedores de internet de outros países de milhares de pessoas que moram nos Estados Unidos, em um esforço de descobrir se a rede terrorista Al Qaeda "está infiltrada no país". Muitos detalhes do programa são mantidos em sigilo, mas fontes consultadas pelo jornal disseram que a agência americana "vigia sem direitos mais de 500 pessoas simultaneamente nos Estados Unidos, a qualquer momento. A lista de pessoas vigiadas muda de tempos e tempos (...) e, sendo assim, o número de pessoas monitoradas no país pode chegar a milhares. No exterior, entre 5.000 e 7.000 pessoas, suspeitas de atividades terroristas, são vigiadas simultaneamente", diz o "New York Times".


Casa Branca inicia campanha para defender espionagem nos EUA

Folha Online - 20/01/2006 - 17h55

A Casa Branca defenderá o programa para espionar residentes nos EUA sem permissão judicial, em uma campanha de relações públicas anunciada hoje que pretende enfraquecer os que afirmam que as escutas violam a Constituição. Como parte da campanha, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, visitará na quarta-feira (25) a Agência Nacional de Segurança (NSA), órgão que vem fazendo interceptações de telefonemas e e-mails sem autorização prévia de um juiz desde 2002. Na segunda-feira (23), Michael Hayden, ex-chefe da NSA, falará a favor do programa em um discurso no Clube Nacional da Imprensa, e na terça-feira (24) será a vez do promotor-geral dos EUA, Alberto Gonzales, informaram fontes governamentais. Os discursos acontecerão antes da realização de audiências no Congresso sobre o programa, cuja existência, revelada pelo jornal "The New York Times" no mês passado, causou grande polêmica nos EUA. A primeira audiência acontecerá em 6 de fevereiro no Comitê Judicial do Senado e terá a participação de Gonzales. Uma coalizão de associações não-governamentais, na qual se incluem o Centro de Direitos Constitucionais e a União de Liberdades Civis dos EUA, processou o governo para interromper a interceptação das comunicações sem supervisão judicial.

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Forum Social Mundial 2006

Veja o Especial Fórum Social Mundial 2006 da Agência Carta Maior.

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O profeta Sofonias: importante comentário

Um interessante comentário ao profeta Sofonias na coleção Hermeneia, da Fortress Press.

SWEENEY, M. A. Zephaniah. Minneapolis: Fortress, 2003. 250 p.

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Bibliografia

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Padre italiano vai ter que provar na justiça que Jesus existiu: comédia em quantos atos?

O caso relatado aqui continua. Veja o texto de Assimina Vlahou, da BBC Brasil, em Roma.

Pela primeira vez em 2000 anos, a existência de Jesus Cristo, depois de ter provocado guerras, disputas teológicas e conflitos religiosos, pode acabar num tribunal internacional. É o que promete Luigi Cascioli, o homem que desafia um padre italiano a provar, na justiça, que Cristo [obs. minha: Jesus!] existiu de verdade. A primeira audiência do processo foi nesta sexta-feira, na Itália. "Primeira e última”, promete em entrevista à BBC Brasil o advogado do padre Enrico Righi, que está sendo acusado de "abuso da credulidade popular" e "substituição de pessoa". De acordo com o advogado Bruno Severino, o juiz dará uma resposta em poucos dias e pode arquivar o caso ou decidir que devem ser feitas outras investigações. "Imagine uma perícia sobre a existência de Jesus!", exclamou, incrédulo, o advogado. O acusador é Luigi Cascioli, ex-agrônomo, aposentado, que se define como "ateu militante" (continua)...

Leia Mais:
Cristo è esistito? La parola al giudice...
«Cristo non è esistito». Denuncia contro un sacerdote
I media di tutto il mondo in tribunale per seguire il processo Cascioli - Righi
Jesús ante la justicia
Luigi Cascioli - La Favola di Cristo

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Sexta-feira, Janeiro 27, 2006

Arqueologia da Palestina, entusiasmo messiânico ou pragmatismo político?

Tomei conhecimento do detalhado artigo do jornal israelense The Jerusalem Post sobre as escavações recentes feitas em Jerusalém e de seu possível significado.

Um debate que vem já de algum tempo, como pode-se ver aqui mesmo neste blog.

Em The once and future city, assinado por Rena Rossner e datado de 26 de janeiro de 2006, às 15h51, pode-se ler sobre as recentes descobertas arqueológicas feitas na "cidade de Davi", as opiniões dos que defendem um grande reino davídico/salomônico no século X a.C. e dos que o negam.

E qual deve ser a relação entre arqueologia e Bíblia? E qual é a agenda política de quem defende a autenticidade da descoberta de um suposto "palácio de Davi" por Eilat Mazar? Leia o artigo, que vale a pena.

Mas aproveito para citar um pequeno trecho, exatamente sobre a "agenda política", até mesmo porque a situação volta a se tornar muito tensa na região com a vitória do Hamas nas eleições parlamentares palestinas desta quarta-feira, dia 25:
But neither the Ir David Foundation nor the Shalem Center are funding these digs solely in order to understand more about the past. In interviews with IJ, representatives of both organizations acknowledged that their involvement was geared towards bolstering Israel's current claims to the Jerusalem as Israel's united capital and developing the ancient city of Jerusalem as a constitutive component of Jewish identity. According to Doron Spielman, spokesman for the Ir David Foundation, their goal has always been to secure as much land as possible in the area, though both settlement and purchase. To this end, philanthropist Nissan Khakshouri had contributed more than $3 million to the excavation project, but stopped funding the project in 2003. Today, Spielman refuses to say who is funding the project at this time, saying that the funding comes from Ir David's "operating budget." However, sources close to the project believe that at least some of the funding can be directly and indirectly linked to funders in the United States who have regularly supported right-wing and settlement activities throughout Jerusalem and the West Bank.

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Homenagens a Wolfgang Amadeus Mozart

Presto minhas homenagens a Mozart, no dia em que o mundo comemora os 250 anos de seu nascimento. Já o visitei, emocionado, em Salzburg!



Leia Mais:
Internationale Stiftung Mozarteum
Mozart.at
Salzburg - Die Bühne der Welt
The Mozart Project

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Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

Enoch and Qumran Origins: 47 pesquisadores debatem o tema

BOCCACCINI, Gabriele (ed.) Enoch and Qumran Origins: New Light on a Forgotten Connection. Grand Rapids: Eerdmans, 2005, xviii + 472 p.

Henoc e as origens de Qumran: nova luz sobre uma conexão esquecida é o resultado do segundo seminário sobre a literatura henóquica, The Enoch Seminar. Este é o primeiro e mais completo exame das complexas e esquecidas relações existentes entre a comunidade de Qumran e o grupo judaico que produziu a literatura pseudepígrafa de Henoc. Este livro conta com a colaboração de 47 pesquisadores de 11 países. Os ensaístas demonstram que as raízes da comunidade de Qumran devem ser buscadas na tradição do grupo henóquico muito mais do que no sacerdócio de Jerusalém.

A introdução é de Gabriele Boccaccini e a conclusão de James Charlesworth.


As cinco partes do livro examinam, sob diferentes ângulos, as hipóteses de 5 eminentes pesquisadores da área: John J. Collins (Dream Visions and Daniel), James C. VanderKam (Enoch and Jubilees), George W. E. Nickelsburg (The Apocalypses of Weeks), Florentino García Martínez (The Groningen Hypothesis Revisited) e Gabriele Boccaccini (The Enochic-Essene Hypothesis Revisited). No final de cada parte o autor da respectiva hipótese responde às questões levantadas.

O que dizer de um livro onde estão reunidos os especialistas mais conceituados da área? Que o livro representa o "state of-the-art" e, ao mesmo tempo, "first-class research at its best"...

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Novidades

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BibleWorks 7 chegou com muitas novidades

A versão 7 do BibleWorks já está à venda. BibleWorks é um excepcional software para o estudo da Bíblia.

A atual versão, de número 6, traz 93 versões da Bíblia em 29 línguas, incluindo o português, 12 textos nas línguas originais, 7 bancos de dados de morfologia bíblica, 6 léxicos e dicionários gregos, 4 léxicos e dicionários hebraicos, além de 18 outras ferramentas, tudo integrado. Foi lançada em 2003. Compare...

A versão 7 traz 112 versões da Bíblia em 30 línguas, incluindo o português, 14 textos nas línguas originais, 18 bancos de dados de morfologia, 12 léxicos e dicionários gregos, 5 léxicos e dicionários hebraicos, além de 30 outras ferramentas, tudo integrado. Veja aqui o conteúdo completo da versão 7 (os itens em azul são as novidades da nova versão de 2006).

Entre as novidades, chamou minha atenção, na primeira leitura, o suporte para fontes Unicode (BibleWorks now supports both Unicode and non-Unicode Greek and Hebrew) , os mapas editáveis do Oriente Médio feitos por satélite (a set of beautiful satellite maps...the collection includes a full set of editable site and terrain overlays for major locations in Israel and Egypt, along with detailed overhead and elevation data and a comprehensive list of archaeological sites), além de algumas novas ferramentas que facilitam o uso do programa.

Fique de olho no blog de Rubén Gómez, Bible Software Review Weblog, que logo estará analisando o programa. E também nos BibleWorks User Forums.

Sobre o preço do programa? Veja aqui (versão completa) e aqui (atualização).

Exige um mínimo de 64 MB de RAM e um espaço em disco que vai de 600 MB a 5.5 GB. Compatível com Windows 98/Me/NT/2000/XP. Não há versões para Macintosh nem Linux ou Unix, mas: according to many users, the Macintosh PowerPC, G3's, and G4's can run Microsoft VirtualPC, and users have reported that BibleWorks runs successfully under Windows emulators in Unix and Linux, how VMWare and WINE.

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Terça-feira, Janeiro 24, 2006

Pastoralis: nova forma de pensar a comunidade cristã

Recebi hoje e-mail do ex-aluno e amigo da FTCR da PUC-Campinas, Pe. Rodrigo Catini Flaibam, atualmente pároco de São Cristóvão, Arquidiocese de Campinas, em Valinhos, SP.

Foi uma alegria visitar o site Pastoralis, do qual Rodrigo é o Pároco Virtual. E perceber que, com sua competente equipe, Rodrigo gerencia, não apenas uma página, mas uma nova forma de pensar a comunidade cristã, em perfeita sintonia com os poderosos recursos hoje oferecidos pela net. Parabéns, Rodrigo e equipe.

Claro, a página tem uma seção sobre Bíblia...

PASTORALIS

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PaleoJudaica.com: o blog do mês de janeiro

PaleoJudaica.com de James R. Davila, Ph.D., Harvard University, Lecturer in Early Jewish Studies at the University of St. Andrews, Escócia, é o blog do mês em Biblioblogs.com e sua entrevista feita por Brandon Wason pode ser lida aqui.

Lembro que Jim acaba de publicar novo livro:

DAVILA, J. R. The Provenance of the Pseudepigrapha: Jewish, Christian, or Other? Leiden: Brill, 2005, 286 p. que acrescentei à minha bibliografia comentada aqui.

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Segunda-feira, Janeiro 23, 2006

A complexa construção da identidade judaica e o testemunho da Literatura Pós-Exílica

A Literatura Pós-Exílica é estudada no segundo semestre do segundo ano de Teologia na FTCR e no CEARP. Com enorme abrangência e carga horária limitada - 4 horas semanais no CEARP e apenas 2 horas semanais na FTCR da PUC-Campinas - esta disciplina aborda 4 momentos:
1. Os profetas exílicos e pós-exílicos: de Ezequiel a Joel
2. Romance, novela, conto: de Rute a Judite
3. Historiografia: a Obra Histórica do Cronista e 1 e 2 Macabeus
4. A literatura apocalíptica: Daniel e os apocalípticos apócrifos (ou pseudepígrafos).


São privilegiados, pelo minguado do tempo, os momentos 2 e 4. Os profetas são vistos mais rapidamente, pois o profetismo já foi estudado no primeiro semestre; e, infelizmente, a historiografia é apenas mencionada. Já o item 2 é fundamental para se entender o complexo universo de conflitos em que se busca uma identidade judaica - que acaba plural - e o item 4, a apocalíptica, é a porta que deve ser cuidadosamente aberta para a entrada, no semestre seguinte, em o mundo do Novo Testamento.

Dispostos cronologicamente os livros, teríamos o seguinte panorama desta enorme literatura:
1. Os profetas exílicos e pós-exílicos
Ezequiel: 593-571 a.C.
Dêutero-Isaías: cerca de 550
Ageu: 29.8 a 18.12.520
Zacarias 1-8: 18.12.520 a 7.12.518
Isaías 56-66: entre 520 e 510
Malaquias: entre 480 e 450
Zacarias 9-14: final séc. IV - início séc. III
Joel: séc. IV ou III

2. Romance, novela, conto
Rute: ca. 450 a.C.
Jonas: ca. 450
Ester (hebr.): ca. 350
Tobias: ca. 200
Judite: ca. 150

3. Historiografia
OHCr: 1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias: séc. IV a. C.
1 e 2 Macabeus: entre 90 e 70

4. A literatura apocalíptica (seleção)
Daniel: 164 a. C.
O livro etiópico de Henoc: séc. II-63 a.C.
O livro eslavo de Henoc: séc. I d.C.
O livro dos Jubileus: 100 a.C.
Os Salmos de Salomão: 63-40 a.C.
Os Testamentos dos 12 Patriarcas: 130-63 a.C.
Os Oráculos Sibilinos: séc. I a.C.
Assunção de Moisés: 30 a.C.-30 d.C.
O Apocalipse siríaco de Baruc: 75-100 d.C.
O IV livro de Esdras: fim do séc. I d.C.


I. Ementa

Procura compreender a vivência dos judeus no exílio, lendo os profetas Ezequiel e Dêutero-Isaías. De igual modo, no pós-exílio, através do estudo dos profetas da reconstrução, tais como Ageu, Zacarias, Trito-Isaías e outros. Aborda também os romances, novelas e contos (Rute, Jonas, Ester, Tobias, Judite), que mostram como manter a identidade judaica, tanto dentro do país como na diáspora. A literatura histórica da época, através da Obra Histórica do Cronista (1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias), também é tratada. Finalmente, a significativa literatura apocalíptica, tanto canônica, como Daniel, quanto apócrifa, até Qumran. É um momento privilegiado para a preparação dos estudos neotestamentários, no contexto dos domínios persa, grego e romano sobre a Palestina. O confronto entre o judaísmo e o helenismo é abordado em detalhes.

II. Objetivos
Possibilita ao aluno conhecer a complexidade dos vários judaísmos surgidos no pós-exílio, suas teologias e o ambiente carregado de especulações apocalípticas em que se deu a pregação de Jesus e a escrita do Novo Testamento.


III. Conteúdo Programático

1. Os profetas exílicos e pós-exílicos
Ezequiel
Dêutero-Isaías (Is 40-55)
Ageu
Zacarias 1-8
Trito-Isaías (Is 56-66)
Malaquias
Zacarias 9-14
Joel

2. Romance, novela, conto
Rute
Jonas
Ester
Tobias
Judite

3. Historiografia
A obra histórica do Cronista (1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias)
1 e 2 Macabeus

4. A literatura apocalíptica
Daniel
Os apócrifos apocalípticos

IV. Bibliografia
Básica
ARANDA PÉREZ, G. et al. Literatura Judaica Intertestamentária. São Paulo: Ave-Maria, 2000.

DA SILVA, A. J. Apocalíptica: busca de um tempo sem fronteiras. Artigo disponível na Ayrton's Biblical Page > Apocalíptica.

DIEZ MACHO A. et al. Apócrifos del Antiguo Testamento I-V. Madrid: Cristiandad, 1982-1987.

MESTERS, C. Como ler o livro de Rute: pão, terra, família. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DIAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2002-2004.

STORNIOLO, I. Como ler o livro de Daniel: reino de Deus x Imperialismo. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

WIÉNER, C. O profeta do novo êxodo: o Dêutero-Isaías. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

Complementar
ABADIE, Ph. O livro de Esdras e de Neemias. São Paulo: Paulus, 1998.

ABADIE, Ph. O livro das Crônicas. São Paulo: Paulus, 1998.

COLLINS, J. J.; McGINN, B.; STEIN, S. J. (eds.) The Encyclopedia of Apocalypticism: Vol. 1: The Origins of Apocalypticism in Judaism and Christianity; Vol. 2: Apocalypticism in Western History and Culture; Vol. 3: Apocalypticism in the Modern Period and the Contemporary Age. New York: Continuum, 2000.

COOK, S. L. The Apocalyptic Literature. Nashville: Abingdon, 2003.

GARCÍA MARTÍNEZ, F. Textos de Qumran: edição fiel e completa dos Documentos do Mar Morto. Petrópolis: Vozes, 1995.

GARCÍA MARTÍNEZ, F.; TREBOLLE BARRERA, J. Os homens de Qumran: literatura, estrutura e concepções religiosas. Petrópolis: Vozes, 1996.

GRABBE, L.; HAAK, R. D. (eds.) Knowing the End from the Beginning: The Prophetic, Apocalyptic and Their Relationships. London: T & T Clark, 2004.

JOSEFO, F. História dos Hebreus: obra completa. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1992.

KILLP, N. Jonas. Petrópolis/São Leopoldo: Vozes/Sinodal, 1994.

KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judéia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulus, 1997.

LACOCQUE, A. Le Livre de Ruth. Genève: Labor et Fides, 2004. Resenha: Kirsten Nielsen, University of Aarhus, Aarhus, Dinamarca.

MEIN, A. Ezekiel and the Ethics of Exile. Oxford: Oxford University Press, 2001. Resenha: David G. Garber Jr., Emory University, Atlanta, GA, USA.

RUSSEL, D. S. Desvelamento divino: uma introdução à apocalíptica judaica. São Paulo: Paulus, 1997.

SHANKS, H. (org.) Para compreender os manuscritos do Mar Morto. Rio de Janeiro: Imago, 1993.

SHIGEYUKI N.; DE PAULA PEDRO, E. Como ler o livro de Malaquias: defender a tradição ou a vida? 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

SOLANO ROSSI, L. A. Como ler o livro de Zacarias: o profeta da reconstrução. São Paulo: Paulus, 2000.

STORNIOLO, I. Como ler o livro de Ester: o poder a serviço da justiça. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

STORNIOLO, I.; BORTOLINI, J. Como ler o livro de Tobias: a família gera vida 2. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

STORNIOLO, I. Como ler o livro de Judite: a viúva que salvou o seu povo. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

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Novidades na bibliografia da Ayrton's Biblical Page

Livros novos acrescentados à bibliografia comentada da Ayrton's Biblical Page.

Sobre apocalíptica:
  • COLLINS, John J.; McGINN, Bernard; STEIN, Stephen J. (eds.) The Encyclopedia of Apocalypticism: Vol. 1: The Origins of Apocalypticism in Judaism and Christianity, 520 p.; Vol. 2: Apocalypticism in Western History and Culture, 544 p.; Vol. 3: Apocalypticism in the Modern Period and the Contemporary Age, 520 p. New York: Continuum, 2000.
  • COOK, Stephen L. The Apocalyptic Literature. Nashville: Abingdon, 2003. 233 p.
  • GRABBE, Lester; HAAK, Robert D. (eds.) Knowing the End from the Beginning: The Prophetic, Apocalyptic and Their Relationships. London: T & T Clark, 2004. ix + 226 p.

Sobre profetismo:
  • MEIN, A. Ezekiel and the Ethics of Exile. Oxford: Oxford University Press, 2001. xii + 298 p.
Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Apocalíptica e Profetismo

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Onde se faz a maior parte da pesquisa atual sobre o Jesus Histórico?

Vale a pena ler a reflexão de Mark Goodacre no seu Mark Goodacre’s NT Blog sobre a atual situação da pesquisa sobre o Jesus Histórico. Leia


Ou seja: A pesquisa norte-americana sobre o Jesus Histórico está chegando à maioridade?


Bibliografia em português e inglês sobre o Jesus Histórico em livros e na Internet?
Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Jesus x Império

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Domingo, Janeiro 22, 2006

Tomb raiders

The Guardian - Thursday January 19, 2006
Three years after Iraq's ancient treasures were first stolen and smashed, the cradle of civilisation is still being looted. It's a catastrophe, says former arts minister Mark Fisher.
Mais sobre a destruição cultural da antiga Mesopotâmia?

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Oriente Médio

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Sábado, Janeiro 21, 2006

Intelligent design, criacionismo e evolucionismo

Será que todo mundo sabe o que é intelligent design, que pode ser traduzido por design inteligente ou planejamento inteligente?

E qual sua relação com o evolucionismo? E com o criacionismo? E com a sociedade norte-americana? E com o Vaticano? E com a administração Bush?

E por que este tema está sendo tão debatido ultimamente? E esta polêmica já chegou ao Brasil? Ou vai chegar?

Abaixo, alguns links para os interessados no assunto...

Breakthrough of the year: Evolution in Action
Discovery Institute
Discovery Institute
Escolas do Rio vão ensinar criacionismo
EUA abrem maior mostra sobre Darwin
Evolução é o "achado do ano", diz revista
Jornal do Vaticano diz que design inteligente não é científico
Mais que polêmico, ensinar criacionismo é "crime", diz físico Marcelo Gleiser
Teorias científicas vão aos tribunais
The Center for Science and Culture
The Word From Rome - January 20, 2006

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Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

Fontes Unicode para Hebraico e Grego

Visite estas duas páginas:

Mais fontes para escrever em Hebraico e Grego?

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Links

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Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

Theodore Hildebrandt "eSources" para o Antigo Testamento

Site de recursos para o Antigo Testamento do Dr. Ted Hildebrandt, Gordon College, Wenham, MA, USA. Bibliografia significativa para alguns livros bíblicos. Na opinião de Rob Bradshaw, em seu blog BiblicalStudies.org.uk, que pode ser vista aqui,


his site also includes a 147 page bibliography on Genesis - probably the most extensive available on-line. In my opinion the collection is so valuable that it deserves a website of its own.


Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Links

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Traduttore, traditore?

Tradurre in generale è un lavoraccio...

Veja este exemplo de uma nova tradução da Bíblia em alemão, noticiado por Die Tageszeitung. O que você pensa disto?

Recomendo a leitura do artigo de José Luiz GONZAGA DO PRADO, Traduzir: interpretar ou re-criar? Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 32, 1991, p. 89-92. José Luiz discute alguns problemas corriqueiros das traduções bíblicas, mas que nos afetam diariamente, como: o erudito e o popular; linguagem técnica x linguagem literária; 'linguagem bíblica' e mudança cultural; até onde recriar?

Proveitosa será também a leitura das recensões de Ney Brasil PEREIRA, onde são avaliadas duas traduções da Bíblia muito usadas nos meios católicos brasileiros: Bíblia de Jerusalém. Nova edição, revista e ampliada. São Paulo: Paulus, 2002. In: Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 76, 2002, p. 79-81; Bíblia Sagrada. 2. ed. Tradução da CNBB, com introduções e notas. São Paulo/Petrópolis/Aparecida: Ave Maria / Vozes / Salesiana / Paulus / Santuário / Paulinas / Loyola, 2002. In: Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 77, 2003, p. 67-75.

Excelente livro sobre os problemas de tradução da Bíblia: the theory, history, and practice of Bible translation in a collection of 21 essays by leading scholars and practitioners...

Leia: SCORGIE, G. G.; STRAUSS, M. L.; VOTH, S. M. (eds.), The Challenge of Bible Translation. Grand Rapids, MI: Zondervan, 2003, 432 p.

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Bibliografia

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Justiça manda apreender livro anti-semita em São Paulo

Por ordem da Justiça, 1.680 exemplares do livro "Os Protocolos dos Sábios do Sião" foram apreendidos na segunda-feira (17) na sede da editora Centauro, na zona norte de São Paulo. O livro é considerado ofensivo pela comunidade judaica por relatar um suposto plano de dominação do mundo feito por judeus (...) "Os Protocolos dos Sábios do Sião" foi publicado pela primeira vez no início do século 20, na Rússia czarista. O livro - que é apócrifo - descreve um suposto plano judeu de dominação do mundo. Segundo a enciclopédia livre Wikipedia, o texto é considerado fraudulento por vários historiadores da Europa e dos Estados Unidos. De acordo com o site, há evidências de que ele tenha sido produzido por autoridades russas. Leia Mais.

The Protocols of the (Learned) Elders of Zion (Russian: "Протоколы Сионских мудрецов" or "Сионские Протоколы") is a text frequently quoted and reprinted by anti-Semites, purporting to describe a plan to achieve Jewish global domination. It has been repeatedly exposed as a hoax by numerous independent investigations during the last hundred years. The Encyclopædia Britannica describes the Protocols as a "fraudulent document that served as a pretext and rationale for anti-Semitism in the early 20th century". Mainstream historians in the United States of America and Europe have long agreed that the text is fraudulent; this has also been stated in a number of court cases worldwide, e.g., as early as the 1930s in Bern, Switzerland. In 1993, a district court in Moscow, Russia, formally ruled that the Protocols were faked in dismissing a libel suit by the ultra-nationalist Pamyat organization, which had been criticized for using them in their anti-Semitic publications (...) It was first published abridged in series from August 28 to September 7 (O.S.), 1903 in St. Petersburg daily newspaper Знамя (Znamya, The Banner) by Pavel Krushevan who four months earlier initiated the Kishinev pogrom. There is evidence that the text was written by an operative of the Imperial Russian Okhranka Matvei Golovinski and was based on an early work by Maurice Joly linking Napoleon III to Machiavelli. For Tsar Nicholas II, who was fearful of modernization and protective of his monarchy, it would have been convenient to present the growing revolutionary movement as part of a powerful world conspiracy and blame the Jews for Russia's problems. Leia Mais.

It is now 100 years since the emergence of the infamous forgery, "The Protocols of the Learned Elders of Zion," the document which generated massive anti-Semitism all over the world. The story of the Protocols is well known. Developed by the Tsar's secret police in 1905, it claimed to be the real discussions of the Jewish leaders' conspiracy to rule the world. It is a classic in paranoid, racist literature. Taken by the gullible as the confidential minutes of a Jewish conclave convened in the last years of the 19th century, it has been heralded by anti-Semites as proof that Jews are plotting to take over the world. The document had a life of its own after World War I. It spread through Russia during the turmoil of the Communist revolution and its aftermath, playing a role in the murder of tens of thousands of Jews. It was picked up by auto magnate Henry Ford in the United States. "The Dearborn Independent," owned by Ford, published an American version of the Protocols between May and September of 1920 in a series called "The International Jew: the World's Foremost Problem." The articles were later republished in book form with half a million copies in circulation. This helped to spread pernicious anti-Semitism in this country in the 1920s. Adolf Hitler cited the document as proof...

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Quarta-feira, Janeiro 18, 2006

Gesenius' Hebrew Grammar is online

A clássica Gramática de Hebraico do Gesenius está, hoje, mais acessível do que nunca para consulta. Além de incluída no software BibleWorks 6.0, pode ser acessada gratuitamente online [Obs.: gramática retirada da web!]. Sem nos esquecermos, é claro, da edição impressa: GESENIUS, W.; KAUTZSCH, E. (ed.) Gesenius' Hebrew Grammar. Translated from German by A. E. Cowley. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 1995. Também: New York: Dover Publications, 2006 (cf. na Amazon.com). Veja mais informações aqui.


Quem foi Gesenius?
Heinrich Friedrich Wilhelm Gesenius (February 3, 1786 - October 23, 1842), was a German orientalist and Biblical critic. He was born at Nordhausen, Thuringia. In 1803 he became a student of philosophy and theology at the University of Helmstädt, where Heinrich Henke was his most influential teacher; but the latter part of his university course was taken at the Göttingen, where J. G. Eichhorn and T.C. Tychsen were then at the height of their popularity. In 1806, shortly after graduation, he became Repetent and Privatdozent at Göttingen; and, as he was later proud to say, had August Neander for his first pupil in Hebrew language. In 1810 he became professor extraordinarius in theology, and in 1811 ordinarius, at the University of Halle, where, in spite of many offers of high preferment elsewhere, he spent the rest of his life.

He taught for over thirty years, the only interruptions being that of 1813-1814 (occasioned by the War of Liberation, during which the university was closed) and those occasioned by two prolonged literary tours, first in 1820 to Paris, London and Oxford with his colleague Johann Karl Thilo (1794-1853) for the examination of rare oriental manuscripts, and in 1835 to England and the Netherlands in connection with his Phoenician studies. He became the most popular teacher of Hebrew and of Old Testament introduction and exegesis in Germany; during his later years his lectures were attended by nearly five hundred students. Among his pupils the most eminent were Peter von Bohlen, A.G. Hoffmann, Hermann Hupfeld, Emil Rödiger, J.F. Tuch, Wilhelm Vatke and Theodor Benfey.

In 1827, after declining an invitation to take Eichhorn's place at Göttingen, Gesenius was made a Consistorialrath; but, apart from the violent attacks to which he, along with his friend and colleague
Julius Wegscheider, was in 1830 subjected by E.W. Hengstenberg and his party in the Evangelische Kirchenzeitung, on account of his rationalism, his life was uneventful. He died at Halle.


Gesenius takes much of the credit for having freed Semitic philology from the trammels of Theological and religious prepossession, and for inaugurating the strictly scientific (and comparative) method which has since been so fruitful. As an exegete he exercised a powerful influence on theological investigation.


A Gramática
Of his many works, the earliest, published in 1810, entitled Versuch über die maltesische Sprache, was a successful refutation of the current opinion that the modern Maltese was of Punic origin. In the same year appeared the first volume of the Hebräisches u. Chaldäisches Handwörterbuch, completed in 1812. Revised editions of this appear periodically in Germany. The publication of a new English edition was started in 1892 under the editorship of Professors C.A. Briggs, S.R. Driver and F. Brown. The Hebräische Grammatik, published in 1813 (28th edition by E. Kautzsch; English translation by A.E. Cowley, 1910; 29th edition [incomplete] by G. Bergsträsser, 1918-29), was followed in 1815 by the Geschichte der hebräischen Sprache (now very rare), and in 1817 by the Ausführliches Lehrgebäude der hebräischen Sprache.

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Encyclopaedia Gentium Boni - Recursos para o estudo da Bíblia

Encyclopaedia Gentium Boni: numerosos recursos para o estudo da Bíblia, com forte ênfase na língua hebraica. Tanto para consulta online, quanto para download. Por Didier Fontaine. Em francês.

Uma pequena amostra dos recursos hebraicos: dictionnaires, grammaires complètes, méthodes d'initiation, syntaxe, textes analysés, textes de référence, conjugaisons, ouvrages indispensables, flashcards, logiciels gratuits... Mas há mais! Veja alguns recursos bíblicos: textes originaux, manuscrits, critique textuelle, ressources bibliographiques, encyclopédies et dictionnaires, atlas bibliques...

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Terça-feira, Janeiro 17, 2006

Bíblias em hebraico e grego, em Unicode, para download e leitura online

Na mesma página da Tyndale House, Universidade de Cambridge, Reino Unido, onde se encontra o Tyndale Unicode Font Kit, conforme anotado aqui, há também outras preciosidades: Bíblias em Hebraico (TM) e Grego (LXX e NT), baseadas na BHS (Hebraico), na Ralph (Septuaginta) e UBS (NT Grego), em arquivos para Word em formato Unicode, para download, livres para uso não-comercial. Veja: Greek & Hebrew Bibles in Unicode Word docs.

Além disso, há links para outros textos, bíblicos e não-bíblicos, que podem ser acessados online. Mais para o fim da página, observe o título Unicode Greek & Hebrew texts on the Web.

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Segunda-feira, Janeiro 16, 2006

Booknews from Eisenbrauns: assine esta lista

Como assinalo na minha página de links para Editoras da Ayrton's Biblical Page, a Eisenbrauns, de Indiana, USA, é uma respeitada casa com publicações acadêmicas de excelente qualidade sobre o Antigo Oriente Médio, estudos bíblicos, arqueologia e assiriologia.

Hoje, graças ao Jim, com seu novíssimo blog Petros Baptist Church, que substitui o Biblical Theology - Why Another Weblog? - tomei conhecimento de que existe uma lista chamada Booknews que mantém o interessado informado sobre os novos títulos da Eisenbrauns. Recomendo, fervorosamente, a todo biblista, a inscrição na lista, clicando aqui.

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O Pentateuco: do consenso wellhauseniano aos novos paradigmas

A disciplina Pentateuco é estudada no segundo semestre do primeiro ano, com carga horária de 4 horas semanais. Tempo que atualmente se tornou curto, pois há uma profunda crise nesta área de estudos, muito semelhante à crise da História de Israel. A teoria clássica das fontes JEDP do Pentateuco, elaborada no século XIX por Hupfeld, Kuenen, Reuss, Graf e, especialmente, Wellhausen, vem sofrendo, desde meados da década de 70 do século XX, sérios abalos, de forma que hoje muitos pesquisadores consideram impossível assumir, sem mais, este modelo como ponto de partida. O consenso wellhauseniano foi rompido, contudo, ainda não se conseguiu um novo consenso e muitas são as propostas hoje existentes para explicar a origem e a formação do Pentateuco.

I. Ementa
Oferece ao aluno um panorama da pesquisa exegética na área da formação e composição dos cinco primeiros livros da Bíblia e estuda os seus principais textos.

II. Objetivos
Familiariza o aluno com as tradições históricas de Israel e com as mais recentes pesquisas na área do Pentateuco para que o uso do texto na prática pastoral possa ser feito de forma consciente.

III. Conteúdo Programático
1. A redação do Pentateuco em três tempos
2. Novos paradigmas no estudo do Pentateuco
3. O Decálogo: Ex 20,1-17 e Dt 5,6-21
4. Códigos do Antigo Oriente Médio
5. O Código da Aliança: Ex 20,22-23,19
6. A criação: Gn 1,1-2,4a e Gn 2,4b-25
7. O pecado em quatro quadros: Gn 3,1-24

8. Caim e Abel: Gn 4,1-26
9. Patriarcas pré-diluvianos - de Adão a Noé: Gn 5,1-28.30-32
10. O dilúvio: Gn 6,5-9,19
11. A cidade e a torre de Babel: Gn 11,1-9
12. As tradições patriarcais: Gn 11,27-37,1
13. A história de José: Gn 37,5-50,26
14. O êxodo do Egito: Ex 1-15


IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. O pentateuco e a história de Israel. In: Teologia na pós-modernidade: abordagens epistemológica, sistemática e teórico-prática. São Paulo: Paulinas, 2003. p. 173-215.

DE PURY, A. (org.) O Pentateuco em questão: as origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

GARCÍA LÓPEZ, F. O Pentateuco. São Paulo: Ave-Maria, 2004.

GRUEN, W. et al. Os dez mandamentos: várias leituras 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 9, 1987.

MESTERS, C. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.

SCHWANTES, M. et al. A memória popular do êxodo. 2. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 16, 1996.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2003. Resenha disponível na Ayrton's Biblical Page > Ler o Pentateuco.

Complementar
BRIEND, J. (org.) A criação e o dilúvio segundo os textos do Oriente Médio Antigo 2. ed. São Paulo: Paulus, 1990.

BOUZON, E. Uma coleção de direito babilônico pré-hammurabiano: leis do reino de Eshnunna. Petrópolis: Vozes, 2001.

BOUZON, E. O Código de Hammurabi. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

CRÜSEMANN, F. A Torá: teologia e história social da lei do Antigo Testamento. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2002.

GARCÍA LÓPEZ, F. O decálogo. São Paulo: Paulus, 1997.

GERSTENBERGER, E. et al. A Lei. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 51, 1996.

GERTZ, J. C.; SCHMID, K.; WITTE, M. (eds.) Abschied vom Jahwisten: Die Komposition des Hexateuch in der jüngsten Diskussion. Berlin: Walter de Gruyter, 2002.

MESTERS, C. Bíblia, livro da aliança. 6. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

SCHWANTES, M. Projetos de esperança: meditações sobre Gênesis 1-11. São Paulo: Paulinas, 2002.

SCHWANTES, M. et al. Pentateuco. RIBLA, Petrópolis/São Leopoldo, n. 23, 1996/1.

SPARKS, K. L. The Pentateuch: An Annotated Bibliography. Grand Rapids: Baker, 2002.

STORNIOLO, I. Mandamentos, ontem e hoje (Entrevista com Pe. Ivo Storniolo). Vida Pastoral, São Paulo, n. 149, pp. 27-29, nov./dez. 1989.

STORNIOLO, I. Como ler o livro do Levítico: a formação de um povo santo. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

STORNIOLO, I. A cidade e sua torre: bênção ou castigo? Vida Pastoral, São Paulo, n. 152 , p. 2-7, maio/junho 1990.

VAN SETERS, J. The Pentateuch: A Social-Science Commentary. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1999.

WATTS, J. W. ( ed.) Persia and Torah: The Theory of Imperial Authorization of the Pentateuch. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2001.

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Domingo, Janeiro 15, 2006

Novo livro de Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman vem aí

Dos autores do consagrado The Bible Unearthed (tradução brasileira: A Bíblia não tinha razão), vem aí novo livro. Desta vez sobre Davi e Salomão e sobre o que deles se falou e se pode falar hoje. O lançamento do livro está previsto para fins de janeiro, início de fevereiro, como noticiado nas páginas da editora The Free Press e da Amazon.com.


FINKELSTEIN, I.; SILBERMAN, N. A. David and Solomon: In Search of the Bible's Sacred Kings and the Roots of the Western Tradition. New York: The Free Press, 2006, 352 p.

A editora oferece a seguinte descrição da obra:

The exploding number of discoveries of biblical archaeology - artifacts and texts found at hundreds of sites populated in the ancient Near East - have shed powerful beams of light on the characters and peoples in the Bible. Most of the resulting public controversies have focused on whether or not the history in the Bible is true. Yet ultimately, there are two larger questions that matter more: exactly how did the Bible evolve into its final form, over the centuries-long process of its compilation, and what does that history tell us about the traditions we have inherited and that still stamp our memories?

In David and Solomon, Israel Finkelstein and Neil Asher Silberman, leading archaeologists and authors who have done a great deal to uncover and understand the breathtaking findings of their field, focus on the first two great kings of the Bible as a lens through which we can see the evolution of the entire biblical era. The Bible's chapters and verses on David and his son were written in stages, over many hundreds of years, by authors living in very different circumstances. Thanks to a combination of textual analysis and archaeology, we now know a great deal about which parts of the story were written in which era, and why those particular societies might have added to the legend precisely as they did. In short, David and Solomon offers a guide to a thousand years of ancient civilization and the evolution of a tradition of kingly leadership that held sway throughout the West for much of our history.

The earliest folklore and verses about David depict a bandit leader, hiding in the mountains, leading a small gang of traveling raiders (which fits what we know of the ninth century B.C.E.). That bandit may well be the "true" David. In later periods, authors added images of David as a poet, as the founder of a great dynasty, as a political in-fighter, and (perhaps most famously) as a sinner. All of these images made sense for the authors who created them, and a similar evolution of Solomon from the builder of the Temple, to expander of his empire, to wise sage, to rich trader similarly reflects the successive stages of history up to the time of Jesus. Ultimately, David and Solomon came to embody a tradition of divinely inspired kings and even messiahs, the forerunners of Jesus and of the great kings of Europe throughout the Middle Ages.

David and Solomon shows how the stories built around two men reflect the very roots of the western tradition and explains a great deal of why the Bible appears as it does.

Na página da Free Press pode-se ler a Introdução do livro. Cito alguns trechos apenas:

Archaeology is today the most important tool at our disposal for reconstructing the evolution of ancient Israelite society. Elsewhere in the ancient world, archaeological research has also transformed our vision of the past (...) The discrepancies between art and literature, on the one hand, and documented, verifiable history and archaeological evidence, on the other, have made us see the founder myths of antiquity for what they are: shared expressions of ancient communal identity, told with great power and insight, still interesting and worthy of study, but certainly not to be taken as literal, credible records of events.

Such is the case with David and Solomon, who are depicted in the biblical narrative as founding fathers of the ancient Israelite state. Yet we can now say - as we will argue in considerable detail throughout this book - that many of the famous episodes in the biblical story of David and Solomon are fictions, historically questionable, or highly exaggerated. In the following chapters we will present archaeological evidence to show that there was no united monarchy of Israel in the way that the Bible describes it. Although it seems probable that David and Solomon were actual historical characters, they were very different from their scriptural portraits. We will show that it is highly unlikely that David ever conquered territories of peoples more than a day or two's march from the heartland of Judah. We will suggest that Solomon's Jerusalem was neither extensive nor impressive, but rather the rough hilltop stronghold of a local dynasty of rustic tribal chiefs. Yet the point of this book is not simply to debunk stories from the Bible. Alone among the great legends of Near Eastern and classical antiquity, the Bible retains its power to inspire hopes and dreams for living communities around the world even today. Our goal is to show how the legends of David and Solomon developed, and how they came to guide western thinking and shape western religious and political traditions in important ways.

As we proceed through the following chapters, we will analyze and attempt to date the various layers of the biblical story, describing the main issues in the now-bitter scholarly disagreements about its historical reliability, and presenting new archaeological evidence that is central to that debate. We will show, step by step, period by period, how the historical reality of ancient Judah - as revealed by archaeological research - gave rise both to a dynasty and to a legend that was transformed and expanded in a process of historical reinterpretation that continues even today.

Leia Mais:
Arqueologia e Bíblia (resenha de The Bible Unearthed)
Bíblia e Arqueologia (apresentação de The Bible Unearthed)
Os Governos de Saul, Davi e Salomão (a história do período e o debate atual)

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DUSANE: DUtch Symposium of the Ancient Near East

DUtch Symposium of the Ancient Near East, Leiden 2006: Nomadism, Pastoralism, and Current Research.

The first Dutch symposium of the Ancient Near East (DUSANE) is an initiative of students from the Faculty of Archaeology of the Ancient Near East in Leiden. The symposium shall be held on Saturday the eleventh of March 2006.

This symposium aims to bring various Dutch scholars together, to enhance the scientific-archaeological work carried out by Dutch scholars in the Near East and to bring this work to the attention of the wider, non-scholarly public. We aim to exchange information among project directors, students, colleagues and all those interested in Dutch archaeological research in the countries of today's Middle East (...) Our speakers include directors of current key archaeological research projects, Assyriologists, and material specialists.

Studenten van het Leidse dispuut van archeologie van het nabije Oosten, Nabu Naíd, van de Faculteit Archeologie in Leiden organiseren in 2006 voor de eerste keer het Dutch Symposium of the Ancient Near East (DUSANE). Het symposium indt plaats op zaterdag 11 maart 2006 in Leiden...

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Sábado, Janeiro 14, 2006

Quase metade dos judeus europeus descendem de apenas quatro mulheres

Folha Online - BBC Brasil: 14.01.2006 - 08h55

Um estudo revelou que quase metade dos judeus da Europa descendem de apenas quatro mulheres. Acredita-se que as quatro mulheres viveram no Oriente Médio há cerca de mil anos. As características genéticas passadas por elas a seus descendentes não são encontradas em não-judeus e são muito raras em judeus que não são de origem asquenazita. Cientistas do Instituto de Tecnologia de Israel, o Technion, estudaram o DNA mitocondrial - passado de mãe para filha - de onze mil mulheres judias de origem asquenazitas vivendo em 67 países. Os asquenazitas mudaram do Oriente Médio para a Itália, e dalí para o Leste Europeu, onde sua população aumentou consideravelmente no século 13, de acordo com os cientistas (...) O estudo foi publicado na Revista Americana de Genética Humana [The American Journal of Human Genetics] (continua).

The Matrilineal Ancestry of Ashkenazi Jewry: Portrait of a Recent Founder Event

Both the extent and location of the maternal ancestral deme from which the Ashkenazi Jewry arose remain obscure. Here, using complete sequences of the maternally inherited mitochondrial DNA (mtDNA), we show that close to one-half of Ashkenazi Jews, estimated at 8,000,000 people, can be traced back to only 4 women carrying distinct mtDNAs that are virtually absent in other populations, with the important exception of low frequencies among non-Ashkenazi Jews. We conclude that four founding mtDNAs, likely of Near Eastern ancestry, underwent major expansion(s) in Europe within the past millennium...

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Semantic Bible - A Bíblia Semântica

A Bíblia Semântica é composta por uma série de experimentos de novas tecnologias de computação aplicadas ao estudo da Bíblia. Compreende: uma Hiper-Concordância do Novo Testamento, um Índice Compósito do Evangelho, uma Base de Dados semântica de Nomes do Novo Testamento é um Blog. Site de Sean Boisen, Mestre em Lingüística que trabalha com aplicações avançadas de linguagem e tecnologias de fala por computador.

New Testament Hyper-Concordance
The basic idea is to navigate the space of Scripture directly using words. Taking this idea one step further, given the text of the verse, you can just embed a hyperlink from the word in question to other verses, preserving the context. Now here's where the idea takes off: instead of just hyperlinking one word, suppose every word is hyperlinked? This more tightly connects the information and gets you directly from the context of one verse to another with similar content (because of similar words). With some special processing to index the words, every word can link to a list of verses, each word of which is in turn hyperlinked to others, each word of which ...

The Composite Gospel Index
The Composite Gospel Index (CGI) combines the four Gospel accounts of the life of Jesus into a single unified view. Instead of the traditional book/chapter/verse organization, it divides the texts into about 350 pericopes, each of which describe an event, a teaching, a parable, an interaction, or some other cohesive piece of text.

New Testament Names: a Semantic Knowledge Base
New Testament Names is a semantic knowledge base describing each named thing in the New Testament, about 600 names in all. Each named thing (an entity) is categorized according to its class, including God, Jesus, individual men and women, groups of people, and locations. These entities are related to each other by properties that interconnect the entities into a web of information, all represented in a standardized language with formal semantics, and shared on the Web with URI's for others to use and extend. You can download it.

Blogos
A blog about God's Word, our words meaning, communication, & technology, following Jesus, the Word made flesh.

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Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

Tyndale Unicode Font Kit

Fontes Unicode estão se tornando padrão na Web. Com o freeware Tyndale Unicode Font Kit o usuário tem, além de fontes Unicode, teclados para escrever Hebraico e Grego bíblicos e transliterar o texto.

O software pode ser encontrado na página Fonts for Biblical Studies, da Tyndale House, Universidade de Cambridge, Reino Unido. O link está também na página de Línguas do Antigo Oriente Médio da Ayrton's Biblical Page, seção Fontes.

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Quinta-feira, Janeiro 12, 2006

Fotos de pesquisadores famosos: biblistas e teólogos

Interessante a descoberta deste site, coreano, com fotos de biblistas e teólogos famosos, como Kurt Aland, Albrecht Alt, Karl Barth, Joseph Blenkinsopp, Ernst Bloch, Dietrich Bonhoeffer, Rudolf Bultmann, Pierre Teilhard de Chardin, Frank Cruesemann, Oscar Cullmann, Herbert Donner, Bernhard Duhm, Otto Eissfeldt, Karl Elliger, Herman Gunkel, Adolf von Harnack, Martin Hengel, Joachim Jeremias, Gerhard von Rad, Karl Rahner, Rolf Rendtorff, Paul Tillich, Julius Wellhausen, entre outros. São cerca de sessenta!

O meu amigo Domingos Zamagna, biblista, gostava de dizer, nos bons tempos de estudo em Roma, que é fundamental o conhecimento da pessoa ou, pelo menos de sua foto, para compreendermos melhor seu pensamento...

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O Google já trabalha com trinta instituições acadêmicas brasileiras

Quarta-feira foi lançado o Google Acadêmico.

Segundo sua assessoria de imprensa, o Google já está trabalhando com 30 das maiores instituições acadêmicas brasileiras para oferecer seu conteúdo aos internautas. "Acreditamos que as descobertas de cunho universal são fundamentais para a vida acadêmica, pois permitem aos pesquisadores resgatar o que foi feito sobre o assunto de seu interesse até os dias de hoje", explica Anurag Acharya, engenheiro chefe do projeto Scholar. "Não sabemos qual será o próximo avanço descoberto, nem de onde ele virá. Facilitando o acesso dos pesquisadores de todo o mundo às pesquisas e trabalhos científicos feitos mundialmente, acreditamos que estamos cumprindo nosso papel para o mundo acadêmico", afirma. O Google Acadêmico classifica seus resultados usando as regras de relevância do buscador, para assegurar que as referências mais úteis apareçam no alto da página. Além disso, sempre que possível, o serviço buscará o texto de uma pesquisa na íntegra e não apenas no seu sumário (continua)...

É o que noticia a INFO Online.

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Quarta-feira, Janeiro 11, 2006

Google Scholar em português tem o nome de Google Acadêmico

Está na Folha Online de hoje - 11.01.2006, às 16h35 - esta boa notícia: Google acadêmico ganha versão em português



Depois de criar uma versão em português para a busca de notícias, o gigante das buscas fez o mesmo com o Google Scholar, sua ferramenta voltada para trabalhos acadêmicos. Assim como em outras páginas da empresa, o usuário pode escolher se quer resultados em diversas línguas ou somente em português. Entre as alternativas estão relatórios técnicos, resumos e artigos científicos. Os internautas não têm acesso a parte deste conteúdo, pois ele está disponível somente off-line - ainda assim, é possível ver onde estes trabalhos foram citados e suas fontes de informação (editoras e universidades, por exemplo). Segundo a empresa, o objetivo desta busca segmentada é facilitar o trabalho de outros pesquisadores. "A ferramenta permite que eles [pesquisadores] resgatem o que já foi feito sobre o assunto de seu interesse até os dias de hoje", diz um comunicado do Google (continua)...

Agora é preciso que editoras e bibliotecas brasileiras incluam o mais rápido possível suas publicações no Google Acadêmico!

Leia Mais:
Google Acadêmico
Sobre o Google Acadêmico
Suporte do Google Acadêmico para bibliotecas
Suporte do Google Acadêmico para editoras acadêmicas

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Buscas Especiais

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Ouvir, Ler e Escrever: o curso de Língua Hebraica Bíblica

O curso de Língua Hebraica Bíblica compreende apenas 30 horas no segundo semestre do primeiro ano de Teologia. É um tempo insuficiente mesmo para a aprendizagem elementar do hebraico bíblico. Por isso - utilizando recursos de audição do hebraico, projeção com datashow, imagens gif que mostram a construção do alfabeto, somados à distribuição de CDs com o aplicativo e vários outros recursos para uso em casa - o curso se propõe apenas familiarizar o estudante de Teologia com o universo da língua hebraica e o modo semítico de pensar. No transcorrer das aulas os três itens principais - ouvir, ler e escrever - são trabalhados simultaneamente e não sequencialmente. Este curso está disponível para download na Ayrton's Biblical Page > Hebraico.

I. Ementa
Introdução elementar à língua hebraica bíblica, que parte de um texto específico, Gn 1,1-8, e trabalha com os elementos de ortoépia (pronúncia normal e correta dos sons), ortografia (escrita correta das palavras) e etimologia (formação das palavras e suas flexões) encontrados neste pequeno trecho. O método escolhido foi o de ouvir, ler e escrever a língua hebraica. Informações complementares sobre a história da língua e análise do vocabulário de Gn 1,1-8 também são oferecidas.

II. Objetivos
Trabalha conceitos semíticos importantes para a compreensão do texto bíblico vétero-testamentário.


III. Conteúdo Programático

História
O hebraico é uma língua semítica. As línguas semíticas constituem um ramo da grande família das línguas afro-asiáticas, anteriormente chamada camito-semítica. A família afro-asiática compreende seis ramos: semítico, egípcio, berbere, cuxita, homótico e chádico. Nesta seção o hebraico é situado no grande quadro das línguas semíticas e tenta-se, em seguida, esboçar uma rápida história da língua hebraica, salientando suas características específicas.


  • Línguas Semíticas
  • Hebraico
1. Ouvir
Ouvir repetidamente o hebraico. Até o ouvido se acostumar com os sons estranhos. Não há aqui a preocupação em entender. O objetivo é fixar a atenção nos sons e acompanhar o texto de cada versículo, palavra por palavra. Até começar a distinguir onde está o leitor, no caso o cantor.


  • Ouvir Gn 1,1-8
2. Ler
Nesta seção o objetivo é tentar ler o hebraico. Está disponível, para cada versículo de Gn 1,1-8, a pronúncia e a transliteração. A pronúncia está bem simplificada, somente chamando a atenção para as tônicas, sem dizer se o som da vogal é aberto ou fechado. Já a transliteração, representação dos caracteres hebraicos em caracteres latinos, é uma coisa complicada e tem que ser detalhada. Há transliteração de cada palavra, e também de cada consoante, vogal e semivogal (shevá, em hebraico). É algo trabalhoso e parece desnecessário, mas o estudante de hebraico tem que se acostumar com a idéia de que o som da língua nada, ou quase nada, tem a ver com o português! O hebraico tem suas próprias características. E a transliteração o ajuda a perceber isso.


  • Ler Gn 1,1-8
  • O Alfabeto
3. Escrever
Escrever o hebraico... parece ruim, mas é necessário! Nesta seção o estudante vai aprender algumas regras básicas da gramática hebraica. Regras que permitirão uma escrita mínima de palavras e expressões. Mas a gramática é muito mais do que isto que aí está. Para isso existe uma bibliografia com gramáticas, vocabulários, dicionários... E há revisões. Uma para cada versículo. As revisões ajudarão o estudante de hebraico verificar o seu nível de absorção do ouvir, do ler e do escrever. Poderão servir igualmente para as avaliações da disciplina.


  • As Sílabas
  • O Shevá
  • O Dâghesh
  • Revisão I
  • Vav Conjuntivo
  • O Artigo
  • As Preposições
  • Revisão II
  • O Substantivo
  • Revisão III
  • O Adjetivo
  • Os Numerais
  • Revisão IV
  • O Verbo I
  • Revisão V
  • O Verbo II
  • Vav Consecutivo
  • Revisão VI
  • O Verbo III
  • Revisão VII
Vocabulário
Nesta seção o que se pretende é analisar o vocabulário de Gn 1,1-8 no seu contexto. Serve, entre outras coisas, como preparação para o estudo de uma parcela (mínima, mas importante) do Pentateuco, que é estudado no mesmo semestre.

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. Noções de hebraico bíblico. Aplicativo em linguagem html. Brodowski, 2001. Revisto em 10.01.2006.

BUSHELL, M. Bible Works 6.0. Norfolk, Virginia: BibleWorks, 2003. Rev 6.0.012n de setembro de 2005.

Complementar
ELLIGER, K. - RUDOLPH, W. Biblia Hebraica Stuttgartensia. 5. ed. Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, [1967/77], 1997.

KALTNER, J.; MCKENZIE, S. L. (eds.) Beyond Babel: A Handbook for Biblical Hebrew and Related Languages. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2002.

KELLEY, P. H., Hebraico bíblico: uma gramática introdutória. 5. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2004.

KIRST, N. et al. Dicionário hebraico-português e aramaico-português. 18. ed. São Leopoldo/Petrópolis: Sinodal/Vozes, 2004.

LAMBDIN, Th. O. Gramática do hebraico bíblico. São Paulo: Paulus, 2003.

MENDES, P. Noções de hebraico bíblico: texto programado. São Paulo: Vida Nova, 1981. 12a. reimpressão, 2003.

MITCHEL, L. A.; OSVALDO C. PINTO, C.; METZGER, B. M. Pequeno dicionário de línguas bíblicas: hebraico e grego. São Paulo: Vida Nova, 2003.

SAYÃO, L. (ed.) Antigo Testamento poliglota. São Paulo: Vida Nova, 2003.

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Desviados parcos recursos da pobre pesquisa brasileira

Verbas reservadas para financiar bolsas de formação e qualificação de pesquisadores são desviadas para despesas administrativas do CNPq.

A notícia revoltante está no blog do Josias de Souza, aqui.
Verbas públicas que deveriam ser aplicadas na concessão de bolsas para pesquisadores brasileiros vêm sendo sistematicamente desviadas para cobrir despesas administrativas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Só no último trimestre de 2004, foram desviados pelo menos R$ 12,640 milhões. Recursos destinados à concessão de bolsas de estímulo à pesquisa estão sendo usados para custear gastos com viagens, diárias e até com o funcionamento do Call-center do CNPq. Nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2004, os desvios somaram R$ 3,463 milhões. Dinheiro reservado para financiar bolsas de formação e qualificação de pesquisadores foram aplicados no seguinte tipo de gasto: contratação de mão-de-obra terceirizada, aquisição de material de expediente, reformas e manutenção predial, aluguel de imóvel em Brasília, pagamentos de estagiários, etc. Tudo somado, desviaram-se R$ 9,177 milhões entre outubro e dezembro de 2004. As cifras foram apuradas duante inspeção realizada por auditores do TCU nas contas do CNPq relativas ao último trimestre de 2004. A auditoria faz parte de um programa de fiscalização aprovado pelo tribunal no início de 2004 (continua)...

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Este calendario merece ser visto

Jim West chama a atenção para o belíssimo calendário do site OPPIS WORLD, que mostra, a cada dia, com belas fotos, o nascimento de um personagem importante e/ou um acontecimento significativo na história humana. Vale a visita!

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Terça-feira, Janeiro 10, 2006

A historiografia deuteronomista à luz das pesquisas recentes

Escrevendo um artigo sobre o Contexto da Obra Histórica Deuteronomista para o próximo número da revista Estudos Bíblicos (n. 88), e agora elaborando meu programa de aula de Literatura Deuteronomista para 2006, li uma parte deste livro que eu já havia comentado, rapidamente, em minha bibliografia.

O livro é composto por 14 ensaios produzidos por vários autores em um seminário do terceiro ciclo realizado em 1995 pelas Faculdades de Teologia de Fribourg, Genève, Lausanne e Neuchâtel, todas da Suíça francesa.
  • DE PURY, A.; RÖMER, T.; MACCHI, J.-D. (éds.) Israël construit son histoire: l'historiographie deutéronomiste à la lumière des recherches récentes. Genève: Labor et Fides, 1996.
  • Em inglês: Israel Constructs Its History: Deuteronomistic Historiography in Recent Research. Sheffield: Sheffield Academic Press, 2000.
Hoje encontrei uma apresentação detalhada do livro, em francês, bastante interessante, e que pode ser lida aqui. Disponível, na mesma página, o sumário da obra!

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Trechos dos livros de John Dominic Crossan online

Mark Goodacre assinala hoje em seu Mark Goodacre’s NT Blog este site, da editora HarperSanFrancisco, onde são apresentados os livros de Crossan, sendo que pequenos trechos podem ser acessados online. Há também, na página, uma biografia do autor, famoso por suas pesquisas sobre o Jesus Histórico.

Leia mais:
Historical Jesus Archive (textos, em inglês, da Bible and Interpretation)
Historical Jesus Theories (teorias de estudiosos de renome sobre o Jesus Histórico - em inglês)
Jesus Histórico (bibliografia comentada, em português e inglês, sobre o Jesus Histórico)
Jesus x Império (bibliografia sobre o Jesus Histórico, em português e inglês)

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Segunda-feira, Janeiro 09, 2006

Literatura Deuteronomista: como responder aos desafios do presente repensando o passado?

Lecionar Literatura Deuteronomista é um desafio e tanto. Enquanto as questões da formação do Pentateuco são discutidas há séculos, a noção da existência de uma Obra Histórica Deuteronomista (= OHDtr) só foi formulada muito recentemente, como se pode ver aqui.

Além disso, há dois problemas com a disciplina: carga horária insuficiente para estudar textos de livros tão complexos como, por exemplo, Josué ou Juízes - a disciplina tem apenas 2 horas semanais durante o primeiro semestre do segundo ano de Teologia - e uma bibliografia mínima em português. Há excelente debate acadêmico hoje, contudo está em inglês e alemão, principalmente. Aparece na bibliografia complementar, mas é praticamente inacessível aos alunos.

Para completar, prefiro estudar o livro do Deuteronômio aqui e não no Pentateuco, também por duas razões: a disciplina Pentateuco já é por demais sobrecarregada e o Deuteronômio é a chave que abre o significado da OHDtr. Por isso, ele faz muito sentido aqui.

Por outro lado, há uma integração muito grande da Literatura Deuteronomista com três outras disciplinas bíblicas: com a História de Israel, naturalmente; com a Literatura Profética, irmã gêmea; com o Pentateuco, através do elo deuteronômico.

I. Ementa
A Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr) tentará responder aos desafios do presente repensando o passado no final da monarquia e na situação de exílio e pós-exílio. Faz isso percorrendo toda a história da ocupação da terra, desde as vésperas da entrada em Canaã até a derrocada final da monarquia em Israel e Judá.

II. Objetivos
Pesquisar a arquitetura, as idéias basilares e a teologia da Literatura Deuteronomista como uma obra globalizante, e de cada um de seus livros, a fim de dar fundamentos para sua interpretação e atualização.

III. Conteúdo Programático
1. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista
2. O Deuteronômio
3. O livro de Josué
4. O livro dos Juízes
5. Os livros de Samuel
6. Os livros dos Reis

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. O contexto da Obra Histórica Deuteronomista. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 89, 2006 (no prelo). Apresentação do artigo disponível no Observatório Bíblico > A OHDtr em Estudos Biblicos.

STORNIOLO, I. Como ler o livro do Deuteronômio: escolher a vida ou a morte. 4. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

STORNIOLO, I. Como ler o livro de Josué: terra = vida, dom de Deus e conquista do povo. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

STORNIOLO, I. Como ler o livro dos Juízes: aprendendo a ler a história. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

STORNIOLO, I. Como ler os livros dos Reis: da glória à ruína. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1999.

STORNIOLO, I.; BALANCIN, E. M. Como ler os livros de Samuel: a função da autoridade. 3. ed. São Paulo: Paulus, 1997.

Complementar
CHRISTENSEN, D. L. (ed.) A Song of Power and the Power of Song: Essays on the Book of Deuteronomy. Winona Lake, Indiana: Eisenbrauns, 1993.

DE PURY, A. (org.) O Pentateuco em questão: as origens e a composição dos cinco primeiros livros da Bíblia à luz das pesquisas recentes. Petrópolis: Vozes, 1996. Original: Le Pentateuque en question: Les origines et la composition des cinq premiers livres de la Bible à la lumière des recherches récentes. Genève: Labor et Fides, 1989. Este livro foi atualizado e reeditado (3a edição) em 2002: DE PURY, A.; RÖMER, T, (éds.) Le Pentateuque en question: Les origines et la composition des cinq premiers livres de la Bible à la lumière des recherches récentes. Troisième Édition Augmentée. Genève: Labor et Fides, 2002.

DE PURY, A.; RÖMER, T.; MACCHI, J.-D. (eds.) Israël construit son histoire: l'historiographie deutéronomiste à la lumière des recherches récentes. Genève: Labor et Fides, 1996. Apresentação detalhada do livro, em francês, aqui.

FARIA, J. de Freitas (org.) História de Israel e as pesquisas mais recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003.

FINKELSTEIN, I.; SILBERMAN, N. A. The Bible Unearthed: Archaeology's New Vision of Ancient Israel and the Origin of Its Sacred Texts. New York: The Free Press, 2001. Em português: A Bíblia Não Tinha Razão. São Paulo: A Girafa, 2003. Apresentação do livro disponível na Ayrton's Biblical Page > Bíblia e Arqueologia e resenha disponível na Ayrton's Biblical Page > Arqueologia e Bíblia.

KNOPPERS, G. N.; McCONVILLE J. G. (eds.) Reconsidering Israel and Judah: Recent Studies on the Deuteronomistic History. Winona Lake, Indiana: Eisenbrauns, 2000.

LOHFINK, N. Studien zum Deuteronomium und zur deuteronomistischen Literatur V. Stuttgart: Katholische Bibelwerk, 2005.

LOWERY, R. H. Os reis reformadores: culto e sociedade no Judá do Primeiro Templo. São Paulo: Paulinas, 2004.

NAKANOSE, S. Uma história para contar... a Páscoa de Josias: metodologia do Antigo Testamento a partir de 2Rs 22,1-23,30. São Paulo: Paulinas, 2000.

NIELSEN, F. A. J. The Tragedy in History: Herodotus and the Deuteronomistic History. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997.

NOTH, M. The Deuteronomistic History. Sheffield: Sheffield Academic Press, 2001. Original: Überlieferungsgeschichtliche Studien: Die sammelnden und bearbeitenden Geschichtswerke im Alten Testament Halle: Max Niemeyer Verlag, 1943, p. 1-110.

PERSON, R. F. Jr. The Deuteronomic School: History, Social Setting and Literature. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2002.

ROGERSON, J. W. (ed.) The Pentateuch: A Sheffield Reader. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996.

RÖMER, T. C. (ed.) The Future of the Deuteronomic History. Leuven: Leuven University Press/Peeters, 2000.

SCHEARING, L. S.; McKENZIE, S. L. (eds.) Those Elusive Deuteronomists: The Phenomenon of Pan-Deuteronomism. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1999.

SKA, J.-L. Introdução à leitura do Pentateuco: chaves para a interpretação dos cinco primeiros livros da Bíblia. São Paulo: Loyola, 2003.

VAN SETERS, J. The Pentateuch: A Social-Science Commentary. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1999.

VV. AA. Recenti tendenze nella ricostruzione della storia antica d'Israele. Roma: Accademia Nazionale dei Lincei, 2005.

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Studien zum Deuteronomium und zur deuteronomistischen Literatur

Três estudos interessantes sobre o Deuteronômio e a Obra Histórica Deuteronomista.

  • KNOPPERS, G. N.; McCONVILLE J. G. (eds.) Reconsidering Israel and Judah: Recent Studies on the Deuteronomistic History. Winona Lake, Indiana: Eisenbrauns, 2000.
  • LOHFINK, N. Studien zum Deuteronomium und zur deuteronomistischen Literatur V. Stuttgart: Katholische Bibelwerk, 2005.
  • RÖMER, T. C. (ed.) The Future of the Deuteronomic History. Leuven: Leuven University Press/Peeters, 2000.

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Bibliografia

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Domingo, Janeiro 08, 2006

Literatura Profetica: farei de minhas palavras um fogo em tua boca

Dando continuidade à exposição dos programas das disciplinas bíblicas que leciono na Teologia, abordarei agora a Literatura Profética, que é estudada no primeiro semestre do segundo ano de Teologia, com carga horária semanal de 4 horas. A Literatura Profética trabalha, além de questões globais do profetismo, uma seleção de textos dos profetas pré-exílicos. O texto que orienta a maior parte do estudo é o meu livro A Voz Necessária. Os profetas do exílio e do pós-exílio são estudados na Literatura Pós-Exílica, que vem logo no semestre seguinte.

I. Ementa

A disciplina apresenta, como ponto de partida, uma discussão sobre as origens, o teor e os limites do discurso profético israelita. Busca compreender a necessidade da profecia como resultado da ruptura provocada pelo surgimento do Estado monárquico que pressiona as tradicionais estruturas tribais de solidariedade. Aborda, em seguida, os profetas pré-exílicos, de Amós a Jeremias, passando por Oséias, Isaías, Miquéias, Habacuc e outros. Cada um é tratado no seu contexto, nas características de sua atuação e textos escolhidos são lidos. Procura-se identificar em cada um deles a sua função de crítica e de oposição ao absolutismo do Estado classista, em nome da fé em Iahweh, que exige um posicionamento solidário em favor dos mais fracos.

II. Objetivos
Coloca em discussão as características e a função do discurso profético e confronta os textos dos profetas pré-exílicos com o contexto da época, possibilitando ao aluno uma leitura atualizada e crítica dos textos proféticos em confronto com a realidade contemporânea e suas exigências.

III. Conteúdo Programático

1. A origem do movimento profético em Israel
2. O teor do discurso profético
3. Os profetas pré-exílicos
  • Amós
  • Oséias
  • Isaías 1-39
  • Miquéias
  • Sofonias
  • Naum
  • Habacuc
  • Jeremias

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C. São Paulo: Paulus, 1998.

GAMELEIRA SOARES, S. A. et al. Profetas ontem e hoje. 3. ed. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 4, 1987.

SCHÖKEL, L. A.; SICRE DIAZ, J. L. Profetas 2v. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2002-2004.

SICRE, J. L. A justiça social nos profetas. São Paulo: Paulus, 1990.

SICRE, J. L. Profetismo em Israel: o profeta, os profetas, a mensagem. Petrópolis: Vozes, 1996.

Complementar
BLENKINSOPP, J. Isaiah 1-39: A New Translation with Introduction and Commentary. New York: Doubleday, 2000.

BRUEGGEMANN, W. A Commentary on Jeremiah: Exile and Homecoming. Grand Rapids, MI/Cambridge, U.K: Eerdmans, 1998.

CARROLL R., M. Daniel, Amos - The Prophet and His Oracles: Research on the Book of Amos. Louisville: Westminster John Knox, 2002.

CROATO, J. S. et al. Os livros Proféticos: a voz dos profetas e suas releituras. RIBLA, Petrópolis, n. 35/36, 2000/1/2.

DA SILVA, A. J. Nascido Profeta: a vocação de Jeremias. São Paulo: Paulus, 1992.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais Freqüentes sobre o Profeta Amós. Disponível na Ayrton's Biblical Page > Amós.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais Freqüentes sobre o Profeta Isaías. Disponível na Ayrton's Biblical Page > Isaías.

DA SILVA, A. J. Perguntas mais Freqüentes sobre o Profeta Jeremias. Disponível na Ayrton's Biblical Page > Jeremias.

DA SILVA, A. J. Vale a Pena Ler os Profetas Hoje? Disponível na Ayrton's Biblical Page > Ler os Profetas.

GORDON, R. P. (ed.) The Place Is Too Small for Us: The Israelite Prophets in Recent Scholarship. Winona Lake, Indiana: Eisenbrauns, 1995.

GRABBE, L.; BELLIS, A. O. (eds.) The Priests in the Prophets: The Portrayal of Priests, Prophets and Other Religious Specialists in the Latter Prophets. London/New York: T. & T. Clark, 2005. Apresentação disponível no Observatório Bíblico > CBQ - Catholic Biblical Quarterly de outubro: considerações sobre profetas e sacerdotes.

MÖLLER, K. A Prophet in Debate: The Rhetoric of Persuasion in the Book of Amos. Sheffield: Sheffield Academic Press, 2003.

SCHWANTES, M. "A terra não pode suportar suas palavras" (Am 7,10): reflexão e estudo sobre Amós. São Paulo: Paulinas, 2004.

SCHWANTES, M. et al. Profetas e profecias: novas leituras. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 73, 2002.

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Sábado, Janeiro 07, 2006

Fundamentalismo: um desafio ecumênico

A revista Concilium, em um fascículo um tanto datado (1992!), mas com um tratamento dado ao tema que me parece ainda atual, aborda a questão do fundamentalismo como um desafio ecumênico. É claro que há questões novas, que devem ser lidas em outras obras, porém, transcrevo aqui pequenos trechos da Concilium, que acredito dignos de reflexão, especialmente quando vejo, nestes dias, as notícias sobre as atitudes fundamentalistas, tanto de um conhecido pregador norte-americano, quanto de radicais judeus que, ancorados no texto bíblico e/ou em suas tradições, vêem a doença de Sharon como castigo divino por ter retirado os colonos judeus da faixa de Gaza e ter entregue aos palestinos terra que, segundo eles, pertencia a Deus... o qual, por sua vez, a dera a Israel!

KÜNG, H.; MOLTMANN, J. Fundamentalismo: um desafio ecumênico. Concilium, Petrópolis, v. 241, n. 3, 1992, 165 p.

Para complementar a Concilium podem se lidos:
MARTY, M. E; APPLEBY, R. S.(eds.) Accounting for Fundamentalisms: The Dynamic Character of Movements. Chicago: University of Chicago Press, 2004, 862 p.
MARTY, M. E; APPLEBY, R. S.(eds.) Fundamentalisms Comprehended. Chicago: University of Chicago Press, 2004, 528 p.
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. A Interpretação da Bíblia na Igreja. São Paulo: Paulinas, 1994 (Leitura fundamentalista: p. 82-86).

What is Biblical Fundamentalism All About?
[Uma definição do fundamentalismo pelos fundamentalistas da Fundamental Evangelistic Association:] Biblical fundamentalism is neither a political movement nor an adherence to the culture of a bygone era. Rather, it is a movement of men and ministries who, recognizing God's Word as completely authoritative in every area of which it speaks, are dedicated to theological orthodoxy and an attitude of disdain for unbelief as well as theological, ecclesial or ministerial compromise. Biblical fundamentalism is a worldview put into action-a worldview that recognizes man's need to honor and glorify God in every area of life as revealed through His written Word, the Bible. The Biblical fundamentalist lives out his worldview by manifesting his beliefs through action-particularly, through his love for others, his obedience to God's Word and his loyalty to God Himself. Biblical fundamentalism, then, is all about love, obedience and loyalty!

COLEMAN, J. A. Fundamentalismo global: perspectivas sociológicas. Concilium, o. c., p. 55-56:
Entre muitas definições conflitantes e - às vezes - puramente convencionais, proponho, como base útil para o estudo comparado dos fundamentalismos, a seguinte definição e explicação de fundamentalismo dada pelos sociólogos Anton Shupe e Jeffrey Hadden (Secularization and Fundamentalism Reconsidered, vol. III. New York: Paragon House, 1989, p. 111): "Em termos extremamente simples, definimos o fundamentalismo como um movimento que visa recuperar a autoridade sobre uma tradição sagrada que deve ser reintegrada como antídoto contra uma sociedade que se soltou de suas amarras institucionais. Do ponto de vista sociológico o fundamentalismo implica: 1) repúdio à radical separação entre sagrado e secular, que foi se impondo sempre mais com a modernidade; e 2) um plano para anular esta bifurcação institucional e com isso trazer a religião de volta para o centro do palco, como importante fator ou parte interessada nas decisões relativas ao interesse público". O fundamentalismo visa recuperar a autoridade sobre uma tradição sagrada. Distingue-se dos apelos utópicos a criar uma ordem social nova, até agora apenas sonhada. Os fundamentalistas conclamam as pessoas a voltar a uma tradição perdida. Exigem a recuperação dos valores de uma época anterior, presumivelmente mais pura e mais íntegra. Buscam, assim, reorientar a sociedade e a cultura para um futuro mais desejável. Essa época anterior reconstruída pode, evidentemente, padecer de uma idealização em alto grau ou depender de uma ênfase exagerada, mas muito criativa, dada a um ou outro traço da época anterior imaginada. Os historiadores que prezam a exatidão científica terão grande dificuldade em descobrir as provas do pretenso passado idealizado, agora recuperado de forma seletiva. Se numa época anterior existiu uma sociedade mais perfeita e mais honesta, devem necessariamente os fundamentalistas explicar como essa ordem social se desencaminhou. As ideologias ou cosmovisões fundamentalistas apontam, então, símbolos do mal. Apontam e condenam várias ideologias, movimentos sociais e forças ou indivíduos que desencaminharam a sociedade do antigo estado moral idealizado. Conceitos relacionados com 'colapso moral' e corrupção dos valores abundam no discurso fundamentalista. Às vezes esses conceitos vêm ligados a supostas conspirações de inimigos tachados de 'modernistas' ou 'humanistas seculares'. Os fundamentalistas procuram apresentar elos de continuidade entre seu movimento fundamentalista e a tradição de fé que este afirma desejar recuperar. Os símbolos centrais evocados pelas reações fundamentalistas ocupam geralmente também um lugar central na ortodoxia da religião. Assim, por exemplo, a sola scriptura transformada em Escritura inerrante ou o primado papal transformado em fundamentalismo papal unem os fundamentalistas à corrente ortodoxa do Protestantismo ou do Catolicismo onde possuem aliados potenciais. Evidentemente, os integristas católicos e os fundamentalistas protestantes tendem a manipular desproporcionalmente os símbolos ortodoxos e a apresentar uma caricatura dos mesmos. Ainda assim, muitas vezes os fundamentalismos retroalimentam a corrente ortodoxa e são, por sua vez, alimentados por aliados na corrente ortodoxa. Às vezes é difícil traçar limites nítidos entre os fundamentalistas e os tradicionalistas ou conservadores mais nuançados. Esta ambigüidade confere ao fundamentalismo uma força que ultrapassa os grupos marginais radicais que o adotam integralmente.

VOLF, M. O desafio do fundamentalismo protestante. Concilium, o. c., p. 127;129-130:
Historicamente, o fundamentalismo protestante foi uma tardia reação religiosa à modernidade. Mais precisamente: foi uma reação à reação do cristianismo liberal à modernidade. O livro de um estudioso do Novo Testamento, J. Gresham Machen, de Princeton, que é provavelmente a melhor expressão do programa teológico fundamentalista, sugere isto através de seu título: Christianity and Liberalism (1923). Na seção histórica do presente artigo, tratarei de Machen como sendo o 'fundamentalista padrão' (...) A obra de Machen, Christianity and Liberalism, consiste principalmente de contraposições entre doutrinas bíblicas e as pretensões teológicas do liberalismo. A Bíblia exalta a 'terrível transcendência de Deus'; o liberalismo aplica o nome de Deus ao 'processo do mundo'. A Bíblia ensina que 'o homem é um pecador sob a justa condenação de Deus'; o liberalismo acredita que 'sob as grosseiras feições exteriores do homem... é possível descobrir a abnegação suficiente para servir de fundamento à esperança da sociedade'. A Bíblia proclama Jesus Cristo como objeto divino e humano da fé; o liberalismo vê nele um exemplo humano de fé. A mensagem central da Bíblia é a salvação da culpa do pecado pelo sacrifício expiatório de Cristo, o Filho de Deus; o liberalismo ensina que a salvação vem pelos próprios seres humanos, vencendo sua preguiça para fazer o bem (...) O ímpeto mais forte que está por trás do fundamentalismo americano se compara à força propulsora da neo-ortodoxia européia: é a crítica da adaptação da teologia liberal à modernidade, partindo da posição vantajosa de redescobrir a 'terrível transcendência' de Deus e a ação salvífica de Deus em favor da humanidade pecadora. O acento na Bíblia como Palavra de Deus em ambos os movimentos é parte e parcela desta descoberta.

MOLTMANN, J. Fundamentalismo e modernidade. Concilium, o.c., p.142-143:
Os fundamentalistas não reagem às crises do mundo moderno, mas às crises que o mundo moderno provoca em sua comunidade de fé e em suas convicções básicas. A convição de fé se baseia na segurança da autoridade divina. Nas assim chamadas Religiões do Livro, é a autoridade divina do documento da revelação: a palavra de Deus é, como o próprio Deus, sem erro e infalível (...) As ciências históricas e empíricas do mundo moderno são reconhecidas enquanto concordarem com [o documento divino da revelação], mas são rejeitadas se questionarem esta autoridade intemporal (...) O documento divino da revelação não pode estar sujeito à interpretação humana mas, ao contrário, a interpretação humana deve estar sujeita ao documento divino da revelação. O fundamentalismo exclui todo juízo racional sobre a condicionalidade histórica de sua origem e sobre a diferença hermenêutica em relação às condições mudadas do presente. O conteúdo de verdade do documento da revelação é intemporal e não precisa ser constantemente explicado ou atualizado, mas apenas conservado intocável. O fundamentalismo baseado na revelação não argumenta, apenas afirma. Não pede compreensão, mas sujeição. Não se trata absolutamente de um problema hermenêutico mas de uma luta pelo poder: ou a palavra de Deus ou o 'espírito da época'. O fundamentalismo também não é um fenômeno de retirada ou de defesa, mas de avanço sobre o mundo moderno para dominá-lo. Faz parte das várias estratégias teo-políticas atuais...

HEBBLETHWAITE, P. O fundamentalismo romano-católico... Concilium, o. c., p. 114:
Se considerarmos o fundamentalismo não como um corpo doutrinal mas como uma atitude em face da crença religiosa, atitude caracterizada pela canonização de um texto antigo, pelo apego ao seu sentido literal e pela convicção de que só um pequeno resto há de salvar o mundo pela fidelidade à inspiração original, então sem dúvida, existem fundamentalismos romano-católicos. Mas eles tendem a rejeitar essa qualificação, por causa de suas conotações protestantes. Os fundamentalistas católicos diferenciam-se de seus irmãos (e irmãs) protestantes pelo fato de substituir a Bíblia, que não apreciam tanto e nem lêem, pelos Concílios da Igreja, especialmente o Tridentino (Concílio anti-protestante) ou pelo Vaticano I (Concílio antimoderno). Ou então combinam os dois. Esses Concílios representam a 'idade de ouro', quando 'a Igreja sabia para onde ia'.

NEUSNER, J. O desafio do fundamentalismo judaico contemporâneo. Concilium, o. c. p. 67-68:
O 'fundamentalismo', categoria teológica cristã protestante, não se aplica a nenhum dos judaísmos contemporâneos. Para nenhum judaísmo hoje - seja Reformista, Reconstrucionista, Conservador, Ortodoxo em qualquer uma das numerosas formas de Judaísmo Ortodoxo atualmente florescentes - a proposição da veracidade literal e inerrante da Escritura, lida segundo suas próprias condições e em seus próprios parâmetros, constitui uma opção. Isso porque todos os Judaísmos abordam as Escrituras hebraicas, conhecidas no Judaísmo como Torá escrita, pelo método estabelecido pela Torá oral, hoje conservada em forma escrita nos dois Talmudes e em várias compilações de Midrashes; e na leitura da Torá oral, embora a Torá escrita seja sempre verdadeira, ela nunca é lida de modo literal, como a hermenêutica fundamentalista protestante sustenta que deve ser. Por conseguinte, em sentido estrito não podemos falar de fundamentalismo no contexto de nenhum Judaísmo ou, portanto, do Judaísmo em geral. Mas, enquanto o fundamentalismo designa um fenômeno mais amplo do que dá a entender o fundamentalismo hermenêutico, podemos apontar pontos de concordância em recentes desdobramentos entre os Judaísmos e correlativos em vários Cristianismos e Islamismos. Pois entre os Judaísmos de hoje levantaram-se de forma intensa questões que, em geral, as pessoas supunham não estarem mais sujeitas a debate. E descobrimos que questões consideradas encerradas suscitam discussões intensas e violentas. Na medida em que podemos identificar como 'fundamentalismo' uma renovação do debate sobre as questões fundamentais de organização social da fé - a ordem social judaica - podemos afirmar que existe um fundamentalismo florescendo entre os Judaísmos contemporâneos, e que constitui um importante desafio à ordem social judaica, por um lado, e ao lugar ocupado pelo complexo religioso judaico entre os outros complexos religiosos, por outro.

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Sexta-feira, Janeiro 06, 2006

Sharon "castigado" por Deus: dos danos políticos do fundamentalismo bíblico

Está na Folha Online - 05/01/2006 - 22h13: Pregador dos EUA sugere que derrame de Sharon foi "castigo divino"
O evangelista americano Pat Robertson causou polêmica nesta quinta-feira ao sugerir que o derrame cerebral sofrido pelo primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, 77, foi um "castigo divino" por "dividir a terra sagrada de Israel." "Deus é inimigo daqueles que dividem sua terra. Deus considera que esta terra [Israel] é sua", afirmou o pregador ultraconservador em seu programa de TV 700 Club. "A qualquer primeiro-ministro de Israel que decida dividi-la, Deus dirá: 'Não, é minha'", acrescentou Robertson. "Agora ele está à beira da morte", disse o ainda pregador, referindo-se ao líder israelense. "E estava dividindo a terra de Deus" (continua...)

A notícia está em centenas de jornais... veja, por exemplo, The New York Times - January 6, 2006: Robertson Suggests Stroke Is Divine Rebuke
Norfolk, Va., Jan. 5 (AP) - The Protestant broadcaster Pat Robertson suggested Thursday that Ariel Sharon's stroke was divine punishment for "dividing God's land." "God considers this land to be his," Mr. Robertson said on "The 700 Club," his television program. "You read the Bible and he says, 'This is my land,' and for any prime minister of Israel who decides he is going to carve it up and give it away, God says, 'No, this is mine.' " Mr. Robertson said he had prayed about a year ago with Mr. Sharon, whom he called "a very tenderhearted man and a good friend." He said he was sad to see Mr. Sharon in his current medical condition. But he also said that in the Bible, the prophet Joel "makes it very clear that God has enmity against those who 'divide my land.' " Mr. Sharon "was dividing God's land, and I would say woe unto any prime minister of Israel who takes a similar course to appease" the European Union, the United Nations or the United States, Mr. Robertson said.


Esta outra "maldição divina" foi noticiada pelo Jerusalem Post e colocada por Jim Davila no seu blog PaleoJudaica.com: Extremists boast they cursed Sharon - By Yaakov Katz (Jerusalem Post)
Far-right activists took credit Thursday for the severe deterioration in Ariel Sharon's health, claiming that a pulsa denura - Aramaic for "lashes of fire" - death curse they instigated against the prime minister in July was the real catalyst behind his current state of health (continua...)

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Quinta-feira, Janeiro 05, 2006

M. Daniel Carrol R.: um excelente estudo sobre o profeta Amós

Preparando minhas aulas de Literatura Profética, fiquei impressionado com os elogios de quatro resenhas sobre o livro de CARROLL R., M. Daniel, Amos - The Prophet and His Oracles: Research on the Book of Amos, Louisville: Westminster John Knox, 2002, xiv + 224 p. Todos os resenhistas chamam a atenção para a excelência e importância do livro e o recomendam como leitura obrigatória para quem quiser entender a pesquisa atual sobre Amós e os rumos que ela tomará nos próximos anos.

Diz Petronella Verwijs, Corona, Califórnia:
I have no doubt that this book will contribute to a continued investigation into the book of Amos. I myself, after reading this book, am greatly encouraged to continue my part of the task.

Diz James Linville, Lethbridge, Alberta, Canadá:
The author has provided the academic community with a fine review and a well-balanced outlook on the prospects for academic and socially engaged scholarship into Amos and the value in multiple approaches to the book. His noncompromising stance on reading Amos for something opens the "disinterested" scholar to a new world of imaginative and impassioned readings.

Diz Mark Mcentire, Belmont University Nashville, Tennessee:
For at least several years this volume will serve as an ideal starting point for anyone entering the field of scholarship on Amos. Carroll R. has his own agenda, and it feels rather strange to read as he
describes his own work in the third person, but he is a reliable guide to past scholarship and developing trends in Amos studies. The extensive bibliographies in this book have the potential to save readers many hours of their own searching.


Diz Barry A. Jones (na CBQ), Campbell University Divinity School, Buies Creek, North Carolina:
M. Daniel Carroll R. has created a unique resource for the study of Amos that offers both an introduction to scholarship and a tool for further research. He combines a well-organized, up-to-date, and widely inclusive bibliography with introductory essays reflecting on the study of Amos past, present and future. The resulting book puts the fruit of over two centuries of scholarship into the hands of students and scholars.

Bibliografia sobre Profetismo, em português: Ayrton's Biblical Page > Bibliografia.

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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

O Jesus Histórico na pesquisa recente, segundo James Dunn e colegas

Três livros com James D. G. Dunn, mundialmente famoso por sua obra sobre Paulo: dois livros dele e um editado por ele e Scot McKnight.

Este último é uma coletânea bem abrangente, com ensaios de P. S. Alexander, D. C. Allison, P. W. Barnett, M. J. Borg, R. Bultmann, H. J. Cadbury, P. M. Casey, G. B. Caird, B. Chilton, C. E. B. Cranfield, J. D. G. Dunn, R. A. Horsley, J. Jeremias, M. Kähler, W. G. Kümmel, E. E. Lemcio, A.-J. Levine, G. Luedemann, J. P. Meier, B. F. Meyer, R. Morgan, J. A. T. Robinson, E. P. Sanders, A. Schweitzer, K. R. Snodgrass, G. N. Stanton, P. Stuhlmacher, G. Theissen, N. T. Wright.

Um livro é de 2003 e dois são de 2005. Todos eles nos ajudam a compreender melhor quem foi Jesus de Nazaré. E situam o leitor na pluralidade das tendências da pesquisa atual sobre o Jesus Histórico.

  • DUNN, J. D. G. Jesus Remembered: Christianity in the Making, Volume 1
  • DUNN, J. D. G. A New Perspective on Jesus: What the Quest for the Historical Jesus Missed
  • DUNN, D. G.; McKNIGHT, S. (eds.) The Historical Jesus in Recent Research

Onde Encontrar: Ayrton's Biblical Page > Bibliografia

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Uma origem samaritana para as tradições do Hexateuco?

Publicado por Jim West em Biblical Theology: Mt Gerizim and the Samaritans [Obs.: link quebrado, blog não existe mais: 21.03.2008 - 11h32]

Dr Ingrid Hjelm, The Carsten Niebuhr Dep., Univ. of Copenhagen, has made available an essay on Mt Gerizim and the Samaritans which will be of interest to all those engaged in study of the "intertestamental period" as we used to call it many years back.

The conclusion of the essay follows:

Indications are strong in favour of understanding the Persian and Hellenistic periods as formative periods for most of biblical literature. Gerizim’s role must therefore be reconsidered. The proximity of Bethel to Shechem in Samaritan traditions and in the Masoretic and Samaritan Pentateuch must be re-evaluated... (continua)

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Terça-feira, Janeiro 03, 2006

Padre italiano vai ter que provar na justiça que Jesus existiu

É sério. Está no Times de Londres. Numa disputa entre um agrônomo aposentado ateu e o Pe. Enrico Righi, em Viterbo, ao norte de Roma, Itália, um juiz exigiu que o padre prove, perante a justiça, que Jesus existiu de fato... Veja:

The Times - January 03, 2006

Prove Christ exists, judge orders priest

From Richard Owen in Rome

An italian judge has ordered a priest to appear in court this month to prove that Jesus Christ existed. The case against Father Enrico Righi has been brought in the town of Viterbo, north of Rome, by Luigi Cascioli, a retired agronomist who once studied for the priesthood but later became a militant atheist. Signor Cascioli, author of a book called The Fable of Christ, began legal proceedings against Father Righi three years ago after the priest denounced Signor Cascioli in the parish newsletter for questioning Christ’s historical existence. Yesterday Gaetano Mautone, a judge in Viterbo, set a preliminary hearing for the end of this month and ordered Father Righi to appear. The judge had earlier refused to take up the case, but was overruled last month by the Court of Appeal, which agreed that Signor Cascioli had a reasonable case for his accusation that Father Righi was “abusing popular credulity”. Signor Cascioli’s contention — echoed in numerous atheist books and internet sites — is that there was no reliable evidence that Jesus lived and died in 1st-century Palestine apart from the Gospel accounts, which Christians took on faith. There is therefore no basis for Christianity, he claims. Signor Cascioli’s one-man campaign came to a head at a court hearing last April when he lodged his accusations of “abuse of popular credulity” and “impersonation”, both offences under the Italian penal code. He argued that all claims for the existence of Jesus from sources other than the Bible stem from authors who lived “after the time of the hypothetical Jesus” and were therefore not reliable witnesses. Signor Cascioli maintains that early Christian writers confused Jesus with John of Gamala, an anti-Roman Jewish insurgent in 1st-century Palestine. Church authorities were therefore guilty of “substitution of persons”. The Roman historians Tacitus and Suetonius mention a “Christus” or “Chrestus”, but were writing “well after the life of the purported Jesus” and were relying on hearsay. Father Righi said there was overwhelming testimony to Christ’s existence in religious and secular texts. Millions had in any case believed in Christ as both man and Son of God for 2,000 years. “If Cascioli does not see the sun in the sky at midday, he cannot sue me because I see it and he does not,” Father Righi said. Signor Cascioli said that the Gospels themselves were full of inconsistencies and did not agree on the names of the 12 apostles. He said that he would withdraw his legal action if Father Righi came up with irrefutable proof of Christ’s existence by the end of the month. The Vatican has so far declined to comment.

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Métodos de leitura dos textos bíblicos e o hábito da vigilância hermenêutica

A Introdução à S. Escritura compreende 2 horas semanais, no primeiro semestre de Teologia. Mais do que estudar o surgimento e o conteúdo dos vários livros bíblicos, a disciplina é voltada para a compreensão/apreensão de alguns métodos de leitura dos textos bíblicos. Esta opção se justifica, pois a introdução a cada um dos livros é feita a partir das disciplinas que abordam áreas específicas da Bíblia ao longo do curso de Teologia.

Um dos problemas típicos desta disciplina é a carga horária exígua que lhe é, em geral, atribuída. Até porque, ao tomar contato com a moderna metodologia de abordagem dos textos bíblicos, a desmontagem de noções ingênuas adquiridas na educação anterior e a dificuldade em abandonar certezas que beiram o fundamentalismo requerem tempo e paciência. Além disso, conseguir a convivência da criticidade que se vai progressivamente adquirindo em sala de aula com as necessidades pastorais dos envolvidos no processo de aprendizagem, exige a construção de uma linguagem hermenêutica adequada, outra questão espinhosa.

Por isso, uma tarefa que se impõe a quem se envereda por esse caminho, é a comparação e o confronto da teoria exegética crítica com as leituras cotidianas e costumeiras da Bíblia. Isto é feito pelos alunos, que coletam e analisam os dados necessários.

Costumo orientar este processo através de uma série de questões que são propostas para a análise de uma leitura bíblica feita no ambiente pastoral dos estudantes. De modo geral, peço que considerem três etapas:
  • descrever a leitura feita e sua interpretação e/ou aplicação
  • contextuar a leitura feita: ambiente, situação, tipo de público
  • analisar a leitura feita: sua interpretação e/ou aplicação naquele contexto específico
Na última etapa, a análise, utilizando categorias sugeridas por Carlos Mesters em seu livro Flor sem defesa - veja bibliografia abaixo -, podem ser considerados:
  • o texto bíblico lido e interpretado
  • o con-texto: a comunidade que lê o texto
  • o pré-texto: a sociedade na qual o leitor e/ou a comunidade vive
Do lado do texto, pode-se, por exemplo, perguntar:
  • A leitura foi adequada aos destinatários? Conferir o nível de compreensão, reação, receptividade, nível cultural x vocabulário usado, conhecimento religioso x linguagem teológica
  • A leitura foi coerente com o atual conhecimento científico (exegético) da Bíblia? Conferir a questão do contexto histórico, sentido do texto no conjunto do livro, objetivo do autor, recado dado pelo autor x recado atual...
  • Que modelo hermenêutico foi usado? Aplicação direta do texto, colagem, semelhança, comparação, diferença, contradição?

Do lado do contexto, se indaga:
  • Qual foi a função eclesial da leitura? Na comunidade em que foi feita, serviu a qual objetivo?
  • A leitura foi coerente com leituras e/ou práticas anteriores? Reforçou? Provocou? Instruiu? Exortou? Informou? Ou seja: qual foi a “intenção do discurso”?

Do lado do pré-texto, há questões possíveis, como:
  • Que visão de mundo, país, sociedade a leitura veiculou? Conferir o sub-texto, o não-dito, aquilo que é considerado natural
  • Qual foi a função social da leitura? Na sociedade, país, cidade e classe social em que foi feita: serviu a qual objetivo?

Se o leitor, finalmente, me pergunta sobre a possibilidade de se fazer tudo isso em um semestre com apenas duas aulas teóricas por semana, respondo que essa é a meta... O objetivo será mais ou menos alcançado se o interessado "mergulhar" na bibliografia indicada e tiver uma atitude de vigilância hermenêutica constante na leitura dos textos bíblicos! Atitude que deverá (deveria?) manter pelo resto da vida...


I. Ementa
A disciplina privilegia o nascimento e a estruturação dos vários métodos de leitura da Sagrada Escritura, especialmente os modernos métodos histórico-críticos, sócio-antropológicos e populares.

II. Objetivos
Possibilita ao aluno a visualização das diversas problemáticas envolvidas na abordagem dos textos bíblicos no contexto e no pensamento contemporâneos.


III. Conteúdo Programático

1. A leitura histórico-crítica
  • A crítica textual
  • A crítica literária
  • A crítica das formas
  • A história da redação
  • A história da tradição

2. A leitura sócio-antropológica
  • Por que uma leitura sócio-antropológica da Bíblia?
  • Origem e características do discurso sociológico
  • Origem e características do discurso antropológico
  • A Bíblia e a leitura sócio-antropológica
  • Algumas dificuldades da leitura sócio-antropológica

3. A leitura popular
  • Ler a vida com a ajuda da Bíblia
  • A opção pelos pobres
  • Da Bíblia à Sociedade: passagem para o Político

4. Oficina bíblica: leitura de textos selecionados
  • Mc 6,30-44: a primeira multiplicação dos pães
  • Lc 3,21-22: o batismo de Jesus
  • Mt 2,1-12: a visita dos magos
  • Jo 2,1-12: as bodas de Caná


IV. Bibliografia
Básica
BUSHELL, M. BibleWorks 6. Norfolk, VA: BibleWorks, 2003 (software para o estudo da Bíblia, com 93 versões da Bíblia em 29 línguas, incluindo o português, 12 textos nas línguas originais, 7 bancos de dados de morfologia bíblica, 6 léxicos e dicionários gregos, 4 léxicos e dicionários hebraicos, além de 18 outras ferramentas). Informações disponíveis na Ayrton's Biblical Page > Links.

DA SILVA, A. J. Notas sobre alguns aspectos da leitura da Bíblia no Brasil hoje. REB, Petrópolis, v. 50, n. 197, p. 117-137, mar. 1990. Disponível na Ayrton's Biblical Page > Ler a Bíblia Hoje.

DE OLIVEIRA, E. M. et al. Métodos para ler a Bíblia. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 32, 1991.

DIAS DA SILVA, C. M. com a colaboração de especialistas, Metodologia de exegese bíblica. São Paulo: Paulinas, 2000. Apresentação do livro disponível na Ayrton's Biblical Page > Novidades e resenha disponível na Ayrton's Biblical Page > Metodologia.

EGGER, W. Metodologia do Novo Testamento: introdução aos métodos lingüísticos e histórico-críticos. São Paulo: Loyola, 1994.

MESTERS, C. Flor sem defesa: uma explicação da Bíblia a partir do povo. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.

Complementar
DA SILVA, A. J. A visita dos magos: Mt 2,1-12. Artigo disponível na Ayrton's Biblical Page > Os Magos.

DA SILVA, A. J. Leitura sócio-antropológica da Bíblia Hebraica. Artigo disponível na Ayrton's Biblical Page > Sociologia.

DA SILVA, A. J. Leitura sócio-antropológica do Novo Testamento. Artigo disponível na Ayrton's Biblical Page > Antropologia.

DA SILVA, A. J. O discurso sócio-antropológico: origem e desenvolvimento. Artigo disponível na Ayrton's Biblical Page > Método.

DA SILVA, A. J. Por que milagres? O caso da multiplicação dos pães. Estudos Bíblicos, Petrópolis, n. 22, 1989, p. 43-53.

KONINGS, J. Sinopse dos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da Fonte Q. São Paulo: Loyola, 2005.

PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. A Interpretação da Bíblia na Igreja. São Paulo: Paulinas, 1994.

SIMIAN-YOFRE, H. (ed.) Metodologia do Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2000.

TREBOLLE BARRERA, J. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã: introdução à história da Bíblia. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.

WEGNER, U. Exegese do Novo Testamento: manual de metodologia. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal/Paulus, 2002.

ZENGER, E. et al. Introdução ao Antigo Testamento. São Paulo: Loyola, 2003.

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Segunda-feira, Janeiro 02, 2006

História de Israel: das origens ao domínio romano da Palestina

Este curso de História de Israel compreende 4 horas semanais, com duração de um semestre, o primeiro dos oito semestres do curso de Teologia. Aos alunos são distribuídos um roteiro impresso do curso - não uma apostila! - e um CD com os roteiros de todos as minhas disciplinas do ano em curso. Os sistemas de avaliação e aprendizagem seguem as normas das Faculdades e são, dentro do espaço permitido, combinados com os alunos no começo do curso.

I. Ementa
Discute com o aluno os elementos necessários para uma compreensão global e essencial da história econômica, política e social do povo israelita, como base para um aprofundamento maior da história teológica desse povo. Possibilita ao aluno uma reflexão séria sobre o processo histórico de Israel desde suas origens até o século I d.C.

II. Objetivos
Oferece ao aluno um quadro coerente da História de Israel e discute as tendências atuais da pesquisa na área. Constrói uma base de conhecimentos histórico-sociais necessários ao aluno para que possa situar no seu contexto a literatura bíblica vétero-testamentária produzida no período.


III. Conteúdo Programático

1.Noções de geografia do Antigo Oriente Médio

  • O Crescente Fértil
  • A Mesopotâmia
  • A Palestina e o Egito de 3000 a 1700 A.C.
  • A Síria e a Fenícia
  • A Palestina

2. As origens de Israel

  • A teoria da conquista
  • A teoria da instalação pacífica
  • A teoria da revolta
  • A teoria da evolução pacífica e gradual

3. Os governos de Saul, Davi e Salomão

  • Nascimento e morte da monarquia a partir dos textos bíblicos
  • A ruptura do consenso
  • As fontes: seu peso, seu uso
  • Dois exemplos de fontes primárias: as estelas de Tel Dan e de Merneptah
  • A questão teórica: como nasce um Estado antigo?
  • As soluções de Lemche e Finkelstein & Silberman

4. O reino de Israel

  • A rebelião explode e divide Israel
  • Israel de Jeroboão I a Jeroboão II
  • A Assíria vem aí: para Israel é o fim
  • As conclusões de Finkelstein & Silberman

5. O reino de Judá

  • Os Reis de Judá
  • A reforma de Ezequias e a invasão de Senaquerib
  • A reforma de Josias e o Deuteronômio
  • Os últimos dias de Judá
  • Por que Judá caiu?

6. A época persa e as conquistas de Alexandre

  • A situação da Grécia e a política macedônia
  • As conquistas de Alexandre Magno (356-323 a.C.)
  • Quem é Alexandre Magno?
  • A anexação da Judéia por Alexandre
  • A situação da Judéia no momento da anexação

7. Os Ptolomeus governam a Palestina

  • Os Diádocos lutam pela herança de Alexandre
  • A situação da Palestina de 323 a 301 a.C.
  • As guerras sírias entre Ptolomeus e Selêucidas
  • Alexandria e os judeus
  • O governo dos Ptolomeus
  • A administração ptolomaica da Palestina

8. Os Selêucidas: a helenização da Palestina

  • O governo de Antíoco III, o Grande
  • Antíoco IV e a proibição do judaísmo
  • As causas da helenização

9. Os Macabeus I: a resistência

  • Matatias e o começo da revolta
  • A luta de Judas Macabeu (166-160 a.C.)
  • Jônatas, o primeiro Sumo Sacerdote Macabeu (160-143 a.C.)

10. Os Macabeus II: a independência

  • Simão consegue a independência da Judéia
  • João Hircano I e as divisões internas dos judeus
  • Aristóbulo I e a reaproximação com o helenismo
  • Alexandre Janeu, o primeiro rei macabeu
  • Salomé Alexandra e o poder dos fariseus
  • Aristóbulo II e a intervenção de Pompeu

11. O domínio romano

  • A “Pax Romana” chega a Jerusalém
  • O sistema sócio-econômico da Palestina no século I d.C.
  • A organização político-religiosa da Palestina

IV. Bibliografia
Básica
DA SILVA, A. J. A história de Israel na pesquisa atual. In: História de Israel e as pesquisas mais recentes. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 2003. p. 43-87.

DONNER, H. História de Israel e dos povos vizinhos 2v. 3. ed. São Leopoldo: Sinodal, 2004.

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O estudo da Escritura e a busca da competência hermenêutica

Estou, nestes dias, preparando meus programas de aula do primeiro semestre de 2006. Começo a publicá-los no Observatório Bíblico. A intenção é de que possam servir, para além de meus alunos, a outras pessoas que, eventualmente, queiram ter uma noção de como se estuda a Bíblia em determinadas Faculdades de Teologia. Ou, pelo menos, parte da Bíblia, porque posso expor apenas os programas das disciplinas que leciono. Tomo aqui como referência os currículos do CEARP e da FTCR.

Quatro elementos serão levados em conta, em uma leitura da Bíblia que eu chamaria de sócio-histórica-redacional:

  • contextos da época bíblica
  • produção dos textos bíblicos
  • contextos atuais
  • leitores atuais dos textos

O sentido da Escritura, segundo este modelo, não está nem no nível dos contextos da época bíblica e/ou dos contextos atuais, nem no nível dos textos bíblicos ou da vivência dos leitores, mas na articulação que se forma entre a relação dos textos bíblicos com os seus contextos, por um lado, e entre os leitores atuais e seus contextos.

Ou seja: "Da Escritura não se esperam fórmulas a ‘copiar’, ou técnicas a ‘aplicar’. O que ela pode nos oferecer é antes algo como orientações, modelos, tipos, diretivas, princípios, inspirações, enfim, elementos que nos permitam adquirir, por nós mesmos, uma ‘competência hermenêutica’, dando-nos a possibilidade de julgar por nós mesmos, ‘segundo o senso do Cristo’, ou ‘de acordo com o Espírito’, das situações novas e imprevistas com as quais somos continuamente confrontados. As Escrituras cristãs não nos oferecem um was, mas um wie: uma maneira, um estilo, um espírito. Tal comportamento hermenêutico se situa a igual distância tanto da metafísica do sentido (positivismo) quanto da pletora das significações (biscateação). Ele nos dá a chance de jogar a sério a círculo hermenêutico, pois que é somente neste e por este jogo que o sentido pode despertar" explica BOFF, C. Teologia e Prática: Teologia do Político e suas mediações. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1993, p. 266-267).

As disciplinas de Bíblia no curso de graduação em Teologia podem, segundo este modelo, ser classificadas em três áreas:

1. Disciplinas Contextuais:

  • História de Israel (alternativa: História da época do Antigo Testamento e História da época do Novo Testamento)

2. Disciplinas Instrumentais:

  • Introdução à S. Escritura (alternativa: Métodos de leitura dos textos bíblicos)
  • Língua Hebraica Bíblica
  • Língua Grega Bíblica

3. Disciplinas Exegéticas:

  • Pentateuco
  • Literatura Profética
  • Literatura Deuteronomista
  • Literatura Sapiencial
  • Literatura Pós-Exílica
  • Literatura Sinótica e Atos
  • Literatura Paulina
  • Literatura Joanina
  • Apocalipse

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Destas disciplinas, leciono:

No primeiro semestre:

  • História de Israel (CEARP - Ribeirão Preto) e História da época do Antigo Testamento (FTCR PUC-Campinas): 4 hs/sem.
  • Introdução à S. Escritura (CEARP): 2 hs/sem.
  • Literatura Profética (CEARP/FTCR): 4 hs/sem.
  • Literatura Deuteronomista (CEARP): 2 hs/sem.

No segundo semestre:

  • Língua Hebraica Bíblica (FTCR): 2 hs/sem.
  • Pentateuco (CEARP/FTCR): 4 hs/sem.
  • Literatura Pós-Exílica (CEARP): 4 hs/sem. e (FTCR): 2 hs/sem.

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